novembro 09, 2011

O PRÍNCIPE DO TIROL E O TURISTA APRENDIZ

 Câmara Cascudo e Mário de Andrade – Cartas, 1924-1944

CARTAS DE UMA AMIZADE SINCERA

Por
Sérgio Vilar

A visita de Mário de Andrade a Natal 83 anos atrás ainda rende notícia. E prêmios. Especificamente, a troca de correspondências dele com o colega folclorista Câmara Cascudo durante 20 anos. Essa amizade epistolográfica foi pesquisada e registrada no livro Câmara Cascudo e Mário de Andrade - Cartas, 1924-1944, pela Editora Global. A obra venceu  o 53º Prêmio Jabuti na categoria Teoria e Crítica Literária, anunciado no mês passado, 17/10.

A última etapa do prêmio - o mais prestigiado da literatura nacional - acontece no dia 30 de novembro, durante a cerimônia de premiação dos vencedores das 29 categorias. Na oportunidade, serão conhecidos os vencedores dos dois prêmios máximos do Jabuti: os livros do ano nas categorias Ficção e Não Ficção. E obra do professor da USP Marcos Antônio de Moraes, concorre novamente nesta última com boas chances de vitória.

O contexto das cartas teve início em 1927, quando o paulista Mário de Andrade aportou na Belle Époque natalense. Governos de Juvenal Lamartine e do prefeito Omar O'Grady. E uma cidade governada também pela intelectualidade comandada pelo principado do Tirol, cuja figura de Cascudo era a mais expressiva. E foi com ele que o autor de Macunaíma viria a travar uma amizade produtiva e lembrada até hoje.

O regresso de Mário de Andrade a São Paulo, depois de semanas de pesquisa em Natal e outros 14 municípios potiguares, parece ter deixado um vazio na cidade e em Cascudo. Praticamente todas as cartas endereçadas ao folclorista continham o pedido de nova visita, sob a justificativa de Mário do "mar de trabalho" e compromissos variados que nunca o deixaram voltar a Natal.

Pesquisador  Marcos Antonio de Moraes e a obra

ORGANIZADOR

Marcos Antonio de Moraes é o responsável pela compilação de toda a epistolografia de Mário de Andrade, reunida no Instituto de Estudos Brasileiros, e também assina a organização da recém-lançada correspondência entre Luís da Câmara Cascudo e Mário de Andrade. O professor e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros, esse trabalho é resultado da tese de doutorado sobre a epistolografia do escritor modernista - chegou a visitar Natal e conhecer os lugares mencionados nas cartas para redigir notas explicativas das 65 cartas do paulista e das 94 do potiguar.

Ainda assim, a neta de Cascudo e atual coordenadora do Memorial Câmara Cascudo, Daliana Cascudo, comemorou o resultado da premiação. "De certo os dois estão muito felizes de onde estão. É o resultado de 20 anos de amizade", disse. E atestada em carta, disse Mário: "Quando aí for, na casa em que vocês estejam é que irei pedir hospedagem (...) e sempre será quarto de rei pra mim, bem acomodado na amizade de vocês".

O professor aposentado pela UFRN, jornalista e escritor Tarcísio Gurgel, estudioso da obra e das cartas cascudianas endereçadas a Mário de Andrade e autor do livro Belle Éporque na Esquina, ratifica a importância do livro e do autor premiado: "A obra traz um levantamento rateado, mas contém importante material de pesquisa porque Marcos Antônio de Moraes é um pesquisador sério".

Em trabalho anterior, diz Tarcísio, o autor registrou a troca de cartas, cartões e postais de Mário de Andrade com amigos e colegas no período de 1925 a 1929, da viagem ao Nordeste, também com registros da passagem por Natal. Em uma das correspondências, o crítico de arte Antônio Bento lhe fala da expectativa de sua chegada e, no verso do cartão, foto da Cidade Alta. Ao fundo, imagem das dunas gigantes do que viria a ser o Tirol.

Uma terceira carta, aponta Tarcísio Gurgel, é mais significativa. É do futuro colega de Departamento de Cultura, Rubens Borba de Morais, vinda de Paris. A carta denota o entusiasmo de Mário de Andrade pelas coisas de Natal, e critica: "Tenha paciência, isto aqui é melhor que o Rio Grande do Norte", acompanhada de estampa do imponente L'Arc de Triomphe de L'Etoile.

Mas difícil trocar a imponência de um monumento pela vivência do folclorista no Estado potiguar. Por aqui Mário de Andrade conheceu a Redinha, as frutas regionais, religiões, autos natalinos, os causos, a modinha, as salinas, as danças, a poesia modernista e o famoso encontro com o embolador de côco Chico Antônio, no engenho de Antônio Bento. Não à toa, confidenciou ao amigo Drummond: "Ah, seu Carlos, que viajão!".

O autor de Macunaíma e uma amizade produtiva com Cascudo

CARTAS DE BRASILIDADE

Por
Maria Betânia Monteiro

Câmara Cascudo costurou sua obra com as linhas do folclore, da história, das bibliotecas, dos livros. O fio de Mário de Andrade era outro (não muito diferente): o do romance, da poesia, da arte. Com recortes e estampas particulares criaram tecidos únicos e afins: tinham exclusivamente as cores do Brasil. Apesar da distância territorial existente entre os dois, um no Rio Grande do Norte, outro em São Paulo, trocavam ideias constantemente. O veículo do diálogo foram as cartas (escritas entre 1924 e 1944).

