dezembro 13, 2011

UM OLHAR SOBRE OS MANGUES POTIGUARES

 Fernando Chiriboga

FOTOGRAFIA

O fotógrafo equatoriano radicado em Natal - Fernando Chiriboga - lança o seu livro de fotografias intitulado "Mangues Potiguares: Vida e Maré", neste sábado, 17 de dezembro,  na Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall,  das 18h:00 às 22h:00.

Neste livro, Fernando Chiriboga retrata áreas ainda preservadas do manguezal potiguar. A beleza dos locais fotografados surpreende e emociona. E é essa a sua intenção: emocionar, revelar, sensibilizar, ressaltar a importância da preservação dos bosques de mangues remanescentes enquanto ainda há tempo.

Nascido em Quito, nos Andes equatorianos, Fernando Chiriboga reside no Brasil desde 1985. Fotógrafo, designer gráfico e artista plástico, ao longo de sua carreira têm conquistado vários prêmios. Apaixonado por fotografia de natureza, aventura e paisagens urbanas. Já lançou "Luzes da Cidade", seu quinto livro,  “Matas Potiguares – Natureza e Surrealismo”, “Praias e Dunas – Rio Grande do Norte”, “Seridó – Paisagens de um Sertão Encantado” e “De Ondas e Ventos – Potiguares na imensidão do mar”.

 Rio da Casqueira - Macau/RN

MANGUES POTIGUARES
Vida e Marés

Por
José Roberto Bezerra de Medeiros

No ano em que celebra 50 anos de desenvolvimento das atividades de distribuição de energia elétrica no Estado do Rio Grande do Norte, a COSERN, alinhada às diretrizes de responsabilidade socioambiental e à política de sustentabilidade adotada pelo Grupo Neoenergia, ao patrocinar este projeto através da Lei Estadual Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura busca incentivar a preservação da rica biodiversidade potiguar.

Os mangues do extenso e belo litoral do Rio Grande do Norte, captados pelas experientes lentes de Fernando Chiriboga, são apresentados em seu esplendor nesta obra. As belas imagens, enriquecidas com informações sobre espécies da flora e da fauna nativas, tornam Mangues Potiguares – Vida e Marés uma obra essencial. Paisagens esplendorosas, reveladas sob diversos ângulos, mostram as riquezas da biodiversidade e do ecossistema de zonas estuarinas potiguares como Curimataú-Cunhaú, Potengi, Ceará–Mirim, Nísia Floresta- Papeba-Guaraíra, Apodi-Mossoró, Açu e Guamaré-Galinhos.

Por meio desta obra, convidamos os leitores a conhecerem aspectos relevantes dos belíssimos manguezais potiguares, estimulando-os na formação de uma consciência de preservação ambiental tão necessária nos dias atuais.                                                      

 
 Aratus

O MANGUEZAL E SEUS SORTILÉGIOS

Por
Dorian Gray Caldas

Temos agora, do artista, fotógrafo, documentador Fernando Chiriboga, mais uma obra de arte, mais um livro que enriquece o patrimônio dos nossos registros culturais e artísticos: o manguezal. “Verde que te quero verde”. Compacto e complexo com a sua biodiversidade natural, de indescritíveis atalhos, galharias densas, fauna e flora próprias da sua natureza marinha, nas reservas que proporcionam as vidas obscuras dos seus usuários: moluscos, caranguejos, peixes, camarões. O sustento e a sobrevivência, o social e o comércio na reserva do seu criatório.

Fernando Chiriboga, com sua larga competência, registra, documenta, revela e enobrece esta biosfera marítima com seus ensaios fotográficos, com seu olho de poeta à semelhança de Saint-John Perse, o escritor do mar. Fernando Chiriboga conhece os sortilégios marinhos da nossa costa atlântica: Curimataú, Cunhaú, Potengi, Papeba, Guaraíra, Apodí, Guamaré, Galinhos. A vida de nossas marés. 

A seleção de fotos buscou retratar prioritariamente as áreas 
ainda preservadas do manguezal potiguar

Fernando Chiriboga, com a sensibilidade que Deus lhe deu, fez também a redescoberta de nossas matas potiguares, seus encantos e complexidades, o Seridó e o Sertão de outros tempos e outros ancestrais, que nos olham do retrato. “Como dói”. As ondas e os ventos, as caiçaras dos rios gerais. Sítios arqueológicos, inscrições rupestres, a mão dos nossos antepassados, presença humana apontando para o futuro, o sangue ingênito da seta do guerreiro, a vida virtual que veio de longe, como um registro de aviso do Eclesiastes; a temporalidade humana.

Esse andino de voos altos, asas de albatroz, faz o difícil resgate, vontadoso e independente, viajando e interagindo, documentando e redescobrindo velhas tradições de nossas particularíssimas idiossincrasias. Margeando nosso litoral, diante destes jardins de manguezais do Atlântico nos permite a certeza da permanente eleição do seu talento.                                                                                
                                                                         
 Garça-branca

 É PRECISO PROTEGÊ-LOS, RESPEITÁ-LOS, PRESERVÁ-LOS 

Por
Leila Medeiros de Chiriboga

Mangues. Árvores da família das rizoforáceas que compõem a vegetação natural da floresta de manguezal, nativas de regiões tropicais das Américas, da África e da Ásia, em áreas alagadas pelas marés. Em suas copas, muitas espécies de aves nidificam, procriam, alimentam-se, descansam. São garças, socós, martins-pescadores, bem-te-vis, maçaricos...  

As árvores de mangue ocupam os ambientes aquáticos costeiros de estuários, lagoas e lagos, nas faixas entre marés, e determinam uma dinâmica de fixação de sedimentos com alto percentual de matéria orgânica. O manguezal é, portanto, uma comunidade altamente produtiva, um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta, onde se aloja um grande número de espécies de seres vivos. Considerado berçário da vida marinha, esse bioma de incomparável beleza é um verdadeiro santuário ecológico para a reprodução de centenas de espécies de vida aquática. O manguezal garante-lhes alimento, proteção, condições de reprodução e crescimento, e é fonte de subsistência para inúmeras famílias de pescadores e marisqueiros, que catam espécies como caranguejos, sururus, siris, ostras e aratus. Os mangues contribuem para a sobrevivência de répteis e mamíferos, muitos deles integrantes das listas de espécies ameaçadas de extinção.

