outubro 24, 2011

UM ENSAIO SOBRE A VELHICE


"Todos desejam chegar à velhice; e quando chegam a ela, acusam-na”
Cícero (106-43 a.C.)

 FOTOGRAFIA
A DOR E O PRAZER DAS RUGAS

Por
Jornal De Fato

Gerar através da imagem conteúdo sobre a velhice, de forma a desconstruir preconceitos, instigar questionamentos e produzir conhecimento sobre o assunto em foco. Esses são os principais objetivos da próxima exposição que ocupará a sala Sala Joseph Boulier, 1º Andar do Memorial da Resistência, Mossoró/RN a partir do dia 4 de novembro, dentro da Vernissage 'A dor e o prazer das rugas'. A Exposição é assinada pela ensaísta Lígia Guerra e o repórter-fotográfico Fred Veras.

"A exposição fotográfica tem como foco despertar e motivar o ser em sua subjetividade para a compreensão de que o processo de envelhecimento e a velhice são questões que interessam à sociedade em geral e assim contribuir na construção de uma sociedade para todas as idades", explica Lígia.

A ideia da exposição surgiu como uma forma de divulgar a tese de doutorado de Lígia intitulada La Belleza de las Arrugas: Un estudio sobre la vejez en el Nordeste Brasileño, produzida na Espanha.

“Saber envelhecer é a grande sabedoria da vida”
Henri Amiel

Lígia e Fred se conheceram através de uma série de reportagens realizadas pela Revista DOMINGO em 2008 sobre a velhice no Brasil, no Estado e em Mossoró, a partir de pesquisas incluindo a de Lígia sobre a velhice na cidade e que, mais tarde contribuiu para a publicação do livro "Um Olhar sobre o Idoso: Percepções sobre a velhice em Mossoró", de autoria da jornalista Izaíra Thalita.

A partir do dia 4, os horários para visitação gratuita serão das 17 às 21h, todos os dias, e seguem até o dia 26 de novembro.

Os 100 primeiros convidados, na abertura, receberam de presente o Livro Longa Vida e Cidadania - Estatuto do Idoso. E em 2012, a exposição passará a ter caráter itinerante, previamente agendada para 8 (oito) escolas da Rede Pública do Ensino Médio, em Mossoró/RN.

“Envelhecer é inevitável. Portanto, realize...”
Bárbara Coré

 POPULAÇÃO ENVELHECIDA

Lígia explica que é oportuno realizar a exposição em Mossoró/RN, onde o aumento contínuo da população com idade acima de 60 anos não escapa à tendência.

Segundo Lígia, atualmente o número de idosos é de 24.238 (Censo IBGE 2010), o correspondente a 9,32% da população total. Como um fenômeno novo e irremediável, o processo do envelhecimento humano, somado a outros problemas estruturais inerentes de um país desigualmente desenvolvido, exige mudanças profundas e decididas por parte de todas as estruturas sociais e institucionais.

"Nesse sentido, Mossoró precisa ser acolhedora e segura para as pessoas maiores de 60 anos e para aqueles que envelhecem", ressalta.

A Exposição contará com trinta e uma fotografias (tamanho diversos) clicadas no Brasil por Fred veras; Espanha, França, Itália e Marrocos por Lígia Guerra. Coloridas ou em preto e branco podem propiciar à comunidade o acesso a imagens de pessoas idosas em sociedades globais, com níveis de desenvolvimento diferentes, bem como chamar a atenção dos visitantes para as diferentes formas de envelhecer, carregadas de sabedoria, prazer, redescobertas e revalorizações. 

"Pretendemos que - a partir da exposição - que se rompa com o modelo de velhice temida e inaceitável; construa-se uma imagem positiva do envelhecer, que não deve significar unicamente uma prolongação da vida, mas que possível seja a velhice em uma fase saudável, autônoma, ativa e de plena integração social, e que possa também colaborar com a construção de uma sociedade inclusiva para todas as idades", completa Lígia.

