junho 07, 2011

POTIGUAR PREMIADO EM EVENTO NACIONAL

Macedo -  trovador e poeta capaz de fazer um verso em poucos minutos
POTIGUAR É PREMIADO EM EVENTO NACIONAL

A trova, forma poética de quatro versos e rimas alternadas surgida na França em plena Idade Média, está devidamente representada no Rio Grande do Norte por nomes como Francisco Neves de Macedo. Editor do periódico "O Trovador" e membro da Academia de Trovas do RN, o potiguar acaba de ser premiado no 15º Jogos Florais de Santos, para onde segue nesta próxima sexta-feira (10). Há oito anos como acadêmico, Macedo faturou dois prêmios no evento promovido em abril no litoral paulista, cujo nome remete as competições literárias da antiguidade, quando a deusa Flora era homenageada e os vencedores ganhavam pedras preciosas com formato de flores.

"Isso foi antigamente, onde os prêmios eram apenas simbólicos", informa. "Já participei de vários eventos e concursos de trovas, inclusive em Portugal, e estou muito animado para participar da solenidade de premiação pois será a segunda vez que presenciarei uma missa celebrada em trova", comemora Francisco de Macedo. Ainda na batalha para emitir as passagens aéreas, ele explicou que a celebração de missas em trova não são comuns e necessitam de autorização prévia do bispo responsável pela paróquia da localidade. 

Ocupante da cadeira número 14, Macedo contou que um dos desejos dos membros da Academia de Trovas do RN, umas das três em atividade no Brasil ao lado do Rio de Janeiro e Minas Gerais, é promover missa semelhante aqui em Natal: "A primeira vez que acompanhei uma missa em trova foi em 2006, quando estive em São Paulo para receber outro prêmio", lembra o editor do "O Trovador", informativo criado em 1966 que passará a ser bimestral até o fim deste ano - interessados podem adquirir exemplares na Casa do Cordel ou no café São Luiz, ambos no centro da capital potiguar.

Concorrendo na categoria Lírica-filosófica com quase mil trovadores, de 20 estados brasileiros e nove países, Macedo enviou três trovas para o tema "destino": emplacou duas.

A trova surgiu no século 11, quando os poemas passaram a ter acompanhamento musical. 'Prima mais velha' do Cordel e do repente, a trova literária segue características específicas quanto à sua construção: precisa ser uma quadra, onde cada um dos versos tem sete sílabas poéticas (fonemas), e a informação deve ter um sentido completo, uma ideia autônoma. "Logo no início, o termo era aplicado a qualquer poema ou canção. Com o passar dos tempos é que a trova passou a designar apenas certo tipo de composição, com características fixas próprias", ressalta Macedo.

Segundo o potiguar, há dois gêneros de trova: a lírico-filosófica, que abrange temas morais, religiosos, políticos e sentimentais; e a trova humorística, que pendem para o lado da sátira e da anedota. Os concursos e festivais, conhecidos como Jogos Florais, são realizados pela União Brasileira de Trovadores desde a década de 1960. "Todo trovador é poeta, mas nem todo poeta é trovador. Nem todos poetas sabem metrificar, fazer o verso medido. Poeta para ser poeta precisa saber metrificação, saber contar o verso", escreveu o baiano Jorge Amado.

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Divulgação

junho 03, 2011

VOLTZ - SURGE UM SUPER-HERÓI POTIGUAR

A  fuga de um soldado espião e sua tentativa de resgatar uma fonte de energia vital  para o tempo em que ele vive
 VOLTZ, O HEROI POTIGUAR
Por
Yuno Silva

Em um futuro não muito distante, quando homens e máquinas estarão convivendo de maneira ainda mais próxima, fontes de energia serão alvo de grande conflito planetário. E, para tentar recuperar um pouco do que restou de um poderoso manancial energético, eis que surge o herói Voltz, um soldado espião infiltrado em uma base inimiga que luta para escapar das mãos do vilão Escarlate. À exceção do 'Escarlate' - o nome foi uma licença criativa  desta reportagem, pois o arquiinimigo de Voltz ainda não foi batizado - o enredo acima traduz o clima apresentado pelo curta metragem em 3D criado e produzido pelo publicitário natalense Abraão Carlos Freitas de Araújo, 24.

Voltz, meio homem meio máquina, foi apresentado como trabalho de final de curso na escola Melies de Cinema, 3D e animação de São Paulo, onde Abraão estudou durante o ano passado, surgiu a pouco mais de um ano inspirado em games de ação e em personagem como Homem de Ferro, Tron e Snake Eyes da equipe G.I. Joe (conhecida no Brasil a partir dos bonecos comandos em ação, muito populares nos anos 1980). "Quando estava em pleno processo criativo, pensando em vários nomes relacionados a energia e potência, soltei nossa gíria 'votsss' e decidi adaptar a expressão com a intenção de tornar o nome mais atrativo e forte. Além de homenagear o Nordeste, percebi que a pequena palavra poderia sintetizar o que pretendia", lembra Abraão.


O publicitário contou que, logo no início do curso em São Paulo, os colegas "zoaram" bastante: "Chamaram de 'Voltz, o herói nordestino', mas depois perceberam o potencial do nome", comemora. Mas nem adianta procurar o curta metragem de três minutos e meio na internet, Abraão e a escola Melies querem lançar Voltz em grande estilo: uma página eletrônica está sendo criada sob medida para dar visibilidade adequada ao personagem. Para a TN, ele liberou trecho da cena 4 (ver na TN on line) "Depois que o site estiver no ar, o passo seguinte é inscrever o curta em festivais nacionais e internacionais", planeja o rapaz, cujo sonho é trabalhar com cinema. "Acredito que o caminho até lá passa por muita publicidade. A criação de games, com o Volts claro, também estão nos planos. Quero continuar produzindo curtas, e também sei que muita coisa no roteiro deste primeiro curta precisa ser explicada", adianta.

