fevereiro 02, 2012

NATAL: UMA CIDADE POÉTICA NA 2ª GUERRA

Década de 40, Av Rio Branco, nº 795,  Natal, Rio Grande do Norte
Nos intervalos dos combates no Atlântico, a boa vida dos norte-americanos
em um passeio pelo centro da capital potiguar, a principal  base
  aérea do hemisfério sul na Segunda Guerra Mundial
fotografia: Ivan Dimitri/Wittlesey House / NATIONAL GEOGRAPHIC

NATAL NA  SEGUNDA GRANDE GUERRA
O QUE HOJE NA CIDADE LEMBRA ESSE PERÍODO?

GUERA E PAZ

Por
Ronaldo Ribeiro
  texto reproduzido integralmente
NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL
 Edição 14/ Junho de 2001
 
Alvamar Furtado de Mendonça não se esquece da noite quente e estrelada de 8 de maio de 1945. Jovem morador de Natal, recém-formado em direito, ele fora convidado para elaborar um discurso no Dia da Vitória, parte de uma cerimônia de celebração do fim da Segunda Guerra no Teatro Carlos Gomes.

Da Times Square, em Nova York, à praça Vermelha, em Moscou, multidões em êxtase comemoravam a data. Alvamar vestiu sua melhor roupa e escolheu bem as palavras, mas, na hora em que espiou do palco, teve um choque: a platéia, estranhamente, estava quase vazia. Os organizadores do evento, em pânico, saíram pelo bairro da Ribeira e recrutaram uma legião de transeuntes – mendigos, boêmios, prostitutas – para ocupar ao menos uma parte dos 600 lugares disponíveis. Alvamar enfim falou, mas um tom melancólico já tomara conta do teatro, das ruas, das pessoas. A cidade parecia estar de luto. Porque a guerra havia acabado.

Assim foi a Segunda Guerra em Natal: um tempo de emoções intempestivas, de alegrias e tristezas fora de hora e de contexto. Entre 1942 e 1945, ali funcionou o principal quartel-general dos países aliados no hemisfério sul. Por sua localização, no extremo nordeste da América do Sul, a capital do Rio Grande do Norte é uma das cidades brasileiras mais próximas do continente africano – 3 horas de vôo em jatos de hoje. Por isso ela era uma “ponte” entre os Estados Unidos e a Europa, uma escala obrigatória para todos os vôos que seguiam rumo à África ou aos combates no Atlântico Sul. Outras bases controladas por americanos seriam montadas no Brasil, do Amapá a Santa Catarina, mas nenhuma delas rivalizou em movimento e importância com o Campo de Parnamirim e a Base Naval de Hidroaviões, os dois núcleos militares de Natal durante a guerra.

Aeroporto da Base Aérea de Parnamirim,  na época da 2ª  Guerra Mundial,
destacado como "Trampolin da Vitória" pelos americanos

Em 1943, no auge dos conflitos no Atlântico, Parnamirim era o mais congestionado aeroporto do planeta, com até 800 pousos e decolagens num dia de pico. Natal era tão decisiva que ficou conhecida como a “encruzilhada do mundo”.

A capital potiguar, contudo, jamais foi palco de qualquer combate. Os submarinos alemães não se aproximaram da cidade e nenhuma bomba inimiga foi lançada sobre suas belas praias ou ruas. Os únicos tiros ouvidos eram de treinamentos rotineiros dos americanos. A tensão da guerra estava no ar, o.k., mas os momentos mais assustadores foram, na prática, os exercícios de defesa civil, como os blecautes. Apesar da óbvia falta de estatísticas oficiais sobre o assunto, Natal foi, com certeza, o lugar de melhor qualidade de vida para um soldado na guerra. Os quase 50 mil natalenses da época, por sua vez, puderam descobrir um mundo de novidades. “As pessoas cantarolavam jazz nas ruas. A vida aqui era diferente, sofisticada, uma festa”, lembra-se Alvamar Furtado, hoje com 86 anos.

Natal tornou-se a cidade mais badalada do Nordeste. Os cinemas militares, não raro, e sem que ninguém soubesse fora dali, recebiam convidados especialíssimos: os próprios astros de Hollywood. “Humprey Bogart voou de Marrocos para animar uma sessão de Casablanca no teatro aberto da base de hidroaviões. Os artistas eram comissionados para viajar pelos fronts do mundo todo. A presença deles servia para elevar o moral das tropas”, diz o historiador local José Melquíades, de 76 anos. Bette Davis, lembra-se ele, também visitou Natal. E a orquestra de Glenn Miller tocou no Cine Rex.

Para imaginar como foram aqueles anos loucos em Natal, é preciso observar a guerra como um momento de liberação, um evento protagonizado por uma legião de jovens reprimidos que nunca haviam saído de rincões rurais como Arkansas, Nevada ou Montana. De repente, no meio do horror de um conflito mundial, eles se descobriram num lugar amistoso, tropical, encantador. O mar, a luz, as relações pessoais, tudo era novo em suas vidas. Por vias tortas – a guerra –, eles foram encaminhados ao paraíso.

Soldados americanos em Ponta Negra na Segunda Guerra 
Os natalenses tinham o hábito de ir à praia apenas
na “temporada de banhos”, as férias, entre dezembro e janeiro

Os branquelos gastavam seus dias de folga em banhos de mar nas praias de Areia Preta, Ponta Negra ou num outro trecho da orla, menor e mais reservado, que foi batizado Miami. Muitos pagaram um preço salgado pelo programa – terríveis queimaduras de sol –, mas pode-se dizer que eles inauguraram as belezas naturais que, décadas depois, iriam consagrar Natal: o mar verde, quente e calmo, as dunas mutantes, o vento perene. Os natalenses tinham o hábito de ir à praia apenas na “temporada de banhos”, as férias, entre dezembro e janeiro. Nos dias da guerra, eles descobriram que sua rotina poderia ser bem mais agradável.

Os soldados, apesar da influência de seus hábitos, não foram pioneiros. Natal já havia testemunhado a conquista do Atlântico pelos raids aéreos, vôos exploratórios que demonstraram a viabilidade das travessias oceânicas – em 1933, Charles Lindbergh amerissou ali vindo da África. Companhias internacionais de correio aéreo basearam-se nas margens do rio Potengi bem antes da guerra. Nos anos 60 a cidade inaugurou a primeira rampa de lançamentos de foguetes da América do Sul, a Barreira do Inferno. “A história de Natal está ligada ao desejo de voar”, pensa o sociólogo Leonardo Barata, que trabalha na montagem de um museu sobre os antigos aviadores e a Segunda Guerra. Desde 1997 ele já passou oito meses confinado em arquivos federais de Washington, D.C., e do Alabama rastreando imagens raras e documentos confidenciais.

