abril 17, 2011

A VIRADA DOS QUADRINISTAS POTIGUARES

Marcio Coelho, Williandi e Gilvan Lira 
encontro para festejar o prêmio da Maturi, resvista criada pelo trio
  A VIRADA DA HQ
 Por
Maria Betânia Monteiro 

Eram como adolescentes. Falas incansáveis e emendadas, piadas constantes e uma alegria que vinha não se sabe de onde. Os desenhistas e roteiristas potiguares de histórias em quadrinhos, Marcio Coelho, Williandi e Gilvan Lira tentavam encadear o pensamento e organizar a fala durante entrevista cedida ao caderno Viver da Tribuna do Norte. Mas havia motivo: não se viam há algum tempo e festejavam o fato de terem recebido, juntos, ano passado, o Troféu Bigorna de melhor fanzine/revista independente de 2010. “O prêmio é algo semelhante ao Cannes, de melhor filme”, explicou Gilvan Lira.

O Bigorna de melhor fanzine/revista independente foi endereçado à revista Maturi – quadrinhos potiguares, contemplada pela Lei Câmara Cascudo e patrocinada pela Cosern. Na edição premiada, a revista reuniu um grupo de artistas que se dispôs a retratar em quadrinhos, aspectos da cultura potiguar capitaneados por Luís da Câmara Cascudo.

As histórias apresentadas na revista ressaltma a importância de Câmara Cascudo para o Brasil. Referenciadas no legado das pesquisas do folclorista, os roteiros trazem temas como cultura popular, religião e literatura. Os artistas promovem uma releitura de algumas de suas obras, utilizando uma linguagem versátil e estimulante, típica dos quadrinhos.

Em texto publicado na Maturi, eles dizem: “Seria presunção tentar dar conta em uma edição de todos os aspectos dos registros que Cascudo empreendeu de nossa cultura. Esta é apenas mais uma contribuição que enaltece a diversidade e riqueza cultural tão bem retratada nos seus escritos. Para nós, quadrinistas do Grupo de Pesquisa em História em Quadrinhos, trata-se de um privilégio contribuir com a disseminação e a leitura da obra de Cascudo”.

Assim como um longa-metragem, que recebe o prêmio de melhor filme é avaliado de forma inteira — roteiro, iluminação, trilha, direção — ,  O Bigorna de Melhor Revista seguea mesma avaliação. E, além das histórias, o que traz a Maturi? Roteiros bem escritos, boa edição e diagramação, material impresso em papel de qualidade e claro, desenhos, que revelam técnica apurada e talento.

A história “Jaguara”, escrita e desenhada por Marcio Coelho e pintada por Gilvan Lira é um exemplo da qualidade do trabalho. Marcio conta a história de um indiozinho entediado. Sem ter muito o que fazer, o índio resolve interferir na pacata de alguns insetos repousando sobre o tronco de uma árvore. Enfurecido, ele dá algumas pauladas nos bichos, voando um para cada lado. Uma velha vê a cena e fala da possibilidade do curupira querer fazer o mesmo com ele, meter pauladas em sua cabeça.

O indiozinho fica com medo, mas segue adiante. Vê um caju, retira da árvore e é seguindo por uma nuvem de marimbondo até a aldeia. O menino se joga no lago para se livrar dos ferrões, mas toda a aldeia é atacada. De cabeça baixa, aguarda ouvir o sermão dos mais velhos, que trazem marcas de ferroadas por todo o corpo. Mas, ao invés de bronca, ouve risadas. Os mais velhos preferiram se divertir com o fato de estarem parecendo com abacaxis.

A história do indiozinho é contada praticamente sem a presença de balões. O texto aparece apenas no final, mostrando como era o relacionamento dos índios com os seus familiares. Outro roteiro e desenho que merece ser destacado é “A Jornada”, de Gilvan Lira, mas esta é outra história...

MATURAÇÃO
Apesar de ter recebido o prêmio de melhor revista alternativa em 2010, a Maturi é uma revista bem antiga no estado. Ela foi criada por Aucides Sales e Enock Domingos em 1976. Com formato 12cm x 8cm, seguia a linha underground, fazendo sucesso nos movimentos culturais alternativos, políticos e universitários em Natal e no Rio de Janeiro. A periodicidade era irregular. Apenas sete números foram publicados até 1977. “Na época, assim como hoje, não dava para ganhar o pão, fazendo quadrinhos”, explicou Marcio Coelho. O colaborador mais famoso da primeira leva da Maturi foi o mineiro Henfil, que participou durante os dois anos da revista.

Alguns adolescentes, amantes de histórias em quadrinhos reativaram o projeto anos mais tarde. Nomes como os de Gilvan Lira, Márcio Coelho, Ivan Cabral, Luiz Elson, Carlos Alberto, Adrovando e João Antônio reescreveram a história da Maturi. A diferença é que, diferente de seus precursores, os garotos resistiam a ideia de continuar com a linha editorial da revista. “A turma nova queria fazer super-heróis, ficção científica, enquanto que os mais velhos, como Emanuel Amaral e Aucides nos orientavam a dar continuidade ao conteúdo anterior, que se colocava como uma forma de resistência aos produtos já existentes no mercado”, disse Márcio: “nós éramos alienados mesmo”.

DE VOLTA AO REGIONALISMO
Assim como a primeira leva da Maturi, a segunda também deixou de ser publicada. Praticamente 20 anos se passaram até que, os não mais adolescentes, resolveram criar o Projeto Revista Maturi para frente e submetê-lo à Lei Câmara Cascudo. A lei garantiu subsídios para que fossem publicadas seis volumes da revista. A exigência da empresa patrocinadora é que o material fosse de excelente qualidade e que o regionalismo temático voltasse a figurar nos quadrinhos. “Regionalizamos, mas os temas tratados são universais”, garantiu Williandi.

 Até agora foram publicadas quatro revistas, sendo que a quinta e a sexta já estão no forno. Elas devem chegar às bancas de revistas e livrarias da cidade até o próximo mês de março. Os interessados em adquirir as já publicadas, podem entrar em contato com Márcio, Gilvan ou Williandi através dos seguintes e-mails: mmarciocoelho@gmail.com, gilvanlira.m@gmail.com e wolfenx@pop.com.br.

Os mesmo e-mails podem ser utilizados para os artistas que desejarem ter suas histórias publicadas na próxima edição da Maturi. A revista tem um conselho editorial, que seleciona e orienta os quadrinistas interessados na publicação.

MAURÍCIO DE SOUSA ATESTA A QUALIDADE
A prova de que os potiguares são muito bons no que fazem foi o convite feito a Márcio Coelho e Williandi (editore da Maturi) para compor os livros Mauricio de Sousa por Mais 50 Artistas e Maurício de Sousa por Novos 50. Os artistas convidados criam histórias com personagens de Maurício de Sousa, homenageado o cinquentenário da carreira do criador da Turma da Mônica. O mentor deste álbum é Sidney Gusman. 

