maio 09, 2012

SUELDO SOARESS SEGUE POR AÍ...

 Considerado um dos mais expressivos nomes do cenário musical potiguar,  
 o cantor já trocou experiências com Gilberto Gil, Alceu Valença, Toquinho,
Geraldo Azevedo, Morais Moreira,  Paulinho da Viola  e Chico César. 
Uma vivência  por varias cidades do Brasil, além de França, 
Alemanha, Espanha, Marrocos e EUA
  
SUELDO SOARESS SEGUE POR AÍ...

Por
Sérgio Vilar

No nome artístico ou na música cosmopolita, Sueldo Soaress (com os dois "s") é plural. Tem a cara do mundo, jeitão moleque mesmo aos 50 anos. E olha que já são 30 anos de batalha na estrada pedregosa da música local, comemorado com uma releitura musical no Espaço Cultural Casa da Ribeira, nesta quinta-feira, 10/05.  O show Vou Por Aí Em Cantos é homônimo ao quarto e novo álbum, ainda em processo de mixagem. O experimento sonoro, o teste de aceitação das 12 faixas inéditas ele verá durante a apresentação. Aliás, um dos títulos é uma releitura antiga, clássica de seu repertório. É a música Sandra, de Gilberto Gil - dos primeiros sucessos da trajetória de Sueldo, quando ele e Pedro Mendes juntavam uma galera boa no extinto Buteco - época em que a Praia dos Artistas era point e novos talentos natalenses despontavam.

Sueldo foi dos primeiros músicos a ganhar fama em Natal na década de 1980. À época, só Pedro Mendes, Babal, Expedito, bandas bailes também famosas e artistas em início de carreira circulavam por bares ainda presentes no imaginário natalense daquela década: Bar do Buraco, Boca da Noite... "Minha primeira canja foi no Boca da Noite, ali na subida da Cidade Alta. Era um palco disputado e Pedrinho tocava lá no dia", lembra Sueldo. O contato com o autor de Linda baby e Esquina do Continente foi típico de uma província de muros baixos. "Na rua da casa do meu tio uma turma se reunia pra conversar e tinha um que tocava violão. Era Pedrinho. Nos conhecemos ali, depois nos cruzamos pela Universidade e ele me chamou para tocar num festival universitário. Começou aí".

A relação de Sueldo e a música tem início ainda no ventre da mãe, pianista. "Escutava os timbres já ali". Na antiga ETFRN (hoje IFRN), participou por três anos do coral da Escola, só de vozes masculinas. "Foi importante para apurar minha técnica vocal". Depois veio o encontro com Pedro Mendes na UFRN. Sueldo, no curso de Engenharia Química, e Pedro cursando Fisioterapia. "Depois desse show no festival universitário nós dois montamos um show juntos, chamado Tinta Viva. Inclusive estamos organizando um revival desse show para breve, comemorando os 30 anos daquela data", adianta o músico. E depois daquela data, Sueldo deslanchou e ganhou o mundo: Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Marrocos, festivais variados.

Sueldo aproveitou a boa fase da música natalense na década de 1980, depois morou 12 anos no Rio de Janeiro, excursionou pelo mundo em viagens esporádicas e voltou a Natal há oito anos. Nesse período lançou três CDs: Tulipa Negra (1995), Em Primeira Mão (2007) e Trilhas (2010). Todos compostos por canções de sua autoria. Nenhum prestigiado em Natal. Sueldo não escapou do estigma de uma cidade fincada na esquina do continente acostumada a valorizar o que vem de fora. "Participei de festival de música independente no Ceará. Alguém deve ter gostado e simplesmente três músicas minhas do CD Trilhas tocam em três rádios distintas de Fortaleza. Imagino que algum paraibano tenha ouvido e uma canção do mesmo CD toca em João Pessoa. Aqui, nenhuma".

 A relação de Sueldo com a música começou cedo.
Aos 12 anos de idade, de uma forma intuitiva, começa a construir
seus primeiros acordes musicais num violão que ganhou de presente.
 Uma vez com o pé na estrada não parou mais

IDENTIDADE 

Apenas uma rádio voltadaà música natalense. Bares fechados à música ao vivo sob recomendação do Ministério Público. E casas de show tematizadas e excludentes, são alguns dos lamentos de Sueldo Soaress para justificar a difícil arte de viver da música em Natal. "Sobra a Casa da Ribeira e o Teatro Alberto Maranhão, ou então um projeto ou outro da prefeitura, com a consequente dificuldade de receber cachê. É difícil. Essas casas de show são fechadas pra galera do rock, outra pro reggae, e assim fecham-se as portas pro artista. Ou há união ou todos vão se ferrar". E completa o lamento: "Acho que essa quetão de identidade musical chega até Parnamirim, contorna o trevo e segue para Fortaleza. Não chega em Natal. A galera do teatro é muito mais unida nesse sentido".     
  
 Uma história cheia de ritmo, Swing e muita música de qualidade
é o que premeia a carreia de Sueldo Soaress

...PELOS CANTOS DA CIDADE

Por essas e outras, Sueldo pretende lançar o CD Vou Por Aí Em Cantos no meio da rua. "Sabe aqueles artistas que montam um som na rua e fazem o show ali mesmo? Estou pensando seriamente nisso. Quero ousar. E tem tudo a ver com o título do CD. Minha música vai por aí, por todo canto, pela ruas". E a música de Sueldo carrega um suingue peculiar. "Realmente. Mesmo nas baladas mais românticas se percebe um balanço. Meu trabalho tem muito da world music. Não consigo imprimir nada muito regional". E o fato se justifica quando o compositor cita seus "faróis": "Meu norte é a música de Gil. Também o Djavan. Ou para citar os mais novos: Lenine, Zeca Balero..." E frisa: "Mas 98% do meu trabalho é autoral. Infelizmente, para estar na mídia, aqui e acolá montamos um show tributo a algum artista, para atrair as pessoas".

