abril 19, 2012

CHICO BUARQUE... UM ARTIGO DE LUXO

 “Não é um garoto, mas se existisse no reino animal um bicho
pensativo e belo e  eternamente jovem que se chamasse garoto,
Francisco Buarque de Hollanda seria dessa raça montanhosa. “
Clarice Lispector
   
...edição especial...

CHICO BUARQUE NA CAPITAL POTIGUAR

Por
Henrique Arruda

Já faz algumas semanas que todos os “chicólatras” de Natal/RN estão inquietos. Não é para menos. Passadas mais de duas décadas desde a sua última apresentação na cidade, a crise de abstinência vai chegando ao fim. E Já é certo que Chico Buarque de Holanda,  passando  por aqui, lote de suspiros apaixonados e sentimentos de admiração cada centímetro do Teatro Riachuelo.

A primeira vez que esteve em Natal foi no início dos anos 70, quando, a convite do jornalista Paulo Macedo, Chico se apresentou no Clube do América sendo a principal atração da “Festa Brasileira das Personalidades”, organizada rotineiramente pelo jornalista.

“Eu me lembro que escolhi ele por causa da música A Banda que estava fazendo grande sucesso na época”, justifica o jornalista. Paulo foi até o Rio de Janeiro e sendo contratado pela TV Tupi, como conta, foi fácil chegar até o cantor, acertando o “pagamento adiantado”. “O equivalente a 400 mil reais hoje”, conta Paulo.

Em tempos de ditadura militar, não era de se estranhar que as Forças Armadas questionassem a escolha de Chico para a festa. “As Forças Armadas criticaram veementemente, Chico estava na berlinda. Mas confesso a você, não o trouxe com nenhuma intenção política”, admite.

Nem tudo saiu como planejado. Paulo já havia fechado com a TV TUPI para transmitir ao vivo a apresentação, no entanto, quando Chico viu toda a estrutura armada, incluindo os carros da emissora, se recusou a fazer show.

“Eu não sei porque, mas na época ele era contra se apresentar na TV, e disse que se fosse para ser exibido ele não iria fazer o show”, lembra Macedo, frisando que ficou muito deprimido por não ter sua festa transmitida.

Por mais que fosse tímido e não falasse muito, como conta o jornalista, Chico foi extremamente educado e não fez nenhuma grande exigência para a apresentação. “De todos que trouxe, somente Roberto Carlos exigiu que pintassem o corredor do hotel, que a louça fosse esterelizada e etc”, afirma.

 Depois de mais de 20 anos sem se apresentar em Natal
compositor fará show no Teatro Riachuelo

De acordo com o que se lembra, o show de Chico também foi o primeiro a lotar completamente o Clube do América. “Vendemos 500 mesas e a diretoria teve que ficar na porta para evitar que mais pessoas entrassem”, conta. O público era misto e composto insclusive por pessoas de outros estados.

“Recife tentou, Fortaleza também, mas somente nós conseguimos o show. Então o dancing do América ficou tomado de gente”, recorda.

O jornalista Albimar Furtado, que além de cobrir a apresentação, entrevistou Chico Buarque, lembra que na época o cantor estava refinando seu estilo musical e lançando o que se tornaria um dos marcos pela liberdade de expressão, “Cálice”.

“Foi a primeira vez que se ouviu Cálice em Natal, que ele fez em parceria com Gilberto Gil. Muitos diziam que a sua música na época estava se afastando de uma de suas maiores influências, Noel Rosa”, opina.

Até mesmo a aparência, pelo que Albimar descreve, refletia amadurecimento na carreira. “Ah, ele já estava com um bigodão, cabelos mais compridos e bem diferente daquele Chico comportado do início da carreira”, comenta.

Entre uma cerveja ou outra, a entrevista aconteceu no Hotel Reis Magos, onde Chico ficou hospedado, após ter pego a estrada vindo de um outro show em João Pessoa. “Porque na verdade veio ele e o MPB4 para a apresentação, já chegaram tarde no sábado e a conversa foi bem rápida”, recorda.

Fã de Chico Buarque, Albimar não sabe se decidir sobre sua música favorita, mas comenta que do novo trabalho, “Chico”, lançado em julho do ano passado, ele destacaria Nina. “É uma valsa belíssima, mas Chico tem uma obra muito ampla. Não dá para escolher uma que seja a melhor”, afirma.

 "Chico não tem mais o esplendor de antes - já seu talento literário, 
curiosamente, cresceu nos últimos anos"
 Hagamenon Brito

 POR QUE NÃO VOU A CHICO BUARQUE?

Por
Fabio Farias

O motivo  é curto e grosso: porque R$ 380 é muito dinheiro. E nem se fosse por R$ 190, a meia-entrada que infelizmente não tenho mais direito, eu também não iria. É muito para passar pouco mais de uma hora ouvindo músicas que provavelmente já tenho no meu computador, ou que posso vê-las serem cantadas por Chico Buarque em qualquer DVD de especiais dele.

Do ponto de vista econômico, do custo-benefício, para mim não vale a pena. Nada aqui de desvalorizar o trabalho de Chico que é um dos maiores compositores brasileiros e também um puta escritor (sim, faço parte do grupinho que gosta da literatura de Chico Buarque), mas uma questão de ordem econômica: pagar mais de R$ 100 em um show, para mim, é um absurdo completo.  Não importa quem seja o cantor.

É óbvio que mora aí uma questão de mercado. E essa questão se movimenta basicamente em dois eixos: um, o fato de Chico Buarque raramente fazer shows, o que valoriza as apresentações ao vivo dele; dois, o fato de haver uma espécie de endeusamento quase místico da figura do artista que, mesmo genial como ele é, não passa de um ser humano de carne e osso como todos nós.
 
Eu entendo essas coisas de fãs, de blábláblá, do cara ser charmosão e tudo o mais. Tenho uma tendência a acreditar até que muita gente vai ao show mais pela figura dele e pelo o que ele representa, do que pelas músicas em si. Coisa que deixa a situação mais ilógica ainda para mim. Dispensar uma pequena fortuna para simplesmente ver um indivíduo cantar não consegue ser coerente na minha cabeça. E não importa se é Chico Buarque, Bob Dylan, ou – sei lá – Leonard Cohen.

Chico Buarque se apresenta em Natal nos próximos dias 28 e 29 de maio
E olha que o preço é salgado, a inteira é R$ 380,00 e a meia R$ 190,00
Mesmo assim...  os ingressos não chegam para quem quer!

É bom frisar que o preço exorbitante ocorre por culpa da produtora local. No Rio de Janeiro, por exemplo, o ingresso mais barato para um show de Chico Buarque custava R$ 60, um valor que já considero pagável. Enquanto que em Recife o ingresso mais barato estava a R$ 140 e em Natal – terra dos pseudos novos ricos – o mais barato sai ao nada palatável valor de R$ 180 – para mim um abuso.

Vale a comparação, o preço mais barato do ingresso aqui é o triplo do que é pago no Rio de Janeiro e em São Paulo para assistir ao mesmo show. Justo? Óbvio que não, muito menos lógico. Me pergunto se os custos do show em Natal são o triplo do show no Rio de Janeiro, tendo a acreditar que não. Mas como há pessoas que não se importam com a exploração comercial disso, a produtora abusa no preço e o consumidor de cultura, sobretudo aquele que é liso, mas que também é fã, sai prejudicado.

Li em algum lugar no twitter: melhor é comprar um Whisky, chamar os amigos, ficar em casa e assistir a um DVD ou BlueRay dele. Serão quase as mesmas músicas. E com as vantagens de ser mais barato, mais confortável e o sujeito ainda não precisaria esperar numa fila imensa para tentar garantir a entrada ao show. Bendita Geni.