...fonte...
Maria Betânia Monteiro

 ...fotografia...
Emanuel Amaral

abril 15, 2011

DE COMO A GENTE SE TORNA O QUE A GENTE É

UM DOS MAIORES ESCULTORES DO RIO GRANDE DO NORTE
  JOSÉ JORDÃO ARIMATÉIA
O PAI DO GIGANTE ANJO AZUL

ENTRE HIPÉRBOLES E SUPERLATIVOS: JORDÃO
 Por
Filipe Mamede

Quem passa pela movimentada Avenida Hermes da Fonseca não tem outra coisa a fazer, senão contemplar um gigante Anjo Azul que, de tão imponente e chamativo, virou ponto turístico da cidade. Construído pelo artista plástico José Jordão Arimatéia, 61, para ser a principal peça do marketing de uma galeria de arte homônima, o Anjo Azul, feito, basicamente, de gesso e sustentando uma envergadura de cerca de 12 metros de altura, consumiu pouco mais de dez meses para ser concluído. Depois que ficou pronto, é comum ver as pessoas pararem para tirar fotografias ao lado da obra, cuja grandeza parece ser a maior virtude.

O autor dessa obra é autodidata. De origem humilde, filho de lavadeira e cozinheira, muito cedo, ainda com oito anos de idade, Jordão já tinha uma certeza, queria ser artista. “Eu gostava mesmo era de cantar. Eu queria ser artista de qualquer coisa, mas não deu pra ser cantor. Ai um dia, lá no campo do Rio-Mar... tinha chovido. Tava uma planície bonita... comecei a desenhar no chão”. Foi exatamente nesse dia que o escultor deu de cara com o labor criativo que o acompanha até hoje. “Vinha passando dois cidadãos e um disse assim: ‘Esse menino é muito bom desenhista. Parece coisa do artista Newton Navarro”. Com essa frase, Jordão resolveu definitivamente que iria ser àquilo. Iria ser artista.

DE COMO A GENTE SE TORNA O QUE A GENTE É
Depois do singelo desenho na areia do campo de futebol, ele não parou mais. Em pouco tempo já desempenhava o ofício de Santeiro. Fazia as figuras divinas com as sobras de cimento da fábrica de pré-moldados onda trabalhava. “Eu sempre dava um jeito da massa sobrar. Tinha um quartinho nos fundos da fábrica que foi meu primeiro ateliê. Ninguém sabia de nada. Quando o dono descobriu, primeiro levei uma bronca, mas ele percebeu algo e acabou permitindo que continuasse a criar”.

Com o tempo, Jordão foi se moldando até se transformar em escultor e entalhador. Cada tipo de trabalho foi conseqüência do outro. “Depois do ‘entalhe’ foi que eu me soltei. Comecei a viajar e a fazer exposição... a primeira foi numa bienal lá em Fortaleza... acho que em 1974. Levei dois ‘entalhe’, duas esculturas e ganhei dois prêmios”. Jordão continuou viajando. Foi para São Paulo e para o Rio de Janeiro, onde trabalhou para um estrangeiro que lhe arranjou uma viajem para a França. “Passei 15 dias em Paris, mas acabei nem conhecendo muita coisa... sabe como é: não estava bem enturmado”, lembra.

De volta ao Brasil, Jordão confessa que tentou viver de arte na região sudeste. Ele relata que até conseguiu, mas como a família “não cortou o cordão umbilical”, acabou voltando mesmo foi para Natal. “Quando minha família não quis ir comigo ao Rio preferi não voltar. Um erro que até hoje me arrependo. Se fosse hoje não pensaria duas vezes: iria sem olhar pra trás. Perdi toda minha inspiração e deixei de produzir”, confessa com olhar remoto”.

JORDÃO, O ERRANTE
Assim como as viagens que fez por aí, a relação de Jordão com a arte também é repleta de idas e vindas. Na sua história de vida, o artesão confessa que o alcoolismo foi uma personagem persistente em várias ocasiões. “Já deixei muitas vezes a arte. A bebida faz a gente perder a criação. Eu trabalhava só pra manter o vício. Um trabalho que valia quinhentos, eu vendia por duzentos, né... a sede era maior”. Mergulhado num poço que parecia não ter fim, Jordão ficou 15 anos no limbo sem criar uma peça sequer. “Perdi a criatividade, a inspiração. Por desgosto mesmo! Vergonha da sociedade”.

Depois do período nebuloso de auto-exílio, Jordão deixou de beber e se casou de novo. Apagou de vez o capítulo dedicado às bebidas. “A arte me chamou de volta. Hoje eu vivo pro meu lar, minha esposa e minha filhinha”. (Jordão conta isso segurando a pequena Lua no colo).

MODUS OPERANDI
Como criador de formas diversas, o artesão deixa transparecer certa vaidade em relação às suas obras. Sobre o colosso angelical, o artista plástico se diz bastante satisfeito com o resultado. “Ah, eu gostei demais. Ficou do jeito que eu achava que deveria ficar”. A história da produção da escultura é muito curiosa. O projeto chegou a mudar algumas vezes. Inicialmente programado para ter dois ou três metros, a obra ganhou volume de uma hora pra outra. “Anchieta (Dono da Galeria O Anjo Azul) chegou lá em casa e me pediu pra fazer uma escultura. Ele disse que queria uma escultura grande. Eu perguntei: E o tamanho? - Ele disse: uns três metros. Comecei a fazer. Depois ele quis que eu aumentasse. Anchieta disse, “Eu quero uma graaaaande. Não sei nem de que tamanho”.

Como de costume, na hora de elaborar suas obras, Jordão dispensa qualquer tipo de esboço. Para ele, “a arte não precisa de projeto”. E com o “pequeno detalhe” do tamanho resolvido, Jordão botou a mão na massa, ou melhor, na argamassa. “Anchieta disse: “Vamos fazer um desenho”. Ai eu disse: “Vamo fazer sem. Com desenho demora muito”. Mesmo com liberdade para fazer do jeito que quisesse, e com o Anjo praticamente ‘nas alturas’, Jordão teve que vencer alguns percalços. “Quanto tava lá em cima, lá se vem confusão... a prefeitura chegou alegando que a estrutura podia cair”. Foi preciso, então, arrumar um engenheiro para tocar a ‘obra’. “Aí o engenheiro veio, calculou e disse: “Vamos botar mais ferragem”. Ai colocamos mais ferragem... aí eles (Agentes da Prefeitura) pararam de vir””.
A ARTE COMO COISA PÚBLICA E OUTRAS OBRAS
O ensaio ‘A origem da obra de arte’ foi publicado pela primeira vez em 1977, pelo filósofo alemão Martin Heidegger, considerado um dos mais importantes pensadores do século XX. Abordando a natureza e o enigma da obra de arte, Heidegger defende que obra se faz a partir de uma tríade: artista, obra e um terceiro elemento – o observador, aquele que olha para a o criador e a criatura. Instintivamente, Jordão acaba confirmando essa teoria. “A obra tem que ser pública... eu gosto de fazer arte para o povo”.

Contrariando uma premissa básica de todo artista, que só revela a obra quando o trabalho se encerra, ele oferece o dia-dia de suas invenções de artífice. Revelando uma sensibilidade rústica no traçado, o Anjo Azul, por exemplo, pôde ser acompanhado durante toda a manufatura por àqueles que transitaram pela Hermes da Fonseca entre os meses de dezembro de 2006 a meados de outubro de 2007.

As obras de Jordão, além da grandiosidade e do labor feito ao alcance dos olhos observadores, carregam histórias que, a cada vez que são recontadas, tomam ares de anedota. Foi assim também com uma obra que tem como personagem o Rei do Baião e um popular santo brasileiro.

