junho 12, 2012

OS TRABALHOS ICÔNICOS DE MATHWS

 
"PESSOAS"
Mathws Aires realiza sua primeira exposição fotográfica
   a mostra revela moda, arte, personalidade e uma pitada de ousadia
 arte: blog Potiguarte

 AS PESSOAS DE MATHWS

Por
Cristiano Xavier

Mathws Aires tem estilo, apura seu trabalho. É a primeira impressão que nos passa, ao falar ou mesmo mostrar parte de seu material, que ele publica no site http://www.houseofmathws.com. São fotos variadas, com diferentes temas. Publicitário, Mateus Aires (que assina Mathws Aires) não abraçou a carreira, mas dedicou-se à outra profissão: a fotografia. 

O fotógrafo agora faz sua primeira exposição, intitulada Pessoas: em moda, arte e personalidade, até dia 30 deste mês, na Sala Joseph Boulier, Memorial da Resistência, Mossoró/RN, das 16h às 21h. 

Segundo Mathws, desde muito cedo ele pensava em coisas que tivessem relação com a imagem. "Sempre soube que essa seria minha área de atuação; só não sabia como e que tipo de imagem. Foi no curso de Publicidade e Propaganda (Uern), a partir de um trabalho que envolvia a fotografia de moda, que descobri que era esse o caminho", lembra.

Mathws revela que no início de 2010, enquanto assistia ao filme Julie & Júlia, percebeu que era essa a ideia que faltava ao seu blog. "Estabeleci postar 365 imagens em 365 dias, e consegui. Além de pessoas e editoriais que fui criando para isso, postava imagens de moda, arte, culinária, lugares, objetos. Depois desse primeiro objetivo conseguido, criei doze editoriais fotográficos em doze meses. Junho é o último mês deste segundo ciclo. Cumprirei meu segundo objetivo. Em outubro, volto com mais um. O site é houseofmathws.com", diz.

Para ele, fotografar pessoas é um pouco mais trabalhoso. "Requer uma produção. As pessoas querem sair bonitas, obviamente, e isto já implica trabalhar com maquiagem, por exemplo. Ainda há a questão de figurino, cenário e muitas vezes, particularmente, tenho uma ideia mais complicada e algumas pessoas não aceitam, pois a beleza nem é sempre aquela dentro dos padrões e este é um assunto delicado", explica o fotógrafo.

Ele revela que presta muito atenção aos trabalhos dos grandes fotógrafos de moda de hoje e de ontem. "Mas, saio da moda, vou para as artes, visito museus quando tenho oportunidade, leio sobre arte, inspiro-me no cinema, na música, nos artistas, na arquitetura, etc. Livro-me dos preconceitos para poder aceitar as coisas, porque tudo pode somar", revela o jovem fotógrafo.

Apesar de novo na área de fotografia, Mathws já começou com pé direito. A receptividade ao seu trabalho tem sido boa. "Fiquei muito surpreso com a boa receptividade para o que faço na minha cidade; todos estão ansiosos e comentando a exposição. Além disso, muitos abraçaram minha ideia e isto é muito bom. Mostra uma sociedade mais madura e desenvolvida, que sabe, pensa e consome arte e moda (deixando de lado o caráter superficial desta) e todas as áreas que a cercam. Estou feliz", fala. 

Um momento importante na carreira de Mathws Aires
"Procuro trazer o corpo para o caráter de obra"
fotografia: Mathws Aires

 SELEÇÃO DE TRABALHOS ICÔNICOS
 
Os 25 trabalhos expostos na Sala Joseph Boulier, no Memorial da Resistência, marcam um momento importante na carreira de Mathws Aires, que pensa em levar a exposição para a capital do Estado e negociar, também, as fotografias. "Isto será possível. Interessados podem já entrar em contato", diz.

O fotógrafo salienta que a exposição é "uma seleção dos trabalhos mais icônicos que já produziu. "Há imagens do início, em 2007, quando nem carreira existia, até trabalhos que fiz especificamente para esta exposição. Prioritariamente, fotografia de moda e arte, sempre retratando pessoas e suas identidades. Vários biótipos, o corpo e a nudez como obra, conceito e arte. Procurei montar um ambiente limpo, sofisticado e que desse aos visitantes uma sensação inspiradora", explica.

