agosto 13, 2011

AO GOSTO DA FOTOGRAFIA POTIGUAR

“Você não fotografa com sua máquina. Você fotografa com toda sua cultura.”
Sebastião Salgado

 * * *

19 DE AGOSTO
DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA

Em um mundo completamente imagético como é o nosso hoje, a fotografia está presente em todos os momentos. Seja de câmeras comuns, digitais, de celulares, a imagem se tornou um elemento central nesse mundo midiatizado.

Mas se hoje a fotografia tem esse lugar de destaque, podendo ser alterada, transformada e manipulada, muito se deve aos inventores deste conceito.

Dois franceses merecem destaque nessa descoberta: Joseph Nicéphore Niépce e Jean Jacques Mandé Daguerre. Niépce foi o precursor, unindo elementos da química e da física, criou a héliographie em 1926. Nesse invento ele aliou o princípio da “câmara obscura”, empregada pelos artistas desde o século XVI, à característica fotossensível dos sais de prata. Após a morte de Niépce, Daguerre aperfeiçoou o invento, rebatizando-o como daguerreótipo.
                                                                                                      
Por essa época um francês radicado no Brasil, Hércules Florence, desenvolvia também experimentos que levariam ao mesmo resultado. Mas o advento da fotografia foi anunciado ao mundo oficialmente, em Paris, na Academia de Ciências da França, consagrando o Daguerreótipo, em 19 de agosto 1839.

De lá pra cá a fotografia evoluiu muito e foi a grande responsável por “apresentar o mundo” à humanidade. Mesmo com o surgimento de outras formas de exibição de imagens (cinema, televisão, computador) a fotografia continua sendo a única "capaz de captar a alma humana". Ou, como diria Henri Cartier-Bresson, um dos maiores fotógrafos de todos os tempos "fotografar é captar o momento decisivo".

AGOSTO AO GOSTO DA FOTOGRAFIA POTIGUAR

FOTOGRAFIA: HÉLIO DUARTE
 O blog POTIGUARTE comemora  junto com você!
Em Natal, algumas homenagens ocorrem paralelas à data. Vejamos:

 FUNCARTE DIVULGA RESULTADO CONCURSO
 "NATAL EM FOCO"

 
O repórter fotográfico da TRIBUNA DO NORTE Rodrigo Sena (1º lugar)  , Marco Túlio Rêgo ( 2º lugar) e Jean Lopes (3º lugar) foram os contemplados do Prêmio "Natal em Foco", promovido pela Fundação Capitania das Artes para celebrar o Dia Mundial da Fotografia.  O prêmio foi anunciado durante o coquetel na noite de ontem, com presença do Presidente da Funcarte Roberto Lima e da Prefeita Micarla de Souza.

O primeiro lugar levou o prêmio de R$ 3 mil, o segundo o R$ 2 mil e o terceiro a quantia de R$ 1 mil. O júri responsável pela escolha dos trabalhos que serão expostos é formado pelo Marcelo Mariz, Ângela Almeida, Marcílio Amorim, Henrique José, Tácito Costa e Marcelo Barreto, sob a coordenação de Marcos Sá  de Paula. 

No total foram entregues à Capitania das Artes 238 fotografias. Dentre elas, foram escolhidas 20 para a exposição e destas saíram os três primeiros lugares.

Os fotógrafos finalistas que estão expondo  na galeria Newton Navarro são Alenuska, Evaldo Gomes, Argemiro Lima, Rodrigo Sena, Cláudio Marques, Vlademir Alexandre, Jean Lopes, Hênio Bezerra, Adauto Harley, Marco Túlio, Emerson Moraes, Vilma Vitor, Israel Trajano e Dario Macedo.

 "VAQUEIROS TRADICIONAIS DO SERIDÓ"
SOLAR BELA VISTA 


Alex Fernandes e Pablo Pinheiro mergulharam durante cerca de um ano, entre idas e vindas,  em pesquisas, vivências, ensaios; convivendo e fotografando  o cotidiano dos tradicionais vaqueiros do Seridó, no Rio Grande do Norte. O resultado deste brilhante trabalho poderá ser conferido em uma exposição fotográfica no Solar Bela Vista, em Natal, que  ficará em  cartaz até o dia  25 de agosto. 

O acervo inicial faz parte de uma série de documentação intitulada Ensaios Potiguares de Fotografia. O primeiro projeto dessa série chama-se Vaqueiros Tradicionais do Seridó e, como primeiro resultado deste projeto, temos a série que estar sendo  exibida, Fragmentos de uma tradição, um belo registro do cotidiano desses personagens, os elementos de sua cultura e o ambiente onde desenvolvem sua atividade. 

"MARIAS DE ANCHIETA XAVIER"
TEATRO DE CULTURA POPULAR

 

A fé serviu de inspiração para o fotógrafo natalense Anchieta Xavier. As suas lentes captaram imagens que retratam as muitas Marias espalhadas pelo nordeste. A exposição é uma das atrações do projeto cultural "Agosto da Alegria".

As fotografias mostram a fé, a paixão, a devoção da mulher potiguar, que acende velas, reza, pede a nossa senhora pela família, por saúde, por felicidade. São as Marias de Anchieta, do fotógrafo Anchieta Xavier. A exposição é resultado de um ano meio de trabalho. Nela, todas as personagens se chamam Maria, inclusive a mãe do fotógrafo, que aparece na foto de abertura da mostra.

Aos 20 anos de carreira, Anchieta já expôs na Argentina, Chile e até mesmo na vizinha Parnamirim. Esta é a primeira vez que ele mostra seu trabalho na cidade onde nasceu. As Marias de Anchieta fazem parte do Agosto da Alegria. A mostra pode ser vista no Teatro de Cultura Popular, Tirol, em Natal.


...serviço... 

