março 11, 2012

JUMENTO "MADE IN" SERTÃO NORDESTINO

 Por ano, os chineses sacrificam 1,5 milhão de jumentos
 para uso na indústria de alimentos e cosméticos  

 ... edição especial ... 

JUMENTO VIRA PRODUTO DE EXPORTAÇÃO

Por
José de Paiva Rebouças   

Depois do melão, do camarão e do sal, o Rio Grande do Norte pode se tornar uma potência na exportação de jumentos. Há pelo menos oito meses, o Governo do Estado assinou um protocolo de intenções com a China para fornecer os animais que serão usados na indústria de alimentos e cosmético. A pretensão dos chineses é importar 300 mil asnos do Brasil por ano e o RN quer abocanhar ao menos 20% dessa fatia.

No Nordeste, os asiáticos garantiram a compra dos animais e até chegaram a discutir com políticos locais a criação de uma linha de crédito específica, que levaria o nome de Projegue. Atualmente, os chineses abatem 1,5 milhão de jumentos, de todas as raças, produzidos no próprio país, na Índia e Zâmbia.  
 
O secretário-adjunto de Agricultura do Rio Grande do Norte, José Simplício Holanda, acredita que a comercialização de jumentos é uma ótima oportunidade para aquecer o mercado nordestino, mas ele alerta que só valerá a pena o comércio se o preço realmente for adequado e compatível com o mercado. "Pode-se tomar por base a arrouba de boi, chegando a 50% do valor atual", sugere. O jumento adequado para o abate, segundo Simplício, tem em média quatro arrobas (60 quilos).    

Simplício acredita que leva de três a cinco anos para que a cadeira produtiva asinina seja organizada no Estado, visto que o animal está muito desvalorizado devido a sua substituição pelos veículos, como trator, caminhonete e até motocicletas.     
 
 Essa cena é mais do que comum em todo o interior do Nordeste

A demora no tempo de avaliação da proposta, solicitada pelos chineses, é algo que vem incomodando o Governo, que já pensa até que isso não virá mais. Mas, notícia veiculada recentemente na imprensa nacional deu conta de que já foi liberado o intercâmbio de asnos entre os dois países.

Perigo na estrada - Com a desvalorização da tração animal no Nordeste, o jegue passou a ser rejeitado pelos trabalhadores e fazendeiros. Sem donos, é comum encontrar esses animais soltos pelas estradas, provocando graves acidentes de trânsito. Para Simplício Holanda, a comercialização do animal seria uma forma de reduzir esse problema, visto que os criadores teriam mais cuidado de não deixá-los fora dos currais.

Protestos - Depois que essa notícia circulou em nível nacional, na última semana, o secretário-adjunto de Agricultura do RN recebeu vários e-mails de protestos. "As pessoas saem em defesa do animal, achando que sou eu o responsável pelo comércio", explica Simplício Holanda.

Ele lembrou que o abate de animal é uma atividade comum no Brasil. Além do frango, do suíno e do boi, Simplício cita os bezerros que são abatidos para a fabricação de salsicha e o chamado "borrego mamão", abatido com 15 ou 20 dias de nascido para ser servido como prato nobre. 

A pretensão dos chineses é importar 300 mil asnos do Brasil

  JAPÃO
UM DOS PRIMEIROS A COMPRAR JUMENTOS NO NE

Não é a primeira vez que os asiáticos se interessam pelos jumentos nordestinos. Há cerca de 20 anos, os japoneses começaram a comprar esses animais para o consumo humano. Os primeiros atravessadores eram de Belo Jardim (PE), que compravam os animais indiscriminadamente.

Essa prática estava exterminando os rebanhos nordestinos porque os índices de abate eram de 7,25%, contra um crescimento de 4,5%. Um dos fatores para isso era o preço, que, na época, representava um décimo do valor do boi.

Para frear o ato predatório, um grupo de criadores fundou, em 1978, a Associação Brasileira de Criadores de Jumento Nordestino. Desde então, foi feita toda uma movimentação junto ao Ministério da Agricultura para evitar o desaparecimento do animal. Uma das medidas foi a portaria 980, que proibiu o abate de jumentas capazes de se produzir.

Ainda assim, na década de 1980, o comércio acabou por falta de matéria prima. A redução do rebanho foi brusca em todo o Nordeste, caindo de 4,5 milhões de cabeças em 1967 para pouco mais de 1,2 milhão em 1978. O RN, que em 1967 tinha 180 mil jumentos, terminou o ano de 1978 com menos de 52 mil.

Esses animais eram encaminhados para 16 abatedouros em todo o Brasil, desde o Paraná até o Maranhão. Os principais clientes do Nordeste eram de Pernambuco e Minas Gerais. "No pico, os abatedouros chegaram a sacrificar 760 mil cabeças", disse Fernando Viana, que esteve à frente da única pesquisa brasileira com esse fim.

Aposentado, o professor critica o abandono desse animal pelo nordestino. "É preciso se lembrar que o Nordeste foi feito pelo jumento", argumenta. De acordo com ele, esse interesse repentino pelo animal é apenas "um modismo", e defende um programa mais sério de valorização do jumento como instrumento de trabalho e matéria prima de exportação.
  
