dezembro 27, 2011

A ARTE DE TRANSFORMAR VIDAS

Veja como  a cultura vem ajudando comunidades carentes
de Natal, Rio Grande do Norte,  a construir sua própria cidadania

 INCLUSÃO PELA ARTE

Por
Itaércio Porpino

Em Natal/RN, nas comunidades mais carentes de políticas públicas, a arte assume um importante papel social. É a cultura na linha de frente da construção da cidadania. Nesta matéria, originalmente publicada no soltonacidade.com.br, você vai ver como algumas iniciativas - que tem como base o trabalho com arte - mexem com a autoestima de crianças e adolescentes, abrindo perspectivas em suas vidas.

  fotografia: Pablo Pinheiro

ILHA DE MÚSICA

O garoto na foto é Walter de Oliveira Câmara, de 16 anos; e o cenário, a casa dele, na comunidade da África, Redinha. “A casa é muito pobre, mas a gente vai melhorar”, diz, exibindo um sorriso moleque e confiante. Walter anda com a autoestima lá em cima. A razão disso é o projeto Ilha de Música, onde aos 12 anos pôde ter contato com um instrumento musical. Logo que começou, tinha a autoestima baixa; achava que não conseguia fazer nada. Com pouco mais de um ano, o comportamento já era outro; melhor. E acabou passando de aluno a professor. Ele dá aula de flauta e clarinete para outras crianças da comunidade e até recebe dinheiro pra isso - ajuda de custo dada pelo BNB, que passou a patrocinar o projeto em 2011. 

Walter também está muito contente porque foi aprovado no teste para fazer o curso técnico na Escola de Música da UFRN. Antes, não tinha qualquer perspectiva; agora, tem uma certeza: a de que vai se profissionalizar como músico, como clarinetista. A ideia de criar a Ilha de Música foi do trombonista Gilberto Cabral e da mulher dele, Inês Latorraca. A intenção inicial era ocupar as crianças da comunidade com atividades de musicalização básica e afastá-las dos perigos da rua. 

Mas não ficou só nisso não. Hoje, mais de 40 crianças e adolescentes têm aulas gratuitas de bateria, violão, percussão, flauta doce, teclado, trompete, trombone, clarinete, sax, entre outros instrumentos, além de Inglês e assistência psicológica. Do projeto, nasceu o grupo Ilha de Música, que tem se apresentado em vários locais da cidade e arrancado aplausos do público. Pela qualidade musical e exemplo

    fotografia: Tiago Lima

SONS DA VILA

Crianças, adolescentes e mães da Vila de Ponta Negra têm a casa 26 da rua da Campina como um porto-seguro. No endereço, funciona o Ponto de Cultura Sons da Vila, onde uma família inteira - o casal Graça e Antonio Leal e a filha Maira - vive de pensar e por em prática ações para promover os saberes locais, a melhora da autoestima e a autonomia dos moradores da comunidade. O espaço têm ocupado principalmente o tempo ocioso de crianças e jovens da Vila. “Nossa ação é de prevenção ao crack e à prostituição infanto-juvenil”, diz a arte-educadora Graça Leal. 

O Ponto de Cultura Sons da Vila funciona desde 2004, mas anos antes já era uma usina cultural, com diversos cursos abertos à comunidade. O local dispõe de uma biblioteca com mais de mil livros e também kit de cinema. Além do espaço de leitura e das sessões de filmes, sempre seguidas de discussão, são oferecidas às crianças oficinas de artes. Uma das preferidas dos meninos e meninas é a oficina de confecção de fantasias do bloco de carnaval em que eles mesmos brincam, o Jaraguás da Vila, que uma vez por ano sai pelas ruas da comunidade espalhando alegria.

   fotografia: Itaércio Porpino

 CASA DO BEM

Os pequenos gestos de solidariedade que o jornalista Flávio Rezende praticava diariamente em Mãe Luiza, bairro onde morou por 18 anos, foram o embrião do que é hoje a Casa do Bem, ONG que desenvolve mais de 30 projetos sociais, beneficiando direta e indiretamente quase 3 mil pessoas - moradores da comunidade, em sua imensa maioria. 

A arte é um dos alicerces do trabalho, que não só tem tirado da rua crianças em situação de risco, como tem dado a elas oportunidade de aprendizado. Jennyfer Magna, de 18 anos (de azul, na foto), teve a chance de estudar balé na Casa do Bem. Começou aluna e virou professora de lá. Ela dá aula a uma turma de 20 meninas com idade entre 4 e 12 anos, todas de Mãe Luiza. “O balé hoje é minha vida”, diz Jennyfer, que ganhou uma bolsa integral para estudar balé no Espaço Vivo Dança e poder levar adiante seu sonho de fazer carreira como bailarina clássica.“A gente sofre preconceito por morar em Mãe Luiza, mas a dança tem aberto portas pra mim”. 

Além do balé, a Casa do Bem oferece aulas gratuitas de violão, percussão, flauta e capoeira, entre outras atividades. Todo final de ano, as crianças e adolescentes se apresentam para a população no evento Natal do Bem - com um orgulho e um prazer imensos!

    fotografia: divulgação

CASA TALENTO

A professora e violinista Márcia Pires aprendeu violino de graça e sonhava repassar o que sabia para outras pessoas que não tinham oportunidade de aprender. Pelo método tradicional de ensinar música, levaria muito tempo, mas, entre 1986 e 1987, num festival de música em Curitiba, conheceu o método Suzuki. Uma forma prática de ensino. 

Em 2000, mais de uma década depois, Márcia abriu em Natal a organização não-governamental Casa Talento. A intenção era a mesma de anos atrás: oferecer uma chance àqueles que estavam à margem ou fora das atividades culturais. E assim tem sido há 11 anos. Dentre as várias atividades que promove, uma é o ensino básico de música para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, proporcionando desenvolvimento pessoal e criando a possibilidade de profissionalização.

“A escola empresta o instrumento, que quando a criança não pode comprar é o primeiro empecilho pra ela estudar música”, diz o diretor da Casa Talento, Marcondi Lima. A ONG está à procura de apoio para manter o trabalho de inclusão social e continuar quebrando barreiras. 

    fotografia: Ramon Vasconcelos

CONEXÃO FELIPE CAMARÃO

Os saberes da tradição e o patrimônio cultural são as linhas que guiam as ações do Conexão Felipe Camarão, projeto sócio-cultural e educativo idealizado pela professora Vera Lúcia e realizado há oito anos junto à comunidade de Felipe Camarão, bairro da região Oeste de Natal. 

