abril 24, 2012

É PAU, É LATA, É ESTE O CAMINHO

PROJETO PAU E LATA
Idealizado em 1996 pelo músico  Danúbio Gomes
"Ensinando não só música, mas arte, história e construindo valores"
Atualmente com 13 núcleos espalhados pelo Rio Grande do Norte e Alagoas 
fotografia: Fábio Pinheiro 

PAU E LATA MUITO ALÉM DOS RITMOS

 Por
 Jéssica Barros 

Misturar ritmos da cultura popular e criar musica através de 'instrumentos' nada convencionais reciclados. Esta é a cara do projeto Pau e Lata. Idealizado em 1996 em Maceió por Danúbio Gomes, seu coordenador até hoje, o projeto surgiu em em uma escola pública do estado onde ele prestava trabalho comunitário dando aulas de música e teatro. Na oportunidade de se criar uma banda de música na instituição, veio a ideia de as crianças produzirem seus próprios instrumentos a partir de materiais que elas podiam trazer de casa. Atualmente com 13 núcleos espalhados pelo Rio Grande do Norte e Alagoas, o projeto conta com cerca de 380 integrantes e sua visibilidade só cresce.

No RN, tudo começou em 1997, no município de Baía Formosa, onde Danúbio teve a oportunidade de desenvolver o projeto e despertou o interesse de outras instituições e prefeituras pela ideia inovadora, seguindo depois para Natal. Na capital potiguar, Danúbio, em parceria com colegas do curso de Música da UFRN, desenvolveu o grupo Pau e Lata, que passou a fazer apresentações e ministrar oficinas, tendo inicialmente sua música composta por instrumentos convencionais e recicláveis. Segundo o coordenador do projeto, "o Pau e Lata é montado em um tripé ideológico: a questão artística, por meio da música; a questão sócio-ambiental (com a reutilização de materiais); e a politico-pedagógica (ensinando não só música, mas arte, história e construindo valores)".

Flautista por formação, Danúbio pôs na prática o que era um sonho

Com o nome "Pau e lata: projeto artístico pedagógico", Danúbio Gomes explica que, além das aulas de teoria musical, toda a questão histórica do ritmo que está dentro do repertório é trabalhada dentro do processo pedagógico, "porque a gente entende que só ensinar a tocar a música é muito pouco. Perde-se tempo em se poder fazer outras coisas além disso. A própria música é um elemento pedagógico, um elemento educativo", diz.

A partir de 2000, o Pau e Lata virou projeto de extensão da UFRN, a maior parceira desde então, oferecendo a infra-estrutura necessária para o grupo ensaiar, ministrar suas oficinas e realizar outras ações. No núcleo da universidade, o foco pe formar agentes multiplicadores que, segundo explica Danúbio Gomes, aprendem para passar a ideia do projeto adiante e posteriormente coordenarem os outros núcleos do projeto. Como é o caso da estudante de Teatro Karina de Oliveira.

Karina, desde cedo envolvida com música, está há dois anos no projeto. Ela conta que já conhecia o Pau e Lata através de suas apresentações em eventos, mas só entrou no grupo quando ingressou na UFRN. O que lhe chamou a atenção foi a reutilização de materiais para fazer música, como também os ritmos tocados, que ela diz nunca ter ouvido antes. De acordo com Karina, sua ideia inicial ao participar do projeto era apenas tocar, mas quando entrou para a realidade do Pau e Lata, viu que "era muito mais que isso", como diz. "As relações criadas lá dentro, as pessoas que você conhece, o conceito pedagógico... É um crescimento pessoal também", conta ela. Este ano, Karina passou de apenas integrante e começou a ministrar oficinas no bairro de Felipe Camarão. Segundo ela, o projeto "é uma forma mais dinâmica e lúdica de lidar com a música".

PAU E LATA
O projeto conta com cerca de 380 integrantes e sua visibilidade só cresce
 combatendo  as adversidades com  um trabalho de qualidade

TRABALHO DE RESISTÊNCIA

Com apresentações compostas 70% por músicas autorais e 30% sendo adaptações de músicas já conhecidas, o grupo trabalha com o desenvolvimento dos ritmos considerados da cultura popular, como maracatu, coco de roda, ciranda, samba, samba-reggae e rap. Os ensaios do núcleo na UFRN acontecem toda segunda e quarta, das 19h às 21h, na Praça Cívica. Para participar, não é necessário ter noções de música nem pagar qualquer valor, apenas ter vontade de aprender e de contribuir com o projeto. 

Flautista por formação e idealizador do Pau e Lata, Danúbio Gomes fala da realidade que se encontra a cena cultural brasileira. Segundo ele, as deficiências já foram piores no passado, mas ainda se tem muito a superar no futuro, pois história da cultura no Brasil é repleta de sacrifícios e as dificuldades não são exclusivas dos que trabalham com música. Danúbio fala que sempre houve uma hiper-valorização do que vem de fora, mas essa realidade vem mudando há alguns anos.

Está sendo valorizado também o que existe no Brasil e o que é feito no país para os brasileiros. Para ele, é real essa valorização do exterior, mas também é real que sempre houve uma resistência aos problemas enfrentados, pessoas que lutaram ao longo da história em prol da cultura brasileira e é isso que lhes dá força a continuar resistindo, fazendo o que o Pau e Lata faz, mas Danúbio ressalta que não dá para combater as adversidades sem um trabalho de qualidade.
 
RITMOS
O grupo trabalha com os ritmos considerados da cultura popular,
 como maracatu, coco de roda, ciranda, samba, samba-reggae e rap

Coordenador do núcleo de Mossoró, poeta e cordelista, Amendoim conta que iniciou seu contato com o Pau e Lata em 2004, fazendo intervenções poéticas nas apresentações do grupo. Além da musicalidade, o regionalismo das batidas o encantou. Ele diz que o trabalho é difícil e muitas vezes têm até que lidar com o preconceito de algumas pessoas.

Como em Mossoró, o trabalho é realizado com criança de comunidades de baixa renda, é comum o grupo se envolver com as famílias das crianças que particpam do projeto. "Muitas vezes o problema está em casa e a gente primeiro dissocializa para depois ressocializar aquela criança". Amendoim friza o perfil pedagógico do projeto, que traz novos conceitos e valores aos jovens. "Muitas embalagens, inclusive, são tidas como não-reaproveitáveis pelos fabricantes e nós mudamos isso", diz ele.

Os ensaios do núcleo na UFRN, a maior parceira desde então, 
acontecem toda segunda e quarta, das 19h às 21h, na Praça Cívica

Ocupação da Câmara - Durante a onda de protestos contra o poder público municipal de Natal no primeiro semestre de 2011, membros do grupo Pau a Lata participaram do movimento de ocupação da Cãmara Municipal de Natal. Segundo o coordenador do projeto, Danúbio Gomes, a ação segue de acordo com a ideia inicial do projeto, desde que o Pau e Lata escolheu trabalhar música com crianças de uma forma não convencional, com a construção desse material por elas crianças e isso traz muito da posição político-ideológica do grupo.