   O jumento é considerado no Nordeste brasileiro, muito mais que força motriz
 e meio de transporte. É animal de estimação.
fotografia: Orlando Brito

 JEGUE: UM SÍBOLO DO SERTÃO 

 Por
Alex Costa    

"Éverdade, meu senhor essa estória do sertão. Padre Vieira falou que o jumento é nosso irmão". O trecho inicial do poema de Luiz Gonzaga e José Clementino aviva a importância de um animal que faz parte da história e do desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte. Popularmente conhecido como jegue, o animal vem se tornando assunto em todo o Brasil. 

Em um protocolo de intenções assinado entre a China e o RN, a exportação do asinino é um dos interesses almejados pelo mercado asiático, que já importa os animais da Índia e da Zâmbia. O protocolo tenciona fazer com que o RN e outros estados nordestinos exportem cerca de 300 mil jegues por ano para o gigante.

Durante séculos o jegue foi o animal de estimação oficial das famílias do sertão. Era considerado amigo, companheiro de trabalho e um meio de transporte capaz de buscar água no riacho próximo e voltar sozinho. Em alguns relatos históricos, é possível ver que os jegues eram o patrimônio mais valioso que um pai podia deixar para o filho. Mas esse tempo acabou. Hoje é possível comprar um jumento por R$ 1, enquanto uma galinha custa sete vezes mais.

  O  jumento começa a dividir a paisagem do semiárido 
com as motos que levantam a poeira no meio da caatinga

Para o prefeito de Timbaúba dos Batistas, Ivanildo Junior, a tradicional corrida de jumentos que ocorre todos os anos nos dias 6 e 7 de setembro é exatamente uma tentativa de resgatar a importância histórica do animal e evitar que o espécime entre em extinção. "O jumento sobrevive nas situações mais difíceis. As pessoas se desfazem dele, mas ele fica vagando pela cidade e estradas e vão se extinguindo", alerta o prefeito da cidade que fica há 272 quilômetros de Natal.

Na cidade do Seridó, o jegue é um símbolo emblemático, com estátuas e a principal festa dedicadas aoseu nome. "O jegue aqui é um símbolo de cultura, lazer e trabalho. Há 25 anos que a nossa festa acontece e tem o objetivo de resgatar a memória do animal que ajudou o nosso estado a se desenvolver", frisa Ivanildo. A idéia de exportar jegues para consumo alimentício na China assustou a população de Timbaúba. "Ficamos temerosos com a notícia: afinal fazemos a festa para evitar a extinção, e há quem queira comê-los", finaliza.


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 José de Paiva Rebouças
 www.defato.com
Alex Costa
 alexcosta.rn@dabr.com.b
www.diariodenatal.com.br

março 10, 2012

O CANTO LÍRICO EM HARMONIA COM O ROCK

HILKÉLIA
"Um diálogo direto com as emoções humanas. Basta as cortinas se abrirem"

CANTO LÍRICO NO VENTILADOR

 Por
Yuno Silva 

A missão de despertar emoções e envolver o público através de experiências sonoras e visuais é o mote que move a espetáculo "Ópera Rock", que a cantora Hilkélia estreia domingo (11), às 20h, no Teatro Riachuelo, Natal/RN.  A cantora divide palco com banda formada por oito músicos e recebe participações dos cantores Lucca Medeiros (da banda de heavy metal melódico Hard Alliance), o tenor César Leonardo, o guitarrista Eduardo Pinheiro e a companhia de dança Shaman Tribal. Na trilha sonora Steve Vai, U2, Queen, Led Zeppelin, Yanni, Bizet, Puccini, Howard Shore (da trilha de Senhor dos Anéis) e a clássica "Rainha da Noite" de Mozart. A cantora troca de figurino três vezes durante a apresentação. 

Um passeio entre o erudito e o pop, sem estranhamento, e com uma boa dose de refinamento cênico. A cantora soprano Hilkélia Carlem, ex-integrante do grupo Dellicato, mostrará que sua trilha sonora solo continua com a mesma proposta no show "Ópera Rock". A montagem apresenta releituras de clássicos do rock, árias de ópera e trilhas sonoras do cinema mundial. Serão oitenta minutos de um passeio que transita entre o trágico e cômico, o sagrado e o profano, luz e sombra, o transcendental e a realidade. Os produtores são os mesmos do show "Nella Fantasia", de 2006.

Tudo começou a ser pensado quando Hilkélia foi convidada para participar de evento alusivo ao Bloomsday ano passado na UFRN. "Fizemos pesquisas sobre a cultura irlandesa, e interpretei uma canção do U2. Foi aí que começamos a pensar num espetáculo que pudesse unir rock e canto lírico", lembrou a cantora em entrevista ao VIVER, num camarim  do teatro.   

 "Ópera Rock"  apresentará releituras de clássicos do rock 'n roll,
 árias de ópera e trilhas sonoras de clássicos do cinema 

Apesar do nome óbvio para descrever a produção, ele não foi definido com facilidade pois não se trata de uma ópera rock tradicional. "Há um roteiro, mas não nos moldes tradicionais com história linear e personagens. Pensamos bastante sobre qual a mensagem poderia ser passada com o show, e vimos que, neste momento, queremos mexer com as emoções do público", disse Tatiane Fernandes, que além de produtora também assina a direção do espetáculo. Para ela, "o belo emociona, revoluciona e Hilkélia conduz a plateia por essa experiência", e o título do show sugere muito mais a fusão dos dois estilos. 

