novembro 17, 2011

A MAGIA DE UM EDUCADOR POTIGUAR

 JOSIVAN RIBEIRO DO MONTE
Utilização de métodos lúdicos, aliados a arte com princípio educativo

 PROFESSOR DO RIO GRANDE DO NORTE ADAPTA OBRAS LITERÁRIAS
...E TORNA AULAS MAIS CRIATIVAS

Por
Erta Souza

Adotar e ser adotado. Essas têm sido práticas constantes na vida de Josivan Monte, professor de literatura. Apesar de ter somente 45 anos, ele perdeu a conta de quantos "filhos" têm. Dessa imensa "família" fazem parte seus atuais e ex-alunos. O ato de adotar os adolescentes como membros da família se intensificou nos últimos anos devido à proximidade dos jovens com o professor que usa a arte para cativar os jovens.

Atuando como educador desde os 18 anos ainda em sua terra natal, São Bento do Norte, Josivan percebeu dois anos depois que a metodologia usual da gramática e da Literatura não surtiam efeito para prender a atenção dos adolescentes. "Vi muitas vezes o professor entrar na sala de aula e os alunos saírem". Ao assistir cenas como essas, o jovem percebeu que precisava fazer algo diferente para despertar o interesse dos estudantes pela disciplina considerada segundo plano na preparação para o vestibular, ao contrário de português, matemática e física, por exemplo.

Professor adapta obras literárias e promove encenações para alunos

Como se considera um fascinado pelas diversas manifestações artísticas, intuitivamente Josivan percebeu que essa seria a forma da literatura conquistar os alunos. A técnica foi aprimorada a partir de 1999 quando as obras literárias passaram a ser exigidas no vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A música, o teatro e a dança passaram a fazer parte cada vez mais das aulas.

E foi na elaboração de textos das peças teatrais que descrevem a história dos livros solicitados no vestibular que o contato entre mestre e alunos se tornou intenso. Como dá aulas em nove instituições da rede privada de ensino para 60 turmas concluintes do Ensino Médio e cursinho pré-vestibular, Josivan tem aproximadamente dois mil alunos.

O contato estreito entre alunos e mestre durante todo o ano ultrapassa as barreiras das salas de aula. Hoje Josivan - apesar de ser ainda jovem - não sabe ao certo quantos filhos adotou. Na verdade, em muitos casos, ele foi adotado como pai. Atitudes como pegar e deixar os alunosna escola, curso de inglês ou até mesmo em uma balada se tornou mais freqüente na vida do professor que se considera uma pessoa que "gosta de cuidar dos outros". Josivan acredita que a perda de seu pai aos 12 anos de idade teve forte influência nessa vontade de cuidar do próximo. "Somos seis irmãos. Então e minha irmã mais velha absorvemos a responsabilidade de ajudar nossa mãe com as outras crianças", lembra.


CHEIO DE HISTÓRIAS

Josivan não se considera um professor. "O professor se limita a exercer o ofício e passar conteúdo, já o educador tem um trabalho mais amplo porque se preocupa com as necessidades e diferenças dos alunos", explica. Mas sua paixão pela atividade teve que dividir a atenção do jovem com a segurança pública. Aos 23 anos, Josivan se tornou policial federal. Dez anos depois resolveu fazer direito e prestou concurso para a corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ/RN). A dedicação à educação não o deixou concluir o curso nem assumir o novo cargo a que tinha sido aprovado. "Não me via como um burocrata e resolvi abrir mão, mesmo sonhando com a estabilidade do serviço público".

Ele se tornou educador ainda em São Bento do Norte, onde ensinou várias disciplinas, mas foi com a Língua Portuguesa e Literatura que ele disse ter se encantado ainda no início da adolescência, terminando por ser aprovado no vestibular para Letras em 1987. "Eu era um menino muito ativo, participava de grupos de jovens e ajudava as freiras. Elas me incentivavam a ler e contraditoriamente me fizeram desistir da ideia de ser padre porque diziam que tinha outra missão na vida. Hoje agradeço porque elas contribuíram tanto na minha formação política quanto religiosa", disse.

Ainda aos 15 anos, Josivan era chamado de menino comunista porque discursava nos comícios de um candidato da oposição que queria tirar o poder de um grupo político que há mais de 30 anos comandava a administração em São Bento do Norte. O jovem resolveu entrar para a política e exerceu dois mandatos de vereador. Nessa época, inclusive, ajudou a criar o município vizinho de Caiçara do Norte. Mas o jovem vereador decidiu abandonar a política. Desde 1993 atua somente como professor de Literatura.


DOIS EM UM: PROFESSOR E ATOR

Josivan participa das encenações como um mero ator, depois retorna ao palco para explicar detalhes do livro que podem ser questionados na prova. "Os alunos lêem a obra e a partir daí identificam quem será esse ou aquele personagem, inclusive o meu papel é escolhido por eles", conta. Embora ache importante a participação dos jovens no processo de criação do texto e atuação no espetáculo, ele deixa os alunos livres para definirem se desejam participar do projeto.