"Câmara Cascudo e Mário de Andrade" é uma edição da Global, organizada pelo pesquisador Marcos Antonio de Moraes. O livro trata da correspondência de dois escritores conscientes de sua brasilidade. Mário de Andrade dizia a Luís da Câmara Cascudo, que ambos deveriam dar uma alma ao Brasil. Cascudo, em toda a sua trajetória de pesquisador e escritor, procurou cumprir esta meta.

Os manuscritos das correspondências de Mário de Andrade (65 mensagens) e de Luís da Câmara Cascudo (94 mensagens) estavam conservados no Ludovicus e no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de Sâo Paulo (IEB-USP). 


Câmara Cascudo e Mário de Andrade na década de 20 no RN  

As cartas trocadas pelos dois amigos são documentos de fundamental importância. Elas têm, entre outras virtudes, o de ser uma das fontes de duas décadas da história literária do país e, talvez, a primeira ligação intelectual entre o Sudeste e o Nordeste. Mário apresenta Cascudo aos grandes intelectuais do sudeste, e é apresentado por este aos valores nordestinos.

Câmara Cascudo dizia a Mário de Andrade que era preciso registrar a verdadeira identidade do Brasil. Nessas correspondências de duas décadas, eles pretenderam tornar ainda mais nítido o relevo de suas obras. Desde 1922, ano em que foi publicada a obra "Pauliceia desvairada", Mário de Andrade se propôs a renovar a literatura brasileira, afastando a artificial influência europeia.

A amizade dos dois tinha bases muito sólidas. Em carta a Manuel Bandeira, de 19 de março de 1926, Mário descreve o perfil do novo amigo: "Vou na Bahia, Recife e Rio Grande do Norte onde vive um amigo de coração que no entanto nunca vi pessoalmente, o Luís da Câmara Cascudo, é um temperamento estupendo e sujeito de inteligência vivíssima e ainda por cima um coração de ouro brasileiro. Gosto dele".

 O PRIMOR DAS MISSIVAS

A correspondência entre Câmara Cascudo e Mário de Andrade é também um exemplo da época da frase bem torneada, da adjetivação precisa, da ênfase na exata medida do pensamento. Cascudo e Mário foram duas figuras tão notáveis, que a veiculação de sua correspondência marca um esplêndido momento da história cultural brasileira, sendo matéria permanente para reflexão dos que se preocupam com o país. 


...fontes...
 Sérgio Vilar
sergiovilar.rn@dabr.com.br  
Maria Betânia Monteiro
www.tribunadonorte.com.br

 ...veja...
Documentário - Tela Brasil
Luís da Câmara Cascudo
www.senado.gov.br


"A obsessão de papai era trazer Mário de Andrade para observar o sertão e o nordeste,
mesmo sabendo que Mário não gostava de regionalismos. Papai conseguiu."
Ana Maria Cascudo

novembro 06, 2011

A GUARDIÃ DO ATOL DAS ROCAS

Maurizélia Brito Silva
premiação em reconhecimento ao trabalho de preservação da reserva biológica
 
A "XERIFE" DO ATOL DAS ROCAS
 
Por
Alex Costa

Duas décadas guerreando pela preservação do Atol das Rocas. Maurizélia Brito Silva, conhecida como Zélia Brito, afirma ter encontrado a liberdade e a felicidade em um dos pedaços de terra mais naturais do planeta. Filha e neta de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Zélia sempre carregou no sangue a paixão e o amor pela natureza, tida como a sua melhor amiga. "Às vezes, lá no atol, me pego a falar com as aves, com os peixes, com tubarões e golfinhos. A criação me responde com sons perfeitos, que me enchem de alegria", compartilha.

Hoje, aos 45 anos, Zélia Brito comemora 15 anos como chefe da unidade de preservação ambiental do Atol das Rocas e afirma ter perdido a sua liberdade desde que pisou no Atol das Rocas pela primeira vez em 1981. Jovem e sem saber o que queria fazer em sua vida, Zélia sentiu, no momento em que chegou à ilhota, que sua relação de amor havia acabado de começar. Aos 19 anos, Zélia entrou naequipe de preservação ambiental do Atol e era coordenada pelo seu próprio pai que era superintendente no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal.

"Fiz sociologia e biologia duas vezes. Aliás, eu tentei terminar os cursos e não conseguia porque sempre reprovava por faltas. A paixão pelo atol me prendeu a ele, sou escrava das belezas naturais e da harmonia que eu só consegui encontrar por lá", realça. Segundo Zélia, a sua maior e melhor faculdade é o Atol das Rocas. "Onde eu poderia aprender e ter mais conhecimento senão junto de pesquisadores dos mais variados segmentos da biologia?", questiona. 