Engendrada ao ar livre, o trabalho compreende algumas alegorias do imaginário e da cultura nordestina como a religiosidade, a música e o povo. “Chico Brilhante era doido pra fazer um trabalho grande. Mas o trabalho grande que ele queria era um santo. Frei Damião”. Jordão retrucou logo de cara, dizendo que Frei Damião não fazia. “Pra fazer só Frei Damião eu não quero fazer”. O artista plástico ainda arrematou com o chiste: “Bata uma fotografia do Frei e bote aí na parede”. Jordão, defendendo uma obra mais elaborada e contextualizada, se ofereceu para projetar uma coisa diferente. “Me dê uns três meses pra eu pensar o que é que eu vou fazer, que aí a gente faz”.

Com o prazo expirado, Jordão voltou ao encontro de Chico Brilhante. “Eu to com o trabalho feito aqui na minha cabeça”. Chico quis saber qual era o projeto do artista. “Eu vou fazer um Luiz Gonzaga, por que ele gostava muito de Frei Damião. Aí eu juntei... Luis Gonzaga com Frei Damião... Luis Gonzaga tocando a sanfona... arrastando seu povo ao encontro de Frei Damião, olha que negócio bonito?”, se diverte Jordão rememorando a resposta que deu à Chico Brilhante. Para quem tem curiosidade de ver Luiz Gonzaga e sua trupe indo até à presença de Frei Damião, basta um dia, encher o tanque ou calibrar os pneus do carro. Digo isso porque, Jordão fez todo esse trabalho em pleno um posto de gasolina, num bairro de Natal.

MAIS ALGUMAS
E não é só o Anjo Azul e nem Luiz Gonzaga e a trupe de Frei Damião que ostentam um tamanho fora do comum. A maioria das obras de Jordão apresenta um aparente ‘complexo de superioridade’. Todas elas são enormes, assim como o Pescador que enfeita a Praça da Praia da Pipa desde 2005. “Eu passei um ano morando em Pipa. Aí um dia, o dinheiro tava se acabando... resolvi oferecer meu trabalho ao prefeito. Ele queria um santo. Aí disse que em Pipa tinha muito crente e uma “imagem” poderia dar confusão. Fiz um pescador... pescador não tem religião”. A política da boa-vizinhança de Jordão lhe rendeu mais alguns frutos. Além do pescador, Jordão acabou fazendo a figura de um enorme golfinho que enfeita a frente da Prefeitura de Tibau do Sul.

É de autoria de Jordão o maior painel construído em concreto da América Latina. Localizado no prédio residencial Rio-Mar, o trabalho, que é uma verdadeira façanha, está devidamente registrado no livro de recordes. Mas quem vê os 1000 metros quadrados de obra de arte pronta, não imagina o trabalho que deu. “Quando eu cheguei lá na construtora dizendo que eu queria trabalhar no prédio, acharam que eu era um hippie, um louco. Depois de um chá de cadeira foi que me receberam e eu disse que queria trabalhar as fachadas do prédio”. Conversa vai, conversa vem, Jordão conseguiu vender o projeto.

Com a palavra empenhada pelos representantes da construção, o artista fez algumas exigências. “Eu disse: Eu quero uma bancada nova, lápis. Quero papel bom... de diversos tipos... só papel de linha pesada”. Os pedidos de Jordão foram atendidos. Depois de 15 dias projetando, o artista pediu para que fossem buscar o esboço do trabalho. De volta ao escritório da construtora, pediram para Jordão mostrar o que ele tinha feito. “Vamos ali na mesa de reunião”, disse um engenheiro. Sem a menor cerimônia, o artista explicou que ali não caberia. “Tem que ser lá fora, na rua... Aí eu saí estirando o projeto no meio da rua... do tamanho que era o edifício, era o tamanho do projeto”. Passados mais de 20 anos da elaboração do painel, Jordão acredita que este trabalho foi obra do acaso. “Foi sorte demais. Você levar um projeto desses sem trabalhar na firma, foi muita coragem”.

Um outro lugar onde é possível se esbaldar com as obras de Jordão, dada a grande concentração de trabalhos realizados pelo artista é o Centro de Convenções de Natal. Ao todo são seis painéis: o externo, de aproximadamente sete metros de altura por 25 de comprimento, retrata a paisagem costeira com coqueiros, cajus, jangadeiros e deusas das águas. No saguão de entrada, como não poderia deixar de ser, estão dando as boas vindas um enorme pescador e uma rendeira. Feito com cimento, o material preferido de Jordão, existe ainda um trabalho com motivos indígenas dominando uma das paredes. Na ala central, dois painéis de latão: de um lado um retrato do cangaceiro Lampião, do outro as salineiras de Macau. “Mas o que eu mais gosto ali no Centro é o Bumba meu boi. Ficou muito bonito”, conta Jordão orgulhoso.

PALAVRA DE MESTRE
Nas suas andanças artísticas, Jordão teve a oportunidade de trabalhar com nomes consagrados como Newton Navarro e Dorian Gray Caldas. O maior artista plástico em atividade do Rio Grande do Norte defende que a obra de Jordão ‘dispensa adjetivos’. “Tenho ele como o mais expressivo escultor. Ele tem uma expressão muito própria. Não imita ninguém”. Além de considerar Jordão como um bom pintor, Dorian o compara à unanimidades da arte mundial. “Ele é da mesma linguagem de Michelangelo, Leonardo (Da Vinci). Tem um traço instintivo... vocacionado. Uma pena ele não ter condições de trabalhar com materiais nobres. Ele merecia trabalhar com mármore... bronze...”.

O reconhecimento do valor como feitor de arte de mão cheia, não se restringe à Dorian Gray. No último mês de outubro Jordão desembarcou na capital do país para participar de uma exposição no Salão Negro do Palácio do Congresso. A entrada solene do Palácio, é destinado à mostras, eventos culturais, lançamento de livros, recepções e celebrações religiosas. Dividindo o Salão com artistas de várias regiões do país, o artífice nascido no Rio-Mar revela que a oportunidade de ir à Brasília, surgiu à partir do Anjo Azul. “A senadora Rosalba Ciarlini passou e viu o Anjo, aí me convidou pra ir á Brasília. Achei bom, mas o trânsito faz muito barulho. Prefiro Natal”, analisa Jordão.

Produzindo com a mesma freqüência de antigamente, Jordão conseguiu juntar dinheiro e comprou uma casinha simples na Rua do Motor com direito à vista para o mar e quintal íngreme com muitas árvores frutíferas — no mesmo bairro onde desenhou na areia e vendeu seus santinhos feitos ora de cimento, ora de “argila do padre”. Ele montou um ateliê improvisado nos fundos, onde, cheio de planos, pensa em comprar os terrenos vizinhos para construir sua nova casa e um ateliê maior. Bem maior. Tão grande quanto as colossais esculturas que inventa.

 ...fonte...

...fotografia/Anjo Azul...
Aldair Dantas

O anjo azul de 12 metros de altura e 28 toneladas de ferro e cimento, esculpido na avenida mais movimentada da cidade do Natal , será transferido para outra cidade. E a  notícia parece menor quando o motivo para a remoção é o desprestígio à arte pelo natalense. A Galeria Anjo Azul - onde a escultura de Jordão está alojada - fechou por falta de público. E lá estavam expostas obras dos maiores artistas potiguares e de nomes internacionais. Outro sintoma da cidade que desconsagra qualquer artista foi constatado ao doar a mais cara e renomada obra de um dos maiores escultores do estado. 