No Brasil, em toda a sua extensão, do Amapá a Santa Catarina, o manguezal constitui Área de Preservação Permanente (APP). Em solo brasileiro encontra-se a segunda maior área de mangue do mundo. Oitenta por cento estão no Nordeste. Contudo, apesar de protegido por lei, o ecossistema manguezal vem sendo devastado. Nos últimos anos, os manguezais brasileiros têm diminuído de forma significativa e alarmante.

 Mangue Canoé - Rio Ceará-Mirim

Ao longo do litoral potiguar, as florestas de manguezal distribuem-se em sete principais zonas estuarinas: Curimataú/Cunhaú, Nísia Floresta/Papeba/Guaraíra, Potengi, Ceará-Mirim, Guamaré/Galinhos, Açu e Apodi/Mossoró, além dos estuários pequenos como os dos rios Maxaranguape, Pirangi, Catu, Jundiaí, Guarapes e Camaragibe.

O Rio Grande do Norte é um dos estados do Nordeste com o maior índice de destruição desse bioma de valor inestimável. Os principais impactos ambientais identificados estão relacionados ao desmatamento dos mangues, à poluição dos estuários e lagoas e às atividades econômicas desenvolvidas na região. É certo que tais atividades são muito importantes para a economia e o desenvolvimento locais, pois são geradoras de emprego e renda. Mas é imprescindível que sejam realizadas de forma responsável, através de tecnologias sustentáveis, que garantam a preservação e a qualidade dos recursos ambientais, sendo também necessário que se promova a revitalização das áreas já degradadas.

Neste livro, Fernando Chiriboga busca retratar prioritariamente áreas ainda preservadas do manguezal potiguar. A beleza dos locais fotografados surpreende e emociona. E é essa a sua intenção: emocionar, revelar, sensibilizar, ressaltar a importância da preservação dos bosques de mangues remanescentes enquanto ainda há tempo.

Em sua riquíssima biodiversidade, os mangues nos dão vida, sustento, equilíbrio. Em justo reconhecimento, precisamos protegê-los, respeitá-los, preservá-los. Pelo bem de nós mesmos.

...fonte...
 MANGUES POTIGUARES
VIDAS E MARÉS
José Roberto Bezerra de Medeiros
Diretor-Presidente da COSERN
 O MANGUEZAL E SEUS SORTILÉGIOS
Dorian Gray Caldas
 É PRECISO PROTEGÊ-LOS, RESPEITÁ-LOS, PRESERVÁ-LOS
Leila Medeiros de Chiriboga

...fotografias...
Fernando Chiriboga

...serviço... 
 Lançamento livro de fotografias
 MANGUES POTIGUARES
VIDA E MARÉS
 17.DEZEMBRO.2011
18h às 22h
 Livraria Siciliano - Shopping Midway Mall

dezembro 07, 2011

TALENTO POTIGUAR RECONHECIDO NOS EUA

RASMUSSEN XIMENES

TALENTO RECONHECIDO
PROJETO MOCO CONCORRE A PRÊMIO AMERICANO

 Por
Diógenes Dantas

Você já imaginou entrar para o hall da fama, ganhar um prêmio internacional e conquistar o reconhecimento do público neste mundo globalizado? Sonhar com tapete vermelho hollywoodiano e todos os flashes de um evento desse tipo é coisa para poucos. Rasmussen Sá Ximenes, 40 anos, artista plástico natural de Currais Novos (RN), criador da Arte Mocó, está concorrendo ao Brazilian International Press Awards, nos Estados Unidos, uma das mais relevantes celebrações da cultura brasileira no âmbito internacional.

O evento homenageia as personalidades, instituições e iniciativas comprometidos com a promoção artística, cultural e imagem positiva do Brasil. Gente importante como Jorge Bem Jor, Ivete Sangalo, Lima Duarte, Antônio Fagundes, Regina Duarte, João Ubaldo Ribeiro, Luís Fernando Veríssimo, Glória Maria, Caco Barcelos, Washington Olivetto, Maurício de Sousa, Emerson Fittipaldi, o ex-lutador de box, Acelino Popó Freitas e a ex-jogadora de basquete, Hortência Macari, já foram agraciados com o troféu do Brazilian International Press Awards.

O seridoense Rasmussen Ximenes concorre na categoria de artes visuais, mas a premiação abrange a dança, a música, o esporte e ações comunitárias. "O que mais me orgulha foi ter sido selecionado por indicação de jornalistas da Califórnia que conheceram o projeto de arte Mocó e se tornaram admiradores do nosso trabalho. Eu não me inscrevi em nada. Fui descoberto", comemora Rasmussen.

 "Eu não me inscrevi em nada. Fui descoberto"

ETAPAS DO PRÊMIO

O processo de indicações e premiação do PRESS AWARDS envolve quatro etapas: A primeira é aberta ao público em geral através da Internet e já começou desde o último dia 5. Até 25 de janeiro, serão recebidas centenas de sugestões de indicados através do site oficial http://www.pressaward.com/votacao/.

Com base nessas sugestões, o Board do Press Awards elabora a lista dos pré-indicados, que vão a voto popular pelo site oficial. Este voto define os indicados em cada categoria.

Em seguida, o Colégio Eleitoral, formado por representantes das mídias, lideranças e representantes de entidades culturais e comunitárias brasileiras de cada região escolhe, entre os indicados, os ganhadores da temporada. Os vencedores recebem o troféu "Newspaper Boy" (Jornaleiro) criado pelos artistas Romero Luis (estatueta) e Arthur Moreira (base).

As cerimônias de premiação do Press Awards-USA 2012 estão marcadas para os dias 4 de maio (Imprensa & Publicidade, no Cinema Paradiso, e 5 de maio (Arte, Cultura & Comunidade), no Amaturo Theater/Broward Center, em Miami.

A iniciativa da Associação Brasileira de Imprensa Internacional conta com o apoio de empresas brasileiras como a TAM, Banco do Brasil e Rede Globo Internacional. Além de Miami (EUA), o evento realiza edições em Londres (Reino Unido) e Tokyo (Japão).

"Eu estou muito feliz por ter sido indicado para participar do prêmio. E vou ficar mais feliz ainda se a galera votar na arte Mocó (risos). Já imaginou se eu ganhar?", indagou Rasmussen confiante.