Ps. A termos de comparação: preço mais barato de Caetano e Maria Gadu em Natal no ano passado: R$ 100. Maria Bethania: R$ 125. Chico: R$ 180. O ingresso mais barato de Chico Buarque custa 44% mais caro do que o da Bethânia. A produção dele é, também, 44% mais cara?


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Henrique Arruda
Fabio Farias

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abril 18, 2012

A ARTE IMITANDO A VIDA

  Filmes foram produzidos em 2009 e serão apresentados em Havana em maio
Produtores ficaram supresos com o empenho das comunidades
fotografia: Diego Cabral

 NÓS NA TELA EM CUBA

Por
Yuno Silva

Intuição e sensibilidade foram postas em prática durante realização do projeto "Nós na Tela", que circulou por diversas cidades do Rio Grande do Norte difundindo conceitos da produção audiovisual em localidades afastadas dos centros urbanos. A ideia é simples, mas o resultado representa a costura cultural de uma colcha de retalhos digna da atenção dos potiguares. Promovido pelo Coletivo Nós na Tela, o projeto percorreu 18 municípios, produziu 15 roteiros e materializou oito filmes - sendo seis curtas e dois média-metragens.

O grande diferencial da iniciativa se dá na base primordial do processo criativo, onde o argumento para elaborar os roteiros partiu da própria comunidade envolvida. "Passamos, em média, 15 dias em cada lugar, trabalhando conceitos teóricos (de cinema e vídeo, de roteiro, de produção e de atuação) seguido da prática. Os filmes seguiam um argumento e um roteiro básicos, que se desdobravam no decorrer do processo de gravação", contou Geraldo Cavalcanti, diretor e roteirista da série.

Os filmes, produzidos em 2009, estão todos prontos e o lançamento oficial está marcado para o mês de maio, em Cuba, dentro da programação paralela da 11ª Bienal de Artes Visuais de Havana - as exibições no RN aguardam um posicionamento da Fundação José Augusto, parceira no projeto. "A intenção é que os filmes sejam exibidos nas Casas de Cultura", adiantou Cavalcanti. Quando os filmes forem lançados, todas as mais de 400 pessoas que participaram do projeto irão receber cópias dos filmes que participaram.

Além do diretor e roteirista, também estão envolvidos na realização da série Nós na Tela o artista visual Guaraci Gabriel, que fez a direção de arte; Nilson Eloy (captação de áudio e vídeo); Silbene Batista (preparação de elenco); Fernando Gurgel (edição de imagens e finalização); Miryanna Albuquerque (câmera e produção); Rodolfo Holanda e Maxson Savelle (produção); e o fotógrafo Vladimir Alexandre. 

Atrelado à produção audiovisual, o Coletivo acredita contribuir com o  fortalecimento da identidade cultural e na valorização da auto-estima do potiguar.

 Produções contaram com elenco local
fotografia: Carla da Costa   
 
PRODUÇÃO DE FILMES REVELA TALENTO NATO DE ANÔNIMOS

Entre as particularidades observadas durante a produção dos filmes, Guaraci e Cavalcanti destacaram ao VIVER a "descoberta  de artistas talentosos", como o garoto Dudu, 9 anos, de Serra Negra do Norte, cidade onde a equipe rodou o média-metragem "O Pacto": "Ele nunca tinha atuado, mas chorou diante da câmera e repetiu várias vezes uma cena onde levava uma queda. Se jogava mesmo, se entregou ao trabalho de uma forma que surpreendeu a todos! Saía mancando, todo ralado, dizendo que não era nada e que estava pronto pra outra", lembrou Geraldo.

"O Pacto" narra uma história baseada em 'fatos reais' sobre o tal acordo que um morador de lá fez com o diabo: "A princípio relutei em fazer o filme, mas foi uma escolha da comunidade e o resultado ficou muito bom. Ficou com um clima surreal", recordou o diretor.

Em São José de Mipibu, o destaque do elenco foi outro garoto, Marcos Freire, de 10 anos. "No filme 'Em Família' ele teve que fazer uma cena difícil, de abuso sexual. Tivemos o cuidado de prepará-lo, conversamos com a família, que acompanhou toda a gravação, mas ele virou pra equipe e disse: 'Entendi, estou preparado para isso'. São situações como essas que surpreenderam a gente." Geraldo informou que a produção audiovisual no Seridó potiguar está em franco desenvolvimento: "Tem gente fazendo filmes com celular, tem realizador criando séries com personagens fixos, mesmo sem nunca ter ido ao cinema. As pessoas têm mais noção do que pensamos, e são altamente dedicadas."

Já o curta-metragem "As Marias" trata de solidão a partir da relação entre duas senhoras, ex-prostitutas, que após fecharem o bordel passam a morar juntas, Geraldo chama atenção para Dona Dôra, 63. Professora aposentada, Maria das Dores Bezerra Assunção improvisou e disse por telefone ao VIVER que "foi uma lição de vida, fiquei muito feliz de ter participado." Dona Dôra contracenou com Eliete Regina, proprietária do Violão de Ouro. "Sensibilidade não se ensina", garantiu Geraldo Cavalcanti, para quem os melhores trabalhos são realizados por pessoas "que sabem muito ou por pessoas que não sabem nada, as únicas capazes de desconstruir o personagem."
 
  Equipe do projeto audiovisual Nós na Tela
fotografia: Guaraci Gabriel   
 
CONVITE INICIAL PARTIU DA CURADORIA DA BIENAL DE HAVANA

A oportunidade para exibir a série em Cuba é fruto de uma confluência de episódios, desencadeada pelo convite de Ibis Hernandes, curadora da Bienal. "Ela esteve em Natal, já conhecia nosso trabalho e lançou a proposta de fazermos algo semelhante com o 'Nós na Tela' durante a Bienal de Havana", disse Guaraci Gabriel, que embarca no próximo mês com Geraldo e mais três membros da equipe para a capital cubana para completar o ciclo da "Ação Cosmopolita de Artes Integradas". A missão do grupo é concluir a construção de uma narrativa audiovisual iniciada por estudantes de escola pública do RN (a definir) com alunos da escola José Martin, da província de Santa Fé, em Havana.
 
"A partir daí, articulamos com Frank Padrón (crítico cubano de cinema que esteve em Natal em 2007 participando da primeira edição do Festival Goiamum Audiovisual) o lançamento da mostra Nós na Tela", comemorou Geraldo Cavalcanti, que aproveitará a ocasião para finalizar o documentário "Mariposa Blanca" iniciado em 2006, durante participação de Guaraci na Bienal daquela ano. "Foram três coelhos com uma cajadada só", festejou Gabriel, que divide a direção do documentário com Cavalcanti. 

Padrón representa o Instituto Cubano Del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC) e a TV Casa Produtora (televisão estatal de Cuba), e a mostra "Nós na Tela" fará parte da programação paralela da 11ª Bienal de Artes Visuais de havana.  

"Mariposa Blanca" aborda o conceito de liberdade, criado pelo modelo de produção capitalista, como ideal utópico e "faz paralelo entre a liberdade exercida nos países democráticos e em Cuba". O ator Jorge Perugorria, de "Morango e Chocolate", "Estorvo" e "Navalha na Carne", está no elenco do documentário, cuja produção ainda prevê entrevista com Fidel Castro. "Já estamos vendo essa possibilidade", adiantou Guaraci Gabriel. "Vai rolar!", emenda com convicção.
 