TRILHA SONORA

Realista, Abraão sabe que para desdobrar a saga de Voltz depende de apoio e patrocínios, pois a produção de animação em 3D demanda tempo e dinheiro. Até o resultado final, o publicitário trabalhou dez meses: oito de produção 3D (modelagem e animação), mais dois meses para pós-produção e sonorização. Para dar vida ao personagem, utilizou os programas Autodesk Softimage, After Effects, Adobe Premiere, Z-brush, Photoshop e Illustrator, e contou com ajuda de mais três amigos: os potiguares Reinir Barreto, envolvido na pós-produção, mais Willames Costa e Eli Santos, compositores da trilha sonora original.  Eli também foi responsável pelos efeitos sonoros e mixagem de som.

Abraão  cria sua  primeira produção audiovisual de animação  3D
 PRIMEIRA SAFRA DE BACHARÉIS EM CINEMA SAI ESTE ANO

Formado em 2008 no curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Potiguar (UnP), Abraão Araújo não chegou a alcançar a abertura da habilitação em Cinema, oferecida pela instituição a partir de 2010. "Abraão foi meu aluno em Publicidade, e sempre se interessou pelo segmento audiovisual. No começo imaginei que iria trabalhar nessa área dentro de alguma agência, mas fico muito satisfeito de ver que está buscando qualificação para atuar direto com cinema", disse Fábio DeSilva, diretor do curso de Cinema da UnP.

Segundo DeSilva, a 'colheita' da primeira safra de cineastas potiguares está prevista para o fim de 2013, e só agora a turma está partindo para a prática. "Tudo faz parte de um processo gradativo de construção da linguagem cinematográfica, e neste semestre estamos entramos na fase de produção de curtas metragens", explicou o professor. "Ainda este ano teremos resultados para mostrar, por exemplo, dentro do projeto interdisciplinar 'Cinedoc', onde as disciplinas de Produção Audiovisual e Cinema Documento estão desenvolvendo o tema cinema potiguar com os alunos. A meta é criar uma mostra para exibir esse material", adianta.

Para Fábio, que se formou em Publicidade por ser um curso próximo à sétima arte, a grade curricular foi montada para abarcar todas as fases: desde roteiro, linguagem, figurino, maquiagem e fotografia, até montagem, captação de áudio, elaboração de projetos e crítica cinematográfica. "Participei, agora em março, na FAAP-SP, do ForCine (Fórum Brasileiro do Ensino do Cinema e Audiovisual) e cada vez fica clara a mudança no comportamento dos profissionais e do próprio setor. Foi-se o tempo de se trabalhar apenas com o instinto, hoje o cinema brasileiro passa por um período de amadurecimento com o advento desses cursos por todo o país", analisa.

Um vilão e sua personalidade maquiavélica não poderia ficar de fora
ANALÓGICO AO DIGITAL

De acordo com o professor, apesar do curso na UnP ter uma câmera analógica (película), não dá para ignorar o avanço do cinema digital. "Seria uma utopia histérica não considerar essa nova tecnologia. Até por que muitas universidades já estão deixando de usar o filme tradicional, bem mais custoso", verifica Fábio, que chegou a cursar cinema na Universidade Popular de Roma, Itália, e acumula no currículo trabalhos como diretor de VTs publicitários, de vídeo clipes e do documentário "Sangue do Barro" (realizado em parceria com a jornalista Maryland Brito), contemplado pelo DOC TV IV onde conta o trágico episódio ocorrido em São Gonçalo do Amarante quando Genildo França, conhecido como "Neguinho de Zé Ferreira", matou 14 pessoas em menos de 24h em maio de 1997. Também foi assistente de direção do longa metragem "Federal" (2009), com Selton Melo e Carlos Alberto Riccelli.

Atualmente está envolvido na criação de um coletivo audiovisual para viabilizar produções como o curta "A Pizza", ao lado de nomes como Buca Dantas, Jota Marciano, Maryland, Geraldo Cavalcanti e Mathieu Duvignaud. "Vem novidade por aí", avisa.

...fonte...
Yuno Silva
www.tribunadonorte.com.br

Potiguar disponibiliza curta-metragem Voltz

...contato...
(11) 8171-2766
...visite...
www.melies.com.br/blogs/voltz/

...fotografias... 
divulgação

junho 02, 2011

NATAL É O FOCO EM CONCURSO DE FOTOGRAFIA


"NATAL EM FOCO"
CONCURSO DE FOTOGRAFIA PROMOVIDO PELA FUNCARTE
 
A Prefeitura Municipal do Natal, por meio da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), promove o Concurso de Fotografia “Natal em Foco”. O tema do concurso é voltado para os registros fotográficos de monumentos, paisagens e manifestações culturais da cidade do Natal. A inscrição tem início nesta quarta-feira, 1º de junho, e segue até o dia 29 de julho.

O concurso é aberto à participação de fotógrafos profissionais e amadores. Cada participante pode concorrer com no máximo três fotografias, em papel fosco, no tamanho de 20 x 30 em formato de retrato ou paisagem. Não serão aceitas fotografias que já tenham sido publicadas ou premiadas.

No dia 15 de agosto, data em que se comemora o Dia Nacional da Fotografia, haverá uma exposição com as 20 melhores fotografias. Na oportunidade serão divulgados os vencedores e acontece também a solenidade da premiação.

Aos vencedores serão oferecidos os prêmios no valor de R$ 3 mil para o 1º lugar, R$ 2 mil para o 2º e R$ 1 mil para o 3º colocado. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site da Prefeitura  e no blog da Funcarte www.funcarte.blogspot.com.

A ficha de inscrição preenchida junto com as fotografias deve ser entregue no setor de protocolo da Funcarte de segunda a sexta-feira, das 8 às 13h, ou encaminhadas pelo correio. As fotografias enviadas pelo correio devem ser endereçadas a: “Concurso de Fotografia da Cidade do Natal - Funcarte’’ – Av. Câmara Cascudo, 434 – Cidade Alta Natal / RN. CEP: 59025 – 280. A data limite para o recebimento das fotografias será no dia 29 de julho.

NATAL
...CIDADE DO SOL...
 
Natal é a capital do estado do Rio Grande do Norte, cidade com cerca de 800 mil e que recebe anualmente 2 milhões de visitantes por ano que vêm de todos os lugares do mundo para respirar o “ar mais puro”das Américas, visitar o maior cajueiro do mundo, conhecer as mais de 20 praias com paisagens paradisíacas de dunas e mar límpido e tranqüilo.