Barata resgatou quase 70 quilos de papéis que jogam um pouco de luz sobre um capítulo obscuro da história do Brasil. De acordo com um documento do Serviço de Inteligência Naval americano, as forças do Eixo (Alemanha, Japão e Itália) possuíam, em 1940, 2 mil bombardeiros em condições de invadir o Nordeste brasileiro – se Hitler tivesse conquistado o norte da África, Pearl Harbor poderia ter sido em Natal. O Departamento de Guerra dos EUA considerava a cidade um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo, comparada ao estreito de Gibraltar e aos canais de Suez e Dardanellos, todos no mar Mediterrâneo. Diante da “posição política dúbia” do governo brasileiro, vários planos de invasão do Rio Grande do Norte chegaram a ser elaborados pelos americanos. Em agosto de 1942, o Brasil enfim declarou guerra ao Eixo, depois de vários navios mercantes terem sido atacados por submarinos alemães, com quase 700 mortes. Os Aliados já estavam a postos.

Segunda Guerra
Clipper camuflado no Rio Potengi, no cais da Rampa, Natal/RN

Em 11 de dezembro de 1941, apenas quatro dias depois do ataque japonês a Pearl Harbor, nove hidroaviões amerissaram no rio Potengi para reforçar uma tropa de observadores já baseada na cidade.

O Natal de 1943 registrou um movimento recorde: cerca de 5 mil militares acantonados e 5 mil em trânsito na cidade. Acidentes aéreos, muitos deles com vítimas fatais, tornaram-se freqüentes. Parnamirim era um lugar tão agitado que, em julho do mesmo ano, foi construída ali uma fábrica da Coca-Cola – a primeira da América Latina e a quarta do mundo, depois dos Estados Unidos, do Canadá e da Inglaterra. Uma lanchonete e uma cervejaria, a PX Beer Garden, abririam suas portas no mesmo dia. Para celebrar, o comando do campo organizou uma festa com shows, hambúrgueres e cerveja gelada, tudo de graça. Tinha tudo para ser um evento histórico – e foi, só que contra todas as previsões. Os convidados tomaram todas, quebraram garrafas, depredaram a lanchonete e destruíram as plantas de um jardim vizinho. Nos meses seguintes, os soldados fartaram-se do refrigerante, mas a promissora cervejaria fechou as portas para nunca mais.

No embalo dessa euforia estrangeira, os natalenses tornaram-se, digamos, brasileiros de vanguarda. Bebiam Coca-Cola e chocolate gelado. Fumavam Marlboro e Lucky Strike. Mascavam chicletes de tutti-fruti. Os homens aboliram a vestimenta formal do dia-a-dia e adotaram roupas cáqui, de inspiração militar-esportiva. Ou jeans. Aprenderam a tratar-se como “My friend!”, a comer um lunch, a dançar foxtrote. No supermercado de Parnamirim, um dos maiores do mundo, os negócios chegaram a girar 50 mil dólares num único dia. Viver na capital do Rio Grande do Norte era, enfim, um grande barato. “Natal era como uma moça pudica que, da noite para o dia, arrumou um namorado liberal, escolado. Éramos muito conservadores. Os gringos ensinaram nossas garotas a beijar!”, lembra-se Protásio Pinheiro de Melo, 86 anos, um dos raros natalenses vivos que viram de perto o cotidiano das bases. Autodidata e com inglês fluente, ele era professor de português dos soldados.

 Getúlio Vargas e Franklin Delano Roosevelt (à sua frente),
 visitam a base aérea de Natal, no RN, em 1943

Ganhava em dólar para ensinar a eles apenas o bê-á-bá da convivência social – cortejar uma garota, por exemplo.

De fato, as moças ditas pudicas de Natal namoraram como nunca durante a guerra. Os soldados gozavam de status na sociedade local, mas, com a gritante desproporção demográfica, eles foram obrigados a abdicar de qualquer parâmetro estético. Belas, feias, altas, baixas, gordas ou magras, todas se deram bem. “Foi um período bem complicado para os rapazes daqui. Não havia moças solteiras na cidade”, completa o professor Protásio. As mulheres, que antes só saiam de casa acompanhadas dos pais ou irmãos, eram convidadas vips dos bailes dos clubes militares. Foi a classificação desses eventos – for all (para todos) – que semeou um dos dogmas da guerra: o termo forró. Alguns historiadores contestam. Para eles, a palavra teria origem em “forrobodó”, os bailes populares onde se dançava essa variante do baião.

Os soldados cumpriam todos os protocolos para conquistar as cobiçadas moças solteiras de Natal. Algumas histórias de amor acabaram bem, caso do sargento Donald Wroblewski, que se casou com Guiomar Gomes e ficou na cidade. Na calada da noite, porém, oficiais e praças seguiam em bandos para os diabólicos bordéis de Natal. O quadrilátero do sexo era formado pelas ruas Doutor Barata, Chile, Tavares de Lira e Frei Miguelinho, na Ribeira, perto do porto. As madrugadas ferviam em prostíbulos como o Wonder Bar, a Casa da Maria Boa, a Pensão da Estela e o Bar Ideal – os preços das mulheres dali eram os mais baixos de toda a América Latina. O índice de doenças venéreas cresceu tanto que grupos de soldados passavam semanas de cama, afastados das operações. Foi preciso uma intervenção oficial, em caráter de urgência. Para as garotas saudáveis da zona do meretrício, os médicos americanos emitiam atestados de saúde, os famosos love cards.

 Grupo de militares americanos, década de 40,  bebendo no Grande Hotel, 
defronte a igreja de Bom Jesus, no bairro da Ribeira, em Natal/RN
 
Natal pode ser considerada o berço do imperialismo americano no Brasil, um laboratório do modelo cultural que o país iria adotar nas décadas seguintes. Naqueles loucos anos, contudo, essa era uma leitura impossível mesmo para o mais informado morador da cidade. Na prática, muita gente viu na guerra apenas uma chance de ganhar um bom dinheiro – em notas bem verdinhas, diga-se. A economia local passou por uma enorme transformação: o custo de vida aumentou, o dólar virou moeda corrente no lugar do mil-réis, havia mercados e valores diferentes para brasileiros e americanos. Muita gente fez fortuna. Theodorico Bezerra, dono do Grande Hotel, encheu os bolsos abrigando a elite dos oficiais estrangeiros. A viúva Machado, dona das terras onde foi erguido o Campo de Parnamirim, idem. Maria Boa, a cafetina, não deixou por menos.

Os dólares em circulação geraram cobiça e episódios ridículos. Por um tempo, alguns natalenses conseguiram vender urubus depenados como se fossem galinhas para o centro de provisões de Parnamirim. Pior era feito com os sagüis, bicho de estimação favorito dos militares. As crianças embebedavam o pequeno primata, que, parecendo ser manso, passava a ter melhor cotação. Os soldados sempre acabavam no prejuízo, pois os animais ficavam indóceis e fugiam assim que despertavam do pileque.