Para Mathws, a profundidade do tema a ser explorado nas fotografias é essencial. "Procuro aprofundar os temas que quero explorar. Se vou falar do kitsch, faço uma pesquisa do assunto. Se vou falar do corpo, da mesma forma... Sempre gosto de focar no conceito das imagens. As minhas técnicas são várias. Na exposição que está acontecendo no Memorial da Resistência, há imagens em que utilizei o sol, luz de celular, experimentei velocidades e manipulação digital. Tenho Photoshop como um ateliê digital à minha disposição", comenta.

Ano passado, Mathws Aires fez uma série de fotografias em que retratava modelos femininos. Para ele, esse foi um novo desafio. "Nunca havia experimentado fotografar o nu. Também fiz o masculino mais recentemente e posso comparar as duas experiências. Com mulher, a coisa é mais complicada, porque há uma preocupação maior em deixá-la linda. Também há a questão da nudez: com elas, a coisa é mais difícil de conseguir. Com os homens, a naturalidade flui mais e eles não ficam tão preocupados se vai ser o cabelo assim, ou isso ou aquilo. Elas têm mais medo de aparecer demais; tirar a roupa era mais difícil... Mas foi uma ótima experiência e pretendo fazer outras, no entanto, quero frisar que não pretendo ser conhecido como fotógrafo de ensaios sensuais, e, sim, de moda e arte... Logo, procuro trazer o corpo para o caráter de obra", explica.    


  "Fiquei muito surpreso com a boa receptividade para o que faço" 
 fotografia: Mathws Aires

 "QUERO TRABALHAR MINHAS IDEIAS LIVREMENTE"

Mathws salienta que a House (houseofmathws.com), sua página na internet, é um projeto pessoal, onde pretende trabalhar as ideias livremente. "Todo criador precisa deste lado para se sentir bem e livre. Se eu começar a querer transformá-lo em algo mais comercial, vou perder este espaço. No entanto, pretendo montar uma empresa com o mesmo nome e o estúdio. Trabalhar com fotografia é 8 ou 80... Você precisa de muito dinheiro, pois os equipamentos são caros. No início, o retorno é muito difícil e é necessário construir um nome e agregar valor ao seu trabalho, depois, como tudo, vem o sucesso... Ainda estou longe de conseguir o que penso, mas a caminhada é boa. O mercado também é algo que merece ser levado em consideração. Em cidades como São Paulo, por exemplo, as coisas fluem mais rápido e a renda é maior, assim como os custos", finaliza.

...fonte..
 www.gazetadooeste.com.br

...visite...
 www.houseofmathws.com

junho 09, 2012

O SORRISO DO CHORINHO POTIGUAR

 CARLOS ZENS
"SORRISOS DO CHORO: UMA JORNADA MUSICAL ATRAVÉS DE CAMINHOS CRUZADOS"
Instrumentista potiguar foi um dos nomes na obra de Julie Koidin
 uma pesquisa significativa, cujos registros duraram  quase uma década
fotografia: Canindé Soares

 ANTOLOGIA PÕE POTIGUARES NO PANTEÃO DO CHORO

 Por
Yuno Silva

Inspirada no antológico "O Choro: reminiscências dos chorões antigos", livro do cantor e cavaquinista carioca Alexandre Gonçalves Pinto (1870-1940) publicado em 1936, a flautista norte-americana Julie Koidin mergulha no universo da mais erudita das vertentes populares da música brasileira e apresenta "Os sorrisos do Choro: uma jornada musical através de caminhos cruzados", obra que traz um registro significativo de toda uma geração de instrumentistas, compositores e personagens do quilate de Altamiro Carrilho, Hermeto Pascoal, Guinga, Sivuca, Yamandu Costa, Henrique Cazes, Paulo Moura e Carlos Malta.

A pesquisa de Julie levou quase uma década ser concluída, reúne 52 entrevistas (transcrições na íntegra) e destaca nomes do Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Recife, São Paulo e Natal. "Foi tudo muito por acaso: em junho de 2002, ela estava de passagem por Natal para descansar e, ouvindo o programa Chorinhos e Canções da rádio FM Universitária, quis conhecer quem estava tocando", lembrou o flautista, cantor e compositor natalense Carlos Zens, que ao lado do instrumentista e compositor João Juvanklin representam os músicos do Rio Grande do Norte no livro de 514 páginas.

"Na época questionaram os motivos dela só ter conversado conosco, mas há dez anos não havia tantos discos lançados na praça e vários nomes que hoje atuam como compositores ainda se destacavam apenas como intérpretes", justificou Juvanklin. O músico de Serra Caiada, que em 2002 tinha CD e song book lançados, contou que chegou a citar, durante a entrevista que concedeu à Julie Koidin, o irmão Franklin e o sobrinho Alexandre Moreira como outros representantes do choro potiguar. "Mas ela queria focar a pesquisa em compositores com trabalho lançado. Se fosse hoje, teríamos muito mais gente para indicar como Diogo Guanabara entre outros ótimos nomes", garante o músico.

