janeiro 21, 2012

PROCURA-SE ESCRITORES EM SOLO POTIGUAR

"Existe literatura potiguar?"

 PROCURA-SE ESCRITORES
EDITAL QUE PREVÊ PUBLICAÇÃO DE 30 LIVROS
SEGUE COM 12 INSCRITOS

 Por
Sérgio Vilar

O título de matéria publicada em O Poti/Diário de Natal há dois meses questionava: "Existe literatura potiguar?". O resultado do edital de publicações lançado pela secretária extraordinária de Cultura em 2011 mostra que não. Ou pelo menos que é insignificante. O edital prevê patrocínio para publicação de 30 livros. E o que deveria ser disputa pela oportunidade virou apelo da Secult para mais participação. Apenas 12 autores se inscreveram. O prazo para inscrição foi prorrogado duas vezes no ano passado para oferecer novas chances aos autores. Sem resultado, a secretária Isaura Rosado decidiu ontem deixar as inscrições abertas permanentemente até preencher os 30 títulos aptos a publicação. "E olhe que em cada um dos 30 municípios que visitei chamei a atenção para este edital".

Os critérios para a seleção incluem obras que contribuam para o registro histórico das origens potiguares e também para o desenvolvimento de novas linguagens culturais. A Secretaria pretende publicar, além de livros, cordéis, ensaios antropológicos, inéditos de autores consagrados e até quadrinhos. Cada um dos 30 títulos a serem publicados terá tiragem de 500 exemplares. Destes, 200 ficarão com os autores e o restante encaminhado para bibliotecas nacionais, à mídia especializada, ao governo e à reserva técnica da Gráfica Manimbu. Um dos objetivos deste edital é atuar diretamente no fomento e na formação de escritores e leitores. "É mais uma ação do Governo para apoiar e difundir a cultura potiguar através da literatura", destaca a secretária.

A Secult nomeou uma comissão técnica formada por Racine Santos, Carlos Gurgel e José Albano para avaliar o material enviado sob a ótica das exigências do edital. E uma segunda comissão para analisar o mérito das obras, formada por Vicente Serejo, Carlos de Souza, Tarcísio Gurgel, Iaperi Araújo e Sérgio Vilar. Já foram enviadas 13 obras, sendo aprovadas 12 pela comissão técnica e o cordel será encaminhado à edital específico para esse gênero literário. Parte dos livros foi distribuída ontem entre membros da comissão de análise de mérito. Outra parte será entregue ainda este mês. "Nossa intenção é iniciar o lançamento dos primeiros livros assim que passar o período do carnaval", adiantou Isaura Rosado.

Prestes a ser lançado o livro inédito de João Alves de Melo
  contendo três fotos nunca publicadas de Saint Exupéry
ilustração: coletada via internet

LANÇAMENTOS À VISTA

Três livros de reconhecido valor literário já estão prontos para lançamento. O livro de prosa Cidade dos Reis foi apresentado ontem ao autor, Carlos de Souza. Estão na agulha também o esperado título do folclorista Deífilo Gurgel, O Romanceiro Potiguar. E ainda um livro inédito de João Alves de Melo contendo três fotos nunca publicadas de Saint Exupéry, possivelmente em Natal - retomando a polêmica da presença ou não do aviador francês na capital potiguar. Esses três livros foram publicações avulsas, sem o crivo de edital ou comissão. Assim como foram publicados 24 títulos (afora 11 cordéis) em 2011. 

 Pinacoteca do Rio Grande do Norte
fotografia: Fellipe Souza  

COMISSÃO AVALIARÁ CONTEÚDO DAS OBRAS

Todos os outros 30 livros programados para publicação em 2012 serão analisados pela comissão. "Esses 24 títulos publicados (incluindo dois catálogos, de Fé Córdula e outros sobre as Joias da Pinacoteca Potiguar) foram livros já encaminhados, alguns semiprontos pela Fapern e outros que julgamos importantes para o acervo literário potiguar. É possível que tenhamos cometido alguma injustiça. Mas foi importante retomar esse ritmo de publicações e este ano haverá um crivo técnico para melhor avaliação", disse a secretária. A última gestão, comandada pelo cordelista Crispiniano Neto publicou menos de dez livros em quatro anos. "Conseguimos resgatar a Gráfica Manimbu com cinco máquinas doadas pela Fapern, que eu havia comprado para a gráfica de lá e eles julgaram que deveriam vir pra cá". As máquinas são uma off-set e outras quatro para acabamento de impressão.

Entre os livros publicados no ano passado estão obras de Adriano de Souza, Dorian Gray Caldas, Paulo Jorge Dumaresq, Iaperi Araújo, Enélio Petrovich, Marize Castro, Maia Pinto, Antônio Júnior, José Lacerda Felipe e outros. Além de 11 cordéis e três edições da Preá, sendo uma já pronta e com lançamento previsto para fevereiro. Isaura Rosado também adiantou que todos os lançamentos previstos para 2012 virão acompanhados de outra solenidade, para contenção de custos de buffet e logística. "Ou é assim ou a Fundação vai viver de festa", brincou a secretária.  