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Yuno Silva

O TESOURO DE DEÍFILO GURGEL

 Deífilo estudou e documentou o folclore nordestino há mais de três décadas
e lamentou  o desinteresse da população pelo folclore. 
Ele, porém, não desistiu!
 fotografia: Giovanni Sérgio

 "ROMANCEIRO POTIGUAR"
LANÇAMENTO DO LIVRO DO SAUDOSO DEÍFILO GURGEL
 
Por 
Assessoria de Imprensa 
Secult-RN/FJA

A Coleção Cultura Potiguar, que reúne os mais diversos temas da literatura norte-rio-grandense, da Secretaria Extraordinária de Cultura do RN e Fundação José Augusto (Secultrn/FJA) terá mais uma obra entre seus títulos. Dessa vez, uma das mais ilustres: O Romanceiro Potiguar, que será lançado hoje, 18/04,  no Palácio Potengi - Pinacoteca do Estado, a partir das 19h. O livro será adquirido ao preço de R$ 40. O Romanceiro Potiguar é uma obra inédita do folclorista e pesquisador Deífilo Gurgel - falecido em fevereiro deste ano - fruto de uma pesquisa realizada entre as décadas de 1980 e 1990 e que reúne um dos mais ricos apanhados da oralidade dos romanceiros, tanto de origem Ibérica quanto brasileira. O livro conta com ilustrações do presidente do Conselho Estadual de Cultura, Iaperi Araújo.

De acordo com Alexandre Gurgel, que em algumas viagens ao longo dos dez anos de pesquisa acompanhou o pai, Deífilo Gurgel conversou com muitas pessoas para a elaboração d´O Romanceiro Potiguar, como por exemplo, seu Atanásio, detentor deste saber popular e pai de outra conhecida romanceira, Dona Militana, que também figura na pesquisa, dentre muitos outros. Com esse feito, andando de norte a sul pelo Estado, Deífilo Gurgel conseguiu compilar romances que fazem parte do cancioneiro popular, desde as origens Ibéricas (da Espanha e Portugal), passando pelos romances Religiosos, do Cangaço, da Caatinga e da Pecuária. "Ele viajou o Estado inteiro e conseguiu reunir uma obra que preserva pelo menos cinco origens de Romances. E o mais importante desse trabalho é que ele conseguiu colher versões inéditas de alguns romances", informa o filho.

Para a secretária Extraordinária de Cultura, Isaura Rosado, O Romanceiro Potiguar dignifica o plano editorial do Governo do Estado conduzido pela Secultrn/FJA. "Deífilo pesquisou em sítios, vilas, povoados, nos espaços mais distantes do RN, seu trabalho é reconhecido para além do solo potiguar. Pensando em cultura de tradição, a assessoria de Deífilo sempre foi imprescindível. Digo isso para atestar minha admiração enquanto gestora, ao pesquisador, amigo, estudioso da cultura popular. Digo isso para expressar o quanto nos orgulhamos de Deífilo e o quanto as gerações que nos sucederem serão gratas a ele pelo registro e proteção às nossas raízes", disse ela em apresentação da obra.

D. Militana
 A maior romanceira do Brasil
 Passou anos desassistida de tudo, menos dos olhares de Deífilo Gurgel
fotografia: Lenilton Lima

O poeta e membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, Paulo de Tarso Correia de Melo, é quem faz a abertura do Romanceiro Potiguar, a convite do próprio Deífilo Gurgel e em determinado trecho, revela o apuro e dedicação deste que, certamente, foi um dos maiores estudiosos da cultura popular no RN e no Brasil: "O milagre é o mesmo de seus outros livros de pesquisa folclórica. A documentação precisa e conscienciosa de sempre. O relacionamento exato de fontes, lugares e datas da situação de pesquisa. Desta vez quero realçar o registro de saborosíssimos epílogos prosificados e por vezes prosificações completas de romances registrados acuradamente".

O trabalho e pesquisa de Deífilo Gurgel foi realizado de maneira solitária, já que não conseguiu bolsistas ou outros interessados na pequisa. E assim, aos 70 anos, Deífilo Gurgel de dispôs a "cansativas", porém "gratificantes" viagens pelo Rio Grande do Norte "à cata das últimas pepitas desse fabuloso tesouro, representadas pelas quase trezentas versões de romances, que coletamos nas mais diversas regiões do nosso Estado, dos romanceiros peninsular e brasileiro", escreve o próprio pesquisador em seu livro, agora póstumo.

O livro é constituído das seguintes divisões: Romances Ibéricos e Romances Brasileiros, que se subdividem-se da seguinte forma: Romances Palacianos, acontecidos entre a nobreza europeia; Romances Religiosos ou Sacros, que falam da vida de Jesus e de episódios ocorridos na vida de santos do catolicismo; Romances Plebeus, da gente do povo; Romances da Pecuária, que contam a vida de bois legendários: Boi Espácio, Boi Misterioso, Boi Surubim; Romances do Cangaço, relatos da vida e da morte de valentões sertanejos, desde épocas remotas: "Zé do Vale", "O Cabeleira" e vários outros; Romances Burlescos, encenados outrora em teatrinhos mambembes e circos de cavalinhos. Ao todo são 330 versões de romances ibéricos e brasileiros.

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 Assessoria de Imprensa 
Secult-RN/FJA

abril 16, 2012

CANTANDO E SEGUINDO A CANÇÃO

 DENICE MARIA
 Licenciada em Música pela UFRN, canta profissionalmente em Natal/RN 
apresentando-se  em supermercados, restaurantes e festas particulares
 um raro exemplo ao conseguir tirar desse trabalho seu sustento 

 TALENTOSOS, MAS DESCONHECIDOS

Por
Jéssica Barros
Especial para O Poti/Diário de Natal

É comum passar por bares, restaurantes, praças de alimentação e outros estabelecimentos comerciais e se deparar com uma música ambiente vinda de um artista potiguar pouco conhecido pela maioria da população. A missão dele é, além de mostrar seu trabalho, entreter os clientes. Muitos são esses artistas independentes que mostram seu talento anonimamente na esperança de ter uma oportunidade no cenário musical potiguar ou de tentar seu sustento através da música.

Ao que se sabe, trabalhar com cultura no estado exige muita dedicação. São inúmeras as dificuldades e poucos os incentivos. Mas, para os que realmente apostam no futuro, musical perseverança é a palavra de ordem. É o caso da jovem e talentosa cantora potiguar Denice Maria, um exemplo de artista que correu atrás do seu sonho desde cedo e que está sempre em busca de novas experiências. Com apenas três anos se apresentando profissionalmente na cena musical independente do RN, Denice consegue viver da música e lançou recentemente seu CD, intitulado Baú, com 12 canções de sua autoria.

Vinda do interior do Estado, da cidade de Rafael Fernandes, Denice conta que tudo começou aos 13 anos, quando sentiu despertar o interesse pelo violão. Em seguida, descobriu o dom do canto e passou a investir em apresentações de voz e violão. Entre seus 14 e 15 anos, Denice começou a fazer participações em eventos de sua cidade natal e percebeu que estava na música o seu futuro. Veio para Natal, se formou em Música pela UFRN e hoje se apresenta em barzinhos, casamentos, supermercados e festas em geral. Ela diz que, atualmente, já é possível um artista viver da música na capital e, trocando experiências com outros artistas mais antigos, percebe que, hoje, há mais oportunidades para os artistas do que antigamente.

Fazendo um repertório nacional que vai de MPB a pop rock, Denice conta que, mesmo com mais oportunidades, é difícil trabalhar música independente em Natal. Com incentivos minguados, ela afirmaque alguns colegas se sentem desmotivados e chegaram a desistir da carreira, o que não é o caso dela.

PRESENÇA IGNORADA

Na correria do dia a dia, muitas vezes o público sequer nota a presença do artista no local, mas Denice diz que isso não a desmotiva. "Sempre tem alguém que para, elogia, diz que pensava que era um CD tocando. Principalmente as crianças prestam mais atenção e chegam até a dar 'tchauzinhos', que eu retribuo [risos]. A troca de energias com o público é o que me motiva a seguir em frente", diz ela.