Com patrocínio da Petrobras, o projeto integra 400 crianças e jovens entre 4 e 24 anos - e seus familiares - em ações que se fundamentam na cultura local, tendo como referenciais o Mestre de Boi de Reis Manoel Marinheiro (in memorian), o mamulengueiro Chico Daniel (in memorian), Cícero da Rebeca (88 anos) e Mestre Marcos da Capoeira, ícones culturais do bairro. 

São desenvolvidas atualmente as oficinas do Auto do Boi de Reis Mirim Mestre Manoel Marinheiro, Capoeira, Musicalização de Flauta/Pífaro, Musicalização de Rabeca e Lutheria de Rabeca. Vera Lúcia explica que embora alguns jovens da comunidade tenham seguido seus próprios sonhos e estejam se profissionalizando em música, a ideia da iniciativa não é formar músicos, mas juntar pessoas e discutir como a vida pode ser vivida de uma forma melhor. Em todos os aspectos

   fotografia: divulgação

 ARTE ECOLÓGICA

Reciclar e negociar. Esses dois verbos agora fazem parte do repertório de uma turma de adolescentes do Planalto, bairro da região Oeste de Natal. O grupo, do Projovem, aprendeu com a artista plástica Ana Selma, por meio da oficina “Ana Selma Arte Ecológica”, a transformar papel em trabalhos artísticos. O Sebrae, através do projeto Responsabilidade Social e Negócios, entrou com a consultoria, orientando os jovens quanto à negociação, planejamento e gerência do negócio. 
A Galeria Ana Selma tornou-se o maior parceiro dos adolescentes, comprando toda a produção deles para revender. “Eu fiz a minha parte, que foi dar as oficinas. Espero que eles continuem o trabalho e que fique um legado”, diz Ana Selma. Para ela, uma iniciativa como essa é muito importante no momento em que capacita pessoas e combate a ociosidade, um risco muito grande num lugar tão cheio de problemas.

  fotografia: Pablo Pinheiro

UMA NOVA CHANCE

Em junho de 2010, a artista plástica Lídia Quaresma recebeu uma proposta desafiadora do Sebrae. Ela foi convidada a dar oficinas de arte para jovens infratores no Ceduc. E não só topou, como acabou se envolvendo muito com o trabalho de responsabilidade social, a ponto de em dezembro ter continuado com as oficinas de forma voluntária, enquanto esperava a renovação do convênio com o Sebrae. Lídia diz que não é tão difícil lidar com os jovens. “Tem que tratar com respeito e carinho. São seres-humanos e precisam ser vistos e se enxergar como gente, como cidadãos. E a oficina dá essa oportunidade”. 

Chance que o ex-interno Ewerton Pereira (foto), de 21 anos, não deixou escapar. Aos 18 ele cometeu um crime e foi para o Ceduc. Lá, entrou para a oficina e se dedicou tanto que depois de recuperar a liberdade foi contratado como funcionário do atelier de Lídia Quaresma, com carteira assinada, tudo direitinho. Voltou até a estudar. João Leno Souza Nascimento, 18, e Rogério Soares da Silva, 18, ainda cumprem pena por seus crimes, mas em regime de liberdade assistida e de semi-liberdade, respectivamente. Em novembro, eles também estavam no atelier, pintando camisetas encomendadas a Lídia por uma ONG suíça. Imersos em tintas, cores e pensamentos bons.

  fotografia: Tiago Lima

TRANSFORME-SE

Maria da Glória Messias, 44, e Débora Wanessa dos Santos Rodrigues, 29 (foto), cometeram crimes, foram presas, mas hoje, no regime semi-aberto, se dizem reintegradas à sociedade. A ressocialização foi possível graças ao projeto Transforme-se, que oferece a presidiárias capacitação para desenvolver trabalhos artesanais - bolsas e diversos outros acessórios femininos. 

O projeto, ideia de Maria da Glória, já tem sete anos e atualmente atende 138 apenadas, que ganham por produção. Os produtos feitos por elas são vendidos na lojinha que funciona no Complexo Cultural de Natal, no bairro Potengi, e também em muitos eventos. Em novembro, por exemplo, o Transforme-se esteve presente na Flipipa. Além da remuneração, as presas que participam do projeto têm a pena reduzida. Mas o prêmio maior é o resgate da autoconfiança.


...fonte...
Itaércio Porpino

...colabore você também ...

ILHA DE MÚSICA
Rua Padre Cícero Romão, 560, África - Redinha. Tel. (84) 3663.5285

SONS DA VILA
Rua da Campina, 26, Vila de Ponta Negra. Tel. (84) 3641.1012

CASA DO BEM
Rua Papa João XXIII, 1719, Mãe Luiza. Tel. (84) 3202.3441

CASA TALENTO
Rua Tenente Alberto Gomes, 1066, Alecrim. Tel. (84) 3201.1363 

CONEXÃO FELIPE CAMARÃO
Rua Maristela Alves 579 A, Felipe Camarão. Tel. (84) 3605.1854 |www.conexaofelipecamarao.org.br

ARTE ECOLÓGICA
Galeria de Arte Ana Selma - Hotel Pestana Natal
Av. Sen Dinarte Mariz, 5525 - Via Costeira. Tel. (84) 3220 8900 |www.galeriadearteanaselma.com.br

UMA NOVA CHANCE
Rua dos Corais, 7, Vila de Ponta Negra 
(somente com hora marcada). Tel. (84) 3641.1906

TRANSFORME-SE
Complexo Cultural de Natal 
Av. Dr. João Medeiros Filho, s/n, Zona Norte. Tel. (84) 3201.1363

dezembro 25, 2011

PARABÉNS, PRINCEZINHA DO ATLÂNTICO!!!