Natal está entre os  destinos mais procurados da região Nordeste do Brasil, favorecida pela sua localização, mas principalmente por suas belezas naturais e infra-estrutura de lazer que encantam os visitantes. A Cidade do Sol é ainda palco de muitas festividades e riqueza cultural, realiza o maior carnaval fora de época do país (o Carnatal), possui em sua história o traço da colonização holandesa e mercado imobiliário, a Cidade do Sol é a mistura perfeita entre lazer, qualidade de vida e oportunidade de negócio. Bom pra visitar, melhor pra viver, ideal para crescer.

Natal possui diversas praias urbanas que oferecem além de sol e mar, opções de lazer e bem-estar, além de uma grande rede de bares e restaurantes para todos os gostos. A Praia de Ponta Negra, emoldurada pelo Morro do Careca, um dos principais cartões postais da cidade, se destaca pela vida noturna agitada e maior rede de hospedagem e lazer. Ao Norte, atravessando a Ponte Newton Navarro, a praia da Redinha se destaca pela culinária, onde se come a famosa ginga com tapioca e por ser porta de acesso ao Litoral Norte do Estado.

  ...fonte..
Paula Braga
www.jorbras.com.br

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Hélio Duarte

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REFLEXOS POR TODA A NOSSA VIDA


A IMPORTÂNCIA DA FOTOGRAFIA EM NOSSA VIDA

A fotografia há décadas é considerada uma forma de expressão, foi assim que o homem encontrou o melhor e mais perfeito jeito, de gravar e transmitir suas idéias. A imagem mais do que nunca, vem ganhando sua importância, e hoje vivemos em um mundo mais visual, e a fotografia está ao alcance de todos. Com esta facilidade, as tecnologias permitem uma foto ser manipulada e modificada, nos fazendo assistir o verdadeiro objetivo da fotografia se afundar, quando era mostrar a verdade e reproduzir o real.

No jornalismo completa, e às vezes fala mais que a própria notícia, nas revistas de fofoca revela a vida dos famosos, na publicidade vende o produto, ilustra os livros, sites, entre tantas outras utilidades. A televisão e o cinema só estão aqui hoje, graças aos avanços tecnológicos desde a origem da fotografia.

Surgindo na metade do século XIX, a fotografia levantou as artes visuais. Um dos responsáveis foi o grande Leonardo Da Vinci, quem começou com a câmera escura, onde através de um orifício, uma luz refletida em um objeto projeta a imagem no interior de uma caixa escura. Em cima disso, ao longo de anos, muitos artistas recriaram e simplificaram o trabalho de Da Vinci, até a câmera ser o que é hoje. A fotografia é uma das responsáveis por apresentar ao mundo, a humanidade e o próprio mundo, e transformou em foto, a criatividade e a audácia de artistas, em verdadeiras obras de artes.

Desde analógica, mais do que fotografar e guardar o momento, a câmera vai além, e é uma das poucas que transpassam nossa alma, sendo que na era digital, a rapidez dos dados fotográficos tem o poder de unir pessoas em longas distâncias, seja por uma lembrança ou uma imagem Imagine uma vida sem fotografia, as histórias dos livros, apenas com textos sem registros fotográficos do que aconteceu em certa época em nosso passado.

Nossa história é contada por fotos, por memórias, formadas de imagens, por fotografias. Ainda que manipulada, a foto tem sua mensagem, e nada é tão característica como a imagem, que não seria completa sem as palavras, e vice e versa. Mais que encher um site de fotos, ou então uma rede social, a realidade que existe em uma fotografia, nos complementa com a verdade, e está tão presente e necessária em nossa vida como o ar que respiramos.


...crônica...
www.citypenha.com.br

...fotografia...
José Carlos da Silva
potiguarte@hotmail.com

junho 01, 2011

LAMENTO DE UM CORDELISTA


LAMENTO DE UM CORDELISTA
 Por
Itaércio Porpino 

O poeta popular, cordelista, escritor e compositor Erivaldo Leite de Lima, o Abaeté, era menino na cidade pernambucana de Sertânia, região do Moxotó, e já gostava de literatura de cordel. Ele ia sempre à feira, perto de casa, para comprar os livretos e admirar os cantadores. De leitor e colecionador, logo passou a escritor.

Hoje, é também uma das pessoas que mais ajudam a difundir esse tipo de literatura. Há três anos, Abaeté abriu na Cidade Alta, à rua Vigário Bartolomeu, a Casa do Cordel, onde - segundo ele - está o maior acervo de cordeis do Brasil. “São mais de cinco mil títulos”, diz.


A Casa vende também belíssimas xilogravuras na imburana e impressas em papel. Boa parte é feita pelo filho de Abaeté, Erick Lima, mestre nesse ofício. “Ele aprendeu sozinho, da necessidade que a gente tinha de botar as capas nos cordeis, porque cordel sem capa de xilogravura não é cordel”, diz Abaeté, que põe o menino entre os grandes xilogravuristas do Brasil.

Além do material exposto, do espaço ainda saem cordel e xilogravura por encomenda, ao gosto do cliente. Pode ser qualquer imagem - o retrato da família, por exemplo. Uma vez por mês, o local vira um ateliê onde as pessoas vão para aprender xilogravura. Ah, e se quiser ir qualquer dia só para conversar e saber mais sobre cultura popular e cordel, a porta está sempre aberta. Para Abaeté, é um enorme prazer.

...fonte... 
Itaércio Porpino

...visite... 
CASA DO CORDEL
Rua Vigário Bartolomeu, 578 - Cidade Alta - Tel. 84.8809 5178

maio 30, 2011

UMA SEMANA DEDICADA AO VIOLINO

O  público Potiguar vai contar com uma excelente programação, imperdível para quem desejar ouvir boa música, Annette-Barbara Vogel, Professora da University of Western Ontario (Canadá) é a convidada especial.