O advogado Eduardo Costa, cliente da rede de supermercados em que Denice se apresenta, diz que tem o hábito de fazer suas compras no local ao som da cantora, elogia o repertório e confessa que, apesar de sempre parar para ver as apresentações de Denice enquanto toma seu "cafézinho", nunca teve a iniciativa de perguntar sobre quem era a cantora. "Eu apenas sento e aprecio a música", confessa. 

 Abmael também gravou CD, mas com interpretações da MPB

QUANDOS OS FINS DE SEMANA SÃO DE MUITO TRABALHO

Outro artista da terra que se apresenta de forma independente na noite é o cantor Abmael. Formado em Publicidade e tendo cursado parcialmente Jornalismo, ele diz que é na música que se encontra, apesar das dificuldades do meio. Abmael, que decidiu começar a se preparar para cantar na noite aos 20 anos, em 2002, passou a estudar canto e se apresenta em barzinhos da cidade desde 2006. Ele diz que são raras as exceções de artistas que conseguem viver da música no estado e que não basta ter talento. "É preciso ter com você pessoas que façam a coisa acontecer, isso é o principal", avalia.

Atualmente, com um repertório voltado para a MPB, Abmael lançará ainda este mês seu primeiro CD, com interpretações de grandes sucessos da MPB tradicional, ao mesmo tempo em que estuda Design Gráfico e procura um emprego fixo, já que, para ele, viver da música ainda não é uma realidade.

ROTINA INVERTIDA

É no fim de semana que a rotina de intensifica. De quinta-feira a domingo, muitos bares e restaurantes da capital - apesar dasrecentes proibições a algumas casas que se encontram em bairros residenciais - contam com música ao vivo. E é nesse período que a demanda por artistas, nem sempre conhecidos pelo público, aumenta. De acordo com Denise Maria, o volume de shows cresce em períodos de alta estação de turistas, como no começo, meio e final do ano. "Nos outros meses depende muito dos contatos do artista para manter uma boa frequência de apresentações", explica. Já Abmael diz que, independentemente se o bar é famoso ou um "boteco", qualquer experiência é válida. "O mais importante é não ficar parado".
 
Grupo Fullsion apresenta versões covers de bandas do cenário rock

 GRUPOS ALTERNATIVOS ENCONTRAM NOVOS REFÚGIOS

A falta de incentivos e a pouca visibilidade dada aos artistas independentes não fica apenas àqueles que se apresentam em barzinhos e tocam os estilos musicais mais comuns, como MPB e pop rock. Trabalhar com música é ainda mais difícil para os que fazem um bom ainda mais alternativo, como as bandas de rock n'roll. Segundo André Pinheiro, guitarrista da banda Fullsion, que toca covers de várias bandas clássicas de rock, como AC/DC e Pink Floyd, "como em todo o Nordeste, aqui o rock é desprivilegiado em detrimento do forró".

Apesar de a cena rock ser limitada no estado, André diz que esse cenário vem mudando aos poucos com a chegada de alguns bares específicos para o público mais alternativo, como é o caso do Hell's Pub e do Whiskritório, que abrem espaço para as bandas mostrarem seu trabalho interpretando grandes clássicos do rock.

Nesse estilo é ainda mais dificil pensar em viver apenas da música. Perto de lançar CD demo com quatro músicas inéditas, entre as dificuldades que as bandas de rock enfrentam, o guitarrista da Fullsion reclama do escasso espaço para divulgação de trabalho autoral, além da má remuneração. André lembra que, antigamente, era raro receber cachê. "As bandas tocavam de graça e muitas vezes tinham que vender uma quantidade 'xis' de ingressos e prestar contas para tocar. Atualmente, as coisas vêm mudando, mas as dificuldades persistem", conta. 

 "Bons equipamentos de som e estudando música 
são fatores essenciais para qualquer artista"
Denice Maria

O QUE FAZER?

Desistir de ter a música como profissão pode até ser uma opção a seguir, mas essa hipótese não parece passar na cabeça desses artistas. A cantora e compositora Denice Maria diz que o segredo é não desistir. Estar sempre atualizando o repertório, não cair da mesmice e investir em si mesmo comprando bons equipamentos de som e estudando música são fatores essenciais para qualquer artista. Cantando também em corais, a cantora acredita que conhecer outros estilos musicais, como música erudita, só tem a acrescentar ao artista. "Conheço coisas novas e me preparo melhor, uma coisa complementa a outra", diz Denice.

Abmael também nem pensa em abrir mão da música. Apesar de procurar um emprego fixo para ter mais estabilidade, quer continuar investindo na carreira e, posteriormente, pretende explorar seu lado compositor, cantando sempre aos finais de semana em barzinhos da cidade e fazendo eventos particulares que, segundo ele, são os que dão maior retorno financeiro ao artista. Abmael diz não esquecer de sua primeira apresentação, quando ele tremia e até esqueceu parte da letra da música, "mas é exatamente a sensação que cada apresentação passa que o motivo a seguir em frente", conclui. 

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 Jéssica Barros
jessicabarros.rn@dabr.com.br

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abril 14, 2012

POTIGUARES CHEIOS DE CHARME NA TV

  Cheias de Charme: Titina Medeiros é aposta como vilã,
 que já chega com estatus de "quinta protagonista"
 
POTIGUARES ESTREIAM NA GLOBO

Via
TV Globo - Tribuna do Norte - Diário de Natal

Estreia nesta segunda-feira, 16, a nova novela da Rede Globo, Cheias de Charme, que traz no elenco dois atores potiguares: César Ferrario e Titina Medeiros. César, integrante do grupo Clowns de Shakespeare, fará o papel temporário de um motorista de caminhão que terá um romance com Socorro (Titina). Durante a novela, César aparecerá de vez em quando... de acordo com o coração de Socorro.

Já Titina - que dará vida à personagem Socorro, terá destaque durante toda a trama. Nascida no Rio Grande do Norte, a atriz é considerada, pelos autores e a direção, uma grande aposta da novela. "Ela vai arrebentar, é uma atriz talentosíssima", diz Izabel de Oliveira, autora da novela ao lado de Filipe Miguez.

Os convites para os papeis surgiram durante a turnê que os atores realizaram com os Clowns pelo Brasil com o espetáculo Sua Incelença, Ricardo III. No segundo semestre os atores estarão juntos novamente na preparação da nova montagem dos Clowns de Shakespeare, o espetáculo Hamlet. 

 CÉSAR FERRARIO
Integrante do Clowns de Shakespeare, vive o personagem Morvan, 
que aparecerá em alguns capítulos da nova novela

 TITINA MEDEIROS EM CHEIAS DE CHARME

Na trama televisiva, ela é uma piauiense que vem para o Rio morar com o irmão Naldo (Fábio Lago). Ela será empregada em várias casas, sempre aprontando. Futriqueira, entrona, truquenta, perigosa. É colega de condomínio de Penha (Taís Araújo), Cida (Isabelle Drummond) e Rosário (Leandra Leal), que não confiam nela.

Fã de Chayene (Cláudia Abreu), sua conterrânea, Socorro vai fazer de tudo para trabalhar na casa da cantora. Louca, aprontando mais uma das suas,  vai até se fazer passar pela cantora num show, subindo ao palco e imitando as coreografias da artista. Porém, o público descobre a farsa e Socorro passará por momentos delicados.

Em Cheias de Charme, Socorro está muito longe de ser a profissional exemplar. Ao contrário de Cida (Isabelle Drummond), Penha (Taís Araújo) e Rosário (Leandra Leal) e tantas outras empregadas domésticas que ralam pesado para pagar as contas no fim do mês, ela está sempre maquinando uma forma de se dar bem sem esforço. Socorro mesmo! Essa peste promete ser a pedra no sapato das patroas e das colegas de trabalho.
 
