novembro 30, 2012

AS PAISAGENS DO ECOSSISTEMA POTIGUAR

 Dunas do Rosado, Areia Branca/RN, deu o primeiro lugar do concurso 
"Paisagens do Ecossistema Potiguar" a Vlademir Alexandre

FOTOGRAFIA

"PAISAGENS DO ECOSSISTEMA POTIGUAR"
VENCEDORES DO CONCURSO FOTOGRAFIA DO IDEMA

Via
Jornal DeFato

Através do clique de vários fotógrafos potiguares, a beleza e a riqueza dos ecossistemas do Rio Grande do Norte estarão para sempre preservadas. Momentos únicos da fauna e flora da caatinga, mata atlântica, dunas, restinga, serras, tabuleiro litorâneo, manguezal, mar, rio, lagoas e muitos outros foram imortalizados por meio das 365 fotos inscritas no Concurso IDEMA de Fotografia “Paisagens do Ecossistema Potiguar”, promovido pelo órgão ambiental entre os meses de junho a outubro deste ano.
 
Para julgar as fotografias e selecionar as três vencedoras do certame, o IDEMA convidou profissionais ligados à fotografia e ao jornalismo ambiental. O corpo de jurados foi formado pelos fotógrafos Alex Gurgel, presidente da Associação Potiguar de Fotografia (APHOTO) e Marcelo Barreto, os jornalistas Tácito Costa e Camilo Torquato, além do produtor cultural Marcos Sá – que participou da comissão julgadora de todos os concursos anteriores promovidos pelo órgão.

O julgamento das fotografias considerou os critérios técnicos estabelecidos no regulamento do concurso e selecionou as vencedoras por meio de sistema de votação com pontuação. Após a apuração final, o resultado apontou como grande vencedora do Concurso de Fotografia “Paisagens do Ecossistema Potiguar”, a fotografia de Vlademir Alexandre, com um registro das Dunas do Rosado, em Areia Branca. Pela conquista, o fotógrafo irá receber uma premiação de três mil reais.

A bela fotografia de Magnus Nascimento, retratando o sofrimento da 
população do semiárido em buca de água, ficou em segundo lugar

A segunda colocação do concurso ficou com o fotógrafo Magnus Nascimento, que com um registro em Lajes do Cabugi, conquistou o prêmio de dois mil reais. O terceiro lugar foi para o participante José Bezerra Segundo, com um registro em Martins. Pela terceira colocação, o fotógrafo receberá um prêmio no valor de mil reais.  

De acordo com Camilo Torquato, assessor de comunicação do IDEMA e membro do júri, a maior parte das fotografias inscritas é de altíssima qualidade. “Em meio a tantas fotografias exuberantes, o papel dos jurados chega a se tornar uma tarefa árdua. Fazer parte da equipe julgadora e poder conferir toda a riqueza do material concorrente é bastante prazeroso, mas selecionar as melhores fotografias não é algo assim tão fácil quando se tem fotos em tão alto nível. A escolha de cada julgador deve considerar aspectos técnicos, mas não se pode negar a subjetividade existente nesse processo de seleção”, afirmou o jornalista.

Além das três fotografias vencedoras, a equipe julgadora selecionou outras dezessete fotos merecedoras de menção honrosa. Todas as 20 fotografias selecionadas pelo júri estão disponíveis na página do IDEMA.  No próximo ano, o IDEMA irá realizar uma exposição fotográfica no Parque das Dunas contemplando as vinte fotos eleitas pela comissão julgadora.

 José Bezerra Segundo ficou em terceiro lugar com o registro do anoitecer 
na região serrana, uma das mais belas do Rio Grande do Norte

“A ideia inicial era promover a exposição e divulgação do resultado no Parque das Dunas, durante a programação dos 35 anos da unidade. Todavia, a Folha das Artes, espaço de exposições do Parque, encontra-se interditada para processo de manutenção. Em função deste imprevisto, faremos a exposição no próximo ano, logo após a liberação do local”, informou Camilo Torquato, que aproveitou a oportunidade para agradecer aos participantes do concurso. “Em nome do IDEMA agradeço e parabenizo todos aqueles que concorreram ao certame, e, independente do resultado do concurso, estão sempre contribuindo com as ações de preservação e conscientização ambiental.”

O Concurso IDEMA de Fotografia “Paisagens do Ecossistema Potiguar” reuniu fotógrafos profissionais e amadores, que concorreram aos prêmios de três mil, dois mil e mil reais. As fotografias inscritas no concurso passarão a ser de propriedade do IDEMA, que poderá fazer uso das mesmas em seu material institucional – desde que preservados os créditos do autor.

Este é o quinto concurso fotográfico realizado pelo órgão ambiental, que investe constantemente em iniciativas que estimulam a preservação ambiental e divulgação dos principais cartões postais do Estado. Em 2004 o IDEMA privilegiou o Parque das Dunas, lançando o “Concurso Internacional do Parque das Dunas”. Em seguida o órgão lançou os Concursos “Ecossistemas do Rio Grande do Norte”, em duas edições, 2006 e 2007. Em 2009 o IDEMA contemplou as áreas de preservação ambiental, lançando o “Concurso de Unidades de Conservação e Monumentos Ecológicos do RN”.