  "Procuro sempre o contraste com as cores primárias"

UM ARTISTA POTIGUAR  ENCANTA  A CALIFÓRNIA

Por
Carla Cruz

Um Curraisnovense, com um nome arábico e residente nos Estados Unidos. Dessa mistura de culturas e influências nasceram a arte e a personalidade de Rasmussen Sá Ximenes. Aos 40 anos, o potiguar radicado na Califórnia transformou as telas e a tinta acrílica no mais fiel retrato do dia-a-dia das famílias americanas, o qual descreve como um “estilo de vida curioso e extremamente consumista”. Com influências de várias partes do mundo, o artista potiguar está encantando aos americanos com seus traços e cores fortes. Mocoh e Glorinha Távora idealizaram  uma exposição no Consulado do Brasil em San Francisco.

Em meio aos vinhedos de Sonoma, onde encontra inspiração para seus quadros, Mocoh (como assina suas obras e como o chamaremos) tem encantado aos norte-americanos com as cores vivas, que não negam suas origens tropicanas. “Minha relação com as tinhas é muito simplória. Procuro sempre o contraste com as cores primárias. Acho que foi exatamente esta simplicidade que seduziu os americanos”, destacou em entrevista especial ao portal Nominuto.com.

Uma olhada rápida para se perceber a grandiosidade do trabalho de Mocoh

Admirador pleno da beleza e da harmonia, Mocoh encanta com seus sentimentos, reproduzindo-os em cenas do cotidiano e fazendo uma fusão de culturas entre as Américas. Suas obras também denunciam o passado nômade, herdade pelo pai minerador. Mesmo sendo filho e neto de professoras, não foi um aluno exemplar, o que não impediu que mais tarde nascesse o artista inovador, livre de todas as regras “normalistas”.

Atualmente, o artista desenvolve uma série intitulada “Mesas”. Nela, expõe resquícios de uma outra paixão que cultiva: a culinária. A ideia, segundo ele, é retratar o cotidiano dos americanos em personagens com características da arte nordestina. “Neste trabalho, utilizo a aplicação de pasta sintética em tela, rabisco com carvão e tudo começa a se harmonizar com muita tinta acrílica”, descreveu. Falando assim, parece simples, mas basta uma olhada rápida para se perceber a grandiosidade do trabalho de Mocoh e o capricho nos detalhes.

 Glorinha Távora, a quem Mocoh se refere, é sua conterrânea e atual curadora

No entanto, apesar da desenvoltura com as tintas, suas habilidades pictóricas são relativamente recentes. Tudo começou há cerca de 10 anos, quando morava em Brasília. Lá, Mocoh viveu uma fase de muita produção. Na época, realizava trabalhos com tinta guache em cartolina e que hoje estão espalhados por São Paulo, Brasília e Natal. “Nasci artista, mas as habilidades pictóricas estiveram um bom tempo introspectas, pelo menos até Glorinha Tavora, a potiguar mais cosmopolita que conheço, introduzir meus trabalhos nos crivos dos críticos de arte de San Francisco”, comentou.

Glorinha Távora, a quem Mocoh se refere, é sua conterrânea e atual curadora. Foi ela a responsável por projetar seu trabalho em San Francisco e tem participado ativamente do processo de produção. “Aqui, tive contato com as obras de Henri Matisse, e isso me inspirou. Mas, passei a conhecer arte de verdade e de qualidade nos anos que vivi em Brasília, quando Sávio e Dodora Hackradt me deram todo suporte”, revelou o artista curraisnovense.

Momento único: Flávio Freitas e Rasmussen Sá Ximenes - San Francisco - CA

Hoje, Mocoh dedica todo o seu tempo à pintura, mas Rasmussen é também cozinheiro profissional e já comandou as panelas de alguns restaurantes americanos, inclusive com bandeira francesa. Para o futuro, seus planos estão todos ligados à pintura. A primeira exposição do artista aconteceu  no Consulado do Brasil em San Francisco. "Meus planos para o futuro são de divulgar meu trabalho, crescer e aprender novas técnicas. Poder criar com mais liberdade e espaço. Tudo até agora tem acontecido de maneira espontânea", comemorou o artista.

Mocoh também não descarta uma volta ao Brasil. “Tenho sangue nômade, herdado pelo meu pai, e muita disposição para percorrer o mundo. Mas, penso sim em me aquietar no Seridó, minha grande paixão e parte das minhas inspirações”, completou. Essa é a arte de Mocoh, que longe de ser um artista impressionista, impressiona, expondo seu lado expressionista e encantando pela ingenuidade de seus traços e personagens de fisionomias austeras.

...fonte...
Diógenes dantas
Carla Cruz  
www.nominuto.com  &   www.nominuto.com
 
Não deixem de votar e prestigiar! Basta acessar o link adiante,viu?
www.pressaward.com/votacao
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Divulgação

dezembro 06, 2011

O PONTO DE VISTA DE BRITO E SILVA

 JOSÉ BRITO E SILVA
Colaborador das Revistas Palumbo, Papangu e TV União, Além de diversos sites e blogs

 BRITO E SILVA
CARICATURAS DE POTIGUARES EM EXPOSIÇÃO

Por
Sérgio Vilar

O cartunista e desenhista Brito e Silva inaugurou nesta quarta-feira, 7, em Natal/RN, a primeira exposição "totalmente virtual", no Salão Nobre da Assembleia Legislativa e ficará aberta à visitação pública até 16 de dezembro, das 8h às 15h. A exposição se ancorou na sugestão de webleitores do  site em que Brito publica diariamente seus trabalhos: cartuns, tirinhas, charges estáticas, charges animadas e caricaturas de políticos e figuras da geografia humana do Rio Grande do Norte.

POLÍTICOS DO RN
Governadora  Rosalba Ciarlini - DEM, Senador  Garibaldi Alves - PMDB
Senador  Paulo Davim - PV, Sernador  José Agripino - DEM 

Brito encontrou uma maneira prática e moderna de exposição. Ele desenha no papel, escaneia o desenho, joga no ambiente virtual e trabalha o desenho a partir de programas específicos onde inclui cor, volume e outros adereços à caricatura. E o comprador recebe a arte em CD para fazer o que quiser com o desenho: colocar em camisa, boné, tela de computador ou mesmo o tradicional quadro. As caricaturas de Brito estarão expostas em TVs de LCD. E quem desejar, pode levar sua fotografia para Brito fazer a caricatura e negociar seu preço.

