fevereiro 19, 2012

O SEGREDO DE UM CAMPEÃO

 CAYQUE FELIPE
 Potiguar é primeiro lugar na USP e na UnB

NATALENSE BRILHA FORA DO RIO GRANDE DO NORTE

Por
Tribuna do Norte

Pela primeira vez, um estudante natalense e nordestino passou em primeiro lugar em dois dos vestibulares mais concorridos do Brasil. A proeza se deve ao jovem Cayque Felipe dos Anjos, 18 anos, aprovado nos cursos de Ciências Biomoleculares da USP (Universidade de São Paulo) e de Biotecnologia da UnB (Universidade de Brasília). O resultado foi divulgado na semana passada. A USP é a maior universidade pública brasileira e forma grande parte dos mestres e doutores do país. Já a UnB tem 50 anos de história e foi eleita pelo Ministério da Educação como a maior instituição de ensino superior do Centro-Oeste. Perguntado sobre qual delas escolheria, Cayque não hesitou: "Vou para a USP, porque é uma das maiores universidades da América Latina e do mundo".

Em 2010, quando ainda cursava o segundo ano do ensino médio, Cayque tentou o vestibular da UnB e, quando foi conferir sua nota no site da instituição, viu que a média o credenciava para passar em todos os cursos na primeira chamada - exceto Direito e Medicina. "Eu cursei pra treineiro, que é uma opção só pra testar o conhecimento mesmo", contou, entre tímido e orgulhoso com o próprio desempenho.

Ele se disse um "nerd" assumido, apelido comumente dados aos alunos muito dedicados aos estudos. Cayque, porém, revelou que não precisou abrir mão de muita coisa para conquistar bons resultados na carreira escolar. Desde o ensino fundamental, colecionou medalhas em olimpíadas de Química, Física e Biologia no Rio Grande do Norte e no Brasil. Chegou a ir à Costa Rica, onde participou da Olimpíada Ibero-Americana de Biologia.

"Tudo que eu queria fazer este ano eu fiz. Até porque não sou muito de ir pra balada e shows, porque não gosto de forró nem das bandas que tocam aqui. Fui pra vários aniversários de amigos meus, churrasco, fui praquilo que eu queria ir. Até porque se eu ficasse só em casa estudando iria enlouquecer", contou Cayque, que estudou no Colégio Ciências Aplicadas. Para quem acha que ele não sabe curtir a vida, Cayque tem uma resposta pronta: "Eu gosto de estudar. Não gosto de 'Garota Safada', gosto de estudar Química".

Cayque Felipe comemora, com a mãe, aprovação na USP
 e no vestibular da Universidade de Brasília

Cayque admitiu estar "ansioso" com o futuro. O pai Douglas e a mãe Elizabeth - ambos servidores da Polícia Federal - estão sentindo uma mistura de orgulho e apreensão. Afinal, ele ainda é muito jovem e, agora, vai morar na distante São Carlos, interior de São Paulo, onde fica o campus da USP em que Cayque vai estudar pelos próximos anos. Ele e o pai viajaram na última quarta-feira para São Carlos, com o objetivo de procurar uma república estudantil para servir de moradia de Cayque.

"Minha mãe mesmo dizia que eu deveria ficar aqui, mas não tem comparação. Não que a UFRN seja ruim, pelo contrário. Mas a USP é uma das melhores da América Latina e do mundo. Eu pretendo trabalhar com pesquisa. Lá, um artigo que você fizer tem mais visibilidade", explicou.

Cayque revelou que planeja fazer pós-graduação na Alemanha. Ele disse que "sonha alto", mas lembrou que está mais fácil estudar no exterior.  "Tá mais fácil, porque a presidente Dilma [Rousseff] abriu o programa 'Ciências Sem Fronteiras', que está dando muitas bolsas para os melhores alunos. Como minha área é na biotecnologia, que é uma das prioridades do Brasil, porque aqui não existe muito essa coisa, pode dar certo", ponderou.

Demonstrando saber bem o terreno em que está pisando, Cayque avaliou que ainda não aconteceu o "boom" da biotecnologia no Brasil. Por isso, acredita que esse é um campo fértil à pesquisa.  "Lá no exterior já existe um 'case' de biotecnologia há muito tempo, de genética, de nanobiotecnologia, que é um setor que tá explodindo agora. Existe uma urgência do Brasil de se modernizar, de desenvolver a tecnologia necessária para que essa área cresça aqui".


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fevereiro 17, 2012

CANTOR REALIZA SHOW DE MPB PARA CÃES

Joseh Garcia  vai realizar show único de MPB para cães
no Wag Hotels em San Francisco, Califórnia

INUSITADO
CANTOR NATALENSE REALIZA SHOW  PARA CÃES NOS EUA 

Por
Tribuna do Norte
Centro Comunitário Brasileiro

SAN FRANCISCO, USA - Um show para cães e um álbum gravado na França? Sim, talvez você não conheça Joseh Garcia, mas o cantor natalense tem conquistado público nos Estados Unidos, Canadá e França, desde que saiu de Natal, Rio Grande do Norte.

No dia 18 de fevereiro, sábado, Joseh Garcia vai realizar um show único de música brasileira para cães e seus donos no Wag Hotels em San Francisco. Os animais receberão biscoitos caninos, seus donos desfrutarão de bebidas e salgadinhos, e ambos assistirão ao show. Os lucros provenientes dos ingressos serão doados a uma organização sem fins lucrativos que resgata cães abandonados de pequeno porte.
 
Joseh Garcia optou por um repertório eclético que inclui músicas de sua EP Bossa a Trois, gravado na França e produzida pelo aclamado Daniel Masson (produtor de compilações para o Buddha Bar em Paris), e canções de grandes compositores da música brasileira. Para não decepcionar os cães, Joseh fez questão de adicionar músicas que tocam no tema canino, como Um Filho e um Cachorro (Zeca Baleiro), Vira-lata de Raça (Rita Lee), e uma versão politicamente correta de Hound Dog, um clássico de Elvis Presley.

O evento já chamou a atenção da midia americana. A TV americana KGO interessou-se pelo show e o canal de TV de Los Angeles BDCi cobrirá o evento.

Joseh Garcia é psicólogo e ex-integrante do De Coro e Alma

JOSEH GARCIA

Não há dúvida que Joseh Garcia tem magia! Ao ouvir este maravilhoso cantor, podemos nos sentir em uma praia brasileira, refrescado por uma brisa serena, e levados por uma carícia apaixonada. As canções de Joseh personificam as características do charme brasileiro: uma sensualidade divertida e natural. Com gestos vocais precisos Joseh sussurra segredos que gentilmente convidam cada um de nós a uma jornada interior.Cada nota é belamente cantada com a intenção e atenção.