Segundo Danúbio, o projeto trabalha também com a construção de valores e isso é expressado não só na sua arte, mas também onde o grupo toca, como se apresenta e quando o Pau e Lata se envolveu com a ocupação foi porque entenderam que "era necessário participar daquele processo, porque fazemos parte de um movimento como um todo em prol da cultura, da educação e da cidade", diz ele. Os integrantes do grupo passaram 11 dias na Câmara e transferiram todas as suas atividade para o local ocupado, realizando seus encontros semanais e oficinas. Danúbio diz que o que aconteceu de fato na ocupação foi "uma aula de campo em todas as instâncias envolvidas", relata. 


...fonte...
 Jéssica Barros // Especial para O Poti
jessicabarros.rn@dabr.com
  

abril 21, 2012

TROPA TRUPE CONTAGIA SÃO PAULO

O ano de 2012 começou diferente para o Tropa Trupe
Sem sede fixa, o  grupo circense está em São Paulo desde março passado

 CIRCO SEM FRONTEIRAS
GRUPO POTIGUAR FAZ TURNÊ POR SÃO PAULO

Por
Yuno Silva

O grupo circense Tropa Trupe, sem sede fixa desde julho do ano passado quando a lona montada na UFRN rasgou pela enésima vez, resolveu cair na estrada e descortinar outros palcos antes de retomar as atividades em Natal. Desde março em São Paulo, onde permanecem até o fim de maio, a trupe vem contabilizando participação em uma série de eventos enquanto formatam novos planos para utilizar os recursos recebidos através do edital ProCultura 2010 - Programação de Espaço Cênico, do Ministério da Cultura/Funarte.

Com o prêmio de R$ 100 mil (valor bruto), pretendem investir em outra lona e renovar a programação, mas, por enquanto, a meta dos potiguares é adquirir qualificação, trocar experiências, expandir os horizontes e ampliar os contatos.

Em pouco mais de 50 dias de viagem, com os espetáculos "O Equilibesta" e "Tic Tac - a televisão encantada" na bagagem, passaram pela 3º Convenção Baiana de Malabarismo, Circo e Arte de Rua na Chapada Diamantina (BA) antes de chegarem a São Paulo, onde já circularam por sete cidades como Bauru, Marília, São Carlos, São José do Rio Preto e Araraquara. Na capital paulista integraram a programação do Festival Grito Rock; realizaram oficinas de clown; se apresentaram no Circo do Beco, no charmoso bairro da Vila Madalena; e participaram da Palhaceata durante as comemorações do Dia do Circo (27 de março). A primeira turnê nacional da Tropa Trupe também inclui parada em Brasília, onde participam do Festclown em maio.
 
"Depois que a lona rasgou, decidimos mudar o rumo e investir na formação e na circulação", disse Renata Marques, produtora do grupo. Ela contou que em dezembro de 2011, quando esteve no Congresso Fora do Eixo, estreitou contato com o Palco Fora do Eixo, a frente das artes cênicas da rede. "A partir desse encontro consegui articular e garantir a circulação da trupe em São Paulo."

Rodrigo Bruggemann, ou palhaço Piruá, reforça: "Quando a Tropa Trupe perdeu sua sede resolvemos que era o momento de buscarmos novas perspectivas, de irmos atrás de formação, informação e divulgação." Rodrigo planeja esticar até a Argentina antes de voltar ao RN.

Para ambos, a arte circense é vista de outra maneira fora dos limites do território potiguar. "São Paulo continua sendo a cidade das possibilidades, aqui circulam e se encontram muitas pessoas e culturas, desde o artista mambembe até os grandes circos do mundo, e isso faz com que o circo seja visto com outro olhar", garantem. Independente da valorização, pois o desafio da sustentabilidade é igual em todos os lugares, a grande diferença está na quantidade de pessoas envolvidas e no número de espaços cênicos estruturados, entre outros detalhes. "Esses fatores contribuem na valorização dos artistas", verifica Renata.

Questionado sobre as deficiências no RN, Rodrigo ressalta a falta de "quase tudo": "Começando pela ausência de um núcleo de formação pra instigar novos talentos e apreciadores; em seguida um espaço de integração das artes, onde os grupos possam trocar experiências entre si. Falta gestores competentes que entendam a complexidade e a demanda da cultura circense", enumera. Para ele, a falta de união dos "fazedores de arte", independente de segmento, dificulta a construção de políticas públicas para o setor.

O importante, afirmam, é que a turnê está superando as expectativas: "Nem todas as apresentações são garantidas por cachê, algumas vezes passamos o chapéu em outras fazemos pela oportunidade de divulgar e contribuir com nosso trabalho, mas estamos fazendo contatos importantes, trocando tecnologias de produção. Acredito que nossa atuação no Sudeste irá aumentar, é apenas o começo, e nas próximas já estaremos mais experientes", afirma Rodrigo.

A Trupe foi formada em Natal (RN) no ano de 2006. É um dos mais respeitados grupos circeses do Nordeste. O grupo se apresenta com diversas modalidades como perna de pau, malabares, pirofagia, luminotecnia, tecido, corda tensa, arame, monociclo e palhaço. A proposta do grupo circense é resgatar a alegria e magia do circo através do palhaço e do domínio de diferentes modalidades.

A Trupe oferece treze números diferentes para apresentações de palco ou rua,
além de oficinas como de malabares, perna de pau, tecido e acrobacia aérea 

FUNCIONAMENTO DA REDE FORA DO EIXO

A rede Fora do Eixo, criada em Cuiabá (MT) há sete anos, busca, entre outras coisas, viabilizar a circulação de artistas sediados fora do eixo Rio-São Paulo a partir da máxima de que "a união faz a força". Com atuação colaborativa focada na comunicação, na produção cultural e na arte, o FDE hospeda os integrantes da Tropa Trupe na Casa Fora do Eixo SP, uma das sete bases mantidas no país pelo coletivo - no Nordeste, a casa do coletivo funciona em Fortaleza.

Há quase dois meses na estrada, os potiguares afirmam que, em 95% dos casos, contam com suporte da rede através do que chamam de "hospedagem solidária". "Depois que chegamos em São Paulo, as coisas foram articuladas (alimentação, hospedagem, e, em alguns casos, ajuda de custo para transporte) na base da troca troca e da colaboração. Contribuímos com algumas despesas básicas da casa FDE, ajudamos a manter o lugar limpo, e recebemos esse suporte em troca; as negociações são diferentes em cada lugar", explicou Renata Marques.

O importante para se manter por lá, pelo visto, é ter: boa vontade, trabalho e arte para oferecer - dinheiro é consequência e o que vale é a experiência, o aprendizado e amplitude das possibilidades.

Dentre as atividades vivenciadas pela Tropa Trupe, representada em São Paulo por Rodrigo, Renata e mais Gabriel HernanRodriguez (palhaço Fino) e Luísa Guedes (palhaça Pepita e acrobata aérea na técnica de tecido),  Bruggemann destaca a apresentação do Circo no Beco "com a estréia do número 'I want to break free', criado e dirigido pelo argentino Walter Velazquez". Já Renata Marques chamou atenção para o evento em frente ao Teatro Municipal de São Paulo, parte da programação do Dia do Circo, junto com outros grupos conceituados de São Paulo: "Foi bem legal e simbólico."


...fonte...