"A insistência e o incentivo dos leitores nos fez pensar em uma exposição que fugisse do tradicional e aportasse diretamente no ambiente virtual. Apesar do trabalho começar com desenhos em grafite sobre papel, coberto com caneta nanquim 0,5 o processo tradicional se exaure, e a partir de então todas as ferramentas utilizadas serão totalmente digitais, até a finalização da caricatura: por isso uma exposição virtual", comenta.  


 POLÍTICOS DO RN
Felipe Maia - Deputado Federal - DEM,  Hermano Morais - Deputado Estadual -  PMDB 
Fábio Faria - Deputado Federal - PMN,  Fernando Mineiro -  Deputado Estadual - PT 

Brito começou a trabalhar como cartunista em 1979 no departamento de arte e diagramação do Jornal Gazeta do Oeste e Astecam. Nos início dos anos 80 migrou para Natal, onde atuou na RN Econômico, Cooperativa dos Jornalistas de Natal, jornal Dois Pontos, jornal Salário Mínimo, entre outros. Publicou no Pasquim, Tribuna da Imprensa e Tribuna Operária. Também nos anos 1980, juntamente com o cartunista Laércio Eugênio Cavalcanti e Jackson Cassiano, fundou a TABEFE, revista de charges e cartuns.

No final da década de 80 foi para Rio Branco-AC, dirigir o departamento de arte ecenografia da Tv e Jornal Rio Branco (AC). De volta a Mossoró, em 1992, trabalhou nos jornais O Mossoroense e Gazeta do Oeste. Em 95, fundou a Bn Propaganda e posteriormente Brito Propaganda. Atualmente, colabora com as revistas Papangu e TV União, além de diversos sites e blogs. 

CHARGE

É  um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar, por meio de uma caricatura, algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas. As charges foram criadas no princípio do século XIX (dezenove), por pessoas opostas a governos ou críticos políticos que queriam se expressar de forma jamais apresentada, inusitada. Foram reprimidos por governos (principalmente impérios), porém ganharam  grande popularidade com a população, fato que acarretou sua existência até os tempos de hoje.


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Sérgio Vilar

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dezembro 04, 2011

O CANTO LIVRE DE VALÉRIA OLIVEIRA

 "Valéria transcende fronteiras, pois o que ela faz é música, simplesmente"

VALÉRIA OLIVEIRA

Por
Cleo Lima & Yuno Silva

Valéria Silva de Oliveira, filha das Rocas. Filha do sol, do sal, da terra. Voz doce de ouvir. Caçula de seis filhos, Valéria sempre gostou das cantorias entre amigos. Sorte deles. Ainda assim, tenros anos, seguiu os passos da “normalidade” e cursou engenharia civil na UFRN. A voz, ela só emprestava informalmente, fosse cantando no programa do radialista Martins Filho, na Rádio Cabugi AM, fosse nas intermináveis rodas de violão… Isso eram fins dos anos 80.

Quando a década virou, a vida foi junto. Com o fim do curso, diploma de engenheira recebido, Valéria se percebeu danada no violão e no ouvido, o que a fez levar a música realmente a sério.

Valéria Oliveira mergulhou de cabeça no universo da música em 1986, quando foi convidada por Martins Filho, então locutor do programa "Show da Cidade" (Cabugi AM), para se apresentar no rádio ao lado do irmão mais velho e de uma prima. "Fazíamos o programa como se estivessem numa mesa de um bar", lembra Valéria. "A partir daí comecei a fazer abertura de alguns shows na antiga casa da Música Popular Brasileira, que ficava ali na Praia do Meio. Foi lá, inclusive, que eu vi Pedro Mendes cantar pela primeira vez", recorda a cantora.

 Em show  em Tokio, Valéria conheceu o produtor musical
Kazuo Yoshida e a parceria rendeu três álbuns lançados no arquipélago

Em seguida, passou a participar de Festivais e a tocar no circuito de bares: do pioneiro Bora-Bora, em Ponta Negra, passando pelos saudosos Bar do Buraco, Bodega da Praça, Antes e Depois, Sol e Lua, até o Blackout, na Ribeira.

A consolidação da carreira como intérprete viria no início dos anos noventa, quando aceitou o desafio para estrelar a primeira edição do Projeto Seis & Meia. Sua experiência internacional começou no início dos anos 2000, do outro lado do mundo, quando embarcou para o Japão com voz e violão na bagagem e uma série de cinco shows pré-agendados - turnê que saltou para 15 apresentações e rendeu parceria com o produtor musical e baterista Kazuo Yoshida, com quem gravou disco homônimo em 2001. Ou seja, tanto faz ser em Natal, São Paulo ou Japão, o trabalho de Valéria transcende fronteiras, pois o que ela faz é música, simplesmente.

Em 97 lançou o primeiro disco, “Impressões”, um trabalho recheado de compositores potiguares, como Pedro Mendes, Babal e Galvão Filho. Essa, por sinal, é a tônica que rege o trabalho de Valéria Oliveira até hoje - a valorização do artista da terra. Dois anos após o lançamento de “Impressões”, resolve largar a carreira na engenharia e se dedicar exclusivamente aos acordes, decisão que se mostrou mais que acertada. Vieram mais discos, vieram as turnês de sucesso pelo Brasil e pelo mundo - Suíça, Estados Unidos e Japão, onde conheceu o produtor Kazuo Yoshida, parceiro musical até hoje e figura de extrema importância em sua carreira.

O álbum “No Ar”, seu mais recente trabalho,
já passou pelo palco do Teatro Riachuelo/Natal, Mossoró e Pipa

Em “Leve só as pedras” (2007) a artista deixa fluir a veia da composição. Com repertório quase que exclusivamente autoral, o álbum arrancou elogios e aplausos de Luiz Fernando Vianna, da Folha de S. Paulo, e de Nelson Motta, crítico e produtor musical de renome internacional, além de diversos veículos especializados mundo afora.