Sua voz e movimentos nos encantam à medida em que todo o seu ser suinga em harmonia. Seja solo ou bem acompanhado, com uma banda completa, no palco a impactante presença de Joseh tem o poder de mover-nos e fazer-nos sorrir à medida em que experimentamos a alegria da entrega à música. A visionária artista Silvia Nakkach disse: "Joseh Garcia deverá abalar as fronteiras da música brasileira e do cool jazz nas décadas que virão." Ao ouvirmos Joseh sabemos que ele não tem medo de explorar e cruzar fronteiras.

Como um alquimista, Joseh saboreia cada canção, combinando-as, reconstruíndo-as e cria algo novo. Seu gosto musical refinado e sua abertura para encontros inusitados o levou a explorar a junção da Bossa Nova com a música do Oriente Médio, e da música brasileira com a música eletrônica. Em 2011 Joseh Garcia lançou sua primeira EP, Bossa a Trois, em colaboração com Jonathan Rickert. O album criativamente une pop Brasileiro com downtempo eletrônico e foi produzido pelo produtor francês Daniel Masson, conhecido mundialmente por suas coletâneas para o Buddha Bar de Paris. De forma bela e sem esforço Joseh desafia os limites da música de seu país.

A profunda conexão de Joseh com a música o fez concluir um Ph.D. na Califórnia onde examinou a transformação psicológica do ouvinte através de canções. As melodias de Joseh graciosamente incorporam sua pesquisa. Quando o ouvimos, nos conectamos com um lugar interior pleno de potencial para experiências transformadoras.Joseh Garcia atingiu públicos no Brasil, Itália, França e Canadá e tem trabalhado com produtores inovadores, tais como o francês Daniel Masson. 

Nos Estados Unidos ele tem se apresentado em locais respeitados como La Peña Cultural Center, California Institute of Integral Studies, Palace of Fine Arts, Rudramandir e Red Poppy Art House. Com a profundidade da sua música, Joseh Garcia aspira a reconectar seus ouvintes com os aspectos humano e transcendentes da vida. 


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www.tribunadonorte.com.br
Centro Comunitário Brasileiro

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fevereiro 15, 2012

UMA MENTE BRILHANTE EM MEIO AO SERTÃO

 
  O jovem professor André Magri, de apenas 20 anos,
 à frente dos projetos premiados  
 
PROFESSOR DO INTERIOR DO RIO GRANDE DO NORTE
É PREMIADO E RECEBE DESTAQUE NO MEC 

Em meio à zona rural do sertão potiguar, no município de Ipanguaçu, há cerca de 200 km de Natal, uma escola da rede municipal tem chamado a atenção de instituições de todo o Brasil. O motivo? É que desde o ano de 2010, a Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira, localizada no Assentamento Tabuleiro Alto, já conquistou 04 prêmios nacionais. À frente de todos os projetos premiados, o jovem professor André Magri Ribeiro de Melo, de apenas 20 anos de idade. A façanha foi destacada em matéria publicada nesta terça-feira (14) no portal do Ministério da Educação (MEC).

 PROFESSOR DESENVOLVE PROJETOS CRIATIVOS
 EM ESCOLA POTIGUAR

Por
Fátima Schenini

Os projetos criados por um professor de apenas 20 anos contribuíram para a premiação de sua escola em diferentes ocasiões. Estudante de letras, André Magri Ribeiro de Melo dá aulas de língua portuguesa e literatura na Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira, em Ipanguaçu, município potiguar a 200 quilômetros de Natal. Na mesma instituição, localizada no assentamento Tabuleiro Alto, área rural do município, ele iniciou a carreira de professor, há quatro anos.

A primeira iniciativa premiada de André foi o projeto Literatura de Terror: uma Visita à Elegante Essência do Medo. A experiência conquistou o primeiro lugar do prêmio Construindo a Nação, edição 2010, no ensino fundamental. Em 2011, o projeto Identidade e Voz do Povo Nordestino na Literatura Regionalista proporcionou à escola o primeiro lugar na mesma premiação. Com esse projeto, a instituição também foi vencedora do Selo Escola Solidária (2011) e conquistou o segundo lugar no Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita (2011).

 Um batalhão de personagens, histórias e emoções
 pretende bater à porta da escola e das famílias de Tabuleiro Alto

Na visão desse jovem educador, o uso de meios alternativos de ensino, como músicas, filmes e desenhos animados, mostra ao estudante diferentes formas de estudar e analisar a língua materna que não sejam apenas o livro didático e o quadro com giz. “Se o aluno sentir prazer em estar na sala de aula e na escola, renderá bem mais, e seu aprendizado sofrerá evolução significativa”, afirma André. Em todo os projetos que desenvolve, ele conta sempre com a parceria dos professores de língua inglesa e ensino da arte.

Seus planos para 2012 incluem uma grande viagem pela história da literatura brasileira com o projeto De Caminha a Lobato: A Evolução da Literatura Brasileira. “Os alunos serão apresentados aos diferentes momentos de construção da nossa literatura e conhecerão as influências recebidas, bem como as relações das obras escritas com os momentos históricos que nosso país vivia a cada surgimento de um novo olhar sobre a palavra”, revela.

  Professor André e um grupo de alunos, na biblioteca

A viagem pelas letras terá início com a leitura de uma versão infantil da Carta de Pero Vaz de Caminha (sexto e sétimo anos) e trechos do texto original (oitavo e nono). Terá continuidade com a passagem pelas escolas da literatura brasileira, como o Romantismo e o Modernismo, até chegar às obras de Monteiro Lobato. “Um batalhão de personagens, histórias e emoções pretende bater à porta da escola e das famílias de Tabuleiro Alto”, adianta André.

Ele assegura que os alunos lerão todas as obras indicadas, integralmente. Embora o acervo da biblioteca da escola seja pequeno, os estudantes contam com a ajuda da família para a aquisição de obras, com doações e visitas a bibliotecas municipais. “Entendemos que a leitura dos textos integrais garante maior compreensão do aluno e o insere mais ainda no mundo letrado e literário”, diz o professor.