Outra folclórica interferência dos brasileiros no way of life dos soldados viria pelos pés. Logo nos primeiros dias em Parnamirim, os estrangeiros começaram a reclamar da falta de vegetais no cardápio. Na região de Natal, na época, havia pouca agricultura e era difícil encontrar folhas ou legumes em quantidade. A saída foi montar uma horta nas margens de uma lagoa. Os comandantes escolheram para a empreitada soldados com comprovada experiência agrícola, vindos do Tennessee, no sudeste dos Estados Unidos. Mas um novo problema surgiu: as botas militares revelaram-se desconfortáveis demais para o trabalho no campo.

O combate na América ficou restrito ao Oceano Atlântico;
enquanto estavam em terra e distantes da África, 
em Natal os americanos passavam o tempo das mais variadas maneiras. 
Uma delas era jogando baseball.

Os jovens não desanimaram. Levaram uma foto de uma tradicional bota rancheira americana para Severino Edízio de Silveira, o melhor sapateiro da cidade. Ele analisou o modelo, concebeu uma versão mais leve, caprichou. Resultado: as botas fizeram tanto sucesso que mesmo os soldados que não trabalhavam na horta acabaram aderindo. Todos os que chegavam a Natal, mesmo em trânsito para outros países, logo adquiriam o seu par. A fama correu o mundo, principalmente nos territórios tropicais classificados como “cinturão da malária”. Nos fronts, soldados se identificavam pelos pés – as botas indicavam quem havia passado por Natal. Encomendas chegavam à cidade de destinos impensados, como as ilhas do Pacífico, congestionando as linhas de rádio em momentos tensos, quando se desenrolavam combates no meio do Atlântico. Um caos. O comando de Parnamirim teve de regulamentar o comércio dos calçados, mas Edízio continuou a fabricá-los para os natalenses até sua morte, em 1982.

O controle das bases dos Aliados foi transferido aos militares brasileiros em 5 de outubro de 1946, numa discreta cerimônia em Parnamirim. Aos poucos a euforia da guerra esmaeceu. A população da então famosa Natal saltou de 50 mil para 400 mil moradores e, por alguns anos, a cidade ainda sustentou-se como a mais importante do Nordeste, antes de ser ofuscada por centros como Recife e Salvador. Hoje, no rio Potengi, onde tudo começou, a vagareza dos barcos de pesca imprime à paisagem um tom bucólico que não combina com as aventuras radicais dos pioneiros aviadores que pousaram em suas águas . Perto dali, prostitutas insistem em sondar os marinheiros estrangeiros que ainda perambulam pelas noites decadentes da rua Chile, na beira do cais. Parece que todo o glamour ficou no passado.

Fevereiro de 2012, Av Rio Branco, nº 795, Natal, Rio Grande do Norte
 "NATAL NA 2ª  GRANDE GUERRA"
O QUE HOJE NA CIDADE LEMBRA ESSE PERÍODO? 
VEJA O QUE RESTOU DO PRÉDIO RETRATADO NO INÍCIO DESTA POSTAGEM!
fotografia: José Carlos - Administrador do blog Potiguarte

Os aviões, no entanto, continuam pousando em Parnamirim. As pistas construídas para a guerra servem hoje aos Boeings e outros jatos do Aeroporto Internacional Augusto Severo (o pioneiro aeronauta local, que morreu em Paris na queda de um balão, em 1902). Os turistas que chegam à capital potiguar refazem o percurso dos C-47, dos B-25 e de outros aviões da década de 40. Aterrisam lado a lado com Tucanos e Xavantes, os modelos usados no treinamento dos pilotos da base da Aeronáutica que ocupa a área do Campo de Parnamirim. Esse intenso tráfego aéreo, simbolicamente, perpetua a ligação da cidade com os anos da Segunda Guerra. A diferença, quase 60 anos depois, é que vivemos tempos de paz. Em busca do sol de Natal, desembarcam felizes em Parnamirim agora não apenas viajantes americanos, mas também alemães, japoneses e italianos.

...fonte...
Ronaldo Ribeiro
  texto reproduzido integralmente
 REVISTA NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL
 Edição 14/ Junho de 2001

...frase... 
 "Toda guerra termina por onde começou: a paz."
(Jules Barthélemy-Saint-Hilaire)

janeiro 30, 2012

YES, OXENTE! NÓS ESTAMOS NA FINAL, VIU?

BRAZILIAN INTERNATIONAL PRESS AWARDS 
 "Estamos na final!!!! Obrigadão pela força!!!!
...E se tudo der certo, venceremos geral!!!"
 RASMUSSEN XIMENES  

PROJETO MOCO ESTÁ  NA FINAL DE PRÊMIO AMERICANO
 MAIS DE 130.000 VOTOS DEFINEM OS INDICADOS
UM TALENTO  PRA LÁ DE RECONHECIDO

Você já imaginou entrar para o hall da fama, ganhar um prêmio internacional e conquistar o reconhecimento do público neste mundo globalizado? Sonhar com tapete vermelho hollywoodiano e todos os flashes de um evento desse tipo é coisa para poucos. Rasmussen Sá Ximenes, 40 anos, artista plástico natural de Currais Novos (RN), criador da Arte Mocó, está na final do concorridíssimo prêmio do  Brazilian International Press Awards, nos Estados Unidos, uma das mais relevantes celebrações da cultura brasileira no âmbito internacional.

O evento homenageia as personalidades, instituições e iniciativas comprometidos com a promoção artística, cultural e imagem positiva do Brasil. Gente importante como Jorge Bem Jor, Ivete Sangalo, Lima Duarte, Antônio Fagundes, Regina Duarte, João Ubaldo Ribeiro, Luís Fernando Veríssimo, Glória Maria, Caco Barcelos, Washington Olivetto, Maurício de Sousa, Emerson Fittipaldi, o ex-lutador de box, Acelino Popó Freitas e a ex-jogadora de basquete, Hortência Macari, já foram agraciados com o troféu do Brazilian International Press Awards.

O seridoense Rasmussen Ximenes concorre na categoria de artes visuais, mas a premiação abrange a dança, a música, o esporte e ações comunitárias. "O que mais me orgulha foi ter sido selecionado por indicação de jornalistas da Califórnia que conheceram o projeto de arte Mocó e se tornaram admiradores do nosso trabalho. Eu não me inscrevi em nada. Fui descoberto", comemora Rasmussen.

"Agora a decisão final é do Colégio Eleitoral "
 
PRESS AWARD 2012 DE ARTE E CULTURA & COMUNIDADE
MAIS DE 130.000 VOTOS DEFINEM OS INDICADOS 
 
A votação popular da 15ª edição do Brazilian Press Awards foi encerrada à meia noite do dia 25 de janeiro batendo recordes de votos e votantes.  47.405 votantes geraram130.716 votos e definiram os 5 indicados à premiação nas categorias de Arte, Cultura e Comunidade.

Mais uma vez as indicações refletem o caráter nacional do prêmio, com indicados residentes nos estados da Flórida, Georgia, Washington-DC, New Jersey, New York, Massachusetts, Illinois e Califórnia.