 NATAL EM FOCO
Galeria Newton Navarro
Capitania das Artes

VAQUEIROS TRADICIONAIS DO SERIDÓ
Solar Bela Vista

MARIAS DE ANCHIETA XAVIER
Teatro de cultura Popular Chico Daniel
Rua Jundiaí - 641 - Tirol - Natal/RN
 10/08 a 02/09 - 08 às 17h
  
* * * * * * * *
A câmera não faz diferença nenhuma. 
Todas elas gravam o que você está vendo.
Mas você precisa VER.

agosto 09, 2011

VAQUEIROS TRADICIONAIS DO SERIDÓ

Alex Fernandes e Pablo Pinheiro mergulharam durante cerca de um ano,
entre idas e vindas, em pesquisas, vivências, ensaios; convivendo e
fotografando  o cotidiano dos tradicionais vaqueiros do Seridó

VAQUEIROS TRADICIONAIS DO SERIDÓ
FRAGMENTOS DE UMA TRADIÇÃO

Por 
Alcides Mafra

Fenômeno relativamente recente na fotografia contemporânea, a reunião de fotógrafos em torno dos chamados coletivos torna-se cada algo vez mais comum. Cia. de Foto, Garapa são dois dos mais conhecidos representantes do segmento, que vê surgir no Rio Grande do Norte mais um representante, o coletivo Byreçá Foto Potiguar, que tem exposição marcada para o Mês da Fotografia, no Solar Bela Vista, em Natal.


A exposição, em cartaz de 9 a 25 de agosto, é parte de uma série de documentação intitulada Ensaios Potiguares de Fotografia. O primeiro projeto dessa série chama-se Vaqueiros Tradicionais do Seridó e, como primeiro resultado deste projeto, temos a série que será exibida, Fragmentos de uma tradição, que faz um registro do cotidiano desses personagens, os elementos de sua cultura e o ambiente onde desenvolvem sua atividade. Durante cerca de um ano, os fotógrafos Alex Fernandes e Pablo Pinheiro, membros do coletivo (que conta ainda com Tiago Lima), visitaram o município de Acari, na região do Seridó, para compor o ensaio. 

 
Segundo os autores, o Seridó escolhido como cenário desse documentário fotográfico em função de sua natureza agreste, peculiar, na qual a tradição vaqueira ganha contornos icônicos, nas vestimentas, nos instrumentos de lida e nas práticas tradicionais, tais como a “apartação”, os “derrubadores” e o “arrebanho”.   


Inaugurado no começinho deste ano, o Byreçá ainda está em processo embrionário, explica Alex Fernandes, fotógrafo carioca que vive na capital potiguar. O nome escolhido para batizá-lo vem da língua tupi. Trata-se da junção de byr (levantar-se, erguer-se) e eçá (ver, olhar).

Vaqueiros do Seridó 
 exposição fotografia
Solar Bela Vista 
Av. Junqueira Aires, 417 – Cidade Alta – Natal / RN
  09 a 25 de agosto de 2011 -   8hs às 12hs e 14hs às 18hs

Alex Fernandes 
contato@alexfernandes.com.br
Pablo Pinheiro 
contato@pablopinheiro.com.br  
 
...fonte...
Alcides Mafra 
http://photos.uol.com.br
 
  ...fotografia... 
coletivo Byreçá Foto Potiguar

agosto 07, 2011

ETNIA E MAGIA NOS TRAÇOS DE UM POTIGUAR


AMMER JÁCOME 
ETNIA E MAGIA NOS TRAÇOS DE UM POTIGUAR
 Natural de Natal RN, Nordeste do Brasil, o artista plástico Ammer Jácome 
pinta desde os 13 anos de idade, em sua maioria figuras humanas, 
que formam a mistura étnica brasileira.

O SER HUMANO VALORIZADO EM TRAÇOS

Cores e formas de etnias brasileiras. Quadros que se sobressaem pela peculiar característica de transmitir sentimentos de figuras em primeiro plano. Os muitos negros, índios e nordestinos retratados por Ammer Jácome em suas obras, se misturam a formas inusitadas e materiais em alto relevo. Esse artista gosta mesmo é de gente e se emociona ao relatar esse fato.


 Ammer Jácome é um homem simples como o ser humano que descreve em suas pinturas. De sorriso largo e ar tímido, começou a mostrar o seu talento aos 13 anos. Do curso de pintura e desenho no Solar Bela Vista, Ammer passou a aluno da Irmã Miriam, no Colégio das Neves, onde estudava, e foi lá onde  se encantou "até com o cheiro da tinta". O dia em que aprendeu a pintar foi marcante e inusitado: "Foi quando a irmã não me deu aula e eu pude apenas observá-la pintando e misturando tintas", relata.


Aos 20 anos, Ammer decidiu seguir o dom com os pincéis e entrou para o curso de licenciatura em artes plásticas , na UFRN, onde começou a ministrar aulas de pintura. Estas não duraram muito, pois o artista, que sempre quis estudar Belas Artes, decidiu focar no aperfeiçoamento de sua técnica. Por sugestão de um professor, Ammer pintou três quadros de índios, que entraram para o Salão de Artes do Estado. A partir daí, as representações de etnias passaram a ser a marca do seu trabalho.


Os traços mais fortes, os detalhes em super close e as famosas faixas monocromáticas, técnica que o pintor denomina de Cores e Representações, surgiram com a série de quadros retratando a tribo Xingu. Para o artista, "cada etnia é uma descoberta, pois são utilizadas matizes diferentes de cores para cada representação". Novos materiais foram incorporados aos quadros, como o café, a madeira e o pó de mármore.


Ammer busca retratar a beleza e a felicidade em suas obras, para que elas transmitam bons sentimentos aos admiradores das artes. Segundo ele, "as pessoas já têm tantos problemas, veem tantas desgraças que, ao chegar em casa, é importante que apreciem algo que traga alegria". Sobre o futuro o artista pontua: "Não sei o que vou fazer futuramente. O que sei é que pinto hoje com mais amor à tela, ela é como um filho, você vai criando para que ele vá para o mundo".


As obras de Ammer valorizam a figura humana dentro de um contexto cultural próprio de cada representação, sejam índios com suas penas coloridas e rostos pintados ou uma bela negra de sorriso estonteante e tecidos vibrantes. É a multiplicidade de cores traduzidas em sentimentos e traços originais do cotidiano.