Para ambos, o reconhecimento e a oportunidade de figurar ao lado de grandes personalidades da música nacional é a grande recompensa de ter participado do projeto. "Não quero chamar atenção, nem tenho mais idade pra isso e cheguei a pensar que o livro nem seria publicado, mas fiquei extremamente gratificado de estar ao lado nomes como Hamilton de Holanda, que na minha opinião está entre os grandes cavaquinistas da atualidade. Acredito que nossa presença no livro, minha e de Zens, serve para mostrar ao resto do país que aqui em Natal tem boa música sendo feita. Somos apenas a ponta do iceberg", garante.

Aos 74 anos, João Juvanklin já lançou três discos inteiramente autorais e está fechando a produção do quarto álbum e de seu segundo song book (livro com partituras). Em 1998, editou o song book "Trinta e uma peças musicais" e gravou o CD "Bandolim, Cavaquinho e Violão". "Estou na fase de documentar e deixar minhas composições registradas para as futuras gerações, é a minha contribuição com a cultura musical".  
 
 
JULIE KOIDIN
a flautista fez sua investigação particular sobre o ritmo
o encanto pela espontaneidade e improvisos dos músicos brasileiros

CD DE ALTAMIRO CARRILHO, ACHADO EM SEBO, DEU O PONTAPÉ

Para Carlos Zens, o livro de Julie Koidin é um documento histórico, não só pela abrangência da pesquisa como também pela presença de músicos consagrados e muitos já falecidos como Sivuca e Paulo Moura. "É um trabalho incrível, ela juntou os maiores nomes do choro no Brasil e teve o cuidado de não se limitar aos grandes centros. Acredito que a obra oferece um ótimo material para quem se preocupa com a pesquisa do choro".O flautista disse ser "muito legal" estar junto com grandes músicos do gênero, reconhecidos internacionalmente: "Isso dá boa visibilidade aqui pra nós do RN e reforça laços de amizade que já existiam", verificou Carlos Zens, que apelidou a pesquisadora norte-americana de 'Julie Cajá' - "Ela simplesmente ficou fascinada com as frutas daqui do Nordeste, e virou fã do suco de cajá. Em todo lugar era só o que pedia", diverte-se o músico.

Zens contou que Julie conheceu o choro brasileiro através de um disco do flautista Altamiro Carrilho, 87, encontrado em um sebo nos Estados Unidos. "Carrilho é um dos mestres do choro, nome obrigatório para flautistas de qualquer parte do mundo", ressaltou Zens, explicando que a base do chorinho é formada pela dupla bandolim e flauta. Quando Julie esteve em Natal, Carlos Zens levou a norte-americana naquela primeira primeira roda de chorinho do Beco da Lama, bem antes de existir o Buraco da Catita. "Ficou encantada e, claro, pediu mais um copo de suco de cajá para acompanhar a galera na flauta", recorda.

Segundo Zens e Juvanklin, Julie Koidin planeja vir a Natal no próximo mês de julho para lançar oficialmente o livro "Os sorrisos do Choro: uma jornada musical através de caminhos cruzados" (Global Choro Music) - disponível para compra em páginas eletrônicas de livrarias por preço médio de R$ 45 (o título também pode ser encomendado na livraria Saraiva).

MODA E RECEIO - Sobre o fato do samba e do choro estarem passando por uma nova onda de modismo no país, Zens acha válida a valorização, mas vê com ressalvas e receio a possibilidade da tradição ser enfraquecida com a mercantilização exagerada do gênero. "É muito amor, muita paixão, quando começo a ouvir entro até em depressão com a choradeira. Minha preocupação é essa vulgarização. O samba e o choro são muito mais que isso, vide as crônicas sociais e urbanas de Noel Rosa. Mas uma coisa é certa, eles nunca vão morrer, podem até agonizar, mas morrer não". Carlos Zens explicou que o choro é base instrumental da música brasileira, é a partir dele que se desdobraram o samba, o baião e o sertanejo raiz. "O choro é referência fundamental para a música brasileira, foi a maneira que encontramos para traduzir a música erudita europeia que desembarcou junto com a família real no início do século 19".