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abril 13, 2011

UMA LEGENDA IMORTAL DO FORRÓ POTIGUAR

 ELINO JULIÃO
UMA LEGENDA IMORTAL DO FORRÓ POTIGUAR
por
Maria Betânia Monteiro

Filho de Sebastião Pequeno, tocador de cavaquinho e Concertina. Nasceu em Timbaúba dos Batistas (RN), em 13 de novembro de 1936. Foi menino butador d'água junto ao seu estimadíssimo jumentinho "Moleque", no sítio Tôco, onde cantarolava batendo numa lata as modinhas que aprendia na festa de Sant`Ana em Caicó - RN. Na casa grande da fazenda, onde se reuniam os moradores da redondeza, Elino Julião da Silva fazia a alegria da rapazeada. 

Costumava sair da fazenda descalço e a pé, rompendo 18 km de caatinga para bater a famosa " peladinha " em frente à Igreja de Sant`Ana na cidade de Caicó e articular-se, claro, para cantar na sede do Caicó Esporte Clube, no domingo à tarde. Cantar para Elino, já era êxtase.

Nos anos 1950, destemidamente o garoto de 14 anos "pegou morcego" no caminhão de Artur Dias e veio para Natal, se escondeu no bairro das Quintas e logo garantiu seu espaço para cantar no Programa Domingo Alegre da Rádio Poti, junto ao radialista Genar Wanderley e no animado Forró da Coréia, onde hoje é o o Estádio de futebol Machadão, forró esse que o inspirou a compor um dos seus grandes sucessos: "O forro da Coréia".

Com mais de 40 anos de carreira, foi um divulgador da cultura nordestina, inclusive, quando fez sucesso na década de 1960, no Rio de Janeiro, oportunidade dada através de Jackson do Pandeiro, que o ajudou a gravar seus primeiros sucessos. Elino Julião se tornou ainda mais conhecido no Brasil com as suas músicas interpretadas por nomes famosos como Luiz Gonzaga, Genival Lacerda, Tetê Spíndola e Coronel Ludugero.

Apresentado no CD Elino Julião, só sucessos, pela escritora Raquel de Queiroz, Elino é caracterizado como um arauto da música nordestina. Sobre o músico, disse a escritora: “... embalado por sua própria história de cantador popular, Elino Julião lança um CD contendo músicas folclóricas da região, estilo Forró, Xotes, Marchinhas Juninas, Sambas e Frevos, com originalidade e alegria, difundindo e preservando costumes e tradições Nordestinas...”. Disse ainda Raquel: Lembrar à mídia e à indústria radiofônica que a autenticidade da Música Nordestina pode fazer sucesso, é tarefa dos artistas que cantam o Nordeste, sua cultura e sua gente. Elino Julião é um desses”.

Além de O Rabo do jumento, Elino Julião é autor de consagrados sucessos, como Puxando fogo, Na Sombra do juazeiro, Filho de goiamum, A festa do senhor São João e Xodó de motorista, com regravações na Bélgica, em Portugal, e na África (Zâmbia).

Elino Julião residiu em Natal, sendo dirigido e produzido por sua esposa Maria Veneranda de Araújo. Fez shows por todo o país, com a competência de quem já tem mais de seiscentas músicas gravadas pelos mais diversos nomes da MPB. Fez seu primeiro registro fonográfico com Rabo do jumento, no ano de 1968. Gravou pelos selos CBS, Columbia e Sony Music.

Elino Julião dividiu o palco com Marinês e sua Gente no Projeto Seis e Meia, durante a V Semana de Cultura Popular, realizada no TAM, em 17 de agosto de 1999, na ocasião recebeu o Troféu 500 Anos do presidente da FJA, jornalista Woden Madruga. Elino também garante seu lugar de respeito no Dicionário da Música do Rio Grande do Norte (2001), da pesquisadora Leide Câmara.

Menino esperto que trouxe no sangue as raízes do autêntico "forró pé de serra" do sertão nordestino, registrou e divulgou com originalidade e alegria a cultura e as tradições dos folguedos populares nordestinos por mais de de 4 décadas. Elino Julião Morreu em maio de 2006, vítima de aneurisma cerebral.

...fontes...
Wikipédia
www.elinojuliao.com.br
Maria Betânia Monteiro
www.tribunadonorte.com.br
...fotografia...
Rodrigo Sena

abril 10, 2011

UM ARTISTA POTIGUAR ENCANTA A CALIFÓRNIA

  MOCOH
UM ARTISTA POTIGUAR  ENCANTA  A CALIFÓRNIA


Por
Carla Cruz

Um Curraisnovense, com um nome arábico e residente nos Estados Unidos. Dessa mistura de culturas e influências nasceram a arte e a personalidade de Rasmussen Sá Ximenes. Aos 39 anos, o potiguar radicado na Califórnia transformou as telas e a tinta acrílica no mais fiel retrato do dia-a-dia das famílias americanas, o qual descreve como um “estilo de vida curioso e extremamente consumista”. Com influências de várias partes do mundo, o artista potiguar está encantando aos americanos com seus traços e cores fortes. Mocoh e Glorinha Távora idealizaram  uma exposição no Consulado do Brasil em San Francisco.

Em meio aos vinhedos de Sonoma, onde encontra inspiração para seus quadros, Mocoh (como assina suas obras e como o chamaremos) tem encantado aos norte-americanos com as cores vivas, que não negam suas origens tropicanas. “Minha relação com as tinhas é muito simplória. Procuro sempre o contraste com as cores primárias. Acho que foi exatamente esta simplicidade que seduziu os americanos”, destacou em entrevista especial ao portal Nominuto.com.

Admirador pleno da beleza e da harmonia, Mocoh encanta com seus sentimentos, reproduzindo-os em cenas do cotidiano e fazendo uma fusão de culturas entre as Américas. Suas obras também denunciam o passado nômade, herdade pelo pai minerador. Mesmo sendo filho e neto de professoras, não foi um aluno exemplar, o que não impediu que mais tarde nascesse o artista inovador, livre de todas as regras “normalistas”.

Atualmente, o artista desenvolve uma série intitulada “Mesas”. Nela, expõe resquícios de uma outra paixão que cultiva: a culinária. A ideia, segundo ele, é retratar o cotidiano dos americanos em personagens com características da arte nordestina. “Neste trabalho, utilizo a aplicação de pasta sintética em tela, rabisco com carvão e tudo começa a se harmonizar com muita tinta acrílica”, descreveu. Falando assim, parece simples, mas basta uma olhada rápida para se perceber a grandiosidade do trabalho de Mocoh e o capricho nos detalhes.

No entanto, apesar da desenvoltura com as tintas, suas habilidades pictóricas são relativamente recentes. Tudo começou há cerca de 10 anos, quando morava em Brasília. Lá, Mocoh viveu uma fase de muita produção. Na época, realizava trabalhos com tinta guache em cartolina e que hoje estão espalhados por São Paulo, Brasília e Natal. “Nasci artista, mas as habilidades pictóricas estiveram um bom tempo introspectas, pelo menos até Glorinha Tavora, a potiguar mais cosmopolita que conheço, introduzir meus trabalhos nos crivos dos críticos de arte de San Francisco”, comentou.


Glorinha Távora, a quem Mocoh se refere, é sua conterrânea e atual curadora. Foi ela a responsável por projetar seu trabalho em San Francisco e tem participado ativamente do processo de produção. “Aqui, tive contato com as obras de Henri Matisse, e isso me inspirou. Mas, passei a conhecer arte de verdade e de qualidade nos anos que vivi em Brasília, quando Sávio e Dodora Hackradt me deram todo suporte”, revelou o artista curraisnovense.