Mesmo sendo impossível a participação direta de todos, os que assistem são beneficiados com a criação e atuação dos colegas. "E isso tem facilitado na hora da prova e na vida. Hoje vários dizem que a atuação no trabalho ou mesmo na escola melhorou por causa da diminuição da timidez", relata. Se engana quem pensa que somente as peças teatrais são produzidas pelos alunos. Durante todo ano são feitos vários eventos que trabalham a literatura. Tem feijoada, fondue e ciclo de apresentações no Teatro Alberto Maranhão (TAM) onde são apresentados os resumos das obras.

Com a proximidade do vestibular, Josivan percebeu a necessidade dos alunos em participar das últimas aulas e estudar para as provas, por isso desde o ano passado o aulão especial em que todas as cinco obras são apresentadas e discutidas por atores profissionais


...fotografia...
Carlos Santosl/DN/D.A Press
 www.diariodenatal.com.br 

 "Toda a arte de ensinar é apenas a arte de acordar a curiosidade natural
nas mentes jovens, com o propósito de serem satisfeitas mais tarde."
Anatole France

novembro 15, 2011

...E O CORDEL CAIU NO SAMBA, HEIN?

 Salgueiro vai levar o cordel para a avenida em 2012

CORDEL VIROU SAMBA

Por
Jornal DeFato

A literatura de cordel, rica em detalhes e beleza de versos e rima, sempre foi um dos símbolos do Nordeste. Mas, está cada vez mais atraindo a atenção de brasileiros de outras regiões que veem uma brasilidade sem igual nos versos dos poetas populares.

No ano que vem, o cordel será traduzido para a linguagem própria do Carnaval e estará presente em fantasias, alegorias e no ritmo do samba. A escola de samba Salgueiro do Rio de Janeiro virá com samba-enredo dedicado à literatura de cordel, com o tema "Cordel branco e encarnado", e a escola de samba paulistana Gaviões da Fiel fará uma homenagem ao ex-presidente Lula, com o tema "Verás que um filho fiel não foge à luta".

Crispiniano Neto presenteia o ex-presidente Lula com exemplar de cordel

O jornalista, escritor e cordelista Crispiniano Neto, na última semana, esteve no galpão da escola paulistana Gaviões da Fiel, em Bom Retiro, convidado pela direção e pelo carnavalesco Ígor Carneiro, para conhecer as fantasias que serão utilizadas na exibição da escola. 

A relação de Crispiniano com a escola começou quando a Gaviões teve acesso ao seu livro "Lula na Literatura de Cordel" e, diante do desejo de dedicar o tema ao ex-presidente, foi o livro do escritor que serviu de inspiração para o enredo e para a elaboração das alas que vão compor a apresentação da Gaviões.

"Fiquei muito honrado com o convite e, mesmo não sendo ligado ao futebol nem ao carnaval, desloquei-me a São Paulo, a convite da Escola Gaviões da Fiel. Fui convidado a descrever cada fantasia apresentada naquela ocasião em versos da literatura de cordel. A estrutura da escola Gaviões da Fiel é grandiosa e tem tudo para ganhar o carnaval paulista de 2012. Esse casamento do cordel com o samba está dando certo", explica Crispiniano.

 
 A novela das seis ainda impulsionou a grade de programação noturna da Globo

DISSEMINANDO CORDÉIS

Para Crispiniano Neto, a repercussão em um dos eventos mais importantes do país, como o Carnaval do Rio e São Paulo, mostra o bom momento da literatura de cordel, que vem ampliando a sua presença em eventos literoculturais.

"O cordel já está ganhando espaços específicos nas principais bienais do país fora da região Nordeste, sem falar que as escolas estão aplicando e estudando os folhetos nas escolas e há mais de vinte editoras nacionais (sem citar as editoras artesanais) que estão publicando o cordelismo, ou seja, a literatura de cordel em formato de livros ilustrados", ressalta Crispiniano.
 
Muito desse momento o escritor atribui à mídia televisiva. "Não podemos negar a força da mídia televisiva, que durante oito meses neste ano, diariamente, veiculou o nome cordel e os elementos do cordel em uma telenovela. Isso gerou uma curiosidade e interesse maior ainda pelo cordel", reforça.

 
Cicero Cleber de Oliveira, 9, à direita, vestido como Padre Cícero,
acompanha garotas vestidas como anjos em frente a imagem do padre no CE

PROJETOS

Atualmente, Crispiniano Neto tem ampliado os trabalhos no Sudeste, a partir dos seus livros, e também vem produzindo cordéis para ações educativas e culturais. Recentemente, elaborou cordéis com os temas "Bulling", "Nanotecnologia" e "Assédio Moral", temas da atualidade que, no cordel, ajudam a esclarecer de forma poética e em linguagem clara.

No momento, Crispiniano também está concluindo alguns projetos para publicação em breve. Um dos títulos conta a história de Juazeiro do Norte (CE) e a força do padre Cícero Romão e deve ser lançado em 2012. "Em toda casa no Juazeiro há uma imagem de padre Cícero", ressalta Crispiniano Neto, sobre a força da imagem do religioso ainda nos dias atuais.