Titina Medeiros faz sua primeira novela interpretando esta figura. Para a atriz, Socorro tem um quê de folclórico. “Ela é o Saci-Pererê, que é uma figura mítica que vem para provocar o caos. E é um malvado que ninguém percebe como malvado. Ele é visto com graça. A Socorro é essa figura popular dentro da novela. Ela faz errado, mas ela é engraçada, ela é humana”, explica Titina que aposta que a empregada irá conquistar o público pelo humor.
 
  Titina no papel da doméstica que inferniza a vida das colegas
Socorro promete aprontar muito em Cheias de Charme 
fotografia: Cheias de Charme / TV Globo
 

DE SHAKESPEARE PARA A GLOBO

Há quase vinte anos, a adolescente Izabel Cristina de Medeiros percebeu que não adiantava querer controlar o destino em seus mínimos detalhes. Acalentando o desejo de atuar como jornalista profissional, seus planos foram abalados logo na primeira ida ao teatro, quando ela foi pela primeira vez assistir a um espetáculo, Pranto de Maria Parda, com a atriz portuguesa Maria do Céu Guerra. "Quando saí de lá, eu sabia que era aquilo que eu queria fazer da vida". Ela então começou a procurar no jornal oficinas de teatro em Natal e foi estudar com Jesiel Figueiredo. A primeira peça encenada por ela foi A Bela Adormecida, em 1993. O ano seguinte foi de dedicação ao vestibular para o curso de jornalismo. Em 1995, Titina conheceu o Grupo Tambor de Teatro onde trabalhou com João Marcelino, a quem ela se refere como "grande mestre".

"Como não amar João Marcelino? João me ensinou tudo: como amar o teatro, como amar a profissão. Eu acho que João me deu o maior presente que é o amor por uma profissão. Mesmo que eu não esteja mais trabalhando com ele hoje porque os caminhos se distanciaram, eu tenho ele como meu grande mestre. Ele me ensinou a respeitar o teatro, a amar o teatro como uma profissão, como uma atividade possível".

A peça O Príncipe do Barro Branco, encenada em 1997, é considerada por Titina o seu primeiro trabalho profissional. "A gente demorou um ano e meio para montar o espetáculo. Foi um ano e meio de escola,  não foi só montar o espetáculo, foi aprendizado da linguagem, foi muito especial". Em 1998 o grupo Tambor acabou e Titina desenvolveu diversos trabalhos com novas parcerias. "Eu fiquei um tempo meio perdida no sentido de que eu comecei no teatro de grupo e de repente me vi sem grupo, mas não deixei de trabalhar. Fazia todos os autos, esquetes, trabalhei muito com Isaque Galvão, com Nara Kelly. Essa foi uma fase legal porque como eu fiquei solta eu comecei a trabalhar com muita gente e isso me fez ter relações com os profissionais de teatro daqui de vários segmentos, grupos". Em 2003 ela começou a trabalhar com o Clowns de Shakespeare onde está até hoje. "E pretendo me aquietar por aqui".

  Titina Medeiros no premiado espetáculo Sua Incelença Ricardo III,
 já fazia o público rir bem antes de sonhar em fazer novela

Dona de grandes olhos verdes, sorriso largo e um ar de seriedade que deixa transparecer o alto nível de seu compromisso com a carreira, Titina Medeiros declarou que "Tudo aconteceu muito rápido, chega a ser assustador. Mas estou tranquila, segura". E não é de hoje que Titina tem um pézinho na comédia, atriz há 16 anos, ela faz parte do grupo Clowns de Shakespeare. Ou seja, a potiguar já fazia o público rir bem antes de sonhar em fazer novela. “Não que eu tivesse preconceito. É que eu decidi sempre morar em Natal e fazer teatro para as pessoas de Natal. A TV ficava num lugar muito distante”, explica a atriz.
 
Dos palcos para as telinhas, Titina ainda está se adaptando à nova dinâmica: “Desde que eu comecei a gravar a novela, eu não sei muito o que eu estou fazendo. Até sei, mas é muito diferente do teatro”. Engraçada, a atriz compara o processo a tomar um caldo sem afogamento: “Estou me permitindo estar nessa onda.”.
 
"Foi bom reconhecer na equipe que vai estar comigo no estúdio um técnico de som que havia trabalhado comigo em 2003 e 2004 no quadro (do programa Fantástico) 'Brasil Total' quando fiz três programas falando aqui do RN", comemorou. Titina falou sobre a fabricação do doce chouriço, a encenação da Paixão de Cristo em Apodi e a pesca do siri em Ponta Negra.
 
Sem tantas turbulências ou morrer na praia, Titina conta que se inspirou em mulheres do povo e em uma travesti para dar vida à espevitada Socorro: “Não é um personagem que vou longe para elaborar. Ela está próxima de mim”, confessa a atriz assumindo o seu lado popular.

E se tudo der certo na TV e outros convites surgirem? "Eu nunca parei para pensar nisso. Eu estou nesse trabalho, estou chegando agora, eu não tenho muita expectativa não. É uma responsabilidade muito grande lidar com a expectativa das pessoas. Eu já sou tão feliz, eu digo isso com a maior tranquilidade, do fundo do meu coração. Eu quero viver esse momento, eu entro pensando no agora. Depois eu tenho um Hamlet para montar, eu tenho um grupo para trabalhar, parceiros. O universo é tão generoso que me deu esses amigos, essa estrutura, eu acho que o artista, quando ele tem essa estrutura para trabalhar, tem tudo".


...fonte...
 tvg.globo.com
Yuno Silva
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abril 13, 2012

...ACONTECE PARA QUEM ACREDITA

 ANTÕNIO LUIZ SOBRINHO
Ex-morador de rua, o músico autodidata, quer concorrer mais vezes
em quadros  televisivos. Do "Se vira nos 30", Globo, ao "Qual é o seu talento?", do SBT

  VIVENDO DA MÚSICA

 Por
Mawell
Jornal Gazeta do Oeste

Na casa simples na Rua Ministro Tasso Dutra, 47, no bairro Redenção, em Mossoró/RN, reside Antônio Luiz Sobrinho, um músico autodidata que já conseguiu "muitas coisas através da música", como ele mesmo gosta de salientar. "Quando comecei a me dedicar à música, muitas pessoas me ajudaram, porque à época eu não tinha condições para comprar nenhum instrumento. Como "arrumador de bandas" tive acesso a um pessoal que tinha contatos dentro da Escola de Música Pedro Ciarlini. A partir daí comecei a estudar no lugar. Primeiro, a teoria; depois, a prática. Devo a muita gente ali dentro quase toda a minha formação musical. Um dos professores que mais me ajudaram na Escola de Música foi Marcondes Melo", salienta Luiz.

O mossoroense Antônio Luiz Sobrinho ficou conhecido no País por tocar, de uma só vez, três instrumentos, em 2005, durante uma das edições do quadro "Se vira nos 30", do Domingão do Faustão. Este ano, ele quer repetir a proeza, porém, com o acréscimo de mais um instrumento, o violão. "Eu toco o zabumba, um tambor de bateria, flauta e quero incrementar com o violão. Estou treinando todos os dias para chegar lá outra vez e levar o nome da cidade comigo", fala, enquanto se prepara para uma "pequena demonstração" à reportagem. "Você toca algum instrumento?", pergunta ao repórter e sorri.

Com o equipamento montado de forma improvisada, o músico aproveita o pequeno espaço da sala como "estúdio" para testes musicais. "Aqui estou me aprimorando para mais uma vez tentar ganhar o "Se vira nos 30". Em 2005 fui o vencedor da edição. Com o dinheiro que ganhei lá (15 mil reais, à época), reformei minha casa, aumentei mais uns vãos e comprei o que estava precisando. Aquele dinheiro me ajudou muito e me deu um pouco de conforto para mim e minha família", diz o músico, mostrando a ampliação que fez na residência.