Hoje, Mocoh dedica todo o seu tempo à pintura, mas Rasmussen é também cozinheiro profissional e já comandou as panelas de alguns restaurantes americanos, inclusive com bandeira francesa. Para o futuro, seus planos estão todos ligados à pintura. A primeira exposição do artista aconteceu  no Consulado do Brasil em San Francisco. "Meus planos para o futuro são de divulgar meu trabalho, crescer e aprender novas técnicas. Poder criar com mais liberdade e espaço. Tudo até agora tem acontecido de maneira espontânea", comemorou o artista.

Mocoh também não descarta uma volta ao Brasil. “Tenho sangue nômade, herdado pelo meu pai, e muita disposição para percorrer o mundo. Mas, penso sim em me aquietar no Seridó, minha grande paixão e parte das minhas inspirações”, completou. Essa é a arte de Mocoh, que longe de ser um artista impressionista, impressiona, expondo seu lado expressionista e encantando pela ingenuidade de seus traços e personagens de fisionomias austeras.

...fonte...
Carla Cruz 

abril 07, 2011

A ARTE DE UM POTIGUAR DE CORAÇÃO

 FLÁVIO FREITAS
TODA A ARTE DE UM POTIGUAR DE CORAÇÃO
 Por
Fernanda Zauli

O artista plástico Flavio Freitas, ou Flavio Ferreira de Souza Freitas, é filho de uma natalense com um baiano, o que faz dele um carioca com DNA 100% nordestino. Carioca de nascimento, potiguar de coração. "Passei minha infância em Natal, me criei aqui, minhas vivências são aqui. Eu me trato como potiguar e me sinto culturalmente atrelado ao universo potiguar. Por isso, quando me perguntam, eu digo que sou um artista de Natal", disse. Pai de três filhos, e casado duas vezes - com a mesma mulher -, ele se define como um homem caseiro, e diz que no tempo livre sua prioridade é a família, a música e a paixão por velejar. "Exatamente nesta ordem".

Flavio Freitas se casou aos 25 anos de idade, quando ainda "não tinha muito juízo". Talvez por isso o casamento tenha durado apenas quatro meses. "Eu fazia faculdade ainda e endoidei o juízo", disse. Um ano e meio depois ele tentou reconquistar a ex-esposa e, depois de muita insistência, se casou pela segunda vez com Ana Guará, sua mulher até hoje. "Mas não foi fácil, eu tive que esfregar o joelho no chão muitas vezes, eu ralei muito até ela ter firmeza de que dessa vez era sério", disse. Com ela, Flavio teve três filhos: Maria Clara, Edwards e Daniel

Seu dia a dia é como o de todo trabalhador comum, mas envolto do charme das artes. Todos os dias ele vai para o seu ateliê. Passa o dia todo por lá, com a pausa para o almoço. Amante do ciclismo ele diz que hoje não pedala mais por conta da localização do ateliê, que fica na Ribeira. "Quando era na Afonso Pena eu saía de bicicleta para resolver algumas coisas, ir ao banco por exemplo, mas aqui na Ribeira pra sair tem ladeira por todos os lados, aí eu já fico todo suado e não dá certo", diz. Flavio chegou a participar de competições de ciclismo na adolescência e em 2005 fez uma viagem de Natal a Canoa Quebrada, no Ceará, pedalando acompanhado dos filhos Daniel e Edwards, então com 16 e 15 anos, respectivamente. "Resolvi fazer uma experiência de aventura, saúde e natureza com meus filhos. Consegui convencê-los a irem, o que não é fácil porque nessa idade os filhos não querem fazer nada com os pais. Então eu disse que a única obrigação deles seria escrever o que acontecesse todos os dias", disse. O resultado dos diários da viagem foi o livro Três Bicicletas pela Beira-Mar, lançado em 2008.

Nos fins de semana Flavio se divide entre a família e ao barco à vela, que mantém no Iate Clube, em Natal. A paixão pelo velejo também vem desde a infância. Quando criança, ele veraneava com a família em Ponta Negra e cresceu vendo as jangadas ao mar, o que lhe deu uma identificação natural com barcos. "Eu sempre tive vontade e quando tive oportunidade comprei meu primeiro barco à vela, que é o que tenho até hoje". O domingo à noite é reservado para a missa. Flavio Freitas, contrariando todos os estereótipos, é um artista católico praticante. "Com as descobertas da ciência, foi-se criando uma ridicularizarão da fé e, por isso, as pessoas têm a impressão de que tudo que envolve uma intelectualidade maior está afastado da igreja. E hoje, na verdade, existe um movimento na direção contrária, que envolve as descobertas da física quântica que comprovam cientificamente coisas que antes eram tidas como especulação religiosa. Eu vou à missa todos os domingo, sou um católico praticante".

DOS ESTUDOS MUSICAIS AOS PINCÉIS COLORIDOS

A habilidade de Flavio com os desenhos vem desde a infância. Na escola, ele era aquele aluno que fazia caricaturas de professores e colegas, o que acabava chamando a atenção dos amigos. Flavio também se identificava muito com a música e estudou trompete e teoria musical na Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), de 1974 a 1981. Ele chegou a tocar na Orquestra Sinfônica do RN, mas, quando foi para os Estados Unidos estudar trompete no New England Conservatory of Music, percebeu que seu talento era mesmo para as artes plásticas.

"Eu fui estudar música e, quando cheguei lá com 21 anos de idade, me deparei com umas meninas de 15 que tocavam muito mais do que eu. Sempre gostei de música, mas eu não tinha aquela facilidade natural. Sempre me destaquei pelo desenho. Mesmo na faculdade, eu percebia que meu desenho era comentado pelos professores. E na música eu ralava, tinha mais dificuldade, tinha consciência de que minhas habilidades com a música eram medianas", disse. Foi durante esta viagem aos EUA que ele decidiu que iria trabalhar com artes plásticas. "Eu fiz alguns cursos de artes nos EUA, e lá eu percebi um universo profissional que eu não conhecia. Até então eu fazia faculdade de arquitetura para ser arquiteto, depois dessa viagem eu soube que não seria arquiteto", disse.

Mas, como nem tudo na vida acontece como planejado, Flavio chegou a trabalhar como arquiteto por quatro anos em Fernando de Noronha. "Eu vi na ilha um potencial de paisagens, beleza natural, e busquei uma forma de me encaixar no mercado. Fiz uma concessão de trabalhar com arquitetura e fui trabalhar na Secretaria de Obras. Eu passei a faculdade inteira falando que não seria nem arquiteto nem funcionário público, e acabei tendo que engolir a seco". A experiência de viver 10 anos em Fernando de Noronha vai virar um livro que já está sendo produzido e está previsto para ser lançado em 2012. "O livro vai mostrar um pouco da minha emoção, da minha experiência de trabalho em Noronha".

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Fernanda Zauli

...contato...

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Canindé Soares

abril 05, 2011

A OUSADIA DE UM POTIGUAR VAI A PARIS

“Sonda Intergalática”, uma escultura com 13 metros de altura e 10 toneladas

A OUSADIA DE GUARACI VAI A PARIS

Por

Yuno Silva

Cosmopolita e ousado. Se tivéssemos poucas palavras para descrever o trabalho do artista visual Guaraci Gabriel, certamente essas duas estariam no topo da lista. Visto como polêmico por uns e louco por outros, Guaraci já representou o RN em diversas Bienais de abrangência internacional como a de São Paulo; do Mercosul, realizada em Porto Alegre (RS); de Cuba e do Fim do Mundo, em Ushuaia, Argentina. Sua arte também cruzou o Atlântico, quando participou de uma exposição coletiva na Áustria, e o próximo destino do potiguar é a França, onde desembarca para nova temporada entre os dias 18 e 31 de maio. Na bagagem, três infogravuras com mais de 12 metros quadrados cada – montagens fotográficas onde se vê suas gigantescas esculturas ‘invadindo’ os jardins do Museu do Louvre.