 O acervo literário potiguar em crescente refomulação
 ilustração: coletada via internet

INSCRIÇÃO

Para se inscrever, os candidatos devem comparecer à Fundação José Augusto com requerimento e formulário de identificação do autor, incluindo mini-currículo (entre 5 e 10 linhas), resumo informativo do trabalho entre 100 e 300 linhas, digitado em fonte Times 12, espaço 1,5 em duas vias impressas e também em meio eletrônico; termo de entrega e compromisso do autor com a Secretaria /FJA/Gráfica e Editora Manimbu. Cada proposta deverá estar inteiramente editorada, pronta para impressão, em arquivo aberto, acompanhada dos originais do livro em três vias, sendo duas impressas e uma em CD-R ou DVD, à exceção dos projetos de reedições. Nos originais devem constar: o texto a ser publicado, apresentação, sumário, anexos, orelhas quando houver, e capa (até 4 cores). 


...fonte...
Sérgio Vilar

janeiro 18, 2012

A SEGUNDA PELE DE ROBERTA SÁ

  "SEGUNDA PELE"
A cantora  potiguar vem mais sensual e tropicalista em novo disco
crédito: Fernando Torquatto

 ROBERTA SÁ EM NOVO ÁLBUM
"EU ERA SENHORA. AGORA SOU JOVEM"

 Por
Lívia Machado
Do G1, em São Paulo

Saem de cena os tons rosados do figurino e a postura recatada, ora senhoril e por vezes infantil. Em seu novo álbum - “Segunda Pele” - Roberta Sá canta sobre (e com) malícia. Para ela, a mudança faz parte do seu processo de inovação. 

“Eu era mais senhora e ao mesmo tempo, meio menina, doce. Roupa rosa, cenário rosa", disse ela, durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (17), em São Paulo. "Depois que completei 30 anos ganhei uma caixinha de liberdade e permiti ser mais vaidosa e sensual. Agora sinto que posso me apresentar de uma forma madura, sem tantos medos", completa.

Durante o período de maturação do trabalho, Roberta leu livros da obra de Hilda Hilst (1930 - 2004), escritora, poeta e dramaturga brasileira. As histórias de amor da escritora contaminaram o processo criativo e de libertação, concluídos no disco - o quinto da carreira - que será lançado no dia 24 de janeiro nas lojas de todo o país. “É um livro que eu recomendo. Fez parte de todo o processo do novo álbum, me inspirou demais. O disco tem essa coisa jovem, do flerte, da lua, primeiro beijo e do amor.”

  "Depois que completei 30 anos ganhei uma caixinha de liberdade"
 crédito: Natura Musical

NOVOS CAMINHOS

Além de investir em roupas mais sensuais, Roberta optou por fugir do samba, que a consagrou. Queria mostrar um produto mais abrangente e diferenciado. Quase pop. Ela conta que tinha um atalho fácil para dar sequência e fazer uma espécie de “Que belo estranho dia para se ter alegria 2”, um dos seus álbuns de maior sucesso. “Tinha em minhas mãos um repertório bem similar ao segundo disco. Mas eu queria propor algo novo ao meu público. Como ouvinte, eu não gosto de trabalhos repetidos, acho chato.”

Para tentar fugir da mesmice musical, buscou canções inéditas de novos compositores. Rubinho Jacobina, Moreno Veloso, João Cavalcanti são alguns de seus fornecedores. Embora tenha priorizado um material fresco, concedeu espaço a duas regravações especiais: “Deixa sagrar” e “No arrebol”.

Sucesso de Caetano Veloso lançado por Gal Costa no Carnaval de 1970, “Deixa sangrar” fazia parte do repertório de Roberta quando ela cantava em bailes pré-carnavalescos. A releitura remete a tal fase, e coloca a letra de Caetano para dançar frevo. “Eu adorava cantar essa música. Era um desejo antigo, sempre tive vontade de gravar, mas não conseguia encaixá-la nos outros discos. Agora deu certo.”

“No arrebol”, música do sambista Wilson Moreira, foi a primeira canção garantida no disco. Roberta revela que queria gravar algo do mestre de qualquer jeito. “Quando recebi a versão em reggae fiquei encantada. É linda demais, foi um presente.”
 
    Roberta Sá canta sobre (e com) malícia
  crédito: fabio bartelt

CONEXÃO

Ao soltar as rédeas, e mostrar mais até do próprio corpo, Roberta também resolveu testar sua voz em outro idioma, o que achava arriscado no início de sua carreira. “Desde o primeiro disco eu tenho vontade, mas sentia que era precipitado. Estava me lançando como cantora, era muita coisa pra querer abraçar. Nesse disco, achei que era viável. Procurei pelo Drexler e ele topou na hora.”

Roberta conheceu o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler em 2004. Assistiu ao show do músico no Rio de Janeiro e se encantou pela qualidade e gentileza do rapaz. “Fiquei admirada com a voz doce, o jeito dele. Faz parte de uma nata de compositores novos, jovens, que eu gosto muito. Ele é quase brasileiro.”

Drexler não apenas compôs “Esquirlas”, musica inédita para Roberta, como aproveitou sua passagem pelo Brasil em 2011 para gravar ao lado da cantora. “Ele vinha para o Rock in Rio e eu o convidei para o duo. Ficou lindo.”

Roberta Sá e Chico Buarque
A cantora e compositora  acredita que compor é uma função superior
crédito: Dora Jobim

COMIDA CASEIRA

O trabalho que pretende simbolizar a segunda pele da cantora ainda mostra um lado autoral. Roberta ajudou a compor a música “No bolso”, feita por ela e pelo marido, o músico e compositor Pedro Luís, em uma conversa no sofá de sua casa.