NATAL 
FELIZ IDADE , FELIZ CIDADE
FAMOSOS FALAM SOBRE O ANIVERSÁRIO DE 412 ANOS

Por
Sérgio Henrique Santo

Não é apenas os natalenses que guardam uma relação de proximidade com a capital que faz aniversário neste domingo, 25 de dezembro. O Poti/Diário de Natal ouviu pessoas que apreciam a cidade não apenas por sua beleza e pelos atrativos turísticos. Em terras potiguares, eles são admirados em suas respectivas áreas de atuação profissional. São artistas, estudiosos, cantores e compositores, Confira:

TOQUINHO

"Natal não é para um dia. É pra ficar uma semana inteira. Adoro a cidade, essa característica de vocês de comer camarões; as praias...".
Toquinho, cantor e compositor

KIKO - ROUPA NOVA

"Antes de mais nada, quero parabenizar esta cidade deliciosa pelos 412 anos de vida. Isso mesmo, vida, pois é isso que encontramos quando se chega a essa maravilha de cidade. Não é à toa que passarei o próximo carnaval junto de vocês. Eu e minha família vamos nos encher de alegria. Se Paris é a Cidade da Luz, Natal é a Cidade da Vida. Feliz aniversário Natal. Obrigado pelo amor com que vocês acolhem o Roupa Nova".
Kiko, músico

  CAETANO VELOSO 

"Eu adoro Natal. Muito especialmente. Desde os anos 70 e 80, quando minhas idas aí com A Outra Banda da Terra eram uma festa, até passeios em que levei meus filhos menores para subirmos as dunas. Cada ida a essa cidade que é o diamante do Nordeste tem sido um deslumbramento. Gosto do mar, do sol e da simplicidade urbana. A beleza urbanística de Natal parece um poema de João Cabral de Mello Neto".
Caetano Veloso, cantor e compositor

 GUILHERME ARANTES

"Natal é uma cidade belíssima, das mais incríveis para viver e visitar. É adorável. É uma delícia ir para Natal. Minhas melhores lembranças de shows são em Natal, Fortaleza e João Pessoa. E hoje Natal é uma metrópole, com apelo turístico mundial. Não é mais aquela cidade provinciana de 20 anos atrás. Hoje está moderníssima".
Guilherme Arantes, cantor e compositor 

FERNANDA TAVARES

"É sempre bom falar sobre Natal, principalmente por se tratar da única cidade que eu conheço que aniversaria junto com o menino Jesus. É um privilégio pra qualquer pessoa viver numa terra tão linda. Mesmo que nos últimos quinze anos eu só vá a Natal quando meus compromissos permitem, jamais me esqueço da minha cidade. Só fico um pouco triste quando vejo que aí o verde está cada vez mais dando lugar ao concreto... E acho que minha cidade merecia ser mais bem tratada. Mesmo assim, pra mim Natal continuará sendo uma das mais bonitas cidades do mundo. Parabéns, Natal!"
Fernanda Tavares, modelo. 

 AFFONSO ROMANO DE SANTANA

"A primeira vez que conheci Natal foi durante o projeto Encontro Marcado. Aquelas praias já me encantavam. Mas a cidade foi ficando mais concreta para mim, quando recebi na PUC do Rio, já nos anos 70, vários alunos de pós-graduação vindos de Natal. Era o país crescendo preparando seus novos mestres e doutores. Me lembro de gente especial como a Diva Cunha e o Tarcisio Gurgel, que fez tese comigo sobre "carnavalização". Alunos que fizeram tese sobre Nísia Floresta, como a Contância Duarte, que foi com Eduardo de Assis lecionar em Natal. Sim, Zila Mamede, o Moacyr Cirne, o Nei Leandro e o clássico Câmara Cascudo. Antes era uma ilha, depois foi virando um continente de pessoas. Poetas como Iracema Macedo foram uma descoberta. Estive aí várias vezes".
Affonso Romano De Santana, escritor. 


...fonte...
Sérgio Henrique Santo
  especial para o Diário de Natal
www.dnonline.com.br

dezembro 23, 2011

OS TRÊS MENINOS: CONTO DE NATAL


 EDIÇÃO ESPECIAL

OS TRÊS MENINOS: CONTO DE NATAL

 Por
 AjAraújo


Chegava o Natal. 

Aqueles três meninos observavam a correria daquela gente.

O relógio da torre marcava 8 horas da noite, muitas lojas cerravam as portas. Um vento frio fazia tremer o corpo e doíam os ossos. Recostavam-se uns aos outros na espera do pai que tentava (em vão) comprar algo para a ceia.

Tempos ruins aqueles, haviam sido despejados e agora dormiam em um trailer abandonado, com pouca lenha para aquecer nas longas noites de inverno que se anunciavam.

Um dos meninos, que se chamava Juan, olhava para a algazarra de um garoto típico da cidade, escolhendo os presentes mais caros e bonitos que jamais vira, deixava-se levar pelo pensamento, sonhando também tocar aquele presente, momentaneamente parecia-lhe viver aquela cena.

Um de seus irmãos, Rodrigo, parecia ter o olhar perdido na multidão, nada dizia ou gesticulava, contemplava em silêncio uma noite que nada prometia de diferente de outras tantas vividas.

O terceiro e mais velho dos irmãos, Jose, preocupava-se em observar o pai, que em longa confabulação, tentava convencer o dono do armazém a lhe vender algo fiado. Em desespero, o pai mostrava os filhos no frio, ao relento, como última cartada para obter algo para levar para casa.

Nada feito. O pai sai cabisbaixo do armazém, mal podia divisar os olhares de seus filhos, não cabia em si de abatimento e revolta. Quando subitamente, ao atravessar a rua, vê uma criança desprender-se das mãos de sua mãe e postar-se indefesa em frente a um bonde em velocidade.

Trêmula, o medo a impedia de movimentar-se. O pai dos meninos pobres se lança como uma flecha e consegue tirar a menina da frente do bonde, mas o destino cruel lhe reservou uma peça, uma de suas pernas ficou presa nas rodas da composição.

Os meninos correram ao pai e todos os passageiros do bonde e os passantes em solidariedade àquele corajoso homem conseguiram libertá-lo das ferragens do bonde e levaram-no a um hospital.

A criança salva por ironia do destino era nada mais nada menos que a neta do dono do armazém.

Aquele gesto generoso expondo a própria vida, estava prestes a custar à perda da perna do pobre senhor.

Então, eis que subitamente, surge uma senhora de alvos cabelos e tez macia e se oferece para prestar ajuda ao pobre pai.

Durante 7 dias cuidou dos ferimentos, da ameaça de gangrena e o pai já começava a mexer os dedos dos pés, quando ao acordar na véspera do novo ano, ao chamar por tão especial senhora, apenas ouviu de seu filho mais velho:

"Pai, quem cuidou de você foi Nossa Senhora. Ela já se foi pois você está melhor. Quem a chamou foi a menina que você salvou. Ela me disse em sonho para você orar, não entrar em desespero, pois na vida temos provações que são desafios para que mostremos o quanto somos determinados para enfrentá-los com serenidade, fé e determinação."