Quem não conhece o trabalho de Guaraci Gabriel, vale salientar que ele figura no livro dos recordes, quando, em 1998, materializou a maior obra feita com material reciclado do mundo: “Guerra e Paz”, de 50 toneladas e 24 metros de altura, na época exposta na Via Costeira. Para manter essa mania de grandeza, o artista está levando a Paris sua mais recente criação: a “Sonda Intergalática”, uma escultura com 13 metros de altura e 10 toneladas exposta em Mossoró, que será ‘tele-transportada’ através da infogravura criada especialmente para a exposição L’Univers Bresilien 2011, em cartaz na Galerie Everarts.

Mas a viagem internacional de Guaraci ainda não está 100% garantida, por isso o artista abre mostra no próximo dia 7 de abril, na galeria do Bardallos, onde irá apresentar os três trabalhos que seguirão para a França – a versão reduzida (60 cm x 90 cm) dos trabalhos estará à venda. Na ocasião, também aproveita para lançar escultura inédita em ferro e aço, intitulada “Ilusão I”, e relançar o “Passaporte Galático”, trabalho que levou para a 10ª Bienal de Cuba em 2009. “Também estarei fazendo um retrospectiva de meus 30 anos de produção artística, com projeção de fotos”, adiantou. Apesar do convite oficial em mãos, o potiguar precisa comprovar recursos para cobrir despesas com hospedagem e alimentação para não ser barrado na polícia de imigração.

“Consegui apoio da Fundação José Augusto na compra das passagens, e a Assembleia Legislativa também chegou junto. Agora quero ver se dá certo o apoio da Prefeitura de Natal, por isso estou propondo uma troca: ofereci o trabalho ‘Primavera Perfeita’, um painel a ser montado na própria sede do poder executivo municipal com 1.276 fotografias de mulheres que se destacaram na história do RN e anônimas. Juntas, irão formar a imagem da Xanana, flor símbolo da cidade”, adiantou. “Inclusive, as pessoas interessadas em fazer parte da obra podem deixar fotografias 3x4 no Núcleo de Artes Visuais da Capitania das Artes até junho”, adiantou. Pelos planos, o painel deverá ser inaugurado em setembro, no início da Primavera, estação do ano celebrada há quase duas décadas pelo artista.

Sobre sua trajetória, Guaraci verifica que amargou certa descrença por parte do público antes de ter seus trabalhos reconhecidos como obras de arte. “O público só consome cerca de 10% do que é produzido, e muitas obras ainda causam estranheza. As pessoas precisam abstrair, deixar pré-conceitos de lado para perceber a mensagem proposta”, disse. Desde os tempos do Grupo Oxente, coletivo artístico atuante na década de 1980, também formado por Sayonara Pinheiro, Civone Medeiros, Cícero Cunha Mikeas e “vocês”, que Guaraci investe na produção de instalações e intervenções urbanas. Seu interesse pelas grandes obras surgiu após um curso em Brasília com o artista cearense Sérvulo Esmeraldo.

SONDA INTERGÁLATICA

Uma história curiosa circula em torno da obra que será ‘virtualmente’ levada para a exposição na capital francesa. “Primeiro que decido colocar rodas na ‘Sonda Intergalática’, uma mão de ferro que sustenta um pêndulo gigante como se fossem as várias camadas da atmosfera, do universo”, explica. “Essa mão foi construída com apoio dos operários da Brassnox, em Mossoró, que doaram algumas horas diárias de trabalho”, lembra. O próximo passo de Guaraci, e dos operários, é ‘escrever’ com solda, no dedo mindinho da Sonda, um poema do mossoroense Crispiniano Neto. “Vai virar uma nova escultura, chamada ‘Dê a César o que é de César’. Vamos cortar esse dedo mindinho e oferecer ao ex-presidente Lula, que também será convidado para o lançamento marcado para outubro. É uma forma de agradecer pelo seu trabalho como presidente. Tem tudo a ver pois o Lula é colega dos operários”, finaliza.

Em tempo, o artista potiguar Iran Dantas também fará companhia a Gabriel na exposição coletiva em Paris. Os dois irão receber homenagem da academia Arts-Sciences-Lettres Societè, da qual a curadora brasioleira Diva Pavesi faz parte. Foi Pavese que convidou os potiguares para expor e, segundo Gabriel, “ela pretender fazer uma exposição só com artistas do RN”. Iran foi selecionado durante uma exposição no Senado Federal em novembro de 2009, e Guaraci carimbou seu passaporte quando a curadora esteve no RN para conhecer outros artistas.

...fonte...
Yuno Silva
www.tribunadonorte.com.br

...fotografia/ilustração...
Divulgação

...visite...
http://guaracigabrielartesvisuais.blogspot.com/

abril 04, 2011

A DANÇA POTIGUAR CHEGANDO A BERLIM

Gira Dança foi selecionada para o Festival Move Berlim, na Alemanha

FESTIVAL NA ALEMANHA

COMPANHIA DE DANÇA POTIGUAR FAZ APRESENTAÇÃO EM BERLIM

A Companhia Gira Dança foi selecionada para o Festival Move Berlim, na Alemanha. Nos próximos 12, 13, 14 e 16 de abril, o grupo apresenta os espetáculos "A Cura", "Corpo Estranho" e uma intervenção nas ruas da capital alemã. Na próxima quarta-feira, 6, às 9h, ocorre uma coletiva de imprensa e apresentação exclusiva para jornalistas na sede do Ponto de Cultura Giratório, na Ribeira.

O Festival de Dança Brasil Move Berlim leva o melhor da dança brasileira para a Alemanha há 8 anos. No processo de seleção, a curadoria percorre todo o país em busca de bailarinos e companhias que representem a diversidade cultural do país. O Gira Dança está entre os oito grupos do país selecionados. O evento é patrocinado pelos governos dos dois países e está em sua quinta edição, ocorrendo a cada dois anos.

APRESENTAÇÕES

A intervenção urbana que será apresentada em Berlim tem como base os mesmos processos criativos de "A Cura", mas o público torna-se um co-autor. O objetivo é que a coreografia seja montada no momento da apresentação.

"A Cura", por sua vez, questiona qual a solução para um mundo norteado por intolerância e relações interpessoais. Para representar isso, os bailarinos são separados do público por um plástico transparente.

Em "Corpo Estranho", a vida dos bailarinos da Companhia é que vem à tona. Relatos verídicos, documentados em uma série de entrevistas foram o suporte para a montagem da coreografia.

A COMPANHIA

Gira Dança é uma companhia de dança contemporânea formada por pessoas com e sem deficiência que tem como proposta artística ampliar o universo da dança através de uma linguagem própria, voltada para o conceito do corpo como ferramenta de experiências.