Embora tenha gostado do resultado, se sente mais confortável no papel de intérprete. Acredita que compor é uma função superior, digna de músicos como Chico Buarque, Edu Lobo e Tom Jobim. “Minha educação e influência musical me deixaram com um padrão muito alto. Acho que compor é coisa para esses músicos geniais. Sou muito crítica e julgo bastante meu trabalho.”
 
A turnê do novo disco começa no dia primeiro de março, em Salvador. Roberta ainda se apresentará no Recife (03/03), em Natal (04/03), no Rio de Janeiro (10/03), em Porto Alegre (16/03), Curitiba (17/03), Florianópolis (18/03) e São Paulo, ainda sem data confirmada.

...fonte...
Lívia Machado
Do G1, em São Paulo

...fotografia...
  Fernando Torquatto - Natura Musical
Gui Paganini - Dora Jobim - fabio bartelt

...frase...
"Há sonhos que devem permanecer nas gavetas,
nos cofres, trancados até o nosso fim.
E por isso passíveis de serem sonhados a vida inteira"
(Hilda Hist)

janeiro 17, 2012

REVERENCIANDO O PÔR DO SOL DO POTENGI

 PÔR DO SOL NO RIO POTENGI 
Uma nova atração cultural e turística de Natal/RN
  fotografia: Canindé Soares

 DESPEDIDA SOLAR EM FESTA
ROTEIRO PARA O FIM DE TARDE EM NATAL

 Por
Tádzio França 

O sol sai de cena mais brilhante do que quando nasce. Não precisa de grandes explicações científicas e geográficas para se constatar isso; basta escolher o lugar certo para apreciar um dos mais bonitos e tradicionais fenômenos da natureza. Em Natal, o cenário perfeito é conhecido desde que a cidade nasceu: o Rio Potengi continua oferecendo o melhor encontro de luzes, cores e sombras quando o sol se põe. Os melhores pontos de observação estão entre a Ribeira e a Cidade Alta. As iniciativas que favorecem essa apreciação ainda são menores do que se deveria. Mas ver o pôr do sol em Natal é um programa que todo natalense gosta, e que o Brasil - que por enquanto não conhece tanto - em breve deverá apreciar mais.

Música clássica e MPB no pôr do sol do rio Potengi
 fotografia: www.natalonline.com

NO IATE CLUBE, ELE É SAUDADO COM MÚSICA

O projeto Pôr do Sol do Potengi é a pioneira - e mais duradoura - iniciativa a contemplar a despedida solar no fim da tarde em Natal. Há três anos, o encontro se realiza semanalmente no Iate Clube, às terças, quartas e quintas, atrelado a uma programação musical e serviços de bar e restaurante. A ideia foi livremente inspirada no projeto similar que ocorre em João Pessoa, na Paraíba. Lá, o evento tem apoio maciço das agências de turismo, governo e empresários. Por aqui, apesar de não ter tantos apoios, já caiu no gosto de público, que passou a encarar o projeto como uma opção de lazer diferenciada na capital potiguar.

Um programa em família, bem perto dos natalenses
fotografia: Aldair Dantas

Há dois meses o Pôr do Sol no Potengi lançou uma nova programação, visando se renovar e atrair mais público. O formato básico continua: no momento do 'ocaso', o barco com sax vai às águas enquanto toca canções como "Royal Cinema", de Tonheca Dantas, a Ave Maria de Gounod, "Serenata dos pescadores (Praieira)", de Othoniel Menezes, e "Trenzinho caipira", de Heitor Villa-Lobos. 

Um dos mais belos pôr do sol do país, o do rio Potengi
  fotografia: www.joaquimtour.blogspot.com

Após o sol se pôr, entra em cena uma das novas aquisições do projeto, a banda Chico Preto Samba Jazz (formado por músicos do Perfume de Gardênia), que fazem uma trilha de acordo com o clima relaxante e romântico da ocasião. O cantor Isaque Galvão entra em cena rapidamente, sobre pernas de pau e com visual folclórico, para apresentar oficialmente o projeto, dar boas vindas e cantar uma música. A performance de Isaque impressiona. Depois entram em cena as rimas rápidas de Manoel do Coco, que vai de mesa em mesa fazendo seus repentes improvisados e agéis com as pessoas. Ninguém escapa. Os turistas adoram, e Manoel dá aula de geografia ritmada. 

O  rio Potengi, o "rio de camarões", em tupi 
Um crepúsculo de matizes de cores, mas que precisa ser preservado
  fotografia: Canindé Soares

Isaque Galvão volta, sem pernas de pau, às 18h30, para uma nova fase do show, agora focado em canções regionais, samba e jazz. "É um repertório para o horário. Já é noite e a ocasião pede músicas mais festivas, animadas", afirma. O cantor é integrante do projeto desde o começo - mas afirma que não se cansa do cenário. "Considero um momento de comunhão com a natureza, muito agradável e inspirador", diz. Com 15 anos de carreira, Isaque conta já ter se apresentado em praias, mas não é mesma coisa do Potengi. "Aqui o cenário é  romântico, nostálgico, bucólico... muito diferente do agito praieiro", conta. Para o músico, o pôr do sol no Potengi deveria ser visto não só como uma opção comercial a ser melhor explorada, mas também como item cultural. 