...fonte...
www.defato.com

...visite... 

novembro 26, 2012

POTIGUARTE É FINALISTA NO TOP BLOG 2012

 ... PoTiGuArTe ...
 "Uma janela para a arte e cultura potiguar" 
 
O BLOG POTIGUARTE É FINALISTA NO PRÊMIO TOP BLOG 2012
 
 Por
José Carlos da Silva
 
Inicialmente não havia a menor ou maior pretensão de se chegar tão longe em uma competição, o Prêmio Top Blog 2012, que reune em seu elenco mais de 250 mil blogs incritos, divididos em 25 categorias, entre elas, Arte e Cultura, blog profissional, a qual o potiguarte mereceu tamanho destaque, chegando, após uma expressiva votação popular na internet,  entre os 100 melhores da blogosfera brasileira  e, finalmente,  conduzido ao Top 3.     

O que isto significa? Significa que estando entre os 100 melhores blogs do País já era um motivo de grande orgulho, imagina estar entre os três finalistas de blogs profissionais, categoria Arte e Cultura, escolhido por jurí popular? Significa um reconhecimento a um trabalho que é movido por dedicação e muita paixão.    

Durante a competição o blog Potiguarte passou para a segunda fase do Prêmio Top Blog 2012, ficando entre os 100 mais votados do país na categoria Arte e Cultura/Blogs Profissionais. E, agora, é finalista e apontado como um dos três melhores blogs do Brasil em sua categoria. 
 
O Oscar dos blogs brasileiros

TOP BLOG

O Prêmio Top Blog 2012 é um sistema interativo de incentivo cultural destinado a reconhecer e premiar, mediante votação popular (júri popular) e acadêmica (júri acadêmico), os blogs brasileiros mais populares que possuam a maior parte de seu conteúdo focado para o público brasileiro, com melhor apresentação técnica específica a cada grupo (Pessoal e Profissional ) e suas respectivas categorias. Cada categoria premia blogs com primeiro, segundo e terceiro lugares tanto no júri popular, com votação pela internet, quanto no júri acadêmico, avaliação técnica.     

Hoje, no Brasil, são lançados cerca de 120.000 novos blog todos os dias. Esse número mostra o quanto a sobrevivência na Blogosfera é acirrada e competitiva. Estima-se que no país existam mais de dois milhões de blogs publicados em língua portuguesa. Só em 2011, o prêmio Top Blog teve 250 mil blogs inscritos/indexados no processo seletivo.  

A divulgação dos vencedores do Top Blog 2012 será em cerimõnia com início previsto a partir das  17 horas, Auditório da Universidade Paulista - UNIP, Rua Vergueiro, 1211, Paraíso - São Paulo/SP, dia 26 de janeiro de 2013. A cerimônia de entrega dos prêmios pretende contar com a presença de todos os finalistas.
  
  "Xafurdando" em meio à arte regional

 POTIGUARTE

Em pouco mais de um ano o blog Potiguarte conseguiu a façanha de atingir a marca dos 70.000 acessos por um refinado perfil de leitor, ávido por arte e cultura regional. Além de, conforme dados do Google analytics, a constatação do acesso diário de leitores distribuidos em quase todos os estados brasileiro e em vários países da África, Europa, América Latina e Ásia.  O blog Potiguarte tem mantido um estilo peculiar de compartilhar, divulgar e mostrar ao mundo a arte e cultura genuinamente potiguar.

O blog Potiguarte é um espaço dedicado à divulgação de postagens de matérias jornalísticas que retratam as manifestações culturais e artísticas geradas em Natal e Região (Rio Grande do Norte), além de tratar daquelas que - de uma forma direta ou indireta - impactam e trazem mudanças ao cenário cultural regional. O Potiguarte acredita que a arte e a cultura, assim como seu caráter transformador, são inerentes ao ser humano e como tal devem ser estimulados e encarados como fatores de construção de uma consciência crítica e de indivíduos atuantes social, intelectual, cultural, política e artisticamente. 

26/01/2013 vamos conhecer os eleitos 1º, 2º e 3º colocados
  Cerimônia de Premiação será na UNIP - São Paulo/SP
 
AGRADECIMENTOS   

O blog Potiguarte figurar entre os 100 melhores blogs passou a ser um fato e estar entre os três melhores do Pais, em sua categoria, é um feito. Ah, sendo possível, também, figurar logo, logo em primeiro lugar. Por que, não? Um feito alcançado graças a você que acreditou no real propósito do blog e o colocou em um dos lugares mais alto do pódium. Agradeço a você que nos brinda com a sua visita diária, curte, compartilha e que me fornece um feedback nos comentários do que aqui é postado. Agradeço aos visitantes esporádicos que caem de paraquedas aqui pelo Google ou outros sites de busca.    
 