“Envelhecer é o único meio de viver muito tempo”
Charles Saint-Beuve

  LIÇÕES QUE APRENDEMOS COM OS IDOSOS 

Por
Izaíra Thalita

Um olhar de quem quer mais do que uma conversa solta na calçada, num final de tarde. É um olhar carente de quem quer atenção e carinho. As mãos enrugadas, a roupa com cheiro de perfume suave, os cabelos presos e bem penteados, que não se escondem do passado de tantas histórias.

Olhar de quem muito viveu, mas que nem sempre foram momentos bons. Talvez momentos felizes, momentos de uma alegria que agora só é lembrada ao rever os álbuns de fotografias.

Por um minuto, me coloquei no lugar daquela senhora de 80 anos, que reclamava da saudade dos filhos, de quando os colocou no colo e de quando ficou horas a cuidar das febres, das gripes e dos medos deles. Por um minuto, me senti na cadeira de balanço, a imaginar uma velhice num futuro tão incerto quanto é o nosso mundo.

Não há como negar, o olhar me lembrou a vulnerabilidade de uma criança. Podemos ser fortes, ter enfrentado um mundo de desafios, mas na velhice teremos ‘aquele’ olhar, de quem parece pedir proteção.

Aprendemos com os idosos a percebê-los, a resgatar a nossa inocência que ficou para trás quando éramos crianças, a pedir mais carinho, a educar nossos filhos para que nos respeitem quando velhos, mesmo que as palavras não saiam mais com aquela lógica, mesmo que embaçadas pelas dores. É como olhar para si mesmo, alguns anos à diante.

...fonte...

outubro 22, 2011

POTIGUARES NA ROTA DE CABRAL

Animação é desdobramento de projeto contemplado no edital Moacy Cirne de Quadrinhos

PEDRO ÁLVARES CABRAL - O BRASIL NASCEU AQUI
JORNADA VIRA ANIMAÇÃO 3D

 Por
Yuno  Silva

A controvérsia histórica sobre o primeiro ponto da costa brasileira avistada pelos portugueses ganha reforço com a animação "O RN na rota de Cabral", assinada pela equipe capitaneada pelo quadrinista potiguar Lula Borges. Lançado na última segunda-feira (17), durante abertura da Feira de Livros e Quadrinhos de Natal - FLiQ, o curta-metragem tem 11 minutos de duração e está embasado em pesquisas que vão de encontro à história oficial. O projeto original surgiu como história em quadrinhos, mas Lula viu potencial para transformar a narrativa em um produto audiovisual que mescal 3D e 2D - modelagem tridimensional e desenho animado tradicional.

"O argumento para 'O RN na rota de Cabral - O Brasil nasceu aqui' surgiu em 2009 e chegou a ser contemplado pelo Prêmio Moacy Cirne de Quadrinhos', da Fundação José Augusto, que até agora não pagou. Cansamos de esperar e fomos buscar outros meios de viabilizar o projeto", disse Borges, que inscreveu a animação no Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FIC) 2010 e recebeu R$ 9,7 mil para realizar a animação - recurso que cobriu cerca de 60% do investimento.

Na opinião de Lula, além da qualidade técnica a animação traz um conteúdo educativo que pode ser utilizado, inclusive, como material didático. "Como acabamos de lançar, não disponibilizaremos o curta na internet neste momento. Antes, queremos potencializar a produção lançando em escolas e desdobrando as sessões em debates sobre o assunto", adianta.

Inquieto, Lula Borges acabou gerando um outro produto a partir do filme: enquanto aguardava os finalmentes da sonoplastia e da legenda (a animação foi traduzida para o inglês), ele e o filho Aadrian Borges, 15, começaram a trabalhar na produção de um game. "Aadrian sempre gostou de jogos eletrônicos, e começamos a experimentar", contou Lula, que assina o roteiro do jogo. "Como a animação já foi lançada, estamos desenvolvendo melhor o game e, neste momento, trabalhamos em uma versão com capacidade para permitir jogadores simultâneos online". Apesar da tendência, Lula ainda não planeja criar uma versão para celular.