Buscando conferir maior conteúdo à apresentação, Hilkélia, Tatiane e a violinista Gláucia Santos, que também participa como instrumentista e completa o trio responsável por toda a concepção de "Ópera Rock", o espetáculo busca evidenciar a transição entre Classicismo e o Iluminismo do século 18. "A interpretação dá o tom a essa costura, onde o que está em jogo não é somente a transição cultural mas todo um contexto social daquela época", explica a diretora. Tatiane contou que a Rainha da Noite de Mozart representa o conservadorismo, que luta contra a mudança promovida pelo sábio Zoroastro.

Seguindo carreira solo desde 2009 quando o grupo Nella fantasia foi desfeito, Hilkélia planeja gravar DVD e a intenção é incrementar "Ópera Rock" com elementos mais teatralizados. O show traz elementos de profundo lirismo na combinação entre a força do rock com canções da poesia musicada dos séculos XVIII, XIX, XX e XXI, como a inconfundível "Rainha da Noite", de Mozart.

Em carreira solo, Hilkélia continua a investir no canto lírico pop

MELODIA E TEXTO

Hilkélia, 31, contabiliza sete anos de carreira como profissional do canto lírico e lembra que seu primeiro contato com a música se deu através da vontade de estudar piano. "Estudei teoria musical por dois anos (1993-94), comecei a fazer aulas de piano em 19995 mas só em 1999 é que entrei no curso técnico da Escola de Música da UFRN", recorda. A artista passou em primeiro lugar no vestibular para cursar piano, e ao experimentar o canto dentro da própria EMUFRN se encontrou. "Atrás do piano sentia falta de expressar melodia e texto, e quando comecei a participar de recitais descobri minha vocação de cantora."

Também professora de canto, Hilkélia garante que não falta público: "A grande procura pelos concertos de orquestras e outras apresentações do gênero comprovam esse interesse, o que falta é mais ousadia aos artistas, que se mantém atrelados à projetos da Universidade. Participei da ópera 'Dido e Enéas' e vi que há como se lançar no mercado de maneira independente", garante, não antes de avisar que trabalhar com grandes produções de música eruditarequer investimento: no espetáculo "Ópera Rock", se for contabilizado toda a equipe envolvida, ultrapassa fácil as 60 pessoas, desde iluminadores e camareira, produção, direção, maquiagem, músicos e técnicos.

Segundo as palavras das produtoras Tatiane Fernandes, Glaucia Santos e a própria Hilkélia, "o público será envolvido num repertório onde a concepção artística une sons, cores, gestos, cenário, iluminação, figurino e interpretação, oferecendo uma experiência artística única através da música. Um diálogo direto com as emoções humanas". Basta as cortinas se abrirem.


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Yuno Silva

AS MUITAS HISTÓRIAS DE UM BAIRRO

  O bairro do Alecrim conta com uma população de 32.380 habitantes
31 % da atividade empresarial e 40% de todo comércio varejista de Natal/RN
 fotografia: Canindé Soares

 VIAGEM AO MUNDO COLORIDO DO ALECRIM

Por
Yuno Silva

"Se procurar no Google e não encontrar, vá ao Alecrim!" A frase dita pela cantora Nara Costa no documentário "Cais do Sertão" pode até soar absurda, mas traduz com bom humor a profusão de opções que o centenário bairro natalense tem a oferecer ao mais indeciso dos consumidores. Com perfil comercial, trânsito caótico, um vai e vem interminável de pessoas e muitas histórias para contar, o Alecrim é o 'personagem' central eleito pelo documentarista Paulo Laguardia. Envolvido há mais de dois anos com o projeto, entre pesquisa e captação de imagens, Laguardia gravou as últimas cenas do documentário sobre o bairro na manhã de terça-feira, no estacionamento da Fundação Capitania das Artes - bem dizer às margens do rio Potengi.

A fase de edição está avançada e a meta é concluir ainda este mês de março. "Ainda não tenho uma data certa de lançamento, mas pretendo fazer uma sessão pública, de preferência na praça Gentil Ferreira,", planeja. Todos os alecrinenses ou não estão convidados.

Em 52 minutos, "Cais do Sertão", título alusivo ao apelido recebido pelo Alecrim no início do século 20 por ser um importante entreposto de produtos que chegavam do interior do RN pelo Potengi, pretende remontar a formação do bairro até os dias atuais a partir de depoimentos de moradores antigos e registros históricos.

"Minha proposta é contar essa história sem chatices, sem aquele foco burocrático que vemos em muitos documentários. O filme mostra problemas e aponta possíveis soluções a partir da ótica dos próprios moradores do bairro", adiantou. Laguardia contou que os moradores sugerem a possibilidade de verticalizar o camelódromo: "Registrei opiniões distintas sobre os vários temas abordados, mas fiquei impressionado com a visão unânime quanto à crítica aos políticos."