...fonte...
Natal Decor - edição 07 - Ago/2010

...ilustrações...
Obras de Ammer Jácome
 
...visite...
www.ammer.com.br
+55 (84) 9431.1779
ammerjacome@hotmail.com

agosto 04, 2011

LUZ, CÂMERA, AÇÃO... UMA POTIGUAR

A produtora potiguar Isabelle Cabral é diretora da Pipa Filmes,  
distribuidora de  filmes do mercado independente

 UMA POTIGUAR NO FRONT DO CINEMA INDIE BRASILEIRO

 Por
Yuno Silva

Seja curta ou longa-metragem, com alguma verba, um bom roteiro e um elenco preparado se vai longe certo? Nem tanto. Desde que o acesso à tecnologia digital barateou o processo e os editais públicos serviram de alavanca para  viabilizar novas produções cinematográficas, o maior calo no sapato do cinema brasileiro é ser visto. Principalmente quando o assunto é cinema independente. "A distribuição desse material em um país de proporções continentais ainda é o maior obstáculo a ser superado - principalmente pelos independentes", afirma a potiguar Isabelle Cabral, diretora executiva da distribuidora Pipa Produções, que no começo da carreira chegou a divulgou filme até usando um estandarte na praia, como ambulante. Hoje, ela conta com 22 filmes distribuidos e 54 promovidos pelo Brasil a fora.

Morando no Rio de Janeiro desde o início da década de noventa, ela encontrou uma forma criativa de se destacar no meio da multidão de filmes que busca um lugar na sala escura. "Temos uma maneira diferente de abordagem que chamamos de distribuição criativa, onde consideramos como base para conquistar espaço três pilares fundamentais: primeiro estabelecemos estratégias diferenciadas de marketing para cada filme, em seguida buscamos fortalecer a rede exibidora e por fim potencializamos a base de consumidores", resume. Desde 2002 no mercado, ela diz que sua empresa é uma das menores distribuidoras do país, mas nem por isso "deixa de ter espaço".

Natural de Parnamirim, filha de militar aviador, ela não esconde suas origens: "Adoro Natal, tenho muito orgulho da minha terra, e o nome da produtora tem tudo a ver com a praia de Pipa. Também traz o simbolismo de voar, de alcançar outros horizontes", entusiasma-se. "Portanto, só com criatividade podemos fazer frente a filmes como Harry Potter, que chega ao país com mil cópias. Como temos pouco mais de 2,4 mil salas de cinema no Brasil, dá para imaginar o tamanho da disputa por espaço", verifica Isabelle, que trabalha com uma média de 15 cópias em 35 mm por filme.

NOVOS BAIANOS

Responsável pela distribuição de filmes como o recém-lançado documentário "Filhos de João, o admirável mundo novo baiano", do diretor Henrique Dantas, recorte que remonta a trajetória da banda Novos Baianos em cartaz na sala 3 do Moviecom do Praia Shopping; e a premiada comédia "Elvis & Madona", de Marcelo Laffitte, que faturou seis prêmios no FestNatal 2010; e pela promoção dos longas "Tapete Vermelho" e o conceitual "Cinema, Aspirinas e Urubus", a Pipa Produções se diferencia por diversos fatores que a credenciam como alternativa certeira para realizadores que tem pouca verba para promover e divulgar.

"Além da distribuição criativa, que se sustenta a partir de uma rede de produtores parceiros espalhada pelo Brasil, também criamos o vale cinema - ingresso promocional gratuito que utilizamos para potencializar o boca a boca, que na minha opinião é a forma mais importante e eficiente de divulgação quando se trata de uma produção independente", garante. De acordo com Isabelle Cabral, essas estratégias são negociadas com os próprios realizadores dos filmes: "É uma relação de parceria, onde todos saem ganhando: público, distribuidor e cineasta", disse.  

REDE DE PARCEIROS

Esses ingressos são distribuídos através de parcerias com projetos sociais, escolas públicas e universidades. "Procuramos até as escolas particulares de bairros nobres, pois sabemos que os adolescentes vão ao cinema com frequência mas não para ver filmes nacionais", analisa. Segundo ela, o público consome pouco o cinema brasileiro por falta de contato com as produções. "Se o produto cultural é feito com recursos públicos, nada mais justo que parte dos ingressos serem gratuitos", aposta.

Cabral lembra que esse papo de distribuição criativa e vale cinema começou há cerca de dez anos. "Em 2000, fiz um plano de divulgação especial para o primeiro filme Tainá e o resultado foi super bacana. No ano seguinte, o diretor Fernando Meirelles (Cidade de Deus), ainda em início de carreira, veio com quatro cópias da comédia 'Domésticas' e a ideia embrionária do vale cinema. Como já fazia parte de uma rede nacional de produtores parceiros, formada na época que estive à frente do projeto 'Cinema BR em Movimento', juntamos tudo isso com uma ação de marketing barata e bem planejada e a coisa fluiu", recorda. Depois Isabelle trabalhou na promoção de um filme de Carla Camurati, e uma coisa foi puxando outra até surgir a Pipa Produções. "Só entrei no ramo da distribuição em 2005, até então estava mais ligada às campanhas promocionais".

Atualmente a produtora esta com três longas em circulação: o documentário sobre os Novos Baianos; "O Gringo", sobre o jogador de futebol sérvio Petkovic; e "Belair", que conta a história produtora cinematográfica criada em 1970 por Júlio Bressane e Rogério Sganzerla. Vale registrar que essas três produções foram beneficiadas pelo edital da Petrobras para distribuição de filmes. Neste segundo semestre, a Pipa Produções leva às salas de cinema mais três filmes: a comédia "Elvis & Madonna" e os longas "Galinha Preta", de Brasília, e "Ponto Final", este último integrante da programação oficial do Festival de Cinema de Gramado.

A distribuidora mantém seu foco voltado para produções nacionais, e os filmes que estão no catálogo da Pipa Produções são garimpados, principalmente, em festivais. "Foi assim com 'Elvis e Madonna', estava em Natal acompanhando o documentário 'Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado' onde conheci o (diretor) Marcelo Laffitte", disse.

ACIDENTE MUDOU A CARREIRA

Graduada em Biologia Marinha pela UFRN, Isabelle acabou seguindo outro rumo quando chegou no Rio de Janeiro. "Comecei a fazer teatro e já era uma espectadora assídua de filmes. Foi no cinema que encontrei minha turma", lembra a potiguar. O mergulho na sétima arte deu-se devido acidente que a deixou quase um ano de molho.Quebrou as duas pernas durante uma trilha radical nas matas cariocas. "Passei um ano estudando cinema por conta própria. Como tinha experiência na área de marketing, acabei indo trabalhar na universidade Gama Filho como programadora da sala de cinema de lá. Era a retomada do cinema nacional e promovi mostras e debates com diretores. Depois disso não parei mais", comemora.