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junho 07, 2012

A POESIA NA STREET ART

 Artista urbana e poeta, Eveline Gomes, ou apenas Sinhá
 trabalhos divulgados na Colômbia, França, Espanha e Coréia do Sul

O LADO DE DENTRO DE SINHÁ  

Via
Jornal de Hoje & Correio da Tarde

Quem passa pelas ruas da cidade não fica inerte ao perceber que existem pássaros atravessados em Sinhá. Mulher de cores vivas, fortes e repleta de sentido. Ela está no prédio do DoSol, nos muros em frente ao antigo Machadão, no barco atracado em Búzios e em diferentes paragens. Assim também é Eveline Gomes, a Sinhá poeta, artista e escritora que voa junto com os pássaros e nos arrebata ao escrever poemas na obra “Devolva Meu Lado de Dentro”, seu primeiro livro de poesia, lançado recentemente na Casa da Ribeira, em Natal/RN.

Em suas inquietações, dizeres como “Quero o sagrado das ruas/E a calma de estar em mim/Longe da frieza dos mundos”, traz um pouco do seu amor por tintas e palavras. Potiguar e radicada em São Paulo, Eveline gosta de dizer que a paulicéia foi seu nascimento para a arte. “São Paulo é meu berço artístico. A cidade o tempo inteiro vai tirando coisas de você. São surpresas o tempo inteiro, sem fim”, disse Eveline em entrevista ao Jornal de Hoje com seus olhos de farol.

Os poemas chegam em diferentes ocasiões. “Não existe um ritual. Já cheguei a fazer poemas até com lápis de olho ou então mandando mensagens para mim mesma no celular, para que não perdesse o poema”. Lembrou. Um desses exemplos aconteceu em um dia andando no carro, quando avistou o amigo Birimba de Jesus “tocando” um samba numa caixa de cigarros e de repente saiu um poema.

O amor por tintas e palavras levou Sinhá a desnudar o cinza das ruas e o branco dos papéis. Entre as pinturas nos muros e prédios das cidades, colorindo até o arranha céu de São Paulo, ela encontrou a poesia. Com essa carga de sensações, tintas, loucuras, verdades e infinitos que Sinhá leva ao mundo seu primeiro livro, que vem de inspirações de até oito anos atrás.  “Escrevo desde os 14 anos, mas os poemas escolhidos para o livro vieram desses últimos anos, quando fui recolhendo um por um com a ajuda do Daniel (Minchoni – companheiro de Eveline) e também com a ajuda de Letícia Torres, uma irmã pra mim”, disse.

Seus textos curtos, intensos e livres nascem como quem voa. Como escreveu Criolo na orelha do livro “Para quem escolheu o quase viver, o quase sentir, o quase tentar, não visite Sinhá. O incômodo será insustentável”. O aviso é real. Em poucas palavras, sua poesia possibilita a leitura de mundos inteiros, quando sentimos tudo, deixando de lado a frieza dos mundos. Desde o copo americano de café onde cabe o amor perdido, até os “cacos de vidro, presos ao cimento do seu medo”, sua poética é peculiar.

É de chão, céu, extremos e vontades que a obra trata. Levando o leitor para dentro. Entre suas leituras estão os escritores Ferreira Gullar e Manoel de Barros. “São os dois amados da minha vida. Levo muitas vezes o Poema Sujo dentro da bolsa para me iluminar durante o dia a dia, estou sempre revisitando suas obras”, contou.

Além da poesia, a música tem um espaço muito especial em sua história/trajeto, chegando a ter parcerias com Kiko Dinucci em “Os Olhos da Cara” e a canção “Orquídea Ruíva” de Gui Amabis interpretada por Eveline (Sinhá) e Criolo, disparando entre os vídeos mais vistos no youtube. “As parcerias, por incrível que pareça, surgiram muito pela internet. É interessante esse universo que começa no virtual e termina trazendo amigos para a vida inteira”. As letras e as pinturas ganham espaço também em figurinos.

Eveline foi responsável pelo figurino de Anelis Assumpção no lançamento do seu mais recente disco “Sou Suspeita, Sou Sujeita, Não São Santa” e também o manto que cobriu Criolo no disco “Nó na Orelha”. “São parcerias lindas que levarei para sempre comigo”. Sua última parceria foi a capa do disco do compositor Luiz Gadelha, intitulado “Suculento”. E é ele quem estará cantando no lançamento que acontece na Casa da Ribeira, levando todos para o lado de dentro de Sinhá.