Valéria, engenheira que é, edificou com maestria uma carreira consistente, repleta de momentos mágicos: de críticas, sempre positivas, nos mais importantes veículos de comunicação do País, passando por shows antológicos ao lado de nomes como Edu Lobo, João Bosco, Khrystal, Simona Talma, Luiz Gadelha, Ângela Castro e tantos outros, até a consagração não só como intérprete, mas também como compositora e produtora de talento inquestionável.

O “Seis da Tarde”, atual "Seis e Meia", aliás, foi palco de seu primeiro show-solo, “Quero mais”, em 1992. E ela realmente queria mais.


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Sueli de Souza
Luciano Azevedo

"Cantora do mundo, Valéria Oliveira não se prende a rótulos nem se furta a arriscar por novos caminhos. Em seu dicionário, o verbo significa muito mais que se expor, por em risco; ganha conotações bem mais interessantes como experimentar, vivenciar, mergulhar fundo em um projeto, uma viagem ou uma canção."
Yuno Silva

dezembro 02, 2011

UM SERTÃO DE FORÇA E SONHOS

Ensaio fotográfico  em Lajes/RN, Civone Medeiros retrata a forma da mulher

 FOTOGRAFIA

COLETIVO SOLARES
UM SERTÃO DE FORÇA E SONHOS

A exposição "Véu em Solo - Sertão Central" mostra imagens de um interior sertanejo sob um novo olhar. A mostra criada e produzida pelo coletivo Solares abrirá a mostra primeiramente em Lajes/RN, neste sábado (dia 03), dentro da programação de aniversário da cidade. Em Natal, a capital potiguar, o evento ocorrerá no próximo dia 06 de dezembro, às 19h30, na Pinacoteca do Estado, Cidade Alta.

Trata-se de um ensaio fotográfico mostrando o universo masculino e feminino da mulher sertaneja, dentro de um contexto surreal, cheio de sonho e psicodelia. Um relato visual sobre a força, a delicadeza e o drama desta mulher vestida de sonhos.


Os cenários utilizados pelos sete fotógrafos que compõem o coletivo foram as regiões pedregosas de Lajes. Escalaram metade do Pico do Cabugi (único vulcão extinto do Brasil), pelas pedras vulcânicas, e contaram a história da "Noiva" em chamas - a paixão.

A outra escalada foi na Serra do Feiticeiro, onde retrataram a historia de um "semi-Deus", uma criança que se perdeu por lá. A "Noiva" está com uma criança nos braços, e várias outras por perto, como se fosse o fantasma desse mito. A religiosidade do sertanejo é o sentimento mais forte da região. As outras fotos foram feitas na Fazenda Tapuio, numa casinha de pau a pique, no forno de barro onde queimam a lenha para transformar em carvão.

 
Outros aspectos registrados  foram o transporte de água para o consumo em galões (baldes) pendurados nos ombros; o descanso na sombra do umbuzeiro; o buquê feito de algodão representando o tempo de ouro da agricultura. A vegetação, a caatinga, que tem muitas espécies de cactos, estão sempre em cena.

Os animais do lugar entram em cena, principalmente o burro mulo. No reservatório de água (açude) do lugar, a "Noiva" nasce da lama. E este lugar, tem a honra de ter sido governado por Alzira Soriano, ícone da historia política latino americana nos anos vinte. Ela foi a primeira mulher prefeita da America Latina. Na produção das imagens, clicadas pelo fotógrafo/design Flávio Aquino, houve make-up de Nalva Melo, direção de Alê Gomes, figurino de Ricardo San Martini, textos de Jota Mombaça, e ainda Civone Medeiros como modelo.  

"Sertão onírico, ao deparar-se com tua exuberância solar, não há olhar que não transborde. Do solo árido, brotando como juremas, a história se impõe à seca, esgueirando-se nas sombras, nas casas de taipa. Miríade de sentires. O sertão não cessa de escrever-se na poesia das pedras, do vento, dos cactos.", escreveu Mombaça em um trecho.

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Flávio Aquino
 
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"Véu em Solo - Sertão Central".
Abertura dia 03/12  em Lajes e dia 06/12  em Natal

novembro 28, 2011

UMA BIBLIOTECA NO MEIO DO SERTÃO

 O Sítio Três Altos é um sertão de campina árida onde o sol queima a terra,
o céu rejeita a chuva e onde o tempo passa sereno e sem pressa.
Residência e biblioteca de Danilo Bezerra  - Almino Afonso/RN

DANILO BEZERRA VIEIRA 
UM JOVEM GUARDIÃO DAS PALAVRAS

PROJETO DE ESTUDANTE POTIGUAR VIRA DOCUMENTÁRIO

O Sítio Três Altos é um sertão de campina árida onde o sol queima a terra, o céu rejeita a chuva e onde o tempo passa sereno e sem pressa. Nesse lugar brotou a Biblioteca Comunitária Presidente Juscelino Kubtischek, com mais de dois mil livros em plena terra ardente.

O semeador da idéia foi Danilo Bezerra Vieira, 17, estudante da Escola Estadual Ronald Neo Júnior. O sitio tem menos de duzentos habitantes e está localizado a cinco quilômetros da sede do município de Almino Afonso, no Médio Oeste, Rio Grande do Norte.

A história começou quando professores da escola perceberam que Danilo tinha um passatempo diferente dos outros meninos da sua idade. Enquanto todos brincavam de jogar bola e correr, Danilo se divertia lendo.  O gosto pela leitura rendeu muitas doações e quando o acervo já contava com mais de 300 títulos, ele sentiu a necessidade de dar um destino adequado a pilha de livros.

Danilo teve a ideia de montar, na sala de sua casa, uma biblioteca comunitária. No início, Dona Mara Núbia Bezerra, mãe de Danilo, desconfiou e não gostou muito de ocupar um vão da pequena residência com uma biblioteca, mas logo lá estava ela ajudando a montar estantes, a afastar os móveis e adaptar a sala ao desejo do filho.

"No começo, eu me preocupei, mas se era isso que ele queria, o que eu podia fazer era apoiar! Hoje, quando alguém tem um livro para doar, nós vamos buscar de carroça, a pé, de qualquer jeito. A sala já toda ocupada com livros, não tem lugar para nenhum móvel a não ser as estantes." Afirmou D. Mara Núbia.