...fonte...
Yuno Silva
repórter

 ...Isabelle Cabral...
Lançou no mercado o conceito de promoção criativa para cinema. Nos últimos dez anos idealizou os Projetos ProsocialCinema e Distribuição Criativa, coordenou o circuito comunitário do Cinema BR em Movimento 2002, dirigiu o lançamento promocional e distribuiu diversos longas-metragens (clique aqui para ver o catálogo).

...visite...

julho 30, 2011

CASCUDO: UM POTIGUAR, UM BRASILEIRO

 30 de julho de 2011, 25 anos da morte de Câmara Cascudo
fotografia: Carlos Lyra

   LUÍS DA CÂMARA CASCUDO E O FOLCLORE BRASILEIRO
O responsável por tornar conhecidas as figuras fantásticas de nossas lendas!

Por
Carolina Benjamin

"Luis da Câmara Cascudo, Natal”. Assim eram endereçadas as cartas ao morador mais ilustre da cidade, que não precisava de número ou CEP. Também pudera: com tantas placas de bronze -- marcadas com seu nome e data de nascimento -- enfeitando a entrada da casa onde vivia, encontrá-la era tarefa simples. Mas não pense que ser reconhecido e respeitado entre os conterrâneos foi moleza, não! Sabe qual foi o motivo de tantas honrarias?

Câmara Cascudo foi o principal responsável por tornar conhecidas figuras fantásticas do folclore brasileiro. Atire a primeira pedra quem nunca ouviu falar em saci-pererê, curupira, mula-sem-cabeça e outros personagens do nosso folclore! Conforme ouvimos as histórias, parece que esses seres começam a morar na nossa imaginação...

Câmara Cascudo com a neta Daliana e o neto Newton
fotografia: Carlos Lyra

Nascido 1898, Luís era diferente dos garotos de sua idade. Ele passava a vida sentado: via figuras, lia livros, ouvia histórias e contemplava paisagens. Esse hábito acabou lhe despertando para o que veio a ser a matéria-prima de seu trabalho, o povo brasileiro.

Seu plano era conhecer a fundo o que era realmente nosso, coisa que não estava registrada nos livros e não era ensinada nas escolas. Queria saber as histórias de todas as coisas do campo e da cidade; queria conviver com os humildes, os sábios, os analfabetos; queria conhecer os mistérios, as assombrações. Encontrava no folclore um pouco de sua família e de todos com quem convivia, os pescadores, as rendeiras, os cantadores. Em toda sua vida, quase não saiu de sua cidade: ali encontrara o alimento para sua alma.

Ele estudava o homem a partir de sua história, das diferentes origens, dos romances, das poesias e, principalmente, do folclore. Luis da Câmara Cascudo se interessava por tudo, menos por matemática, que considerava sua inimiga. Aprendeu a ler em vários idiomas por esforço próprio: inglês, francês, alemão, italiano, espanhol, grego e latim.

 Câmara Cascudo na biblioteca de sua casa
fotografia: Carlos Lyra

 No auge de suas atividades, Cascudo estudava muito, sem nunca se afastar do corpo-a-corpo com os habitantes de Natal, seja nos bares, nas feiras, ou nas universidades. O segredo era passar noites em claro, recolhido em sua biblioteca até o amanhecer. E ele escrevia, como escrevia: era um livro depois do outro, sem respiração!

O caderninho de notas, que inicialmente servia para facilitar o trabalho, se transformou no mais legítimo registro da cultura popular brasileira: o Dicionário do Folclore . E foi assim, de anotação em anotação, que esse homem deixou uma vasta obra para o povo brasileiro. O assunto? O próprio povo e seus costumes!

Esse mesmo povo elegeria ele, Cascudo, como um monumento da cidade de Natal. Com mais de 150 livros publicados, ele era tão adorado por sua gente que muitas coisas na cidade levavam o seu nome: desde um terreiro de umbanda até o Museu de Antropologia da universidade!

Visita de Gilberto Freyre a Câmara Cascudo, em 1984.
Em pé, Fernando Luis (filho de Cascudo) e, sentada, Dona Dahlia (esposa)

Nascido em 30 de dezembro de 1898, filho único de uma rica família do Rio Grande do Norte, Cascudo -- cujo nome foi uma homenagem a Luís, rei da França -- teve uma infância de príncipe! Os pais, Francisco Justino de Oliveira Cascudo e Anna da Câmara Cascudo, já haviam perdido outras duas crianças, e nada nesse mundo os faria afastar do menino.

Na água do primeiro banho a mãe despejou um cálice de vinho do Porto para o filho ter saúde e o pai mergulhou uma moeda para merecer fortuna. Seus padrinhos -- veja só! -- eram o governador e a primeira-dama da província.

Conta-se que Luís da Câmara Cascudo era uma criança de saúde frágil, com pulmões suspeitos. Nunca foi de correr, subir em árvores, brincar livremente. Era vidrado pelo cotidiano, pelas coisas simples, pelos costumes dos homens a sua volta.

 Memorial Câmara Cascudo - Natal/RN
fotografia: Y. Masset

Na juventude, não largava o monóculo, a polaina e uma bengala da Índia. Era elegante, muito disputado pelas moças de Natal. Um dia, tinha na lapela um raminho de violeta quando avistou uma jovem menina de vestidinho azul e longas meias brancas. Mais tarde, substituiu a violeta por uma dália, em homenagem à sua nova namorada, Dáhlia Freire.

Pelo gosto do pai seria médico. Até tentou, mas seu caminho não era aquele, queria mesmo era escrever. Coronel Cascudo montou, então, um jornal chamado A Imprensa e, com apenas 17 anos, o rapaz já era repórter. Ali, fazia o que mais gostava: ia às feiras, mercados e procissões para registrar as coisas da cidade e descrever tudo o que via.

 Efígie de Luís da Câmara Cascudo  tendo a esquerda, cena de jangadeiros.
Reverso: Cena do "Bumba-meu-boi", bailado popular do folclore ...
 
Mais tarde optou também por estudar Direito. Com o diploma na mão, pôde dar início à carreira que tanto estimava, e pela qual gostava de ser conhecido: a de professor. Luís da Câmara Cascudo nunca deixou de estudar, e acabou se tornando uma enciclopédia ambulante.

