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| Marcio Coelho, Williandi e Gilvan Lira encontro para festejar o prêmio da Maturi, resvista criada pelo trio |
Maria Betânia Monteiro
As histórias apresentadas na revista ressaltma a importância de Câmara Cascudo para o Brasil. Referenciadas no legado das pesquisas do folclorista, os roteiros trazem temas como cultura popular, religião e literatura. Os artistas promovem uma releitura de algumas de suas obras, utilizando uma linguagem versátil e estimulante, típica dos quadrinhos.
Em texto publicado na Maturi, eles dizem: “Seria presunção tentar dar conta em uma edição de todos os aspectos dos registros que Cascudo empreendeu de nossa cultura. Esta é apenas mais uma contribuição que enaltece a diversidade e riqueza cultural tão bem retratada nos seus escritos. Para nós, quadrinistas do Grupo de Pesquisa em História em Quadrinhos, trata-se de um privilégio contribuir com a disseminação e a leitura da obra de Cascudo”.
Assim como um longa-metragem, que recebe o prêmio de melhor filme é avaliado de forma inteira — roteiro, iluminação, trilha, direção — , O Bigorna de Melhor Revista seguea mesma avaliação. E, além das histórias, o que traz a Maturi? Roteiros bem escritos, boa edição e diagramação, material impresso em papel de qualidade e claro, desenhos, que revelam técnica apurada e talento.
A história “Jaguara”, escrita e desenhada por Marcio Coelho e pintada por Gilvan Lira é um exemplo da qualidade do trabalho. Marcio conta a história de um indiozinho entediado. Sem ter muito o que fazer, o índio resolve interferir na pacata de alguns insetos repousando sobre o tronco de uma árvore. Enfurecido, ele dá algumas pauladas nos bichos, voando um para cada lado. Uma velha vê a cena e fala da possibilidade do curupira querer fazer o mesmo com ele, meter pauladas em sua cabeça.
O indiozinho fica com medo, mas segue adiante. Vê um caju, retira da árvore e é seguindo por uma nuvem de marimbondo até a aldeia. O menino se joga no lago para se livrar dos ferrões, mas toda a aldeia é atacada. De cabeça baixa, aguarda ouvir o sermão dos mais velhos, que trazem marcas de ferroadas por todo o corpo. Mas, ao invés de bronca, ouve risadas. Os mais velhos preferiram se divertir com o fato de estarem parecendo com abacaxis.
A história do indiozinho é contada praticamente sem a presença de balões. O texto aparece apenas no final, mostrando como era o relacionamento dos índios com os seus familiares. Outro roteiro e desenho que merece ser destacado é “A Jornada”, de Gilvan Lira, mas esta é outra história...
Alguns adolescentes, amantes de histórias em quadrinhos reativaram o projeto anos mais tarde. Nomes como os de Gilvan Lira, Márcio Coelho, Ivan Cabral, Luiz Elson, Carlos Alberto, Adrovando e João Antônio reescreveram a história da Maturi. A diferença é que, diferente de seus precursores, os garotos resistiam a ideia de continuar com a linha editorial da revista. “A turma nova queria fazer super-heróis, ficção científica, enquanto que os mais velhos, como Emanuel Amaral e Aucides nos orientavam a dar continuidade ao conteúdo anterior, que se colocava como uma forma de resistência aos produtos já existentes no mercado”, disse Márcio: “nós éramos alienados mesmo”.
DE VOLTA AO REGIONALISMO
Até agora foram publicadas quatro revistas, sendo que a quinta e a sexta já estão no forno. Elas devem chegar às bancas de revistas e livrarias da cidade até o próximo mês de março. Os interessados em adquirir as já publicadas, podem entrar em contato com Márcio, Gilvan ou Williandi através dos seguintes e-mails: mmarciocoelho@gmail.com, gilvanlira.m@gmail.com e wolfenx@pop.com.br.
Os mesmo e-mails podem ser utilizados para os artistas que desejarem ter suas histórias publicadas na próxima edição da Maturi. A revista tem um conselho editorial, que seleciona e orienta os quadrinistas interessados na publicação.
MAURÍCIO DE SOUSA ATESTA A QUALIDADE

