Outro trabalho é a pesquisa "A Obra da Escravidão", que fala sobre os aspectos que ainda permanecem na sociedade atual aos descendentes de negros no país, como a discriminação, pobreza e exclusão.

Enquanto as obras não ganham as livrarias, vale a pena acompanhar o crescimento da literatura de cordel, um pouco do Nordeste, mais brasileiro do que nunca, na mídia e nas expressões de maior destaque, como o Carnaval, sendo disseminadas mundo afora.
   
 Para alguns, o cordel é a “cara do nordeste”. Para outros, a “cara do Brasil”

LITERATURA DE CORDEL: MEIO NOTÍCIA , MEIO JORNAL

 Por
Juliana Dias

Histórias de pessoas, interpretações de fatos políticos, crítica social e uma dose de humor que não poupa ninguém. Apesar de todas essas características, não estamos falando sobre o jornalismo político ou do caderno de opinião. Pelo menos, não no tradicional do formato de jornais ou revistas: é sobre literatura de cordel, aquele livreto pendurado nas cordas cujo conteúdo é a poesia oral popular.

Existente no Brasil desde o final do século XIX, o cordel é uma espécie de folheto noticioso, que conta histórias por meio de rimas e métricas próprias. Ele segue a proximidade do jornalismo em sua forma mais profunda: é do povo e para o povo. O cordelista mostra sua versão dos acontecimentos mais marcantes do país e mundo, com uma única condição, de que o fato seja relevante para a comunidade, cidade ou estado que reside. Daí, nada escapa.

Por meio da linguagem regional, o cordel mostra a sua versão das eleições, corrupções, escândalos financeiros… transformando tudo isso em histórias literárias, onde presidentes são cavaleiros maravilhosos, a corrupção é um dragão, os maus governantes são encarnações do diabo e o povo luta em batalhas imaginárias para superar as diferenças sociais. Ao lado desse realismo fantástico, vem a opinião do cordelista, reflexo da opinião do próprio povo. O resultado dessa mistura é a leitura de muitas histórias divertidas e míticas, mas com uma forte crítica social em seu pano de fundo.

Para alguns, o cordel é a “cara do nordeste”. Para outros, a “cara do Brasil”. Hoje em dia, com a globalização, podemos afirmar que é os dois. O cordelista utiliza os fatos que vê in loco ou nos noticiários para dar a sua própria cobertura. Até a internet ele usa, para divulgar os seus cordéis. Já leu seu jornal popular hoje?

...fonte...
http://www.defato.com
http://diasderesenha.wordpress.com

...fotografias...
coletas via internet

...veja...
"O MATUTO NO CINEMA"
 Um causo de Jessier Quirino
Ilustração e design Rebecca Agra, Animação e edição Marcus Hora
...YouTube...

novembro 11, 2011

KHRYSTAL - SIMPLES, ASSIM!

 Cantora e compositora. Simplesmente... Khrystal

KHRYSTAL SEM  RÓTULOS

Por
Yuno Silva

Reconhecida pelo grande público por ter atualizado o coco de embolada imortalizado por Chico Antônio, a cantora e compositora Khrystal Saraiva é muito que isso - e faz questão de deixar claro que foge de rótulos como quem foge da cruz. Atravessando a melhor fase de sua carreira até o momento, ela colhe os frutos de seu talento: foi destaque de vários programas de televisão em rede nacional nos últimos dois anos, participou do Festival de Inverno de Garanhuns, acabou de encarnar uma cangaceira no longa-metragem de Alceu Valença, está preparando o lançamento de seu primeiro DVD junto com álbum duplo 

Sobre essa fixação pela imagem da nordestina arretada que toca coco com pandeiro na mão ela é, como sempre, direta: "Muitas pessoas fixaram essa imagem e ainda não perceberam que já passei daquela fase de fazer coco. Foi apenas a forma que encontrei para começar, e nada melhor que ir buscar algo que nos pertencia", disse a cantora durante entrevista ao VIVER. "Antes eu nem havia me descoberto como compositora", sentencia. Não adianta, e nem precisa, enquadrar a música de Khrystal, ela transita entre o regional, o samba, a MPB e o rock com desenvoltura e rapidez.

Sua veia compositora explodiu pra valer durante o período que participou do projeto Retrovisor. Ao lado de Valéria Oliveira, Simona Talma, Luiz Gadelha e Ângela Castro, descobriu como é divertido e prazeroso interpretar um repertório autoral. "São as várias fases da vida e da carreira, não dá pra ficar parada", disse. "O mais importante é estar próximo desse grupo, continuar compondo com  eles até hoje", emenda Khrystal, que brilha o olho com a possibilidade de desmistificar essa imagem regional diante de um público mais jovem que o de costume. "Quero atingir pessoas que geralmente não vão aos meus shows. É importante levar minha música até essa galera", acredita.

 
 Khrystal Saraiva
Reconhecida pelo grande público por ter atualizado o coco de embolada

EP NOVO NA ÁREA

Antes de lançar DVD e o novo disco duplo (um ao vivo e outro de estúdio), previstos para maio de 2012, Khrystal aproveita a entressafra entre os finalmentes da temporada do show "Trem" para apresentar EP com oito músicas, todas autorais e inéditas. E não pensem que ela estará adiantando material, são todas exclusivas para este projeto.