Não é o caso do novo álbum, do novo show, que mesclará velhos sucessos e as canções inéditas, acompanhadas pela banda formada por Ismael Miranda (contrabaixo), Ricardo Baia (guitarra) e Darlan Marley (bateria). Hoje Sueldo produz música por prazer. Tem outro emprego que lhe permite maior liberdade de criação e menos dependência do cenário local. Natal permanece seu porto seguro. "Sempre viajo, exponho minha música fora, mas sempre volto para recarregar as baterias. Nunca tive esse desejo de ser reconhecido. Se uma ou um milhão de pessoas escutarem minha música, tanto fez. Importante é que alguém se emocione e eu possa me emocionar também. Aqui é o meu lugar, cara".


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maio 08, 2012

PINCELADA TELÚRICA NO COTIDIANO

 
08 DE MAIO
DIA DO ARTISTA PLÁSTICO
 
 ... edição especial ...
  
O blog Potiguarte, através deste artista potiguar,  rende uma homenagem 
 a todos os artistas plásticos que tornam este mundo ainda bem melhor
 
WAGNER DE OLIVEIRA
PINCELADAS TELÚRICAS NO COTIDIANO ASSUENSE
 
No cenário das artes visuais do Rio Grande do Norte a pintura de Wagner de Oliveira apresenta-se como uma novidade surpreendente. Jovem, talentoso, vindo do  Vale do Assu, suas telas nos emocionam pelo lirismo dos personagens e pela força telúrica da paisagem física.
 
O artista assuense retrata, com muita sensualidade, o cotidiano do município, lembrando-nos, sem dúvida, Di Cavalcanti, ou mesmo, Vicente do Rego Monteiro, embora de forma atual, isto é, dentro de uma proposta artística do século XXI.


Autodidata, filho do pintor e músico Barrinha, Wagner de Oliveira revela que o primeiro contato com as artes plásticas se deu aos sete anos por meio de revistas e livros com pinturas de Leonardo da Vinci, Monet, Picasso e Van Gogh. Tanta admiração pelos mestres fez o artista tentar vender pequenas histórias ilustradas em folha de ofício na escola.


Mas a principal influência não veio do universo pictórico e, sim, dos quadrinhos dos anos 1980, notadamente Mozart Couto, Eugênio Colonnese, Edmundo Rodrigues e Flavio Colin. Naquela época, apaixonado por gibis, Wagner começou a absorver as técnicas desses quadrinistas.


“Quando comecei a pintar tinha umas seis bisnagas com cores diferentes, mas nenhuma delas era da cor de pele, então resolvi usar o marrom e pintar uma linda negra. Se você pegar as mulheres de Mozart Couto, transformá-las em mulatas, e as colocar em uma tela, vem logo a comparação com Di Cavalcanti”, ilustra.


Wagner assinala ainda que os críticos apontam semelhanças entre sua obra e o expressionismo de Di Cavalcanti: “apesar de ser um belo elogio, eu não me prendo a isso, e procuro encontrar meu próprio estilo”, afirma. No Rio Grande do Norte, Wagner de Oliveira admira o trabalho de Ulisses Leopoldo, Pedro Alves e Marcelus Bob.

 
Wagner de Oliveira expôs pela primeira vez em 2004, no Assu Mix. Daí até 2008, seus trabalhos sempre estiveram presentes nas festas juninas e feiras de negócios de Assu. Em 2005, ele expôs na Caixa Econômica e realizou cinco exposições durante o movimento Arte em Toda Parte. Naquele mesmo ano participou da 5ª  Mostra Officina Interior. No VIII Salão de Artes Visuais da Cidade do Natal, promovido pela Prefeitura de Natal, por intermédio da Fundação Cultural Capitania das Artes, foi selecionado entre 30 artistas. 

 
Em 2006, conquistou o 3º  lugar em um concurso de pintura realizado pelo SESI, no projeto SESI Cidadania. Participa também de exposição coletiva em albergue de Ponta Negra e assina a capa do livro “Roda Gigante”, do colunista social Marcos Henrique, em 2009.
 
Em 2010, obteve destaque no Bardallo´s Comida & Arte com  a mostra individual  "ASSUasMulheres" , onde reuniu 20 telas em técnicas variadas - óleo sobre tela, pastel sobre canson, acrílica sobre tela e grafite sobre canson. Uma das obras, "Flor de cera", foi escolhida para ilustrar a capa do Guia Cultural Solto na Cidade, edição nº 39 -maio/2010. 
 
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"Um homem que trabalha com as mãos é um operário;
um homem que trabalha com as mãos e o cérebro é um artesão;
mas um homem que trabalha com as mãos e o cérebro
 e o coração é um artista."
( Louis Nizer )

maio 04, 2012

DANÇAR: UMA PROPOSTA PARA SER FELIZ

  Romper paradigmas e promover reflexão sobre a inclusão social 
são os principais desafios da Companhia Gira Dança

  DANÇAR E SER FELIZ

Por
Jéssica Barros
 
Trabalhar com corpos diferentes, promover a inclusão social e trazer à sociedade a mensagem de que cada um tem suas limitações, independente de necessidades especiais ou não, e de que se deve conviver com as diferenças. Tudo isso compõe a proposta da companhia de dança contemporânea potiguar Gira Dança. Criada em 2005 pelos bailarinos Anderson Leão e Roberto Morais, a companhia completa sete anos com seu trabalho reconhecido em escalas nacional e internacional. Seus idealizadores vieram de uma experiência parecida no projeto Roda Viva, que também trabalha a dança como fator de inclusão social e é um projeto de extensão da UFRN. 

