GILBERTO GIL, ZÉLIA DUNCAN, MARCELO TAS
comentaram e apoiaram a declaração da profª Amanda Gurgel
A professora do Rio Grande do Norte Amanda Gurgel virou heroína da causa da classe, por melhores salários, nas redes sociais. Um vídeo no qual ela silencia os deputados do RN em audiência pública quando fala sobre a situação crítica da educação já tem mais de 1.800 mil visualizações no You Tube.
Desde quarta-feira (18) o nome “Amanda Gurgel” já está na lista brasileira dos Trending Topics, no Twitter. A repercussão na rede não passou despercebida pelos portais de notícias como O Globo, Época e o R7, além de ganhar espaço em vários blogs que tratam de Educação e Direito.
O vídeo com o depoimento da professora Amanda Gurgel foi postado no Youtube por um outro professor que também estava na audiência pública, mas nem ele, e muito menos Amanda, poderiam imaginar onde essa história iria parar. "Ele me ligou pedindo autorização e em poucos minutos já eram 50 acessos, depois 80 e hoje eu nem sei mais quantos acessos tem", disse.
A repercussão não era esperada, mas rendeu a Amanda entrevistas a veículos de comunicação de todo o país, com participação no Domingão do Faustão e possível presença no Programa do Ratinho. "Eu sou professora e sei que o meu lugar não é na mídia, mas eu vou aproveitar esse momento para dar visibilidade à nossa luta, para convocar todos os professores a participar do movimento", afirmou.
PROFESSORA DO RN VIRA HEROÍNA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
APÓS POSTAGEM DE VÍDEO NO YouTube
Por
Jussara Correa & Fernanda Zauli
As declarações de uma professora da rede estadual de educação, indignada com as condições de trabalho e a má qualidade do ensino público, tem circulado o Brasil inteiro e colocou as deficiências da educação do Rio Grande do Norte em evidência. A professora Amanda Gurgel não economizou críticas aos entes públicos durante uma audiência pública, realizada na Assembleia Legislativa.
As palavras verdadeiras caíram como uma bomba nas redes sociais. As reflexões fizeram com que o vídeo postado no site YouTube - uma reprodução do programa exibido pela TV Assembleia - alcançasse mais de 265 mil acessos. Rapidamente o assunto dominou os comentários no microblog Twitter, chegando ao Trending Topics, os dez assuntos mais comentados na rede social. Uma rápida consulta ao Google revela centenas de referências ao discurso revelador da professora, que está sendo tratado por muitos como o resumo da educação no país.
As palavras verdadeiras caíram como uma bomba nas redes sociais. As reflexões fizeram com que o vídeo postado no site YouTube - uma reprodução do programa exibido pela TV Assembleia - alcançasse mais de 265 mil acessos. Rapidamente o assunto dominou os comentários no microblog Twitter, chegando ao Trending Topics, os dez assuntos mais comentados na rede social. Uma rápida consulta ao Google revela centenas de referências ao discurso revelador da professora, que está sendo tratado por muitos como o resumo da educação no país.
UMA PALADINA NA EDUCAÇÃO POTIGUAR
Já o apresentador multimídia Marcelo Tas utilizou o vídeo para falar sobre a situação da educação no país, postando em seu blog: "Nos últimos 16 anos + 4 meses + 18 dias os governantes nos disseram que Educação é PRIORIDADE do governo deles (me refiro a FHC, Lula e Dilma, e deixo o passado-igualmente nefasto neste quesito- para trás). Desculpem os ilustres citados, mas na minha avaliação, no dicionário deles prioridade é sinônimo de blábláblá".
Tas encerra citando a professora: "Amanda Gurgel, portadora de um contra-cheque de R$ 930 reais mensais, é chamada ao microfone durante Audiência Pública na Assembléia que debate o estado atual da Educação no estado do RN. Em exatos 8 minutos, desenha com precisão, clareza e sobretudo com dignidade o seu estado de espírito como professora e o estado da Educação no Brasil. Professora Amanda, conte com meu apoio, respeito e admiração!".
O discurso foi feito no último dia 10 de maio, na Assembleia Legislativa e Amanda iniciou seu pronunciamento falando do salário de R$ 930, afirmando que tal valor não era suficiente para que os educadores tivessem uma vida digna. "Todos aqui falaram de números e eu gostaria de começar a minha fala apresentando um número também. São três algarismos: 9, 3 e 0. Os números do meu salário base. Gostaria que os senhores me respondesse se conseguiriam manter o padrão de vida atual com esse salário. Não pagaria nem a indumentária para frequentar esta Casa", disse.
A secretária estadual de Educação, Betânia Ramalho estava entre as convidadas e se tornou "alvo" de Amanda. "Com todo respeito, secretária, mas asenhora diz que o governo não pode ser imediatista e resolver todos os problemas da Educação de uma só vez. Mas a minha necessidade de alimentação é imediata. O fato é que em nenhum governo a Educação foi prioridade", declarou. O deputado Hermano Morais, propositor da audiência, e a secretária estadual de educação foram procurados para repercutir o vídeo, mas não deram declarações.