Uma visibilidade extra será dada ao sol se pondo no Potengi 
quando for ao ar a matéria gravada  pela equipe da apresentadora Xuxa
fotografia: Salomão Dantas/Fotolog

UM PÔR DO SOL PARA A TV XUXA

Uma visibilidade extra será dada ao sol se pondo no Potengi quando for ao ar a matéria gravada recentemente pela equipe da apresentadora Xuxa. A ideia do programa era mostrar os melhores pontos turísticos de Natal. A produção veio, filmou toda a programação, com a matéria sendo conduzida pelo ator Bernardo Mesquita. A reportagem será exibida no próximo dia 21 de janeiro, um sábado. Não foi a primeira vez que as câmeras da Globo filmaram o projeto; a anterior foi no Bom Dia Brasil. Mais um reforço para que as pessoas - sobretudo natalenses - vejam melhor algo que está bem perto delas.

Pedra do Rosário
O local é belíssimo, mas não inspira - ainda -  segurança 
  fotografia: Canindé Soares

OS MELHORES PONTOS PARA VER O SOL SE PÔR

Apenas uma iniciativa explora oficialmente a beleza do pôr do sol natalense. No mais, é preciso imaginação e um tanto de coragem. Fora do conforto do Iate Clube, também há locais estratégicos de onde se pode ver bem a  despedida solar, no entanto, sem as mesmas garantias de segurança. Um dos lugares mais visados é a área da Pedra do Rosário. O local recebeu melhoras , com uma pequena pracinha, escadaria, e um deck onde fica a estátua em um pedestal alto - para não ser roubada. O local é belíssimo, mas não  inspira segurança.

Pôr do sol no rio Potengi
com os manguezais da Zona Norte de Natal ao fundo
fotografia: Fábio Pinheiro

O fotógrafo Walmir Queiroz estava na Pedra do Rosário para fazer um ensaio com um casal de noivos. Eles queriam um banner com pôr-do-sol ao fundo. Melhor cenário não há - apesar de tudo. "Esse lugar é maravilhoso, mas não tem segurança. Torna-se um risco dar uma passada para ver o sol. É preciso encarar a Pedra do Rosário como um lugar turístico e investir mais nele", opina.

Outros pontos padecem do mesmo problema. No Cais da Tavares de Lira, na Ribeira, já teve passeio de barco para apreciar o pôr do sol. Mas a sujeira e abandono do local hoje em dia não ajuda. Na Cidade Alta, redondezas da Igreja do Rosário, a localização é das mais privilegiadas; a área é residencial, mas a falta de maior segurança inspira cuidados. Outro ponto bem localizado fica próximo à Fortaleza dos Reis Magos; o monumento encerra as visitas às 16h, mas a passarela ao lado do mangue oferece uma ótima visão. Sendo que, mais uma vez, falta vigília. Natal precisa olhar com mais cuidado para o seu pôr do sol.


...fonte...
 Tádzio França

 ...serviço...
Pôr do Sol do Potengi. 
Terças, quartas e quintas, às 17h, no Iate Clube do Natal
Rua Coronel Flamínio, s/n - Santos Reis - Natal/RN - (84) 3202-4402
 Preço promocional durante janeiro, R$15. 
...frase...
 "Aqui o cenário é  romântico, nostálgico, bucólico
... muito diferente do agito praieiro" 
(Isaque Galvão)

janeiro 15, 2012

CALISTOGA: UMA NOVA PEGADA POTIGUAR

A banda potiguar já soltou várias músicas na web nos últimos anos,
mas foi em 2011 que eles lançaram o primeiro álbum,
chamado “Time and understanding”. Muito peso!

 CALISTOGA DESVENDADO

 Por
  Sérgio Vilar

O som das guitarras distorcidas de Poti ganharam eco para além da redoma do elefante e mostra que o sol na Cidade do Sol também nasce pra todos. O recente álbum da banda Calistoga, Time and Understanding, foi lançado no último dezembro e já figura entre as dez "Apostas para 2012" do conceituado blog do Multishow. São dez bandas do submundo do rock indicadas pelo blog. 

O mesmo álbum também consta na lista de 100 melhores do ano elaborada pelo portal paulista especializado em música Rock in Press (www.rockinpress.com.br), na 32ª colocação, à frente da também banda potiguar Talma&Gadelha, cujo disco Matando o Amor figura na posição 54, fato noticiado pelo Diário de Natal nesta semana. Calistoga chega a desbancar nomes como Gal Costa (Recanto) e Lenine (Chão).

Na curta descrição de cada uma das apostas do Multishow, o Calistoga foi citado como banda de "muito peso": "A banda potiguar já soltou várias músicas na web nos últimos anos, mas foi em 2011 que eles lançaram o primeiro álbum, chamado Time and understanding. Muito peso!". Sim, som pesado, hardcore, rock experimental ou simplesmente rock, puro, sujo e audível. Mas o álbum é o sexto lançamento da banda, entre EPs e o disco Normal People's Brigade, lançado em 2008.

 Rock pesado e letras em inglês é a marca da banda potiguar Calistoga

O Calistoga é um dos destaques na cena roqueira potiguar com participações intensas nos festivais potiguares Dosol e Mada - de reconhecimento nacional. E ainda com duas excursões pelo Sudeste na bagagem. "Quando tocamos fora do Estado vemos que muitas bandas potiguares não devem nada às bandas do Sul e que é possível alcançar esse cenário novo. E hoje é normal; é mais fácil essa possibilidade. Há uma interação maior entre os grupos e mais espaços para mostrar o trabalho", comenta Henrique Gela, guitarrista e um dos compositores da banda.