Em 2005, Anderson e Roberto optaram por criar a própria companhia, visando maior liberdade de criação e abordagem de novas temáticas, bem como para explorar a dança contemporânea. Dessa forma surgiu a Gira Dança. Atualmente com 10 integrantes, seu corpo de bailarinos tem alguns tidos por "normais" e pessoas com deficiência - cadeirantes, deficiente visual, com síndrome de down e nanismo. Corpos diferenciados que dão vida à arte, promovendo a inclusão social e executando um trabalho artístico de qualidade para o público através da dança contemporânea. A companhia acumula prêmios nacionais, apresentações no exterior e vem lutando a cada dia para passar a mensagem de que todos são iguais dentro de suas diferenças. "É possível transformar as pessoas, lhes dar oportunidades, fazer um mundo melhor. É possível dançar, independente do corpo que você tenha, basta querer, se dedicar", explica Anderson.

   O documentário A Cura dirigido pelo fotógrafo Rodrigo Sena 
selecionado para participar do Brasil Move Berlin, em 2011, na Alemanha
 
A companhia ensaia de segunda a sexta-feira em sua sede própria, na rua da Casa da Ribeira, das 19h às 22h. Já para os interessados em conhecer o trabalho e fazer parte dele, basta se candidatar em uma das audições periódicas que a Gira Dança realiza. O coordenador da companhia, Anderson, diz que muitas pessoas desconhecem a capacidade dos bailarinos da companhia e os taxam de incapazes, mas quando veem o trabalho, mudam sua concepção. "A arte trazida pela companhia mexe, promove a reflexão e quando as pessoas veem a apresentação se surpreendem e viram espectadores". Ele diz ainda que os "não-deficientes" têm uma maior rotatividade na companhia. Anderson lembra que, no início, somou forças a Roberto Morais para arcar com os custos de aluguel, contas de água, luz e demais custos.

A CURA - A Gira Dança chegou, inclusive, a ser a única companhia de dança potiguar a ser selecionada para participar do evento Brasil Move Berlin, em 2011, na Alemanha, com o espetáculo A Cura. Segundo seus integrantes, o reconhecimento da qualidade do trabalho e serem tratados de igual para igual com as demais companhias de todo o mundo em Berlin foi o mais gratificante. "A diversidade de corpos que só nós levamos e não termos tido nenhum tratamento preferencial por isso foi emocionante", diz Anderson Leão. 

A companhia Gira Dança teve que enfrentar a  insegurança 
da Ribeira e a falta de acessibilidade das ruas do bairro
 
DESAFIOS EXTRAPOLAM  O PRECONCEITO

Entre os desafios, além dos financeiros, a companhia Gira Dança teve que enfrentar a insegurança do bairro da Ribeira, onde sempre ensaiaram, a falta de acessibilidade das ruas do bairro e ensaiar espaços inadequados para a dança. A Gira Dança contou com o apoio de outros grupos e parcerias com empresas para passar pelas muitas dificuldades ao longo dos seus sete anos, até conquistarem uma sede própria, mas sempre com a preocupação de como manter financeiramente o local e promover a autonomia da companhia. Hoje, a Gira Dança equaciona o apoio das empresas somado aos cachês das apresentações, de editais e outros projetos para conseguir manter a estrutura física, comprar figurinos e realizar espetáculos a preços populares. O programa Cidadão Nota Dez também é uma alternativa usada pelo grupo, que cadastra notas fiscais e consegue recursos para pagar suas contas.

Para Anderson, o momento de maior dificuldade é um vilão antigo da cultura potiguar, o atraso no repasse de recurso aos Pontos de Cultura do estado. Após aprovação no edital de iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) e gerido pela Fundação José Augusto (FJA) em Natal, o atraso no repasse de recursos foi difícil, pois com a falta de verba, uma série de projetos parou, não havia como montar um bom espetáculo, nem pagar aos bailarinos. "Quando a gente recebe um prêmio desse, nós deixamos de ser só artistas, viramos também administradores. Você é um prestador de serviço para a sociedade. A responsabilidade e as cobranças são grandes", relata Anderson. 

  Um trabalho que rompe preconceitos e limites pré-estabelecidos

JOSELMA SOARES
"HOJE JÁ NÃO ME VEJO SEM A DANÇA, SENÃO EU CEGO DE VEZ"

Chamada carinhosamente pelos colegas de Jô, acredita que muitos deficientes se limitam a fazer as coisas por medo ou desconhecimento. A dança era um sonho de infância que só após a perda da visão, subitamente aos 24 anos, ela decidiu tentar a fim de manter sua postura, sensibilidade e se mover com maior expressividade. Quando soube do trabalho feito pela Gira Dança com cadeirantes, ela diz ter pensado "por que não uma 'cegante'?", e foi atrás. Joselma fala que a dança é importante para ela como pessoa e também como profissional, artista, já que o objetivo da companhia não é mostrar a deficiência, mas a arte em si, com cada um trabalhando dentro de suas limitações. "Hoje já não me vejo sem a dança, senão eu cego de vez (risos)".

Para Joselma, a mensagem principal que deve ficar é de que as pessoas percebam que a vida é feita de coisas boas e ruins e que, mesmo nas coisas ruins, se pode extrair coisas boas. Ela espera que a pessoa com deficiência "passe a enxergar isso de outra forma. Ela faz parte desta vida, desta história e ela não está fora da sociedade, está aqui de igual para igual, ela deve tomar as rédeas da própria vida", diz.