 UMA SEMANA DEDICADA AO VIOLINO
Por
Sérgio Vilar

A cultura musical potiguar passa pela Escola de Música da UFRN. Sobretudo nos últimos anos. O prato vazio ou a esmola cultural oferecida pelas gestões públicas tem feito dos concertos gratuitos apresentados no auditório da EMUFRN, banquetes suculentos. Musicistas de renome internacional saciam a fome de música e colaboram para formação de uma plateia cada vez mais entusiasmada pela instrumentação erudita ou os concertos populares. E esta semana é de prato cheio. O filé mignon dos instrumentos de orquestra será homenageado durante a Semana do Violino. A chef do menu será a violinista alemã Annette-Barbara Vogel, conceituada como das mais excitantes violinistas de sua geração, celebrada por sua virtuosidade, inteligência e paixão pelo violino.

A crítica musical de revistas, jornais e sites especializados no mundo enaltecem a "entonação perfeita" (Gramophone Magazine) ou a "interpretação mais ideal que um compositor poderia desejar" (Classical CD Review). A Fono Fórum ressaltou a "sonoridade sensualmente brilhante e muito flexível". E a Westdeutsche Allgemeine Zeitung adiantou o que poderá vir a ser à noite de hoje: "Qualquer interpretação em suas mãos se torna em um evento memorável". Annette está em turnê pelo Brasil, mas a única cidade onde fará três concertos - gratuitos - e duas masterclasses (aulas coletivas), também abertas ao público, será Natal. "Natal nunca recebeu uma violinista desse calibre. Ela viaja o mundo e cobra caro por suas apresentações. É um evento único", alerta o professor Durval Cesetti.

A canja dada por Annette-Barbara a Natal tem explicação. Ela foi companheira profissional de Durval, na University of Wester Ontário (Canadá). A alemã ainda ensina lá. E Durval chegou em Natal há quatro anos. É hoje professor de piano da EMUFRN. "Ela perguntou se podia tocar comigo de novo por aqui. Então a Semana do Violino foi toda montada em função dela". O público natalense poderá apreciar a versatilidade da violinista na interpretação do Concerto em Sol Menor deMax Bruch com a Orquestra Sinfônica da EMUFRN (regida pelo maestro convidado Guilherme Bernstein), um programa de música de câmara do século 20 (com obras de Zwilich, Schnittke e Lutoslawski) e outro programa de sonatas para violino e piano do século 19 (com obras de Beethoven, Fauré e Strauss).


MÚSICA INTERPRETADA

O maestro da Orquestra Sinfônica da UFRN, André Muniz, destaca a apresentação de terça-feira como resultado de uma especialização pioneira oferecida na EMUFRN práticas interpretativas da música do século 20 e 21. "São músicas de técnicas diferenciadas que os alunos têm a oportunidade de vivenciá-las com mais profundidade". Na programação de quarta, de recitais de sonatas, será voltada aos clássicos românticos. "E mostra o ecletismo e a união que temos buscado entre o trabalho artístico e o conhecimento acadêmico", ressalta o maestro. A fórmula tem dado certo. O auditório da EMUFRN realiza concertos quase semanais com boa presença de público. A sequência começou há cerca de dois anos e tem colocadoa música erudita potiguar na turnê dos grandes nomes do gênero no Brasil.

 ANNETTE-BARBARA VOGEL

A violinista alemã Annette-Barbara Vogel, professora da University of Western Ontario (Canadá), se distingue como uma das mais excitantes violinistas de sua geração, celebrada por sua virtuosidade, inteligência e paixão. Ela tem se apresentado por toda a Europa, Canadá, Estados Unidos, Caribe, América do Sul e Ásia como solista, recitalista e em música de câmara, tendo também oferecido inúmeros masterclasses em países como Albânia, Alemanha, Brasil, Canadá, Chile, Finlândia, Haiti, Líbano, Malásia, Romênia, Taiwan e nos Estados Unidos. 

Suas várias participações nos festivais de música de Aspen (Colorado), Bellingham (Washington), Chautauqua (Nova Iorque), Kuhmo (Finlândia), Las Vegas (Nevada), Menuhin (Suíça), Noord-Holland (Holanda), Ottawa Camber Music Festival (Canadá), Pan Music (Coréia do Sul), Ravinia (Chicago), Sächsisches Mozartfest (Alemanha), Berliner Festwochen (Alemanha), Frankfurter Musiktage (Alemanha), Scotia (Canadá), and Schleswig- Holstein (Alemanha) têm sido recebidas com grande entusiasmo. 

Aos três anos de idade, ela recebeu suas primeiras aulas de violino de seu pai, estudando depois com Emilia Mohr-Morikawa. Aos onze, ingressou na Folkwang-Hochschule de Essen como uma “Jungstudentin”, sendo um dos alunos mais jovens já aceitos nessa universidade. Com doze anos, deu seu recital de debut no Tonhalle de Düsseldorf. Posteriormente, continuou seus estudos na University of Southern California (Los Angeles), no Musikhochschule der Stadt (Suíça) e no Sweelinck Conservatorium (Holand), além de ter recebido um Diploma de Artista do College-Conservatory of Music de Cincinnati, estudando com Herman Krebbers, Walter Levin, Henry Meyer, Peter Oundjian, Pieter Daniel e a legendária Dorothy DeLay.

Annette-Barbara Vogel já dividiu o palco com músicos do mais alto calibre, como Pierre Amoyal, Young-Chang Cho, Patrick Demenga, Ralf Gothoni, Bernhard Greenhouse, Arthur Grumiaux, Alexander Hülshoff, Maria Kliegel, Juhani Lagerspetz, Vladimir Mendelssohn, Elsbeth Moser, Lord Yehudi Menuhin, Viktor Pikaisen, Sandra Rivers, Dmitri Sitkovetzky, Peter Zazofsky, assim como membros da Orquestra Sinfônica de Berlin, da Orquestra Filarmônica de Viena, da Orquestra Filarmônica de Boston, da Orquestra Sinfônica de Vancouver, da Orquestra da Rádio de Colônia, da Orquestra Real do Concertgebouw de Amsterdam e da Orquestra Filarmônica de Munique.   