Apesar de ter lançado o EP "Seis por Meia Dúzia", em 2005, este "tem um tratamento mais caprichado, participação de amigos como Valéria Oliveira, Simona Talma, Luiz Gadelha, Ricardo Baia (guitarra), Zé Fontes (baixo) e vai entrar na minha discografia", garante.

Ela está adicionando o EP nesse meio, "antes do lançamento 'à vera' em maio", por causa da demora em viabilizar um projeto através de lei de incentivo: "tem que enquadrar em lei, esperar  as coisas acontecerem, captar... aí o dinheiro acaba, e espera de novo. Nessa vou colocando dinheiro do próprio bolso", informou. "Apesar do material estar gravado (CDs e DVD), preferi aprontar esse EP em novembro para deixar as coisas bem organizadas até o próximo ano. Quero que tudo sair do jeito que estou planejando".

A respeito do disco duplo, Khrystal contou ser de personalidades bem distintas: "o gravado em estúdio é todo autoral, já o ao vivo será de intérprete. Coloquei nesse CD ao vivo todas aquelas músicas que funcionaram nos meus shows, mas que ainda não tinham sido gravadas por mim como "Candeeiro encantado" (Lenine), "Cara do Brasil" (Vicente Barreto e Celso Viáfora), "Carcará" (João do Vale), entre outras que as pessoas cobravam e que já ligavam ao meu nome".

 Khrystal no Set de "A Luneta do Tempo" - Uma produção de Alceu Valença

CINEMA POR ACASO

A participação da potiguar no filme "A Luneta do Tempo", com texto e direção de Alceu Valença, foi obra do acaso - ela estava no lugar certo na hora certa: "Conheci Alceu gravando o Som Brasil (TV Globo). Ele estava procurando uma atriz para encarnar a cangaceira Nair Brilhante Ferreira, me viu cantando e tocando pandeiro (minha personagem toca no filme) e fez o convite: 'Vem cá, está faltando uma pessoa para fazer a cangaceira do meu filme, você não quer fazer?' Disse que não era atriz, mas ele insistiu - 'tem problema não, vai dar certo'", recordou.

A cantora achava que era brincadeira, mas 15 dias depois a produção ligou. "Me chamaram para fazer um teste. Perguntaram: 'tu vem?' e eu 'só se for agora!' Fiz a mala e passei uma semana em Pernambuco fazendo testes. Chorando de manhã, de tarde e de noite, não aguentava mais. Disse que quando saísse de lá iria ser feliz pra sempre de tanto que eu chorei. Enfim, passei no teste, e já terminei as gravações de minha participação. Passei quatro meses em São Bento do Una, sertão pernambucano. Meu personagem tem um filho no meio do filme, e esse filho é que vai determinar muita coisa no desenrolar do filme, que tem previsão para ser lançado em 2012".

Acredita que se Alceu não fosse músico sua participação poderia ser inviabilizada. Continuava tocando, fazendo shows. Arrochava daqui e dali, chegava cansada, dormia três horas, acordava cedo pra ir pro set. Mas deu tudo certo! Depois do filme, passou a encarar o trabalho de ator com muito mais respeito do que já tinha.

...fonte...
...fotografia  início  postagem... Júnior Santos www.tribunadonorte.com.br  ...música...Zona Norte / Zona Sul ...ouvir...

...visite... 
www.alceuvalenca.com.br 

DE QUE LADO MORA O SEU PRECONCEITO?

"Khrystal  é a mãe de LINDA e de JACKSON. É uma mulher extraordinária. Uma filha exemplar e uma amiga sincera. A vida quase derrota ela, quando a mesma perambulava pelas ruas do centro da cidade e que - após várias batalhas nos bares da vida -  tive o prazer de conhecê-la e trabalhar com ela. Eu, que era um bom produtor, virei o marido de KHRYSTAL. Deixe seu preconceito de lado e vá a um show dela ou escute seu disco...  Você  irá respeitá-la como uma grande artista deste estado."
Zé Dias 
Produtor Cultural

novembro 10, 2011

UM POTIGUAR EM AVANT PREMIÈRE

Geová Rodrigues e Fabiana saba

EAST VILLAGE EM MOVIMENTO

ESTREANDO COMO DIRETOR  DE CURTA-METRAGEM, ESTILISTA POTIGUAR
GEOVÁ RODRIGUES APOSTA NA CONEXÃO MODA, CINEMA E ROCK AND ROLL

Por
Cínthia Lopes

O estilista potiguar radicado em Nova York,  Geová  Rodrigues, está buscando no cinema e na música uma nova conexão para suas criações sustentáveis. Em conversa com a revista GLAM, por telefone, direto de Esat Village, bairro novaiorquino onde rside há pelo menos 25 anos, ele conta que acaba de co-dirigir seu primeiro curta-metragem. A estreia como videomaker nasceu de desejo de registrar as impressões de seu trabalho, numa parceria com o cineasta, fotógrafo e também estilista, Peter Azen, amigo de longa data.