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arquivo da escola

...saiba mais...
Jornal do Professor

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 “Professor, uma profissão! Educador, a mais nobre de todas as missões!"
(Antonio Gomes Lacerda)

fevereiro 14, 2012

HANGAR: MAIS QUE UM TROFÉU NA ESTANTE

   MARCELO VENI
Idealizador do Prêmio Hangar, a maior premiação da música potiguar
Fillho de potiguares, o brasiliense  fala da alegria de ser produtor artístico
Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press

PERFIL
   MARCELO VENI

Por
Alex Costa

"Pessoas acham que produtores artísticos são artistas frustrados. Estão erradas. Produzir me fez ter o verdadeiro encontro com a arte". A afirmação proferida por Marcelo Veni referencia o estilo de vida escolhido pelo produtor cultural. Para ele, a profissão adotada por uma pessoa a transforma e a estimula a viver em função daquilo que sabe e aprendeu a fazer. Autor do prestigiado Prêmio Hangar, que visa homenagear os artistas potiguares por seu destaque em seus trabalhos, Marcelo esbanja carisma, com vontade de inovar e fazer a arte aparecer na sociedade.

Nascido em Brasília, no dia 16 de abril de 1974, o filho dos comerciantes potiguares Valéria e Joaquim passou uma infância simples num cenário que contrastava com sua história. "Meus pais foram para o Centro-Oeste com a chamada do JK. Eu nasci lá, passamos alguns anos na atual capital do Brasil e depois nos mudamos para Goiânia", conta Marcelo.

Foi na capital de Goiás que Veni teve o seu primeiro contato com a arte, através de peças escolares. "Eu gostava de fazer, criar, imaginar", realça. Aos 13 anos, os pais do Marcelo retornam para a capital potiguar e o adolescente descobre em Natal o berço da sua cultura. Na escola, Veni continuou participando de eventos teatrais e durante toda a sua formação, o jovem Marcelo foi buscando se especializar em arte. A sua entrada no Centro Social Urbano da Cidade da Esperança marcou a entrada de Veni na cultura potiguar.

"Eu estava folheando uma revista do Sesc e vi um anúncio falando a respeito de um curso de teatro com o já falecido diretor Chico Vila. Não deixei de lado, corri atrás do meu sonho, do meu desejo por ver a arte mais de perto e fui integrado a esse mundo cultural", afirma Veni. Lá, Marcelo conheceu outros grandes nomes como João Marcelino e Lula Belmont, e já teve a oportunidade de trabalhar junto com eles em algumas produções.

A porta para um mundo de cultura tinha sido aberta para o jovem Marcelo Veni, que não sabia como seria o seu futuro até então. Na escola, Marcelosempre foi muito comunicativo, desinibido. Era sempre o centro das atenções e foi por várias vezes o chefe de classe. A postura de liderança e de atitudes rápidas e consistentes sempre estiveram presentes no sangue do produtor musical. Marcelo foi militante da União Metropolitana de Estudantes (UMES). Lá, atuou como diretor cultural e experimentou coordenar ações artísticas com o público estudantil.

"Fui me encontrando, me descobrindo e revelando a minha capacidade de criar e fazer. Eu tenho a sensação de ter despertado algo que já existia dentro de mim: é um pedaço do meu coração que ainda tem muito espaço para guardar essa paixão pela cultura", diz. Marcelo trabalhou na 96FM no período de 1995 e 1997 onde apresentava a Gincana Cultural, grande sucesso na época, o que deu a oportunidade de ser ainda mais visto pelo mercado cultural potiguar.

Idealizado, coordenado e apresentado por Veni, a Gincana Cultural unia esportes e cultura e sempre repercutia muito na sociedade. "Era muito legal. Trabalhar na rádio me fez usar o meu lado jornalista, que eu já quis ser também. Comecei a faculdade de letras e de jornalismo mas não conclui porque a demanda com shows começou a crescer", relata.

Desde então, Marcelo nunca mais parou. Organizando projetos e arranjando formas de apresentar, o produtor cultural fluía em ideias e em oportunidades. Veni chegou a trabalhar também na assessoria do DCE da UFRN, coordenando a parte cultural alternativa e na UnP no programa Universidade Solidária, criando e apresentando pequenos teatros em cidades interioranas, falando sobre questões sociais como drogas, violência contra a mulher, dengue e camisinha.

"Também organizei muitos shows. A minha vida era isso. Se resumia em pensar em arte, correr atrás dela e encontrar novas dimensões. Os tributos a grandes artistas que eu realizei tinha muito a ver comigo: Cazuza, Raul Seixas... Para expressar quem eu sou, o que tenho, o que posso fazer", compartilha.

Em 1999, o produtor criou o Prêmio Hangar de Música. A cabeça de Veni se encheu de imagens, de produtos e de idéias. Colocando em prática e vendo que teve aceitação entre o público, Marcelo começou a se dedicar mais para a música e para eventos culturais que trabalhem essa área da arte. 
 
A OUSADIA, INOVAÇÃO E PERSISTÊNCIA 
SÃO ALGUMAS MARCAS REGISTRADAS

O Carnaval, data preferida pelo produtor, apesar da grande quantidade de trabalhos a realizar, comprovam sua ousadia em inovar com novos meios e novas roupagens. Inserindo sonoridades como o reggae, rock underground e rave eletrônica, o Carnaval da Ribeira passou a ter diferencial e a ter um público maior e mais diversificado. "Temos que saber aproveitar e fazer diferente, conclamando para que todos os diferentes se divirtam de maneira igual", realça.

A dedicação para eventos que associem a sociedade e a cultura é notável. Para Marcelo, "inserir a cultura urbana nos trabalhos artísticos que faço no dia a dia é importante". Ele destaca o trabalho com os grafiteiros, onde locais são escolhidos para que sejam feitos os trabalhos e os grupos de forró tocando em feiras populares como Rocas, Cidade da Esperança e Alecrim.

"E aí, será que as pessoas ainda podem me achar um artista frustrado?", questiona Marcelo. O produtor cultural diz que o seu trabalho é um diálogo constante e que o conhecimento adquirido é muito maior. Coordenando os artistas e valorizando-os através do Prêmio Hangar, Marcelo afirma já estar fazendo o seu papel de artista: criando, testando e apresentando resultados.

Sair com os amigos é costumeiro, mas produzir é a verdadeira diversão de Marcelo Veni. "Quem me conhece sabe que eu não mudo, que eu não tenho duas vidas. Eu sou um só e faço da cultura o meu estilo de vida", finaliza.

  PRÊMIO HANGAR DE MÚSICA
MAIS QUE UM TROFÉU NA ESTANTE

Por
 Yuno Silva

Prêmios são sempre bem vindos, mesmo que simbólicos, e  a música potiguar voltou a ser o centro das atenções durante nova rodada do Hangar, que concedeu, no Teatro Alberto Maranhão, o troféu Clave de Sol aos destaques musicais de 2011. Chegando em sua décima edição - 31 do mês passado -  sem patrocínio e nenhum apoio público, o Prêmio Hangar de Música homenageou os mestres Elino Julião e Luiz Gonzaga com uma programação pontuada por versões personalizadas de grandes clássicos da música nordestina. 