O Board de Premiação do Brazilian Internacional Press Awards oficializou a relação dos cinco indicados nas 14 categorias de Arte, Cultura & Comunidade. A partir de agora, a decisão estará nas mãos cerca de 200 integrantes do Colégio Eleitoral, que definirão os ganhadores.

O Colégio Eleitoral do Press Awards é formado por representantes das mídias comunitárias (jornais, revistas, programas de TV, sites, Web TVs, Blogs, programas de rádio), das entidades culturais e comunitárias, agências de publicidade, produtores e empresários artísticos.

A divulgação dos vencedores dessas categorias e também dos Prêmios Especiais do Board e Lifetime Achievement Awards será dia 13 de março, às 6 da tarde,  no Einstein Room do Broward Center for the Performing Arts, seguido de coquetel à imprensa.

"Eu não me inscrevi em nada. Fui descoberto"

 BRAZILIAN INTERNATIONAL PRESS AWARDS 
VEJA AS ETAPAS DA PREMIAÇÃO

O processo de indicações e premiação do PRESS AWARDS aglutinou quatro etapas: A primeira foi aberta ao público através da Internet e encerrou-se no último dia  25 de janeiro, onde foram recebidas centenas de sugestões de indicados através do site oficial http://www.pressaward.com/votacao/.

Com base nessas sugestões, o Board do Press Awards elaborou a lista dos pré-indicados, que foram submetidos  a voto popular pelo site oficial. Estes votos definiram os indicados em cada categoria.

Em seguida, o Colégio Eleitoral, formado por representantes das mídias, lideranças e representantes de entidades culturais e comunitárias brasileiras de cada região escolherá, entre os indicados, os ganhadores da temporada. Os vencedores receberão o troféu "Newspaper Boy" (Jornaleiro) criado pelos artistas Romero Luis (estatueta) e Arthur Moreira (base).

As cerimônias de premiação do Press Awards-USA 2012 estão marcadas para os dias 4 de maio (Imprensa & Publicidade, no Cinema Paradiso, e 5 de maio (Arte, Cultura & Comunidade), no Amaturo Theater/Broward Center, em Miami.

A iniciativa da Associação Brasileira de Imprensa Internacional conta com o apoio de empresas brasileiras como a TAM, Banco do Brasil e Rede Globo Internacional. Além de Miami (EUA), o evento realiza edições em Londres (Reino Unido) e Tokyo (Japão).

"Eu estou muito feliz por ter sido indicado para participar do prêmio. E  mais feliz ainda por estar na final. Meus agradecimentos para  a galera que votou na  arte Mocó (risos). Já imaginou se eu ganhar?", indagou Rasmussen confiante.

 
   "Procuro sempre o contraste com as cores primárias"

RASMUSSEN SÁ XIMENES
UM ARTISTA POTIGUAR  ENCANTA  A CALIFÓRNIA

Um Curraisnovense, com um nome arábico e residente nos Estados Unidos. Dessa mistura de culturas e influências nasceram a arte e a personalidade de Rasmussen Sá Ximenes. Aos 40 anos, o potiguar radicado na Califórnia transformou as telas e a tinta acrílica no mais fiel retrato do dia-a-dia das famílias americanas, o qual descreve como um “estilo de vida curioso e extremamente consumista”. Com influências de várias partes do mundo, o artista potiguar está encantando aos americanos com seus traços e cores fortes. Mocoh e Glorinha Távora idealizaram  uma exposição no Consulado do Brasil em San Francisco.

Em meio aos vinhedos de Sonoma, onde encontra inspiração para seus quadros, Mocoh (como assina suas obras e como o chamaremos) tem encantado aos norte-americanos com as cores vivas, que não negam suas origens tropicanas. “Minha relação com as tinhas é muito simplória. Procuro sempre o contraste com as cores primárias. Acho que foi exatamente esta simplicidade que seduziu os americanos”, destacou em entrevista especial ao portal Nominuto.com.

Uma olhada rápida para se perceber a grandiosidade do trabalho de Mocoh

Admirador pleno da beleza e da harmonia, Mocoh encanta com seus sentimentos, reproduzindo-os em cenas do cotidiano e fazendo uma fusão de culturas entre as Américas. Suas obras também denunciam o passado nômade, herdade pelo pai minerador. Mesmo sendo filho e neto de professoras, não foi um aluno exemplar, o que não impediu que mais tarde nascesse o artista inovador, livre de todas as regras “normalistas”.

Atualmente, o artista desenvolve uma série intitulada “Mesas”. Nela, expõe resquícios de uma outra paixão que cultiva: a culinária. A ideia, segundo ele, é retratar o cotidiano dos americanos em personagens com características da arte nordestina. “Neste trabalho, utilizo a aplicação de pasta sintética em tela, rabisco com carvão e tudo começa a se harmonizar com muita tinta acrílica”, descreveu. Falando assim, parece simples, mas basta uma olhada rápida para se perceber a grandiosidade do trabalho de Mocoh e o capricho nos detalhes.

 Glorinha Távora, a quem Mocoh se refere, é sua conterrânea e atual curadora

No entanto, apesar da desenvoltura com as tintas, suas habilidades pictóricas são relativamente recentes. Tudo começou há cerca de 10 anos, quando morava em Brasília. Lá, Mocoh viveu uma fase de muita produção. Na época, realizava trabalhos com tinta guache em cartolina e que hoje estão espalhados por São Paulo, Brasília e Natal. “Nasci artista, mas as habilidades pictóricas estiveram um bom tempo introspectas, pelo menos até Glorinha Tavora, a potiguar mais cosmopolita que conheço, introduzir meus trabalhos nos crivos dos críticos de arte de San Francisco”, comentou.

Glorinha Távora, a quem Mocoh se refere, é sua conterrânea e atual curadora. Foi ela a responsável por projetar seu trabalho em San Francisco e tem participado ativamente do processo de produção. “Aqui, tive contato com as obras de Henri Matisse, e isso me inspirou. Mas, passei a conhecer arte de verdade e de qualidade nos anos que vivi em Brasília, quando Sávio e Dodora Hackradt me deram todo suporte”, revelou o artista curraisnovense.

"...E se tudo der certo, venceremos geral!!!" Obrigadão pela força!!!"

Hoje, Mocoh dedica todo o seu tempo à pintura, mas Rasmussen é também cozinheiro profissional e já comandou as panelas de alguns restaurantes americanos, inclusive com bandeira francesa. Para o futuro, seus planos estão todos ligados à pintura. A primeira exposição do artista aconteceu  no Consulado do Brasil em San Francisco. "Meus planos para o futuro são de divulgar meu trabalho, crescer e aprender novas técnicas. Poder criar com mais liberdade e espaço. Tudo até agora tem acontecido de maneira espontânea", comemorou o artista.