 
 "A pessoa com deficiência faz parte desta vida, desta história e ela 
não está fora da sociedade, está aqui de igual para igual"

MARCONE ARAUJO
"AS LIMITAÇÕES EXISTEM PARA A GENTE PASSAR POR ELAS"

Bailarino da Gira Dança há quatro anos e sem nenhum tipo de deficiência, Álvaro Dantas fala da experiência de contracenar com outros bailarinos com corpos diferenciados na companhia. "No início é mais complicado, a gente tem medo de tocar no deficiente e machucar, mas com o tempo a gente vai aprendendo até onde pode ir com eles e eles com a gente, porque qualquer pessoa tem suas limitações", diz.

 "Tinha vergonha de pedir para as pessoas descerem minha cadeira do ônibus, 
mas aos poucos eu fui quebrando isso com a ajuda da dança"

Filho mais velho de quatro irmãos e com paralisia infantil desde os três meses de vida, Marcone Araújo é um exemplo de independência. Cadeirante, ele conta que quem o ensinou a ser assim foi sua mãe logo cedo. Criado na zona rural, teve que lidar com um novo cenário ao se mudar para Natal, com as pessoas parando para olhar para ele. O interesse pela dança vem desde a época do ensino médio, a convite de um amigo. Ele passou pelas companhias de dança Anjori e Roda Viva até, finalmente, se encontrar na Gira Dança. Até esse contato com a dança, ele diz que não imaginava como um cadeirante poderia dançar artisticamente. 
 
"Até esse contato com a dança, não imaginava 
como um cadeirante poderia dançar artisticamente"

Marcone conta que a primeira experiência na dança o ajudou a quebrar alguns complexos que tinha, como o medo de andar só e a conquistar a autonomia de circular livremente pela cidade, ir aos ensaios e tocar a vida. "Tinha vergonha de pedir para as pessoas descerem minha cadeira do ônibus, mas aos poucos eu fui quebrando isso com a ajuda da dança", relata ele. Na dança contemporânea ele se descobriu como artista, viu um reconhecimento não esperado do seu trabalho e se encantou com a oportunidade de ter um público ávido por ver um trabalho artístico desenvolvido com qualidade, não um deficiente em cena.
 
  "Apesar das desigualdades físicas de cada um, todo mundo é igual"
 
FAMÍLIA

No Gira Dança, Marcone diz ter aprendido que "as limitações foram feitas para a gente passar por elas", como diz. Marcone leva consigo a ideia de que cada um dentro de suas limitações, já que ninguem é perfeito, tem plenas condições de realizar um trabalho artístico. A companhia é tida pelo dançarino como uma família onde "ninguém vê ninguem como deficiente. Na hora que tem que brigar a gente briga". Outra falha de conceito da população em geral mostrada por Marcone é o fato de as pessoas encararem o deficiente. "As pessoas têm que ver que eu não sou deficiente, eu tenho uma deficiência e é isso que tentamos colocar na cabeça das pessoas, essa ideia de que todos podem ser produtivos. Nosso ideal é montar um espetáculo que as pessoas vejam e saiam com uma reflexão, não a dança pela dança, mas a dança que passe, que transmita alguma coisa", diz. Afinal, "apesar das desigualdades físicas de cada um, todo mundo é igual", completa.  


...fonte...
Jéssica Barros
 Especial para O Poti
jessicabarros.rn@dabr.com.br

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"Não é o ritmo nem os passos que fazem a dança, 
mas a paixão que vai na alma de quem dança"
Augusto Branco

maio 03, 2012

FEIRA INTERNACIONAL PREMIA POTIGUARES

 Estudantes Jonas Medeiros, Marcondes Matheus e Flávia Kaliny
Eles conquistaram o primeiro lugar geral entre os projetos por  terem 
desenvolvido o seu próprio sistema de energia eólica
fotografia: Ivanizio Ramos/Governo do RN

ESTUDANTES  PREMIADOS EM FEIRA INTERANCIONAL
SÃO HOMENAGEADOS PELA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO 
  
Por  
Assessoria de Imprensa Seec

Os três estudantes potiguares que participaram da Feira Internacional de Empreendedorismo Produtivo, Ciências e Cultura do Equador chegaram a Natal nesta segunda, 30, e trouxeram na bagagem muito mais que a experiência de participar de um evento internacional. Eles conquistaram o primeiro lugar geral entre os projetos por terem desenvolvido o seu próprio sistema de energia eólica. Como premiação, receberam troféu e US$ 1.500,00.

Jonas Medeiros, Marcondes Matheus e Flávia Kaliny cursam o 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual 11 de Agosto, de Umarizal. Eles viajaram para o Equador na última segunda, 24, ao lado do professor José Everton Pinheiro, com todos os custos da viagem assumidos pela Secretaria de Estado da Educação do Rio Grande do Norte.

Na área de desembarque do aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim, eles foram recepcionados por familiares e amigos de Umarizal. De lá, eles seguiram para o auditório da Secretaria de Estado da Educação, onde receberam uma homenagem da secretária Betânia Ramalho.

"O resultado alcançado por esses alunos nos dá a certeza 
de que estamos no caminho certo. Eles servem de exemplo 
para todos os estudantes da rede pública"Fotografia: Marcos Santos/ USP Imagens

Entusiasta do projeto, a secretária de Estado da Educação, Betânia Ramalho, ficou feliz com a conquista. "O resultado alcançado por esses alunos nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. Eles servem de exemplo para todos os estudantes da rede pública e o papel da secretaria é continuar investindo na iniciação científica para que novos talentos sejam revelados.", concluiu.

Quem também participou da solenidade foi a presidente da Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte, FAPERN, Bernadete Cordeiro. Na ocasião, ela anunciou a implantação de um programa do governo para implantação de 10 grupos de Ciências e Tecnologia de Informação para o Ensino Médio no estado, em parceria com a Secretaria de Educação, para incentivar novos estudantes. O programa deve começar até o mês de agosto.