"Considero 2012 o encerramento de um ciclo, afinal foram dez edições do Hangar, e agora nossa meta é trabalhar com antecedência para captar recursos e viabilizar as próximas edições de maneira mais estruturada, com uma produção mais tranquila", disse Marcelo Veni, produtor e idealizador do Hangar em 1998, que comemora o apoio do SESC-RN, da Arte Musical e da FM Universitária. "Acredito que o Prêmio mereça o envolvimento de grandes marcas enquanto patrocinadores", acrescentou.

O Prêmio Hangar de Música 2012 contemplou os destaques de 2011 em onze categorias, sendo três escolhidas por júri popular. A lista final de indicados foi selecionada por onze pessoas, entre jornalistas, produtores e músicos, e o júri oficial  foi  formado por outros dez convidados. Durante o evento também foram concedidos prêmios especiais para artistas nacionais e projetos realizados no RN.

Segundo Marcelo Veni, a partir deste ano não haverá mais a denominação Melhor isso ou aquilo: "Vi que não vale a pena comparar, ninguém é melhor que ninguém, então optamos por simplificar. Em vez de Melhor Artista, teremos Artista do Ano, e assim sucessivamente", adianta.

DEPOIS DAS VACAS MAGRAS, A RETOMADA

Superando um período de vacas magras e certo descrédito entre o segmento musical, principalmente entre os anos de 2006 e 2007 quando passou em branco, o Prêmio Hangar vem ganhando fôlego para voltar à boa forma já vista em outros momentos: em 2003, por exemplo, o Hangar realizou festa de encerramento no Hotel Pirâmide com show de Elino Julião e a banda paraibana Cabruêra; Sandra de Sá, Maria da Paz, DJ Dolores, Lia de Itamaracá e João Bosco já figuraram entre as atrações convidadas, a modelo Fernanda Tavares e o ex-VJ fashionista Max Fivelinha chegaram participar - Fivelinha por duas vezes, uma como apresentador e outra fazendo cobertura jornalística para a TV Bandeirantes em rede nacional.


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Alex Costa

fevereiro 11, 2012

FILHO DA CANÇÃO, IRMÃO DO POEMA

MARIANO TAVARES
Chega à maturidade artística lançando seu segundo álbum, "Sem Parar"
 Sofisticação e poesia permeiam as 11 faixas do novo disco
 
FILHO DA CANÇÃO, IRMÃO DO POEMA

  Por
Sílvio Santiago 
especial para o VIVER 
Caderno Cultural do jornal Tribuna do Norte

Ele não para. Desde a sua estreia, em 1994, com o concerto Mariano Canta Caetano, cujo repertório foi baseado na obra do baiano Caetano Veloso, o assuense Mariano Tavares não parou mais de realizar shows e de compor, firmando-se como um artista de composições e interpretações elaboradamente sofisticadas - até excessivamente refinadas para serem pop, acusam alguns.

 Dezoito anos depois daquela apresentação no auditório da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em Mossoró, ele chega à maturidade artística lançando seu segundo álbum, "Sem Parar".
 
A partir dali, Tavares fez o mesmo percurso que a maioria dos iniciantes: tocou e cantou em bares e espaços culturais do Oeste potiguar e de Natal fazendo releituras personalíssimas da obra de artistas como Bob Dylan, Gilberto Gil, Lou Reed, Alceu Valença, Morrissey, Adriana Calcanhoto, Leonardo Cohen, Jards Macalé, entre outros.

 Porém, ao mesmo tempo em que se aprimorava como intérprete, ele também foi compondo suas próprias canções, marcadas por uma musicalidade e uma poesia demasiadamente delicadas, sublimes até. Apesar existir a polêmica que dissocia música e poesia, Tavares é enfático ao afirmar que "a canção é irmã siamesa - ou mãe, sei lá - do poema".

Graduado em Letras pela UERN, instituição da qual é hoje pesquisador e professor de Literaturas Norte-americana e Inglesa, Tavares fez seu mestrado em Literatura Comparada pela UFRN. Sua dissertação foi sobre a performance/performatividade nos poemas do livro "Ariel", da poetisa, romancista e contista norte-americana Sylvia Plath. Mas outros elementos também são essenciais às apresentações de Tavares, hoje restritas a teatros. Os cenários, sempre assinados pelo artista visual e fotógrafo Renato de Melo Medeiros, a iluminação e os figurinos, muitos criados pelo estilista Henrique Araujo, corroboram para sua identidade artística.

A formação musical de Mariano Tavares começou ainda na infância. Seu pai, de quem herdou o nome e a dramaticidade nas interpretações, foi um famoso e requisitado seresteiro que se apresentava em Assu e cidades vizinhas.

Na adolescência, descobriu e encantou-se com o tropicalismo, movimento que acontecera uma geração anterior a sua. "Foi o encontro que considero mais definitivo na minha carreira", afirma ele sobre o coletivo vanguardista do final da década de 1960. "E aqui incluo, além dos compositores e cantores, alguns poetas e artistas que circundaram o movimento. Toda aquela ideia de uma música/arte que olhava para dentro de si, para dentro do Brasil, do Sertão, mas que não se furtava a se deixar contaminar pela contemporaneidade que vinha do estrangeiro". Mais recentemente, Tavares vem se dedicando ao estudo da obra dos compositores, cantores e produtores brasileiros Cibelle, que desenvolveu sua carreira em Londres, e Cícero, o fluminense de Nova Friburgo que vem recebendo elogios de medalhões da MPB, e dos norte-americanos Antony Hegarty, líder da banda Antony and the Johnsons, e Rufus Wainwright.
 
"SEM PARAR"
CRÍTICA

Os primeiros acordes do piano de Humberto Luiz na música "Sem Parar", que abre o disco homônimo de Mariano Tavares, indicam a sofisticação sonora que permeia todas as 11 faixas do segundo álbum da carreira do cantor e compositor assuense. Já a voz suave e de timbre baixo dele explode e se agiganta na dramaticidade de suas interpretações. E as letras de todo o álbum não são pop; elas são poesias sublimes: "E quando os humanos matarem a dor no cartaz/ Terei ido embora/ Será nosso fim/ A deslizar sem parar/ A deslizar sem parar/ Sem parar".