O bairro do Alecrim, nos tempos áureos, tinha seis cinemas,
 dois teatros e duas ou três casas de shows
fotografia: Henrique José

O documentarista informou que preferiu não citar nomes, "não é esse o objetivo do documentário", mas retomou assuntos como os dois projetos de urbanização que chegaram a ser aprovados pelo Ministérios das Cidades ainda nesta década para reurbanizar a área, mas que acabaram engavetados. "O Alecrim não admite remendo e há um receio de mexer com o bairro por razões políticas.

O interesse de Paulo Laguardia pelo bairro não é de agora: ele morou no Alecrim (por pouco tempo), trabalhou mais de uma década por lá e a passagem do centenário era a deixa que faltava ao documentarista. "Além do comércio popular que existe até hoje e da grande população residente, o Alecrim tinha um vida cultural pujante. Não à toa, era o principal palco para comícios, tinha seis cinemas, dois teatros e duas ou três casas de shows. Sem falar do Carnaval", enumera Laguardia.

Sobre o Carnaval uma curiosidade: o Alecrim, que tem escolas de samba estabelecidas e era sede de vários blocos de elite, foi o primeiro local a receber os desfiles durante o período de Momo, inclusive o bairro tinha um Rei Momo particular, anualmente encarnado por Severino Galvão, pai de Babal, Galvão Filho, Eri e João Galvão. "A riqueza cultural foi o que mais me chamou atenção", confessa o diretor e roteirista.

 Fundado em 23 de outubro de 1911, o Alecrim – o quarto bairro de Natal 

NOS TEMPOS DO "RIFÓLES"

Durante suas pesquisas, Paulo Laguardia topou com duas possibilidades para explicar a origem do nome Alecrim: a primeira versão remete ao tipo de vegetação abundante no local (que não era a especiaria, e sim um "garrancho"; e a segunda, que não deixa de ter relação com a primeira, dá conta do "costume de uma senhora que, sempre que passa um enterro, colocava um ramo de alecrim sobre o caixão."

No século 17 a região era conhecida como Rifóles, referência ao pirata francês Jacques Riffault, que frequentava o 'cais do sertão' em busca de pau brasil. Oficialmente o bairro foi fundado em outubro de 1911, mas registros apontam atividades urbanas anteriores. Com dois padroeiros, São Pedro (o oficial) e São Sebastião, o Alecrim também se caracteriza por sua religiosidade, onde várias religiões convivem lado a lado - católicos, evangélicos, espíritas e suas vertentes.

O salto no desenvolvimento urbano do bairro aconteceu junto com a instalação da Base e da Vila Naval, e um dos motivos da capital potiguar não ter sido transferida para Macaíba, quando aquela cidade era o principal entreposto comercial do RN no século 19, deve muito a vocação do bairro para o comércio.

 Laguardia entrevista a cantora Nara Costa
 A cantora declama poesia de François Silvestre sobre o bairro
 fotografia: Adriano Abreu

AS MEMÓRIAS DE CADA UM

A dinâmica do documentário é entrecortada por notas históricas, citações, poemas e músicas que falam sobre o Alecrim. A cantora Nara Costa declama poesia de François Silvestre sobre o bairro, o pesquisador e folclorista Gutenberg Costa fala sobre a visão preconceituosa para com o Alecrim (que até hoje existe, mas está mais branda), o cantor e compositor Babal lembra da infância e dos muitos lugares que inspiraram e inspiram sua música, Normando Bezerra exalta a trajetória do Alecrim Futebol Clube, e mais depoimentos de historiadores, arquitetos e empresários como Magno e Eduardo Vila (do Grupo Vila) e de Derneval Sá, da Casa Sarmento.

"Também fiz questão de lembrar de personagens folclóricos como Maria Sai da Lata, Lambretinha, Dr. Shock e Velocidade, todos citados com ar saudosista pelos moradores entrevistados", ressaltou Paulo Laguardia. A culinária, a religiosidade e a famosa feira da Avenida Um também ilustram o documentário. "Antes dos norte-americanos chegarem por aqui, na época da Segunda Guerra Mundial, as ruas já eram conhecidas por números." Segundo o diretor, o traçado ia até a numeração 23 (hoje Av. Mor Gouveia) e foi idealizado quando Omar O'Grady era prefeito de Natal. "Ele contratou o urbanista Giácomo Palumbo para fazer o primeiro Plano Diretor da cidade", informou.


CAFÉ NICE

"Cais do Sertão" também contou com depoimentos dos historiadores Luciano Capistrano e Job Neto; da arquiteta urbanista Eleonora Macedo; do professor universitário João da Mata, cujo pai era feirante no Alecrim; e o músico Reinaldo Azevedo, guitarrista da Banda Anos 60, que falou sobre a vida cultural e contou como era movimentado o Café Nice, "um grande ponto musical onde os boêmios se encontravam todo fim de semana."

"Se tivesse captado os recursos necessários, iria promover uma noite com os frequentadores da época para relembrar os tempos do Café Nice", lamentou. Para viabilizar o projeto, Laguardia precisou reduzir o orçamento e reclama da falta de apoio dos comerciantes da área. "Eu não conheço nenhum outro documentário no Brasil que trate exclusivamente de um bairro, e espero que esse trabalho incentive outras pessoas fazerem documentários sobre a Ribeira, Ponta Negra", disse Laguardia, cuja principal intenção é preservar a memória do bairro.