Orgulhava-se de dizer que, em 50 anos de profissão, teve cerca de dois mil alunos, com os quais aprendera mais do que ensinara. O professor Cascudo preocupava-se em aproximar as disciplinas do dia-a-dia dos estudantes. Em sala, falava até de lobisomem, motivo pelo qual quase perdeu o cargo.

 A companheira, agora só, de um dos maiores folcloristas do Brasil
fotografia: Canidé Soares

Já com 68 anos, Luis se aposentou do cargo de professor para ter mais tempo para si. A saúde estava frágil e a audição, muito debilitada. Longe de desanimar, dizia que, como ele, os órgãos também tinham direito à aposentadoria. Em sua velhice, deliciou-se com os crepúsculos e os céus estrelados. Quando avistava a Estrela Dalva, acordava dona Dáhlia, sua mulher, em plena madrugada. E nunca abriu mão de ficar à vontade: sempre de sandália, pijama, e com os cabelos grisalhos todos despenteados.

Em 1986, Cascudo morreu em Natal, sua tão adorada cidade. O Brasil perdia um grande homem, que agora se transformava, ele próprio, em personagem da nossa história.

...fonte...
Carolina Benjamin
Publicado em 03/02/2004 | Atualizado em 02/06/2010
Instituto Ciência Hoje/RJ.

...fotografia...
Carlos Lyra
Y.Masset
Canindé Soares

 "Cascudo é muito comentado e pouco lido, 
o que gera várias inverdades sobre sua obra"
Daliana Cascudo 

...Câmara Cascudo - 25 anos de ausência...
...veja documentário...

julho 28, 2011

O MECENAS DAS LETRAS POTIGUARES


Abimael Silva é apaixonado por livros e fez disso sua devoção
Hoje é o maior editor de livros do RN

UM SEBO DE RESISTÊNCIA

Por
João Correia Filho 

Com mais de 300 livros publicados sobre o Rio Grande do Norte, o editor Abimael Silva, proprietário do Sebo Vermelho, no centro de Natal, tornou-se uma espécie de guardião da cultura de seu estado, e uma referência para quem quer ir muito além das praias e dunas.

O local não é o que se pode chamar de ponto turístico. Uma pequena porta de correr pintada de vermelho, com a tinta já descascada, um amontoado de livros entre poeira, móveis e pilhas de papel. Mas se engana quem não vê nesse estabelecimento, no centro histórico de Natal, uma das maiores referências para conhecer a cultura potiguar e adentrar o Rio Grande do Norte de norte a sul, praia e sertão, erudito e popular. 

Criado em 1985, o Sebo Vermelho tornou-se muito mais que um sebo a partir de 1990, quando seu proprietário, o ex-bancário Abimael Silva, resolveu publicar o livro de um amigo sobre a história do cinema em Natal. E foi assim, com Écran Natalense, de Anchieta Fernandes, que Abimael começou sua saga editorial, que já chega à marca de mais de 300 livros lançados, dos mais variados temas, mas todos voltados para a cultura potiguar.

“Anchieta não encontrava espaço para publicar esse brilhante ensaio, sempre com negativas das editoras daqui. Decidi procurar Varela Cavalcanti, então presidente do Sindicato dos Bancários, que sabia da importância da obra. Comprei todo o material e ele topou fazer a impressão. Imprimimos 300 exemplares e, felizmente, conseguimos vender todos”, conta Abimael­, que a partir daí passou a lançar outros títulos por conta própria.

Sem uma empresa distribuidora, os títulos do Sebo Vermelho
são vendidos, em sua grande maioria, no dia do lançamento
e no boca a boca, ou em algumas livrarias de Natal

LIVREIRO POR NATUREZA

Antes disso, trabalhara quatro anos no setor de conta corrente de um banco. “Ficava o dia inteiro somando cheques, mas sempre pensando que queria trabalhar numa livraria. Na primeira oportunidade, saí do banco e resolvi começar meu próprio sebo”, diz Abimael. Na época, sua biblioteca particular tinha mais de 700 livros, e 600 foram colocados à venda. “Lamento a perda de alguns poucos que nunca mais encontrei em 26 anos de sebo, como Cartas a Nora, de James Joyce, e alguns do Graciliano Ramos.”   

As publicações do Sebo Vermelho, depois de quase três décadas de existência, apresentam um completo panorama da cultura do estado, além de importantes resgates de livros. É o caso de Antologia Poética do Rio Grande do Norte, publicado originalmente em 1922 e reeditado pelo selo em 1993. Os Americanos em Natal, do historiador Lenine Pinto, é outro destaque. Retrata a cidade durante a Segunda Guerra Mundial, quando se tornou uma base dos Estados Unidos e sofreu forte influência da cultura americana. Outra pérola, O Carteiro de Cascudinho, foi escrita por José Helmut Cândido, o carteiro de Câmara Cascudo durante anos, que conta suas experiências servindo um dos maiores intelectuais do Nordeste.

As tiragens do Sebo Vermelho costumam ser pequenas, no máximo 500 exemplares, e com distribuição extremamente complicada, já que é difícil entrar no esquema das grandes livrarias, que dominam o mercado. “Até o livro número 34, ainda tinha esperança de que isso pudesse render algum dinheiro, mas hoje, para mim, o que importa é apenas que as edições se paguem, pois o objetivo de um livro é fazer outro, e assim por diante”, resume o editor. Ele lembra que um dos livros que mais venderam foi História do Rio Grande do Norte, do pesquisador Ezequiel Vanderlei, publicado originalmente em 1992. Foram 500 exemplares em seis meses.

É dessa forma que são lançados cerca de 30 títulos por ano, e o editor pretende alcançar a marca de 500 livros editados até 2012. “O mérito é todo do Rio Grande do Norte, que tem tudo isso para ser dito”, argumenta Abimael, que garimpa preciosidades em viagens pelo interior e em conversas com amigos. A triagem é feita pelo valor histórico e editorial, que conta com a sensibilidade de quem conhece seu estado e vive envolto por livros e intelectuais de peso. “Também aparecem várias porcarias, como uma senhora que queria pagar a publicação do livro do neto, de 5 anos, edição bilíngue, pelo selo. Obviamente, não aceitei.”

"O objetivo de um livro é fazer outro"
Poucos lugares do Sebo Vermelho são arrumados 
como a estante das edições do próprio selo

VERMELHO?