Todas as músicas são de autoria de Tavares, com exceção de "É Dando Que Se Recebe", que compôs em parceria com a poetisa e atriz Civone Medeiros; "It's Not For Us", com o economista e estudante de Direito Hugo Vargas Soliz; e "Sacrifício", com o cantor e compositor Romildo Soares. Essa última ganhou clipe veiculado no programa "Canto da Terra", da TVU, e integra o DVD "Dos Pés  à Cabeça", do coral Harmus, que será lançado neste semestre. A música foi gravada no Salão Nobre do TAM com Tavares acompanhado apenas pelo coral e pelo pianista Humberto Luiz, seu maestro e arranjador. Outra exceção é "How Should I Your True Love Know", de William Shakespeare para "Hamlet". Ela é uma das canções do álbum em que se pode "ouvir" o silêncio de Tavares exercitando seu talento também como violonista. Na igualmente ótima "Se Eu Te Chamar de Baby", que encerra o disco, Tavares executa com suavidade seu violão e entrega sua voz a versos como "Se eu te chamar de baby/ Vai ser para ter de volta/ Meu retrato na parede/ E andar sob a chuva com você". Duas cantoras potiguares da nova geração fazem participações especiais em "Sem Parar" - que teve a capa e o encarte assinados pelo designer gráfico Alexandre Oliveira. Katarina Góis canta em "Não Há Segredo" e Simona Talma em "Para Onde os Sonhos Vão?".

Ficou fora do CD uma versão de "Age d'Or", do poeta simbolista francês Arthur Rimbaud que Tavares musicou. O motivo foi a não autorização dos direitos autorais pelo tradutor Ivo Barroso. Mas ela, assim como outros vídeos de Mariano Tavares, pode ser conferida no YouTube. 


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Sílvio Santiago 
especial para o VIVER 
Caderno Cultural do jornal Tribuna do Norte

fevereiro 10, 2012

ANDAR COM FÉ EU VOU...

 BOTE FÉ, NATAL
Praia do Forte, Natal/RN, Sede do Mega Evento Cristão
30 Mil Pessoas Deverão Participar do "Bote Fé Natal"
fotografia: Canindé Soares

  O POP DO SENHOR

Por
Tádzio França 

A música religiosa é o novo pop - pelo menos no Brasil. As canções que louvam a religião cristã saíram dos templos e aos poucos foram ganhando as rádios, paradas de sucesso, programas de televisão, e as listas de discos mais vendidos do País - com direito a inclusão da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet. Um verdadeiro fenômeno que atrai multidões. A mesma multidão que está sendo esperada para o "Bote Fé", um evento católico preparatório para a visita do Papa Bento XVI (em julho de 2013 no Rio de Janeiro) e que corre o Brasil em uma espécie de peregrinação, parte da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). A organização espera um público estimado em 30 mil pessoas, vindas de 11 estados do País. 

 O pioneiro Padre Zezinho

Serão três dias de programação no Rio Grande do Norte, cujo dia mais aguardado é hoje: nesta sexta-feira, a partir das 17h, será gravado um DVD com cenas do mega-show apresentado na chamada 'Arena Bote Fé', especialmente montada na Praia do Forte, ao lado da Ponte Newton Navarro, no terreno do antigo Círculo Militar (Clube do Exército).

    Padre Reginaldo Manzotti

Passarão pelo palco 31 atrações, entre padres e bandas que professam a fé católica através da música. Alguns são verdadeiras estrelas do gênero, como os padres Marcelo Rossi, Fábio de Melo, Antônio Maria e Reginaldo Manzotti, o pioneiro Padre Zezinho,  e a Irmã Kelly Patrícia.

As bandas e cantores que fazem rock e pop com mensagens cristãs também estarão presentes, como Rosa de Saron, Dominus, Cantores de Deus, Jake (que fez sucesso com o axé "Pó parar com Pó"), entre outros. Um verdadeiro "all stars" da música gospel cristã nacional.  

Padre Fábio de Melo

Para congregar essa maratona de música e mensagem, foi convocado Guto Graça Mello, um dos mais experientes produtores musicais do Brasil. O currículo do homem fala por si: ele compõe para para cinema e televisão desde os anos 70. A abertura do "Fantástico" de 1973 é dele. Para a televisão já compôs as trilhas de "Pecado capital", "Pai herói", "Coração alado", "Pirlimpimpim", "Coração alado", entre outros. Para o cinema, assinou "Beijo no asfalto", "Menino do Rio", "Cazuza", "Se eu fosse você", "Irma Vap", "Caixa Dois", etc.

Graça Mello já produziu mais de 350 discos ao longo de sua carreira, tendo trabalhado com artistas como Roberto Carlos, Maria Bethania, Milton Nascimento, Rita Lee, Elis Regina, João Gilberto, Gil, Gal, Caetano Veloso, entre outros. Durante 17 anos ele foi diretor musical da Rede Globo e da gravadora Som Livre. O produtor musical está em Natal desde o começo da semana e ontem à tarde participou do ensaio.

O "Bote Fé" tem apoio da gravadora Sony Music, em parceria com a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e a Arquidiocese de Natal.

 Padre Marcelo Rossi

NOS PALCOS DA FÉ

Vários nomes do Arena Bote Fé têm fama nacional, apreciados por gente de religiõeAs diversas. Padre Marcelo Rossi foi o primeiro 'popstar' da nova leva cristã, emplacando músicas como "Noites traiçoeiras", "Eu navegarei", "Cura-me", entre outros. Tem programa de rádio, promove missas para milhares de pessoas, e é sucesso literário com o livro "Agape". Em seu rastro surgiu Padre Fábio de Melo, sem batina e destacando a figura de cantor. Seus hits são "Tudo posso", "Viver pra mim é Cristo" e "Não desista do amor". O mais novo da leva, padre Reginaldo Manzotti, segue o mesmo caminho, já emplacado músicas como "A tempestade vai passar" e "Deus está aqui neste momento".

Rosa de Saron
 
DO METAL AO SOUL

Outras linguagens musicais cabem na nova música cristã. Caso do Rosa de Saron, que faz sucesso com seu "white metal" católico. O grupo lança discos desde 1994, e conta com hits como "Sem você", "Menos de um segundo", "Lembranças", e "Apenas uma canção de amor". Grupos como Dominus e Anjos de Resgate já foram classificados como o "Jota Quest da música católica". A Dominus, por exemplo, toca de rock a forró, e incorpora dançarinos ao show. Já os Anjos fazem pop/rock com uma pegada country. Mas a "palavra" está sempre lá, em primeiro plano.

 Irmã Kelly Patrícia

ARTISTAS DO GRAMMY

Provando que o "paraíso" sonoro é aberto a todos, as mulheres também marcam presença no louvor do palco. A Irmã Kelly Patrícia, de Fortaleza, é um dos nomes de destaque. Ela já tem 11 CDs lançados, e vai tocar na Arena a música "Tentação", de seu último CD, "Busca de Deus". O disco tem forte influência de rock, com guitarras e batidas fortes.