O documentário "Cais do Sertão" contou com patrocínio do Grupo Vila, através da Lei municipal Djama Maranhão de incentivo à Cultura, e apoio da Fundação Capitania das Artes, que cedeu equipamento para edição das imagens. Responsável pelas pesquisas, roteiro e direção, Paulo Laguardia foi assessorado por equipe formada por Marcelo Barreto (fotografia), Rogério Vital (cinegrafista), Bruno Sarmento (edição), Adriana Amorim (produção) e Danielle Brito (direção de produção).


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Yuno Silva

março 06, 2012

A SURREAL HISTÓRIA DE UM JORNALEIRO

JUSSIER RAMALHO
Um Homem Determinado para o Sucesso

O JORNALEIRO PALESTRANTE

Por
Maiara Felipe  Sílvia Correia
  
“Sempre fui contra o grande jargão: ‘o homem é produto do meio’. Nascer pobre e feio é conseqüência do destino. Agora, morrer assim é incompetência e preguiça.” Foi com esse pensamento que o empreendedor potiguar Jussier Ramalho, 52 anos, deu a volta por cima e conseguiu se tornar um dos 12 “cases” de sucesso do Brasil pela revista Carreira & Negócios, ao lado de nomes como os dos presidentes da Fiat, do Banco Real, do Magazine Luiza, da Fundação Anhanguera, do Chillie Beans e do apresentador Marcelo Tas, ele conta que não é que tenha o dinheiro que eles têm, mas que conseguiu fazer com que seu nome fosse reconhecido tanto quanto o deles.

Criador do conceito inovador de que “o cliente é a razão maior de qualquer empresa”, o jornaleiro tornou-se famoso por todo o Brasil com o sucesso de sua Banca Prática, localizada na avenida Afonso Pena, em Natal – Rio Grande do Norte. Atualmente, além das atividades de empreendedorismo, vive de dar palestras por todo o país compartilhando suas vivências como empreendedor, distribuindo sua aprendizagem sobre marketing e espalhando sua motivação para muitos universitários e executivos. 
  
 Uma infância de extrema dificuldade, a maior delas, a fome

HISTÓRIA    

Existem pessoas capazes de transformar o ambiente à sua volta, de lutar contra fatores adversos e seguir adiante. Pessoas que são faróis, que ousam, que não sentem medo de se lançar às cegas num vôo solo. Que avistam oportunidades onde outros vêem apenas obstáculos. Jussier Ramalho é um destes homens: Guerreiro, aguerrido, criativo e muito ousado.

Nascido em uma família pobre, Jussier Ramalho perdeu o pai aos 3 anos de idade, e viveu uma infância de extrema dificuldade, a maior delas, a fome. A mãe, vendedora de roupas de porta em porta, só tinha condições de por comida na mesa uma vez a cada dois dias. Porém, Jussier defende a idéia de que a dificuldade é o caminho para se enxergar a possibilidade. O garoto pequeno e magrelo, porém determinado, teve que trabalhar muito cedo para ajudar a mãe e as duas irmãs menores. Aos 14 anos, conseguiu o primeiro emprego de ajudante de vendas em Lagoa Seca, zona Leste de Natal. 

Foi com esse trabalho que começou a modificar a sua percepção em abordagem de clientes. Aos 17 anos, resolveu ingressar na Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro, onde passou quatro anos. Contudo, a sua grande paixão sempre foi o comércio e ao deixar a “farda”, foi ser vendedor de “quase tudo”. Vendeu consórcio de caixão de defunto, box para banheiro; trabalhou em uma empresa de tíquete de alimentação. Arriscou-se também como professor de lambada e foi então que conheceu Ana Ester que hoje  é a sua principal aliada na vida. 

Jussier recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Escola da Vida, num evento promovido pela Academia Paulistana de Letras, Fundação Anhanguera, Instituto de Empreendedores e Microlins. Em 2008, lançou o Best-Seller “Você é a sua melhor marca”, da editora Campus. Empreendedor de sucesso reconhecido e um dos dez palestrantes mais requisitados do Brasil,  Jussier Ramalho consegue transmitir de forma carismática e objetiva, tudo que aprendeu na “escola da vida”, onde tem sido aprovado com excelência. Seu nome encontra-se elencado no ranking dos principais palestrantes nacionais. Entre eles, personalidades do padrão de Fernando Henrique Cardoso, Oscar Schmidt, Max Gehringer e Arnaldo Jabor.   
 
“Você é a sua melhor marca”
Best Seller  indispensável para quem quer crescer e se destacar

 VOCÊ É A SUA MELHOR MARCA

Por
 João Ricardo Correia 

O best seller “Você é sua melhor marca” é indispensável para quem quer crescer e se destacar. Mesclando passagens da sua incrível trajetória empresarial com aspectos mais técnicos do empreendedorismo, Jussier faz do seu livro o “handbook” do Marketing Pessoal, um guia para o sucesso com valiosas dicas de como lidar com clientes, captar vendas e, principalmente, de como confiar em si e transparecer confiança.

As dificuldades não podem parar o talento, enfraquecer a vontade de vencer. O livro “Você é sua melhor marca” é um guia de sobrevivência na selva de pedra. É um analgésico para a dor do desencanto profissional, é um companheiro naqueles momentos em que você tem vontade de tudo, menos de acreditar que  pode mudar sua história.