Annette-Barbara Vogel fez várias gravações pelos selos Harmonia Mundi e Cybele, com peças de Ludwig van Beethoven, Yuri Brener, Aram Chatchaturian, Andreas Kunstein, Alfred Schnittke, Bedrich Smetana, Maurice Ravel, Richard Strauss e Yves Prin. Uma intérprete ávida de música do século XX, ela é conhecida por combinar uma enorme quantidade de repertório tradicional com projetos mais vanguardistas, tendo dado a première de inúmeras composições escritas especialmente para ela. 

O Quarteto de Cordas de Tóquio a recomendou para uma posição de Artista-em-Residência do Monticello Trio na University of Virginia at Charlottesville, onde ela ensinou de 1994 a 1995, antes de retornar a Alemanha, lecionando na Folkwang-Hochschule de Essen por três anos. Posteriormente, foi professora da University of Iowa e trabalha desde 2004 na University of Western Ontario no Canadá.

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Sérgio Vilar

maio 28, 2011

ESQUECER UM LIVRO EM ALGUM LUGAR?


...BOOKCROSSING... 
ESQUECER CONSCIENTEMENTE UM LIVRO EM LOCAL PÚBLICO
 
Esquecer um livro?? Sim, e de uma maneira muito simples! Esqueça um livro em algum lugar público (praças, metrôs, museus, restaurantes, cafés e outros), com uma etiqueta ou dedicatória que indique que aquele é um livro gratuito, que pode ser levado por qualquer pessoa para ser lido. Depois, quem pegou o livro também passa a fazer parte da corrente, deixando o mesmo ou outro livro em algum local público, para que outra pessoa seja presenteada. 

Embora não vá mudar o hábito de leitura do nosso País pode ajudar um pouco, além de proporcionar a leitura de um bom livro a aqueles que, infelizmente, por um motivo ou outro não podem adquirir um livro ou que não tem o hábito de ler. Simplesmente esqueçam o livro. O importante mesmo é que possamos levar um pouco de boa leitura a outras pessoas.

Voltaire relatou: "Um livro aberto é um cérebro que fala; Fechado, um amigo que espera; Esquecido, uma alma que perdoa; Destruído, um coração que chora". Quanta gente passa pela vida sem fazer a viagem dos livros porque simplesmente não começou, ou não foi estimulada a isso no período certo. E não sabem o que estão perdendo, literalmente.

Eu acredito que somos o resultado daquilo que vivenciamos, mas quem tem o hábito da leitura sabe que também formamos nossa personalidade através do que vemos nos livros.

É fundamental optar por não acompanhar o desenrolar dessa história (saber quem pegou os livros) para manter a espontaneidade e reforçar a atitude de doar. Acreditamos que essa contribuição pode – e deve – ser feita por qualquer um, para qualquer um, e que toda pessoa pode e tem o direito de se apropriar de um livro abandonado com essa finalidade, como se fosse um presente.

Para os que amam a literatura e o livro e acreditam que é só a partir da democratização deste objeto (e de seu conteúdo) que o Brasil pode ser melhor...adotem essa idéia!! 
 

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"se você ama seus livros, deixe-os ir"
The New York Times

maio 24, 2011

SEGUINDO AS PEGADAS DE ZILA MAMEDE

ROSAMARIA MURTINHO SEGUINDO AS PEGADAS DE ZILA MAMEDE
 ZILA GERMINA NA TELA
Curta em homenagem a poetisa Zila Mamede

Por
Yuno Silva
 &
 Maria Betânia Monteiro

A poesia de Zila Mamede ganha contornos oníricos e audiovisuais no curta-metragem “Pegadas de Zila”, selecionado para integrar a mostra competitiva da 21ª edição do Cine Ceará. Com roteiro e direção do potiguar radicado no Rio de Janeiro, Valério Fonseca, e trilha sonora do cantor e compositor Dudé Viana, o filme tece colcha poética de retalhos tendo como protagonista a atriz Rosamaria Murtinho, na pele de uma mulher que revive e passeia pelas memórias da poetisa nascida na Paraíba e criada no Rio Grande do Norte, que sonhava em conhecer o mar. “Pegadas de Zila” tem 11 minutos de duração, foi rodado em Natal e no Rio de Janeiro, e a participação no festival Cine Ceará marca estreia nacional. O evento estará em cartaz no Teatro José de Alencar, entre os dias 8 e 15 de junho, em Fortaleza.

“O projeto existe desde junho de 2010. Quando voltava de um festival de cinema em Jericoacoara, onde fui participar com o curta ‘Maria Ninguém’ (2008), passei por Natal para rever a cidade e comecei a filmar lugares onde passei minha infância”, disse Valério, radicado há quase vinte anos na capital fluminense. “Queria fazer um outro tipo de registro, mas não sabia exatamente o quê. Quando cheguei à Praia do Meio, fiquei encantado com as imagens captadas e, apesar de conhecer pouco sua poesia, Zila Mamede não saía da cabeça – sabia da relação que ela tinha com o mar e de sua morte trágica, em 1985, quando nadava no Rio Potengi. Assim surgiu ‘Pegadas de Zila’”, lembra o diretor.

Realizado sem o amparo de leis de incentivo ou editais públicos, o curta-metragem levou cerca de 10 meses para ficar pronto. “Gravamos tudo em quatro dias, externas e internas, e o melhor é que não gastamos quase nada: foi tudo na amizade, tudo por amor mesmo”, comemora Fonseca, que conheceu Rosamaria Murtinho através de uma amiga em comum, a atriz e cineasta cearense Aurora Miranda Leão: “Murtinho era minha primeira opção, é uma atriz maravilhosa, sensível e ajudou muito na realização com ideias geniais. É interessada em trabalhar com projetos de curta-metragem, e se envolveu de maneira especial com a poesia de Zila Mamede, que ela não conhecia”.

O tom onírico vem da experimentação do diretor em não se prender a formatos: “Optei por uma abordagem experimental por não ter a pretensão de produzir um documentário nem uma obra de ficção. O mar é um grande personagem no filme, ele nos engole; Rosamaria Murtinho também não interpreta Zila, seu personagem se confunde com a figura da poetisa”, explicou Fonseca, que fecha o filme com o poema “A Ponte”, musicado por Dudé Viana. A ficha técnica ainda inclui still e produção executiva de Aurora Miranda Leão; still em Natal de Letícia Santos, arte de Iziane Mascarenhas, e montagem de Saulo Moretzsohn.