"Tudo depende de financiamento. Ou seja, sem recursos não podemos nos dedicar inteiramente a este projeto. Sem falar que estamos fazendo tudo na intuição, na base da tentativa e erro pois não há cursos e profissionais aqui no RN trabalhando com esse tipo de coisa", observa o artista, que levou seis meses para concluir a animação.

Lula divide o trabalho com a pesquisadora Waltécia Oliveira e o desenhista Carlos Alberto. Também contou com a colaboração do ilustrador Luiz Elson, que assinou os cenários; João Batista, Deuslir e Wagner pelo apoio na animação 2D; Diego Costa, que pilotou o programa Blender (plataforma onde foi feito tanto a animação 3D e a game); Aadrian; o produtor musical Kiko, responsável pela trilha sonora original. Gláucio Câmara e Alex Ivanovich emprestaram as vozes aos personagens animados.

O próximo projeto da equipe será voltado para uma animação com temática ambiental.

Toda a produção foi registrada no blog cabralrn.blogspot.com e o curta-metragem, que também pode vir encartado na HQ homônima publicada através do projeto 1ª Edição (da FJA), pode ser adquirido através do telefone (84) 8855-4059.
 
 
...fonte...
Yuno Silva
 
...visite...

outubro 20, 2011

CALENDÁRIOS QUE SALVAM VIDAS

"AJUDAR AS PESSOAS É UM EXEMPLO QUE PODE SE MULTIPLICAR"

HOSPITAL INFANTIL VARELA SANTIAGO
 VOLUNTÁRIOS LANÇAM CALENDÁRIO PARA ARRECADAR FUNDOS

Por
Erta Souza
 
Como parte da programação dos 94 anos do Hospital Infantil Varela Santiago, localizado em Natal/RN,  um grupo de amigas fez um ensaio fotográfico com crianças da unidade e transformou as fotos no Calendário 2012 que foi lançado na tarde desta quarta-feira (19/10). Com a ajuda de 12 parceiros mais algumas instituições que tiveram participação especial, o grupo conseguiu confeccionar duas mil unidades do calendário que serão vendidas ao preço de R$ 15.

A ideia de produzir o calendário para ajudar o Varela Santiago surgiu após uma iniciativa voluntária da fotógrafa Valéria Feitosa iniciada na cidade de Ribeirão Preto (SP). "Fizemos isso lá e repercutiu muito porque as pessoas passaram a conhecer o trabalho da escola e querer ajudar. É essa nossa ideia aqui também divulgar o projeto do hospital e ajudar cada dia mais crianças", ressaltou a fotógrafa.

O número de calendários pode ser estendido desde que mais empresas integrem o projeto. "As empresas que quiserem comprar os calendários podem nos procurar que faremos a impressão com a logomarca da empresa", explicou a jornalista Daniele Oliveira. Todo o dinheiro com a venda dos calendários será revertido ao hospital. Os calendários estão à venda nas lojas Potylivros, Óticas Diniz e Vanilla Café.

"HIVS - PEDAGOGIA HOSPITALAR - HIVS"

Com a venda dos dois mil calendários devem ser arrecadados R$ 30 mil. O diretor geral do hospital, Paulo Xavier, comentou que esse dinheiro será importante para a unidade que depende basicamente de doações do Sistema Único de Saúde (SUS), através do governo do estado e prefeituras, além de doações da população. "É sempre um desafio administrar um hospital nessas condições, mas as crianças nos dão energia para continuar lutando", disse.

O Hospital Infantil Varela Santiago realiza atualmente uma média de 10 a 12 mil procedimentos por mês, incluindo consultas, exames, internações e cirurgias. A unidade conta com 110 leitos, UTI, enfermaria para atendimento de câncer e doenças infecto-contagiosas. Para manter a estrutura o hospital precisa de R$ 1,2 milhão por mês. Desse valor somente 10%é derivado de doações.
 