Mocoh também não descarta uma volta ao Brasil. “Tenho sangue nômade, herdado pelo meu pai, e muita disposição para percorrer o mundo. Mas, penso sim em me aquietar no Seridó, minha grande paixão e parte das minhas inspirações”, completou. Essa é a arte de Mocoh, que longe de ser um artista impressionista, impressiona, expondo seu lado expressionista e encantando pela ingenuidade de seus traços e personagens de fisionomias austeras.

...fontes...
Diógenes Dantas
Carla Cruz  
www.nominuto.com  &   www.nominuto.com
 http://www.pressaward.com/eua/

...fotografia...
Divulgação

janeiro 29, 2012

POTIGUARES NO CAMINHO DE ELIS REGINA

 Elis só veio ao Rio Grande do Norte uma vez, em meados de 1960,
contratada para realizar um show em Natal no Teatro Alberto Maranhão  
 
ELIS, A CANTORA DO BRASIL
 
Por
Jornal DeFato

Ninguém nunca saberá o que aconteceu com Elis Regina. Sua morte precoce, aos 36 anos, chocou o Brasil. Em janeiro, após 30 anos de sua morte, muita gente ainda chora o seu desaparecimento. Cultuada como a maior cantora do país, a gaúcha passou metade de sua vida em estúdios, emprestando a sua voz impecavelmente afinada em 27 LPs, catorze compactos simples e seis duplos, que venderam mais de 4 milhões de cópias.

Elis só veio ao Rio Grande do Norte uma vez, em meados de 1960, mas sua relação com o Estado não ficou somente nisso. Em 1961, quando chegou à gravadora Continental Discos, foi recebida por outro prodígio da época, o cantor e compositor natalense Paulo Tito, com quem iniciou uma parceria que se estendeu por três discos.

Logo no primeiro trabalho gravado no Rio, "Viva a Brotolândia", ela gravou o sucesso "Samba feito pra mim", composto e musicado por Tito. O vinil de 12 polegadas foi produzido por Nazareno de Brito, com a assistência do potiguar. "Ela tinha chegado de Porto Alegre e ainda 'cheirava a churrasco', mas depois foi se aproximando do povo do Rio", disse Paulo Tito.


Anos 1960, logo que Elis  se afastou da dupla que fazia com Jair Rodrigues, 
foi contratada para realizar um show em Natal no Teatro Alberto Maranhão

Desde então, ficaram amigos, tanto que, segundo ele, ela chegou a se hospedar em sua casa algumas vezes. "Ela ficava lá em casa, na Vila Isabel. Era uma pessoa muito alegre, muito sorridente, já tinha o brilho; ela gostava de escolher as músicas. Quer dizer, ela já veio com as características de grande artista", enfatizou.

A segunda gravação em parceria com Paulo Tito veio logo no segundo LP, "Poema de Amor", com a música "Vou comprar um coração", que tinha letra de Romeu Nunes. Em 1963, o disco "O bem do amor" trouxe ainda a canção "Domingo em Copa Cabana", com letra de Roberto Faissal, já na gravadora CBS.

O sucesso de Elis nos festivais a levou para a fama e para longe dos antigos amigos. "A última vez que a vi, ela ainda não tinha estourado com "Arrastão". Depois disso, ninguém mais chegou perto dela", disse Paulo Tito. Nenhum dos três discos com músicas suas chegou a fazer sucesso, mas ele afirma que ainda recebe os direitos autorais. "Ainda dá para eu fazer minha feira", revela.
 
OUTRO POTIGUAR

Além de Paulo Tito, Elis Regina gravou a música "Adeus Amor", do potiguar Newton Ramalho, feita em parceria com Almeida Rego. Filho de Macau, Nilton foi, segundo o empresário Zé Dias, um dos precursores da Bossa Nova. Ele também foi gravado por outros grandes nomes da música popular brasileira.

 
 Seresteiro e compositor, Paulo Peres Tito, 82,
é natural de Natal e foi criado no bairro das Rocas
 
UM SERESTEIRO POTIGUAR

Nascido em Natal, Paulo Tito, hoje com 82 anos, ainda é reconhecido como um dos mais importantes cantores tradicionais das noites na capital. Sua vida musical começou aos oito anos no colégio, quando a professora pedia para ele cantar o Hino Nacional antes das aulas. Com 12 anos, venceu um concurso na rádio Educadora de Natal, no programa "Por trás da cortina", no qual passou a se apresentar regularmente.

De Natal, foi convidado a cantar na Rádio Jornal do Commercio, no Recife (PE), em 1951, onde foi descoberto por Luis Gonzaga, que o levou para sua casa no Rio de Janeiro. Lá, chamou a atenção de Lamartine Babo, que o contratou para cantar na rádio Mayrink Veiga ao lado de estrelas como o próprio Luis Gonzaga, Ângela Maria e até Roberto Carlos. "Nessa época, Roberto Carlos estava se chegando e pedindo espaço", conta. 

O sucesso o levou também para a Rádio Nacional e, depois, para a Continental Discos, onde conheceu e gravou Elis Regina. Outras parcerias foram feitas com Maysa, para quem tocou e acompanhou (Candidata a Triste, com letra de Ricardo Galeno); Altemar Dutra (Cantiga de um homem triste); Cauby Peixoto (Quero você, letra de Ricardo Galeno); Elsa Soares e outros. 

Paulo Tito gravou 14 discos, entre 1955 e o final da década de 1970. Em 1975, integrou uma caravana de artistas potiguares e retornou ao Rio Grande do Norte fazendo apresentações em diversas cidades do interior.

 Produtor Cultural  Zé Dias teve  o seu momento com Elis Regina
fotografia: Vlademir Alexandre
 
ELIS EM NATAL E O MICO DE ZÉ DIAS

Nos anos 1960, logo que Elis Regina se afastou da dupla que fazia com Jair Rodrigues, foi contratada para realizar um show em Natal no Teatro Alberto Maranhão (TAM). Um dos espectadores dessa apresentação foi o promotor musical Zé Dias, na época, com pouco mais de 10 anos.

De acordo com ele, contradizendo as expectativas, ao invés de entrar por trás do Teatro, entrou pela lateral. "Eu quando vi Elis entrando gritei para todo o teatro: 'Mamãe, olhe Elis Regina'. O teatro veio abaixo rindo de mim", conta.

Um dos maiores fãs da cantora gaúcha, Zé Dias, que realiza grandes shows no RN e é casado com a cantora Khrystal, vive a frustração de nunca ter ido a outros shows de Elis. "Ela ainda é a maior cantora do Brasil, porque além de cantar, tinha atitude, repertório e a capacidade de lançar outros artistas como Fagner, Belchior, Ivan Lins", conclui.