O novo álbum foi lançado oficialmente em João Pessoa. Em Natal, o show de lançamento será no dia 28 deste mês, no Centro Cultural Dosol, com abertura das bandas Set You Up e Venice Under Water. O som experimental das nove faixas de Time and Understanding (ou Tempo e Entendimento) foi gravado, mixado, masterizado e finalizado pela própria banda no Estúdio Voz. O grupo já trabalha com técnica de som desde a extinta Geladeira Discos e depois com o Coletivo Noize e foi responsável pela produção de vários CDs de bandas potiguares.

Com a mesma formação desde 2009, com Dante nos vocais, Henrique Geladeira e Rafael Brasil nas guitarras, Gustavo Rocha no contrabaixo e Daniel na bateria, o Calistoga mudou foi o som; uma nova pegada já diferente dos arranjos empregados no álbum Still Normal, de 2008. Um som mais "light", sem o mesmo "peso" enaltecido pelo Multishow. Seja nas guitarras ou no vocal. Um som mais audível e amadurecido, que parece mostrar uma nova fase da banda.

Quem ainda não ouviu o som dos caras, tem que parar  tudo e começar a ouvir

PERSISTÊNCIA E GARRA

Com apenas sete anos de estrada, o Calistoga já se mostra uma banda madura e das mais antigas em atividade em Natal/RN. O cenário difícil para projeção e perpetuação de bandas aniquilou o sonho de "super star" de muitos grupos potiguares. O Calistoga se manteve e hoje encontra um terreno mais fértil: "Hoje há mais possibilidade de produção de CD, mais oportunidade de shows, mais casas de show, inclusive para o rock: além do Dosol hoje temos o Hell's, o Jazzy, o Whiskritório e o Casanova Ecobar e, claro, fica mais fácil a banda ganhar um dinheiro e se manter por mais tempo", disse o guitarrista.

A influência das bandas de rock e hardcore estrangeiras no gosto dos integrantes é traduzida nas composições, todas em inglês. E no rastro de outras bandas potiguares que tomaram gosto pelas turnês nacionais, é essa pegada que o grupo levará novamente a São Paulo e estados do Centro Oeste em maio, quando farão a excursão para divulgar o novo CD fora de Natal. 

Uma das bandas mais ativas da cidade e surpreendendo a cada trabalho

 DISCO MOSTRA NOVA FASE DA BANDA

Em 2010, o Calistoga lançou seu primeiro videoclipe da música Feels so real, presente no último EP, tendo rendido uma nova turnê em São Paulo com 8 datas em 9 dias. Ao fim de 2011, a banda lançou o novo trabalho, Time and Understanding, fruto da nova fase mais "light", do convívio, das viagens, das brigas, da amizade e siceridade que tentamos transmitir em cada apresentação e em cada conversa.

O Calistoga surgiu no final de 2004, como um quarteto, juntos lançaram 5 EPs, sendo 4 físicos e um online, e tocaram em vários shows pelo Nordeste, nesse meio tempo a banda foi ganhando novas influências e uma nova sonoridade, que influenciou bastante na mudança da formação que aconteceu em 2009, prestes a lançar o EP Still Normal, a banda optou por colocar um novo guitarrista (Rafael Brasil) e deixar Dante nos vocais e efeitos, Daniel Araújo entrou na bateria no lugar Fernando Jr, que não iria mais poder continuar na banda por motivos pessoais.

A banda  está na lista dos 100 melhores discos de 2011 do site Rock in Press

PÉ NA ESTRADA

Ainda em 2010, a banda fez sua primeira turnê pelo Sudeste,tocando em várias cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, ao todo 15 shows, tocaram também em importantes festivais pelo Brasil, passando também pela região Centro Oeste nas cidades de Cuiabá (Festival Calango) e Campo Grande(Noites Fora do Eixo) e participando dos maiores festivais da cidade (Festival Dosol e MADA) e do Nordeste como Festival Mundo(PB), Aumenta que é Rock (PB), Festival Maionese (AL), Noites Abrafim e Fora do Eixo (PE, RN e MS), entre outros importantes shows. 


 ...fonte...
 Sérgio Vilar
www.diariodenatal.com.br

...visite...
 Banda Calistoga
  Rock in Press

...download...
 Calistoga na sua  mochila: “Still Normal“, que você pode baixar aqui!

janeiro 14, 2012

A INTIMIDADE DE UM SONHADOR

 FLÁVIO FREITAS EM VÍDEO
A aventura solitária e bela do artista plástico no seu cotidiano de trabalho
 
A INTIMIDADE DE FLÁVIO FREITAS EM VÍDEO

Por
Sérgio Vilar

Operação Plástica é o nome do documentário dirigido por Carito Cavalcanti e Joca Soares, com trilha sonora original de Edu Gomez. São 11 minutos de uma aventura solitária entre o artista plástico Flávio Freitas e o seu cotidiano de trabalho; entre criador e criação; entre o pensamento abstrato e a pintura concreta. É o artista em seu ateliê, na intimidade, no fazer artístico, no processo criativo. É o desenho de observação, a disciplina diária, o criar e vender, além da história do ateliê ancorado no bairro da Ribeira e a espiritualidade do artista.

O documentário foi exibido oficialmente nesta sexta-feira,13,  no espaço que compreende o ateliê do artista plástico Flávio Freitas e o Restaurante Dona Maria (vizinho ao Buraco da Catita, ainda na Av. Duque de Caxias), na Ribeira, Natal/RN. Tudo gratuito, junto a uma programação montada também em comemoração ao aniversário do artista. O lançamento oficial se dá após o doc ser duplamente premiado com os prêmios do Júri Popular e Menção Honrosa, na Mostra Competitiva Nacional do Festival Goiamum Audiovisual, realizada recentemente em Natal.