Luciano Huck subiu ao palco para entregar o troféu à "Zelinha"
Maurizélia Brito Silva  foi a 11ª premiada entre as 14 escolhidas de todo o Brasil

TRABALHO RECONHECIDO  NACIONALMENTE

A potiguar Zélia Brito, chefe da reserva Biológica do Atol das Rocas foi selecionada pela Revista Trip para receber o prêmio Transformadores 2011. Zélia foi escolhida por seu trabalho de 15 anos de preservação e fiscalização deste Atol que é o único do Oceano Atlântico Sul e que detém os títulos de área de proteção ambiental, de reserva biológica marinha e de patrimônio natural da humanidade, reconhecido pela Unesco.

Vários famosos prestigiaram entrega de prêmio promovido pela Trip

Na edição deste ano, foram escolhidas 14 pessoas de todo o Brasil, como o pesquisador Miguel Nicolelis e o casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo que já fazia parte da lista de finalistas do prêmio quando foram assassinados em março deste ano.

O Prêmio Trip Transformadores foi criado em 2007 para homenagear pessoas que pensam no coletivo e que fazem a diferença por acreditarem e agirem em prol de uma mudança para melhor em diferentes áreas. Na pequena ilha, Zélia desdobra-se, com voluntários, para fazer cumprir a proibição de pesca, disciplina que tem sido recompensada: às vezes passam-se meses sem que seja preciso furar as altas ondas a bordo do pequeno bote a motor disponível para afugentar algum barco pesqueiro.

Dentro do Atol das Rocas, a água é cor de gin tônica

Aos 40 dias de ilha sucedem outros 40 em Natal. Hora de costurar, em terra, os relacionamentos que garantem a continuidade dessa preservação. Conhecida de longa data de boa parte dos pescadores, Zélia procura ter sempre gente de confiança em todas as rodas. Ela sabe que, se uma crise apertar, um pescador pode ficar tentado a jogar suas redes no atol. Através dos amigos, Zélia pode saber com antecedência do perigo e alertar a guarda costeira.

 O Atol das Rocas é um santuário de vida marinha, 
o único, diga-se, do Atlântico Sul

PATRIMÔNIO NATURAL DA HUMANIDADE 

O Atol das Rocas está localizado a 144 milhas náuticas (270 km) de Natal, de onde sai o barco todos os meses para a troca da equipe que fica na ilha. A viagem dura cerca de 25 horas. Este é um local fundamental para o equilíbrio da vida marinha, por sua alta produtividade biológica e por ser zona de abrigo, alimentação e reprodução de diversas espécies de animais, como as tartarugas verdes e as de pente.
   
 
 Ninhal na Ilha do Farol

A ilhota também representa a maior colônia de aves tropicais do país. São cerca de 150 mil aves de 29 espécies distintas que utilizam a ilha como pouso para descanso e alimentação, reprodução ou moradia permanente. Antes que fosse implantado o sistema de revezamento de equipes de fiscalização, em 1991, era comum a presença de pescadores que causaram diversos danos ambientais no local. Hoje o atol só recebe visitas para fins de pesquisa e fiscalização. As condições de permanência são inóspitas. Água potável, por exemplo, só mesmo para beber e cozinhar.

estação científica da reserva

"Não existe nada melhor do que tomar aquele banho gostoso de mar e logo depois passar um creme hidratante. Sabe aquela sensação de pureza, de naturalidade? Acho que não sabe", brinca a pesquisadora. Zélia conta que no início de tudo o local era ainda mais inóspito. Hoje, a pequena equipe de pesquisadores se reveza de cinco em cinco na pequena e única casa existente na ilha. "Antes eram tendas, barracas do Exército, construídas sobre a areia. Não tínhamos a infraestrutura que temos hoje. Era quase um Survivor", enfatiza, em referência ao reality show americano.

Rastros de tartaruga-verde: evidência de uma subida à praia para a desova

A longa experiência no Atol das Rocas fez com que Zélia criasse vínculos inquebráveis com a natureza. O amor pelos animais é tão forte que a alegria de vê-los recuperados, quando encalham ou adoecem, é inexplicável. "Não tocamos nos animais, a não ser que eles precisem de ajuda humana. E quando precisam, damos até o nosso último limite de forças. É uma cooperação que conta com a vontade de viver dos animais", frisa.

Tartaruga-verde em naufrágio nos recifes externos do Atol

A pequena ilha de 5,5 km no meio do Oceano Atlântico esconde uma imensidão de vida. Tubarões nadam com os pesquisadores sem fazer mal nenhum, porque a vida está em equilíbrio no local. Ver a saúde do Atol das Rocas faz com que Zélia se aperceba de que o seu trabalho é útil, não apenas para a ilhota, mas para o equilíbrio natural do planeta Terra. "Só vivendo, vendo as cores, sentindo o clima e vendo os cheiros é possível entender o que estou falando. É uma loucura de amor", compartilha. 

The most beautiful places in Brazil  "Atol das Rocas-RN"

A BELEZA IN NATURA DO ATOL EM LIVRO

O livro ‘Atol das Rocas’ de Luciano Candisani – fotógrafo especializado em temas ambientais, mostra-nos toda a beleza desta bélissima reserva ecológica. O autor  enfrentou as duras condições de vida do Atol por mais de 25 dias ininterruptamente, tendo de adaptar-se as condições climáticas locais, a ausência de água doce, a falta de sombra, ao barulho incessante das aves, etc.   O Atol das Rocas é um pequeno arquipélago de duas ilhas que pertence ao estado do Rio Grande do Norte no Brasil....