"QUANDO VOCÊ AJUDA...  CRIA UM ELO SEM FIM"
 
 CAMPANHA

Um dos projetos para aumentar essas doações é a reedição do projeto em parceria com a Caern em que o usuário pode doar na conta de água qualquer valor a partir de R$ 1. Quando a campanha foi lançada, em dezembro de 2009, o Varela conseguiu a doação de R$ 30 mil mês. Ano passado foram repassados ao hospital R$ 175 mil. "O problema é que este ano o número de doadores caiu. Atualmente somente R$ 3 mil estão sendo arrecadados por mês, por isso, temos que fazer algo para intensificar essas doações para o hospital. A Caern não pode se eximir dessa responsabilidade social", informou Walter Gasi, diretor-presidente da Caern.
 
 
 SALVANDO VIDAS
 
Em 1917, quando voltou da Europa, onde fez especialização em Pediatria, Dr. Manoel Varela Santiago Sobrinho, abriu uma das salas de sua residência para atender gratuitamente às crianças carentes, surgindo o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio Grande do Norte. A sua missão era de prestar assistência médico social à infância desamparada sem distinção de credo político, reliosioso, raça ou cor, dedicando toda sua carreira a essa causa nobre.

Após 94 anos de história em atendimento infantil, o Hospital Infantil Varela Santiago mantém em seu dia-a-dia os mesmos valores que motivaram sua criação. Oferecendo a todas as crianças um atendimento em saúde humanizado, além de transformar o ambiente hospitalar num espaço de aprendizado, inclusão social e garantia de direitos.
 
 
...fonte...

...visite...
 
...calendários estão à venda nas lojas Potylivros, Óticas Diniz e Vanilla Café...

outubro 18, 2011

PRIMEIRA REVISTA POTIGUAR PARA TABLETS

Edição  potiguar específica para tablets é inédita no Rio Grande do Norte

TABLETS
NATAL GANHA  PRIMEIRA REVISTA ESPECÍFICA

Por
Luciana Campos 

Uma novidade muito legal para quem é ligado em tecnologia e gosta de informação. Amanhã vai ser lançada a primeira revista potiguar específica para tablets. A LivingFor é uma publicação de lifestyle, nos moldes de revistas de variedades masculinas e femininas com a Alfa, Lola e GQ, voltada para o público das classes A e B.

A ideia surgiu para atender a uma crescente demanda por publicações que agregassem assuntos como moda,  viagens, tecnologia, gastronomia, automóveis, arte, cultura, comportamento e business. O formato escolhido é novo e uma super aposta dos editores. O boom dos tablets já está aí e mais de 200 mil aparelhos foram vendidos nos seis primeiros meses deste ano, de acordo com dados do IDC Brasil.

A IDEIA

A ideia de criar uma revista específica para tablets é inédita no Rio Grande do Norte. O formato permite que tanto as matérias quanto os anúncios sejam interativos, provocativos, animados… Uma riqueza!

Outra novidade é que a LivingFor é temática. Isto quer dizer que a cada edição o leitor é convidado a descobrir o mundo LivingFor com novos olhos. A primeira edição da revista abordará o tema EXUBERÂNCIA. E todo seu conteúdo foi criado para entreter seus leitores e os levarem por um passeio exuberante.

O mercado é novo, o formato é desafiador, o público é exigente e ávido por novidades, mas pelo que eu pude ver a revista está super bem cuidada, bonita de se ver, interessante de se ler, moderna e, acima de tudo, antenada com os desejos dos leitores. E quer saber a melhor parte? O dowload vai ser gratuito tanto para tablets quanto para computadores também.

ENTREGA

A grande notícia para o mercado local será o fato de a revista ser entregue de forma personalizada e na casa de cada cliente. Como? Simples. Através de um mailing segmentado e bem preparado, contendo mais de 15 mil nomes (e que cresce a cada dia com a ajuda das mídias sociais).