Embora o caráter político-literário do trabalho de Abimael esteja claro, o nome de seu sebo nada tem a ver com posições ideológicas. Ao alugar um quiosque para montar sua banca, ele notou que todos eram azuis ou pretos. Para destacá-lo, pintou tudo de vermelho. “Até o dia em que chegou alguém e perguntou: ‘Aqui é o sebo vermelho?’ E o nome acabou ficando. Mas minha mãe achou horrível, achava que tinha de se chamar Sebo São José”, brinca Abimael. Hoje, o sebo não está mais instalado em um quiosque de rua, mas na Avenida Rio Branco, bem no centro da cidade. E mantém a cor como chamariz.

Ano após ano, a luta do sebista-editor foi se tornando também uma bandeira política e social, à medida em que virava um verdadeiro guardião da cultura do estado. Além de ser hoje o maior editor potiguar (talvez do Nordeste, pelo número de títulos), tem acumulado uma série de resgates cuja importância é negligenciada pelo poder público e pelas editoras privadas. “Só querem saber do que vende em grandes tiragens. É nisso que investem ainda mais. Quando houve o lançamento do livro do Padre Marcelo aqui em Natal, venderam 5.000 exemplares num único dia, graças a um aparato gigante de marketing”, alfineta o sebista. “Aqui, nunca a prefeitura comprou ou indicou um único livro meu que fale do Rio Grande do Norte. Já tentei, já mandei ofício, mas esse povo fica esperando que a gente puxe o saco.”

Sem uma empresa distribuidora, os títulos do Sebo Vermelho são vendidos, em sua grande maioria, no dia do lançamento e no boca a boca, ou em algumas livrarias de Natal, nas quais Abimael leva pessoalmente cada exemplar. “Quanto maior a livraria, maior o obstáculo”, reclama. No sebo, os livros editados por ele são os que têm maior destaque, expostos nas paredes da entrada, com um pouco mais de organização que os demais. Segundo ele, um dos raros momentos de destaque do Sebo Vermelho ocorreu quando foi entrevistado pelo apresentador Jô Soares­. Na ocasião, havia alcançado 100 livros editados e os poucos momentos televisivos renderam visibilidade, embora isso não tenha mudado substancialmente a venda de seus livros. “Foi bom pra chamar a atenção, por exemplo, para o sertão do Rio Grande do Norte, que quase sempre é deixado de lado”, diz Abimael.

Quando sobra tempo ou dinheiro, Abimael viaja para as duas capitais próximas de Natal, Recife (a 285 quilômetros) e João Pessoa (a 190 quilômetros), sempre com o carro lotado de exemplares, que vai entregando de livraria em livraria, numa verdadeira romaria literária. Já no interior do Rio Grande do Norte, além da pesquisa de novos títulos, realiza eventualmente lançamentos de obras que falem do sertão ou de autores locais. É o caso de O Ataque de Lampião a Mossoró, história em quadrinhos escrita por Emanoel Amaral e Alcides Sales.

Para este ano, um dos destaques entre os lançamentos é a reedição de Indícios de uma Civilização Antiquíssima, de José de Azevedo Dantas. Autodidata e pioneiro da antropologia brasileira, escreveu em 1925 um verdadeiro tratado sobre as pinturas rupestres do sertão potiguar, mais especificamente sobre a região do Seridó, no sul do estado, já na divisa com a Paraíba. 

Para quem quer conhecer o Rio Grande do Norte além dos livros, é bom lembrar que se trata de uma região riquíssima, com belas paisagens, cidades históricas e muitas pinturas rupestres, a maioria datada de 10 mil anos. Somente Carnaúba dos Dantas, a 200 quilômetros da capital, onde viveu José Dantas, possui mais de 60 sítios arqueológicos para serem visitados.

Outra predileção de Abimael são os livros de história e de fotografias. Entre os mais importantes lançados por ele estão Uma Câmara Vê Cascudo, com imagens raras do escritor, feitas no final dos anos 1970; e Natal Através dos Tempos, que retrata a cidade desde os anos 1940, ambos do fotógrafo potiguar Carlos Lyra, falecido em 2006.

Além de um lugar para comprar livros sobre o Rio Grande do Norte, o Sebo Vermelho também se tornou, em seus 26 anos, um importante reduto de intelectuais, a maioria em busca de boa literatura ou boas conversas, que acontecem ali quase todos os dias. 

No fundo da loja há uma pequena mesa de sinuca e uma geladeira, aos sábados repleta de cervejas. O ponto de encontro virou tradição entre os amigos que frequentam o sebo. Não faltam uma boa cachaça e a carne de sol, “a melhor de Natal, que eu mesmo escolho”, faz questão de dizer Abimael. Nesses churrascos, o papo rende e surgem ideias para novos livros, além do incentivo dos amigos para que Abimael continue na dura batalha a favor da cultura do Rio Grande do Norte, um estado que, se você quiser conhecer a fundo, não pode deixar de incluir o Sebo Vermelho em seu próximo roteiro.

...fonte...
www.redebrasilatual.com.br
Revista do Brasil - Edição 59 - Maio de 2011

...fotografia...
Kamilo Marinho
Canindé Soares
João Correia Filho

..visite... 
www.sebovermelhoedicoes.blogspot.com/

...Abimael Silva - Cores e Nomes...
...veja o vídeo...

"O MECENAS DAS LETRAS POTIGUARES"
Títlulo dado a Abimael por Jason Amaral, do Diário de Natal

julho 26, 2011

FAZER O BEM AINDA É UMA ARTE...