Os alunos de Umarizal já haviam participado de 13 a 15 de março, da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, Febrace, realizada na USP, em São Paulo. Lá eles foram selecionados pela Rede do Programa de Olimpíadas de Conhecimento para o evento no Equador, que ocorreu entre os dias 26 e 28 de abril. Nesta primeira edição, além do Brasil e Equador, foram apresentados projetos do Peru e Uruguai. Os projetos foram selecionados em função de sua pertinência ao foco do evento, ao rigor científico apresentado e pelo seu impacto social.


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maio 02, 2012

SESC LANÇA PORTAL DE PARTITURAS

 Uma biblioteca virtual e sem fins lucrativos, que foi criada com o objetivo 
de preservar e difundir o patrimônio musical brasileiro

 SESC LANÇA PORTAL DE PARTITURAS

 Via
Jornal de Hoje

O SESC acabou de lançar uma biblioteca virtual e sem fins lucrativos, que foi criada com o objetivo de preservar e difundir o patrimônio musical brasileiro. O site democratiza o acesso a partituras digitalizadas e funciona como uma importante ferramenta para músicos, estudantes e pesquisadores da área.

Segundo o Diretor-Geral do Departamento Nacional do SESC, Maron Emile Abi-Abib, com esta iniciativa, o SESC traz relevante contribuição para o desenvolvimento da cultura musical no país. “Com esse portal apoiaremos a preservação e difusão do patrimônio musical brasileiro, fomentando a produção e divulgação de artistas brasileiros e promovendo o acesso à música em seus diversos gêneros e estilos” complementa Maron.

No site, é possível encontrar obras de compositores brasileiros de várias gerações, muitas delas localizadas a partir da contribuição de compositores e de colecionadores, que disponibilizaram seus acervos pessoais visando à preservação definitiva das mesmas.

Entre elas, estão raras composições de artistas consagrados como, Francisco Mignone, Guerra-Peixe e Glauco Velásquez; obras de relevância histórico-patrimonial como as do Padre José Mauricio Nunes Garcia (1767-1830); e músicas de compositores representativos de diversas regiões do país como Maurício de Oliveira (ES), Tó Teixeira (PA), Adelmo Arco Verde (PE), Fernando Cerqueira (BA) e João Rodrigues de Jesus (SE).

Um grande diferencial deste site é que ele está programado para facilitar o acesso dos visitantes, por isso, o SESC Partituras utiliza um moderno sistema de buscas, que permite a visualização e impressão integral de inúmeras obras catalogadas, além de audição da maioria delas. As pesquisas podem ser realizadas de várias maneiras: título da obra, nome do autor, formação do grupo ou instrumentos.

Além de preservar a história, o Portal SESC Partituras também compartilha o objetivo de produzir incentivo e visibilidade aos compositores contemporâneos. Desta forma, obras históricas e atuais, ganham o mesmo espaço. Através desta iniciativa, o SESC Partituras torna-se um importante difusor da produção musical brasileira, funcionando como um ponto de encontro virtual, para os diversos segmentos ligados à cadeia produtiva da música.

As obras presentes no acervo do SESC Partituras pertencem ao domínio público ou possuem licença para sua inclusão no catálogo, inclusive com autorização para impressão. No entanto, para o caso de gravação fonográfica das obras, adaptação e outras formas de uso não previstas, é necessário realizar negociação direta com cada compositor ou representante legal da obra. Para garantir a preservação dos direitos autorais, o portal facilita o encontro entre os interessados, disponibilizando os contatos dos autores.

Iniciado em 2007 o então Banco Digital SESC de Partituras possuía um programa de editoração de partituras e um acervo de obras digitalizadas se tornando importante subsídio para pesquisa e editoração de partituras para estudantes e músicos locais. Em 2010, iniciou-se o processo de reestruturação do projeto visando à ampliação de seu alcance por meio da criação de um portal que envolveu equipes de especialistas em editoração, catalogação, direitos autorais, ferramenta de busca na internet. O resultado poderá  ser conferido no link  apontado logo abaixo desta postagem.


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abril 30, 2012

UMA ADOLESCÊNCIA VIVIDA EM NATAL

 NATÁLIA KLEIN
Roteirista de programas de humor como Zorra Total,
ela fala de sua adolescência em Natal, onde estudou Comunicação Social
 e começou sua carreira artística no teatro, cultivando seu desejo de ser atriz

 ADORÁVEL PSICÓTICA

Por
Yuno Silva

A velha máxima de que "de médico e louco todo mundo tem um pouco" continua valendo, mas para a atriz e roteirista Natália Klein o adágio precisa ser minimamente adaptado. Autora e protagonista da série de humor "Adorável Psicose", cuja terceira temporada estreou em 19/04 no canal fechado Multishow, Natália colhe os frutos plantados desde a adolescência vivida em Natal, onde cultivou seu desejo de ser atriz e começou a cursar Comunicação Social na UFRN - mesmo com a certeza de que não era essa a sua praia, chegou a trabalhar por quase um ano como repórter em um emissora local de televisão.

Seu 'namoro' com a carreira artística ganhou força aqui no Rio Grande do Norte, quando participou por pouco tempo do grupo de teatro Ditirambo (criado pelo ator e diretor potiguar César Amorim, hoje radicado no Rio de Janeiro), na época da montagem do espetáculo "Flores de Plástico": "Foi bem no período que estava voltando para o Rio", disse a atriz por telefone à reportagem do VIVER, no mesmo ritmo frenético de sua personagem da série - não por acaso também chamada Natália. Ela explicou que estava preparando a casa para uma sessão de fotos, e que iria "receber uma revista interessada em mostrar como vive a Natália de verdade", brincou.