...fonte...

...fotografia... 
Acervo Pessoal - Acervo Trip - Fernando Maciel -Luciano Candisani

...reflexão... 

 "A natureza criou o tapete sem fim que recobre a superfície da terra. Dentro da pelagem desse tapete vivem todos os animais, respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem."  
Monteiro Lobato

novembro 05, 2011

O ILUSTRADOR DE SONHOS

  WIL MINETTO
 Nascido em uma geração distante da era dos bolachões e das lendárias capas de discos, 
Design paulista - radicado em Natal - desponta como um dos mais talentosos criadores 
do mercado fonográfico brasileiro e disputado por uma gama de artistas nacionais

O ARTISTA POR TRÁS DAS CAPAS

Por
Yuno Silva

Nada mais verdadeiro que a máxima "filho de peixe, peixinho é" para traduzir a trajetória profissional do designer paulista Wil Minetto. Filho, sobrinho e primo de publicitários, Wil bem que tentou 'escapar' da área de comunicação visual ao cursar Informática no ensino médio e na universidade. Não teve jeito, a arte estava no sangue: influenciado pela família, sempre gostou de "rabiscar" em programas de computador que criam a manipulam imagens, e seu talento acabou servindo como bússola para a mudança de rumo.

Natural de Limeira, cidade do interior de São Paulo, o designer de 27 anos acabou vindo parar em Natal há três anos por pura obra do acaso - ou do destino: conheceu sua atual noiva pela internet e não pensou duas vezes antes de trocar o Sudeste pela capital potiguar. E foi aqui que as coisas começaram a acontecer com intensidade: trabalhando pela internet, longe do eixo Rio-São Paulo, Wil é responsável pelo designer de páginas eletrônicas e capas de discos de uma lista interminável de artistas conhecidos do grande público como Os Mutantes, Oswaldo Montenegro, Arnaldo Antunes, Paula Lima, Wanessa Camargo, Funk Como Le Gusta, Luciana Mello, Negra Li, Jair Oliveira, Edgard Scandurra,  Fernanda Porto, Mônica Agena (Natiruts), Leandro Lehart e Zé Geraldo.   

Imagem para shape, vencedora do concurso da operadora OI no final de 2008

"Em São Paulo, cheguei a atuar na área de informática, mas, quando passei a postar algumas imagens na internet, naquela época do fotolog, começaram a surgir alguns trabalhos. Acabei migrando naturalmente para o designer. Aliei trabalho e hobby", disse Minetto, que se aperfeiçoou no curso de Direção de Arte na Escola Belas Artes de São Paulo.

MySpace  para  Wanessa (Camargo) © 2009 -  Acesse :www.myspace.com/wanessacamargo

COMEÇO DA CARREIRA FOI NO MERCADO DO ROCK

Há cerca de seis anos, a arte de Wil ainda não tinha sido descoberta pelos famosos e seus trabalhos estavam mais ligados à publicidade e bandas de rock. "Tudo começou com uma banda de rock de Curitiba. Viram um desenho meu e perguntaram se eu fazia capas de disco. Disse: não, mas posso começar agora! Como também tocava, esse universo da música estava bem próximo, e a propaganda boca a boca acabou gerando novas indicações - uma coisa foi levando a outra", esclareceu.

Harlequin, uma das criações de Minetto que ele batizou de sonhos

Enquanto os contatos profissionais se multiplicavam pelo Sudeste, Wil conheceu a noiva natalense, com quem vai se casar em janeiro do próximo ano, e largou tudo para se arriscar por essas paragens. Em Natal, logo voltou a atuar na área publicitária (onde está até hoje, trabalhando com direção de arte na agência Mariz Comunicação Integrada). Até que "um belo dia recebo ligação da equipe de produção da Wanessa Camargo. Nem sei onde conseguiram meu contato, mas encomendaram uma capa de disco". Foi apenas a primeira de uma enxurrada que estava por vir.

Anúncio premiado (2º lugar) - Festival Publicitário de Limeira/SP
Criação/Redação: Wil Minetto e Rômulo Tavares

"Nesse mesmo período, da Wanessa Camargo, foram surgindo outros trabalhos nessa área - e cada vez mais. Natal trouxe muita sorte, pois estava em São Paulo, ali pertinho de tudo e de todos, mas as portas se abriram aqui", comemora. "Esses últimos três anos foram bem intensos", disse Wil Minetto, que para atender todas as demandas - como a criação da página eletrônica d'Os Mutantes por exemplo - arregimentou uma equipe de colaboradores virtuais em várias partes do Brasil. "Não vendo só a imagem, há um pacote completo de serviços, e como os projetos foram ficando cada vez maiores e mais complexos preferi manter o foco no design e na direção de arte", frisou.