ARTE URBANA

Eveline Gomes – Sinhá nasceu em Natal/RN no dia 19 de fevereiro de 1982. Vive em São Paulo desde 2006. É escritora e artista. Pintou um prédio inteiro na Marginal Tietê em São Paulo e diversos muros da cidade desde 2007 e do mundo atravessando pássaros em sua personagem Sinhá ao lado de Sola. Participou de coletâneas literárias como “…” Participou da Exposição Graffiti Fine Art no Mube, Museu de Escultura Brasileiro.

Publicitária por formação, mas há três anos decidiu trocar os escritórios de propaganda em Natal pelas ruas de São Paulo, onde atualmente se dedica à street art. Aborda em seus trabalhos uma figura feminina que criou, personagem amarrada e sem braços, que contrasta com a liberdade dos pássaros ao seu redor. "Traz uma agonia, uma inquietação", explica.

A artista possui trabalhos divulgados na Colômbia, França, Espanha e Coréia do Sul. Em Natal, suas intervenções podem ser encontradas em bairros como Lagoa Nova, Mirassol, Centro e Ribeira. "Prefiro lugares destruídos e muros bem feios porque acho que acaba valorizando o trabalho", revela

Street art também conhecido como Arte Urbana é a expressão que refere-se a manifestações artísticas desenvolvidas no espaço público, distinguindo-se da manifestações de caráter institucional ou empresarial, bem como do mero vandalismo.

A street art foi gradativamente se constituindo como forma do fazer artístico, abrangendo várias modalidades de grafismos. Algumas vezes muito ricos em detalhes, que vão do Graffiti ao Estêncil, passando por stickers, cartazes lambe-lambe ,intervenções, instalações, flash mob, entre outras. São formas de pessas sozinhas, expressarem os seus sentimentos atraves de desenhos.

...fonte...
 www.jornaldehoje.com.br
www.correiodatarde.com.br

junho 06, 2012

RETRATOS EM CRÔNICAS COMPILADAS

  "RETRATOS INGLESES"
autor reúne crônicas sobre cultura e assuntos do Direito sob o olhar literário

MARCELO ALVES DIAS DE SOUZA
UMA SIMBIOSE ENTRE LITERATURA E DIREITO

 Por
Yuno Silva

Não adianta dominar um assunto e esbarrar na dificuldade de compartilhar informações e se fazer entendido. Para minimizar a possibilidade de qualquer contratempo linguístico, o procurador Marcelo Alves Dias de Souza investe no viés literário para abordar temas jurídicos. Colunista da  TRIBUNA DO NORTE, Alves lança nesta quarta-feira (6), às 19h, no Solar Bela Vista, o livro "Retratos Ingleses", onde apresenta uma compilação de crônicas que  traduzem o 'juridiquês' e aproximam o leitor comum de assuntos cotidianos relacionados ao campo do Direito. Ao mesmo tempo, discute assuntos de literatura e arte com o olhar de jurista.

O jurista e escritor selecionou 59 textos produzidos durante sua estadia na Inglaterra, daí o título, e o lançamento é a primeira obra chancelada pelo selo literário FeeDBack. Na capital inglesa, o potiguar cursa Doutorado em Direito no King's College London - KLC, e aproveita seu tempo livre para escrever. "A literatura vem sendo minha principal companhia durante essas temporadas em Londres", disse Marcelo Alves, que considera a escritora britânica Agatha Christie (1890-1976) a "melhor amiga". Como nos últimos quatro anos ele passou mais tempo lá do que aqui, as palavras se tornaram o principal elo com o Brasil.

"Retratos Ingleses" é o segundo título da trilogia iniciada ano passado com "Ensaios Ingleses" (Editora Queima-Bucha), e os planos para 2013 é publicar as "Crônicas Inglesas". Todo o conteúdo presente nos dois livros já lançados segue a mesma configuração, na qual o autor agrupa as crônicas de acordo com eixos temáticos: Direito e Literatura, Direito e Cinema, Educação, Ciência Política e Filosofia. "As crônicas têm sempre 'um quê' de Direito, e sempre procuro explicar os assuntos e situações retratadas a partir de temas como literatura e cinema, principalmente. Dessa maneira, a linguagem se torna mais acessível".

As crônicas problematizam, através do olhar jurídico,  questões cotidianas e corriqueiras, que muitas vezes utilizam o subterfúgio da ficção para criar situações. "Em muitos momentos, crio uma situação hipotética para dar margem às análises e elucubrações, sobre as quais traço paralelos com assuntos mais leves como o cinema".