...fonte...

janeiro 25, 2012

NOVO RUMO AO CINEMA DE ARTE EM NATAL

 Os integrantes ativos que formam a organização do Cineclube Natal
Pedro Fiúza, Vítor Bezerra, Nelson Marques, Gian e Themis Marchi,
Andressa Vieira e Isadora Lima

 NOVOS RUMOS  AO CINEMA DE ARTE

Por
Sérgio Vilar

O cinema é chamado de 7ª Arte. Em Natal/RN, bem poderia ser a 15ª ou a última das artes. A história de decaso com o fazer e o assistir cinema na cidade impressiona. A produção audiovisual ainda engatinha. As poucas salas de cinema são concentradas em shoppings. O público superlota o lançamento de blockbusters e esvazia qualquer iniciativa de exibição de cinema de arte. Se em estados vizinhos como a Paraíba, Pernambuco ou Ceará se formam federações com 30 ou 40 cineclubes, no Rio Grande sem Cinema há apenas um cineclube atuante.

E o Cineclube Natal inicia o ano reformulado. Novos parâmetros de atuação, nova equipe e novos projetos. A ideia é se adequar ao comportamento do público. E para isso, a diretoria diagnosticou quais os costumes do natalense. Foram sete anos de observação, desde a fundação do Cineclube Natal. A conclusão é precisa se considerados alguns fatos. “O público natalense é midiático, fruto de uma elite econômica extremamente conservadora. Gosta de ver e ser visto. Típico de um provincianismo de vila”, aponta Nelson Marques, diretor do Cineclube Natal.

A observação é comprovada em exemplos. Se as sessões de cinema ora gratuitas, ora a preço simbólico de R$ 2 para filmes de inquestionável qualidade rendem gatos pingados, mais de mil pessoas pagam ingressos acima de R$ 80 para shows de artistas nacionais no Teatro Riachuelo. “Se o show for em uma praia popular, não dá essa quantidade de pessoas. No TR você é visto; você está no local badalado da cidade. E isso vale para várias outros exemplos onde o povo frequenta não pela qualidade da arte mostrada, mas para ser visto”, acredita Nelson Marques.

Em 2011, o público minguado e a dificuldade de manutenção de alguns projetos de sessões fixas de cinema em razão da equipe reduzida provocou a suspensão de algumas ações. Este ano a ideia foi reformular. O projeto Cinéphilie, em parceria com a Aliança Francesa para exibição de filmes de origem francesa será mantido. Será retomado o Cine Café, em Nalva Melo Salão. E a parceria de cinco anos com o Cine Assembleia será suspensa. “Não sentimos mais interesse da parte deles”, lamenta o cineclubista.

A parceria com o Teatro de Cultura Popular Chico Daniel (TCP) será diferente. “Em vez do projeto Cine Vanguarda (de exibições semanais) promoveremos mostras com cinco dias seguidos de filmes temáticos, a exemplo da semana dedicada a John Cassavetes, que atraiu bom público no ano passado. Nelson também adiantou a intenção de promover a segunda edição da mostra Cinema e Cabelos, mais uma vez exibida em Nalva Café. “Desta vez dedicada aos cabelos masculinos”. Em maio, uma mostra de cinema cult, provavelmente de volta ao TCP. “E também retomaremos a mostra do filme asiático”.

 O Carrossel da Vida e do Amor
O Cineclube Natal em sua 199ª  sessão em 2010

FILMES E LIVROS

O Cineclube Natal tem projetos de publicação de livros em andamento e outros a serem iniciados. “Temos franco interesse no trabalho de pesquisa. Temos compilado material para dois livros. Um é sobre a história do cineclubismo potiguar. Nós temos uma peculiariedade: nunca na história pelo menos dois cineclubes potiguares atuaram de forma intensa. No passado foi o Cineclube Tirol. Hoje o Cineclube Natal. E os outros promovem ações pontuais, de âmbito particular e sem participação na política do audiovisual potiguar”.

Nelson Marques aponta alguns fatores para a existência ínfima de cineclubes no Estado. “Compare o cenário cultural em estados vizinhos e veja que o Rio Grande do Norte está a anos luz de distância, no cinema ou outra área artística. E cineclube depende de público, de estímulo, da equipe. E aqui é como eu já falei: o povo quer ser visto. E para construir esse contexto de badalação precisa de muita coisa ainda”. O outro livro diz respeito à iconografia das salas de cinema no Rio Grande do Norte. “Se as salas de cinema do estado sumiram, a história delas precisa ser resgatada”, acrescenta.

Um terceiro livro é uma meta do Cineclube Natal: uma avaliação do papel dos filmes B no cinema. “No meu tempo as salas de cinema exibiam dois filmes por vez, sendo uma de menor qualidade e orçamento. E essa restrição orçamentária serviu de estímulo para bons diretores produzirem verdadeiras obras primas do cinema. Então, este livro pretende resgatar alguns desses filmes, tecer comentários, resenhas; abrir a discussão em torno desses filmes”, adianta Nelson Marques.

O quarto livro – ou o primeiro, pela ordem – está pronto e entregue à comissão de editores da UFRN, à espera do parecer de aprovação. O nome é Sessão Dupla. São comentários, resenhas e ensaios comparativos entre filmes e remakes. “Imagino ser interessante ao público esse tipo de comparação a partir do contexto de épocas, de releituras. Veja que qualquer obra de Shakespeare foi cinematografada. Tem o caso de Hitchcock, autor de duas versões para um mesmo filme. Tem muita coisa interessante”, se orgulha.

 Cineclube depende de público, de estímulo e de equipe

NOVOS RUMOS

Durante praticamente todo o ano passado, o Cineclube Natal arquejou com apenas os três diretores na equipe: o presidente Pedro Fiúza, o tesoureiro Nelson Marques e a secretária Tatiana Lima. Este ano angariou outros sete voluntários. A pretensão é transformar o blog em site e receber textos colaborativos sobre o cinema. “Agora podemos trabalhar de forma mais eficaz, porque o trabalho intelectual de definição de filmes e mostras é o mínimo. Tem o físico que é o de montar equipamento, etc. E é um trabalho voluntário, sem remuneração, por puro idealismo e paixão pelo cinema”, conclui Nelson Marques.


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Sérgio Vilar

janeiro 23, 2012

UM MUSICAL PARA SER VISTO E LEMBRADO

 "DOLORES"
 Isaque Galvão e Cláudia Magalhães no elenco do musical
Selecionado entre os melhores espetáculos de teatro da Revista Bravo!

DOLORES VAI A RECIFE

Por
Diário de Natal

18ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos, festival internacional de artes cênicas de Pernambuco, tem abertura nesta quarta-feira, no Teatro de Santa Isabel, em Recife, com extensões às cidades de Olinda e Caruaru, e convidou como representante do Rio Grande do Norte o musical Dolores, da Ronaldo Negromonte Produções, que traz no elenco Isaque Galvão e Cláudia Magalhães. Nesta edição, que celebra a maioridade do festival, além de mais de 30 produções pernambucanas, estarão na grade espetáculos de estados como RN, Paraíba, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Porto Alegre e Brasília. Também participam atrações de cinco outros países, Canadá, Argentina, Portugal, Equador e Chile.