Um agradecimento, pra lá de especial, à nossa mídia potiguar, impressa ou virtual, com seus competentes editores, jornalistas e fotógrafos, pois são destes veículos que são reportadas as postagens por aqui ancoradas. Sim, isso mesmo,  obrigado ao Diário OnLine, Tribuna do Norte, Gazeta do Oeste, Jornal Nominuto, Novo Jornal, Jornal de Hoje e ao Jornal De Fato.    

Câmara Cascudo citou que "Natal não consagra e nem desconsagra ninguém", mas contrariando o que o mestre falou, vocês consagraram com louvor o blog Potiguarte. Que a arte e cultura do Rio Grande do Norte esteja sempre em evidência  e estampadas no Potiguarte. Confesso, é muito, mas é muito prazeroso "xafurdar" em meio à arte e cultura potiguar! 
 
 ...fonte...
  José Carlos da Silva
 www.potiguarte.blogspot.com   
 www.topblog.com.br

novembro 22, 2012

OS CAMINHOS DE UM CAÇADOR DE IMAGENS

   CAMINHOS DE SERTÃO E MAR
Do litoral ao sertão, os caminhos percorridos por Fernando Chiriboga  e
registrados por sua câmera nos revelam paisagens que falam por si sós,
naturais ou construídas pelo homem. Um arquivo aberto da natureza.  

 FOTOGRAFIA

"CAMINHOS DE SERTÃO E MAR"
O MAIS NOVO LIVRO DE FERNANDO CHIRIBOGA

Por
Assessoria de Comunicação  
 
O fotógrafo equatoriano radicado em Natal/RN - Fernando Chiriboga - chega ao seu 10º livro de fotografias intitulado "Caminhos de Sertão e Mar: Oeste Potiguar". O lançamento acontece dia 30/11, às 19h, na Livraria Saraiva do Shopping Midway Mall. Além das belas fotos, o fotógrafo - com sublime maestria - acrescenta textos de poetas potiguares, como Deífilo Gurgel, Henrique Castriciano, Homero Homem e outros.  

Neste livro, do litoral ao sertão, os caminhos percorridos por Fernando Chiriboga e registrados por sua câmera nos revelam paisagens que falam por si sós, sejam elas naturais ou construídas pelo homem.

As paisagens naturais, que compreendem parte da geodiversidade potiguar, estão representadas por falésias, dunas, lajedos, serras e cavernas formados por diferentes tipos de minerais e de rochas. Elas representam o arquivo aberto da natureza – um livro escrito pela Mãe Terra – e guardam as informações que permitem reconstruir uma história que recua no tempo, algumas centenas de milhões de anos, influenciando profundamente a sociedade e a diversidade cultural do nosso Estado. 

Esses locais naturais, visitados e fotografados por Fernando Chiriboga, compõem parte do nosso patrimônio geológico, possuindo elementos que apresentam valores de interesse científico, didático, cultural, estético (paisagístico) e geoturístico, e podem ser considerados sítios geológicos ou geossítios (ou monumentos geológicos), portanto representando testemunhos irremovíveis do patrimônio natural potiguar.    

  Rio Apodi - Mossoró - RN - Brasil
Fotografia: Fernando Chiriboga

ESCREVENDO POESIA COM A LUZ    

Em “Caminhos de Sertão e Mar” o experiente fotógrafo Fernando Chiriboga, com sensibilidade, desvenda a poesia contida nas belas e surpreendentes paisagens das terras potiguares. Nesta obra, a décima de sua carreira que tem como tema o Rio Grande do Norte, faz uma inesquecível viagem pelo Oeste Potiguar, fascinante pedaço do sertão nordestino.

Os caminhos o levam a Mossoró, lugar de história marcante, ricas tradições e expressivas manifestações culturais. Aventurando-se pelo chamado Polo Costa Branca, retrata-lhes a vegetação típica da caatinga, as dunas e falésias multicoloridas e, principalmente, um importante encontro do sertão com o mar, apenas visto em dois estados brasileiros – Rio Grande do Norte e Ceará.   
 
 Caverna Catedral - Felipe Guerra - RN - Brasi
lFotografia: Fernando Chiriboga     
 
Sua viagem não para por aí. Entrando em plena chapada do Apodi, encontra os surpreendentes sítios arqueológicos do Lajedo da Soledade, do Poço do Letreiro e da Pedra Pintada, com suas milenares inscrições rupestres. Fotografa as cavernas Rainha e Catedral, no Lajedo do Rosário, que fazem parte da maior concentração de cavernas vivas do estado.

 Lagoa do Piató - Assu - RN - Brasi
lFotografia: Fernando Chiriboga    
 
Capta as belezas do Vale do Assu, berço de vários poetas potiguares e que abriga a nossa “Atlântida do Sertão”, o município de São Rafael, assim apelidado por ter sido, na década de 1980, inundado para a construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves. 