Conceitual, o filme não possui diálogos e busca nas cenas em movimento a linguagem necessária para transmitir as referências da próxima coleção do estilista, inspirada no cinema mudo de Charles Chaplin e no bairro onde também possui ateliê – uma região que transpira arte, música, agito e onde estão alguns pontos turísticos de Manhattan.

O curta foi batizado de “Geova Night and Day”, mas não por imposição autoral. Pela simples coincidência da fachada de sua loja ter surgido numa das cenas, de forma inusitada: “ambos decidimos pelo nome”, disse ele. A direção de fotografia é de Tiago Chediak e tem duração de 22 minutos.

O East Village é um bairro de Manhattan em Nova York

O curta de Geová e Azen  ainda conta com um elenco bem brasileiro. Tem participação dos irmãos músicos Supla e João Suplicy e ainda das super modelos veteranas brasileiras, Sílvia Pintor e Fabiana Saba. “Acredito muito em trabalho em grupo, ,isturando cinema, moda e rock roll... Tem toda uma linguagem de momento que eu adoro”, disse o estilista. Ele lembra que quando pensou em fazer este filme veio na cabeça a possibilidade de usar as modelos mais veteranas, gente que faz parte de sua história também. Foi  então que surgiu a ideia de convidar Sílvia Pintor e Fabiana Saba. “São duas mulheres lindas, com muita história e de um profissionalismo nota dez.”  

 Os irmãos Supla e João Suplicy

Já a inclusão de João e Supla, além além de dar o toque rock and roll da proposta, vem carregada de referências sentimentais. “Para mim, Supla é a cara do East Village. Foi onde ele morou por muito tempo e onde nos conhecemos”, recorda-se. As cenas em que ele aparece  foram rodadas em frente ao apê onde o mais pop punk/roqueiro brasileiro morou nos últimos seis anos, “que por acaso fica em frente a minha loja”.
 
O curta vem carregado de elementos do surrealismo e abstracionismo. “São referências a rapidez com que as coisas acontecem. Gosto de coisas assim, quase instantâneas. Tenho o ritmo de New York no meu coração”.

club The Darbys 
palco da pré estreia do curta-metragem "Geova Night and Day"

O curta foi apresentado durante a festa “Farofa”, dia 06 de novembro,  no The Darbys, em NYC. Geová descreve o curta como “Sonho com estilo e glamour no momento de crise atual, usando como pano de fundo o bairro do East Village. Cada um procura o lugar onde o sonho grita mais forte…. de noite e de dia”. Aqui no Brasil, Geova Night and Day será lançado durante o Rio Fashion Week, em 12 de janeiro de 2012.

Apesar de falar português com aquele sotaque de quem já está há muito tempo longe de seu país, Geová deixa  perceptível  toda a sua nordestinidade no tom alegre da conversa, ao lembrar que recentemente esteve em Natal  “para o batizado de um sobrinho” e que “acabou não podendo participar de um evento sobre moda e sustentabilidade por que teve de viajar às pressas”. Sobre seu retorno ao Brasil, ele conta que antes deve ir para Israel e só em novembro pretende passar uns dias em sua cidade natal, Barcelona, na região agreste do Rio Grande do Norte. Algo que faz parte de um ritual sentimental do estilista: “vou visitar minha família em Barcelona e o túmulo de meu pai no dia de finados”.

"Tenho o ritmo de New York no meu coração”

Geová Rodrigues nasceu em Barcelona/RN, sendo o quinto de uma família de 13 filhos e aprendeu logo cedo com sua mãe e avó a recilclar roupas e tecidos e fazer bonecas de pano de feira.  Na juventude, virou artista plástico, veio para Natal e daqui para São Paulo e, em seguida, para  o exterior. O jogo de cintura fez com que trocasse o pincel pela agulha após ter ganhado uma máquina de costura de um amigo.

A necessidade  de trabalhar acabou transformando-o em um dos pioneiros da moda sustentável – no princípio reciclava retalhos tirados do lixo dos ateliês de estilistas famosos e criava novas peças, usando a técnica do moulage. Hoje, participa da principal semana de moda de Nova York, tem clientes famosos e suas criações estão em algumas das lojas mais importantes da América do Norte, Europa e do Brasil.

...fonte... 
 Revista GLAM - nº 09 - 2011
   
...visite...  
 www.maisglam.com.br 
  www.geovafashion.com 

 "Cada um procura o lugar onde o sonho grita mais forte…. de noite e de dia” 
 Geová Rodrigues

novembro 09, 2011

O PRÍNCIPE DO TIROL E O TURISTA APRENDIZ

 Câmara Cascudo e Mário de Andrade – Cartas, 1924-1944

CARTAS DE UMA AMIZADE SINCERA

Por
Sérgio Vilar

A visita de Mário de Andrade a Natal 83 anos atrás ainda rende notícia. E prêmios. Especificamente, a troca de correspondências dele com o colega folclorista Câmara Cascudo durante 20 anos. Essa amizade epistolográfica foi pesquisada e registrada no livro Câmara Cascudo e Mário de Andrade - Cartas, 1924-1944, pela Editora Global. A obra venceu  o 53º Prêmio Jabuti na categoria Teoria e Crítica Literária, anunciado no mês passado, 17/10.