Detalhe: a palavra namoro, destacada acima, é considerada pela própria como mola mestra de "Adorável Psicose". A série televisiva trata-se de um desdobramento do blog homônimo (adoravelpsicose.com.br), protagonizado por "uma menina maluquinha, em busca de um relacionamento".

Carioca da gema, "apesar de não parecer devido à extrema brancura", ela passou oito anos na capital potiguar, dos 11 aos 19, por causa da profissão da mãe (militar), e há oito voltou a morar no Rio de Janeiro. Concluiu o curso universitário por lá (Rádio e TV), e passou a ser colaboradora como roteirista de programas humorísticos como "Zorra Total" e "Junto e Misturado" (com Bruno Mazzeo), ambos da TV Globo. "Passei a enviar alguns textos para a produção do Zorra Total, fui chamada para um teste, fiz estágio e agora estou na equipe de roteiristas do programa... e lá se vão quatro anos", recorda. Como atriz, Natália Klein também participou da série de comédia "Macho Man" (TV Globo).

 Natalia Klein como Nikita, em Macho Man
 fotografia: Estevam Avellar / TV Globo

CINEMA ESTÁ ENTRE OS PLANOS FUTUROS

Sobre "Adorável Psicose", ela contou que tudo começou por acaso durante um bate-papo pela internet com um "ficante fixo de médio tempo". "Comecei o blog no mesmo dia em que tive uma conversa com o cara com quem estava saindo. Na medida que a madrugada avança, o papo vai rareando e uma hora temos que encerrar. Tomei a iniciativa e disse que 'estava indo', isso umas quatro da madrugada, e ele 'vai, vai'. Como assim? Sem insistir nem uma vez? Então escrevi um texto sobre o assunto e criei a página", explicou.
 
Com honestidade nas palavras e boas pitadas de, por que não(!?), uma adorável psicose, o endereço eletrônico logo foi disseminado e Natália começou a receber uma enxurrada de mensagens de pessoas que se identificaram com as situações. "Vivemos uma geração meio desiludida com relação à afetividade", verifica a atriz.
 
A partir do sucesso na internet, escreveu dois programas pilotos de cinco minutos, que serviram como trabalho de final de curso, e logo estava no Multishow. "Trabalhei bastante nos bastidores antes de ir para a frente das câmeras, e quando pintou o convite fiquei na dúvida, insegura, mas percebi que ninguém poderia fazer melhor um personagem inspirado em mim que eu mesma."
 
Natália garante que o blog é bem mais próximo da realidade, "pois no programa tudo é exagerado, superlativo, coloco uma lente de aumento em tudo. E é bacana perceber que o programa ganhou vida própria, quem me conhece reconhece isso", avaliou.
 
Os programas pilotos de "Adorável Psicose" foram viabilizados na produtora onde trabalhava como assistente, e toda a equipe técnica acabou sendo incorporada ao projeto, os atores é que foram escolhidos a partir de testes ou convites. "É bacana trabalhar com amigos, ver a evolução de cada um. O clima é sempre ótimo no set e tenho total liberdade", disse a atriz, que faz questão de acompanhar todo o processo de criação, desde o roteiro até a edição. Os treze episódios da terceira temporada já estão prontos e ela já começou a trabalhar na quarta.
 
Natália informou que a principal diferença entre as três temporadas está na estética, cada vez mais "linda" dos cenários e figurinos (estes inspirados no próprio estilo da atriz, uma moda retrô- modernete com cortes e estampas que lembram os anos 1940, 50 e 60), e no atores "cada vez mais afiados". "Estamos mais profissionais, evoluímos juntos", observa. Nos planos para um futuro próximo, ela quer transportar toda a psicose adorável de sua personagem para as telas do cinema. "Já estamos pensando nisso, a comédia nacional passa por uma boa fase e essa é a hora certa!"


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abril 28, 2012

NATAL: A PEQUENA NOTÁVEL DE OUTRORA

  O velho Baldo e ao fundo a  Praça Tamandaré em 1959
No canto da praça existia uma fonte luminosa que deixou saudades
Natal apresentava insuficiência urbanística caracterizada pela modéstia
 das edificações e, sobretudo, ausência de indústrias

NATAL QUE MANOEL DANTAS NÃO VIU
 
Por
 João Gothardo Dantas Emerenciano   

A cidade do Natal, no ano de 1959, estava longe de ser a “metrópole do Oriente da América” que Manoel Dantas (1867-1924) previu na sua histórica conferência Natal daqui a cinqüenta anos, proferida no salão nobre do palácio do Governo do Estado, no dia 21 de março de 1909, e que segundo o poeta Jota Medeiros constitui o marco do Futurismo, antecedendo o manifesto de Marinetti.  

Com uma população de aproximadamente 167.202 habitantes distribuídos em doze bairros – Santos Reis, Rocas, Ribeira, Cidade Alta, Petrópolis, Tirol, Alecrim, Lagoa Seca, Lagoa Nova, Dix-Sept Rosado, Quintas e Mãe Luiza – Natal apresentava insuficiência urbanística caracterizada pela modéstia das edificações, precariedade da malha viária, transportes coletivos obsoletos e, sobretudo, ausência de indústrias.  

A administração do município, que tinha 489 logradouros públicos (avenidas, ruas, travessas, praças e vilas), era coordenada por três secretarias (Finanças, Negócios Internos e Jurídicos, Viação e Obras) reunindo vinte e seis repartições.