"Antes mesmo desses prêmios eu já considerava a classificação para a Mostra um prêmio, pois foi uma mostra competitiva nacional com mais de 200 filmes inscritos, e entrou um potiguar no meio dos 17 classificados. E que depois ainda levou dois prêmios", se orgulha Carito.

UM SONHO MUSICAL

Carito se vale do pensamento do filósofo e poeta francês Gaston Bachelard, quando diz que "o sonho é mais forte que a experiência", para justificar: "Esse é um filme de sonho! Derivado de sonhos - do sonho do artista plástico Flávio Freitas se tornar um pintor, do sonho audiovisual meu e de Joca Soares... Do sonho musical de Edu Gomez...".

Carito conheceu Flávio Freitas na época da faculdade de arquitetura, no início dos anos 1980, na UFRN. "Nos tornamos amigos e uma das marcas de nossa amizade foi a conversação. Papos e mais papos, às vezes nos sopapos da sua moto onde eu muitas vezes pegava carona para Petrópolis quando ele morava em Mãe Luiza numa 'casa-mural' a La Juan Miró."

Essa e outras histórias com certeza dão um longa-metragem: a história de Flávio que foi estudar música nos EUA a bordo de um navio cargueiro e voltou pintor. A história do jovem de família tradicional que optou em morar no bairro simples de Mãe Luiza. A história de Flávio que foi se auto-exilar por 10 anos na ilha de Fernando de Noronha, etc.

Mas Carito focou em um único "recorte". "Acho que foi João Moreira Salles que disse que um documentário pode funcionar muito bem com um recorte. Quando a gente quer contemplar muitas coisas acaba enfraquecendo a obra. E decidi focar o curta no ateliê de Flávio e em seus pensamentos. Senti que assim já teríamos pano pras mangas, plasticamente, conceitualmente".

SINTONIA

A intimidade de Carito com Flávio e a postura discreta de Joca Soares proporcionaram uma sintonia harmoniosa com o espaço sagrado do artista. "O conteúdo da entrevista surgiu como consequência da minha amizade de tantos anos com Flávio. Sempre conversamos sobre essas coisas. Então foi só provocar um pouco a situação, e deixá-lo livre no seu ateliê." A química entre os diretores foi tão intensa que depois da experiência criaram uma produtora de vídeo, a Praieira Filmes.

"Não sei se é um documentário. Prefiro chamar de filme. E como diz Michelangelo Antonioni: 'um filme não é para ser entendido, é para ser sentido". Então sintam à vontade. Sintam-se à vontade!', recomenda Carito

...fonte... 
Sérgio Vilar
 

janeiro 08, 2012

A SUAVIDADE POTIGUAR DE CAMILA MASISO

  O Rio Grande do Norte é o berço de mais uma artista 
que optou pelo Samba e Bossa Nova como foco principal de sua carreira

CAMILA MASISO
SUAVE COMO A VIDA DEVE SER

 Por
Erta Souza

Ela trocou o pop rock pela Música Popular Brasileira (MPB). Mas quem pensa que a mudança prejudicou sua vida profissional está enganado. O reconhecimento pelo seu talento foi ainda maior depois que resolveu alterar seu estilo musical. Com apenas 26 anos, o rosto de menina não deixa transparecer que desde os 15 anos Camila Masiso canta na noite da capital potiguar.

Em todos esses anos ela integrou quatro bandas, mas foi com a Tricor que ela passou a ser reconhecida pelo público natalense. O grupo formado por duas mulheres e três homens fez sucesso no Rio Grande do Norte durante uns quatro anos. Até que a "diferença de interesses" afastou os componentes da Tricor e cada um resolveu seguir um rumo.

Mesmo sem prever o encerramento definitivo da banda, em 2009, Camila Masiso resolveu aceitar o convite de uma casa noturna local para fazer um show especial de MPB. Ela montou o show com outros músicos e se apresentou. Era para ser uma única apresentação, algo diferente. O "problema" é que o público gostou tanto que outros convites surgiram e Camila não parou mais. "Recebemos convites de várias casas de show de Natal e resolvemos aceitar o desafio", lembra.

  Variedade musical
"Faço o meu som que considero genuinamente brasileiro"
 fotografia: Rayane Azevedo

A partir daí a vida de Camila mudou completamente. Ela brinca ao dizer que as pastas de seu aparelho MP4 foram totalmente modificadas. "Antes ouvia muito pop e rock. Depois disso me apaixonei pela MPB e meu estilo é outro, agora ouço jazz, por exemplo, baião, afoxé, maracatu e bossa", conta.

É dessa variedade musical que Camila tira inspiração para cantar e montar seu segundo cd que deverá estar pronto até o mês de maio. Seu primeiro CD, lançado em setembro de 2010, foi bem recebido pela crítica que a caracterizou como uma nova cantora de bossa nova. Contudo, Camila não se considera uma cantora específica desse ritmo. "Ouço tudo e da mistura de ritmos e sons faço o meu som que considero genuinamente brasileiro", assegura.

Show na França
Foram quatro meses de trabalho e estudo para aprender o novo idioma

Graduada em Direito, Camila somente exerceu a profissão quando ainda era estudante e atuou como estagiária em um escritório que presta assessoria jurídica. Porém, apesar de afirmar que o curso foi proveitoso, o mundo das leis não conquistou Camila que garante: "É possível, sim, viver só de música".