Uma coletânea de textos semanais publicados na Tribuna do Norte
o tradicional chapéu-coco exibido na capa parece guardar 
os pensamentos londrinos do autor de “Retratos ingleses”

Além das incursões no gênero literário, Marcelo Alves também assina a publicação do livro técnico jurídico "Do precedente judicial à súmula vinculante" (Editora Juruá, 2006) e é co-autor de "Estatuto do Idoso comentado" (Editora LZN, 2006) e "Jurista Literário II" (MP Editora, 2011). "Pretendo no futuro, após a conclusão do Doutorado, elaborar um manual de Direito que lança foco sobre três abordagens: o Direito na literatura; o Direito como forma de literatura; e o Direito da Literatura".

De acordo com o procurador, esse tipo de livro - que relaciona os dois temas, Direito e literatura, em vários níveis - é bastante comum no exterior. Marcelo Alves explica o significado de cada um dos três pontos de vista: "No primeiro caso, o Direito na literatura, são aquelas histórias onde o enredo gira em torno de uma questão jurídica. 'O mercador de Veneza', de Shakespeare é um bom exemplo disso", exemplifica.

Já o Direito como forma de literatura pode ser entendido quando se considera o teor literário de uma petição, como os documentos emitidos por Rui Barbosa. "E o Direito na literatura tem a ver com direitos autorais, entre outras coisas. Esta publicação seria com perfil técnico, voltada para a orientação e pesquisa", adiantou o escritor.

Em tempo: toda a renda com a venda de "Retratos Ingleses" durante o lançamento será revertida em favor da construção do Carmelo Nossa Senhora do Sorriso e Santa Terezinha, em Emaús, Natal/RN.

SELO
 
"Retratos Ingleses" é a primeira publicação do selo editorial FeeDBack, idealizado pelo jornalista e escritor potiguar Franklin Jorge, que além de literatura também irá trabalhar com obras de autores da carreira jurídica. O próximo lançamentos estão programados para o mês de agosto, quando Jorge publica os volumes um e dois de "O escrivão de Chatham". Ainda estão no prelo do selo dois volumes sobre a mitologia e vivências do vale do Assu.
 
...fonte...
 
...serviço...
  "Retratos Ingleses" 
(FeeDBack, 214 páginas - R$ 50)
Marcelo Alves Dias de Souza
 Hoje, às 19h, no Solar Bela Vista, Cidade Alta - Natal/RN

junho 05, 2012

MOSSORÓ: ROCK NA TERRA DO SOL

  CENTRO CULTURAL DOSOL
 Do Death Metal até artistas da MPB, espaço para bandas de todas as vertentes,
mas que têm como premissa, um som de qualidade
 designer: Cesar Valença

 MOSSORÓ É TERRA DO SOL

Via
De Fato.com

A notícia que ganhou ampla repercussão, especialmente nas redes sociais e gerou uma boa expectativa, trata da chegada do Centro Cultural Dosol em Mossoró/RN. Espaço diversificado e aberto para outros estilos musicais que fogem do regional, na capital do Estado, o Dosol tem movimentado o mercado cultural, reunindo as duas pontas mais interessadas na proposta, há dez anos: as bandas e o público que gosta dos estilos considerados por aqui alternativos.

Em Mossoró, a proposta do Centro Cultural Dosol será a mesma, ou seja, promover e pôr em contato com o público as bandas que ainda não são conhecidas, mas que têm como premissa, um som de qualidade. 

“Desde a primeira realização do Festival Dosol em Mossoró, temos tido bom contato com o Foca, que é o idealizador do espaço em Natal. Depois de algumas conversas, vimos que seria muito viável em Mossoró”, explica Kalil Lamarck, produtor musical, e, juntamente com Amilton Jr., são sócios na proposta do CCDosol Mossoró.

Amilton Jr. explica que a abertura de um espaço específico para a música alternativa e com uma característica mais voltada para o pub é essencial para o crescimento da cena musical de Mossoró no geral. “No espaço vai caber desde Death Metal até artistas da MPB, seguindo o que já acontece no CCDosol de Natal”, ressalta. O pub vai abrir de quinta a sábado, com programação diversificada de shows, discotecagens, festas temáticas e exibição de filmes e documentários. Dependendo da agenda de alguns artistas, o espaço para shows pode abrir qualquer dia da semana.