A companhia, criada em Natal (RN) em 2005 pelos bailarinos Anderson Leão e Roberto Morais, teve sua estréia nacional na Mostra Arte, Diversidade e Inclusão Sócio-cultural, realizada no Rio de Janeiro, em maio de 2005 e, desde então, tem apresentado em palcos de todo o Brasil um trabalho que rompe preconceitos, limites pré-estabelecidos e cria novas possibilidades dentro da dança contemporânea.

Aliado ao trabalho corpóreo, a companhia usa sua arte para instigar nos espectadores a discussão sobre os limites do corpo, além de desenvolver ações sociais, dentre as quais estão a realização de palestras e oficinas em instituições de ensino e organizações corporativas.

...fotografia...
Rodrigo Sena

ESPAÇO GIRA DANÇA
Rua Frei Miguelinho, 100 • Ribeira
Cep 59012-180 • Natal.RN • Fone: +55 84 3344.4110
giradanca@giradanca.com.br

abril 03, 2011

UM POTIGUAR BRILHA EM NOVA YORK

GEOVÁ RODRIGUES

DE BARCELONA NO RIO GRANDE DO NORTE PARA O MUNDO

O designer potiguar Geová Rodrigues, radicado em Nova York há mais de dez anos, mostrou seu trabalho num evento organizado pelo salão nova-iorquino Maria Bonita Salon & Spa, um dos badalados salões americanos e um aglutinador de eventos de arte e moda. A nova coleção de acessórios de Geová foi inspirada na obra do artista Egon Schiele. A exposição, ocorrida no mês de março, atraiu os holofotes também da moda brasileira.

O "PRECURSOR" DA MODA SUSTENTÁVEL

Brasileiro, nascido em Barcelona, uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Norte, Geová Rodrigues é o quinto de uma família de 13 filhos. Logo cedo aprendeu com sua mãe a reciclar roupas e tecidos. Sua carreira de artista plástico o levou para o exterior, mas em 1998 ele trocou o pincel pela agulha quando ganhou de um amigo uma máquina de costura. Tornou-se um estilista conceituado por ter um trabalho voltado para a criação e recriação de roupas e acessórios, a partir de reciclagem de materiais, descartados de grandes grifes internacionais e outros materiais que reaproveita.

Geová é aclamado como o papa do ''redesign'', pelo conceito de reciclagem de suas criações. Foi um dos pioneiros no mundo da moda do Descontruction Couture, técnica de reestruturar e remontar roupas. Suas peças são verdadeiras obras de arte, desfilam no New York Fashion Week e vestem celebridades como Cindy Lauper, Gisele Bündchen e Fernanda Tavares. Com essa postura ganhou fama internacional e é cotado pelas principais editorias de moda do mundo, tendo suas peças estampadas em inúmeros editoriais das mais conceituadas revistas de moda do mundo. Atualmente, está entre a lista dos 40 brasileiros mais influentes de Nova Iorque.

SAIBA COMO TUDO COMEÇOU

Geová Rodrigues nasceu em 2 de agosto de 1966, no município de Barcelona, no estado do Rio Grande do Norte. Em Barcelona ele viveu até os 16 anos de idade. Em 1980 muda-se para Ceará Mirim/RN e em seguida para São Paulo/SP, iniciando uma bem sucedida carreira como artista plástico.

Na capital paulista, completou o 2° grau e virou habitué do Madame Satã, casa noturna que dominava o cenário underground da época. ''Eu fazia performances e exposições, cheguei a participar de uma coletiva no MAM do Rio'', lembra. Em 1987 com a venda de todos os quadros de uma exposição, ele amealhou US$ 2,5 mil e, pretendia viver em Londres, mas foi estudar técnicas de gravura e pintura em Paris.

''Em Paris, reencontrei um casal que havia conhecido em São Paulo e eles me ofereceram um quarto no apartamento deles'', conta. Lá ele expõe na Escola Molière. Em Paris, ele foi apresentado a um marchand, que passou a vender seus quadros.

Depois de dois anos na França, foi para os Estados Unidos, acompanhando um amigo americano. Lá, desembarcou em Nova Iorque, achou tudo muito feio e seguiu para Charlotte, cidade de 440 mil habitantes na Carolina do Norte, onde além de continuar a pintar revela que estudou inglês e trabalhou cuidando de jardins de conhecidos, “destruí muita flor'', diverte-se.

Em 1993, três anos após sua chegada aos EUA, resolveu tentar a sorte como artista plástico em Nova York. Um amigo, de novo, deu a mãozinha providencial. No caso, Paul Eustace, então diretor de arte da Harpers Bazaar. Foi Eustace quem convenceu o brasileiro, que sempre assinou G. Rodrigues por vergonha do nome, a assumir o Geová. Deu sorte.

Por intermédio de Eustace, o pintor conheceu fotógrafos e produtores de moda e começou a fazer bico para a turma. Batendo perna para buscar e levar roupas a ser fotografadas, Rodrigues percebeu que o lixo da 6ª Avenida (batizada de Fashion Avenue por concentrar dezenas de confecções) era abarrotado de tecidos descartados dos ateliês de Calvin Klein, Anna Sui e Donna Karan.

Em 1994 ele adquiriu uma máquina de costura de um amigo como pagamento por um de seus quadros e decidiu virar estilista. Passa a produzir suas roupas guiado pela "desconstruction costure" ou “redesign”, movimento da moda cuja principal característica é redesenhar roupas de grandes criadores. Ele cria suas roupas e assessórios a partir de materiais nobres como chiffon de seda e couro. Ele se apropria de peças de marcas como Prada, Jean Paul Gautier, Yves Saint Laurent, que são desconstruídas e reformuladas com outro design. Assim, uma saia pode se transformar em uma blusa, uma blusa adaptada para um vestido, e assim por diante.

''Eu tinha trocado um quadro por uma máquina de costura, mesmo sem nunca ter pregado um botão, e comecei a fazer roupas na marra'', lembra. O trabalho do autodidata encantou os amigos produtores, que o incentivaram a fazer um desfile. O début, em outubro de 1998, não poderia ter sido mais bem-sucedido: a coleção foi vendida imediatamente para a sofisticada loja Louis Boston, em Boston. ''Um luxo'', diz Rodrigues, usando sua palavra preferida. Em seu primeiro desfile de estréia estavam presentes, dentre outros, a modelo Naomi Campbel. A supermodelo Kate Moss é uma de suas clientes. As modelos, alias, adoram participar de seus shows, mesmo recebendo roupas em vez de cachê.

Fernanda Tavares

Geová fez um desfile em Nova Iorque em 11 de fevereiro de 2001 patrocinado pela Ford americana. Quase um mês depois ele, junto com a modelo natalense Fernanda Tavares, foi entrevistado pela MTV brasileira e lançou uma coleção no circuito alternativo da 7th on Sixth de Nova York, a Semana de Moda de Nova York.

A modelo Fernanda Tavares é uma grande amiga do estilista. Inclusive, na tarde do dia 25 de dezembro de 2003, ela esteve visitando Barcelona em companhia de seu pai, Fernando Luiz e de seu irmão. A modelo veio conhecer, além da terra e da família de Geová, também Dona Bita, uma velhinha que fazia as bonecas de pano nas quais ele se inspira para fazer as sua criações. Fernanda também fotografou a cidade e visitou a escola onde Geová estudou. Na opurtunidade foi-lhe entregue para que fizesse chegar a Geová um troféu que o estilista havia ganho, como sinal de reconhecimento de seus conterrâneos, durante as comemorações do Dia de Barcelona (ano de emancipação política do município) em 17 de dezembro. As quais ele não pode comparecer.