A secretária estadual de Educação, Betânia Ramalho estava entre as convidadas e se tornou "alvo" de Amanda. "Com todo respeito, secretária, mas asenhora diz que o governo não pode ser imediatista e resolver todos os problemas da Educação de uma só vez. Mas a minha necessidade de alimentação é imediata. O fato é que em nenhum governo a Educação foi prioridade", declarou. O deputado Hermano Morais, propositor da audiência, e a secretária estadual de educação foram procurados para repercutir o vídeo, mas não deram declarações.
Amanda Gurgel é uma militante nata. A professora de Língua Portuguesa que chamou a atenção do país inteiro depois que o seu discurso em uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado foi publicado no Youtube, já foi dirigente do Centro Acadêmico de Letras e do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Logo nas primeiras assembléias do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/RN) das quais participou, assumiu a postura de oposição e no ano passado se filiou ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Aos 29 anos, Amanda leva uma vida simples como a maioria dos professores do país: sai de casa às 5h50 e só retorna às 23h, pega três ônibus para chegar ao trabalho, estuda à noite, e tem pouco tempo e dinheiro para lazer.
Aos quatro anos perdeu os pais em um acidente de carro e foi morar no interior da Bahia com parentes. Voltou para Natal para cursar a faculdade de Letras na UFRN. Morou na residênciauniversitária e trabalhou durante todo o curso para se manter. Amanda é professora desde os 21 anos. O primeiro trabalho foi no cursinho pré-vestibular do DCE, fase que ela descreve como a melhor da sua carreira. "Era um projeto social e é uma experiência diferente, o perfil dessas turmas é de pessoas realmente interessadas e que estão em um nível de leitura e escrita que você consegue desenvolver um bom trabalho".
Segundo ela, o grande choque com a educação veio quando assumiu uma turma do 6º ano em uma escola municipal de Natal. "A minha maior frustração foi quando entrei na sala de aula para o nível fundamental, em 2005. Eu vi que os alunos do sexto ano não tinham a menor proficiência para estar nessa série, eram alunos analfabetos", recorda.
O sonho de ser professora nasceu no cursinho pré-vestibular. Amanda admirava as aulas da professora Claudina e sonhava em ser como ela. "Ela era uma professora indescritível. Eu olhava para ela e pensava 'é isso que eu quero fazer na minha vida'. Então me tornei professora", contou. Mas e hoje, o que aconteceu com esse sonho? "Eu não sei dizer o que aconteceu com o meu sonho, mas ele não é mais o mesmo, definitivamente. Eu estou em uma fase de avaliação, estou refletindo", disse. A desmotivação vem, segundo ela, dos baixos salários, da falta de condições de trabalho e do analfabetismo dos alunos.
A vida corrida, o desgaste diário e a desvalorização da profissão, renderam a Amanda um problema de saúde que ela prefere não revelar, mas que foi responsável por seu afastamento da sala de aula. Hoje, trabalhando na Escola Municipal Professor Amadeu Araújo e na Escola Estadual Miriam Coelli, ela atua na biblioteca e no laboratório de informática. "Estou em fase de readaptação de função, fora da sala de aula. Assim como eu, existem muitos professores com problemas de saúde em decorrência do nosso trabalho", afirmou.
Segundo ela, o grande choque com a educação veio quando assumiu uma turma do 6º ano em uma escola municipal de Natal. "A minha maior frustração foi quando entrei na sala de aula para o nível fundamental, em 2005. Eu vi que os alunos do sexto ano não tinham a menor proficiência para estar nessa série, eram alunos analfabetos", recorda.
O sonho de ser professora nasceu no cursinho pré-vestibular. Amanda admirava as aulas da professora Claudina e sonhava em ser como ela. "Ela era uma professora indescritível. Eu olhava para ela e pensava 'é isso que eu quero fazer na minha vida'. Então me tornei professora", contou. Mas e hoje, o que aconteceu com esse sonho? "Eu não sei dizer o que aconteceu com o meu sonho, mas ele não é mais o mesmo, definitivamente. Eu estou em uma fase de avaliação, estou refletindo", disse. A desmotivação vem, segundo ela, dos baixos salários, da falta de condições de trabalho e do analfabetismo dos alunos.
A vida corrida, o desgaste diário e a desvalorização da profissão, renderam a Amanda um problema de saúde que ela prefere não revelar, mas que foi responsável por seu afastamento da sala de aula. Hoje, trabalhando na Escola Municipal Professor Amadeu Araújo e na Escola Estadual Miriam Coelli, ela atua na biblioteca e no laboratório de informática. "Estou em fase de readaptação de função, fora da sala de aula. Assim como eu, existem muitos professores com problemas de saúde em decorrência do nosso trabalho", afirmou.
...fonte...
Jussara Correa
jussaracorreia.rn@dabr.com.br
Fernanda Zauli
fernandazauli.rn@dabr.com.br
...veja o vídeo...
INTERTV CABUGI
DOMINGÃO DO FAUSTÃO





