Mesmo com a quantidade de shows do projeto de MPB crescente, Camila ainda manteve sua carreira solo ainda atrelada à Tricor. "Era bem complicado porque eram dois repertórios diferentes, mas conseguimos manter os dois por um ano até que a Tricor se desfez e cada componente seguiu sua vida numa boa", garante.

Show Camila Masiso & Orquestra
fotografia: Moraes Neto

Pouco tempo depois de ter entrado de cabeça no projeto MPB, Camila resolveu aceitar um convite de um músico francês e ir apresentar o show na França. Foram quatro meses de trabalho e estudo para aprender o novo idioma, mas a jovem conseguiu. Entrou em contato com alguns músicos de lá e apresentou o mesmo show para os franceses.

Camila agora espera ansiosa a conclusão do DVD institucional do Sesc/RN que deve ser apresentado ainda neste mês de janeiro. No final do ano passado ela foi escolhida pela equipe do Sesc/RN para compor o projeto com a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Foram quatro apresentações e o resultado é este DVD. "Foi um presente para mim. No meu show tenho poucos instrumentos para me preocupar. Agora nesse eram mais de 70 músicos. Foi uma experiência inesquecível", descreve.

 Mudança do pop rock para MPB 
ajudou a intérpetre  a ser reconhecida pelo seu trabalho
 
AMOR PELA MÚSICA SURGIU AINDA NA INFÂNCIA

Os ensaios em frente ao espelho usando uma escova de cabelo no lugar do microfone anunciava o gosto forte pela música ainda na infância. O tempo passou e a intensidade pela arte só aumentava. Enquanto os colegas de escola e amigos de sala de aula optavam por esportes como futebol e vôlei, Camila preferia participar das aulas de arte, independente se fosse teatro, banda de música ou coral. Quando menos as pessoas esperavam lá estava Camila de novo nas encenações ou mesmo cantarolando na banda.

A desenvoltura da infância e adolescência deu lugar à timidez, mas nada que atrapalhe sua carreira. Hoje Camila se considera uma pessoa tímida, mas não nos palcos onde, segundo ela, sente-se em casa. "Meu maior problema é quando as pessoas me reconhecem e vêm falar comigo em algum local público", confessa.

 Graduada em Direito
"É possível, sim, viver só de música"

Antes de entrar no palco seu ritual é agradecer a Deus por mais aquele momento. Camila diz que o único cuidado que tem com a voz é hidratar com muita água. Por onde anda tem sempre uma garrafa perto. "O resto é normal. Só evito mesmo usar gelo seco no palco e comer camarão. Tomando esses cuidados minha voz está sempre boa, não tenho grandes problemas com ela", conta.

Quando não está ensaiando os próximos acordes, Camila provavelmente está lendo algum livro ou comprando um novo título. Ela disse que se existe um lugar onde se sente bem é nas livrarias. Além da leitura diária, a jovem aproveita o tempo livre para sair com os amigos, namorar e ir à praia. 


...fonte...
Erta Souza
ertasouza.rn@dabr.com.br 
www.diariodenatal.com.br

...fotografia...
www.giovannaegeorgia.com.br
  Rayane Azevedo
Moraes Neto 

janeiro 05, 2012

O TEATRO POTIGUAR RUMO AO CHILE

  GRUPO CLOWNS DE SHAKESPEARE

 CLOWNS A MIL NO CHILE

 Por
Yuno Silva

O encontro com os Clowns de Shakespeare era para ter sido na sede do grupo em Nova Descoberta, mas o Barracão esteve interditado para que parte do material que compõe o cenário do espetáculo "Sua Incelença, Ricardo III" fosse devidamente dedetizado e lacrado antes do embarque para o Chile, onde os Clowns participam do 18º Festival Internacional Santiago a Mil. Parte da equipe técnica já está na capital chilena desde o dia primeiro, construindo itens do cenário que não viajará com o elenco.

O encontro da reportagem do VIVER com o diretor Fernando Yamamoto e os atores César Ferrario, Renata Kaiser e Camille Carvalho aconteceu no Parque das Dunas - "Quem vê a gente aqui na sombra pensa que estamos tranquilos, que está tudo pronto e resolvido para a viagem", brincou Yamamoto, que acertava os últimos detalhes para o embarque nesta quinta-feira (5).

  Sua Incelença Ricardo III, apresentação no Museu Oscar Niemeyer
fotografia: Daniel Sorrentino

Considerado o festival de teatro mais importante da América Latina na atualidade, a curadoria do "Santiago a Mil" selecionou três produções brasileiras (teatro, dança e teatro de rua) e os Clowns não só participam como também serão destaques da programação formada por espetáculos de 15 países. O grupo potiguar foi selecionado em março de 2010, durante o Festival de Teatro de Curitiba (PR).

"A curadora Carmem Romero veio ao Brasil especialmente para ver nossa apresentação. Todos os espetáculos da programação foram convidados depois de terem sido assistidos pela curadoria, é assim que funcionam esses grandes festivais", contou o diretor. Como todos os grandes festivais de teatro, incluindo os brasileiros, o "Santiago a Mil" banca transporte (inclusive do material cenográfico), hospedagem, alimentação e paga cachê aos grupos participantes.