O festival reúne mais de 90 apresentações da produção de artes cênicas nacional e internacional, além de 12 shows musicais e uma série de atividades extras. A apresentação de Dolores ocorre no dia 24, às 20h, no Teatro de Santa Isabel. O ingresso custa R$ 10 (preço único promocional). A montagem vai ser vista por diversos curadores convidados, profissionais vindos de várias partes do Brasil e de outros países. O objetivo é estimular contatos e a possibilidade de intercâmbio de espetáculos.

No enredo, com trilha sonora ao vivo, o musical tece uma colcha de retalhos sentimentais em homenagem à cantora e compositora carioca Dolores Duran e ao compositor e poeta pernambucano Antônio Maria, conhecidos pela amizade, pela boemia e por suas críticas à sociedade dos anos 1950. A direção geral e iluminação são de Diana Fontes; co-direção: Jonas Sales; direção musical: Maria Clara Gonzaga e Franklin Nogvaes; músicos: Maria Clara Gonzaga, Franklin Nogvaes e John Fidja.

O festival prossegue até o dia 29 de janeiro, numa realização da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), acontecendo nas cidades do Recife, como seu principal pólo, Olinda e, pela segunda vez consecutiva, em Caruaru. Janeiro é um mês estratégico para atrair muita gente às casas de espetáculos por ser um período de férias e com diversos turistas em Pernambuco.

Dolores foi considerada a melhor crooner da década de 1950
e inspiradora da bossa nova; compôs com Tom Jobim e Vinicius de Moraes

PIONEIRA DO SAMBA-CANÇÃO   

Dolores Duran percorreu os limites dos sentimentos. Compôs algumas das mais tristes e belas canções da MPB. Viveu 29 anos de paixão e desilusões amorosas em um Brasil-boemia, ressacado da 2ª Guerra e influenciado pelo jazz americano. O clima de cigarros, uísques e boemia nos pubs cariocas, aliado às constantes paixões desfeitas, resume a vida de Dolores Duran e da peça Dolores.

Em cena, a atriz Cláudia Magalhães interpreta a pioneira do samba-canção e uma das precursoras da Bossa Nova. O amigo cronista e parceiro em algumas canções, Antônio Maria, é vivido pelo ator e cantor Isaque Galvão. A peça é uma espécie de musical intimista. O clima informal procura retratar os anos 50 no Brasil, das boates do Hotel Glória, da malandragem e poetas bêbados. Tudo pelas letras do casal de amigos inseparáveis.

"O musical é uma oferenda à sensibilidade. Dolores Duran é essa pessoa sensível, amorosa e que transmite essa poesia visceral. É preciso ser muito sensível para sofrer tanto", comenta Diana Fontes. Para Isaque Galvão, a peça fala ao público. "Todo mundo sofreu, sofre ou sofrerá por amor. Dolores e Antônio Maria transformaram essa dor do amor em arte; virou um sentimento eternizado". Cláudia Magalhães ressalta que a natureza do musical intimista é justificada pelo enfoque no sentimento, sem pirotécnicas cênicas. "Por isso é menos plástico, menos grandioso. O sentimento presente na peça já é muito intenso". E Isaque complementa: "A lágrima já brilha tanto que não precisa de lantejoula".

O espetáculo dura 60 minutos. As músicas de Dolores Duran percorrem a encenação até o fim, entremeadas por diálogos baseados em textos de Antônio Maria. "Coloquei uma ou outra poesia minha para ligar os diálogos. Mas a peça é baseada na obra deles dois", frisou Cláudia Magalhães. As músicas são interpretadas em maioria pelo dueto. A voz aguda de Cláudia e o vozeirão de Isaque se harmonizam com os arranjos da banda formada pelo contrabaixista Franklin Nogvaes, o baterista John Fidja e a diretora musical do espetáculo, a pianista Maria ClaraGonzaga. Entre as canções, clássicos como A noite do meu bem e Olha o tempo passando.

 Teatro Santa isabel - Recife/PE
 crédito: Marcelo Lyra 

INGRESSOS POPULARES

Com ingressos populares que variam de R$ 10 a R$ 20, além de atrações gratuitas, o Janeiro de Grandes Espetáculos aposta numa programação bastante diversificada, com produções do teatro para adultos e para crianças, abrindo espaço também para espetáculos de dança e shows musicais, além de atividades formativas como aula espetáculo, lançamentos de livros, seminário de dança, mesas de discussão e debates de teatro e dança.

O foco principal é apresentar os maiores destaques da produção pernambucana que estrearam no ano anterior, não só da capital, mas de outros municípios, convidando, ainda, estreias locais e realizações cênicas de outros estados brasileiros, além de atrações internacionais, algo que vem crescendo a cada ano.


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janeiro 22, 2012

UMA JANELA PARA O MUNDO

 UMA VIAJEM DE 45 ANOS
 É  O TEMA DO NOVO LIVRO DO MÉDICO TARCÍSIO GURGEL
ilustração: coletada via internet

 JANELA ABERTA PARA O MUNDO

Por
Walter Medeiros

Janela aberta para o mundo é o novo livro do médico e escritor Tarcísio Gurgel, que será lançado no próximo dia 28 de Janeiro, às 17 horas, na Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall, em Natal-RN. O livro bilíngue - português e inglês - trata do ano que o autor passou nos Estados Unidos como estudante e das experiências que vieram em seguida. Ele mostra como conheceu outras partes daquele país, trazendo importantes informações, orientações, vivências e fatos hilários que viveu no decorrer destes anos, que não são poucos: faz 45 anos que ele concluiu os estudos proporcionados através do intercâmbio do American Field Service.

Com uma memória privilegiada e um senso de organização raro, o autor resgata momentos, fatos, informações e fotografias, que, com o passar do tempo, vão se revelando preciosidades, e que vale a pena ler e ver. Cada página da obra traz uma síntese madura e qualificada do pensamento sobre intercâmbio estudantil e os valores sociais e humanos que o autor tão bem soube adquirir e cultivar durante todas essas décadas. Trata-se de uma leitura que com certeza vai valer a pena.

Trata-se de uma espécie de viagem no tempo e no espaço, que começa com a narração sobre "West Chicago - Intercâmbio em Illinois, EUA (1965/1966)"; descreve em seguida como se sentiu "Vivendo nos EEUU - Uma experiência ímpar, singular, exclusiva e diferente"; fala sobre "O American Field Service (AFS) - Promovendo a formação do cidadão pleno"; detalha a "Convivência na Família Americana - Morando com a minha família norte-americana e estudando em West Chicago"; cita - "Letras de Saudade - As cartas que enviava e recebia - palavras de parentes e amigos"; e conta viagens que fez posteriormente ao ano do intercâmbio, a Denver, que descreve como "Um retorno emocionante e compensador"; Nova Iorque e Flórida (Miami, Kennedy Space Center e Disney World).  