E quem quiser se cadastrar para receber a revista e conhecer o mundo LivingFor é só entrar no hotsite descrito abaixo desta postagem. Agora é só esperar o lançamento oficial, que rola  nesta quinta-feira, dia 20, para curtir a LivingFor.


COMO ESCOLHER UM BOM TABLET?

Este ano, cerca de 450 mil tablets serão comercializados no Brasil, segundo previsão da IDC (International Data Corporation), o que é quase 450% a mais que a quantidade do ano passado (cerca de 110 mil). Mas diante da similaridade funcional e operacional entre as infinitas variedades de aparelhos encontrados hoje no mercado, vale a pena optar pelo menor preço na hora de comprar um tablet. Com pouco mais de R$ 300, qualquer pessoa pode adquirir um modelo. Mas antes de simplesmente se entusiasmar com preços acessíveis ou mesmo pelo “modismo”, os especialistas indicam se questionar: “Para que eu quero um tablet?”.

“Os tablets estão numa categoria entre o smartphone e o notebook. Tem uma tela maior do que o celular, o que o torna mais atrativo para ver sites, ler livros, revistas, mas não é aconselhável produzir conteúdos, e alguns não fazem ligações. Se a pessoa quer um tablet para usar na rua, há as opções com 3G”, explica o técnico em high-tech da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Carlos Eduardo Vieira, que faz uma ressalva  sobre os preços. “É bom pensar bem. Até os tablets que são produzidos no Brasil devem continuar caros até o Natal”, destaca.
 
Uma pesquisa realizada pela Proteste mostrou que 64,7% dos proprietários de tablets usam o aparelho diariamente. Os modelos mais citados foram o iPad, iPad 2, da Apple; e os da Samsung, o Galaxy Tab7 e o Galaxy Tab10. O levantamento identificou que os consumidores mais satisfeitos são os que possuem o iPad, que recebeu nota 84,8 de seus usuários; seguido pelo iPad2 (83,5) e o Galaxy Tab7 (81,8). O sistema operacional Apple iOS também foi o mais bem avaliado com nota de 83,3. Ainda na opinião dos usuários, a assistência técnica do Galaxy Tab7 é a mais eficiente, resolvendo completamente 72% dos problemas apresentados.

Outro ponto importante em relação aos tablets é a questão da atualização do sistema operacional do tablet. “Há hoje no mercado fabricantes que investem bastante no sentido de atualização. As atualizações são feitas, em geral, de forma simples. A partir do momento que se conecta à internet, o fabricante informa da possibilidade de atualizar automaticamente”, explica o professor do curso de Ciência da Computação da Unifacs, Igor Macedo.

De acordo com o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, cinco empresas brasileiras já estão fabricando tablets no Brasil. São elas: a Samsung, a Motorola, Semp Toshiba, Positivo, e a Aix. Segundo o ministro, a Apple deve começar a produzir iPads no país até o final deste ano.
...cadastro... 
www.livingfor.com.br

outubro 17, 2011

CIA POTIGUAR DE TEATRO RUMO AO CHILE

 Cia Escarcéu fará apresentação no Chile

 ENCENAÇÕES NO CHILE

Por
Jornal De Fato

Em mais de vinte anos de teatro e da construção de muitos espetáculos premiados e reconhecidos em festivais pelo país, a Cia Escarcéu de Teatro agora se prepara para mostrar, pela primeira vez, o talento dos artistas do grupo fora do país.

A Cia Escarcéu participará pelo programa de Intercâmbio e Difusão Cultural do Ministério da Cultura do III Encontro Internacional de Teatro "Achupalla" - um cerro de cultura - realizado pelo "Centro Cultural y Colectivo Teatral La Mandrágora" que acontecerá na cidade de Viña del Mar no Chile, entre os dias 7 e 14 de novembro, com os espetáculos "Bagaço do Engenho" e "Ciganos". O convite se deu através de um ex-membro da companhia que já atuou no centro cultural do Chile.