 Jair Oliveira (Jairzinho) © 2010  - Acesse: www.myspace.com/jair.oliveira

Artista da geração Internet, Minetto mantém projetos à distância. O designer contou que o contato com os grandes artistas geralmente acontecem via telefone ou e-mail. "Uso muito a internet para tocar os projetos, inclusive para participar de reuniões virtuais com fotógrafos antes de alguns ensaios - que normalmente são feitos em outros estados". 

Dr3aM F4cTorY

Acostumado a lidar com gente de toda parte, o designer lembrou de algumas passagens interessantes sobre sua relação com os clientes famosos: "Esses dias recebi ligação da Fafá de Belém, mas o sinal do celular estava tão ruim que tive que desligar na cara dela umas duas vezes antes de entender do que de fato se tratava, foi surreal", recorda. "Trabalhar com o Sérgio Dias, d'Os Mutantes, foi uma grande satisfação. Cresci em outra época, sou fã deles, então considero um privilégio", afirma.

 Arte completa para o novo CD do Oswaldo Montenegro "De Passagem" © 2011

Além de lidar com a produção dos artistas, Minetto também conversa com os próprios: "Oswaldo Montenegro, Paula Lima  e Leandro Lehart me ligaram. Mas de todos esses, os únicos que conheci pessoalmente foram da trupe 'O Teatro Mágico', quando estiveram em Natal no começo de outubro", disse o paulista, que foi ontem ao show do Oswaldo Montenegro para, finalmente, conhecer o cliente famoso.  Pessoalmente.

 
Les Toréadors Hunters

DESENHOS VIRARAM TATOOS

Além de ilustrar capas de discos e  páginas eletrônicas, seus desenhos também se transformaram em tatuagens - algumas, inclusive, foram vendidas e/ou divulgadas nos Estados Unidos, Europa, Iraque e até no Kuwait. Também já foi destaque em revistas como Photoshop Creative e Computer Arts, e venceu concursos nacionais para Oi e Camiseteria, entre outros internacionais.


...fonte...
Yuno Silva
 
...visite...

novembro 03, 2011

GOOGLE MAPS NA CIDADE DO SOL

Ponte Newton Navarro - Natal/RN

  EQUIPE DO GOOGLE MAPS FOTOGRAFA NATAL E MOSSORÓ
 
Uma das maiores empresas do mundo, o Google continua expandindo seus mercados por todos os continentes do planeta. Uma equipe da empresa estadunidense, especificamente do Google Maps Street View está em Natal para fotografar as ruas e os principais pontos turísticos da capital potiguar. Na tarde desta quinta-feira (3), o carro  que produz essas imagens foi flagrado pela equipe de reportagem da Tribuna do Norte. O veículo trafegava na rua Apodi, no centro da cidade potiguar.

De acordo com a página oficial do do Google Maps, a cidade de Mossoró também está sendo fotografada pelos carros da empresa. Segundo o site, 69 cidades de 15 estados brasileiros estão sendo ou já foram visitadas pelos carros do Google Maps Street View.

Rio Potengi - Natal/RN
 
A Google, como muitos já sabem, filma as ruas e avenidas das maiores cidades do mundo, assim nós podemos vê-las em três dimensões no maps.google.com.br. Muitas já estão prontas, como é o caso de São Paulo. Clique aqui para passear na Avenida Paulista. A técnica é razoavelmente simples, um veículo equipado com várias câmeras, passa bem devagar e fotografa a frente, as laterais e as costas, registrando prédios, placas e tudo mais. Assim você pode passear pelas ruas utilizando o seu mouse. Natal já está sendo filmada. Portanto quem ver um carro estranho cheio de câmeras passando pela sua rua, não se espante. É a Google registrando cada metro da nossa cidade.

O Google Maps é um serviço oferecido pelo Google que trata da visualização de mapas e imagens feitas de salélites de toda a Terra. A ferramenta permite também que os usuários criem rotas e caminhos, funcionando como uma espécie de GPS. Caso o internauta queira encontrar uma determinada rua, por exemplo, o serviço mostrará um trajeto que o levará do ponto de partida cadastrado ao local desejado.

Entretanto, a maioria das cidades tem apenas imagens captadas por satélites de longa distância, o que gera um visualização menos eficaz. O Google, por sua vez, começou, há alguns anos, a visitar as principais cidades do mundo para explorar imagens que permitissem ao usuário se sentir realmente no local que ele pretende buscar na página.

Natal/RN
Esta cena não mais figurará no próximo Google Maps
 Ginásio e  Estádio darão lugares aos novos projetos  para a Copa do Mundo 2014
serão apenas eternas lembranças perpetuadas pelas lentes do fotógrafo  Canindé Soares
 
Dessa forma, cidades como Paris, Londres e São Paulo, por exemplo, já permitem que o internauta, ao acessar o site, tenha uma visualização panoâmica - 360 graus na horizontal e 290 na vertical - do local. Tudo o que está ao redor pode ser visto. Essa moderna ferramenta dá ao usuário a oportunidade de conhecer a rua como se ele estivesse de fato no local, pois capta a imagem do solo do local, e não de cima.

As fotos são feitas por carros - como os que estão circulando por Natal e Mossoró - e conseguem mostrar, além das ruas das cidades, lojas e até pessoas que passem no momento em que o equipamento do Google fotografar o ambiente.