Tinha o suporte da Companhia Força e Luz Nordeste do Brasil, Serviço de Água e Esgoto de Natal, Serviço de Limpeza Pública e o Serviço de Transportes Coletivos que supervisionava as doze linhas de auto-ônibus (Rocas/Matadouro; Jaguarari; Petrópolis/Grande Ponto; Tirol/Grande Ponto; Circular; Lagoa Nova/Alecrim; Avenida 4; Avenida 10; Rocas/Igapó; Grande Ponto/Praça Augusto Leite; Circular via Alexandrino de Alencar; Natal/Parnamirim) e treze linhas de auto-lotação e micro-ônibus, considerados coletivos de primeira categoria, atendendo no horário das 5 às 22 horas com pequenas modificações no percurso realizado pelos auto-ônibus que funcionavam das 5 às 24 horas.

   À esquerda, entrando na João Pessoa,  ia pra o Cine Rio Grande;
 em frente, do lado direito, à frente do lotação, o prédio onde era o Cine Rex; 
mais a frente, à esquerda, a Escola Industrial de Natal

 A educação era ministrada por oito estabelecimentos de ensino superior (Escola de Engenharia, Escola de Serviço Social, Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais, Faculdade de Direito, Faculdade de Farmácia e Odontologia, Faculdade de Filosofia, Faculdade de Medicina, Instituto Filosófico São João Bosco); quatorze cursos secundários (Colégio Imaculada Conceição, Colégio N. Senhora das Neves, Colégio Santo Antônio, Escola Doméstica, Escola Industrial, Escola Normal, Escola Técnica de Comércio Alberto Maranhão, Escola Técnica de Comércio de Natal, Escola Técnica Visconde de Cairu, Ginásio São Luiz, Ginásio 7 de Setembro, Instituto de Educação do Rio Grande do Norte, Seminário e Instituto Batista Bereiano, Seminário Menor de São Pedro); cento e sessenta escolas mantidos pelo Governo do Estado e noventa e oito “escolinhas” mantidas pela Prefeitura, além de vinte e um cursos particulares.
 
O sistema de saúde tinha o atendimento de trinta e seis estabelecimentos (hospitais, casas de saúde e ambulatórios) sendo o principal deles o Hospital Miguel Couto, atual Hospital Universitário Onofre Lopes.

O cemitério do Alecrim continuava a ser o nosso único Campo Santo, “onde o cipreste chora noite e dia a música dorida de saudades pungentes”.

A inexistência de supermercado forçava a população a fazer suas compras nos quatro mercados (Cidade Alta, Alecrim, Quintas e Ribeira) e nas mercearias e bodegas.

Esplanada Silva Jardim, Ribeira, vendo-se a Árvore da Cidade

O lazer era feito nos vinte e cinco clubes recreativos existentes, no Teatro Alberto Maranhão, e nos cinemas, Rex, Rio Grande, Nordeste, São Luiz, São Pedro, São Sebastião, São João e Potengi, além do passeio de barco a motor e a vela até a praia da Redinha, com saída do porto flutuante do Canto do Mangue.

Os jornais “A República”, “Diário de Natal”, “Jornal de Natal”, “O Poti”, “Tribuna do Norte”, e as estações de rádio, Cabugi, Nordeste, Poti e Emissora de Educação Rural, disputavam os leitores e a audiência da população que tinha poucos divertimentos.

Afora os equipamentos e serviços citados existiam em Natal, “no ano da Graça de 1959”, dez bancos, três bibliotecas, nove cartórios, seis consulados, doze cooperativas, dez agências de correios e telégrafos, treze hotéis, seis pensões, quarenta e sete templos católicos, vinte templos protestantes, dezessete centros espíritas, quatro lojas maçônicas, oito “praças” de automóveis de aluguel, trinta e um sindicatos, nove agências de transportes fluvial (Natal/Redinha), vinte e uma agências de transportes rodoviário e a Rede Ferroviária do Nordeste, que fazia o tráfego com municípios dos Estados do Rio Grande do Norte e Paraíba, além da cidade do Recife.

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abril 27, 2012

COMO SE PINTA UMA CIDADE?

 PEDRO GRILO 
Poeta e pintor, o artista de 75 anos imortaliza e compartilha
 78 imagens que fizeram parte de sua infância

 CORES DE GRILO

 Por
Yuno Silva

Figura inconfundível, errante que perambula com desenvoltura das Rocas até a Cidade Alta, sempre protegido por seu indefectível sombreiro e quase sempre amparado por um cajado, Pedro Grilo abriu sua primeira exposição individual nesta quinta-feira, 26/04, no Palácio Potengi - Pinacoteca do Estado. Poeta e pintor, o artista de 75 anos imortaliza 78 imagens que fizeram parte de sua infância e compartilha essas memórias em "Grilo Borratela".

  
Em cartaz até dia 26 de maio, a exposição apresenta detalhes de uma Natal perdida no tempo, mas extremamente viva nas cores vibrantes dos quadros de Pedro Grilo, que ampliou fotografias antigas e aplicou sobre elas uma espessa camada de sua paleta furta-cor. "Gosto de cores", simplificou Grilo ao VIVER. As obras, de dimensões generosas (60cm por 80cm), estão todas à venda e o potencial comprador precisa considerar seu alto valor histórico ao desembolsar R$ 3 mil por cada uma. "Minha intenção é arranjar alguma empresa que compre e doe tudo para o Instituto Histórico (e Geográfico do RN)", adiantou.


Negociações quanto ao valor estão fora de cogitação, e o autor avisa que se não conseguir vender vai "chamar a imprensa e queimar tudo aos pés (da estátua) de Iemanjá" na praia do Meio. "Quero dar um golpe no capitalismo, que pode até cagar na cabeça dos outros, mas na minha não!" A exposição está sendo planejada por Grilo desde 2005, e talvez, como disse o próprio, seja a única. "Por mim faria mais umas 80 (exposições), mas falta apoio, as coisas nas Fundações são lentas demais."