Ao sair do Hospital, todas as luzes se apagaram e toda a gente da cidade viu um asteróide riscar o céu em belíssima luminosidade.

Enquanto caminhava, todas as pessoas acorriam para ajudá-lo, ofereciam suas casas para a ceia daquela pobre família e brinquedos e roupas para seus filhos.

Um milagre havia acontecido naquela cidade. Um milagre no espírito do Natal.

A generosidade e a solidariedade andam juntas, e aquele pobre senhor bem poderia ser Jesus Cristo e as crianças famintas, os jovens pastores em sua cabana. 


...fonte...
 AjAraujo ,médico e  poeta humanista

...fotografia...
 Jean Lopes

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UM FELIZ NATAL EM NATAL!!! 

Um conto de Natal, um conto de solidariedade,
homenageando leitores do blog  POTIGUARTE

dezembro 22, 2011

UM CHARGISTA A SERVIÇO DO SEU SORRISO

Seu nome é destaque no jornalismo potiguar quando o assunto é charge

  IVAN CABRAL
UM CHARGISTA A SERVIÇO DO SEU SORRISO

 Por
Marcos Sá de Paula

Ivan Cabral, é natural de Areia Branca/RN, de onde saiu aos 4 anos com a família em busca de melhores oportunidades na capital. Casado há 25 anos com Ana Maria, é pai de Ana Raquel e Davi Severiano. O chargista do NOVO JORNAL, desde criança desenhava em todo papel que encontrava. Por várias vezes, inclusive, foi castigado pelo pai por rabiscar as partes internas das capas de seus LP´s.

Os rabiscos continuaram durante toda a sua formação educacional até que, no antigo 2º grau da ETFRN, conheceu o professor Walfredo Brasil, ex-religioso também conhecido como Dom Lucas Brasil, que o apresentou aos integrantes do Grupehq - Grupo de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos. Nesse caso, foi Brasil quem descobriu Cabral. O contato com Emanoel Amaral, Aucides Sales e Edmar Viana, dentre outros, proporcionou um amadurecimento na sua técnica de desenho e no uso de material profissional.


Nesse  período, publicou na Maturi, fanzine produzido pelo grupo, mas sua estreia como chargista se deu quando substituiu Edmar Viana, afastado em decorrência de uma enfermidade, na coluna Cartão Amarelo, do Diário de Natal, em 1983. Quatro anos depois, substituiu outro chargista: Cláudio Oliveira. Em 1988, com a saída definitiva de Edmar do jornal, Ivan assumiu definitivamente a posição de titular no humor impresso potiguar.

 
O desafio diário de produzir uma charge levou ao amadurecimento profissional. Em 1997, foi premiado no Salão de Humor de Volta Redonda (RJ) e no Salão de Humor sobre Gastos Públicos da UNACON (DF), ambos em 1º lugar. No ano seguinte conquistou novamente o 1º lugar no Salão de Volta Redonda e em 1999 foi classificado em 2º lugar no Salão de Humor de Natal.

 
Além disso, recebeu várias menções honrosas em diversos salões (Santo André-SP, Caratinga-MG, Basília-DF). Em 2008 conclui uma dissertação de Mestrado  em Educação na UFRN: “Sorriso Pensante: o humor gráfico e a formação do leitor”, sob a orientação da professora e escritora Marly Amarilha. Em 2011, foi eleito melhor cartunista quando recebeu o Troféu Cultura, em sua 8ª edição.

 
Ivan Cabral é co-autor do livro Já Era Collor, em parceria com Edmar Viana, Cláudio Oliveira e Emanoel Amaral e autor do livro Humor Diário, um coletânea de charges de sua autoria, além de manter o site Sorriso Pensante (www.ivancabral.com), onde publica charges, quadrinhos e ilustrações. Para ele, o humor da charge vai além do besteirol, do riso pelo riso.

Pelo contrário, a charge visa o riso reflexivo, crítico, inteligente, com o peso de um editorial. É um texto jornalístico e precisa ser igualmente ético, apesar da “licença poética” proporcionada pelo humor. 


...fonte...

...fotografia...
acervo particular

 ...charges...
Ivan Cabral
ivankabral@gmail.com
(84)8872-0874

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www.ivancabral.com

...RETROSPECTIVA POTIGUARTE... 

dezembro 20, 2011

TITINA MEDEIROS E A VÊNUS PLATINADA

 Titina Medeiros no premiado espetáculo Sua Incelença Ricardo III

DE SHAKESPEARE  PARA A GLOBO

Por
Yuno Silva

Há quase vinte anos, a adolescente Izabel Cristina de Medeiros percebeu que não adiantava querer controlar o destino em seus mínimos detalhes. Acalentando o desejo de atuar como jornalista profissional, seus planos foram abalados logo na primeira ida ao teatro e desde então passou a cogitar outras formas de atuação: nos palcos, sob os holofotes das artes cênicas. Apesar do nome de batismo, ela já ganhou o mundo como Titina - apelido recebido da madrinha antes mesmo de nascer - e mais uma vez o destino bate à sua porta com um novo desafio.

Dona de grandes olhos verdes, sorriso largo e um ar de seriedade que deixa transparecer o alto nível de seu compromisso com a carreira, a atriz assinou ontem à tarde, no Rio de Janeiro, contrato com a TV Globo para trabalhar na próxima novela das sete em um papel de destaque. A previsão é que "Marias do Lar", título provisório do folhetim que irá substituir "Aquele Beijo", entre no ar em abril. "Tudo aconteceu muito rápido, chega a ser assustador. Mas estou tranquila, segura", disse Titina por telefone pouco depois de conhecer parte do elenco da novela.

 Renata Kaiser (esquerda) e Titina Medeiros em Muito Barulho por Causa Nada
(foto: Clowns Shakespeare)

"Foi bom reconhecer na equipe que vai estar comigo no estúdio um técnico de som que havia trabalhado comigo em 2003 e 2004 no quadro (do programa Fantástico) 'Brasil Total' quando fiz três programas falando aqui do RN", comemorou. Titina falou sobre a fabricação do doce chouriço, a encenação da Paixão de Cristo em Apodi e a pesca do siri em Ponta Negra.