Em outro segmento totalmente diferente, a cantora Jake aposta na festiva axé músic para passar sua mensagem. A moça fez grande sucesso na internet, há três anos, com a música "Pó pará com o pó". Chegou a cantar com Ivete Sangalo no Carnatal. Todos louvam e dançam.

Outro detalhe: três das atrações do Bote Fé Natal já concorreram ao Grammy. Rosa de Saron, Ministério Adoração e Vida, e o pioneiro Padre Zezinho. Os três concorreram, ano passado, ao principal prêmio da música internacional na categoria "Melhor Álbum de Música Cristã". 

 A capital potiguar sediará a gravação de um DVD
com os principais cantores e Bandas Católicas do Brasil
fotografia: Canindé Soares

ARTISTAS POTIGUARES

Segundo informações do blog do fotógrafo Canindé soares, além das atrações nacionais, como Padre Marcelo Rossi, Padre Fabio de Melo e Padre Zezinho, artistas potiguares, que até então não se  sabia que iriam participar, também estarão no mega evento. A presença de cantores de Natal na gravação do DVD passa a ser  uma honra para a  Cidade que sedia o evento, pois percebe-se a  valorização da prata da  casa. Embora não tenha tido o repasse oficial, por parte da organização, sobre a participação dos potiguares, listamos os nomes cotados para o evento. São eles: Padre Nunes, Padre Humberto, Sandro Menezes, Emanuel, Adriana, Angélica e Aline.

 Jornada Mundial da Juventude
um encontro nascido em 1985, criado pelo Papa João Paulo II

FESTIVAL QUER ATRAIR JOVENS

O Bote Fé um evento ligado à   Jornada Mundial da Juventude, um encontro nascido em 1985, criado pelo Papa João Paulo II. As JMJs acontecem a cada dois ou três anos, numa cidade escolhida para sediar a jornada. Em Natal, além do show de sexta-feira, as celebrações se estenderão até sábado e domingo com uma série de paradas, missas, romarias e celebrações em bairros de Natal e outros municípios, como São Gonçalo do Amarante, Santa Cruz e Caicó.

A jornada católica também está ligada à celebração de dois símbolos: uma grande cruz de madeira entrega pelo Papa João Paulo aos jovens, em 1984, que deveria ser carregada pelo mundo. Em 2003, foi acrescida o Ícone de Nossa Senhora, uma cópia contemporânea de um antigo e sagrado ícone encontrado na primeira basílica para Maria Mãe de Deus, no ocidente. A cruz e o ícone chegaram ao Brasil em setembro de 2011, e virão para Natal nesta sexta-feira, já sendo apresentados na Arena Bote Fé, na Praia do Forte. Depois eles percorrerão todo o País, até o momento do encontro com o Papa Bento XVI, no Rio de Janeiro, em 2013.

"Será a primeira vez que as maiores expressões católicas da música se reunirão em um mesmo palco", destacou o Padre Sávio, assessor nacional para a juventude da CNBB, e coordenador geral do projeto Bote Fé. "Todos os custos do evento serão arcados pelos nossos patrocinadores", ressaltou. 


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Tádzio França 

fevereiro 09, 2012

A ARTE DE ESCULPIR "FORMAS"

 DEMÉTRIUS COELHO
Carreira e reconhecimento do potiguar que extrapola divisas e fronteiras

FORMAS DO FIM DE SEMANA

O escultor potiguar Demétrius Coelho é acostumado a observar a beleza das formas em tudo que vê.  Tem 25 anos de carreira e já participou de mais de 250 exposições no Brasil, e em países diversos como Itália, Bélgica, Portugal e Alemanha. As obras produzidas por ele são reconhecidas pelas formas orgânicas, pelo domínio de uma técnica diferenciada, além de uma originalidade reconhecida internacionalmente. Para produzir  as obras ele usa diferentes materiais como ônix, mármore, resina ou madeira de demolição.

Assim, na combinação de matérias-primas, surgem as formas de suas esculturas, carregadas de referências que remetem à cultura de seu estado de origem, mas que se expandem com uma tendência plural. As peças de Demétrius Coelho possuem luz própria e deixam a simples esfera dos objetos para alcançar o estado da arte, numa reunião de significados que dão uma unidade a um trabalho em constante evolução.

O escultor mostra que não há limites para a experimentação - e o bom gosto. Quando não está dando forma às suas peças, Demétrius aproveita para apreciar o que Natal tem de bom, seja no litoral - de onde possivelmente tira inspiração para seus relevos modernistas - ou nos agradáveis bares e restaurantes da capital. Há momentos para apreciar uma obra e outros para desfrutar delas.

 

A hora do passeio para espairecer é importante. Os cenários ao ar livre favoritos de Demétrius ficam entre a enseada de Tabatinga, Búzios e Pipa, quando o assunto é litoral. Já em território urbano, o escultor recomenda a natureza do Parque das Dunas. No momento de degustar uma boa refeição, ele tem preferência pela culinária internacional. Estão entre suas dicas, para almoçar ou jantar, casas estimadas como o Guinza, de onde ele recomenda a lagosta ao termidor; o fino Agaricus, de onde ele pinça o cordeiro; o lusitano Abade, com seu bacalhau imperial como um dos favoritos, e  o belo Manary, de onde ele indica o camarão no provolone. O Manary, além do excelente cardápio, conta com um agradável espaço com vista para o mar de Ponta Negra. 

Quanto aos bares favoritos para beber, degustar um bom petisco e encontrar os amigos, Demétrius recomenda o Cervantes, com suas carnes e churrascos no capricho, e o Shock Bar, especialista em petiscos com frutos do mar - além de uma trilha sonora ao vivo com banda todos os fins de semana.

Nos momentos caseiros, Demétrius afirma que recorre a umas boas sessões caseiras de cinema, e leitura. Para a sétima arte, o escultor dá preferência a filmes de aventura, ação e suspense, como "Os infiltrados" (de Martin Scorsese), "Bem vindo à selva" (de Peter Berg) e "300" (de Zack Snyder). "Nos momentos de leitura, tenho preferência por autobiografias", afirma. Mesmo assim, ainda guarda espaço para um "A Arte da Felicidade: um manual para a vida", o clássico do Dalai Lama.

Indagado sobre o que sente falta na programação de lazer e cultura da cidade, Demétrius Coelho é enfático. "Gostaria que houvesse mais exposições de artes plásticas, já que temos artistas excelentes para serem mais apreciados pelas pessoas. Aliado a isso, mais movimentos culturais, que destacassem nossa arte em todos os segmentos. Infelizmente, ainda acho que é feita pouca coisa por aqui nesse sentido", conclui.