O Google também disponibiliza para  empresários ou quem mais interessar, a marcação de suas lojas no Google Maps, além da possibilidade de cadastrá-las na página. Dessa maneira, quem clicar no endereço da loja, verá informações sobre o horário de funcionamento, entre outras coisas.

Natal e Mossoró entraram na rota dos carros do Google Maps Street View e devem ter sua informações e visualizações atualizadas no site num futuro próximo.

Carro do Google Maps em ação

 COMO FUNCIONA O CARRO DA GOOGLE MAPS

Na verdade ele não filma, mas tira fotos continuamente que juntas fecham 360° na horizontal e 270° na vertical. Com isto você pode ver desde o chão até o céu. Quando o projeto começou eram utilizadas 8 câmeras posicionadas na horizontal e 1 na vertical, atualmente são utilizadas 11 câmeras apontadas para as mais diversas direções.

As fotos somente são realizadas em dias com sol pleno, o que garante a boa qualidade, principalmente quanto à luminosidade, pois assim o usuário pode aproveitar melhor o recurso. Junto com as câmeras fotográficas tem o GPS que serve para marcar a localização de onde cada foto foi tirada, tudo naturalmente, sincronizado com a velocidade do carro.

A geolocalização serve para sobrepor as fotos ao mapa do maps.google.com.br. Dentro do carro fica um computador comum, mas com um disco rígido (HD) com grande capacidade de armazenamento. Após a visita a cada cidade, as fotos são enviadas para processamento.No processamento os detalhes fotografados são borrados, assim ninguém poderá ver o rosto das pessoas nem as placas dos veículos.

O início do projeto, aqui no Brasil, foi em 2010 e começou por Belo Horizonte, que é a cidade natal da Google no Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo por motivos óbvios. Naquela fase 30 veículos foram adaptados e percorreram aproximadamente 1 milhão de quilômetros nas regiões metropolitanas de BH, SP e RJ. Em Natal e Mossoró serão utilizadas câmeras mais modernas como as do segundo modelo, mas recoberta por uma capa protetora azul.


...fonte...

...fotografia...
Canindé soares
Jaime Batista da Silva 

novembro 01, 2011

MUITO ALÉM DO SAARA

 Um  passeio de dromedário nas dunas, divertimento e  fotos inesquecíveis 

MUITO ALÉM DO SAARA
FINALMENTE UMA ESQUINA QUE USA A PALAVRA "CÁFILA"

 Por
Cristina Tardáguila

O céu já estava escuro sobre o mar de Genipabu, no Rio Grande do Norte, quando Philippe Landry enterrou na areia a metade fumegante de um cigarro. Sem pressa, deixou a mesa da varanda e foi destrancar o portão que separa sua casa da praia mais badalada da região. Do lado de lá, serenos e pacientes, alinhados em perfeita formação, nove dromedários esperavam autorização para cruzar o quintal e seguir até o galpão onde pernoitariam. "Podem trazer os bichins", ordenou Landry com seu inverossímil sotaque franco-nordestino. Os funcionários começaram a tocar os bichos.

Desde 1998, Philippe Landry, um suíço de 53 anos, comanda a Dromedunas Turismo - "Nada contra o Saara, mas o nosso deserto é melhor" - e aluga camelos de uma só corcova a quem queira percorrer as dunas de Genipabu em passeios oníricos, telúricos, poéticos ou lúdicos - o aventureiro escolhe.

Landry lembra o ator Anthony Hopkins, em versão tropical, puxado para o magenta. Nascido numa vila gélida perto de Basileia, é medianamente grisalho, tem olhos azuis-claros e a pele ressecada de sol. Em 1991, ainda na Suíça, resolveu deixar de lado o trabalho de chef pâtissier - é especialista em pães, bolos e tortas - para dar uma volta ao mundo com a família. Quando aterrissou no Rio Grande do Norte, abortou o projeto, convencido de que o mundo podia se resumir a Genipabu.

A praia de Genipabu, situada a 10 km ao norte de Natal

Ali, na beira do mar, comprou uma casa de paredes azuis e se estabeleceu. Pouco depois, num dia de bebedeira, teve uma dessas ideias que só a expansão etílica é capaz de gestar: queria importar dromedários e oferecê-los para passeios turísticos ali mesmo, na frente de casa. Entre a ideia e a implantação da empresa, quase nada se passou.

"Esse é o Mário, meu bichin preferido", diz o empreendedor das dunas, alisando o pescoço marcado a ferro de um dromedário baio de mais de 2 metros de altura e algo como meia tonelada. "Ele é muito bonzinho. Deve ter uns 50 anos e já carregou peso na África, na Espanha. Não dá trabalho. Se comportou direitinho na viagem para cá e até hoje obedece aos comandos de voz."

Eles viajaram juntos há doze anos, quando Landry comprou seus seis primeiros dromedários. A bordo de um avião da Iberia, a comitiva saiu de Las Palmas, nas Ilhas Canárias - onde é corriqueiro o aluguel de camelídeos para passeios nas praias -, fez baldeação em Madri e desembarcou no Rio de Janeiro, onde Landry descobriu um caminhoneiro gaúcho suficientemente intrépido para conduzir seis gigantes ao longo de 2 625 quilômetros de estradas brasileiras. Nascidos para a vida rude, todos os dromedários chegaram bem.