...frase...
"Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria"
Charles Chaplin

...visite...
http://tropatrupe.blogspot.com.br/

abril 19, 2012

CHICO BUARQUE... UM ARTIGO DE LUXO

 “Não é um garoto, mas se existisse no reino animal um bicho
pensativo e belo e  eternamente jovem que se chamasse garoto,
Francisco Buarque de Hollanda seria dessa raça montanhosa. “
Clarice Lispector
   
...edição especial...

CHICO BUARQUE NA CAPITAL POTIGUAR

Por
Henrique Arruda

Já faz algumas semanas que todos os “chicólatras” de Natal/RN estão inquietos. Não é para menos. Passadas mais de duas décadas desde a sua última apresentação na cidade, a crise de abstinência vai chegando ao fim. E Já é certo que Chico Buarque de Holanda,  passando  por aqui, lote de suspiros apaixonados e sentimentos de admiração cada centímetro do Teatro Riachuelo.

A primeira vez que esteve em Natal foi no início dos anos 70, quando, a convite do jornalista Paulo Macedo, Chico se apresentou no Clube do América sendo a principal atração da “Festa Brasileira das Personalidades”, organizada rotineiramente pelo jornalista.

“Eu me lembro que escolhi ele por causa da música A Banda que estava fazendo grande sucesso na época”, justifica o jornalista. Paulo foi até o Rio de Janeiro e sendo contratado pela TV Tupi, como conta, foi fácil chegar até o cantor, acertando o “pagamento adiantado”. “O equivalente a 400 mil reais hoje”, conta Paulo.

Em tempos de ditadura militar, não era de se estranhar que as Forças Armadas questionassem a escolha de Chico para a festa. “As Forças Armadas criticaram veementemente, Chico estava na berlinda. Mas confesso a você, não o trouxe com nenhuma intenção política”, admite.

Nem tudo saiu como planejado. Paulo já havia fechado com a TV TUPI para transmitir ao vivo a apresentação, no entanto, quando Chico viu toda a estrutura armada, incluindo os carros da emissora, se recusou a fazer show.

“Eu não sei porque, mas na época ele era contra se apresentar na TV, e disse que se fosse para ser exibido ele não iria fazer o show”, lembra Macedo, frisando que ficou muito deprimido por não ter sua festa transmitida.

Por mais que fosse tímido e não falasse muito, como conta o jornalista, Chico foi extremamente educado e não fez nenhuma grande exigência para a apresentação. “De todos que trouxe, somente Roberto Carlos exigiu que pintassem o corredor do hotel, que a louça fosse esterelizada e etc”, afirma.

 Depois de mais de 20 anos sem se apresentar em Natal
compositor fará show no Teatro Riachuelo

De acordo com o que se lembra, o show de Chico também foi o primeiro a lotar completamente o Clube do América. “Vendemos 500 mesas e a diretoria teve que ficar na porta para evitar que mais pessoas entrassem”, conta. O público era misto e composto insclusive por pessoas de outros estados.

“Recife tentou, Fortaleza também, mas somente nós conseguimos o show. Então o dancing do América ficou tomado de gente”, recorda.

O jornalista Albimar Furtado, que além de cobrir a apresentação, entrevistou Chico Buarque, lembra que na época o cantor estava refinando seu estilo musical e lançando o que se tornaria um dos marcos pela liberdade de expressão, “Cálice”.

“Foi a primeira vez que se ouviu Cálice em Natal, que ele fez em parceria com Gilberto Gil. Muitos diziam que a sua música na época estava se afastando de uma de suas maiores influências, Noel Rosa”, opina.

Até mesmo a aparência, pelo que Albimar descreve, refletia amadurecimento na carreira. “Ah, ele já estava com um bigodão, cabelos mais compridos e bem diferente daquele Chico comportado do início da carreira”, comenta.

Entre uma cerveja ou outra, a entrevista aconteceu no Hotel Reis Magos, onde Chico ficou hospedado, após ter pego a estrada vindo de um outro show em João Pessoa. “Porque na verdade veio ele e o MPB4 para a apresentação, já chegaram tarde no sábado e a conversa foi bem rápida”, recorda.

Fã de Chico Buarque, Albimar não sabe se decidir sobre sua música favorita, mas comenta que do novo trabalho, “Chico”, lançado em julho do ano passado, ele destacaria Nina. “É uma valsa belíssima, mas Chico tem uma obra muito ampla. Não dá para escolher uma que seja a melhor”, afirma.

 "Chico não tem mais o esplendor de antes - já seu talento literário, 
curiosamente, cresceu nos últimos anos"
 Hagamenon Brito

 POR QUE NÃO VOU A CHICO BUARQUE?

Por
Fabio Farias

O motivo  é curto e grosso: porque R$ 380 é muito dinheiro. E nem se fosse por R$ 190, a meia-entrada que infelizmente não tenho mais direito, eu também não iria. É muito para passar pouco mais de uma hora ouvindo músicas que provavelmente já tenho no meu computador, ou que posso vê-las serem cantadas por Chico Buarque em qualquer DVD de especiais dele.

Do ponto de vista econômico, do custo-benefício, para mim não vale a pena. Nada aqui de desvalorizar o trabalho de Chico que é um dos maiores compositores brasileiros e também um puta escritor (sim, faço parte do grupinho que gosta da literatura de Chico Buarque), mas uma questão de ordem econômica: pagar mais de R$ 100 em um show, para mim, é um absurdo completo.  Não importa quem seja o cantor.

É óbvio que mora aí uma questão de mercado. E essa questão se movimenta basicamente em dois eixos: um, o fato de Chico Buarque raramente fazer shows, o que valoriza as apresentações ao vivo dele; dois, o fato de haver uma espécie de endeusamento quase místico da figura do artista que, mesmo genial como ele é, não passa de um ser humano de carne e osso como todos nós.
 
Eu entendo essas coisas de fãs, de blábláblá, do cara ser charmosão e tudo o mais. Tenho uma tendência a acreditar até que muita gente vai ao show mais pela figura dele e pelo o que ele representa, do que pelas músicas em si. Coisa que deixa a situação mais ilógica ainda para mim. Dispensar uma pequena fortuna para simplesmente ver um indivíduo cantar não consegue ser coerente na minha cabeça. E não importa se é Chico Buarque, Bob Dylan, ou – sei lá – Leonard Cohen.

Chico Buarque se apresenta em Natal nos próximos dias 28 e 29 de maio
E olha que o preço é salgado, a inteira é R$ 380,00 e a meia R$ 190,00
Mesmo assim...  os ingressos não chegam para quem quer!

É bom frisar que o preço exorbitante ocorre por culpa da produtora local. No Rio de Janeiro, por exemplo, o ingresso mais barato para um show de Chico Buarque custava R$ 60, um valor que já considero pagável. Enquanto que em Recife o ingresso mais barato estava a R$ 140 e em Natal – terra dos pseudos novos ricos – o mais barato sai ao nada palatável valor de R$ 180 – para mim um abuso.

Vale a comparação, o preço mais barato do ingresso aqui é o triplo do que é pago no Rio de Janeiro e em São Paulo para assistir ao mesmo show. Justo? Óbvio que não, muito menos lógico. Me pergunto se os custos do show em Natal são o triplo do show no Rio de Janeiro, tendo a acreditar que não. Mas como há pessoas que não se importam com a exploração comercial disso, a produtora abusa no preço e o consumidor de cultura, sobretudo aquele que é liso, mas que também é fã, sai prejudicado.