Jussier Ramalho
Posicionado no ranking dos 30 principais palestrantes do País

A distância para chegar ao sucesso fica maior a partir do momento em que nenhum passo é dado em sua direção. Jussier sabia que não podia fracassar e disse a ele mesmo: “Eu posso. Eu sou minha melhor marca e vou apostar nisso”. Deu certo. Aliás, tem dado muito certo. O que é escrito e dito por este natalense que encanta plateias, prendendo atenção de estudantes e de megaempresários, é a materialização de palavras como persistência, trabalho, atenção, educação, ânimo, amor e fé.

O marketing pessoal tão falado por Jussier nada mais é do que a fórmula certa que você precisa encontrar para, primeiramente, estar bem consigo e, depois, poder aplicar em tudo que faz.

Não é à toa que “Você é sua melhor marca” é um sucesso de vendas Brasil afora. Porque para vencer, para tornar-se um produto humano de qualidade incontestável, é preciso muito mais que falar três ou quatro idiomas, estudar nas melhores faculdades do mundo, ou nascer num berço de ouro. É preciso, antes de qualquer coisa, ser humilde ; para chorar de alegria com o sorriso de uma criança; para entender a necessidade alheia; para saber retribuir o ódio com o perdão e para acreditar que somos produto do meio que construímos.    
 
"BANCA PRÁTICA"
Fundada em 1996,  foi  um marco de sucesso para a vida de Jussier
Uma das  bancas de jornais  mais famosa da capital potiguar

FECHA-SE UM CICLO E ABRE-SE OUTRO

Intuitivamente e também com muita leitura e determinação, Jussier Ramalho transformou sua própria história de dificuldades e privações em um exemplo de sucesso empresarial e é hoje um palestrante requisitado para eventos com estudantes universitários, profissionais da área de saúde, executivos e afins.

Em julho de 2006, Jussier teve oportunidade de proferir palestra no Centro de Convenções de Natal, para um público estimado em 1200 pessoas. Abordando o tema “Marketing pessoal”. O evento foi um grande sucesso e arrancou aplausos entusiasmados do público presente, merecendo referências elogiosas de palestrantes de renome nacional.      
   
   Com Alexandre Garcia - Rede Globo Brasília

Tudo começou quando Jussier comprou uma banca de revistas. Sem nenhum recurso, ele conseguiu um prazo de 45 dias para pagar um investimento e em apenas 25 dias foi capaz de levantar todo dinheiro necessário. 

Agora, passados 16 anos à frente da Banca Prática, uma das  bancas de jornais  mais famosa da capital potiguar, Jussier Ramalho desiste de ter um estabelecimento na avenida Afonso Pena, bairro de Petrópolis, um dos bairros nobres da cidade. o empreendimento foi  passado adiante. A banca foi vendida há 15 dias, e agora receberá uma nova denominação. Mas os 21 assaltos durante esse período - também -  colaboraram para esta decisão. Para Jussier a insegurança não está relacionada ao trabalho da PM. "Os policiais sempre fizeram a parte deles. O estado é que tem poucos policiais. A população cresce e o número de PMs, não", apontou. Jussier acredita que abrirá outro estabelecimento, de preferência em um shopping da cidade. "Pelo menos é uma sensação de segurança maior", confirmou.  
  
Com Gianne Albertoni e Chris Flores - Hoje em Dia Rede Record

O sucesso alcançado com o seu negócio era partilhado com os clientes e parte dos lucros  destinados a pequenos projetos sociais que beneficiaram crianças e jovens carentes da periferia. Jussier sempre foi  um interlocutor entre seus clientes e fornecedores, um gerador de oportunidades, um divulgador de eventos, um empreendedor de visão, um potencializador de recursos. Autodidata, nunca parou de ler e, assim, tornou-se um profundo conhecedor das práticas mercadológicas, um homem ligado ao seu tempo e consciente da importância que tem para as gerações vindouras, que o terão como ícone de empreendedor de sucesso.

Jussier Ramalho foi reconhecido por Roberto Justus
como um dos melhores palestrantes do Brasil

A Banca Prática foi  uma das melhores, se não a melhor, de Natal. Climatizada, cercada de verde e com atendentes uniformizados, solícitos e muito bem preparados. A banca conquistou uma clientela seleta e esteve sempre surpreendendo, através da promoção de eventos divertidos e inusitados. 

Jussier é um homem que sabe fazer. É a prova de que o sucesso é resultado, tão somente, de um trabalho bem feito. É um encantador de clientes, um mago de vendas, um talento nato e uma alma vibrante do próprio negócio. Prova viva de que para se chegar longe, é necessário esforço e determinação. Sem formação acadêmica, porém, autodidata, Jussier é profundo conhecedor da arte de vender. Graças a isso, tem suas qualidades e méritos reconhecidos a nível nacional. Seu lema é “Ser, é melhor do que Parecer”. O pequeno jornaleiro conseguiu - com sua performance - mostrar que SANTO DE CASA pode fazer milagres, sim. E dos bons!