A última etapa do prêmio - o mais prestigiado da literatura nacional - acontece no dia 30 de novembro, durante a cerimônia de premiação dos vencedores das 29 categorias. Na oportunidade, serão conhecidos os vencedores dos dois prêmios máximos do Jabuti: os livros do ano nas categorias Ficção e Não Ficção. E obra do professor da USP Marcos Antônio de Moraes, concorre novamente nesta última com boas chances de vitória.

O contexto das cartas teve início em 1927, quando o paulista Mário de Andrade aportou na Belle Époque natalense. Governos de Juvenal Lamartine e do prefeito Omar O'Grady. E uma cidade governada também pela intelectualidade comandada pelo principado do Tirol, cuja figura de Cascudo era a mais expressiva. E foi com ele que o autor de Macunaíma viria a travar uma amizade produtiva e lembrada até hoje.

O regresso de Mário de Andrade a São Paulo, depois de semanas de pesquisa em Natal e outros 14 municípios potiguares, parece ter deixado um vazio na cidade e em Cascudo. Praticamente todas as cartas endereçadas ao folclorista continham o pedido de nova visita, sob a justificativa de Mário do "mar de trabalho" e compromissos variados que nunca o deixaram voltar a Natal.

Pesquisador  Marcos Antonio de Moraes e a obra

ORGANIZADOR

Marcos Antonio de Moraes é o responsável pela compilação de toda a epistolografia de Mário de Andrade, reunida no Instituto de Estudos Brasileiros, e também assina a organização da recém-lançada correspondência entre Luís da Câmara Cascudo e Mário de Andrade. O professor e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros, esse trabalho é resultado da tese de doutorado sobre a epistolografia do escritor modernista - chegou a visitar Natal e conhecer os lugares mencionados nas cartas para redigir notas explicativas das 65 cartas do paulista e das 94 do potiguar.

Ainda assim, a neta de Cascudo e atual coordenadora do Memorial Câmara Cascudo, Daliana Cascudo, comemorou o resultado da premiação. "De certo os dois estão muito felizes de onde estão. É o resultado de 20 anos de amizade", disse. E atestada em carta, disse Mário: "Quando aí for, na casa em que vocês estejam é que irei pedir hospedagem (...) e sempre será quarto de rei pra mim, bem acomodado na amizade de vocês".

O professor aposentado pela UFRN, jornalista e escritor Tarcísio Gurgel, estudioso da obra e das cartas cascudianas endereçadas a Mário de Andrade e autor do livro Belle Éporque na Esquina, ratifica a importância do livro e do autor premiado: "A obra traz um levantamento rateado, mas contém importante material de pesquisa porque Marcos Antônio de Moraes é um pesquisador sério".

Em trabalho anterior, diz Tarcísio, o autor registrou a troca de cartas, cartões e postais de Mário de Andrade com amigos e colegas no período de 1925 a 1929, da viagem ao Nordeste, também com registros da passagem por Natal. Em uma das correspondências, o crítico de arte Antônio Bento lhe fala da expectativa de sua chegada e, no verso do cartão, foto da Cidade Alta. Ao fundo, imagem das dunas gigantes do que viria a ser o Tirol.

Uma terceira carta, aponta Tarcísio Gurgel, é mais significativa. É do futuro colega de Departamento de Cultura, Rubens Borba de Morais, vinda de Paris. A carta denota o entusiasmo de Mário de Andrade pelas coisas de Natal, e critica: "Tenha paciência, isto aqui é melhor que o Rio Grande do Norte", acompanhada de estampa do imponente L'Arc de Triomphe de L'Etoile.

Mas difícil trocar a imponência de um monumento pela vivência do folclorista no Estado potiguar. Por aqui Mário de Andrade conheceu a Redinha, as frutas regionais, religiões, autos natalinos, os causos, a modinha, as salinas, as danças, a poesia modernista e o famoso encontro com o embolador de côco Chico Antônio, no engenho de Antônio Bento. Não à toa, confidenciou ao amigo Drummond: "Ah, seu Carlos, que viajão!".

O autor de Macunaíma e uma amizade produtiva com Cascudo

CARTAS DE BRASILIDADE

Por
Maria Betânia Monteiro

Câmara Cascudo costurou sua obra com as linhas do folclore, da história, das bibliotecas, dos livros. O fio de Mário de Andrade era outro (não muito diferente): o do romance, da poesia, da arte. Com recortes e estampas particulares criaram tecidos únicos e afins: tinham exclusivamente as cores do Brasil. Apesar da distância territorial existente entre os dois, um no Rio Grande do Norte, outro em São Paulo, trocavam ideias constantemente. O veículo do diálogo foram as cartas (escritas entre 1924 e 1944).

"Câmara Cascudo e Mário de Andrade" é uma edição da Global, organizada pelo pesquisador Marcos Antonio de Moraes. O livro trata da correspondência de dois escritores conscientes de sua brasilidade. Mário de Andrade dizia a Luís da Câmara Cascudo, que ambos deveriam dar uma alma ao Brasil. Cascudo, em toda a sua trajetória de pesquisador e escritor, procurou cumprir esta meta.