Sobre a novela ela adiantou que "o personagem é muito bom, uma vilãzinha legal, engraçada e ingênua, mas não posso adiantar muita coisa". Nascida em Currais Novos por puro acaso, pois na época não faziam cirurgia de laqueadura em Acari, Titina Medeiros contou que tudo começou em abril deste ano, quando esteve no Paraná onde participou do Festival de Teatro de Curitiba com o grupo Clowns de Shakespeare encenando o premiado espetáculo "Sua Incelência, Ricardo III", onde interpreta a desbocada rainha Elizabeth. Nesses grandes festivais, sempre tem olheiros e produtores de elenco de plantão e o grupo acabou sendo convidado para, quando estivesse passando pelo RJ, visitar os estúdios da Globo. "Fiz vários testes desde setembro e calhou que gostaram de mim", lembrou Titina, que preferiu não fazer alarde antes de formalizar sua participação.

"Sua Incelença Ricardo III"
Titina Medeiros no papel da Rainha. Foto: Daniel Sorrentino

Mas a informação 'vazou' e acabou indo parar em páginas eletrônicas especializadas em assuntos de televisão. "De repente comecei a receber mensagens parabenizando, e passei a me perguntar como é que ficaram sabendo. Até que um amigo me disse que tinha visto na internet. Não queria dizer nada, preferia que as pessoas me vissem pela televisão, mas não tinha mais como segurar".

Titina Medeiros vai gravar a novela entre janeiro e agosto do próximo ano, e até lá seus projetos com os Clowns de Shakespeare terão que ser readequados. O ator César Ferrario, companheiro da atriz e parceiro  no grupo, disse que houve um consenso de que o melhor a fazer neste momento é ensaiar com outra pessoa para substituir quando Titina não puder conciliar a agenda. "Teremos sim que pensar nessa substituição temporária, é uma coisa natural que acontece com qualquer grupo". A turnê pelo Chile de "Ricardo III" terá a presença de Titina, que na volta já desembarca no Rio de Janeiro.

"Vamos começar a ensaiar 'Hamlet' no segundo semestre como parte das comemorações dos 20 anos dos Clowns, e Titina está no projeto", adiantou César que falou em nome do grupo. Segundo ele, há propostas de fazer algumas apresentações em São Paulo durante o Carnaval e a atriz já está vendo se consegue conciliar.

É interessante notar a segurança que o fazer teatral em grupo proporciona a seus integrantes: "Fazemos um tipo de teatro que não prioriza o lado comercial, a intenção é pesquisar, experimentar, e estamos conseguindo reconhecimento a partir daqui de Natal", lembrou Ferrerio, que prefere não se precipitar quando questionado sobre uma possível renovação de contrato entre Titina e a TV Globo. "É cedo para dizer qualquer coisa, o importante é que estamos todos muito felizes por ela".

 Titina Medeiros (Melhor Atriz) - Troféu Cultura 2011 - Natal/RN
 
HISTÓRICO

Em 1992, mesmo ano em que teve seu primeiro contato com o teatro quando assistiu a performance da atriz portuguesa Maria do Céu Guerra no espetáculo "Pranto de Maria Parda", Titina Medeiros estreou como uma fada na "A Bela Adormecida", dirigido por Jesiel Figueiredo.

Entre 1996 e 98 fez parte do Grupo Tambor de Teatro, de João Marcelino, com quem encenou "O Príncipe do Barro Branco" ao lado do ator Chico Villa, e "Brincadeira de Bolso" que ficou em temporada na Aliança Francesa. "A imagem que tenho de Titina é ela chegando com a prima Nara Kelly e eu disse: 'você não quer participar?' E ela entrou, e foi um momento lindo na minha vida - acredito que na dela também", disse Marcelino. "Acho bacana o fato dela estar na Globo, mas é interessante ter a noção de que é só mais um veículo de manifestação da arte do ator. Não é um prêmio, um troféu, não é o ponto máximo, Titina busca qualidade em qualquer lugar. O bacana é terem visto nela esse talento".

O diretor acredita que o fato também lança luz sobre a cidade, e Titina acaba se transforma em um farol para que as pessoas veja o teatro do Rio Grande do Norte com outros olhos. O Estado ganha outra dimensão, ganha divisas.

Depois do Tambor fez trabalhos avulsos, trabalhou em Autos e começou a participar de espetáculos do Clowns de Shakespeare a partir de 2003. Com o grupo fez "dos prazeres e dos pedaços", "Muito barulho por quase nada", Roda Chico" e "Sua Incelência, Ricardo III". Nesse meio tempo também integrou o grupo Carmim, com o qual montou o espetáculo "Pobre de Marré". Este ano, ainda encenou em Brasília e no Rio de janeiro a peça "A mulher revoltada", do jornalista Xico Sá.


...fonte... 
Yuno silva
  www.tribunadonorte.com.br
 
...fotografia...  
Clowns Shakespeare 
 Daniel Sorrentino 
Canindé Soares 

...RETROSPECTIVA POTIGUARTE... 

dezembro 18, 2011

A NATAL DE CANINDÉ SOARES

 TIJOLOS INVISÍVEIS

 Por
Rubens Lemos Filho

Uma cidade consegue sobreviver se existir alguém capaz de preservar os tijolos invisíveis de sua alma. A aldeia metrópole-dentadura sorri um sorriso social, esbanja o avanço do concreto e vai perdendo seus vigilantes líricos. Seus missionários de preservação espiritual, seus peregrinos, seus alvissareiros do farol da resistência. Seus bêbados, seus bedéis, suas fofoqueiras, suas carolas, seus xerifes de rua. Seus alcoviteiros.

A calma e a perspicácia formam um equilíbrio delicado com a coragem dos que se arriscam na missão visionária de preservar sua terra e os seus personagens, sua vida frenética e as suas origens. Há tempos que observo, do alto da minha calvície, o trabalho do repórter fotográfico Canindé Soares.


Canindé Soares faz parte de uma categoria profissional muito arriscada para os meninos de hoje. Canindé é um frila, um freelancer, um trabalhador livre e autônomo, sem patrões e lotado de emoções reservadas que explodem em imagens abertas de Natal em rostos, ruas, construções, paisagens, destruições,  aventuras, tristezas, celebrações. 
  

Avesso à vida social de eventos, por opção própria e sem condenar quem aprecia, observo Canindé Soares numa onipresença de minhas leituras virtuais e nas raras saídas de casa que não sejam ao trabalho. Aos jovens que começam a receber as suas pautas nas redações, Canindé Soares ensina, sem teorias e com humildade , que a regra básica do ofício é a maravilha do imprevisível.