Tarcísio Gurgel tem 63 anos, é médico e perito aposentado do INSS
crédito: Canindé Soares

Em fins do ano passado foi aos EUA, onde, em West Chicago, lançou o livro para colegas de High School e foi orador da festa que reuniu estudantes da época. Foi da segunda turma de brasileiros a participar do American Field Service - AFS. Foi intérprete no navio americano HOPE, que passou um ano em Natal, nos idos de 1971. Depois da viagem aos EUA, onde ficou um ano, tomou gosto por viagem e em todas as férias ou recesso está de mala na mão.

O autor já conhece mais de 50 países, de todos os continentes. Em suas viagens, viveu os episódios mais variados e surpreendentes. Na viagem mais recente, em Nova Iorque, foi recebido pelo diretor do AFS, a quem entregou um exemplar do seu livro e deixou outros para a biblioteca. Em 2007, ao completar 60 anos, contava 32 países e lançou seu primeiro livro - Batendo asas, onde e como. Agora lança Uma janela para o mundo em português e inglês.


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 Walter Medeiros

janeiro 21, 2012

PROCURA-SE ESCRITORES EM SOLO POTIGUAR

"Existe literatura potiguar?"

 PROCURA-SE ESCRITORES
EDITAL QUE PREVÊ PUBLICAÇÃO DE 30 LIVROS
SEGUE COM 12 INSCRITOS

 Por
Sérgio Vilar

O título de matéria publicada em O Poti/Diário de Natal há dois meses questionava: "Existe literatura potiguar?". O resultado do edital de publicações lançado pela secretária extraordinária de Cultura em 2011 mostra que não. Ou pelo menos que é insignificante. O edital prevê patrocínio para publicação de 30 livros. E o que deveria ser disputa pela oportunidade virou apelo da Secult para mais participação. Apenas 12 autores se inscreveram. O prazo para inscrição foi prorrogado duas vezes no ano passado para oferecer novas chances aos autores. Sem resultado, a secretária Isaura Rosado decidiu ontem deixar as inscrições abertas permanentemente até preencher os 30 títulos aptos a publicação. "E olhe que em cada um dos 30 municípios que visitei chamei a atenção para este edital".

Os critérios para a seleção incluem obras que contribuam para o registro histórico das origens potiguares e também para o desenvolvimento de novas linguagens culturais. A Secretaria pretende publicar, além de livros, cordéis, ensaios antropológicos, inéditos de autores consagrados e até quadrinhos. Cada um dos 30 títulos a serem publicados terá tiragem de 500 exemplares. Destes, 200 ficarão com os autores e o restante encaminhado para bibliotecas nacionais, à mídia especializada, ao governo e à reserva técnica da Gráfica Manimbu. Um dos objetivos deste edital é atuar diretamente no fomento e na formação de escritores e leitores. "É mais uma ação do Governo para apoiar e difundir a cultura potiguar através da literatura", destaca a secretária.

A Secult nomeou uma comissão técnica formada por Racine Santos, Carlos Gurgel e José Albano para avaliar o material enviado sob a ótica das exigências do edital. E uma segunda comissão para analisar o mérito das obras, formada por Vicente Serejo, Carlos de Souza, Tarcísio Gurgel, Iaperi Araújo e Sérgio Vilar. Já foram enviadas 13 obras, sendo aprovadas 12 pela comissão técnica e o cordel será encaminhado à edital específico para esse gênero literário. Parte dos livros foi distribuída ontem entre membros da comissão de análise de mérito. Outra parte será entregue ainda este mês. "Nossa intenção é iniciar o lançamento dos primeiros livros assim que passar o período do carnaval", adiantou Isaura Rosado.

Prestes a ser lançado o livro inédito de João Alves de Melo
  contendo três fotos nunca publicadas de Saint Exupéry
ilustração: coletada via internet

LANÇAMENTOS À VISTA

Três livros de reconhecido valor literário já estão prontos para lançamento. O livro de prosa Cidade dos Reis foi apresentado ontem ao autor, Carlos de Souza. Estão na agulha também o esperado título do folclorista Deífilo Gurgel, O Romanceiro Potiguar. E ainda um livro inédito de João Alves de Melo contendo três fotos nunca publicadas de Saint Exupéry, possivelmente em Natal - retomando a polêmica da presença ou não do aviador francês na capital potiguar. Esses três livros foram publicações avulsas, sem o crivo de edital ou comissão. Assim como foram publicados 24 títulos (afora 11 cordéis) em 2011. 

 Pinacoteca do Rio Grande do Norte
fotografia: Fellipe Souza  

COMISSÃO AVALIARÁ CONTEÚDO DAS OBRAS

Todos os outros 30 livros programados para publicação em 2012 serão analisados pela comissão. "Esses 24 títulos publicados (incluindo dois catálogos, de Fé Córdula e outros sobre as Joias da Pinacoteca Potiguar) foram livros já encaminhados, alguns semiprontos pela Fapern e outros que julgamos importantes para o acervo literário potiguar. É possível que tenhamos cometido alguma injustiça. Mas foi importante retomar esse ritmo de publicações e este ano haverá um crivo técnico para melhor avaliação", disse a secretária. A última gestão, comandada pelo cordelista Crispiniano Neto publicou menos de dez livros em quatro anos. "Conseguimos resgatar a Gráfica Manimbu com cinco máquinas doadas pela Fapern, que eu havia comprado para a gráfica de lá e eles julgaram que deveriam vir pra cá". As máquinas são uma off-set e outras quatro para acabamento de impressão.

Entre os livros publicados no ano passado estão obras de Adriano de Souza, Dorian Gray Caldas, Paulo Jorge Dumaresq, Iaperi Araújo, Enélio Petrovich, Marize Castro, Maia Pinto, Antônio Júnior, José Lacerda Felipe e outros. Além de 11 cordéis e três edições da Preá, sendo uma já pronta e com lançamento previsto para fevereiro. Isaura Rosado também adiantou que todos os lançamentos previstos para 2012 virão acompanhados de outra solenidade, para contenção de custos de buffet e logística. "Ou é assim ou a Fundação vai viver de festa", brincou a secretária.  

 O acervo literário potiguar em crescente refomulação
 ilustração: coletada via internet

INSCRIÇÃO

Para se inscrever, os candidatos devem comparecer à Fundação José Augusto com requerimento e formulário de identificação do autor, incluindo mini-currículo (entre 5 e 10 linhas), resumo informativo do trabalho entre 100 e 300 linhas, digitado em fonte Times 12, espaço 1,5 em duas vias impressas e também em meio eletrônico; termo de entrega e compromisso do autor com a Secretaria /FJA/Gráfica e Editora Manimbu. Cada proposta deverá estar inteiramente editorada, pronta para impressão, em arquivo aberto, acompanhada dos originais do livro em três vias, sendo duas impressas e uma em CD-R ou DVD, à exceção dos projetos de reedições. Nos originais devem constar: o texto a ser publicado, apresentação, sumário, anexos, orelhas quando houver, e capa (até 4 cores). 


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Sérgio Vilar