Li em algum lugar no twitter: melhor é comprar um Whisky, chamar os amigos, ficar em casa e assistir a um DVD ou BlueRay dele. Serão quase as mesmas músicas. E com as vantagens de ser mais barato, mais confortável e o sujeito ainda não precisaria esperar numa fila imensa para tentar garantir a entrada ao show. Bendita Geni.

Ps. A termos de comparação: preço mais barato de Caetano e Maria Gadu em Natal no ano passado: R$ 100. Maria Bethania: R$ 125. Chico: R$ 180. O ingresso mais barato de Chico Buarque custa 44% mais caro do que o da Bethânia. A produção dele é, também, 44% mais cara?


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Henrique Arruda
Fabio Farias

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abril 18, 2012

A ARTE IMITANDO A VIDA

  Filmes foram produzidos em 2009 e serão apresentados em Havana em maio
Produtores ficaram supresos com o empenho das comunidades
fotografia: Diego Cabral

 NÓS NA TELA EM CUBA

Por
Yuno Silva

Intuição e sensibilidade foram postas em prática durante realização do projeto "Nós na Tela", que circulou por diversas cidades do Rio Grande do Norte difundindo conceitos da produção audiovisual em localidades afastadas dos centros urbanos. A ideia é simples, mas o resultado representa a costura cultural de uma colcha de retalhos digna da atenção dos potiguares. Promovido pelo Coletivo Nós na Tela, o projeto percorreu 18 municípios, produziu 15 roteiros e materializou oito filmes - sendo seis curtas e dois média-metragens.

O grande diferencial da iniciativa se dá na base primordial do processo criativo, onde o argumento para elaborar os roteiros partiu da própria comunidade envolvida. "Passamos, em média, 15 dias em cada lugar, trabalhando conceitos teóricos (de cinema e vídeo, de roteiro, de produção e de atuação) seguido da prática. Os filmes seguiam um argumento e um roteiro básicos, que se desdobravam no decorrer do processo de gravação", contou Geraldo Cavalcanti, diretor e roteirista da série.

Os filmes, produzidos em 2009, estão todos prontos e o lançamento oficial está marcado para o mês de maio, em Cuba, dentro da programação paralela da 11ª Bienal de Artes Visuais de Havana - as exibições no RN aguardam um posicionamento da Fundação José Augusto, parceira no projeto. "A intenção é que os filmes sejam exibidos nas Casas de Cultura", adiantou Cavalcanti. Quando os filmes forem lançados, todas as mais de 400 pessoas que participaram do projeto irão receber cópias dos filmes que participaram.

Além do diretor e roteirista, também estão envolvidos na realização da série Nós na Tela o artista visual Guaraci Gabriel, que fez a direção de arte; Nilson Eloy (captação de áudio e vídeo); Silbene Batista (preparação de elenco); Fernando Gurgel (edição de imagens e finalização); Miryanna Albuquerque (câmera e produção); Rodolfo Holanda e Maxson Savelle (produção); e o fotógrafo Vladimir Alexandre. 

Atrelado à produção audiovisual, o Coletivo acredita contribuir com o  fortalecimento da identidade cultural e na valorização da auto-estima do potiguar.

 Produções contaram com elenco local
fotografia: Carla da Costa   
 
PRODUÇÃO DE FILMES REVELA TALENTO NATO DE ANÔNIMOS

Entre as particularidades observadas durante a produção dos filmes, Guaraci e Cavalcanti destacaram ao VIVER a "descoberta  de artistas talentosos", como o garoto Dudu, 9 anos, de Serra Negra do Norte, cidade onde a equipe rodou o média-metragem "O Pacto": "Ele nunca tinha atuado, mas chorou diante da câmera e repetiu várias vezes uma cena onde levava uma queda. Se jogava mesmo, se entregou ao trabalho de uma forma que surpreendeu a todos! Saía mancando, todo ralado, dizendo que não era nada e que estava pronto pra outra", lembrou Geraldo.

"O Pacto" narra uma história baseada em 'fatos reais' sobre o tal acordo que um morador de lá fez com o diabo: "A princípio relutei em fazer o filme, mas foi uma escolha da comunidade e o resultado ficou muito bom. Ficou com um clima surreal", recordou o diretor.

Em São José de Mipibu, o destaque do elenco foi outro garoto, Marcos Freire, de 10 anos. "No filme 'Em Família' ele teve que fazer uma cena difícil, de abuso sexual. Tivemos o cuidado de prepará-lo, conversamos com a família, que acompanhou toda a gravação, mas ele virou pra equipe e disse: 'Entendi, estou preparado para isso'. São situações como essas que surpreenderam a gente." Geraldo informou que a produção audiovisual no Seridó potiguar está em franco desenvolvimento: "Tem gente fazendo filmes com celular, tem realizador criando séries com personagens fixos, mesmo sem nunca ter ido ao cinema. As pessoas têm mais noção do que pensamos, e são altamente dedicadas."

Já o curta-metragem "As Marias" trata de solidão a partir da relação entre duas senhoras, ex-prostitutas, que após fecharem o bordel passam a morar juntas, Geraldo chama atenção para Dona Dôra, 63. Professora aposentada, Maria das Dores Bezerra Assunção improvisou e disse por telefone ao VIVER que "foi uma lição de vida, fiquei muito feliz de ter participado." Dona Dôra contracenou com Eliete Regina, proprietária do Violão de Ouro. "Sensibilidade não se ensina", garantiu Geraldo Cavalcanti, para quem os melhores trabalhos são realizados por pessoas "que sabem muito ou por pessoas que não sabem nada, as únicas capazes de desconstruir o personagem."
 
  Equipe do projeto audiovisual Nós na Tela
fotografia: Guaraci Gabriel   
 
CONVITE INICIAL PARTIU DA CURADORIA DA BIENAL DE HAVANA

A oportunidade para exibir a série em Cuba é fruto de uma confluência de episódios, desencadeada pelo convite de Ibis Hernandes, curadora da Bienal. "Ela esteve em Natal, já conhecia nosso trabalho e lançou a proposta de fazermos algo semelhante com o 'Nós na Tela' durante a Bienal de Havana", disse Guaraci Gabriel, que embarca no próximo mês com Geraldo e mais três membros da equipe para a capital cubana para completar o ciclo da "Ação Cosmopolita de Artes Integradas". A missão do grupo é concluir a construção de uma narrativa audiovisual iniciada por estudantes de escola pública do RN (a definir) com alunos da escola José Martin, da província de Santa Fé, em Havana.
 
"A partir daí, articulamos com Frank Padrón (crítico cubano de cinema que esteve em Natal em 2007 participando da primeira edição do Festival Goiamum Audiovisual) o lançamento da mostra Nós na Tela", comemorou Geraldo Cavalcanti, que aproveitará a ocasião para finalizar o documentário "Mariposa Blanca" iniciado em 2006, durante participação de Guaraci na Bienal daquela ano. "Foram três coelhos com uma cajadada só", festejou Gabriel, que divide a direção do documentário com Cavalcanti. 

Padrón representa o Instituto Cubano Del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC) e a TV Casa Produtora (televisão estatal de Cuba), e a mostra "Nós na Tela" fará parte da programação paralela da 11ª Bienal de Artes Visuais de havana.  