Notícia não dorme, nem marca hora. Não espera nem tangencia. Com a febre das redes sociais, é Canindé Soares nos seus 32 anos de batalha em redações quem dá o exemplo renovador. É agente multiplicador do fato sem ser dele sua estrela. É transmissor. Sem juízo de valor, como eu faço dele, ao escrever agora, cometendo o pecado permitido ao aprendiz de cronista, que é o de adjetivar pelo vício da franqueza. Cronista é o mendigo da subliteratura.


Observar o trabalho de um notívago, de um madrugador, de um combatente da informação esteja ela onde estiver, é um a tarefa muito mais que banal. É flagrante por constatar que ainda existe vida em sentimento numa cidade onde já existiram jornais e poetas em cada esquina e hoje cada qual busca o lugar em que o outro por acaso domina. 

 
Canindé Soares fotografa idosas em bailes de fim de ano. Sorridentes e exibindo, além dos vestidos longos, a felicidade que a força da modernidade expulsa de todos nós, os seus sucessores e, mais ainda, da geração do meu filho, que irá ocupar o meu lugar. 

 O  livro “Vem Viver Natal"  do repórter fotográfico Canindé Soares
  um registro artístico de grande qualidade  da cidade do Natal/RN  

Ao subir num avião ao lado do piloto Roberto Duarte, outra figura de Natal, testemunha silenciosa e ética de articulações políticas e conchavos aéreos históricos conduzindo autoridades, Canindé Soares escancara, num Cinemascope imóvel, como se a tela do Velho Rex fosse, a cidade banguela sem o Estádio Machadão e o Ginásio Machadinho.

Eis a diferença sanguínea entre a frieza da expansão carrancuda e a sensibilidade de um profissional de fé e de amor pelo que faz. Sou mais a Natal de Canindé Soares. 
  

...fonte...

 ...visite...

 Entrevista 10 x 140 – Por Pedro Henrique (@PH_natal)
 
...RETROSPECTIVA POTIGUARTE... 

dezembro 13, 2011

UM OLHAR SOBRE OS MANGUES POTIGUARES

 Fernando Chiriboga

FOTOGRAFIA

O fotógrafo equatoriano radicado em Natal - Fernando Chiriboga - lança o seu livro de fotografias intitulado "Mangues Potiguares: Vida e Maré", neste sábado, 17 de dezembro,  na Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall,  das 18h:00 às 22h:00.

Neste livro, Fernando Chiriboga retrata áreas ainda preservadas do manguezal potiguar. A beleza dos locais fotografados surpreende e emociona. E é essa a sua intenção: emocionar, revelar, sensibilizar, ressaltar a importância da preservação dos bosques de mangues remanescentes enquanto ainda há tempo.

Nascido em Quito, nos Andes equatorianos, Fernando Chiriboga reside no Brasil desde 1985. Fotógrafo, designer gráfico e artista plástico, ao longo de sua carreira têm conquistado vários prêmios. Apaixonado por fotografia de natureza, aventura e paisagens urbanas. Já lançou "Luzes da Cidade", seu quinto livro,  “Matas Potiguares – Natureza e Surrealismo”, “Praias e Dunas – Rio Grande do Norte”, “Seridó – Paisagens de um Sertão Encantado” e “De Ondas e Ventos – Potiguares na imensidão do mar”.

 Rio da Casqueira - Macau/RN

MANGUES POTIGUARES
Vida e Marés

Por
José Roberto Bezerra de Medeiros

No ano em que celebra 50 anos de desenvolvimento das atividades de distribuição de energia elétrica no Estado do Rio Grande do Norte, a COSERN, alinhada às diretrizes de responsabilidade socioambiental e à política de sustentabilidade adotada pelo Grupo Neoenergia, ao patrocinar este projeto através da Lei Estadual Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura busca incentivar a preservação da rica biodiversidade potiguar.

Os mangues do extenso e belo litoral do Rio Grande do Norte, captados pelas experientes lentes de Fernando Chiriboga, são apresentados em seu esplendor nesta obra. As belas imagens, enriquecidas com informações sobre espécies da flora e da fauna nativas, tornam Mangues Potiguares – Vida e Marés uma obra essencial. Paisagens esplendorosas, reveladas sob diversos ângulos, mostram as riquezas da biodiversidade e do ecossistema de zonas estuarinas potiguares como Curimataú-Cunhaú, Potengi, Ceará–Mirim, Nísia Floresta- Papeba-Guaraíra, Apodi-Mossoró, Açu e Guamaré-Galinhos.

Por meio desta obra, convidamos os leitores a conhecerem aspectos relevantes dos belíssimos manguezais potiguares, estimulando-os na formação de uma consciência de preservação ambiental tão necessária nos dias atuais.                                                      

 
 Aratus

O MANGUEZAL E SEUS SORTILÉGIOS

Por
Dorian Gray Caldas

Temos agora, do artista, fotógrafo, documentador Fernando Chiriboga, mais uma obra de arte, mais um livro que enriquece o patrimônio dos nossos registros culturais e artísticos: o manguezal. “Verde que te quero verde”. Compacto e complexo com a sua biodiversidade natural, de indescritíveis atalhos, galharias densas, fauna e flora próprias da sua natureza marinha, nas reservas que proporcionam as vidas obscuras dos seus usuários: moluscos, caranguejos, peixes, camarões. O sustento e a sobrevivência, o social e o comércio na reserva do seu criatório.

Fernando Chiriboga, com sua larga competência, registra, documenta, revela e enobrece esta biosfera marítima com seus ensaios fotográficos, com seu olho de poeta à semelhança de Saint-John Perse, o escritor do mar. Fernando Chiriboga conhece os sortilégios marinhos da nossa costa atlântica: Curimataú, Cunhaú, Potengi, Papeba, Guaraíra, Apodí, Guamaré, Galinhos. A vida de nossas marés. 

A seleção de fotos buscou retratar prioritariamente as áreas 
ainda preservadas do manguezal potiguar

Fernando Chiriboga, com a sensibilidade que Deus lhe deu, fez também a redescoberta de nossas matas potiguares, seus encantos e complexidades, o Seridó e o Sertão de outros tempos e outros ancestrais, que nos olham do retrato. “Como dói”. As ondas e os ventos, as caiçaras dos rios gerais. Sítios arqueológicos, inscrições rupestres, a mão dos nossos antepassados, presença humana apontando para o futuro, o sangue ingênito da seta do guerreiro, a vida virtual que veio de longe, como um registro de aviso do Eclesiastes; a temporalidade humana.