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fevereiro 08, 2012

O GUARDIÃO DO CANCIONEIRO POTIGUAR

Deífilo estudou e documentou o folclore nordestino há mais de três décadas
e lamentou  o desinteresse da população pelo folclore. 
Ele, porém, não desistiu.
 fotografia: Giovani Sérgio

 O DERRADEIRTO VERSO DO FOLCLORISTA

Por
Tádzio França e Yuno Silva
Repórteres
Cinthia Lopes
Editora
Tribuna do Norte

"Este foi um homem feliz. / Trabalhou em silêncio, / sua ração cotidiana / de humildes aleg(o)rias // Nunca o seduziu a glória dos humanos / Nem a eternidade dos deuses. // Fez o que tinha de fazer: / repartiu o seu pão entre os humildes,  / defendeu como pôde os ofendidos,  / semeou esperanças entre os justos, / e partiu, como tinha de partir / feliz com sua vida e sua morte." 

O poema "Epitáfio", escrito em 1994 por Deífilo Gurgel, 85. comprova que o próprio poeta, escritor, pesquisador, professor e folclorista tinha a certeza do dever cumprido há quase duas décadas. E isso, de certa forma, conforta.

Falecido às 11h50 desta segunda-feira (6), após 16 dias internado na UTI do hospital PAPI, em decorrência à falência múltipla de órgãos, Deífilo foi velado e sepultado ontem no Cemitério Morada da Paz, em Emaús. Último elo legítimo entre passado, presente e futuro, o folclorista cumpriu a missão de registrar para a posteridade capítulos importantes de uma tradição intimamente ligada à formação da identidade cultural do povo potiguar. Seu trabalho está impregnado de uma insubstituível sabedoria oral. Deífilo deixa a esposa Zoraide de Oliveira Gurgel, 9 filhos, 17 netos e 6 bisnetos. Ficam também, em caráter inédito, as obras "O Romanceiro Potiguar",  (finalizado, mas sem data de lançamento pela Fundação José Augusto , "No reino de Baltazar" e "O Diabo a quatro". 

 Cursando   Direito; um dos seus professores foi Câmara Cascudo
- com quem futuramente teria um belo trabalho em comum
fotografia: Alex Régis

O POETA E O PESQUISADOR

Deífilo Gurgel se dizia, como Cascudo, um "provinciano incurável". A afirmação tinha mais a ver com a paixão que ele nutria pela cultura de sua terra do que com algum tipo de conservadorismo. Em Areia Branca, onde nasceu, já se via fascinado pelas apresentações de Pastoril e Bumba Meu Boi. Mas até então eram só lembranças de criança. Quando o folclore passou a ser o motivo maior da vida do poeta, escritor e advogado, o próprio Deífilo foi incorporado à história que ele tanto pesquisou e enriqueceu ao longo de 40 anos de trabalho.

Aos 18 anos Deífilo deixou Areia Branca e veio estudar em Natal, no velho Atheneu da Cidade Alta. Corria o ano de 1944.  Já nesse período escrevia sonetos que eram publicados nos suplementos literários da época. O único lazer era jogar sinuca no Café Grande Ponto, antes de ir pra casa. Em 1951 se casa com Zoraide Gurgel, com quem teve nove filhos. Durante a década de 60 Deífilo cursou a Faculdade de Direito; um dos seus professores foi Câmara Cascudo - com quem futuramente teria um belo trabalho em comum.

A primeira faceta de Deífilo foi a de poeta. No território dos versos lançou os livros "Cais da ausência" (o primeiro, em 1961), "Os dias e as noites", "Sete sonetos do Rio e outros poemas", "Areia Branca, a Terra e a Gente", e "Os bens aventurados".  A prosa veio depois, em forma de pesquisa. O interesse profundo pelo folclore só veio em 1970, quando ele já estava com 44 anos, época em que atuava como diretor de cultura pela prefeitura de Natal. O até então poeta foi incumbido pelo município de organizar um grupo de artistas para um show folclórico. Deífilo foi para São Gonçalo do Amarante e, entre as coloridas fitas esvoaçantes dos galantes, encontrou um novo motivo de fascínio.

"Fique maravilhado e decidi estudar. O primeiro livro sobre o assunto que eu li foi 'Danças Dramáticas do Brasil', de Mário de Andrade. Mário era um gênio!", declarou ele em uma entrevista à poeta Marize Castro, em 2001. Aliás, um dos maiores motivos de orgulho para Deífilo enquanto folclorista teve a ver com a obra de Andrade. A história começa na década de 20, época em que o escritor paulista esteve no Rio Grande do Norte para uma pesquisa etnográfica. Em Pedro Velho, Andrade conheceu Chico Antônio, um dos mais hábeis emboladores de coco que já havia visto. Registrou tudo devidamente em seus livros.

Anos depois, entre 1979 e 1981, Deífilo iniciou um extensa pesquisa sobre as danças folclóricas do RN, viajando por todo o Estado. Ao passar por Pedro Velho, na reta final da viagem, recebeu a dica de um morador sobre um certo embolador de coco "muito bom". Qual a surpresa de Deífilo ao ver que o tal coquista era Chico Antônio, o mesmo que encantou Mário de Andrade 50 anos atrás. O folclorista levou Chico para uma apresentação no programa Som Brasil, cuja apresentação mereceu aplausos de pé.

Outro orgulho de Deífilo foi ter descoberto a maior romanceira do Brasil, Dona Militana, em São Gonçalo do Amarante. O folclorista já havia conhecido o pai dela, no mesmo período em que fazia as pesquisas sobre as danças, nos anos 70. Deífilo registrou em seu gravador séculos de uma tradição oral ibérica, trabalho que o estimulava mais do que tudo. "O que me emociona e me encanta é pegar um gravador e uma máquina fotográfica e sair pelas vilas humildes, sítios e fazendas entrevistando pessoas simples que  sabem coisas que muita gente de academia não sabe", afirmou.

Deífilo Gurgel esteve  ligado por anos ao incentivo da cultura popular no Estado. Trabalhou como diretor do Depto de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Natal (SMEC), diretor de Promoções Culturais da Fundação José Augusto e presidente da Comissão Norte-rio-grandense de Folclore. Também foi professor de folclore brasileiro na UFRN por 12 anos.  Seu trabalho também trouxe à tona os trabalhos de mamulengueiro Chico Daniel e de Manoel Marinheiro. Entre os livros sobre folclore estão "Danças folclóricas do RN", "João Redondo - Teatro de Bonecos do Nordeste", "Romanceiro de Alcaçus", "Manual do Boi Calemba" e "Espaço e tempo do folclore potiguar". 