  Bandas alternativas, como os Leões de Minerva,  terão espaço no Dosol
integrantes da cena roqueira mossoroense

ESPAÇO

O local de 70 metros quadrados escolhido para abrigar o Centro Cultural Dosol Mossoró fica localizado quase em frente ao Teatro Municipal Dix-huit Rosado, em pleno corredor cultural da cidade. 

O prédio de dois andares vai ter um hall de entrada com áreas externas para fumantes tanto nas laterais como na frente. Um espaço estilo pub totalmente refrigerado com capacidade para 100 pessoas (150, contando as áreas externas) com balcão para bar e palco com som, luz e backline próprios. Ainda embaixo terá o escritório do CCDosol Mossoró, que servirá como ponto de encontro para a música e a expressões artísticas da cidade em geral. Tudo climatizado e acusticamente preparado para não ferir as normas ambientais.

“Nossa preocupação , diante do que já aconteceu na cidade devido às fiscalizações da Polícia Ambiental, é a de nos adequarmos às leis ambientais. Por isso, resolvemos fazer o espaço totalmente fechado e com ar condicionado, para que os shows aconteçam sem problema”, ressalta Lamarck.

Na parte de cima do centro, um lado do quarto de hospedagem do espaço com capacidade para receber até seis pessoas, equipado com camas, roupas de cama e banho, frigobar, ar-condicionado e banheiro próprio. Do outro lado, um estúdio de ensaio e gravações também com backline e equipamentos próprios, em que as bandas e os intérpretes poderão gravar seus trabalhos.“O estúdio vai estar disponível para ensaios e gravações, vão poder ser locados de acordo com as necessidades dos artistas; já trabalho com isso e percebemos que seria legal estar tudo num único espaço”, explica Lamarck.   
 
 SITE ESPECIAL
  A ideia do portal é registrar todo conteúdo
 a respeito das movimentações do Dosol em terras mossoroenses  
 
PROGRAMAÇÃO  
 

A inauguração do Centro Cultural Dosol Mossoró já tem data – 19 de julho –, e será com a banda Camarones, muito conhecida no hall de bandas de rock e que já se apresentou outras vezes no Dosol de Natal.

Além de produções próprias, o espaço também estará disponível para uso dos produtores independentes da cidade através da locação de pautas. Independente disso, Kalil Lamarck e Amilton Jr. garantem que mais de duas dezenas de bandas e artistas de Mossoró, Natal, Fortaleza (CE), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Campina Grande (PB) e Recife (PE) já estão agendados para o mês, inauguração do espaço. “Já temos contatos para uma agenda até o mês de agosto”, ressalta. Quem gosta, sabe que não perde por esperar!

 
Mahatma Gangue em ação no Festival Dosol Mossoró 2011 

 DOCUMENTÁRIO
 
A ideia não é nova mas agora ganha muita força. A Dosol Image começou a recolher material para a produção de um documentário sobre a atual cena roqueira de Mossoró,  contando um pouco da sua história, falando com seus personagens e apontando pro futuro. O filme será rodado no mês de junho e a previsão de lançamento é no final de julho. Ainda sem nome o projeto faz parte de uma série de documentários que o Dosol está produzindo para mostrar o atual momento da cena musical do RN. Além de ficar disponível na web o documentário pretende ser exibido em tvs abertas e fechadas do estado, além de entrar pro acervo permanente do DosoTV.

O documentário sobre o rock de Mossoró também faz parte das ações do CCDosol Mossoró que começa suas atividades dia 19 de julho com abertura do espaço para shows, exibições de filmes, ensaios, gravações, palestras e debates sobre música e cultura.

junho 02, 2012

EU, VOCÊ, O REGGAE E O MAR

  ELIZABETH FREITAS  
 "A música é o meu mundo; sem ela, não vivo. Nunca vou parar de cantar. 
Posso afirmar que estou só começando"
fotografia: Bebel Nunes
 
 UMA VOZ DIFERENTE
 
Por
Cristiano Xavier

Com uma voz diferenciada e cantando num ritmo agradável (uma fina mistura de MPB e reggae), a cantora Elizabeth Freitas se diz feliz com a repercussão de seu trabalho, principalmente agora, quando lança, na rede mundial de computadores, seu primeiro videoclipe, com a música "Eu, você, o reggae e o mar" (Confira no link logo abaixo desta postagem). "Minha música é alternativa. Toco um pouco de pop, rock, reggae, baladas, MPB. Procuro envolver a música brasileira com a internacional. A música representa o que tenho de melhor para oferecer à sociedade. É através dela que contribuo para algo melhor, cativando as pessoas com as canções e mensagens. A música é o meu mundo; sem ela, não vivo. Nunca vou parar de cantar. Posso afirmar que estou só começando", afirma Elizabeth Freitas.