O diretor de “Nas Pegadas de Zila” começou sua carreira há mais de 20 anos, no Rio de Janeiro, onde estudou teatro no Tablado e na Casa de Artes Laranjeiras e fez cinema na Escola Darcy Ribeiro. Como curtametragista, produziu curtas “Maria Ninguém” (2008), sobre a passagem de Brigtte Bardot em Búzios (RJ) nos anos 1960 com Fernanda Lima no papel principal;  “Chapada”; “Céu de Dor”; “A maldição de Berenice”; e “Dona Eulália”. Com “Maria Ninguém” foi premiado em Los Angeles como melhor curta internacional de 2010.

Esta é a segunda vez que uma temática potiguar concorre no festival. Em 2010, o curta “Dona Militana, a romanceira dos oiteiros”, do paulistano Hermes Leal. 
 
UMA POTIGUAR NASCIDA NA PARAÍBA

“É o chão onde nasci, e eu gostaria que ela (Nova Palmeira) fosse no Rio Grande do Norte, porque me sinto tão norte-riograndense, que tenho susto quando olho a minha carteira de identidade. Nisso não há nenhum preconceito contra a Paraíba. Apenas fui transplantada muito pequena, a tempo de me sentir enraizada no Rio Grande do Norte. Daí porque eu digo que gostaria que Nova Palmeira, a vila fundada pelo meu avô e pelo meu padrinho de batismo, fosse no Rio Grande do Norte. Era uma fazenda, uma vila, hoje é mais um município brasileiro, mas não é como município, e sim, como sítio do meu avô que permanece na minha geografia sentimental”, declarou Zila Mamedi.

Zila nasceu em 1928, em Nova Palmeira, Paraíba, onde viveu “até cinco ou seis anos de idade” indo ao roçado do avô “comer melancia, tomate, cereja, um tomate pequeno que brotava no mato”. A família de seu pai era de Caicó, Rio Grande do Norte; o avô materno, de Jardim do Seridó, também no Rio Grande do Norte. “Por coincidência, todos foram morar em Picuí, Nova Palmeira e Pedra Lavrada”. As famílias se encontraram em Nova Palmeira, onde ela nasceu.

Ainda pequena, muda com a família para Currais Novos (RN), onde o pai monta uma máquina beneficiadora de algodão. Menina do sertão, o mar viria a ser uma forte presença em sua poesia. A primeira vez que o viu foi por volta dos doze ou treze anos, aquela coisa “balançando de um lado para o outro, uma coisa que eu jamais havia visto”:

“- Meu pai, isso é o mar?
Ele disse:
Não. Isso é um canavial”.

Estavam em um Ford 39, a caminho de Recife, onde ela finalmente veria o mar. 

Em dezembro de 1942, em plena Guerra, vai para a capital, Natal, juntar-se ao pai que já estava desde o início da montagem da Base Aérea de Parnamirim, onde ficavam os americanos. “Lembro que cheguei e vi aquele quintal cheio de cajueiros, de mangueiras, chovia aquela chuva do caju e a gente não entendia como era que chovia em dezembro, e eu corri e vi um pé de sapoti, assim esbranquiçado, e perguntei se era um pé de ovo”.


UM MAR DE LIVROS E LEMBRANÇAS

Assim era Zila. A própria figura da menina inocente do sertão nordestino. No Colégio da Conceição aprendeu o português que usaria com mestria. Ao terminar o curso secundário, em 1949, foi passar uma temporada em João Pessoa e Recife com seu padrinho de batismo, Francisco de Medeiros Dantas, um homem culto que descobriu que a afilhada “era analfabeta em matéria de literatura” e, a partir de então, começou a lhe dar coisas para ler.

Depois de uma tentativa frustrada de ser freira (o que o pai não queria), voltou para Natal e começou a sentir “saudades do céu”, uma angústia existencial que a levou a escrever. Zila tinha, então, 21 anos.

Pesquisou a obra e organizou a bibliografia de Cascudo e do pernambucano  João Cabral de Melo Neto, que a incluiu entres os maiores poetas do país.. Escreveu seu nome na literatura potiguar ao lançar os livros “Rosa de Pedra” (1953); “Salinas” (1958), com o qual ganhou prêmio em Pernambuco; “O Arado” (1959); “Exercício da palavra” (1975);  a coletânea “Navegos” e “Corpo a corpo” (ambos de 1978); e a “A herança” (1984)”. 

CARTAS DE DRUMMOND

Seus poemas tinham uma arquitetura precisa, na descrição de seus afetos. Tanto, que a distância existente entre o Rio Grande do Norte e o resto do país se tornou mínima, mesmo antes do avanço dos meios de comunicação. As cartas fizeram com que Zila Mamede se aproximasse de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira. Semideuses da poesia, que foram tocados pelas composições de Zila.

Em uma das cartas de Drummond enviadas à Zila Mamede, ele diz: “Zila amiga querida, seu livro está aqui, encantando um velho leitor que já o conhecia bem e agora se alegra de tornar a ver o amigo. Tão puro ele é em sua aderência à terra, aos bichos, à vida natural – e tão enriquecido pelos requintes de espírito daquela que o escreveu! Obrigado pela boa visita, amiga. Senti você conversando comigo”. Drummond se referia ao livro “O Arado”, publicado em 1959. E foi esta mesma Zila Mamede, querida dos semideuses, a primeira a comparecer no lançamento do livro “Marrons Crepons Marfins” da estreante Marize Castro, em 1985.