Com poucos recursos e muita boa vontade,  Flávio Rezende, presidente da Casa do Bem,
tem conduzido a entidade com a ajuda de voluntários e doações de empresas parceiras
 A "alma boa" DE FLÁVIO REZENDE
Jornalista, escritor e ativista completa 50 anos com um sonho realizado:
ver a Casa do Bem aberta em Mãe Luíza – Natal/RN

  Por
Paulo Nascimento

O prazer de ajudar e servir aos mais necessitados mistura-se com a história do jornalista, escritor e ativista social Flávio Rezende, 50 anos recém completados neste mês de julho. Como consequência da veia filantrópica que sempre teve desde criança, Flávio toca há pouco mais de ano o que tem como "sonho da sua vida": a Casa do Bem. Nascida de uma somatória de fatores, desde a escolha por morar em Mãe Luíza há mais de 20 anos, passando pela transformação do desejo de prestar assistência em realidade, a construção da Casa do Bem é o retrato da "alma boa" - como Flávio trata todos com quem conversa - do jornalista.
O trabalho social da Casa do Bem atinge a cultura, o esporte e a educação
Aos poucos, unindo projetos já existentes, que envolviam igrejas e escolas do bairro, e criando os seus, formava-se um embrião Casa do Bem. "Tudo começou ainda em minha antiga casa, trazendo os primeiros projetos para a garagem", explicou Flávio. Atualmente, ele não vive mais na mesma casa - transformada em pequenos apartamentos -, que é vizinha a atual sede da instituição. "Eu, e principalmente minha família, estávamos sendo sufocados. Todo dia várias pessoas apareciam na minha porta fazendo pedidos pessoais, como bujão de gás, o que não é o objetivo das ações da Casa do Bem", afirmou Flávio. A Casa do Bem, no entanto, não é morada apenas de quem participa dos projetos oferecidos, mas também do diretor, que nunca deixa de passar pelo local diariamente.

Desde a infância, Flávio despertou entre os irmãos - no total de seis - o desejo de ajudar. Segundo ele, sempre que alguém passava em sua casa pedindo algum tipo de ajuda, em especial alimentação, o então estudante do Instituto Maria Auxiliadora não negava. "Recordo muito bem que quando o único shopping de Natal era o CCAB Norte, em Petrópolis, a moda da época era tomar um chocolate de Gramado. E sempre que eu ia, chamava também o garoto que ficava tomando conta do estacionamento, como se fosse um flanelinha de hoje, para tomar chocolate comigo", lembrou Flávio.

A Casa do Bem atende hoje cerca de 2.800 pessoas direta e indiretamente
 O CARA DO BEM

Vindo de família abastada, tendo como patriarca o médico Fernando Rezende - que hoje dá nome à Casa do Bem -, e amigo de muitos integrantes da alta sociedade da capital potiguar, o já jornalista, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Flávio surpreendeu a todos quando resolveu morar em Mãe Luíza, então e até hoje considerado um dos bairros mais perigosos da cidade. "Eu me sinto bem entre meus amigos de alta classe, mas me sinto muito melhor no meio do povo. Isso vem de mim e eu não sei explicar a razão. E estando no meio do povo, me sinto com ainda mais vontade de ajudar", afirmou o diretor da Casa do Bem.

Seguindo o passo a passo que resultou na instalação da Casa do Bem no bairro em julho de 2010, Flávio deparou-se com uma escolha relativa à comunidade onde escolheu para viver: interagir ou não com a população local. "Eu poderia simplesmente me trancar na minha casa e não olhar para cara de ninguém, mas eu escolhi realmente viver em Mãe Luíza", disse Flávio. Aos poucos, com a aproximação, conhecendo a realidade do local, uma luz despertou na "alma boa" de Flávio. "Eu percebi que, apesar de todos os problemas que existiam por aqui, poderia fazer alguma coisa para ajudar", ponderou o jornalista.

Mais um grande sucesso da Casa do Bem, a edição da saída do Palhaço da Paz
com a campanha: “Liberdade aos Passarinhos”. No comando,  Flávio Rezende

 DECEPÇÃO COM  FALTA DE APOIO DOS AMIGOS

Com o crescimento dos projetos e a chegada de cada vez mais pessoas para participar das ações, além da maior visibilidade alcançada pelo que seria o embrião da atual sede, a Casa do Bem finalmente virou realidade. A construção da casa de dois pavimentos em Mãe Luíza, inaugurada em 15 de julho de 2010, contou com o apoio de empresas de grande porte, como a petrolífera Petrobras, e o governo do estado, através de leis de incentivo, como a Câmara Cascudo. "Esta casa de pé, funcionando, me dá, acima de tudo, um sentimento extremamente gratificante. Muitos chegaram a não acreditar, mas hoje posso dizer que é um sonho realizado", afirma Flávio Rezende.

projeto "Surfista do Bem", atende jovens carentes do bairro de Mãe Luiza
Mostrando-se sempre em êxtase quando está na Casa do Bem, Flávio só lamenta uma coisa: a falta de apoio dos amigos. Os problemas para manter a casa (que custa cerca de R$ 8 mil para funcionar), afirma, são inúmeros, mas são todos superados. "Eu me decepciono muitas vezes, porque recebo muito mais ajuda para a Casa do Bem até de pessoas que não conheço do que dos meus amigos. O apoio que recebo de muitos deles é só teórico: 'está muito bonito, parabéns' e só. O que sinto sempre é solidão, eles me deixaram muito só", lamentou Flávio. Enquanto segue escrevendo uma tese de Especialização, intitulada "A religiosidade no sistema carcerário potiguar", Flávio Rezende não larga a Casa do Bem Dr. Fernando Rezende.
  
SOBRE A CASA 

A Casa do Bem é uma organização não governamental funcionando na cidade do Natal, capital do Rio Grande do Norte, no Brasil.  Atualmente mais de 30 projetos estão em andamento e, em sua sede social na Rua João XXIII, nº. 1719, em Mãe Luiza, atividades diversas podem ser feitas através de voluntários, tudo sem cobrança de taxas e sem interferência política e nem religiosa. Com o lema "Fazer o bem sem olhar a quem", a Casa do Bem, atende pelo fone (84) 3202-3441. A Casa do Bem é de utilidade pública municipal, estadual, legalizada em todos os sentidos, possuindo ainda aval do Conselho Municipal de Assistência Social, além de fazer parte do programa Cidadão Nota 10 do Governo do Estado do RN.


