Hoje, além de ser o único cientista astrônomo do Nordeste brasileiro, tem o trabalho disputado pela NASA e pela Agência Espacial Europeia. A pesquisa desenvolvida por ele colocou o Brasil no cenário internacional de estudos astronômicos e permitiu ao país ser incluído em duas missões espaciais, a CoRot e a Plato.
O trabalho desenvolvido por Renan, na busca por planetas fora do Sistema Solar, colocou o Brasil no cenário internacional de estudos astronômicos. Em 2006, o país passou a integrar a missão Corrot com uma base na UFRN, a única fora da Europa. A missão contabilizou mais de cem mil estrelas e encontrou vinte planetas fora do sistema solar, resultado anunciado em novembro de 2010. No doutorado, onde começou sua busca por novos planetas, Renan teve como orientador o cientista Michel Maior, que em 1996 se tornou o primeiro homem a descobrir planetas fora do Sistema Solar.
O HOMEM DAS ESTRELAS
A mesa de trabalho do cientista está cheia de livros e artigos, alguns falam da abundância química na Via Láctea, todos em inglês. Mexe no computador e organiza alguns dos muitos afazeres. Pós-doutor pela Universidade de Genebra, na Suíça, o professor conta que só foi alfabetizado com mais de 10 anos. “Meu pai viajava bastante por causa das obras e nós íamos com ele. Isso me fez ter uma vida escolar estranha”. Estranha porque após ser alfabetizado tardiamente, foi incentivado a pular séries e acabou cursando três anos letivos em um só.
AMOR
IRON MAIDEN COM O FILHO
Pai de dois meninos, Leonardo, de 15 anos, e Edoardo, de 9, ele é daqueles pais companheiros, parceiros. No último fim de semana, esteve em Recife, acompanhado do filho mais velho, para assistir ao show da banda Iron Maiden. Ao chegar lá, se deu conta de que ficaria hospedado no mesmo hotel que o grupo, o que proporcionou momentos de fã para pai e filho. "Nós tiramos várias fotos com eles, os olhinhos do Leonardo brilhavam", disse, sem perceber que seus olhos também brilhavam ao descrever a felicidade do filho.
O carinho com que o pesquisador fala dos filhos é cativante. E o tempo que passa com eles é definido como "precioso". Edoardo, o mais novo, é portador da síndrome de down, e teve a sorte de nascer em uma família afinada, que aceita a vida como ela se mostra. "O Dudu costuma nos abraçar e dizer que nós somos um time. E eu acho que efetivamente ele nasceu dentro de um time, já encaixado, afinado. Eu acho que nós somos o que se pode definir como uma família feliz, que aceita a vida como ela se mostrou, que curte essa vida, e que tenta dar um exemplo positivo para quem está a seu redor", disse.
Além da família e da ciência, outras peças completam o "quebra-cabeças" que é a vida de Renan. "Os meus amigos, um bom vinho, que eu adoro, os estudantes que eu oriento (a quem ele chama carinhosamente de filhos acadêmicos) e o ABC, onde cada um deles representa uma peça nesse grande quebra-cabeça".
Tem se dedicado, ao longo das últimas três décadas, ao estudo da rotação, do magnetismo e da nucleossíntese estelar, sendo hoje o astrônomo que realizou mais medidas da rotação de estrelas, grandeza física fundamental para a compreensão da evolução desses astros. Atualmente, dedica-se também à busca por planetas extrassolares, fazendo parte de vários consórcios internacionais de caçadores de planetas. Tem dezenas de artigos publicados em jornais e em revistas especializadas. É autor dos livros Teia do Tempo (2005) e Meu céu, o céu de cada um, céu de todos nós (2006), ambos pela Zian Editora.