1985
A DESPEDIDA

A morte de Zila Mamede foi anunciada em todos os veículos de comunicação da cidade e de outros estados, manifestando a enorme perda. A matéria publicada na TRIBUNA DO NORTE, em 14 de dezembro de 1985, dizia: “Sexta-feira 13 de dezembro, fatal para as letras e a política do Estado. Morre Zila Mamede... Ontem pela manhã, como fazia todos os dias, saiu cedo de sua residência, no edifício ‘Morada Caminho do Mar’, na rua Seridó, para uma caminhada na Praia do Forte onde, em seguida, costumava fazer algum tempo de natação... Mais tarde seu corpo foi encontrado na Praia da Redinha”

...fontes... 
Yuno Silva  
Maria Betânia Monteiro 

...mais...
  Zila "Mulheres de Destaque" 
Homenagem da Camara Municipal de Natal/RN

vídeo - parte 1/2
http://youtu.be/54zgD8Nosvo

vídeo - parte 2/2 

maio 23, 2011

PINCELADAS TELÚRICAS NO COTIDIANO


WAGNER DE OLIVEIRA
PINCELADAS TELÚRICAS NO COTIDIANO ASSUENSE

No cenário das artes visuais do Rio Grande do Norte a pintura de Wagner de Oliveira apresenta-se como uma novidade surpreendente. Jovem, talentoso, vindo do  Vale do Assu, suas telas nos emocionam pelo lirismo dos personagens e pela força telúrica da paisagem física.

O artista assuense retrata, com muita sensualidade, o cotidiano do município, lembrando-nos, sem dúvida, Di Cavalcanti, ou mesmo, Vicente do Rego Monteiro, embora de forma atual, isto é, dentro de uma proposta artística do século XXI.


Autodidata, filho do pintor e músico Barrinha, Wagner de Oliveira revela que o primeiro contato com as artes plásticas se deu aos sete anos por meio de revistas e livros com pinturas de Leonardo da Vinci, Monet, Picasso e Van Gogh. Tanta admiração pelos mestres fez o artista tentar vender pequenas histórias ilustradas em folha de ofício na escola.


Mas a principal influência não veio do universo pictórico e, sim, dos quadrinhos dos anos 1980, notadamente Mozart Couto, Eugênio Colonnese, Edmundo Rodrigues e Flavio Colin. Naquela época, apaixonado por gibis, Wagner começou a absorver as técnicas desses quadrinistas.


“Quando comecei a pintar tinha umas seis bisnagas com cores diferentes, mas nenhuma delas era da cor de pele, então resolvi usar o marrom e pintar uma linda negra. Se você pegar as mulheres de Mozart Couto, transformá-las em mulatas, e as colocar em uma tela, vem logo a comparação com Di Cavalcanti”, ilustra.


Wagner assinala ainda que os críticos apontam semelhanças entre sua obra e o expressionismo de Di Cavalcanti: “apesar de ser um belo elogio, eu não me prendo a isso, e procuro encontrar meu próprio estilo”, afirma. No Rio Grande do Norte, Wagner de Oliveira admira o trabalho de Ulisses Leopoldo, Pedro Alves e Marcelus Bob.


Wagner de Oliveira expôs pela primeira vez em 2004, no Assu Mix. Daí até 2008, seus trabalhos sempre estiveram presentes nas festas juninas e feiras de negócios de Assu. Em 2005, ele expôs na Caixa Econômica e realizou cinco exposições durante o movimento Arte em Toda Parte. Naquele mesmo ano participou da 5ª  Mostra Officina Interior. No VIII Salão de Artes Visuais da Cidade do Natal, promovido pela Prefeitura de Natal, por intermédio da Fundação Cultural Capitania das Artes, foi selecionado entre 30 artistas. 


Em 2006, conquistou o 3º  lugar em um concurso de pintura realizado pelo SESI, no projeto SESI Cidadania. Participa também de exposição coletiva em albergue de Ponta Negra e assina a capa do livro “Roda Gigante”, do colunista social Marcos Henrique, em 2009.

Em 2010, obteve destaque no Bardallo´s Comida & Arte com  a mostra individual  "ASSUasMulheres" , onde reuniu 20 telas em técnicas variadas - óleo sobre tela, pastel sobre canson, acrílica sobre tela e grafite sobre canson. Uma das obras, "Flor de cera", foi escolhida para ilustrar a capa do Guia Cultural Solto na Cidade, edição nº 39 -maio/2010.

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"Um homem que trabalha com as mãos é um operário; um homem que trabalha com as mãos e o cérebro é um artesão; mas um homem que trabalha com as mãos e o cérebro e o coração é um artista."
( Louis Nizer )

maio 19, 2011

AMANDA GURGEL - PROFISSÃO... PROFESSORA

GILBERTO GIL, ZÉLIA DUNCAN, MARCELO TAS
comentaram e apoiaram a declaração da profª Amanda Gurgel

A professora do Rio Grande do Norte Amanda Gurgel virou heroína da causa da classe, por melhores salários, nas redes sociais. Um vídeo no qual ela silencia os deputados do RN em audiência pública quando fala sobre a situação crítica da educação já tem mais de 1.800 mil visualizações no You Tube

Desde quarta-feira (18) o nome “Amanda Gurgel” já está na lista brasileira dos Trending Topics, no Twitter. A repercussão na rede não passou despercebida pelos portais de notícias como O Globo, Época e o R7, além de ganhar espaço em vários blogs que tratam de Educação e  Direito.

O vídeo com o depoimento da professora Amanda Gurgel foi postado no Youtube por um outro professor que também estava na audiência pública, mas nem ele, e muito menos Amanda, poderiam imaginar onde essa história iria parar. "Ele me ligou pedindo autorização e em poucos minutos já eram 50 acessos, depois 80 e hoje eu nem sei mais quantos acessos tem", disse.

A repercussão não era esperada, mas rendeu a Amanda entrevistas a veículos de comunicação de todo o país, com participação no Domingão do Faustão e possível presença no Programa do Ratinho. "Eu sou professora e sei que o meu lugar não é na mídia, mas eu vou aproveitar esse momento para dar visibilidade à nossa luta, para convocar todos os professores a participar do movimento", afirmou. 

PROFESSORA DO RN VIRA HEROÍNA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
APÓS POSTAGEM  DE VÍDEO NO YouTube

Por
Jussara Correa & Fernanda Zauli

As declarações de uma professora da rede estadual de educação, indignada com as condições de trabalho e a má qualidade do ensino público, tem circulado o Brasil inteiro e colocou as deficiências da educação do Rio Grande do Norte em evidência. A professora Amanda Gurgel não economizou críticas aos entes públicos durante uma audiência pública, realizada na Assembleia Legislativa.