Titina Medeiros no premiado espetáculo Sua Incelença Ricardo III

ADAPTAÇÃO NA PONTA DA LÍNGUA

Segundo Yamamoto, depois que Carmem viu o grupo em ação fez o convite com a ressalva de que o espetáculo deveria ser apresentado em espanhol, no mínimo em "portunhol". "E não foi só isso, ela pediu que encenássemos em 'chileno' pois percebeu a força que o espetáculo tem diante do público", lembra. Como "Ricardo III" é encenado na rua, o desafio foi prontamente aceito: o trabalho de tradução e adaptação contou com o importante auxílio de Iésu Andrade, professor e pesquisador de língua espanhola, e levou mais de dois meses até ficar pronto. "A personagem de Titina Medeiros (rainha Elizabeth) fala errado e tivemos que traduzir esses erros para buscarmos o mesmo efeito com o público", revela o diretor.

"Cada ator teve seu tempo de preparação para memorizar o texto em espanhol. Eu por exemplo levei uns três meses para concluir o trabalho, terminei ontem (segunda, 2), outros em uma semana já estavam com tudo pronto. Agora vamos fazer dois ensaios antes de embarcar na quinta (amanhã). Eles vão ver se eu finalmente resolvi minha parte", confessa César Ferrario.

Ricardo III - Público lotou Largo do Ordem, no centro de Curitiba
fotografia: Rubens Nemitz Jr

O ano foi de grandes conquistas para os Clowns, pois Ricardo III passou por todos os principais festivais de teatro do país: "Apresentamos em Curitiba, Porto Alegre, Londrina, São José do Rio Preto, Brasília, Goiânia, Rio de Janeiro, Vitória e Recife, e em três deles (Curitiba, Brasília e São José do Rio Preto para sete mil pessoas) abrimos a programação", orgulha-se Fernando, adiantando que os convites para ir ao Chile, e para a Rússia em 2014, "não é um episódio isolado e sim a consolidação de todo um processo".

Além das 13 pessoas que compõem a equipe básica dos Clowns (sendo oito atores), também viajam para o Chile o diretor mineiro Gabriel Villela - peça fundamental na construção do espetáculo -, a preparadora vocal e diretora musical Babaya também de Minas Gerais, a carioca Kika Freire que cuidou da preparação corporal e o assistente de direção paulista Ivan Andrade de São Paulo - "vai praticamente a equipe toda para esta estreia internacional", comemora Yamamoto.

  Próximo projeto do grupo é montar Hamlet, com direção de Márcio Aurélio

HAMLET SERÁ A PRÓXIMA MONTAGEM EM 2013

Fernando Yamamoto disse que além da própria qualidade artística do grupo, adquirida ao longo de 18 anos de trabalho, a presença do diretor convidado Gabriel Villela foi um fator importante para o êxito do espetáculo. "Sem dúvida o nome dele agregou muito, foi um encontro feliz: da bagagem que o grupo traz com a experiência e a força do trabalho dele, que conseguiu imprimir uma qualidade excepcional ao espetáculo. Acredito que essa conjunção de fatores acabou abrindo muitas portas", Fernando Yamamoto.

Gabriel Villela, aliás, é o único diretor brasileiro que participará da temporada shakespeariana em Londres durante as Olimpíadas, quando acompanha a remontagem de "Romeu e Julieta" pelos mineiros do Grupo Galpão a partir de abril deste ano.

César lembra que a "participação dele foi fruto de um cenário de possibilidades. O Ernani (co-diretor musical ao lado de Marco França) foi uma ponte de ligação, o grupo Galpão também, e o próprio Gabriel já tinha curiosidade pelo grupo, até que ele foi nos assistir quando passamos pelo Teatro da USP em 2007. A partir dali esse namoro foi reforçado.


Como os Clowns trabalham com boa antecedência, a próxima montagem do grupo, que comemora 20 anos em 2013, será "Hamlet", espetáculo que fecha o ciclo de dois anos com patrocínio da Petrobras. "O grupo tem um planejamento com pelo menos dois anos, e Hamlet terá direção assinada pelo paulista Márcio Aurélio, que também esteve nas apresentações no TUSP", disse Ferrario.
 
Em setembro de 2010, "Sua Incelência..." subiu o Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, e a experiência marcou o elenco: "O mais interessante foi a vivência de uma semana que tivemos com a comunidade, onde as duas apresentações funcionou como a coroação desse envolvimento. Pudemos perceber, inclusive, que a realidade é bem mais 'normal' e amena que o estigma negativo repassado pela mídia, e não deixou de ser inusitado ocupar com arte um lugar marcado pela violência. Tudo era novidade, tanto para o grupo quanto para o público do lugar que não tem contato habitual com o teatro, como para o público que estava subindo o morro pela primeira vez", lembrou Renata Kaiser.
 

Para Camille Carvalho, "essa experiência no Morro do Adeus também serviu para comprovar a popularidade do texto de Shakespeare. Estamos tendo um retorno bem bacana do público, em todos os lugares que apresentamos. No começo não tínhamos ideia da dimensão de alcance do espetáculo". Ricardo III, foi apresentado 33 vezes até agora e passou por cerca de 20 cidade.

"Só não fomos para a região Norte, mas este ano já temos turnê marcada por todas as capitais desde Belém, passando por Mossoró. Mas o grande lance não é a quantidade das apresentações e sim a qualidade da apresentações", ressaltou César.


...fonte...

...fotografia...
Daniel Sorrentino
 Rubens Nemitz Jr

...visite...