"Mariposa Blanca" aborda o conceito de liberdade, criado pelo modelo de produção capitalista, como ideal utópico e "faz paralelo entre a liberdade exercida nos países democráticos e em Cuba". O ator Jorge Perugorria, de "Morango e Chocolate", "Estorvo" e "Navalha na Carne", está no elenco do documentário, cuja produção ainda prevê entrevista com Fidel Castro. "Já estamos vendo essa possibilidade", adiantou Guaraci Gabriel. "Vai rolar!", emenda com convicção.
 

...fonte...
Yuno Silva

O TESOURO DE DEÍFILO GURGEL

 Deífilo estudou e documentou o folclore nordestino há mais de três décadas
e lamentou  o desinteresse da população pelo folclore. 
Ele, porém, não desistiu!
 fotografia: Giovanni Sérgio

 "ROMANCEIRO POTIGUAR"
LANÇAMENTO DO LIVRO DO SAUDOSO DEÍFILO GURGEL
 
Por 
Assessoria de Imprensa 
Secult-RN/FJA

A Coleção Cultura Potiguar, que reúne os mais diversos temas da literatura norte-rio-grandense, da Secretaria Extraordinária de Cultura do RN e Fundação José Augusto (Secultrn/FJA) terá mais uma obra entre seus títulos. Dessa vez, uma das mais ilustres: O Romanceiro Potiguar, que será lançado hoje, 18/04,  no Palácio Potengi - Pinacoteca do Estado, a partir das 19h. O livro será adquirido ao preço de R$ 40. O Romanceiro Potiguar é uma obra inédita do folclorista e pesquisador Deífilo Gurgel - falecido em fevereiro deste ano - fruto de uma pesquisa realizada entre as décadas de 1980 e 1990 e que reúne um dos mais ricos apanhados da oralidade dos romanceiros, tanto de origem Ibérica quanto brasileira. O livro conta com ilustrações do presidente do Conselho Estadual de Cultura, Iaperi Araújo.

De acordo com Alexandre Gurgel, que em algumas viagens ao longo dos dez anos de pesquisa acompanhou o pai, Deífilo Gurgel conversou com muitas pessoas para a elaboração d´O Romanceiro Potiguar, como por exemplo, seu Atanásio, detentor deste saber popular e pai de outra conhecida romanceira, Dona Militana, que também figura na pesquisa, dentre muitos outros. Com esse feito, andando de norte a sul pelo Estado, Deífilo Gurgel conseguiu compilar romances que fazem parte do cancioneiro popular, desde as origens Ibéricas (da Espanha e Portugal), passando pelos romances Religiosos, do Cangaço, da Caatinga e da Pecuária. "Ele viajou o Estado inteiro e conseguiu reunir uma obra que preserva pelo menos cinco origens de Romances. E o mais importante desse trabalho é que ele conseguiu colher versões inéditas de alguns romances", informa o filho.

Para a secretária Extraordinária de Cultura, Isaura Rosado, O Romanceiro Potiguar dignifica o plano editorial do Governo do Estado conduzido pela Secultrn/FJA. "Deífilo pesquisou em sítios, vilas, povoados, nos espaços mais distantes do RN, seu trabalho é reconhecido para além do solo potiguar. Pensando em cultura de tradição, a assessoria de Deífilo sempre foi imprescindível. Digo isso para atestar minha admiração enquanto gestora, ao pesquisador, amigo, estudioso da cultura popular. Digo isso para expressar o quanto nos orgulhamos de Deífilo e o quanto as gerações que nos sucederem serão gratas a ele pelo registro e proteção às nossas raízes", disse ela em apresentação da obra.

D. Militana
 A maior romanceira do Brasil
 Passou anos desassistida de tudo, menos dos olhares de Deífilo Gurgel
fotografia: Lenilton Lima

O poeta e membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, Paulo de Tarso Correia de Melo, é quem faz a abertura do Romanceiro Potiguar, a convite do próprio Deífilo Gurgel e em determinado trecho, revela o apuro e dedicação deste que, certamente, foi um dos maiores estudiosos da cultura popular no RN e no Brasil: "O milagre é o mesmo de seus outros livros de pesquisa folclórica. A documentação precisa e conscienciosa de sempre. O relacionamento exato de fontes, lugares e datas da situação de pesquisa. Desta vez quero realçar o registro de saborosíssimos epílogos prosificados e por vezes prosificações completas de romances registrados acuradamente".

O trabalho e pesquisa de Deífilo Gurgel foi realizado de maneira solitária, já que não conseguiu bolsistas ou outros interessados na pequisa. E assim, aos 70 anos, Deífilo Gurgel de dispôs a "cansativas", porém "gratificantes" viagens pelo Rio Grande do Norte "à cata das últimas pepitas desse fabuloso tesouro, representadas pelas quase trezentas versões de romances, que coletamos nas mais diversas regiões do nosso Estado, dos romanceiros peninsular e brasileiro", escreve o próprio pesquisador em seu livro, agora póstumo.

O livro é constituído das seguintes divisões: Romances Ibéricos e Romances Brasileiros, que se subdividem-se da seguinte forma: Romances Palacianos, acontecidos entre a nobreza europeia; Romances Religiosos ou Sacros, que falam da vida de Jesus e de episódios ocorridos na vida de santos do catolicismo; Romances Plebeus, da gente do povo; Romances da Pecuária, que contam a vida de bois legendários: Boi Espácio, Boi Misterioso, Boi Surubim; Romances do Cangaço, relatos da vida e da morte de valentões sertanejos, desde épocas remotas: "Zé do Vale", "O Cabeleira" e vários outros; Romances Burlescos, encenados outrora em teatrinhos mambembes e circos de cavalinhos. Ao todo são 330 versões de romances ibéricos e brasileiros.

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 Assessoria de Imprensa 
Secult-RN/FJA

abril 16, 2012

CANTANDO E SEGUINDO A CANÇÃO

 DENICE MARIA
 Licenciada em Música pela UFRN, canta profissionalmente em Natal/RN 
apresentando-se  em supermercados, restaurantes e festas particulares
 um raro exemplo ao conseguir tirar desse trabalho seu sustento 

 TALENTOSOS, MAS DESCONHECIDOS

Por
Jéssica Barros
Especial para O Poti/Diário de Natal

É comum passar por bares, restaurantes, praças de alimentação e outros estabelecimentos comerciais e se deparar com uma música ambiente vinda de um artista potiguar pouco conhecido pela maioria da população. A missão dele é, além de mostrar seu trabalho, entreter os clientes. Muitos são esses artistas independentes que mostram seu talento anonimamente na esperança de ter uma oportunidade no cenário musical potiguar ou de tentar seu sustento através da música.

Ao que se sabe, trabalhar com cultura no estado exige muita dedicação. São inúmeras as dificuldades e poucos os incentivos. Mas, para os que realmente apostam no futuro, musical perseverança é a palavra de ordem. É o caso da jovem e talentosa cantora potiguar Denice Maria, um exemplo de artista que correu atrás do seu sonho desde cedo e que está sempre em busca de novas experiências. Com apenas três anos se apresentando profissionalmente na cena musical independente do RN, Denice consegue viver da música e lançou recentemente seu CD, intitulado Baú, com 12 canções de sua autoria.