Trabalhando como operador de máquinas até pouco tempo, Antônio Luiz Sobrinho sonha mais uma vez em levar seu talento para a televisão e, enquanto esse dia não chega, continua fazendo o que mais gosta e se dedicando a causas sociais, através de aulas de música como voluntário do projeto Amigos da Escola. "Se eu tivesse mais apoio, certamente teria mais condições de me manter como voluntário do programa Amigos da Escola, mas não tenho e agora preciso buscar outros meios de me manter", comenta, de forma simples, e agradece, mesmo com todas as dificuldades que enfrenta diariamente, o pouco apoio recebido. "Gosto de agradecer a todos aqueles que me ajudam. Nunca me esquecerei, por exemplo, do apoio que recebi da Irmã Ellen, bem como das merendas nas escolas pelas quais passei", diz, enquanto mostra um dos instrumentos. "Comecei tocando tambor e depois busquei outros instrumentos que me deram também liberdade criativa", fala, enquanto a esposa intervém e diz que Antônio Luiz Sobrinho é um exemplo de músico criativo. "Mas é uma pena que não receba o apoio necessário daqueles que podem fazer muito mais por artistas como ele", comenta, reforçando que um dos desejos do marido é ensinar ao maior número de pessoas. "O sonho dele é de um dia ensinar na Escola de Música Pedro Ciarlini", fala.   
 

VIDA DE MÚSICO 

Antônio Luiz é um exemplo de músico que "não espera acontecer". Esta semana, com o desejo de viajar para a capital, a fim de se apresentar em logradouros públicos e de inscrever, mais uma vez, no quadro Se vira nos 30 e no Qual é o Seu Talento?, o músico vendeu um violão. "Tive que vendê-lo, a fim de fazer o dinheiro que me fará chegar à capital e lá tentar, mais uma vez, apresentar meu trabalho", frisa.

Segundo ele, a ida à capital pode lhe abrir muitas portas, inclusive com apresentações em lugares de destaque. "A gente vai tentando, tentando, até um dia conseguir", diz.

A vida de músico não tem sido fácil. Aos 38 anos, Antônio Luiz é pai de um garotinho que necessita de cuidados especiais e se mantém através do trabalho como operador de máquinas e da música. "A música me deu muitas coisas. Mas tive que fazer alguns cursos técnicos para entrar noutro tipo de mercado, a fim de manter a minha família", comenta.

"Apesar de tudo", a música sempre foi sua "maior paixão". "Toquei ao lado de bons músicos desta cidade; pessoas pelas quais tenho grande admiração", salienta. "A vida do músico não é fácil, principalmente daqueles que querem viver de forma séria, tocando e se aprimorando. Além disso, há a noite, onde os músicos se apresentam e revelam o seu talento. Tocar na noite desgasta um pouco, mas é prazeroso", revela.

Durante muitos anos, Antônio Luiz morou nas ruas e enfrentou grandes dificuldades com relação a se manter e mesmo aprender o que mais gostava. "Na rua aprendi a me virar e encontrei na música um sentido para viver. Foi através dela que conheci pessoas que me ajudaram. Morei na rua por muitos anos, mas sempre soube trabalhar", revela.

Nos momentos em que não estava aprendendo música, Luiz fazia pequenos trabalhos no Centro: Lavava carros, fazia bicos, descarregava caminhões, "tudo de forma honesta". "Graças a Deus nunca precisei fazer nada ilegal. Aos 38, tenho o meu nome limpo e a consciência também", fala, reforçando que ainda alimenta o desejo de um dia tocar na Banda Artur Paraguai. "Nunca tive oportunidade de entrar. Estudei dois anos na Escola de Música e penso em voltar. Falta apenas a oportunidade", diz.

Sobre os seus projetos para o futuro, Luiz pretende continuar ajudando crianças que queiram aprender música. "Só preciso de instrumentos para dar minhas aulas. Infelizmente, não tenho condições de comprá-los e não tenho quem patrocine minhas aulas. Gostaria muito do apoio de alguma empresa da cidade. Sou Amigo da Escola e sei da importância de trabalhos como esse", salienta.

Sempre "andando com as próprias pernas", como gosta de frisar, Luiz acredita que pequenos gestos podem fazer a diferença numa comunidade necessitada também de arte. "Os jovens necessitam desse contato com a arte musical que, infelizmente, não tem sido para todos. Um dia isso mudará", comenta, enquanto mostra o vídeo de sua participação no programa da Globo. "Vou voltar e, se Deus quiser, trazer mais essa conquista para a cidade", finaliza.

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Mawell

abril 12, 2012

UM ANJO EM BUSCA DE UM REPOUSO

 Jaime Aquino, um dos idealizadores da transferência do Anjo Azul
para o conjunto Alagamar, e o escultor Jordão, autor da obra, à direita
fotografia: Rodrigo Sena

UM RUMO PARA O ANJO AZUL
  
Por
Yuno Silva

Há quase dois anos, desde que a galeria de arte Anjo Azul encerrou suas atividades, a enorme escultura plantada no jardim da casa número 953 na avenida Hermes da Fonseca, Tirol, estava sem rumo. Sem eira nem beira. O custo para remover a obra de 12 metros de altura, incluindo transporte e reinstalação, foi estimado entre R$ 20 mil a R$ 30 mil e já havia inviabilizado pelo menos três tentativas de encontrar um novo endereço para o Anjo Azul. Mas, felizmente, o verbo 'estar' foi conjugado no pretérito imperfeito do indicativo e a escultura, concebida pelo artista plástico Jordão, está sendo desmontada desde terça-feira (10).

O trabalho, acompanhado de perto pelo artista, é lento e cuidadoso, pois a escultura terá que ser removida por partes e remontada como um quebra cabeças de 28 toneladas, e a previsão é que seja concluído em 30 dias - até a tarde de ontem, Jordão e seus dois ajudantes tinham retirado apenas os adornos da base e iniciaram a remoção das asas.

A obra será relocada para a praça Omar O'Grady, localizada no Conjunto Alagamar, em Ponta Negra, zona Sul da capital potiguar. "Vai ficar um pouco escondido, queria que ele ficasse em um lugar mais movimentado, mas, diante da falta de opção, é melhor ir pra lá do que ser detonado", disse Jordão. "Minha causa é salvar o Anjo Azul, e acredito que vão cuidar bem dele."

Jordão informou que ainda não há recursos suficientes para concluir o trabalho: "Temos apenas o necessário para iniciar. Estou buscando o dinheiro que falta, procurando parceiros, a Fundação José Augusto também se comprometeu em ajudar com dinheiro. Agora não tem como voltar atrás: o trabalho já começou e a palavra do Governo do Estado (leia-se FJA) está empenhada", sentencia. Segundo Jordão, a Prefeitura de Natal, através da Secretaria de Serviços Urbanos, dará todo o suporte para realizar o transporte. "A Semsur comprou ferramentas, alugou algumas máquinas e garantiu R$ 5 mil para ajudar nas despesas", enumera o artista. Ele acredita que, com as parcerias, o custo deve ficar bem abaixo dos R$ 30 mil inicialmente previstos.

Leane Fonseca, assessora de imprensa da Semsur, confirma o apoio na logística. "Ainda não há uma data marcada para a remoção, pois dependemos do andamento do trabalho do artista, mas garantimos esse transporte. Também iremos preparar o novo local para receber a escultura", adiantou. Leane frisou que a Secretaria está atendendo o pedido de moradores do bairro.

  Casarão que abrigava  o Anjo Azul foi vendido 
...E  o destino da escultura de Jordão continuava incerto
fotografia:: Aldair Dantas

FORÇA COMUNITÁRIA

Jaime e Valéria Aquino, moradores do conjunto Alagamar, contaram que um grupo de moradores vem se reunindo para buscar melhorias para a praça Omar O'Grady (nome do prefeito de Natal entre 1924 e 1930). "Criamos uma comissão com 10 moradores, e depois que lemos a matéria 'O anjo que ninguém quer' (publicada em fevereiro na TRIBUNA DO NORTE) decidimos nos mobilizar pra trazer o Anjo Azul pra cá", recorda Valéria.