"O festival internacional de teatro Achupalla tem o objetivo de fortalecer o acesso à arte e à educação, com ênfase especial, nos setores mais carentes da sociedade", explica o foco do evento a atriz Lenilda Souza. Com a ida ao Chile, a Cia Escarcéu de Teatro levará o nome de Mossoró para fora do país, mostrando e valorizando o trabalho dos artistas. A companhia viajará dia 6 de novembro, retornando no dia 15 a Mossoró.

"Além do festival, fomos convidados a levar a apresentação para a Universidade de Viña del Mar. Esta será a primeira participação internacional da companhia completa e estamos muito ansiosos por esse momento", explica Lenilda.
 
Cia Escarcéu de Teatro encenando "Bagaço do Engenho"

PRODUÇÕES

A Escarcéu apresentará duas produções artísticas no encontro: Ciganos e o Bagaço do Engenho. O primeiro fala sobre a cultura de um povo rica em costumes e tradições. O segundo ressalta os valores culturais do nordeste brasileiro.

Em Bagaço do Engenho, os atores representam a continuidade e o aprofundamento de experiências estéticas construídas a partir de fragmentos de textos e de experimentos cênicos desenvolvidos pela Cia Escarcéu a partir de diversos gêneros literários como poesias, crônicas, letras de músicas de artistas nordestinos das mais variadas tendências e estilos. Nesse sentido, o espetáculo difunde obras de poetas e compositores contemporâneos, entre os quais destacasse Bráulio Tavares, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Sivuca, Luiz Ramalho, Elomar, Jatobá e Xangai. 

"Buscamos com a montagem do recital Ceno-poético Bagaço do Engenho, explorar o olhar dos autores, já mencionados, sobre o cotidiano da cultura regional do nordeste brasileiro. A apropriação temática será construída com base no hibridismo proporcionado pela junção de textos dramáticos, poemas e letras de músicas", explica a atriz Lenilda Souza. Esteticamente, o espetáculo foi construído com base na técnica corporal presente nas manifestações da cultura popular. O espetáculo "Ciganos" representa a experimentação de novos caminhos e linguagens teatrais. Segundo a companhia, a experiência surge do desejo de falar sobre uma cultura rica em costumes, crenças e tradições. O espetáculo mostra a partir de elementos cênicos a realidade de um povo nômade que caminha pelo mundo afora compartilhando experiências e conhecimentos. O texto é uma produção coletiva baseada em vivências e conhecimentos científicos.

Apresentações de rua e de palco para públicos de  todas as idades
 e a realização de oficinas de teatro para as comunidades 

A ESTRELA DE CINCO PONTAS

O espetáculo Ciganos narra a viagem do povo cigano. O personagem principal Kali recebeu de sua mãe a missão de encontrar e trazer para o seu povo, a Estrela de Cinco Pontas, símbolo sagrado na cultura Cigana, mas para isso ele precisa ouvir os conselhos e seguir algumas recomendações, que ensinarão o caminho a ser percorrido e o seu destino final (Monte Anima), onde encontrará a estrela. 

Kali terá que superar obstáculos e vencer desafios, que contribuirão para o seu amadurecimento. Nesse caminho que ele trilhará até chegar ao Monte, cruzará com o Velho da Encruzilhada, Cigana Rômani, Cigana Luna e o Feiticeiro Cigano, cada um desses contribuirá através de um símbolo ou ensinamento com a sua viagem. Kali consegue chegar ao seu destino final, trazendo para o seu povo o símbolo tão desejado, a estrela de cinco pontas, e reencontra a sua amada, a Cigana Esmeralda.


...fonte...