Vinda do interior do Estado, da cidade de Rafael Fernandes, Denice conta que tudo começou aos 13 anos, quando sentiu despertar o interesse pelo violão. Em seguida, descobriu o dom do canto e passou a investir em apresentações de voz e violão. Entre seus 14 e 15 anos, Denice começou a fazer participações em eventos de sua cidade natal e percebeu que estava na música o seu futuro. Veio para Natal, se formou em Música pela UFRN e hoje se apresenta em barzinhos, casamentos, supermercados e festas em geral. Ela diz que, atualmente, já é possível um artista viver da música na capital e, trocando experiências com outros artistas mais antigos, percebe que, hoje, há mais oportunidades para os artistas do que antigamente.

Fazendo um repertório nacional que vai de MPB a pop rock, Denice conta que, mesmo com mais oportunidades, é difícil trabalhar música independente em Natal. Com incentivos minguados, ela afirmaque alguns colegas se sentem desmotivados e chegaram a desistir da carreira, o que não é o caso dela.

PRESENÇA IGNORADA

Na correria do dia a dia, muitas vezes o público sequer nota a presença do artista no local, mas Denice diz que isso não a desmotiva. "Sempre tem alguém que para, elogia, diz que pensava que era um CD tocando. Principalmente as crianças prestam mais atenção e chegam até a dar 'tchauzinhos', que eu retribuo [risos]. A troca de energias com o público é o que me motiva a seguir em frente", diz ela.

O advogado Eduardo Costa, cliente da rede de supermercados em que Denice se apresenta, diz que tem o hábito de fazer suas compras no local ao som da cantora, elogia o repertório e confessa que, apesar de sempre parar para ver as apresentações de Denice enquanto toma seu "cafézinho", nunca teve a iniciativa de perguntar sobre quem era a cantora. "Eu apenas sento e aprecio a música", confessa. 

 Abmael também gravou CD, mas com interpretações da MPB

QUANDOS OS FINS DE SEMANA SÃO DE MUITO TRABALHO

Outro artista da terra que se apresenta de forma independente na noite é o cantor Abmael. Formado em Publicidade e tendo cursado parcialmente Jornalismo, ele diz que é na música que se encontra, apesar das dificuldades do meio. Abmael, que decidiu começar a se preparar para cantar na noite aos 20 anos, em 2002, passou a estudar canto e se apresenta em barzinhos da cidade desde 2006. Ele diz que são raras as exceções de artistas que conseguem viver da música no estado e que não basta ter talento. "É preciso ter com você pessoas que façam a coisa acontecer, isso é o principal", avalia.

Atualmente, com um repertório voltado para a MPB, Abmael lançará ainda este mês seu primeiro CD, com interpretações de grandes sucessos da MPB tradicional, ao mesmo tempo em que estuda Design Gráfico e procura um emprego fixo, já que, para ele, viver da música ainda não é uma realidade.

ROTINA INVERTIDA

É no fim de semana que a rotina de intensifica. De quinta-feira a domingo, muitos bares e restaurantes da capital - apesar dasrecentes proibições a algumas casas que se encontram em bairros residenciais - contam com música ao vivo. E é nesse período que a demanda por artistas, nem sempre conhecidos pelo público, aumenta. De acordo com Denise Maria, o volume de shows cresce em períodos de alta estação de turistas, como no começo, meio e final do ano. "Nos outros meses depende muito dos contatos do artista para manter uma boa frequência de apresentações", explica. Já Abmael diz que, independentemente se o bar é famoso ou um "boteco", qualquer experiência é válida. "O mais importante é não ficar parado".
 
Grupo Fullsion apresenta versões covers de bandas do cenário rock

 GRUPOS ALTERNATIVOS ENCONTRAM NOVOS REFÚGIOS

A falta de incentivos e a pouca visibilidade dada aos artistas independentes não fica apenas àqueles que se apresentam em barzinhos e tocam os estilos musicais mais comuns, como MPB e pop rock. Trabalhar com música é ainda mais difícil para os que fazem um bom ainda mais alternativo, como as bandas de rock n'roll. Segundo André Pinheiro, guitarrista da banda Fullsion, que toca covers de várias bandas clássicas de rock, como AC/DC e Pink Floyd, "como em todo o Nordeste, aqui o rock é desprivilegiado em detrimento do forró".

Apesar de a cena rock ser limitada no estado, André diz que esse cenário vem mudando aos poucos com a chegada de alguns bares específicos para o público mais alternativo, como é o caso do Hell's Pub e do Whiskritório, que abrem espaço para as bandas mostrarem seu trabalho interpretando grandes clássicos do rock.

Nesse estilo é ainda mais dificil pensar em viver apenas da música. Perto de lançar CD demo com quatro músicas inéditas, entre as dificuldades que as bandas de rock enfrentam, o guitarrista da Fullsion reclama do escasso espaço para divulgação de trabalho autoral, além da má remuneração. André lembra que, antigamente, era raro receber cachê. "As bandas tocavam de graça e muitas vezes tinham que vender uma quantidade 'xis' de ingressos e prestar contas para tocar. Atualmente, as coisas vêm mudando, mas as dificuldades persistem", conta. 

 "Bons equipamentos de som e estudando música 
são fatores essenciais para qualquer artista"
Denice Maria

O QUE FAZER?

Desistir de ter a música como profissão pode até ser uma opção a seguir, mas essa hipótese não parece passar na cabeça desses artistas. A cantora e compositora Denice Maria diz que o segredo é não desistir. Estar sempre atualizando o repertório, não cair da mesmice e investir em si mesmo comprando bons equipamentos de som e estudando música são fatores essenciais para qualquer artista. Cantando também em corais, a cantora acredita que conhecer outros estilos musicais, como música erudita, só tem a acrescentar ao artista. "Conheço coisas novas e me preparo melhor, uma coisa complementa a outra", diz Denice.

Abmael também nem pensa em abrir mão da música. Apesar de procurar um emprego fixo para ter mais estabilidade, quer continuar investindo na carreira e, posteriormente, pretende explorar seu lado compositor, cantando sempre aos finais de semana em barzinhos da cidade e fazendo eventos particulares que, segundo ele, são os que dão maior retorno financeiro ao artista. Abmael diz não esquecer de sua primeira apresentação, quando ele tremia e até esqueceu parte da letra da música, "mas é exatamente a sensação que cada apresentação passa que o motivo a seguir em frente", conclui. 

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 Jéssica Barros
jessicabarros.rn@dabr.com.br

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abril 14, 2012

POTIGUARES CHEIOS DE CHARME NA TV

  Cheias de Charme: Titina Medeiros é aposta como vilã,
 que já chega com estatus de "quinta protagonista"
 
POTIGUARES ESTREIAM NA GLOBO

Via
TV Globo - Tribuna do Norte - Diário de Natal

Estreia nesta segunda-feira, 16, a nova novela da Rede Globo, Cheias de Charme, que traz no elenco dois atores potiguares: César Ferrario e Titina Medeiros. César, integrante do grupo Clowns de Shakespeare, fará o papel temporário de um motorista de caminhão que terá um romance com Socorro (Titina). Durante a novela, César aparecerá de vez em quando... de acordo com o coração de Socorro.