 Danilo Bezerra, finalista do III Concurso do Senado 
pelo Estado do RN em entrevista concedida à TV Senado em setembro de 2011
 
 DANILO VIEIRA
ORGULHO DO RN QUE O RN AINDA DESCONHECE

No ano passado, Danilo participou do 3º Concurso de Redação do Senado. O texto escrito por ele foi escolhido o melhor do Rio Grande do Norte o que lhe rendeu uma viagem a Brasília para um encontro com os vencedores de todos os estados no Senado Federal. A participação no concurso deu visibilidade à biblioteca. O projeto chamou a atenção dos educadores e foi selecionado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) para ser documentado, em vídeo, e foi apresentado em uma cerimônia de comemoração do 47º aniversário da instituição, realizada  em Brasília.

Este ano, Danilo, realizou  mais uma ida à  capital federal e foi recebido pela secretária de Educação do Estado, Betania Ramalho. Ele falou de sua participação em  mais um evento em Brasília. "A receptividade foi  muito boa. Lá eu falei na presença do ministro, Fernando Hadad, foi um evento muito importante. Foi mais uma honra poder representar o RN e o município de Almino Afonso em Brasília", disse Danilo.

Para a secretária, ações como essa do jovem Danilo são muito bem vindas. "Tudo que sirva para aumentar na população o gosto pela Leitura tem grande importância no plano educacional. Uma iniciativa dessa dimensão deve ser saudada e estimulada por todos nós que temos responsabilidade na condução do Ensino no Rio Grande do Norte", afirmou a professora Betânia Ramalho, secretária estadual da Educação. 

O Evento fez parte das atividades comemorativas do aniversário do Instituto e também contou com  uma palestra do  Ariano Suassuna, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras.

Residência e biblioteca de Danilo Bezerra  - Almino Afonso/RN

O SEMEADOR DE PALAVRAS

Com 17 anos e morando no Sítio Três Altos, a 5 quilômetros do centro da cidade de Almino Afonso, no Oeste do Rio Grande do Norte, o Estudante Danilo Bezerra cursa o terceiro ano numa escola da rede estadual de ensino.

Filho de Francisco Vicente Vieira, analfabeto e sem trabalho, e de Mara Núbia Bezerra, dona de casa e sem muito estudo, Danilo Bezerra Vieira é um exemplo raro de brasileiro que os setores da Educação desconhecem.

Sozinho, o menino que tem como ídolo Juscelino Kubistchek, construiu um pedaço de um sonho que ainda tem muito a ser erguido. Juntou os livros que tinha em casa e na sala sem reboco de sua casa simples, montou uma biblioteca.

Sem apoio e provando que muitas vezes vale a força própria para ganhar o reconhecimento, Danilo não precisou de Prefeito,  Governador…mas de seu esforço e talento para chegar a Brasília como vencedor de um concurso de redação. Tema: Juscelino Kubistcheck. Foi destaque no Senado, que ficou quase um ano lhe sendo devedor da premiação, um notebook que ele ganhou por ter vencido o concurso.

   Arca das Letras, projeto criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário

ARCA DAS LETRAS

A Biblioteca JK, instalada na zona rural de Almino Afonso, pelo estudante Danilo Bezerra, foi integrada ao Arca das Letras, projeto criado em 2003 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

O programa implanta bibliotecas para facilitar o acesso ao livro e à informação no meio rural brasileiro, e beneficia diariamente milhares de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, comunidades de pescadores…

Para incentivar e facilitar o acesso à leitura, as bibliotecas são instaladas nas casas de agentes de leitura ou em associações comunitárias, pontos de cultura, igrejas…

Em Almino Afonso, o projeto reralizou a  doação de 200 livros à biblioteca rural criada pelo estudante e instalada em sua casa.

Em outubro passado, o secretário Gilberto Jales, da Secretaria Estadual de Assuntos Fundiários e de Apoio a Reforma Agrária, responsável pelo ‘Arca das Letras’ no Rio Grande do Norte, foi a Almino Afonso fazer a entrega do acervo.

 
   Danilo Bezerra Vieira  no Senado Federal - novembro/2011

FINALMENTE 

O estudante Danilo Bezerra, fundador da Biblioteca Juscelino Kubistchek, na zona rural de Almino Afonso, interior do Rio Grande do Norte, recebeu o notebook que ganhou do Senado no ano passado, como vencedor de um concurso de redação.

A entrega ocorreu este mês, em Brasília, durante solenidade onde o presidente do Senado, José Sarney, premiou os vencedores deste ano.

Além dos vencedores do ano passado, que por um problema na licitação para aquisição dos computadores ficaram sem receber os prêmios, foram receber a premiação os vencedores deste ano de todos os Estados do Brasil.

Do Rio Grande do Norte, a vencedora foi a estudante Franssoice Basília da Silva, aluna da Escola Estadual Professora Herondina Caldas, no município de Serra Caiada. Mas como ela não foi a Brasilia, foi representada por Natália Braga, que ficou em segundo lugar.


...fonte...
www.rn.gov.br

...DOAÇÕES... 
Biblioteca Comunitária Presidente Juscelino Kubitschek
Sítio Três Altos  - Casa nº 6 - Zona Rural
Almino Afonso – RN – CEP 59.760-000

novembro 26, 2011

O PRESTÍGIO DA MÚSICA INSTRUMENTAL

O 1º  trabalho autoral dos irmãos Roberto (violonista) e Eduardo Taufic (pianista)
 
MÚSICOS DE DESTAQUE INTERNACIONAL
LANÇAM  O PRIMEIRO CD JUNTOS NA ESCOLA DE MÚSICA DA UFRN

Por
Sérgio Vilar

Em Natal há fatos inexplicáveis. Pouca gente argumenta o porquê de tantos poetas e tão poucos prosadores. Na música, a situação é parecida, quase uma metáfora: há um sem número de instrumentistas virtuosos de fama internacional, mas intérpretes a contar nos dedos e presos na redoma quase intransponível deste Rio Grande de Poti. Os irmãos Roberto e Eduardo Taufic são exemplos clássicos. Amanhã lançam o primeiro CD juntos na Escola de Música da UFRN (às 18h e 20h). Só música instrumental. E depois voam pelo mundo afora.