...fotografia...
Carlos José

...visite...

outubro 15, 2011

CODINOME SAX DE DE OURO

 IVANILDO SAX DE OURO
INSTRUMENTISTA PERNAMBUCANO, NATURALIZADO CEARENSE E POTIGUAR POR OPÇÃO

DISCO DE OURO DO REI DO SAX
 
  Por
 Yuno Silva
 
Aos doze anos ele queria mesmo era ser jogador de futebol. Meio campista bom de bola e, como se diz no jargão futebolístico raçudo, queria ser artista dos gramados. Se fosse seguir os planos da mãe, Vando, seu apelido familiar, deveria trilhar a carreira de advogado. Filho de bóias frias pernambucanos, Ivanildo José da Silva estava interno no colégio Salesiano do Recife quando foi apresentado à música -um encontro que mudou sua vida. Hoje, do alto de seus 78 anos oficialmente declarados, o experiente Ivanildo Sax de Ouro, 2º Tenente da reserva da Aeronáutica, está em plena atividade e acaba de concluir a gravação do novo disco comemorativo dos 60 anos de carreira. Com direção musical de Chico Beethoven e Jubileu Filho, é o primeiro gravado em solo potiguar, e Ivanildo aguarda apenas o sinal da gravadora para marcar a data e transformar o material num Sogbook (com partituras).

Com 61 anos de carreira, 29 álbuns gravados, mais de dois milhões de cópias vendidas, um disco de platina e quatro de ouro, o músico lembra com carinho quando foi literalmente convocado para se integrar à banda de música da escola. "Estava na beira do campo quando o professor chegou e disse pra me apresentar na sala de ensaios da banda depois do jogo. Já cantava no Coral, tinha noção de música, e estudei seis meses antes de escolher qual seria meu instrumento", contou o calejado e simpático senhor de camisa florida de seda - uma de suas marcas registradas.

Fã confesso de Charlie Parker e Mozart, Ivanildo nasceu em Amaraji (PE), foi registrado em Aquiraz (CE) e mora há cerca de 36 anos em Parnamirim (RN), município da Região Metropolitana de Natal, em uma espaçosa casa onde guarda com precioso cuidado memórias e lembranças dos tempos do bolachão. "Sou do tempo que para ganhar um disco de ouro tinha que vender 250 mil cópias em 30 dias - platina significa 500 mil nesse mesmo período", orgulha-se, apontando para a parede de seu estúdio/escritório onde as capas dos LPs estão cronologicamente arrumadas.

ACERVO

O espaço já está pequeno para acomodar todas as condecorações, medalhas, fotos, posteres e cartazes, recortes de jornal e sua coleção de suvenires, entre eles uma raridade: Ivanildo ganhou da gravadora carioca CID uma garrafa de uísque distribuída no casamento do Príncipe Charles com Lady Diana, em 1981. "Está lacrada, eu não bebo". De fato, seu escritório tem muitas, todas intactas.
 
Sobre seu apelido, o potiguar (pois Ivanildo recebeu o título de cidadão norte-riograndense oferecido pela Assembleia Legislativa) recorda que Sax de Ouro surgiu quando morava em Fortaleza. "No início dos anos sessenta, tocava muito nos principais clubes da capital cearense e o colunista Bayard, do Correio do Ceará, me chamou em sua coluna pelo codinome Sax de Ouro. O apelido pegou na hora, e a partir de 1979 passei a assinar meus discos dessa maneira", contou.

"ONTEM, HOJE E SEMPRE"

Prestes a lançar seu 11º CD, "Ivanildo O Sax de Ouro - Ontem, Hoje e Sempre. 60 anos de carreira volume 10", o músico ainda está em negociação para renovar seu contrato com a gravadora carioca CID Entertainment Ltda (antiga Companhia Industrial de Discos), da qual é contratado há 33 anos. "O disco já está pronto, mas só posso lançar depois de resolver essa questão. Estão estudando a contraproposta que fiz", adiantou o artista.

O álbum, o primeiro produzido no RN, é composto por 11 faixas - sendo quatro autorais "Mundinha" (parceria com Estênio Campêlo), "Pra ela", "Dona Jú" e "Minha Lúcia", esta última homenagem à esposa Maria Lúcia Sampaio da Silva, com quem tem quatro filhos. "Nenhum seguiu a carreira musical, deixei eles escolherem e hoje estão todos formados, bem encaminhados na vida", disse o orgulhoso Ivanildo.