O livro conta com o patrocínio da Cosern, do grupo Neoenergia, além da Lei de Incentivo a Cultura do Governo Federal, através do Ministério da Cultura, e terá parte da sua tiragem doada a duas centenas de bibliotecas do Rio Grande do Norte, democratizando o acesso às belezas singulares das encantadoras paisagens dessa “Terra de Sertão e Mar”. 

Fotógrafo, designer gráfico e artista plástico
Ao longo de sua carreira têm conquistado vários prêmios
Um apaixonado por fotografia de natureza, aventura e paisagens urbanas

  FERNANDO CHIRIBOGA    

Nascido nos Andes equatorianos em 1961, veio para o Brasil em 1985 para cursar Arquitetura pela UFRN, mais precisamente para Natal - Rio Grande do Norte, onde reside até hoje.Artista plástico, Design Gráfico e fotógrafo autodidata, dedicou-se inicialmente à pintura, mas foi na fotografia que encontrou sua identidade artística.

Participou de várias exposições coletivas e realizou 5 mostras individuais, tendo obtido vários prêmios e menções honrosas. Seus trabalhos vêm sendo publicados em importantes revistas e sites no Brasil. De dezembro de 2004 a fevereiro de 2012 lançou 9 livros de fotografias sobre o Rio Grande do Norte, entre eles "Luzes da Cidade", “Matas Potiguares – Natureza e Surrealismo”, “Praias e Dunas – Rio Grande do Norte”, “Seridó – Paisagens de um Sertão Encantado” e “De Ondas e Ventos – Potiguares na imensidão do mar”.  

Brincadeiras ao pôr-do-sol
Ponta do Mel, município de Areia Branca - RN - Brasil
Fotografia: Fernando Chiriboga    
 
Há 16 anos dedica-se à fotografia de hotéis e turismo, gastronomia, imagens aéreas, arquitetura e indústria. Apaixonado pela natureza e por aventura, além de retratar as terras andinas, vem, nos últimos anos, percorrendo o nordeste brasileiro e explorando a beleza dos locais com o seu apurado olhar.

Somente contemplar essas paisagens não bastaria ao caçador de imagens. Conhecê-las e, porque não, interpretá-las? E é essa a sua intenção caracterizada, mais uma vez, neste novo trabalho: emocionar, revelar, sensibilizar e ressaltar a importânciade de um novo olhar para a geodiversidade inigualável que o Rio Grande do Norte possui, agora traduzida sob a forma de belíssimas imagens desse artista chamado Fernando Chiriboga.

...fonte...
Marcos Antonio Leite do Nascimento
Geólogo e professor da UFRN
José Roberto Bezerra de Medeiros
Diretor-Presidente da Cosern

...serviço...
Lançamento do Livro de  Fotografias
"Caminhos de Sertão e Mar: Oeste Potiguar"  -  Fernando Chiriboga
Livraria Saraiva  - Shopping Midway Mall - Natal/RN
30/11  - 19h    
 

novembro 20, 2012

UM MUSEU PARA O VAQUEIRO POTIGUAR

 Vestido em sua armadura de couro, aboiando o gado, o vaqueiro
 conquista um espaço  para contar - a partir do seu cotidiano - 
um pouco da sua história em solo potiguar
 Fotografia: Rodrigo Sena 

MUSEU DO VAQUEIRO
SOPRO NOVO PARA O VELHO SONHO   

Por
 Regina Coeli Vieira Machado
Sarah Vasconcelos
Antônio Roberto
Roberto Lucena

O tipo étnico do vaqueiro provém do contato do branco colonizador com o índio, durante a penetração do gado nos sertões do Nordeste brasileiro. O grito ecoado nos trechos dos versos de Patativa do Assaré em "O vaqueiro", traz a riqueza e a cultura da principal figura do sertão nordestino. Sem a figura dos bandeirantes, ao contrário de outras regiões do país, o Rio Grande do Norte contou com a presença do peão  para ter sua área delimitada e se desenvolver, a partir do final do século XVI.  

O vaqueiro é a figura central de uma fazenda. Seu trabalho é árduo e contínuo. Passa grande parte do tempo montado a cavalo percorrendo a fazenda e fiscalizando as pastagens. Vestido em sua armadura de couro, aboiando o gado, o vaqueiro conquista um espaço  para contar - a partir do seu cotidiano - um pouco da sua história em um projeto nobre, o Museu do Vaqueiro.

"Vamos contar a história do nosso Estado e da nossa gente, a partir do resgate de tradições, memória e história da atividade pastoril", explica o engenheiro agrônomo e criador do projeto Marcos Lopes. Para isso, observa Lopes, o Museu sediará  um centro de pesquisa histórica e de identidade sertaneja, o que propiciará estudo antropológicos, documentação e a captação de peças para exposição.

 MARCOS LOPES
O idealizador de um sonho que já dura 10 anos
Museu preservará a história e a identidade sertaneja
Fotografia: Rodrigo Sena 

Mais do que em apetrechos e peças raras, a destreza e a valentia dos responsáveis por conquistar o sertão brasileiro serão retratadas em atividades geradoras das riquezas econômicas e culturais características do ciclo do couro no Rio Grande do Norte, que se estendeu até o século XVII.  Ao visitar o local, as pessoas terão uma verdadeira aula da história do Sertão, descrita pelo próprio Marcos Lopes. Lá estarão preservadas a história e a identidade sertaneja, com peças, documentação e obras literárias sobre o tema.