Os dois conhecem cenários musicais brasileiros e europeus, mas não explicam essa tradição local. Talvez o violoncelo de Aldo Parisot tenha navegado além da Ribeira, naquele início de século 20. Ou as modinhas de Lourival Açucena e outros seresteiros tenham deixado um lirismo musical nos ouvidos e corações apaixonados da Belle Epóque natalense. O maestro Oswaldo de Souza morreu sem reconhecimento local e tocado na Europa - outro gênio da música instrumental potiguar. Royal Cinema foi apenas uma das peças de Tonheca Dantas...

Boa explicação para esse virtuosismo instrumental de tantos bambas, a exemplo de Sérgio Groove, Manoca Barreto, os irmãos Beethoven e Jubileu, Junior Primata, Gilberto Cabral, talvez sejam as décadas em que o maestro Waldemar de Almeida ministrou curso de piano em seu instituto de música, entre 1930 e 1950. Dali brotaram alunos e alunas notáveis, a exemplo do sobrinho Oriano de Almeida. E acelerado o rolo do tempo, no século 21 Eduardo e Roberto Taufic mantêm essa tradição secular da música instrumental norte-riograndense desprestigiada aqui e cheia de ecos para além-mar.

 Duo instrumental com irmãos potiguares

OS TAUFIC EM DUETO INÉDITO

Por
Yuno Siva 

O diálogo harmonioso entre piano e violão presente no álbum "Bate Rebate" marca o início de um novo ciclo na carreira dos irmãos Taufic. Pela primeira vez ancorados em um repertório inteiramente autoral, Roberto e Eduardo compartilham entre si e com o público a bagagem musical adquirida ao longo de duas décadas.

Gravado em São Paulo e produzido pelo jovem e experiente pianista carioca André Mehmari, "Bate Rebate" equilibra as forças entre dois instrumentos completos. "Tivemos o cuidado para um não sobrepor o outro, pois violão e piano são instrumentos complexos, e buscamos criar arranjos que respeitassem os espaços", disse Eduardo. "Eles se complementam como em um bate-papo. Percebe-se o momento do silêncio, a pausa para respirar", complementa Roberto.

Segundo eles, o disco foi concebido para ser um trabalho acessível. "Conseguimos o resultado esperado. Criamos a liga que une o repertório baseada em uma maneira leve, livre e cuidadosa de interpretar", explica Roberto. "O foco está nas melodias, na emoção e na forma simples como construímos os arranjos. Não é um disco de virtuoses", emenda o irmão mais novo. Na opinião de ambos, há um tratamento quase erudito que transpira a maturidade dos músicos populares.

O trabalho também reflete a versatilidade e as possibilidades criativas de personalidades que trilharam caminhos distintos dentro da música: enquanto Eduardo dava suas primeiras dedilhadas no teclado, ainda no início dos anos noventa, Roberto resolveu 'pegar a viola, botar na sacola e viajar'. Ex-integrante do saudoso grupo Cantocalismo, Roberto Taufic se mandou para a Europa e acabou fixando residência na Itália. Em 1994, veio ao Brasil em turnê com Elza Soares, como arranjador e guitarrista dela. Vive na Itália até hoje. "Nossas carreiras foram construídas de forma paralela, mas sempre tocamos juntos quando surge uma oportunidade", disse Dudu Taufic, também arranjador e proprietário do estúdio Promídia.

Apesar do show de amanhã na EMUFRN representar o lançamento oficial do álbum, a dupla esteve em Fortaleza na semana passada para única apresentação no Centro Cultural do BNB. "Estamos apostando todas as nossas fichas nesse trabalho, e a meta é cair na estrada a partir do próximo ano", informou o tecladista. Em janeiro de 2012, o duo de apresenta em São Paulo e Cuiabá, e quem perder as duas sessões deste domingo em Natal só terá nova oportunidade em fevereiro, quando os irmãos se apresentam na Casa da Ribeira   dentro do circuito Cena Aberta.

Os planos ainda incluem articulações para shows no Clube do Choro em Brasília, no Carnaval instrumental de Guaramiranga (CE) e no Festival de Garanhuns (PE). "Em junho e julho, também vamos aproveitar o verão na Europa para uma turnê", adiantou Eduardo, que garante ser possível viver de música em Natal: "Só tocar é realmente complicado, tem que se virar de várias formas. Eu trabalho com produção musical, arranjo, estúdio... não adianta ficar só no circuito de barzinho, acordar tarde e gastar todo o cachê; mas é inegável a maior valorização que a música potiguar encontra fora do RN", critica.

Antes de "Bate Rebate", Roberto e Eduardo haviam lançado um DVD ao vivo em 2008, com repertório mesclado de músicas autorais e clássicos da MPB mais standards da música instrumental internacional.

Sobre o novo disco dos Taufic, o bossanovista e produtor musical Roberto Menescal escreveu o seguinte: "O CD dos irmãos é demais! Impressionante o trabalho deles! A dinâmica dos arranjos, as andanças por execuções tão difíceis , incrível! Parece que vocês tocam juntos desde que nasceram, o dia inteiro, tal o entrosamento que têm. Parabéns, categoria top!". Se ele diz, quem somos nós para contrariar o compositor da clássica "O barquinho" e músico que já atuou ao lado de nomes como Nara Leão, Maysa, Dorival Caymmi e Elis Regina.


...fonte...
Sérgio Vilar
Yuno Silva

...fotografia...
Pablo Pinheiro
www.tribunadonorte.com

...serviço...
Apresentação neste domingo (27), em duas sessões (18h e 20h) no auditório da Escola de Música da UFRN - com direito a piano de cauda acústico -, repertório do novo disco que sai do forno com 18 faixas. Gravado em fevereiro deste ano, a dupla esperava o momento certo de lançar oficialmente o CD e pelo visto chegou a hora. Os ingressos estão à venda na loja Arte Musical do Via Direta (antecipados) e no próprio local por R$ 20.

novembro 25, 2011

A REALIDADE EM PRETO E BRANCO

 Foto da série Mi ama Vin, de Marcelo Buanain, trata de religiosidade

 A REALIDADE EM PRETO E BRANCO

 Por
Yuno Silva

A fotografia enquanto expressão artística ainda é um conceito pouco difundido em terras tupiniquins, e o seminário "Enquadres" pretende dar visibilidade a essa vertente que passou a ganhar força no Brasil há quase uma década com o surgimento de galerias especializadas, o interesse de consumidores de arte e o consequente fortalecimento desse mercado. 