As palavras verdadeiras caíram como uma bomba nas redes sociais. As reflexões fizeram com que o vídeo postado no site YouTube - uma reprodução do programa exibido pela TV Assembleia - alcançasse mais de 265 mil acessos. Rapidamente o assunto dominou os comentários no microblog Twitter, chegando ao Trending Topics, os dez assuntos mais comentados na rede social. Uma rápida consulta ao Google revela centenas de referências ao discurso revelador da professora, que está sendo tratado por muitos como o resumo da educação no país.

UMA PALADINA NA EDUCAÇÃO POTIGUAR

As palavras da professora encontraram eco em membros representativos da sociedade. Entre as inúmeras referências ao assunto no Twitter, o ex-ministro da Cultura Gilberto Gil deu o seu veredicto: "Ótimo depoimento da professora Amanda Gurgel". A cantora Zélia Ducan foi além, dizendo que "A professora Amanda Gurgel, essa sim, vai pro céu! Isso sim, faz pensar e exige uma ação, meu povo!".

Já o apresentador multimídia Marcelo Tas utilizou o vídeo para falar sobre a situação da educação no país, postando em seu blog: "Nos últimos 16 anos + 4 meses + 18 dias os governantes nos disseram que Educação é PRIORIDADE do governo deles (me refiro a FHC, Lula e Dilma, e deixo o passado-igualmente nefasto neste quesito- para trás). Desculpem os ilustres citados, mas na minha avaliação, no dicionário deles prioridade é sinônimo de blábláblá".

Tas encerra citando a professora: "Amanda Gurgel, portadora de um contra-cheque de R$ 930 reais mensais, é chamada ao microfone durante Audiência Pública na Assembléia que debate o estado atual da Educação no estado do RN. Em exatos 8 minutos, desenha com precisão, clareza e sobretudo com dignidade o seu estado de espírito como professora e o estado da Educação no Brasil. Professora Amanda, conte com meu apoio, respeito e admiração!".

 
O EFEITO REVELADOR DA VERDADE SILENCIA DEPUTADOS NO RN

O discurso foi feito no último dia 10 de maio, na Assembleia Legislativa e Amanda iniciou seu pronunciamento falando do salário de R$ 930, afirmando que tal valor não era suficiente para que os educadores tivessem uma vida digna. "Todos aqui falaram de números e eu gostaria de começar a minha fala apresentando um número também. São três algarismos: 9, 3 e 0. Os números do meu salário base. Gostaria que os senhores me respondesse se conseguiriam manter o padrão de vida atual com esse salário. Não pagaria nem a indumentária para frequentar esta Casa", disse.

A secretária estadual de Educação, Betânia Ramalho estava entre as convidadas e se tornou "alvo" de Amanda. "Com todo respeito, secretária, mas asenhora diz que o governo não pode ser imediatista e resolver todos os problemas da Educação de uma só vez. Mas a minha necessidade de alimentação é imediata. O fato é que em nenhum governo a Educação foi prioridade", declarou. O deputado Hermano Morais, propositor da audiência, e a secretária estadual de educação foram procurados para repercutir o vídeo, mas não deram declarações.

 
DO SONHO PROFISSIONAL À REALIDADE DA SALA DE AULA

Amanda Gurgel é uma militante nata. A professora de Língua Portuguesa que chamou a atenção do país inteiro depois que o seu discurso em uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado foi publicado no Youtube, já foi dirigente do Centro Acadêmico de Letras e do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Logo nas primeiras assembléias do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/RN) das quais participou, assumiu a postura de oposição e no ano passado se filiou ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Aos 29 anos, Amanda leva uma vida simples como a maioria dos professores do país: sai de casa às 5h50 e só retorna às 23h, pega três ônibus para chegar ao trabalho, estuda à noite, e tem pouco tempo e dinheiro para lazer.

Aos quatro anos perdeu os pais em um acidente de carro e foi morar no interior da Bahia com parentes. Voltou para Natal para cursar a faculdade de Letras na UFRN. Morou na residênciauniversitária e trabalhou durante todo o curso para se manter. Amanda é professora desde os 21 anos. O primeiro trabalho foi no cursinho pré-vestibular do DCE, fase que ela descreve como a melhor da sua carreira. "Era um projeto social e é uma experiência diferente, o perfil dessas turmas é de pessoas realmente interessadas e que estão em um nível de leitura e escrita que você consegue desenvolver um bom trabalho".

Segundo ela, o grande choque com a educação veio quando assumiu uma turma do 6º ano em uma escola municipal de Natal. "A minha maior frustração foi quando entrei na sala de aula para o nível fundamental, em 2005. Eu vi que os alunos do sexto ano não tinham a menor proficiência para estar nessa série, eram alunos analfabetos", recorda.

O sonho de ser professora nasceu no cursinho pré-vestibular. Amanda admirava as aulas da professora Claudina e sonhava em ser como ela. "Ela era uma professora indescritível. Eu olhava para ela e pensava 'é isso que eu quero fazer na minha vida'. Então me tornei professora", contou. Mas e hoje, o que aconteceu com esse sonho? "Eu não sei dizer o que aconteceu com o meu sonho, mas ele não é mais o mesmo, definitivamente. Eu estou em uma fase de avaliação, estou refletindo", disse. A desmotivação vem, segundo ela, dos baixos salários, da falta de condições de trabalho e do analfabetismo dos alunos.

A vida corrida, o desgaste diário e a desvalorização da profissão, renderam a Amanda um problema de saúde que ela prefere não revelar, mas que foi responsável por seu afastamento da sala de aula. Hoje, trabalhando na Escola Municipal Professor Amadeu Araújo e na Escola Estadual Miriam Coelli, ela atua na biblioteca e no laboratório de informática. "Estou em fase de readaptação de função, fora da sala de aula. Assim como eu, existem muitos professores com problemas de saúde em decorrência do nosso trabalho", afirmou.

...fonte... 
Jussara Correa
jussaracorreia.rn@dabr.com.br 
Fernanda Zauli
fernandazauli.rn@dabr.com.br

...veja o vídeo...
INTERTV CABUGI
DOMINGÃO DO FAUSTÃO