 
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março 04, 2012

POTENGI: UM ESTUÁRIO PRA CHAMAR DE SEU

  Aphotistas navegam pelo Estuário do Rio Potengi - Natal/RN

RIO POTENGI
A FOTOGRAFIA  POTIGUAR E O  MEIO AMBIENTE 

Por
Alex Gurgel

A Aphoto - Associação Potiguar de Fotografia, contou com mais de 60 participantes, entre sócios, amigos e convidados, em uma ação ambiental, dentro do Programa de Recuperação do Estuário do Rio Potengi, embarcando no barco-escola Chama-Maré para navegar pelo Rio Potengi e conhecer a cidade por outro ângulo. O passeio ocorreu neste último final de semana (03/03) e foi uma verdadeira aula de meio-ambiente e respeito ao estuário do Potengi dentro de um roteiro conduzido por uma equipe formada por alunos e professores dos cursos de Turismo, História e Biologia da Universidade Potiguar, além de um comandante e dois marinheiros que completava a tripulação. 
    
  Barco Escola no Rio Potengi - Sentido Fortaleza dos Reis Magos
“O Chama-Maré é uma estrutura flutuante que funciona como espaço pedagógico de educação ambiental, voltado para uma visão crítica e reflexiva sobre questões ambientais do Rio Potengi”, explicou a professora Ana Neri. O trajeto inclui as belas paisagens e cartões postais de Natal, com os professores se revezando no microfone, dando informações ambientais e históricas sobre a paisagem que está sendo fotografada.

  As aulas-passeio se desenvolvem em uma embarcação do tipo Catamarã

Saindo do Iate Clube, o catamarã segue no sentido da Boca da Barra, passando pela Ponte Newton Navarro, Fortaleza dos Reis Magos, Redinha e Cemitério dos Ingleses. O Chama-Maré segue em direção à Ponte de Igapó e volta pela Base Naval e Porto de Natal, passando pelo Canto do Mangue e Pedra do Rosário. Esse percurso, de cerca de 1h30.    

 Iniciado em  outubro de 2006
   o projeto atende a um público de 3000 pessoas/ mês

Conforme Carla Belker, diretora de eventos da Aphoto - Associação Potiguar de Fotografia, não foi cobrada taxas porque houve uma parceria entre o Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte) e a Aphoto para um passeio-aula no Potengi. “Além de oportunizar lindas fotos, o passeio é uma forma de estimular o desenvolvimento de uma consciência ambiental com relação a esse importante patrimônio natural da cidade que é o Rio Potengi”, disse Carla.

...fonte...
Alex Gurgel
APHOTO
Associação Potiguar de Fotografia
www.aphoto.com.br

 ...fotografia...
Alex  Gurgel
&
www.barcoescolachamamare.blogspot.com

...visite... 
 Projeto Chama-Maré - Estuário Rio Potengi 
Rio Grande do Norte

março 02, 2012

NATAL... SAUDADES DE UM TEMPO VIVIDO

   Antiga Ponte de Igapó - Natal/RN

SAUDOSISMO NAS REDES

 Por
Yuno Silva

A busca por referências históricas, a necessidade de reencontrar elementos que forjaram a identidade cultural e a curiosidade sobre um passado recente, esfacelado pela falta imperativa de zelo, vêm causando frisson nas redes sociais. Alimentadas por imagens antigas, de uma Natal charmosa ainda entrecortada por linhas de bondes, pessoas de todas as idades estão praticando os mais novos 'esportes' da internet: "curtir" e "compartilhar". Espalhadas em perfis aleatórios ou aglutinadas em endereços eletrônicos específicos, as fotografias - e as histórias que elas revelam - estão proporcionando verdadeiras viagens no tempo.  

Av. Tavares de Lyra - Ribeira - Natal/RN

Capazes de alterar a forma como a população enxerga a capital do RN e o próprio papel social dentro do atual contexto urbano, essas viagens ganharam nova rota com a publicação de um acervo formado por quase 300 fotografias feitas no início da década de 1940 pelo norte-americano Hart Preston (da revista Time-Life), que registrou a construção de bases militares dos EUA em Natal e no Recife durante o período da Segunda Guerra Mundial. Porém, bem antes das imagens de Preston serem disponibilizadas na internet, um vasto material de fotógrafos visionários como Jaecy e Luiz Grevy já circulavam na rede.

 Ponta Negra - Natal/RN
fotografia: Jaeci

Um dos primeiros a compartilhar imagens antigas de Natal foi o jornalista e pesquisador Sandro Fortunato, responsável pelo acervo da página eletrônica Memória Viva. "A procura pela identidade é um fenômeno mundial, mas no RN essa busca se torna ainda mais desbravadora pela falta sistemática da preservação da memória", verifica. Para Fortunato, existem ações isoladas com um foco definido, como por exemplo a preservação dos acervos da Fundação Rampa e de Câmara Cascudo. "Há quase 20 anos pesquiso em várias capitais brasileiras e posso afirmar que Natal é disparada a cidade mais desmemoriada. Felizmente vejo uma nova geração interessada em valorizar essa história."

Bonde da "Força e Luz"
 trafegando na Rua Dr. Barata -  Ribeira - Natal/RN

Segundo o jornalista, "o grande lance é compartilhar. Não adianta querer levar crédito por algo feito por outra pessoa." Sandro diz isso por perceber que "também existe a neura do mérito de ser a primeira pessoa a digitalizar e disponibilizar conteúdo histórico na internet. Depois que postou, um abraço".