Este novo álbum, ainda sem data de lançamento e com planos de sair como Song Book, também conta com duas canções da dupla Roberto e Erasmo Carlos, "Emoções" e "A Distância", cuja regravações foram autorizadas pelo próprio Rei.  "Conheço Roberto desde o início da carreira", disse.
 
Foram seis meses de trabalho no estúdio da Beju Produções, e teve direção musical do próprio Sax de Ouro e dos irmãos Jubileu Filho e Chico Bethoven, que também acompanharam o veterano como instrumentistas, e mais Di Stéffano na bateria, Paulo Milton de Oliveira (baixo), Paulo Eduardo (teclado) e Eduardo Taufic (samples de cordas). A ficha técnica completa ainda inclui Eduardo Pinheiro (mixagem), Henrique Pacheco (técnico de gravação), Beta (fotos) e Renan (arte da capa).

"É importante botar o nome de todo mundo aí", frisa o músico. "Inclusive vale registrar que as secretarias de Educação e Cultura de Parnamirim estão me convidando para shows aqui no Estado", comemora. Para Ivanildo, falta valorização local aos artistas potiguares - uma reclamação generalizada, tanto da nova como da velha guarda.

"SÓ FAÇO SHOW ONDE CHEGA AVIÃO"

Ivanildo faz uma média de 5 a 6 shows por mês fora do Estado. "Há doze anos participo do projeto Clube do Choro do Brasil, em Brasília, e continuo me apresentando em Fortaleza e Recife. Também faço bastante festas particulares", lembrou. Pela idade, diz que só faz show onde chega avião: "Esses dias me chamaram para um show no interior de Tocantins, ou seja, dois aviões mais cinco horas de carro. Não dá mais. Estou cansado dessa correria", garante.


...fonte...
Yuno Silva
 
...Ivanildo Sax de Ouro... 

outubro 06, 2011

UM ADEUS AO GÊNIO QUE MUDOU O MUNDO


STEVE JOBS
1955 - 2011

Morreu nesta quarta-feira (5/10) aos 56 anos o empresário Steven Paul Jobs, criador da Apple, maior empresa de capital aberto do mundo, do estúdio de animação Pixar e pai de produtos como o Macintosh, o iPod, o iPhone e o iPad.

 ... EDIÇÃO ESPECIAL ... 

DISCURSO PARA OS FORMANDOS DE STANFORD

Em um de seus discursos mais famosos, o criador da Apple fala sobre o câncer que havia derrotado e de seu passado de filho adotivo. A mesma enfermidade o venceu esta semana.

Em geral avesso a manifestações públicas que não sejam as dos lançamentos da Apple, Steve Jobs fez um discurso para alunos da Universidade de Stanford em 2005. A fala ficou famosa não apenas pelos conselhos e anedotas (como a estocada na Microsoft, que teria copiado ideias da Apple), mas também porque nela Jobs fala do diagnóstico de câncer no pâncreas, ocorrido um ano antes. "Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder", disse ele. Veja abaixo a íntegra do discurso:   

VOCÊ TEM QUE ENCONTRAR O QUE VOCÊ AMA

Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.   

A PRIMEIRA HISÓRIA É SOBRE LIGAR OS PONTOS 

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina.

Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.”

Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo.

Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok.

Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.

Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.

Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.  
 
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.   

MINHA SEGUNDA HISTÓRIA É SOBRE AMOR E PERDA 

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação — o Macintosh — e eu tinha 30 anos.

E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses.

Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício].

Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. 

A Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple.

E Lorene e eu temos uma família maravilhosa. Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple.

Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama.

Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.  

Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue. 

MINHA TERCEIRA HISTÓRIA É SOBRE MORTE

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa. 

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas.  

Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. 

Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.

Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.

Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém.

Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas.

Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.

E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.

Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid.

Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês.

Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras:

   "CONTINUE COM FOME, CONTINUE BOBO"

Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.

    Obrigado.

...fonte...
 http://macmagazine.com.br/  

...tradução do discurso...
João Carlos da Silva Faria

...ilustração... 
Jonathan Mak