Ela contou que a reunião comunitária realizada na praça há mais de um mês contou com a presença de representantes da Semsur, da Urbana e da Polícia Militar. "Fizemos um movimento grande. E se ninguém quer o Anjo, nós queremos, e acredito que o bairro todo também quer", aposta. Nos planos da moradora está a promoção de programação cultural periódica. "Queremos colocar o espaço para funcionar."

O advogado Jaime Aquino, esposo de Valéria, lembrou que no começo houve resistência por parte do empresário Adroaldo Carneiro, novo proprietário do imóvel onde funcionou a Galeria Anjo Azul, onde será construída sede da filial natalense da loja pernambucana de tapetes. "Depois de tantas idas e vindas com relação à obra, ele tinha receio de não conseguirmos apoio para relocar a escultura. Mas deu tudo certo: conseguimos formalizar a doação." Para Jaime, a praça deverá ganhar mais atenção dos moradores do bairro e "pode se tornar um ponto turístico", fato que poderá melhorar a frequência do local.

 "Esperei encontrar alguém interessado que cuidasse bem dele"
José Jordão

HISTÓRICO

Quando a Galeria Anjo Azul fechou as portas, em 2010, a primeira opção era doar o Anjo Azul para a Prefeitura do Natal, que poderia instalar a escultura em qualquer ponto da cidade. Mas a ideia acabou não prosperando, principalmente devido o custo do serviço de remoção. Com o imóvel já sob responsabilidade do empresário Adroaldo Carneiro, cogitou-se transferir, em abril de 2011, a obra para a praia de Caraúbas, em Maxaranguape,  litoral Sul do RN - também não deu certo. Por último, em fevereiro deste ano, antes dos moradores do Conjunto Alagamar manifestarem interesse, houve a intenção (igualmente frustrada devido as despesas previstas) de levar a obra de 12 metros de altura para a serrana Monte das Gameleiras.


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Yuno Silva

abril 10, 2012

MARCUS BABY: O MAGO DA TOY ART POTIGUAR

 MARCUS BABY
 artista plástico que cria bonecas e bonecos de celebridades

 FAZER BONECAS É MINHA TERAPIA

Via
Tribuna do Norte

Marcus Vinícius Bernardo? Provavelmente, poucas pessoas saberão quem é. Mas se o destaque for para Marcus Baby, o natalense que ganha fama confeccionando bonecas de famosos, fatalmente milhares saberão de quem se trata. Depois de seis anos que produziu a primeira boneca, inspirada na cantora Baby do Brasil, Marcus ganha projeção nacional. Por enquanto, as bonecas dão fama, mas ainda não se transformaram em negócio. Nenhuma das mais de 100  bonecas produzidas por ele, como a de Dilma Rousseff, Leny Kravitz, Madonna, Hebe Camargo e Xuxa, foi comercializada. Propostas, é verdade, não faltaram. Mas Marcus afirma que esse é um hobby, que gerou a coleção de bonecas, mas ele não vende nenhuma. 

E como todo hobby, esse natalense não se impõe tempo para concluir a boneca, mas afirma que produziu Ivete Sangalo em três anos. Já Regina Duarte, no papel de Viúva Porcina, foi feito em poucas horas. A confecção das bonecas de famosos é uma terapia que soa como coisa séria. Afinal, Marcus confirma que chega a receber telefonema da assessoria de alguns famosos pedindo para ele criar bonecas só para que o artista volte a mídia, através da boneca. 

A "menina dos olhos", a boneca da cantora e atriz potiguar Khrystal Saraiva

A ARTE DE CUSTOMIZAR BONECOS

O técnico de edificações e artista plástico Marcus Baby estava vendo televisão quando foi exibida uma reportagem com o cantor Frejat do Barão Vermelho. Na matéria ele viu vários  bonecos de outros artistas  de rock que estavam na casa do cantor.  O programa despertou em Marcus o desejo de colecionar bonecos semelhantes. Como o custo destes bonecos é  elevado no Brasil veio a ideia - por que não fabricar os meus próprios bonecos? Do sonho para o projeto já se vão seis  anos e hoje a coleção particular - que não está à venda - frisa o colecionador,  reúne inúmeros bonecos(as) que retratam artistas nacionais e internacionais, a maioria de astros da música, uma das paixões de Marcus.

Para fazer seus bonecos customizados, isto é, expressar a sua forma de visualizar o artista que vai retratar, Marcus Baby é criterioso e entre pesquisas na Internet, confecção do figurino e resultado final chega a passar quatro meses trabalhando neles. "Eu já tinha paixão por coleções e anteriormente já tinha tido gibis, revistas e canetas". O artista disse que a ideia amadureceu  quando estava visitando um amigo que faz shows como "transformista" e viu duas bonecas Barbie em sua casa. "Sugeri ao meu amigo que ele transformasse a boneca em Elba Ramalho, mesmo papel que ele gosta de apresentar como artista transformista".

"O resultado ficou ótimo", lembra  Marcus. "Achei que poderia fazer um trabalho semelhante mas só iniciei os estudos para customizar uma boneca e transformá-la na cantora  Baby do Brasil depois que ganhei uma boneca Barbie e um boneco Ken de um amigo".

Obcecado pelos detalhes, Marcus Baby é criterioso na escolha dos materiais que utiliza para fazer com que os bonecos se pareçam com os artistas que costuma retratar. "Preciso achar que a boneca(o) tenha as características de quem vou retratar além de estar inspirado para conclui-lo. de modo contrário não tem como o trabalho ficar finalizado".

A dupla que faz o maior sucesso no Zorra Total, Valéria e Janete,
 transformadas em bonecas pelas mãos do artista plástico Marcus Baby

CRIAÇÃO DE CADA BONECO DEMORA ATÉ QUATRO MESES

Criterioso com os detalhes dos bonecos que têm todas as características dos artistas, Marcus Baby diz que prefere trabalhar com as bonecas Barbie originais,  cujos modelos mais simples custam a partir de R$ 20. O artista criou, por exemplo, um método próprio para conseguir o efeito de cabelos frizados, caso por exemplo, do cabelo do guitarrista Pepeu Gomes. Do  primeiro  boneco Ken, Marcus conseguiu um belo efeito visual alternando água quente e fria com os cabelos do boneco.  O efeito final lembra com incrível realismo a época em que o Pepeu usava os cabelos  de forma semelhante. "Costumo percorrer bazares, lojas e também ganho acessórios de amigos e amigas que conhecem meu trabalho para conseguir os materiais que usarei na customização dos bonecos".

A dedicação e o cuidado que Marcus Baby tem com seus bonecos customizados são reconhecidos não só por quem aprecia este tipo de arte como também por alguns artistas que retrata. A cantora potiguar Marina Elali, por exemplo,  ficou encantada com a boneca que a retrata. Marcus conta que a própria cantora escreveu para ele depois que viu a boneca que  a representa. "Ela gostou tanto do trabalho que pediu autorização para inclui-la num clipe musical que vai lançar".

Outra artista que gostou da boneca que a representa e entrou em contato com o Marcus foi a atriz Katiuscia Canoro que representa o personagem Lady Kate no programa Zorra Total da Rede Globo. "Ela me deixou uma mensagem no Orkut elogiando o trabalho em que a retrato". Da mesma forma que os outros trabalhos desenvolvidos  por Marcos, a boneca "Lady Kate" impressiona pela riqueza de detalhes como os apliques de cabelo que fazem parte do personagem, além das bijuterias. Outros artistas como a cantora Pitty também elogiaram o trabalho do artista.