   
A ideia para montar "Grilo Borratela" surgiu como um estalo, quando um amigo mostrou quatro fotos antigas. "Foi como um estalo: 'vou pintar uns quadros a partir disso'. As imagens estavam ruins, muita coisa faltando, tudo em preto e branco, e lembro de muita coisa, das cores, coisas que nem existem mais e são difíceis de encontrar mesmo nos arquivos disponíveis", valorizou o artista, cuja intenção inicial era mostrar 80 pinturas - "só consegui aprontar 78 a tempo", justifica.


Uma dessas raridades, perseguida pelo incansável 'garimpeiro' de imagens Eduardo Alexandre "Dunga" Garcia, é o retrato da antiga fábrica de tecido de Juvino Barreto, que funcionou onde hoje é a agência Ribeira da Caixa Econômica, na subida da avenida Câmara Cascudo (antiga Junqueira Ayres). Mas entre as obras destacadas, uma em especial mereceu atenção e carinho redobrado do artista: a escola onde estudou, o antigo colégio Augusto Severo na Ribeira. "Hoje está caindo aos pedaços. Aquela praça (Augusto Severo) era tão linda, toda arborizada, tinha um lago, pontezinhas... destruíram tudo", lamentou Pedro Grilo.

  
As telas, muitas com um colorido psicodélico, misturam realidade e elementos complementares de perfil naïf, e retratam paisagens, monumentos e prédios históricos dos bairros das Rocas, Ribeira e Cidade Alta até o Baldo.


Além da intenção "de golpear o capitalismo" com a venda dos quadros, Grilo também pretende financiar o relançamento da primeira edição de seu livro "Mel e cicuta" (2000), lançamento abortado devido os erros de digitação que tiraram o autor do sério. "Inexperiente, mandei fazer o livro numa copiadora e a mulher que digitava deu bem uns 100 erros de português. Onde era 'cinco' escreveu 'clínico', em vez de 'promissor' botou 'promissária'." Corrigiu tudo, mas não salvou no disquete, "na época só tinha disquete", e teve que suspender a venda na noite de lançamento.


...fonte...
Yuno Silva

abril 26, 2012

UM ESTILO ELABORADAMENTE POP

 "SEM PARAR"
 Sofisticação e poesia permeiam as 11 faixas do novo disco de Mariano Tavares
   Seu trabalho busca atingir a criação de uma sonoridade 
que venha a ser extremamente pessoal e intransferível, 
um conceito poético, melódico e harmônico 

MARIANO TAVARES

 Por
Silvia Yama
 
Eu estou apaixonada pelo trabalho do Mariano Tavares. Eu sempre me pergunto onde ele estava todo este tempo, até porque este é seu segundo disco. Sabemos que o caminho que o artista trilha às vezes é longo, cheio de conflitos, desencontros e paixões. Aliás, paixão, é o seu combustível, pelo que percebi.

Mariano preza pelo primor, palavras polidas, arranjos sofisticados, um pouco de regionalismo, nostalgia. Também sinto que seu trabalho musical é um pequeno diário pessoal, que se confunde com as nossas vidas. Passamos a vida toda engolindo sentimentos como culpa, dor, arrependimentos. Mariano grita isso em sua obra. Palmas pra você, querido!

E é neste clima que o poeta assuense e professor de Literaturas Norte-Americana e Inglesa na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) lança, com exclusividade em nosso espaço, o álbum Sem Parar, definindo-o como ”a continuidade de tudo aquilo que não controlamos no mundo: A natureza, o amor, o acaso, a beleza, o futuro, a inocência, o sonho, a morte; tudo que desliza nos espaços da vida, continuamente, ininterruptamente, sem parar”. Palavras dele.

Professor de Literaturas Norte-americana e Inglesa na UERN,
 cantor e compositor, assuense, potiguar, nordestino. É Mariano Tavares

As composições de Sem Parar são simples, porém de uma emoção só: “E se a gente não se apaixonasse tanto e se morrer não fosse sempre um gesto tão difícil” e mais “Eu dou subsídio pra você saber de mim…”. Mariano é um artista de coração nobre, que se permite escrever sobre todo tipo de sentimento: “Nessa cidade, não tem parada. Todas as luzes (e as cruzes, as riquezas, os pecados, as virtudes) são jóias raras.

Dirigido pelo próprio e por Humberto Luiz, Sem Parar é um trabalho maduro, forte, de uma beleza e requinte que ultrapassam as fronteiras da música pop. Fronteiras que também não existem em suas influências, que vão – como Lupicínio Rodrigues, Ary Barroso, Nelson Gonçalves, Jamelão, entre outros – aos contemporâneos norte-americanos Antony Hegarty, líder da banda Antony and the Johnsons, e Rufus Wainwright, compositor sobre o qual desenvolve pesquisa acadêmica.

"Escrever e cantar canções são partes de um mesmo processo"

Em “Sem Parar”, Mariano Tavares nos presenteia com 10 faixas composta por ele, sendo três em parceria, uma delas com a poetisa e atriz Civone Medeiros (“É Dando Que Se Recebe”), outra com o economista e estudante de Direito Hugo Vargas Soliz (“It’s Not For Us”), e a última com o cantor e compositor Romildo Soares (“Sacrifício”), além de uma releitura de “How Should I Your True Love Know”, composta por William Shakespeare para o clássico da dramaturgia universal “Hamlet”. A canção “Sacrifício” também integra o repertório do DVD “Dos Pés à Cabeça”, do coral Harmus (Fundação José Augusto), que será lançado ainda neste semestre, do qual Mariano participa como intérprete.

Eu me sinto privelegiada em escrever sobre este poeta de espírito livre, escancarado, que não tem medo de voar. Com vocês: Sem Parar! Um álbum para lavar a alma, chorar, recordar lembranças boas do passado, perdoar-se, arrancar o coração do peito!