Já Titina - que dará vida à personagem Socorro, terá destaque durante toda a trama. Nascida no Rio Grande do Norte, a atriz é considerada, pelos autores e a direção, uma grande aposta da novela. "Ela vai arrebentar, é uma atriz talentosíssima", diz Izabel de Oliveira, autora da novela ao lado de Filipe Miguez.

Os convites para os papeis surgiram durante a turnê que os atores realizaram com os Clowns pelo Brasil com o espetáculo Sua Incelença, Ricardo III. No segundo semestre os atores estarão juntos novamente na preparação da nova montagem dos Clowns de Shakespeare, o espetáculo Hamlet. 

 CÉSAR FERRARIO
Integrante do Clowns de Shakespeare, vive o personagem Morvan, 
que aparecerá em alguns capítulos da nova novela

 TITINA MEDEIROS EM CHEIAS DE CHARME

Na trama televisiva, ela é uma piauiense que vem para o Rio morar com o irmão Naldo (Fábio Lago). Ela será empregada em várias casas, sempre aprontando. Futriqueira, entrona, truquenta, perigosa. É colega de condomínio de Penha (Taís Araújo), Cida (Isabelle Drummond) e Rosário (Leandra Leal), que não confiam nela.

Fã de Chayene (Cláudia Abreu), sua conterrânea, Socorro vai fazer de tudo para trabalhar na casa da cantora. Louca, aprontando mais uma das suas,  vai até se fazer passar pela cantora num show, subindo ao palco e imitando as coreografias da artista. Porém, o público descobre a farsa e Socorro passará por momentos delicados.

Em Cheias de Charme, Socorro está muito longe de ser a profissional exemplar. Ao contrário de Cida (Isabelle Drummond), Penha (Taís Araújo) e Rosário (Leandra Leal) e tantas outras empregadas domésticas que ralam pesado para pagar as contas no fim do mês, ela está sempre maquinando uma forma de se dar bem sem esforço. Socorro mesmo! Essa peste promete ser a pedra no sapato das patroas e das colegas de trabalho.
 
Titina Medeiros faz sua primeira novela interpretando esta figura. Para a atriz, Socorro tem um quê de folclórico. “Ela é o Saci-Pererê, que é uma figura mítica que vem para provocar o caos. E é um malvado que ninguém percebe como malvado. Ele é visto com graça. A Socorro é essa figura popular dentro da novela. Ela faz errado, mas ela é engraçada, ela é humana”, explica Titina que aposta que a empregada irá conquistar o público pelo humor.
 
  Titina no papel da doméstica que inferniza a vida das colegas
Socorro promete aprontar muito em Cheias de Charme 
fotografia: Cheias de Charme / TV Globo
 

DE SHAKESPEARE PARA A GLOBO

Há quase vinte anos, a adolescente Izabel Cristina de Medeiros percebeu que não adiantava querer controlar o destino em seus mínimos detalhes. Acalentando o desejo de atuar como jornalista profissional, seus planos foram abalados logo na primeira ida ao teatro, quando ela foi pela primeira vez assistir a um espetáculo, Pranto de Maria Parda, com a atriz portuguesa Maria do Céu Guerra. "Quando saí de lá, eu sabia que era aquilo que eu queria fazer da vida". Ela então começou a procurar no jornal oficinas de teatro em Natal e foi estudar com Jesiel Figueiredo. A primeira peça encenada por ela foi A Bela Adormecida, em 1993. O ano seguinte foi de dedicação ao vestibular para o curso de jornalismo. Em 1995, Titina conheceu o Grupo Tambor de Teatro onde trabalhou com João Marcelino, a quem ela se refere como "grande mestre".

"Como não amar João Marcelino? João me ensinou tudo: como amar o teatro, como amar a profissão. Eu acho que João me deu o maior presente que é o amor por uma profissão. Mesmo que eu não esteja mais trabalhando com ele hoje porque os caminhos se distanciaram, eu tenho ele como meu grande mestre. Ele me ensinou a respeitar o teatro, a amar o teatro como uma profissão, como uma atividade possível".

A peça O Príncipe do Barro Branco, encenada em 1997, é considerada por Titina o seu primeiro trabalho profissional. "A gente demorou um ano e meio para montar o espetáculo. Foi um ano e meio de escola,  não foi só montar o espetáculo, foi aprendizado da linguagem, foi muito especial". Em 1998 o grupo Tambor acabou e Titina desenvolveu diversos trabalhos com novas parcerias. "Eu fiquei um tempo meio perdida no sentido de que eu comecei no teatro de grupo e de repente me vi sem grupo, mas não deixei de trabalhar. Fazia todos os autos, esquetes, trabalhei muito com Isaque Galvão, com Nara Kelly. Essa foi uma fase legal porque como eu fiquei solta eu comecei a trabalhar com muita gente e isso me fez ter relações com os profissionais de teatro daqui de vários segmentos, grupos". Em 2003 ela começou a trabalhar com o Clowns de Shakespeare onde está até hoje. "E pretendo me aquietar por aqui".

  Titina Medeiros no premiado espetáculo Sua Incelença Ricardo III,
 já fazia o público rir bem antes de sonhar em fazer novela

Dona de grandes olhos verdes, sorriso largo e um ar de seriedade que deixa transparecer o alto nível de seu compromisso com a carreira, Titina Medeiros declarou que "Tudo aconteceu muito rápido, chega a ser assustador. Mas estou tranquila, segura". E não é de hoje que Titina tem um pézinho na comédia, atriz há 16 anos, ela faz parte do grupo Clowns de Shakespeare. Ou seja, a potiguar já fazia o público rir bem antes de sonhar em fazer novela. “Não que eu tivesse preconceito. É que eu decidi sempre morar em Natal e fazer teatro para as pessoas de Natal. A TV ficava num lugar muito distante”, explica a atriz.
 
Dos palcos para as telinhas, Titina ainda está se adaptando à nova dinâmica: “Desde que eu comecei a gravar a novela, eu não sei muito o que eu estou fazendo. Até sei, mas é muito diferente do teatro”. Engraçada, a atriz compara o processo a tomar um caldo sem afogamento: “Estou me permitindo estar nessa onda.”.
 
"Foi bom reconhecer na equipe que vai estar comigo no estúdio um técnico de som que havia trabalhado comigo em 2003 e 2004 no quadro (do programa Fantástico) 'Brasil Total' quando fiz três programas falando aqui do RN", comemorou. Titina falou sobre a fabricação do doce chouriço, a encenação da Paixão de Cristo em Apodi e a pesca do siri em Ponta Negra.
 
Sem tantas turbulências ou morrer na praia, Titina conta que se inspirou em mulheres do povo e em uma travesti para dar vida à espevitada Socorro: “Não é um personagem que vou longe para elaborar. Ela está próxima de mim”, confessa a atriz assumindo o seu lado popular.

E se tudo der certo na TV e outros convites surgirem? "Eu nunca parei para pensar nisso. Eu estou nesse trabalho, estou chegando agora, eu não tenho muita expectativa não. É uma responsabilidade muito grande lidar com a expectativa das pessoas. Eu já sou tão feliz, eu digo isso com a maior tranquilidade, do fundo do meu coração. Eu quero viver esse momento, eu entro pensando no agora. Depois eu tenho um Hamlet para montar, eu tenho um grupo para trabalhar, parceiros. O universo é tão generoso que me deu esses amigos, essa estrutura, eu acho que o artista, quando ele tem essa estrutura para trabalhar, tem tudo".