Dos 67 bonecos que deixa expostos no apartamento que também é usado como oficina de criação, Marcus Baby mostra predileção por alguns artistas. A cantora Madonna, por exemplo, ganhou 18 modelos diferentes que retratam diferentes fases da cantora em suas respectivas turnês musicais. A cantora Baby do Brasil também ganhou  três versões. A predileção por cantoras ou atrizes é explicada pelo artista. "É mais difícil trabalhar com bonecos homens". Apesar das dificuldades, na coleção do artista aparecem o ator Sylvester Stallone (através do personagem Rambo), o cantor inglês George Michael, além do Axl Rose - vocalista do Gun' and Roses.

A cantora baiana Margareth Menezes vira  boneca por Marcus Baby

CURTINDO FORA DA CASA DE BONECAS 

Marcus Baby é viciado em cultura pop. Não à toa, seu trabalho com bonecos artisticamente trabalhados ganhou fama nacional. Baby reproduz fielmente todas as celebridades que ele tanto gosta, de cantores a personagens de televisão. Hoje ele dedica várias horas de seus dias à produção de suas peça invendáveis, sem saber se é hora da balada ou do descanso.  "Minha vida é desregrada nesse aspecto, e por isso, mais divertida, mais inspiradora, mais produtiva. Isso sem falar que sou workaholic assumido", diz. Mesmo assim, fora da "casa de bonecas", o artista plástico aproveita vários momentos do dia.

"Como sou muito urbano e necessito da agitação da metrópole para sobreviver e realizar meus projetos, costumo frequentar lugares que me inspiram e ao mesmo tempo me tragam conforto. Em Natal quando a agenda permite, costumo fazer programas típicos de classe média, como ir a shoppings. Frequento muito a Livraria Saraiva pelo volume de títulos e o tratamento magnífico dos funcionários. Entro lá para consumir mesmo, comprar. Minhas últimas aquisições foram 'Rock In Rio - A História do Maior Festival de Música do Mundo', do Luiz Felipe Carneiro, e 'Basquiat', do Leonhard Emmerling.

Sou viciado em livros fotográficos, biografias, almanaque e tudo que diz respeito ao universo pop. Sobre baladas, já sou mais pacato e quando não saio para um evento/compromisso, vou para reuniões informais com amigos ou familiares. Acho que o que me atrapalha é o fato de não gostar de dirigir, principalmente à noite e sozinho. Mas, quando amigos de fora aparecem, vamos a locais  para dançar como a Vogue Natal.

 "Sou viciado em Cultura Pop"

Desde criança que sou viciado em fast-food e quando não tenho tempo de passar em casa, prefiro mil vezes comer em locais rápidos como o McDonalds, Burger King e Subway. Adoro esse tal 'molho secreto' que eles colocam entre o hamburguer e a verdura do sanduiche. Almoço legal no Coronel Mostarda da Av. Airton Senna, porque lá tem variedade de opções, capricho, e um cheiro de 'comida da mamãe'. Também amo a comida e o aconchego do Tia Tereza, escondidinho em Petrópolis. Quando chego tarde em casa, geralmente janto antes nesses trailers de rua, como  o Tanakas.

Como estou no momento trabalhando em meu primeiro filme, o curta-metragem 'Hits!', ando muito ligado em tudo que diz respeito a cinema, videoclipes, e passei a dedicar um tempo maior a estudar o assunto, zapear canais extremamente pop. Assisto tudo, desde novelas, desenhos, jornais, seriados, até programas de auditório e propaganda política, mas confesso não perder um único capítulo do reality The Ultimate Fighter com o Vitor Belfort e Wanderlei Silva. 

Ultimamente passei a ser mais assediado por fãs e fotógrafos, então fui instruído a dedicar o sábado como meu "dia de beleza". Daí semanalmente faço um verdadeiro city-tour em locais especializados. Meu happy-hour é  na Banca Mix, um verdadeiro point, minha parada obrigatória para ler, lanchar, rir muito e me encontrar com a galera. Por não me encaixar dentro dos "padrões" locais, infelizmente continuo achando Natal uma cidade provinciana que não gosta muito de inovar, de colocar algo diferente do trivial. Sinto falta de brechós, lojas alternativas, academias 24 horas, ambientes que fujam do esqueminha potiguar "praia-axé-forró-barzinho" porque nem todo mundo que vive, mora, ou vem a nossa cidade está interessado ou é obrigado a curtir esse tipo enraizado de entretenimento."


abril 08, 2012

UMA CIDADE QUE NÃO EXISTE MAIS...

  "O centro nunca saiu de mim. E eu estou de volta ao velho centro"

CRÔNICA DE UMA CIDADE QUE NÃO EXISTE MAIS

 Por
Tácito Costa

Tinha 8 anos quando cheguei em Natal. Naquela época, 1969, a Avenida Rio Branco, no centro, concentrava o melhor do comércio. As lojas chiques e populares (Casa Duas Américas, Lojas Brasileiras, Casas Cardoso), o hotel mais luxuoso (Ducal Palace), a livraria mais importante (Universitária), e o cinema Rex, se espalhavam ao longo desta que era a principal avenida da cidade.

Os shoppings não haviam ainda chegado. A Rio Branco era um imenso shopping a céu aberto e aos domingos eu vestia a melhor roupa e ia olhar as vitrines ou ao cinema, quando o dinheiro dava.

Foi nessa avenida, no coração da Cidade Alta, que vim morar. Quase em frente ao Colégio Winston Churchill. Foi nela em que andei pela primeira vez de elevador (Edifício São Miguel) e de escada rolante, implantada pioneiramente nas Lojas Brasileiras. Alumbramentos que o menino matuto, nascido em Santana do Matos, jamais esqueceu.

Em casa tínhamos uma Tv de segunda mão, preto e branco, com imagem de qualidade sofrível. Aqui e ali ela quebrava e passava dias para ser consertada. Como eu adorava os seriados (Viagem ao Fundo do Mar, Daniel Boone, Perdidos no Espaço…) me valia nessas horas das TVs que ficavam ligadas na entrada das lojas de eletrodomésticos da Rio Branco.

Partindo de casa, no rumo do Alecrim parava na primeira que estivesse com a televisão ligada. A mais próxima era a Socic. A mais longe, já chegando ao Baldo, era a Lojas Chalita. Entre as duas, ficavam a Casa Régio, Casa das Máquinas, Galeria Olimpio e J. Resende, algumas no entorno, como A Sertaneja.

Eram lojas que a gente sabia quem eram os donos. Radir Pereira (A Sertaneja), José Resende (J. Resende), Luís Cavalcanti (Casa das Máquinas), Habib Chalita (Lojas Chalita), Galeria Olimpio (João Olimpio) Reginaldo Teófilo (Casa Régio). Destas, acho que somente a Socic era de fora ou seu dono não era muito conhecido nos meios sociais e empresariais natalenses.

Destes empresários, o que recordo mais nitidamente é Luís Cavalcanti. Por duas razões: parecia um galã de filme americano e tinha um reluzente Dodge Dart, um dos poucos senão o único de Natal naquela época. Também me chamava a atenção o dono da Lojas Chalita. Pela aparência e nome desconfiava que não fosse brasileiro. Anos depois fiquei sabendo que era árabe.

Hoje, todas essas pessoas e lojas não existem mais. Mas penso que tenho uma pequena dívida com elas. Permitiram-me, em alguns momentos, não interromper aquelas tardes de sonhos diante dos meus seriados e heróis preferidos.

Moramos dez anos na Rio Branco e depois em outras ruas da Cidade Alta: Padre Pinto, Vigário Bartolomeu e Gonçalves Lêdo. Tornei-me um autêntico Xaria. Saí há alguns anos e retornei.

O centro nunca saiu de mim. E eu estou de volta ao velho centro.


...fonte...
 Tácito Costa
www.substantivoplural.com.br