Esse andino de voos altos, asas de albatroz, faz o difícil resgate, vontadoso e independente, viajando e interagindo, documentando e redescobrindo velhas tradições de nossas particularíssimas idiossincrasias. Margeando nosso litoral, diante destes jardins de manguezais do Atlântico nos permite a certeza da permanente eleição do seu talento.                                                                                
                                                                         
 Garça-branca

 É PRECISO PROTEGÊ-LOS, RESPEITÁ-LOS, PRESERVÁ-LOS 

Por
Leila Medeiros de Chiriboga

Mangues. Árvores da família das rizoforáceas que compõem a vegetação natural da floresta de manguezal, nativas de regiões tropicais das Américas, da África e da Ásia, em áreas alagadas pelas marés. Em suas copas, muitas espécies de aves nidificam, procriam, alimentam-se, descansam. São garças, socós, martins-pescadores, bem-te-vis, maçaricos...  

As árvores de mangue ocupam os ambientes aquáticos costeiros de estuários, lagoas e lagos, nas faixas entre marés, e determinam uma dinâmica de fixação de sedimentos com alto percentual de matéria orgânica. O manguezal é, portanto, uma comunidade altamente produtiva, um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta, onde se aloja um grande número de espécies de seres vivos. Considerado berçário da vida marinha, esse bioma de incomparável beleza é um verdadeiro santuário ecológico para a reprodução de centenas de espécies de vida aquática. O manguezal garante-lhes alimento, proteção, condições de reprodução e crescimento, e é fonte de subsistência para inúmeras famílias de pescadores e marisqueiros, que catam espécies como caranguejos, sururus, siris, ostras e aratus. Os mangues contribuem para a sobrevivência de répteis e mamíferos, muitos deles integrantes das listas de espécies ameaçadas de extinção.

No Brasil, em toda a sua extensão, do Amapá a Santa Catarina, o manguezal constitui Área de Preservação Permanente (APP). Em solo brasileiro encontra-se a segunda maior área de mangue do mundo. Oitenta por cento estão no Nordeste. Contudo, apesar de protegido por lei, o ecossistema manguezal vem sendo devastado. Nos últimos anos, os manguezais brasileiros têm diminuído de forma significativa e alarmante.

 Mangue Canoé - Rio Ceará-Mirim

Ao longo do litoral potiguar, as florestas de manguezal distribuem-se em sete principais zonas estuarinas: Curimataú/Cunhaú, Nísia Floresta/Papeba/Guaraíra, Potengi, Ceará-Mirim, Guamaré/Galinhos, Açu e Apodi/Mossoró, além dos estuários pequenos como os dos rios Maxaranguape, Pirangi, Catu, Jundiaí, Guarapes e Camaragibe.

O Rio Grande do Norte é um dos estados do Nordeste com o maior índice de destruição desse bioma de valor inestimável. Os principais impactos ambientais identificados estão relacionados ao desmatamento dos mangues, à poluição dos estuários e lagoas e às atividades econômicas desenvolvidas na região. É certo que tais atividades são muito importantes para a economia e o desenvolvimento locais, pois são geradoras de emprego e renda. Mas é imprescindível que sejam realizadas de forma responsável, através de tecnologias sustentáveis, que garantam a preservação e a qualidade dos recursos ambientais, sendo também necessário que se promova a revitalização das áreas já degradadas.

Neste livro, Fernando Chiriboga busca retratar prioritariamente áreas ainda preservadas do manguezal potiguar. A beleza dos locais fotografados surpreende e emociona. E é essa a sua intenção: emocionar, revelar, sensibilizar, ressaltar a importância da preservação dos bosques de mangues remanescentes enquanto ainda há tempo.

Em sua riquíssima biodiversidade, os mangues nos dão vida, sustento, equilíbrio. Em justo reconhecimento, precisamos protegê-los, respeitá-los, preservá-los. Pelo bem de nós mesmos.

...fonte...
 MANGUES POTIGUARES
VIDAS E MARÉS
José Roberto Bezerra de Medeiros
Diretor-Presidente da COSERN
 O MANGUEZAL E SEUS SORTILÉGIOS
Dorian Gray Caldas
 É PRECISO PROTEGÊ-LOS, RESPEITÁ-LOS, PRESERVÁ-LOS
Leila Medeiros de Chiriboga

...fotografias...
Fernando Chiriboga

...serviço... 
 Lançamento livro de fotografias
 MANGUES POTIGUARES
VIDA E MARÉS
 17.DEZEMBRO.2011
18h às 22h
 Livraria Siciliano - Shopping Midway Mall

dezembro 07, 2011

TALENTO POTIGUAR RECONHECIDO NOS EUA

RASMUSSEN XIMENES

TALENTO RECONHECIDO
PROJETO MOCO CONCORRE A PRÊMIO AMERICANO

 Por
Diógenes Dantas

Você já imaginou entrar para o hall da fama, ganhar um prêmio internacional e conquistar o reconhecimento do público neste mundo globalizado? Sonhar com tapete vermelho hollywoodiano e todos os flashes de um evento desse tipo é coisa para poucos. Rasmussen Sá Ximenes, 40 anos, artista plástico natural de Currais Novos (RN), criador da Arte Mocó, está concorrendo ao Brazilian International Press Awards, nos Estados Unidos, uma das mais relevantes celebrações da cultura brasileira no âmbito internacional.

O evento homenageia as personalidades, instituições e iniciativas comprometidos com a promoção artística, cultural e imagem positiva do Brasil. Gente importante como Jorge Bem Jor, Ivete Sangalo, Lima Duarte, Antônio Fagundes, Regina Duarte, João Ubaldo Ribeiro, Luís Fernando Veríssimo, Glória Maria, Caco Barcelos, Washington Olivetto, Maurício de Sousa, Emerson Fittipaldi, o ex-lutador de box, Acelino Popó Freitas e a ex-jogadora de basquete, Hortência Macari, já foram agraciados com o troféu do Brazilian International Press Awards.

O seridoense Rasmussen Ximenes concorre na categoria de artes visuais, mas a premiação abrange a dança, a música, o esporte e ações comunitárias. "O que mais me orgulha foi ter sido selecionado por indicação de jornalistas da Califórnia que conheceram o projeto de arte Mocó e se tornaram admiradores do nosso trabalho. Eu não me inscrevi em nada. Fui descoberto", comemora Rasmussen.