O evento acontece este sábado (26) na Casa da Ribeira, pela manhã e à tarde, e está inserido na programação do circuito Cena Aberta. Vale salientar que "Enquadres" pretende atingir não apenas fotógrafos profissionais e amadores, como também interessados por fotografia e artes visuais em geral - esta é a primeira vez que é realizado um evento dessa natureza em Natal.

Promovido pelo Duas Estúdio, das fotógrafas Elisa Elsie e Mariana do Vale, o seminário reúne nomes expressivos da arte de desenhar com luz e contraste que conversam com o público sobre dois temas distintos: às 9h, os fotógrafos João Roberto Ripper, do Rio de Janeiro, e Marcelo Buainain abordam a Fotografia Documental; e às 14h, a curadora Isabel Amado e o fotógrafo Nuno Rama conversam sobre Fotografia como Expressão Artística. Os ingressos para cada sessão custam R$ 5, e estão à venda na bilheteria da própria Casa.

 Isabel Amado, curadora e proprietária das Galerias da Gávea (RJ) e da Rua (SP)
 
GALERISTA REALIZOU  LEILÃO NACIONAL DE FOTOGRAFIA

Isabel Amado, curadora e proprietária das Galerias da Gávea (RJ) e da Rua (SP), acredita que o mercado de arte no Brasil começou a prestar atenção na fotografia há cerca de sete anos. "Essencialmente, a foto artística traduz a impressão pessoal do fotógrafo; e a principal diferença de outras linguagens da fotografia é sua pré-elaboração. Não se trata de fotojornalismo nem de foto publicitária, apesar desta última também ser produzida", ensina.

Isabel realizou, em 2008, o primeiro leilão exclusivo de fotografias no país, e adianta que durante o seminário irá apresentar um material no intuito de explicitar conceitos da foto-arte. A intenção de Amado é traçar um breve panorama sobre a fotografia enquanto arte desde o início do século 20: "Também aproveito a ocasião para mostrar três ensaios - de Júlio Bittencourt, Iatã Cannabrava e Pedro Davi - que exemplificam essa forma peculiar de enxergar a fotografia", aposta a curadora.

Isabel Amado divide o palco com o premiado fotógrafo Nuno Rama. Paraibano radicado no RN, Rama faturou o conceituado Prêmio Porto Seguro de Fotografia em 2004 na categoria Brasil, quando apresentou a série "Humanos"  dentro da temática Mitos, Sonhos, Realidade: Terra Brasili. A palavra será facultada ao público nos dois momentos do seminário.

 Da série Imagens humanas do fotógrafo João Roberto Ripper
 
PRETO E BRANCO

No campo da Fotografia Documental, temática debatida pelo carioca João Roberto Ripper e o sul-matogrossense Marcelo Buainain, o bate-papo transita entre a experiência profissional de cada um e como se dá a abordagem quando estão em campo. O ponto em comum entre Ripper, Buainain e Nuno Rama é a opção pelo trabalho fotográfico em preto e branco.

Autor de quatro livros de fotografia e diretor do documentário "Do lodo ao lótus", filme que retrata a transformação filosófica e espiritual do apenado Luiz Henrique Gusson após seu contato com a obra do professor Hermógenes, 90, escritor potiguar e um dos pioneiros na prática e na divulgação da hatha ioga no Brasil, Marcelo Buanain dá a dica para quem está começando: "Não há grandes segredos para a foto documental, mas um bom trabalho - além da sensibilidade estética de quem aponta a câmera - está alicerçado no tripé: escolha do tema, o debruçar sobre esse tema e fotografar, fotografar muito!".

   “Indía: Quantos olhos tem uma alma” - do fotógrafo  Marcelo Buainain

Para Buainain, que já publicou os livros "Pantanal" (1987), "Índia: quantos olhos tem uma alma" (1998), "Bahia: saga e misticismo (2004) e o recente "Mi ama vin" (eu te amo em esperanto) onde aborda a religiosidade brasileira, o tema "precisa revelar uma intenção ideológica". Considerado pela revista especializada Photo Magazine como um dos dez mais importantes fotógrafos da década, Marcelo contou que optou pela foto preto e branco por um motivo aparentemente simples: nem sempre há cor no que é retratado.

"A partir dessa constatação, percebi que consigo resolver melhor um trabalho com o preto e branco. Gosto do colorido, mas busco um contraste forte como o que vi na Índia. Já tentei fotografar ao mesmo tempo com duas câmeras mas não funcionou. A fotografia tem muito do momento, há toda uma concentração, um mergulho necessário para se conseguir um bom resultado", garante. "E o preto e branco depura a imagem, elimina o excesso de informação cromática", complementa.

  “Indía: Quantos olhos tem uma alma” - do fotógrafo  Marcelo Buainain
 
DIGITAL E ANALÓGICO

Quanto ao advento da fotografia digital, que chegou para ficar por mais que os puritanos torçam o nariz, Marcelo Buanain é taxativo: "A foto digital traz inúmeras vantagens, e a principal delas é a velocidade com que obtemos um resultado - há também o lance da economia. Perdemos aquele ritual de preparar a química, de revelar (ele mesmo revelava seus filmes), cortar os negativos, ampliar, selecionar... hoje um trabalho que levaria cinco meses faço em dois dias", garante.

Para Marcelo a tecnologia democratizou a fotografia, e que as pessoas que acreditam ma banalização ele afirma que "o contexto atual do mundo está banalizado, e não é culpa ou responsabilidade da fotografia". Ele se sente um felizardo por ter acompanhado essa transição, acelerada no final dos anos noventa, e garante que "há um prazer especial em manipular o negativo,  uma sensação que essa turma de agora nunca terá", sentencia.

O projeto Cena Aberta, iniciativa que abarca o Seminário Enquadres, conta com patrocínio do Governo Federal e do Banco do Nordeste, da Cosern e   Fecomércio através da lei estadual Câmara Cascudo.

 
...fonte...
 
...serviço...
Seminário Enquadres, sábado (26), na Casa da Ribeira - debates às 9h (Fotografia Documental) e às 14h (Fotografia como Expressão Artística). Os ingressos custam R$ 5 para cada sessão. Informações 9982-7193 e 9664-8789.