Em Genipabu ou você usa um bugue ou um dromedário
...andando a pé não vai ficar

No galpão onde eles passam a noite, Landry manda soltá-los. "Tóx!", grita um funcionário. No mesmo instante, Mário, antes de todos, dobra as patas e se deita. Nem o patrão nem os empregados sabem ao certo de onde veio o comando ou como é escrito, mas o fato é que funciona. Do chão, o dromedário acompanha a conversa com ar meio ansioso. Quer se ver livre da sela de dois lugares que leva nas costas há quase doze horas. Para retirá-la é preciso mobilizar dois homens - são mais de 60 quilos.

O batente começa cedo e acaba tarde na Dromedunas. Landry acorda às cinco da manhã. Depois de se inteirar com o vigia sobre como transcorreu a noite, ele ajuda na selagem e na alimentação dos dromedários, que estarão no topo das dunas por volta das 7h30 e de lá não retornarão antes das 18h30. Todos os dias, com chuva ou com sol. "No começo, eu mesmo gerenciava tudo lá na duna, mas estou ficando velho e não é fácil trabalhar de sol a sol", diz Landry.

"Além disso, cansa essa história de achar um jeito delicado de dizer à pessoa que ela é gorda demais para o dromedário." Enquanto fala, ele vai enchendo de ração o cocho do órfão Raji, o caçula. "De uns tempos para cá", continua, "estou poupando o Mário, que está velhinho. É maldade fazer ele carregar turistas que pesam mais de 100 quilos." Segundo o site da Dromedunas, cada dromedário pode levar até 500 quilos. Dois adultos ou quatro crianças é o limite autorizado pela empresa.

Os dromedários  chegam a dois metros de altura e a pesar até 500 kg

Todo mês Landry compra uma tonelada e meia de feno e outro tanto de ração bovina. Em época de custos veterinários explosivos, ele é cauteloso e está em dia com o plano de saúde que fez para cada um dos seus ruminantes. Entre alimentação e saúde, a cáfila consome 5 mil reais por mês.


As águas da praia de Genipabu são mornas, calmas e limpas

O faturamento diário médio da Dromedunas é de 1 500 reais, com picos em janeiro e julho. Cada dromedário faz de cinco a dez passeios por dia. São trajetos de 700 metros percorridos em não mais de vinte minutos, com direito a três paradas para fotos. O bicho não reclama de nada. O aluguel de um dromedário full, ou seja, com os dois assentos ocupados, sai por 60 reais. Aceitam-se cartões de crédito. Curiosamente, a burocracia enquadrou a empresa no sindicato de hotéis, bares e restaurantes. Do lado trabalhista, ainda não existe no país uma organização que defenda os interesses dos guias de dromedário.

Mário, finalmente sem a sela na corcova, recebe agora a sua cota de feno e ração, e depois de ganhar um último afago de Landry, ouve quando o dono se despede de todos - empregados e dromedários - desejando-lhes uma boa noite. Desde 2001, nasce quase um dromedário por ano no galpão. Já são nove os potiguares: Ali, Said, Aquim, José, Hani, Moisés, Jade, Sherazade e Raji. Candelária ii está prenhe novamente.

De volta à sua varanda, Landry seca o suor da testa com a ponta da camisa e acende outro cigarro. Fica em silêncio até a segunda baforada. Aí, com os olhos fixos no mar, diz em voz muito baixa: "Isso daqui não parece, mas é uma grande empresa."

...fonte...
http://www.revistapiaui.com

...fotografia...
 Angelo Cabral
Setur
Ney Douglas
Y. Masset

outubro 29, 2011

BAR ROBERTO CARLOS... CONHECE?

 Francisco de Assis ou simplesmente "Chico Popular"
dono de um bar  idealizado para ser um tributo ao Rei Roberto Carlos
 
TUDO AZUL, BICHO
PAIXÕES BROTAM E CORAÇÕES SE DESPEDEÇAM NO TEMPLO DO REI
 
Por
Bernardo Esteves

É noite em Natal/RN. Numa casa de esquina do bairro Dix-Sept Rosado, na região central da capital potiguar, um casal bebe cerveja em silêncio, sem conseguir se encarar. Ao fim da garrafa, o homem se levanta, vai ao balcão e traz mais uma. Aproveita para pedir também uma música. Volta à mesa coberta por uma toalha azul e branca ao som dos primeiros versos entoados por Roberto Carlos: “Ah, eu vim aqui amor/ Só pra me despedir/ E as últimas palavras/ Desse nosso amor/ Você vai ter que ouvir.”

Antes que a canção chegasse à segunda estrofe, os dois já estavam aos prantos, nos ombros um do outro. Atracados, soluçando, continuaram a ouvir o réquiem daquele romance. Terminaram a cerveja como puderam. Ao final, enxugaram as lágrimas e se despediram com um longo abraço. Foram cada um para seu lado: era o fim.