A ascensão do designer continua nos anos seguintes e ainda hoje, quase desconhecido pelos brasileiros, Geová é disputadíssimo em editoriais de moda de revistas como Baazar, ID, The Face, Interview e Elle. O estilista barcelonense já tem um escritório de representação, o Fashion Brasil e pretende ampliar seus domínios. Umas das coisas que mais chamam a atenção em Geová é que ele nunca esquece Barcelona. E sempre cita com muito carinho sua terra quando dá entrevistas. Inclusive ao propor peças inspiradas no que Barcelona e Nova Iorque tem em comum...Coisas de artista!


...visite o site do artista...
www.geovafashion.com

UMA DIVA CHAMADA MARIA

Uma mulher que marcou profundamente uma fase da vida da cidade do Natal

MARIA BOA

Maria Oliveira de Barros (Campina Grande, PB, 24.06.1920 – Natal, 22.07.1997), proprietária da mais famosa casa noturna de Natal. Maria Boa veio para Natal na década de 40, em plena juventude, na fase áurea dos americanos.

Segundo se informa, teria se exilado de Campina Grande por conta de um desentendimento amoroso com influente político paraibano.

Pessoa de pouco estudo em sua infância, mas bastante inteligente, a nossa biografada, que descendia de família humilde, trabalhou em sua adolescência numa tipografia, o que lhe teria despertado o gosto pela leitura.

Possuía uma biblioteca razoável e arquivava reportagens publicadas nas revistas sobre pessoas famosas. Além disso, gostava de música e cinema. Aquilo que o destino lhe negou – a possibilidade de concluir seus estudos – ela procurou oferecer aos filhos e aos seus familiares, permitindo-lhes acesso à Universidade.

Proprietária do mais famoso cabaré da cidade, que não tinha um nome específico, sendo conhecido no Brasil e até internacionalmente pelo nome de Casa de Maria Boa, no qual pontificava outra figura famosa das noites natalenses, o pianista Paulo Lira.

Mesmo tendo um temperamento reservado, Maria Boa marcou profundamente uma fase da vida da cidade. Deu apenas uma entrevista em toda a sua vida, à professora da UFRN, Maria Emília Wanderley, para um filme que se pretendia rodar em Natal, não permitindo, no entanto, que a conversa fosse gravada.

Vivendo uma época de repressão absoluta ao sexo, a casa de Dona Maria Barros funcionou, igual a tantas outras, como uma válvula de escape aos anseios amorosos da juventude masculina e, até mesmo, de maduros cidadãos da vida natalense.

Entretanto, a Casa de Maria Boa não era apenas isto. Sua fama corria mundo e, muitos visitantes ilustres que aportavam em nossa cidade, eram convidados pelos amigos para uma noitada em Maria Boa, não apenas um simples cabaré, mas uma referência turística da cidade.

A aura em que procurou envolver sua vida e as atividades de sua casa, transformaram-na num mito. Após sua morte, os jornais de Natal dedicaram-lhe páginas inteiras, ressaltando declarações de amigos seus, externando admiração pelo comportamento de Maria Boa.

Como registrou o jornalista Cassiano Arruda Câmara, "A morte de Maria Oliveira de Barros, certamente não vai matar a fama de Maria Boa, cuja lenda estará nas telas do cinema. No filme "For All – O Tampolim da Vitória", a personagem central, muito à propósito, é chamada de Maria Buena".

A PRIMEIRA DAMA DE NATAL

Natal, década de 40, a cidade fervilhava de militares americanos e brasileiros. Aviões, hidroaviões, Catalinas e Jeeps patrulhavam a vida dos natalenses. Instalava-se na cidade a paraibana de Campina Grande, Maria de Oliveira Barros (Maria Boa). Começava neste ínterim a história da mais conhecida casa de tolerância do estado.

Entre as movimentações na Ribeira, nas pedidas de Cuba Libre no saguão do Grande Hotel, nas notícias pelas Bocas de Ferro, na Marmita, em Getúlio e em Roosevelt e na nova geração de meio americanos e meio brasileiros, lá estava Maria Barros enaltecendo-se na Cidade do Natal como a proprietária do melhor (ou maior) cabaré.

Tornou-se conhecida como Maria Boa. Mesmo com pouco estudo ela despertou o gosto por música, cinema e leitura. O seu "estabelecimento" era o refúgio aos homens da cidade, com residência fixa ou, simplesmente, por passagem por Natal e servia de referência geográfica na cidade.

B-25, batizada de Maria Boa, uma homenagem dos seus clientes gringos

UMA JUSTA HOMENAGEM

Vários fatos envolveram a personagem. Um episódio muito comentado foi a pintura realizada pelos militares em um avião B-25. Um dos mais famosos aviões da 2a Guerra Mundial, os B-25 eram identificadas com cores características de cada Base Aérea. Os anéis de velocidade das máquinas voadoras da Base Aérea de Salvador eram pintados com a cor verde. Os aviões de Recife, com a cor VERMELHA, e os de Fortaleza, com a cor AZUL. Para a Base de Natal foi convencionada a cor AMARELA.

Os responsáveis pela manutenção dos aviões em Natal imaginaram também que deviam ser pintados no nariz do avião, ao lado esquerdo da fuselagem junto ao número de matricula, desenhos artísticos de mulheres em trajes de praia. Autorizada pelo Parque de Aeronáutica de São Paulo, a idéia foi colocada em prática. Pouco tempo depois, os B-25 de Natal surgiram na pista com caricaturas femininas e alguns até com nomes de mulheres.

Alguns militares da Base escolheram o B-25 (5079), cujo desenho se aproximava mais da imagem de Maria Barros. Outras aeronaves também receberam nomes como "AMIGO DA ONÇA" e "NEGA MALUCA".

Quem custou a acreditar neste fato foi a própria Maria. Até que alguns tenentes decidiram levá-la até à linha de estacionamento dos B-25 logo após o jantar para não despertar a atenção dos curiosos. Ela constatou o fato. As lágrimas verteram de seus olhos quando viu à sua frente, pintada ao lado do número 5079, a inscrição "MARIA BOA".

Maria Barros é história. Mesmo sendo paraibana é a Primeira Dama (ou anti-Dama) de Natal. Impera nas lembranças dos seus contemporâneos e se faz presentes nos prostíbulos que ainda resistem nas periferias da cidade ou travestidos de casas de "drinks" nos bairros mais nobres. Ela é citada no filme For All - O Trampolim da Vitória (vencedor do Festival de Gramado em 1997) de Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz. O filme retrata a cidade do Natal em 1943 quando a base americana de Parnamirim Field, a maior fora dos Estados Unidos, recebe 15 mil soldados, que vão se juntar aos 40 mil habitantes da cidade.

Para a população local a guerra possuiu vários significados. A chegada dos militares americanos alimentou fantasias de progresso material, romance e, também o fascínio pelo cinema de Hollywood. Em meio aos constantes blecautes do treinamento antibombardeio, dos famosos bailes da base aos domingos, dos cigarros americanos, da Coca-Cola e do vestuário estavam os sonhos natalenses. Sem questionamentos, "Maria Boa" foi uma das principais atrizes no elenco desse belicoso teatro. A Primeira Dama Maria Boa...

..fontes...
"Maria Boa"
texto original de Deífilo Gurgel*
www.guiademidia.com.br

"A Primeira Dama de Natal"
fragmentos do texto original de José Correia Torres Neto *

...fotografias...
autoria desconhecida