 "Eu não me inscrevi em nada. Fui descoberto"

ETAPAS DO PRÊMIO

O processo de indicações e premiação do PRESS AWARDS envolve quatro etapas: A primeira é aberta ao público em geral através da Internet e já começou desde o último dia 5. Até 25 de janeiro, serão recebidas centenas de sugestões de indicados através do site oficial http://www.pressaward.com/votacao/.

Com base nessas sugestões, o Board do Press Awards elabora a lista dos pré-indicados, que vão a voto popular pelo site oficial. Este voto define os indicados em cada categoria.

Em seguida, o Colégio Eleitoral, formado por representantes das mídias, lideranças e representantes de entidades culturais e comunitárias brasileiras de cada região escolhe, entre os indicados, os ganhadores da temporada. Os vencedores recebem o troféu "Newspaper Boy" (Jornaleiro) criado pelos artistas Romero Luis (estatueta) e Arthur Moreira (base).

As cerimônias de premiação do Press Awards-USA 2012 estão marcadas para os dias 4 de maio (Imprensa & Publicidade, no Cinema Paradiso, e 5 de maio (Arte, Cultura & Comunidade), no Amaturo Theater/Broward Center, em Miami.

A iniciativa da Associação Brasileira de Imprensa Internacional conta com o apoio de empresas brasileiras como a TAM, Banco do Brasil e Rede Globo Internacional. Além de Miami (EUA), o evento realiza edições em Londres (Reino Unido) e Tokyo (Japão).

"Eu estou muito feliz por ter sido indicado para participar do prêmio. E vou ficar mais feliz ainda se a galera votar na arte Mocó (risos). Já imaginou se eu ganhar?", indagou Rasmussen confiante.

  "Procuro sempre o contraste com as cores primárias"

UM ARTISTA POTIGUAR  ENCANTA  A CALIFÓRNIA

Por
Carla Cruz

Um Curraisnovense, com um nome arábico e residente nos Estados Unidos. Dessa mistura de culturas e influências nasceram a arte e a personalidade de Rasmussen Sá Ximenes. Aos 40 anos, o potiguar radicado na Califórnia transformou as telas e a tinta acrílica no mais fiel retrato do dia-a-dia das famílias americanas, o qual descreve como um “estilo de vida curioso e extremamente consumista”. Com influências de várias partes do mundo, o artista potiguar está encantando aos americanos com seus traços e cores fortes. Mocoh e Glorinha Távora idealizaram  uma exposição no Consulado do Brasil em San Francisco.

Em meio aos vinhedos de Sonoma, onde encontra inspiração para seus quadros, Mocoh (como assina suas obras e como o chamaremos) tem encantado aos norte-americanos com as cores vivas, que não negam suas origens tropicanas. “Minha relação com as tinhas é muito simplória. Procuro sempre o contraste com as cores primárias. Acho que foi exatamente esta simplicidade que seduziu os americanos”, destacou em entrevista especial ao portal Nominuto.com.

Uma olhada rápida para se perceber a grandiosidade do trabalho de Mocoh

Admirador pleno da beleza e da harmonia, Mocoh encanta com seus sentimentos, reproduzindo-os em cenas do cotidiano e fazendo uma fusão de culturas entre as Américas. Suas obras também denunciam o passado nômade, herdade pelo pai minerador. Mesmo sendo filho e neto de professoras, não foi um aluno exemplar, o que não impediu que mais tarde nascesse o artista inovador, livre de todas as regras “normalistas”.

Atualmente, o artista desenvolve uma série intitulada “Mesas”. Nela, expõe resquícios de uma outra paixão que cultiva: a culinária. A ideia, segundo ele, é retratar o cotidiano dos americanos em personagens com características da arte nordestina. “Neste trabalho, utilizo a aplicação de pasta sintética em tela, rabisco com carvão e tudo começa a se harmonizar com muita tinta acrílica”, descreveu. Falando assim, parece simples, mas basta uma olhada rápida para se perceber a grandiosidade do trabalho de Mocoh e o capricho nos detalhes.

 Glorinha Távora, a quem Mocoh se refere, é sua conterrânea e atual curadora

No entanto, apesar da desenvoltura com as tintas, suas habilidades pictóricas são relativamente recentes. Tudo começou há cerca de 10 anos, quando morava em Brasília. Lá, Mocoh viveu uma fase de muita produção. Na época, realizava trabalhos com tinta guache em cartolina e que hoje estão espalhados por São Paulo, Brasília e Natal. “Nasci artista, mas as habilidades pictóricas estiveram um bom tempo introspectas, pelo menos até Glorinha Tavora, a potiguar mais cosmopolita que conheço, introduzir meus trabalhos nos crivos dos críticos de arte de San Francisco”, comentou.

Glorinha Távora, a quem Mocoh se refere, é sua conterrânea e atual curadora. Foi ela a responsável por projetar seu trabalho em San Francisco e tem participado ativamente do processo de produção. “Aqui, tive contato com as obras de Henri Matisse, e isso me inspirou. Mas, passei a conhecer arte de verdade e de qualidade nos anos que vivi em Brasília, quando Sávio e Dodora Hackradt me deram todo suporte”, revelou o artista curraisnovense.

Momento único: Flávio Freitas e Rasmussen Sá Ximenes - San Francisco - CA

Hoje, Mocoh dedica todo o seu tempo à pintura, mas Rasmussen é também cozinheiro profissional e já comandou as panelas de alguns restaurantes americanos, inclusive com bandeira francesa. Para o futuro, seus planos estão todos ligados à pintura. A primeira exposição do artista aconteceu  no Consulado do Brasil em San Francisco. "Meus planos para o futuro são de divulgar meu trabalho, crescer e aprender novas técnicas. Poder criar com mais liberdade e espaço. Tudo até agora tem acontecido de maneira espontânea", comemorou o artista.

Mocoh também não descarta uma volta ao Brasil. “Tenho sangue nômade, herdado pelo meu pai, e muita disposição para percorrer o mundo. Mas, penso sim em me aquietar no Seridó, minha grande paixão e parte das minhas inspirações”, completou. Essa é a arte de Mocoh, que longe de ser um artista impressionista, impressiona, expondo seu lado expressionista e encantando pela ingenuidade de seus traços e personagens de fisionomias austeras.

...fonte...
Diógenes dantas
Carla Cruz  
www.nominuto.com  &   www.nominuto.com
 
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...fotografia...
Divulgação