...fonte...
Paulo Nascimento
especial para o Diário de Natal
paulonascimento.rn@dabr.com.br
www.diariodenatal.com.br
www.casadobem.org.br  

...fotografia...
Canindé Soares

“Respiro a Casa do Bem 24 horas, é um sonho que virou realidade, hoje busco de todas as formas manter a ONG funcionando, mas não tenho conseguido muitos apoios. Temos até agora só um apoio governamental, que é da Prefeitura da Cidade do Natal, de algumas empresas e dos poucos amigos. Isso é o que tem tornado a Casa do Bem possível.  Apesar de tudo, o ideal é maior e permaneço com a chama acesa, pois minha missão é ajudar, e disso não abro mão".  (Flávio Rezende)

...visite...
www.casadobem.org.br

julho 21, 2011

UM BRILHO POTIGUAR NA POP ARTE

A METAMORFOSE DE UM  POTIGUAR DE ORIGEM TCHECA E INDÍGENA

 THIAGO CÓSTACKZ 
ARTISTA PLÁSTICO
UM BRILHO POTIGUAR NAS CAUSAS SOCIAS E AMBIENTAIS

Thiago Cóstackz tem 26 anos é artista plástico, ativista ambiental e fundador do primeiro Museu de Eco-Art Sustentável do Mundo (ação que conta com o apoio de artistas de mais de 30 países). Nasceu no Rio Grande do Norte, na velha Nova Amsterdã (Natal-RN), e conhece de perto o que é tentar ser um artista em uma terra pobre, vindo de uma família sem recursos e nada influente. Potiguar de nascimento e cidadão do mundo por opção, sua entrada no mundo da arte confunde-se com sua chegada a este planeta. Muito cedo, começou a bater perna por ai e trabalhou duro aprendendo com os “sábios que habitam esta galáxia.”

De ascendência tcheca e indígena, trabalha com causas sociais e ambientais desde os 10 anos de idade, questões que influenciaram significativamente sua obra e seu direcionamento intelectual. Ainda no RN trabalhou em projetos de inclusão de idosos abandonados e refugiados de guerra vindos da África para o Brasil. Em 2003, fundou a ONG POEMAA (sigla para projeto onírico, ético, musical, artístico e ambiental), que visa incluir pessoas através destes pilares.

A política, antropologia, a literatura "realista fantástica", assim como a astrobiologia e física teórica, destacam-se como grandes influências nas "Metáforas magistrais" da obra "Pop-Surrealista" e do "EcoArt" de Cóstackz. Cores flúor, puras, ousadas e formas milimetricamente marcadas com um forte contorno unem-se a retratos, estradas, maçãs, imagens metamorfoseadas das nossas megalópoles e body art; o corpo como suporte. Nos seus painéis, instalações e esculturas usa tinta a base de água que não polui os mananciais, tecidos ecológicos e reciclados, cristal de Murano e principalmente madeira certificada. 

Painel A Grande Mãe na av. Paulista 25m x 17m by Thiago Cóstackz
Na arte de Thiago Cóstackz, todas as formas parecem estar em metamorfose, por que no fundo tudo a nossa volta realmente parece estar mudando; das cidades ao planeta e até nós mesmos.  Aqui cidades possuem barbatanas, prédios formas de insetos Kafkianos (de Franz Kafka), carros voam! Macacos, ETs e físicos teóricos falam com o observador, as “gosmas” invadem tudo o que podem, maçãs transformam-se em janelas, portais! Pessoas viram “caricaturas pop” e a “irônica é escravizada pela arte.”

Ao chegar a São Paulo em 2007 recebeu apoio e total direcionamento dos curadores do MASP, Luiz Hossaka (1928 – 2009, curador do museu por 60 anos) de Eunice Sofia e de Débora Buonano curadora do Museu de Belas Artes de São Paulo.

Mora em São Paulo/Brasil, onde há pouco mais de três anos realizou 28 exposições em grandes centros urbanos do Brasil e do mundo passando por países como: Noruega, Itália, EUA, Chile, Alemanha e Finlândia. Já realizou trabalhos para a Prefeitura e Governo do Estado de São Paulo e para grandes marcas internacionais como: Puma, Hugo Boss, Calvin Klein, DKNY (Donna Karan New York) e MAC. Exibiu várias esculturas e instalações na Av. Paulista (SP) uma delas uma projeção 3D medindo mais 60m x 36m. Patrocinado pela PUMA internacional há três anos, realizou mega interferências e “campanhas arte” para a marca no Brasil e na Alemanha.

Realiza anualmente a mostra “S.O.S Terra” em comemoração ao dia Mundial da Terra (Earth Day, sempre 21/04) em plena av. Paulista, visando a conscientização das massas para as causas ambientais e a proteção de cerca de 400 mil espécies severamente ameaçadas de extinção no mundo. Na ultima edição (de 2010), as fotos feitas para a divulgação da ação estiveram presentes em um editorial na conceituada revista Vogue. Nestas fotos o artista pintou o próprio corpo com estampas de sapos da Floresta Amazônica que juntamente com todos os outros anfíbios, são os animais mais ameaçados da Terra.

Durante a exposição “Mitos e Ícones” (09/2009), mostra manifesto para fundação do primeiro Museu de Eco-Art Sustentável do Mundo, o artista recebeu mais de 100 mil pessoas em apenas 40 dias em São Paulo e Curitiba, mais do que o MASP (maior e mais importante museu do país) recebe trimestralmente.

Em 2009, foi convidado pela elegante marca alemã Hugo Boss para lançar um perfume inspirado em seu trabalho. O lançamento no Brasil do perfume "Hugo Element" da Hugo Boss contou com grandes interferências do artista.

Em uma nova e promissora parceria com a Corporação Americana Estée Lauder, durante a Mostra “Tsunami vs Terremoto” foi a vez da DKNY (Donna Karan New York) convidar o artista a realizar interferências artísticas em seus frascos, marcando o lançamento Internacional da nova fragrância DKNY Be Delicious Fresh Blossom.

Seus inúmeros projetos já contaram com a colaboração de nomes mundialmente conhecidos. Já fez obras para a banda Americana The B’52s, para os suecos do Roxette e para os irlandeses do The Cranberries.

Celebridades viraram obras de arte nas mãos do artista plástico
FAMOSOS  VIRAM OBRAS DE ARTE NAS MÃOS DE CÓSTACKZ

Fernanda Tavares, Carolina Dieckmann, Carlos Casagrande, Isabela Fiorentino, a Princesa Paola de Orleans-Bourbon, Larissa Costa (Miss Brasil 2009), Dalton Vigh, entre outros colegas, engajados no projeto de causa ambiental de Cóstackz,  que objetiva  a fundação do primeiro Museu de Arte Contemporânea e Sustentável do Brasil, na cidade de Natal/RN, aceitaram a proposta de virar obras de arte  pelas mãos do artista.

...fonte...
...clique aqui para ver o livro mitos & ícones...