Farol de Mãe Luiza - Natal/RN
fotografia: Jaeci

Outro que também alimenta a rede com imagens antigas e histórias do Grande Ponto, da Tavares de Lira e do tempo que Natal acabava na altura do bairro do Tirol é o jornalista, pesquisador e produtor cultural Eduardo Alexandre 'Dunga' Garcia, 59. Colecionador de fotos históricas, Dunga contabiliza acervo digital com mais de três mil imagens e adianta que, por enquanto, não pensa em organizar um livro. "Neste momento minha preocupação é com a preservação da memória. Sempre tive muito amor pela minha cidade e acredito ser fundamental mostrar essas transformações para que as pessoas possam compreenderem melhor a formação de Natal."


"Baldo" - Natal/RN

Autor do livro "Cantões, cocadas: Grande Ponto Djalma Maranhão", Eduardo Alexandre está envolvido com pesquisas desde 2002, mas garante que seu acervo foi reunido a partir de buscas na internet e em livros. "É preciso paciência e um pouco de conhecimento histórico sobre lugares e pessoas para encontrar algo interessante", ressaltou.

Dunga passou mais de um ano procurando uma foto da torre da indústria de Juvino Barreto, na Ribeira, e levou outro tanto para encontrar uma imagem panorâmica da praça Augusto Severo e da pontezinha que cruzava o aterro do salgado - construção discreta que existe até hoje. "Tem muita foto ainda por vir", garante. "Um bom exemplo é este acervo do fotógrafo norte-americano (Hart Preston)."

Praça Augusto Severo - Ribeira - Natal/RN

ARQUEÓLOGO DIZ QUE
 "VIVENCIAMOS UMA ERUPÇÃO SAUDOSISTA"

O movimento descentralizado que domina as redes sociais, e chama atenção de pessoas interessadas no passado imagético de Natal, é visto como uma "erupção saudosista" pelo arqueólogo gaúcho Walner Barros Spencer, 62. Radicado no RN há décadas, professor universitário aposentado pela Universidade Federal e Doutor em Antropologia, Spencer vê o compartilhamento das imagens antigas como a "busca por uma identidade e por princípios morais e filosóficos perdidos."


  Av. Deodoro - Natal/RN

Após a "dessacralização geral promovida pela sociedade moderna, as pessoas estão atrás de referências em meio a essa massificação de conceitos que torna as pessoas muito mais parecidas com papagaios que com corujas", sentencia Walner. Considerado um dos principais conhecedores da história do Rio Grande do Norte da atualidade, o arqueólogo acredita no encerramento de um ciclo e na existência de uma "uma nuvem de pensamento, acessada por esse grupo de pessoas", integradas a partir da mesma necessidade, que justificam essa "erupção" - para ele, a palavra nostalgia pode soar de maneira negativa nesse caso. "As pessoas estão atrás de recompor a própria memória e não de ficar lembrando ou lamentando sobre o passado."

Canto do Mangue - Natal/RN

O jornalista e escritor Leonardo Sodré, 57, também reforça a teoria: "essa movimentação traz novos sentimentos aos mais jovens." Ele mesmo alimenta a grande rede com informações históricas sobre Natal e garante que "seria muito interessante se juntarem todas essas informações já disponíveis em páginas eletrônicas, blogs e perfis em redes sociais. Tenho certeza que daria pra fazer um tremendo livro sobre a história da cidade."

Bairro das Rocas - Natal/RN

Assim como o norte-americano Hart Preston, da revista Time-Life, o pernambucano Luiz Grevy da Silva, contemporâneo do fotógrafo Jaecy, também registrou pessoas e lugares de Natal entre 1944 e início dos anos 1980. Falecido há 12 anos, seu acervo foi totalmente perdido por falta de um acondicionamento adequado. "Sobrou só as fotos da família, o resto foi todo perdido: negativos e cópias em papel. Não ficou nada!", disse Marconi Grevy, filho do fotógrafo.

Vista parcial Areia Preta - Natal/RN

Já Jaecy, que passou o ofício para o filho Jaecy Jr, ficou famoso por construir e preservar um acervo fotográfico de relevância histórica, onde se é possível conhecer as paisagens ainda intocadas da capital potiguar e entender as transformações urbanas da cidade ao longo do tempo.  Boa parte das imagens antigas de Natal disponíveis na internet é de sua autoria, disseminadas, principalmente após o lançamento de um DVD, vendido em bancas de jornal com seu acervo. Mas, e depois de serem compartilhadas e curtidas, qual será o destino das imagens distribuídas na internet? Se for considerado o desejo em comum externado pelos entrevistados, elas servirão como embasamento para um maior respeito ao passado e maior consideração pelo futuro de Natal.



...fotografia...
Jaeci 
Via Web

 ...visite...
www.facebook.com/NatalComoTeAmo
www.facebook.com/eduardoalexandregarcia
www.facebook.com/memoriaviva
http://mediocridade-plural.blogspot.com.br/2011/09/natal-antiga.html
"A melhor medicina contra a saudade é a falta de memória."
(Carlos Drummond de Andrade)