Os manuscritos das correspondências de Mário de Andrade (65 mensagens) e de Luís da Câmara Cascudo (94 mensagens) estavam conservados no Ludovicus e no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de Sâo Paulo (IEB-USP). 


Câmara Cascudo e Mário de Andrade na década de 20 no RN  

As cartas trocadas pelos dois amigos são documentos de fundamental importância. Elas têm, entre outras virtudes, o de ser uma das fontes de duas décadas da história literária do país e, talvez, a primeira ligação intelectual entre o Sudeste e o Nordeste. Mário apresenta Cascudo aos grandes intelectuais do sudeste, e é apresentado por este aos valores nordestinos.

Câmara Cascudo dizia a Mário de Andrade que era preciso registrar a verdadeira identidade do Brasil. Nessas correspondências de duas décadas, eles pretenderam tornar ainda mais nítido o relevo de suas obras. Desde 1922, ano em que foi publicada a obra "Pauliceia desvairada", Mário de Andrade se propôs a renovar a literatura brasileira, afastando a artificial influência europeia.

A amizade dos dois tinha bases muito sólidas. Em carta a Manuel Bandeira, de 19 de março de 1926, Mário descreve o perfil do novo amigo: "Vou na Bahia, Recife e Rio Grande do Norte onde vive um amigo de coração que no entanto nunca vi pessoalmente, o Luís da Câmara Cascudo, é um temperamento estupendo e sujeito de inteligência vivíssima e ainda por cima um coração de ouro brasileiro. Gosto dele".

 O PRIMOR DAS MISSIVAS

A correspondência entre Câmara Cascudo e Mário de Andrade é também um exemplo da época da frase bem torneada, da adjetivação precisa, da ênfase na exata medida do pensamento. Cascudo e Mário foram duas figuras tão notáveis, que a veiculação de sua correspondência marca um esplêndido momento da história cultural brasileira, sendo matéria permanente para reflexão dos que se preocupam com o país. 


...fontes...
 Sérgio Vilar
sergiovilar.rn@dabr.com.br  
Maria Betânia Monteiro
www.tribunadonorte.com.br

 ...veja...
Documentário - Tela Brasil
Luís da Câmara Cascudo
www.senado.gov.br


"A obsessão de papai era trazer Mário de Andrade para observar o sertão e o nordeste,
mesmo sabendo que Mário não gostava de regionalismos. Papai conseguiu."
Ana Maria Cascudo

novembro 06, 2011

A GUARDIÃ DO ATOL DAS ROCAS

Maurizélia Brito Silva
premiação em reconhecimento ao trabalho de preservação da reserva biológica
 
A "XERIFE" DO ATOL DAS ROCAS
 
Por
Alex Costa

Duas décadas guerreando pela preservação do Atol das Rocas. Maurizélia Brito Silva, conhecida como Zélia Brito, afirma ter encontrado a liberdade e a felicidade em um dos pedaços de terra mais naturais do planeta. Filha e neta de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Zélia sempre carregou no sangue a paixão e o amor pela natureza, tida como a sua melhor amiga. "Às vezes, lá no atol, me pego a falar com as aves, com os peixes, com tubarões e golfinhos. A criação me responde com sons perfeitos, que me enchem de alegria", compartilha.

Hoje, aos 45 anos, Zélia Brito comemora 15 anos como chefe da unidade de preservação ambiental do Atol das Rocas e afirma ter perdido a sua liberdade desde que pisou no Atol das Rocas pela primeira vez em 1981. Jovem e sem saber o que queria fazer em sua vida, Zélia sentiu, no momento em que chegou à ilhota, que sua relação de amor havia acabado de começar. Aos 19 anos, Zélia entrou naequipe de preservação ambiental do Atol e era coordenada pelo seu próprio pai que era superintendente no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal.

"Fiz sociologia e biologia duas vezes. Aliás, eu tentei terminar os cursos e não conseguia porque sempre reprovava por faltas. A paixão pelo atol me prendeu a ele, sou escrava das belezas naturais e da harmonia que eu só consegui encontrar por lá", realça. Segundo Zélia, a sua maior e melhor faculdade é o Atol das Rocas. "Onde eu poderia aprender e ter mais conhecimento senão junto de pesquisadores dos mais variados segmentos da biologia?", questiona. 

Luciano Huck subiu ao palco para entregar o troféu à "Zelinha"
Maurizélia Brito Silva  foi a 11ª premiada entre as 14 escolhidas de todo o Brasil

TRABALHO RECONHECIDO  NACIONALMENTE

A potiguar Zélia Brito, chefe da reserva Biológica do Atol das Rocas foi selecionada pela Revista Trip para receber o prêmio Transformadores 2011. Zélia foi escolhida por seu trabalho de 15 anos de preservação e fiscalização deste Atol que é o único do Oceano Atlântico Sul e que detém os títulos de área de proteção ambiental, de reserva biológica marinha e de patrimônio natural da humanidade, reconhecido pela Unesco.