O museu começou a ser idealizado por Marcos Lopes há 10 anos. A primeira parte do espaço foi bancado com recursos próprios, apesar do projeto ter sido aprovado pela Lei Câmara Cascudo à época. Este ano, o projeto ganhou patrocínio da Cosern/Neoenergia e foi possível a conclusão das obras. O museólogo Helio Oliveira fez o inventário das peças, e o escritor Dácio Galvão formulou o conceito do museu para a primeira fase de abertura.

Com o patrocínio, serão oferecidas à comunidade oficinas musicais de sanfona e zabumba, e de confecção de artesanato, indumentária e acessórios em couro. As oficinas serão destinadas a estudantes e público carente daquela região. "Com isso, contaremos a história e mostraremos na prática a criação desses bens".

 Entrada do Museu do Vaqueiro, localizado na Lagoa do Bonfim, 
município de São José de Mipibu no Rio Grande do Norte

ESTRUTURA

O Museu do Vaqueiro abre oficialmente no dia 09 de dezembro, quando o visitante poderá ver todo seu acervo sobre a cultura sertaneja em textos, fotos e peças originais, incluindo um espaço dedicado a Luiz Gonzaga, difusor maior dessa cultura em nível nacional. A nova estrutura reproduz um típico casarão sertanejo, com um primeiro andar em sótão. No local já funcionavam as oficinas de confecção de souvenirs e escola de sanfoneiros para a comunidade local. 
Na abertura do museu, o público vai se deparar com uma exposição temporária para a primeira fase, chame-se "O Vaqueiro - um homem universal", que tem curadoria da fotógrafa e jornalista Ângela Almeida, consultoria de Dácio Galvão e direção executiva Marcos Lopes. 

Na festa de inauguração haverá vaquejada feminina, pega de boi no mato e a tradicional missa do vaqueiro. O museu também vai lembrar nomes regionais e locais que contribuíram para pesquisa e manutenção da cultura sertaneja, como o escritor e estudioso da temática sertaneja Oswaldo Lamartine, Câmara Cascudo, o poeta e rabequeiro Fabião das Queimadas, entre outros que tratam do tema sertão e seus habitantes.

  DOMINGUINHOS
 O cantor e compositor visitou o  Museu do Vaqueiro 
e prestou uma contribuição inédita ao espaço: 
doou  uma sanfona, de seu acervo pessoal

DOMINGUINHOS DOA SANFONA AO MUSEU DO VAQUEIRO

O Museu do Vaqueiro, localizado na Lagoa do Bonfim, município de São José de Mipibu, ainda não foi inaugurado, mas a importância do local começa a ser mensurada pelo acervo e visitas registradas no espaço destinado à valorização da cultura nordestina.

O cantor e compositor Dominguinhos, na tarde do dia 17 de novembro,  esteve no local para fazer a doação de uma sanfona retirada de seu acervo pessoal. Além de conhecer o espaço, o "herdeiro" de Luiz Gonzaga tocou e conversou com a turma de alunos do projeto de aprendizes de sanfoneiro. "Comecei a tocar com meus irmãos, quando tinha oito anos. Luiz Gonzaga foi muito importante para minha vida e carreira", resumiu.

A sanfona doada por José Domingos de Morais é uma réplica do instrumento tocado pelo próprio Gonzagão e foi presente de outro sanfoneiro conhecido em terras potiguares: Amazan. "Ganhei essa sanfona de Amazan. Ela é muito especial, porém, muito grande e pesada. Não posso mais usá-la. Não podia vender, nem entregar a outra pessoa. Resolvi então deixar no lugar mais correto. Por isso fiz essa doação", explicou Dominguinhos.

Marcos Lopes, idealizador do Museu do Vaqueiro, explicou a importância do gesto.  "Esse tipo de sanfona, com as teclas na cor preta, é rara. De tantas sanfonas que Luiz Gonzaga tocou, apenas três tinham o teclado preto. Esse modelo, que estamos recebendo de Dominguinhos, é uma destas. É uma doação muito especial", pontuou. A sanfona ficará exposta numa espécie de redoma de vidro, juntamente com uma foto do "pai do forró".