De Tanto Amor, balada romântica de 1971, era a trilha sonora apropriada para afagar aquela despedida. Afinal, a história de amor tivera início oito anos antes, naquele mesmo bar, também ao som do Rei. Estranho seria se fosse diferente: não se ouve outra música nas caixas de som de O Popular – bar temático dedicado ao filho mais ilustre de Cachoeiro do Itapemirim.

A exemplo do casal que elegeu o bar para se despedir, outros fregueses também podem pedir músicas de Roberto Carlos. A casa se compromete a dispensar do pagamento da conta quem solicitar uma canção que não esteja disponível para execução – desde que ela figure nos 56 álbuns e oito compactos lançados no Brasil desde 1959 pelo cantor e compositor capixaba.

A profusão de fotos e discos pendurados na parede e a onipresença da cor azul do bar refletem a paixão do dono, Francisco de Assis Silva – ou Chico Popular, alcunha que esse ex-motorista de ônibus emprestou ao estabelecimento (embora os clientes teimem em chamar o local de Bar Roberto Carlos).

Corria o ano de 1994 quando Chico inaugurou um boteco de esquina na avenida Amintas Barros. Certo dia, inspirado pela coleção de LPs do Rei expostos na prateleira, um cliente pediu para ouvir Cavalgada. Foi prontamente atendido. Enquanto parte da freguesia estranhou o arroubo romântico e foi beber alhures, muitos gostaram e se tornaram habitués. Desde então O Popular consolidou-se como referência regional para os súditos do cantor.

Et pour cause. Já no cardápio, as opções oferecidas ao freguês são alusivas a sucessos do Rei. Os refrigerantes estão reunidos sob a rubrica “Guerra dos meninos”; quem quiser uma porção de iscas de frango deve procurar na seção “Pássaro ferido”; os pastéis – quitute mais tradicional da casa – vêm sob o temerário nome de “Emoções”. E os banheiros, que ficam do lado de fora, estão indicados pelas placas “Amiga” e “Amigo”.

Como O Popular também abriga o fã-clube Luz Divina, fundado em 1998 (pelas contas de Chico, teria quase 3 mil sócios), a vasta memorabilia associada ao Rei e mantida pela agremiação dá o tom da decoração da casa. Entre as peças mais valorizadas do acervo estão os primeiros compactos e o LP de estreia (Louco por Você, de 1961), discos renegados por Roberto. Também pode ser admirada uma conta de luz da residência em que nasceu o ídolo, ainda no nome de seu Robertino Braga, finado marido de Lady Laura (a casa foi tombada em 2009 como patrimônio histórico e artístico do Espírito Santo).

O dono do bar também guarda cópias da identidade, do CPF e do certificado de dispensa do serviço militar de Roberto Carlos. Uma pergunta sobre se o Rei fora poupado de servir à pátria – por conta do acidente na infância que lhe custou parte da perna direita – basta para turvar o bom humor de Chico Popular. “Roberto não gosta que falemos da vida pessoal dele”, sentencia de forma seca, antes de mudar de assunto.

Chico ganhou intimidade com a música do Rei na juventude, ao aproveitar as letras das canções em cartas de amor para uma namorada. Não tardou para o interesse se converter em idolatria. Hoje, aos 55 anos, sua devoção beira o transtorno obsessivo-compulsivo. O fã não ouve músicas de outros artistas. “Não tenho coragem, por medo de ser infiel a ele”, admite.

Aos domingos, quando o bar fecha, Chico se recolhe em casa e se dedica a... ouvir os discos de Roberto Carlos. “Aproveito para apreciar com calma, escolhendo as canções que os clientes não estão acostumados a pedir”, esclarece.

O calendário do bar tem duas datas especiais, celebradas com pompa e circunstância. Uma é o aniversário de Roberto Carlos, em 19 de abril; a outra é o especial natalino que o Rei comanda todo ano na televisão. Nas duas ocasiões, Chico manda fechar o quarteirão do bar e instala telões para conforto da audiência. No último Natal, celebrado com um show em Copacabana, ele incrementou a festa com um videoquê – exclusivo para a interpretação de músicas do Rei. Mas a ideia não vingou. “Não apareceu ninguém”, lamenta Chico. “O pessoal ficou prestando atenção só nos telões.”

Este ano, dia 19 de abril, Roberto completou 70 anos e o bar não deixou a data passar em branco. Chico Popular reuniu  todos os clientes presentes ao bar e pediu para cantar os parabéns em homenagem ao rei. Chico - que estava com uma camisa comemorativa aos 70 anos - ainda fez questão de levar um bolo à festa, de cobertura azul - como não poderia deixar de ser - e distribuiu uma fatia para cada cliente.

O ano passado, uma semana antes do especial de 2010, Roberto Carlos fez show em Natal – foi o 18º assistido por Chico Popular. Ao fim da apresentação, o fã potiguar número 1 foi ao camarim tirar mais uma foto ao lado do ídolo – que já o reconhece a essa altura do campeonato. “Como é que anda o nosso bar, bicho?”, quis saber o cantor. Mas ainda não foi dessa vez que o Rei visitou "O Popular".
 
 

...fonte...