Vários famosos prestigiaram entrega de prêmio promovido pela Trip

Na edição deste ano, foram escolhidas 14 pessoas de todo o Brasil, como o pesquisador Miguel Nicolelis e o casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo que já fazia parte da lista de finalistas do prêmio quando foram assassinados em março deste ano.

O Prêmio Trip Transformadores foi criado em 2007 para homenagear pessoas que pensam no coletivo e que fazem a diferença por acreditarem e agirem em prol de uma mudança para melhor em diferentes áreas. Na pequena ilha, Zélia desdobra-se, com voluntários, para fazer cumprir a proibição de pesca, disciplina que tem sido recompensada: às vezes passam-se meses sem que seja preciso furar as altas ondas a bordo do pequeno bote a motor disponível para afugentar algum barco pesqueiro.

Dentro do Atol das Rocas, a água é cor de gin tônica

Aos 40 dias de ilha sucedem outros 40 em Natal. Hora de costurar, em terra, os relacionamentos que garantem a continuidade dessa preservação. Conhecida de longa data de boa parte dos pescadores, Zélia procura ter sempre gente de confiança em todas as rodas. Ela sabe que, se uma crise apertar, um pescador pode ficar tentado a jogar suas redes no atol. Através dos amigos, Zélia pode saber com antecedência do perigo e alertar a guarda costeira.

 O Atol das Rocas é um santuário de vida marinha, 
o único, diga-se, do Atlântico Sul

PATRIMÔNIO NATURAL DA HUMANIDADE 

O Atol das Rocas está localizado a 144 milhas náuticas (270 km) de Natal, de onde sai o barco todos os meses para a troca da equipe que fica na ilha. A viagem dura cerca de 25 horas. Este é um local fundamental para o equilíbrio da vida marinha, por sua alta produtividade biológica e por ser zona de abrigo, alimentação e reprodução de diversas espécies de animais, como as tartarugas verdes e as de pente.
   
 
 Ninhal na Ilha do Farol

A ilhota também representa a maior colônia de aves tropicais do país. São cerca de 150 mil aves de 29 espécies distintas que utilizam a ilha como pouso para descanso e alimentação, reprodução ou moradia permanente. Antes que fosse implantado o sistema de revezamento de equipes de fiscalização, em 1991, era comum a presença de pescadores que causaram diversos danos ambientais no local. Hoje o atol só recebe visitas para fins de pesquisa e fiscalização. As condições de permanência são inóspitas. Água potável, por exemplo, só mesmo para beber e cozinhar.

estação científica da reserva

"Não existe nada melhor do que tomar aquele banho gostoso de mar e logo depois passar um creme hidratante. Sabe aquela sensação de pureza, de naturalidade? Acho que não sabe", brinca a pesquisadora. Zélia conta que no início de tudo o local era ainda mais inóspito. Hoje, a pequena equipe de pesquisadores se reveza de cinco em cinco na pequena e única casa existente na ilha. "Antes eram tendas, barracas do Exército, construídas sobre a areia. Não tínhamos a infraestrutura que temos hoje. Era quase um Survivor", enfatiza, em referência ao reality show americano.

Rastros de tartaruga-verde: evidência de uma subida à praia para a desova

A longa experiência no Atol das Rocas fez com que Zélia criasse vínculos inquebráveis com a natureza. O amor pelos animais é tão forte que a alegria de vê-los recuperados, quando encalham ou adoecem, é inexplicável. "Não tocamos nos animais, a não ser que eles precisem de ajuda humana. E quando precisam, damos até o nosso último limite de forças. É uma cooperação que conta com a vontade de viver dos animais", frisa.

Tartaruga-verde em naufrágio nos recifes externos do Atol

A pequena ilha de 5,5 km no meio do Oceano Atlântico esconde uma imensidão de vida. Tubarões nadam com os pesquisadores sem fazer mal nenhum, porque a vida está em equilíbrio no local. Ver a saúde do Atol das Rocas faz com que Zélia se aperceba de que o seu trabalho é útil, não apenas para a ilhota, mas para o equilíbrio natural do planeta Terra. "Só vivendo, vendo as cores, sentindo o clima e vendo os cheiros é possível entender o que estou falando. É uma loucura de amor", compartilha. 

The most beautiful places in Brazil  "Atol das Rocas-RN"

A BELEZA IN NATURA DO ATOL EM LIVRO

O livro ‘Atol das Rocas’ de Luciano Candisani – fotógrafo especializado em temas ambientais, mostra-nos toda a beleza desta bélissima reserva ecológica. O autor  enfrentou as duras condições de vida do Atol por mais de 25 dias ininterruptamente, tendo de adaptar-se as condições climáticas locais, a ausência de água doce, a falta de sombra, ao barulho incessante das aves, etc.   O Atol das Rocas é um pequeno arquipélago de duas ilhas que pertence ao estado do Rio Grande do Norte no Brasil....


...fonte...

...fotografia... 
Acervo Pessoal - Acervo Trip - Fernando Maciel -Luciano Candisani

...reflexão... 

 "A natureza criou o tapete sem fim que recobre a superfície da terra. Dentro da pelagem desse tapete vivem todos os animais, respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem."  
Monteiro Lobato