O Museu do Vaqueiro abre as portas oficialmente no dia 9 de dezembro. Será possível conferir um acervo sobre a cultura sertaneja em textos, fotos e peças originais. O espaço começou a ser idealizado por Marcos Lopes há 10 anos. Paralelo ao museu, Lopes se dedica a outro projeto: uma escola de sanfoneiros. Atualmente, 15 crianças e adolescentes participam do projeto. Neste dia, parte da turma ouviu ensinamentos e tocou ao lado de Dominguinhos. É uma emoção boa. Tenho dois ídolos: Dominguinhos e Waldonys. Quero ser um sanfoneiro igual a eles", disse o jovem Mateus da Rocha, 15 anos.
 

novembro 16, 2012

ROSSINI PEREZ: UM ILUSTRE POTIGUAR

  ROSSINI PEREZ
"Eu sou praticamente desconhecido aqui no meu Estado, portanto, 
expor em Natal também é uma questão afetiva"
 Fotografia: Magnus Nascimento

 ROSSINI PEREZ REENCONTRA A PAISAGEM NATAL

 Por
Tádzio França

A Natal que ficou gravada na memória do artista plástico Rossini Perez não é mais a mesma. A Macaíba, onde ele nasceu, também não. Os cenários que ele vê hoje não são do seu agrado, mas o sentimento continua impresso na mente. Após 31 anos sem vir ao Rio Grande do Norte, o consagrado mestre da arte da gravura, dono de uma carreira reconhecida internacionalmente, esteve em Natal, de 01 a 11 de novembro, para uma missão de "reconhecimento": a convite da Secretaria de Cultura e Fundação José Augusto, Rossini estuda as salas da Pinacoteca do Estado para realizar uma exposição sua no primeiro semestre de 2013. Um reencontro com sabor de novidade.

Rossini Perez esteve em Natal pela última vez em 1981, à convite da FJA e também da Funarte para uma exposição. À época foi fundada uma oficina de gravura com seu nome, um projeto moderno, mas que não foi bem aproveitado e sobreviveu até o começo dos anos 90. "Eu sou praticamente desconhecido aqui no meu Estado, portanto, expor em Natal também é uma questão afetiva", afirma, em uma das salas da Pinacoteca - antigo Palácio Potengi. O artista está analisando as condições do prédio em se adequar à exposição de suas obras.

"Só preciso do mínimo para que a mostra se instale decentemente. Quero ver a iluminação, as instalações, e a possibilidade de que seja feito um catálogo, afinal é o que sobra de uma exposição. Quero saber também se a Pinacoteca tem uma reserva técnica, para que se eu fizer uma doação, saiba para onde ela foi", explica Rossini. A exposição ocuparia o amplo andar térreo do palácio, e exibiria uma seleção de trabalhos de várias épocas do artista, como seus trabalhos em gravura com técnicas de xilogravura, linóleo, serigrafia, gravura em metal, litografia, e fotos - às quais ele vem se dedicando com mais afinco no momento. A exposição também terá trabalhos de gravadores locais. Ele deseja que a mostra dialogue com os artistas locais e apresente o que o ateliês natalenses estão produzindo. 

  Como fotógrafo, Perez documentou as transformações da 
cidade do Rio de Janeiro resultantes de intervenções urbanas

GRAVURAS E FOTOGRAFIAS

O artista filho de um empreiteiro espanhol com uma seridoense ficou famoso pela criatividade de seu trabalho em gravuras, repleto de texturas, cores e traços entre o abstrato e o figurativo, com resultados que impressionam os sentidos. Rossini revela que, por questões de saúde, não faz mais gravuras. Hoje ele se dedicada a montagens e colagens de desenhos e fotos. "O público também mudou. Ele é mais atraído por imagens. A gravura, que é uma técnica secular que eu apenas dei uma cara nova, ficou à parte dessa avalanche de imagens.  Hoje em dia posso usar mais recursos para trabalhar a imagem", explica.    
 
 Rossini Perez nasceu em 1932, em Macaíba/RN  
 
"NEM HIROSHIMA FICOU TÃO DESTRUÍDA QUANTO MACAÍBA"

Resgatar e captar imagens fazem parte das atuais inspirações de Rossini. "As reminiscências da minha infância estão me inspirando cada vez mais. É uma coisa que toma proporções gigantescas com a idade avançada", diverte-se. Rossini nasceu em 1932, em Macaíba, e em 1943 se mudou para o Rio de Janeiro, onde desenvolveu sua carreira artística. O reencontro com a terra natal não foi só alegria; o artista ficou aborrecido com o abandono em que encontrou o patrimônio histórico da capital potiguar e de sua velha Macaíba.

Com a câmera na mão, Rossini vai registrando as paisagens que conheceu e não mais reconhece. "Nem Hiroshima ficou tão destruída quanto Macaíba", brinca, com seriedade. Ele ressalta a decepção de ter encontrado o sítio em que nasceu agora cercado de feios muros brancos, mais um espaço a ser loteado. "Até a bela mangueira que ficava do lado da casa secou, como se tivesse sido carbonizada. Só reconheci a igreja matriz. No mais, está tudo desfigurado", lamenta.

Natal também foi vitimada pelo progresso que desfigura a paisagem. "Fiquei triste com o desrespeito e a indiferença à história. O pedestal da estátua do Augusto Severo está destruído. Até o Teatro Alberto Maranhão sofreu descaracterizações. As placas antigas foram retiradas, e colocaram um espelho estranho", diz. Os alvos favoritos das lentes de Rossini têm sido as velhas estátuas que começaram a ornar a capital no começo do século passado. "Eram todas importadas de Paris, pois havia uma fábrica por lá especializada em fazer obras por encomenda, às vezes podiam ser até cópias de outras famosas. A estátua da Praça Pedro Velho é um dos exemplos. Estou fotografando todas as peças da época que consigo encontrar", diz. 