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 tvg.globo.com
Yuno Silva
www.tribunadonorte.com.br
www.diariodenatal.com.br

abril 13, 2012

...ACONTECE PARA QUEM ACREDITA

 ANTÕNIO LUIZ SOBRINHO
Ex-morador de rua, o músico autodidata, quer concorrer mais vezes
em quadros  televisivos. Do "Se vira nos 30", Globo, ao "Qual é o seu talento?", do SBT

  VIVENDO DA MÚSICA

 Por
Mawell
Jornal Gazeta do Oeste

Na casa simples na Rua Ministro Tasso Dutra, 47, no bairro Redenção, em Mossoró/RN, reside Antônio Luiz Sobrinho, um músico autodidata que já conseguiu "muitas coisas através da música", como ele mesmo gosta de salientar. "Quando comecei a me dedicar à música, muitas pessoas me ajudaram, porque à época eu não tinha condições para comprar nenhum instrumento. Como "arrumador de bandas" tive acesso a um pessoal que tinha contatos dentro da Escola de Música Pedro Ciarlini. A partir daí comecei a estudar no lugar. Primeiro, a teoria; depois, a prática. Devo a muita gente ali dentro quase toda a minha formação musical. Um dos professores que mais me ajudaram na Escola de Música foi Marcondes Melo", salienta Luiz.

O mossoroense Antônio Luiz Sobrinho ficou conhecido no País por tocar, de uma só vez, três instrumentos, em 2005, durante uma das edições do quadro "Se vira nos 30", do Domingão do Faustão. Este ano, ele quer repetir a proeza, porém, com o acréscimo de mais um instrumento, o violão. "Eu toco o zabumba, um tambor de bateria, flauta e quero incrementar com o violão. Estou treinando todos os dias para chegar lá outra vez e levar o nome da cidade comigo", fala, enquanto se prepara para uma "pequena demonstração" à reportagem. "Você toca algum instrumento?", pergunta ao repórter e sorri.

Com o equipamento montado de forma improvisada, o músico aproveita o pequeno espaço da sala como "estúdio" para testes musicais. "Aqui estou me aprimorando para mais uma vez tentar ganhar o "Se vira nos 30". Em 2005 fui o vencedor da edição. Com o dinheiro que ganhei lá (15 mil reais, à época), reformei minha casa, aumentei mais uns vãos e comprei o que estava precisando. Aquele dinheiro me ajudou muito e me deu um pouco de conforto para mim e minha família", diz o músico, mostrando a ampliação que fez na residência.

Trabalhando como operador de máquinas até pouco tempo, Antônio Luiz Sobrinho sonha mais uma vez em levar seu talento para a televisão e, enquanto esse dia não chega, continua fazendo o que mais gosta e se dedicando a causas sociais, através de aulas de música como voluntário do projeto Amigos da Escola. "Se eu tivesse mais apoio, certamente teria mais condições de me manter como voluntário do programa Amigos da Escola, mas não tenho e agora preciso buscar outros meios de me manter", comenta, de forma simples, e agradece, mesmo com todas as dificuldades que enfrenta diariamente, o pouco apoio recebido. "Gosto de agradecer a todos aqueles que me ajudam. Nunca me esquecerei, por exemplo, do apoio que recebi da Irmã Ellen, bem como das merendas nas escolas pelas quais passei", diz, enquanto mostra um dos instrumentos. "Comecei tocando tambor e depois busquei outros instrumentos que me deram também liberdade criativa", fala, enquanto a esposa intervém e diz que Antônio Luiz Sobrinho é um exemplo de músico criativo. "Mas é uma pena que não receba o apoio necessário daqueles que podem fazer muito mais por artistas como ele", comenta, reforçando que um dos desejos do marido é ensinar ao maior número de pessoas. "O sonho dele é de um dia ensinar na Escola de Música Pedro Ciarlini", fala.   
 

VIDA DE MÚSICO 

Antônio Luiz é um exemplo de músico que "não espera acontecer". Esta semana, com o desejo de viajar para a capital, a fim de se apresentar em logradouros públicos e de inscrever, mais uma vez, no quadro Se vira nos 30 e no Qual é o Seu Talento?, o músico vendeu um violão. "Tive que vendê-lo, a fim de fazer o dinheiro que me fará chegar à capital e lá tentar, mais uma vez, apresentar meu trabalho", frisa.

Segundo ele, a ida à capital pode lhe abrir muitas portas, inclusive com apresentações em lugares de destaque. "A gente vai tentando, tentando, até um dia conseguir", diz.

A vida de músico não tem sido fácil. Aos 38 anos, Antônio Luiz é pai de um garotinho que necessita de cuidados especiais e se mantém através do trabalho como operador de máquinas e da música. "A música me deu muitas coisas. Mas tive que fazer alguns cursos técnicos para entrar noutro tipo de mercado, a fim de manter a minha família", comenta.

"Apesar de tudo", a música sempre foi sua "maior paixão". "Toquei ao lado de bons músicos desta cidade; pessoas pelas quais tenho grande admiração", salienta. "A vida do músico não é fácil, principalmente daqueles que querem viver de forma séria, tocando e se aprimorando. Além disso, há a noite, onde os músicos se apresentam e revelam o seu talento. Tocar na noite desgasta um pouco, mas é prazeroso", revela.

Durante muitos anos, Antônio Luiz morou nas ruas e enfrentou grandes dificuldades com relação a se manter e mesmo aprender o que mais gostava. "Na rua aprendi a me virar e encontrei na música um sentido para viver. Foi através dela que conheci pessoas que me ajudaram. Morei na rua por muitos anos, mas sempre soube trabalhar", revela.

Nos momentos em que não estava aprendendo música, Luiz fazia pequenos trabalhos no Centro: Lavava carros, fazia bicos, descarregava caminhões, "tudo de forma honesta". "Graças a Deus nunca precisei fazer nada ilegal. Aos 38, tenho o meu nome limpo e a consciência também", fala, reforçando que ainda alimenta o desejo de um dia tocar na Banda Artur Paraguai. "Nunca tive oportunidade de entrar. Estudei dois anos na Escola de Música e penso em voltar. Falta apenas a oportunidade", diz.

Sobre os seus projetos para o futuro, Luiz pretende continuar ajudando crianças que queiram aprender música. "Só preciso de instrumentos para dar minhas aulas. Infelizmente, não tenho condições de comprá-los e não tenho quem patrocine minhas aulas. Gostaria muito do apoio de alguma empresa da cidade. Sou Amigo da Escola e sei da importância de trabalhos como esse", salienta.

Sempre "andando com as próprias pernas", como gosta de frisar, Luiz acredita que pequenos gestos podem fazer a diferença numa comunidade necessitada também de arte. "Os jovens necessitam desse contato com a arte musical que, infelizmente, não tem sido para todos. Um dia isso mudará", comenta, enquanto mostra o vídeo de sua participação no programa da Globo. "Vou voltar e, se Deus quiser, trazer mais essa conquista para a cidade", finaliza.

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Mawell