 Deífilo Gurgel
Na lista dos 100 poetas mais importantes de sua geração,
reconhecimento dado pelo crítico literário carioca Alexei Bueno
 fotografia: Alex Régis

FAMÍLIA DE DEÍFILO GURGEL PRETENDE CRIAR FUNDAÇÃO

Por
Yuno Silva

O semblante derradeiro de Deífilo Gurgel (1926-2012) é de descanso, paz e tranquilidade, e a simplicidade que sempre acompanhou o folclorista permanece no ar e comove amigos, familiares e admiradores. Saudado não apenas por sua obra e pelo que ela representa, mas, sobretudo, por sua humanidade, bom humor, sinceridade e compromisso diante das raízes da Cultura potiguar, Deífilo deixa várias lições e uma certeza: a de que há muito trabalho a ser feito. 

Prova disso é "Romanceiro Potiguar", livro pelo qual dedicou quase 30 anos de sua vida e que traz mais de 100 entrevistas e cerca de 300 romances ibéricos, bem como ligados à vida sertaneja e à pecuária, registrados entre 1985 e 1995, período que percorreu os rincões do RN munido de sua incansável vontade de revelar as pérolas que fazem do RN um dos grandes redutos do que há de mais original em termos de tradição. Deífilo deixou o título devidamente revisado e pronto para ser impresso.

"Papai se alimentava da cultura popular", disse Alexandre Gurgel, filho do pesquisador, durante velório ocorrido ontem no Cemitério Morada da Paz. "Seu maior receio era a descontinuidade do trabalho junto aos mestres e aos grupos populares", lembrou.

Segundo Alexandre, a família planeja criar uma fundação para cuidar do legado deixado pelo patriarca. "É uma questão de honra manter seu acervo e sua memória. Há livros e poemas inéditos, anotações e pesquisas que precisam ser organizados." Sobre a publicação de "Romanceiro Potiguar", editado com apoio da FJA, informou que "logo que passar esse momento" será organizada uma festa à altura da importância da obra, inclusive com participação de grupos tradicionais. Sem uma data definida, ele estima que em 30 dias deverá ter alguma definição. "Mamãe (Zoraide Gurgel) irá decidir a melhor hora", garante.

Na lista dos 100 poetas mais importantes de sua geração, reconhecimento dado pelo crítico literário carioca Alexei Bueno, Deífilo Gurgel exaltava a cultura e se configurava como "um sonetista centrado e desprovido da tendência do 'cerebrismo'. Ele preferia usar uma linguagem popular, acessível, e se destacava por tratar com naturalidade assuntos considerados tabus como a morte", ressalta o jornalista e escritor Nelson Patriota.

Nascido em Areia Branca e o mais velho de nove irmãos, Deífilo Gurgel "deixa um vácuo no cenário cultural", analisa o jornalista Tarcísio Gurgel, 66. "De sua geração, restam duas figuras importantíssimas: Dorian Gray Caldas e Sanderson Negreiros, baluartes que sustentam o elo entre as gerações." O caçula dos Gurgel se emociona ao lembrar da generosidade do irmão: "Seu humor contagiava, tinha um zelo pelas pessoas e pela Cultura que comovia; um mestre que vibrava junto sem passar a mão na cabeça. Lembro que quando ensaiava meus primeiros versos, me deu régua, compasso e um conselho: 'já pensou em escrever contos?' Tinha um senso acurado".  

"Amo-te muito, muito mais do que o tempo disser"
(Carlos Gurgel, poeta e filho do historiador Deífilo Gurgel)
 fotografia: Canindé Soares

ETERNAMENTE DEÍFILO

Por
Carlos Gurgel
poeta e filho do historiador

Papai sempre foi uma árvore. Frondosa, como uma sombra sábia e educada. Papai sempre se vestiu de paz e da alma do povo. Através do qual, produziu, por sobre milhares de revelações e descobertas, uma intensa luz, límpida e audaz, onde construiu seus castelos e abençoadas fontes.

Por onde andou, como um mártir de muitas estradas, buscou sempre o humilde, o raro, o inquebrantável canto de todos aqueles que fazem parte de uma enorme constelação, repleta de vida e anunciações.

Com seus olhos, percebeu que o mundo, assim como seus dias e suas noites, era como uma armadura, um farol, um porto, repleto de relíquias e reinados.

Foi assim, por um bom tempo, que palmilhou nosso chão, como um missionário espalhando seu suor e sorrisos. Um incansável, sempre, protegendo o desejo de todos aqueles recantos, quando se benzia e enfrenta o escuro e os seus dragões.

O amor de papai para tudo que reluz essência, raiz de uma gente, sempre fez dele um guerreiro, um solitário batalhador de loas, brincantes, romances, rezas, promessas e dos anônimos de uma roça onde se dança cheganças, e de pífanos que anunciam a disputa da celebração do amor e da amizade.

Com papai, todos esses caminhos foram trilhados. E como uma jura, ele fez do brilho das suas visitas e apontamentos, no meio das comunidades e sertões, o seu maior prêmio.

Humano ao extremo, uma criança tão dócil, que, ao primeiro encontro, já conquistava todos como se fosse uma grande confraternização do tempo e de tudo que lembra alegria e bondade.

Assim foi papai. Imenso no seu caráter. Um ser que vai fazer tanta falta, que nem imagino o que possa acontecer, quando o vento e os seus faróis, prenunciarem que a cidade e o seu povo, clamam por suas sandálias e seus garimpos.

Eu, como filho primogênito, ao invés de derramar lágrimas, sorrio; porque sei que lá do infinito céu onde papai se encontra, a folia que ele capitaneará, farão de todos os presentes, uma enorme chama, como deve ser para um homem que sempre procurou pelas palavras, como quem garimpa o ouro e o espírito de todo aquele que crê.

Pois tudo que ele pronunciou e criou, alimenta o coração do povo que ele tanto amou e entregou sua vida.

Amo-te muito, muito mais do que o tempo disser.


...fonte...
Tádzio França * Yuno Silva * Cinthia Lopes * Carlos Gurgel
www.tribunadonorte.com.br

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 Alex Régis
Canindé soaresGiovani Sérgio

 ...curiosidade...
Deífilo lançou  um livro em que não aborda tema folclórico, mas certamente escreveu com as tintas da emoção e recordação da terra onde nasceu:  “Areia Branca – A terra e a gente”. A obra é uma exaustiva pesquisa da geografia e da história da cidade (410 páginas). Detalhes pitorescos são contados e contribuem para uma visão sociológica e antropológica da zona salineira e parte do Oeste potiguar.