SAIBA MAIS...

Rossini Perez aprendeu sua arte a partir da década de 50, em cursos livres de pintura, desenho e gravura, aprendendo com nomes consagrados como Iberê Camargo. O artista morou na Europa e participou de mais de onze bienais internacionais. É contemporâneo de outro potiguar ilustre nas artes plásticas, Abraham Palatinik. Ambos participaram da Bienal de São Paulo, em 1951. Viajou o mundo entre mostras individuais e coletivas. Implantou oficinas de gravura em metal na Bolívia, Senegal, e em Brasília. No Brasil, destaca-se o período em que deu aulas no Ateliê de gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Também, como fotógrafo, Perez documentou as transformações da cidade do Rio de Janeiro resultantes de intervenções urbanas, como as obras para a construção do metrô. Registrou estatuária e detalhes da arquitetura carioca em muitas edificações mais tarde demolidas. Sua obra é composta por cerca de 7,5 mil imagens.

...fonte...
 Tádzio frança
www.tribunadonorte.com.br

novembro 13, 2012

O POTIGUAR QUE FOTOGRAFAVA ESTRELAS

 ANTÔNIO ALBUQUERQUE DE MEDEIROS
  "EU TINHA TODAS AS ESTRELAS DO CÉU NA MINHA MESA"
 ÚNICO BRASILEIRO VIVO QUE CONTRIBUIU PARA A CHEGADA DO HOMEM À LUA
VIVE ESQUECIDO E SEM APOSENTADORIA 

 POTIGUAR ABRIU TRILHA PARA HOMEM CAMINHAR NA LUA 
   
Por
Carla França  
 
Provavelmente você não sabe quem é o senhor da foto acima e muito menos a contribuição dele para a realização de um dos maiores feitos da humanidade. Uma pessoa simples e extremamente apaixonada por tudo que se propõe a fazer, o norte-rio-grandense Antônio Albuquerque de Medeiros (71), ajudou na missão espacial, que há 43 anos, tornou real um dos mais antigos sonhos da civilização humana: levar o homem à Lua.

A função dele era rastrear os satélites no espaço. Passava 14 horas por noite operando uma máquina fotográfica, chamada Baker Nunn, de duas toneladas e meia que tinha capacidade de fotografar um objeto do tamanho de uma bala, a cerca de 450 km de altitude. Assim, ele conseguia localizar a posição exata dos satélites. Essas informações eram mandadas para os Estados Unidos.   
  
  
 29 telescópios Baker-Nunn foram espalhados pelo mundo
Um deles localizado na capital potiguar  
Fotografia meramente ilustrativa para esta postagem  
 
E foi a partir desses dados, coletados na Barreira do Inferno e em outras 28 estações espalhadas pelo mundo, que os EUA conseguiram, em 16 de julho de 1969, vencer a ‘corrida espacial’ contra a União Soviética e ser o primeiro país a mandar, com sucesso, uma expedição tripulada para a Lua.

No Brasil, eram 17h17min de 20 de julho de 1969, quando o módulo pousou na Lua e o astronauta Neil Armstrong desceu, em transmissão ao vivo para todo o planeta, e disse a frase que entrou para a história: ‘Este é um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade.’
   
   
Armstrong deixa pegada de seu pé direito na Lua - Nasa / AFP
 20 de Julho de 1969  
    
COMO FOI EM NATAL O DIA DO HOMEM NA LUA  
    
Por
Nadjara Martins

“Eu sou o único brasileiro vivo que contribuiu para a chegada do homem à Lua”. A frase pode até soar arrogante para alguns, mas diante da simplicidade de seu autor, não pode ser encarada deste modo. Antônio Albuquerque de Medeiros, 71, mais conhecido como  “seu Toinho”, tem todo o direito de reivindicar o posto.

Durante 14 anos, o senhor de gestos simples e memória fotográfica, operou um dos 29 telescópios Baker-Nunn espalhados pelo mundo – um deles localizado em Natal. Por meio do rastreamento de satélites, essas máquinas foram utilizadas para mapear o céu e definir o caminho que o foguete Apollo 11 e Neil Armstrong fariam até a Lua, em 20 de julho de 1969.

Desde 1945, Natal já era uma capital conhecida por sua estratégica posição geográfica. Localizada na “esquina do continente”, a cidade é o único ponto de encontro que possibilita viagens para três continentes: África, Ásia e Europa. Além disso, em 1965, graças à sua localização próxima a linha do Equador Magnético – local em que os pólos magnéticos da terra se encontram e se anulam – a capital potiguar também passou a abrigar a primeira base aeroespacial da América Latina: a Barreira do Inferno. O fato alçou Natal ao status de Capital Espacial do Brasil.

Natal/RN - 1969

Talvez Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin Audrin, astronautas tripulantes da missão Apollo 11, não imaginassem que todo o treinamento e disciplina que superaram para alcançar um mundo sem gravidade necessitasse, também, da ajuda de um anônimo habitante da esquina do continente. Antônio, na época com 26 anos, um curraisnovense formado apenas “na escola da vida”, media, fotografava e rastreava a trajetória de todos os satélites já lançados, que percorriam o céu potiguar durante as noites da década de 1960.

Naquela época, o mundo era dividido em dois pólos: o capitalista, representado pelos Estados Unidos, e o socialista pela União Soviética (URSS). Desde 1958, as duas potencias mundiais disputavam a hegemonia política, e o ponto alto desta disputa estava na ‘corrida espacial’. Desde 1958, EUA e URSS barganhavam o papel de potência mais evoluída tecnologicamente, a ponto de ser responsável por levar o homem à lua.

Natal/RN - 1969

Apesar da URSS ter saído na frente, quando em 1961 enviou o primeiro homem ao espaço, o astronauta soviético Iuri Gagarin, os EUA logo assumiu o controle da corrida. O projeto Apollo, desenvolvido entre 1961 e 1972, tinha o principal objetivo de levar o homem até a lua. E é neste ponto que entra o Brasil.

Através de uma parceria entre a NASA e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1967 o país recebeu o projeto Banker-nunn. Instalado no Centro de Pesquisas Espaciais Barreira do Inferno, o projeto contava com uma estação destinada a rastrear o posicionamento de satélites de maior relevância. Esse rastreamento, que já era feito em outras cidades do mundo, foi um dos estudos que possibilitou à NASA definir qual a trajetória que seria percorrida pelo Apollo 11.

“Eu tinha todas as estrelas do céu na minha mesa”, conta Albuquerque, sem esconder o orgulho. Ele se refere às fotos que a câmera Baker-nunn tirava das estrelas e satélites visíveis na noite potiguar. Pesando 2,5 toneladas, a máquina, apontada para o céu, fazia uma trajetória de 180º de leste a oeste com uma lente de 40 polegadas de espessura.
 
"Seu Toinho"
Único brasileiro vivo a contribuir para a chegada do homem à lua 
Passava 14 horas por noite operando uma máquina fotográfica, 
chamada Baker Nunn. Vive esquecido e sem aposentadoria!
 Fotografia meramente ilustrativa para esta postagem

Cada laser disparado pela máquina refletia no satélite. O reflexo era captado pela câmera, gravando em placas de vidro um negativo do que percorria o céu naquele momento. “Ela conseguia tirar uma foto de uma bala a 450km de altitude”, completa.

Albuquerque não se subestima: ele sabe que é a memória viva do que aconteceu naquela época. “Somente duas pessoas controlavam aquela máquina, mas só eu estou vivo”, conta. “Eu tenho o maior orgulho de ter feito parte da história potiguar e ter ajudado ao desenvolvimento da tecnologia de hoje”.

Entretanto, apesar de saber da importância de tudo o que já fez, ele se emociona ao olhar arquivos antigos. Entre papéis amarelados, desencavava comprovantes de pagamento (ganhava o equivalente a R$12.500 mensais), o livro de notas em que catalogava os satélites e até mesmo um diploma que recebeu da NASA pelo reconhecimento do seu trabalho.

O reconhecimento, porém, ficou somente no papel. Com o fim da corrida espacial e o corte de recursos para o projeto Apollo pelo presidente Richard Nixon, o Projeto Banker-nunn também fechou as portas. Após 14 anos, Albuquerque e os demais pesquisadores foram mandados de volta para casa, sem aposentadoria ou auxílio financeiro. O ex-operador passou a sobreviver com a renda de um salário mínimo, proveniente da pequena oficina mecânica que montou.

Porém, a maior revolta do ex-operador reside nos arquivos e equipamentos perdidos com o fechamento do projeto – principalmente com a banker-nunn. Em 2009, na comemoração dos 40 anos da chegada do homem à lua, a máquina foi reencontrada no INPE, e teve algumas partes restauradas. Hoje está exposta para visitação na Barreira do Inferno, mas sem proteção ao equipamento.

Mesmo após 30 anos, Albuquerque conta que ainda é muito ligado à máquina e ao que ela representa. “Não consigo deixar de me emocionar ao contar essa história, pelas coisas que fiz em prol da ciência e da tecnologia”.

Quem não consegue deixar de ficar preocupada com a emoção de Antônio é a sua esposa, Maria Eloy, 67. Ela não se conforma com a falta de reconhecimento ao trabalho que foi desenvolvido pelo marido, o que acompanhou ao longo dos 50 anos de casamento.

“Ele já sofreu um aneurisma quando trabalhava lá, na década de 1970. Desenvolveu problemas na retina por causa do laser da máquina, mas também nunca recebeu nada por isso. Tenho medo de que tudo volte com tanta emoção e desgosto que ele tem passado. De que adianta ter tido um emprego tão importante se não se é valorizado?”, questiona a dona de casa.