A cantora começou a carreira aos 16 anos, quando montou uma banda de rock no colégio. "No começo, não sabia cantar direito, a voz ficava trêmula, mas logo estudei um pouco de técnica. Logo aprendi a tocar violão na Escola de Música Pedro Ciarlini", diz.

"Falta apoio para a divulgação de grandes vozes e composições 
que evidenciem os artistas de Mossoró no cenário brasileiro"
 fotografia: Marília Gabrielly

O primeiro CD de Elizabeth foi gravado em 2011. "Gravar o primeiro CD foi maravilhoso. O fato de conseguir dar vida às minhas composições é algo indescritível. Foi um pouco difícil financeiramente, mas com o apoio da família, amigos e do estúdio, que acreditou no meu trabalho, gravamos, e, dentro de 4 meses, o CD foi produzido", explica, ressaltando que os artistas estão ganhando espaço aos poucos, independentemente do seu estilo musical. "Mas ainda falta apoio para a divulgação de grandes vozes e composições que evidenciem os artistas de Mossoró no cenário brasileiro", observa.

Além das dificuldades relativas ao processo de produção, o artista também enfrenta um mercado cultural cada vez mais competitivo, com outros nomes do cenário na disputa de um espaço, além do avanço da tecnologia na produção dos trabalhos musicais. Estes e outros fatores, principalmente o financeiro, acabam por fazer com que bons nomes da música não gravem suas composições. Elizabeth Freitas acredita que este, no entanto, é um momento importante para a arte musical na cidade e enfatiza que existe espaço para se apresentar. "Canto na noite, em bares, hotéis, praias e eventos. É um pouco desgastante, pois o público de barzinho está acostumado a um show de aproximadamente três a quatro horas por artista. Então, acho que o rendimento do artista cai depois de um show de duas horas, por exemplo. No entanto, em compensação, é prazeroso ouvir o público cantar junto comigo; isso me motiva. Em termos financeiros, creio que aos poucos o artista está sendo valorizado, sim. Sei que muitos investidores vêm reconhecendo o trabalho de cantor como uma profissão séria, compensando os artistas com um melhoramento no cachê", declara.

"A Produção do meu CD foi  independente.Não é fácil, mas é possível"
fotografia: Marília Gabrielly
 
INDEPENDENTE

Com canções próprias, mas pretendendo, em breve, abrir parcerias com outros artistas da cidade, Elizabeth Freitas destaca que seu primeiro trabalho (Letras, Canções e Versos) foi produzido de forma independente. "Não é fácil, mas é possível. A produção do meu CD foi independente e sempre contei com os amigos e com as redes sociais para divulgação. Acho que um projeto dentro da cidade, de valorização da cultura, põe nosso município em outro patamar. Acho que um projeto como o de trazer de volta a "União dos Artistas" faria toda a diferença. Mas uma coisa tenho que dizer: as televisões, rádios e jornais estão disponíveis para o artista. Tenho certeza: é uma boa forma de divulgação", reforça.
 
 Segundo ela, não faltam espaços. A dificuldade, no entanto, é sempre a mesma de qualquer profissão: alcançar reconhecimento. "Estou conseguindo isso, graças a Deus. Acredito que é só correr atrás e mostrar seriedade e compromisso com o público", confessa. 

"Meu sonho é levar minha canção aos lugares que jamais imaginei existir"
 Participação no Verão TCM 2012
 
 "MINHA CANÇÃO"

O próximo trabalho da cantora já está sendo elaborado. "As canções já estão separadas; só falta gravar. Será bem legal, um som bem divertido, puxado para o surf music, reggae e pop. Espero poder lançar até o fim do ano, para todos curtirem no verão. Também pretendo gravar um trabalho paralelo, acústico e simples, com voz e violão, só com as minhas canções românticas. Tudo em cada tempo", fala.

Elizabeth Freitas quer levar sua música a várias pessoas. "Meu sonho é levar minha canção aos lugares que jamais imaginei existir; poder saber que do outro lado estão pessoas que se identificam com as minhas letras, que gostam da minha voz, que curtem meu ritmo. Quero realizar o sonho de gravar um DVD, mas, para isso, vou precisar de um apoio da sociedade. Não só penso como participo sempre de concursos, como A Mais Bela Voz e Festival da Canção", enfatiza, destacando que é grata a todos "que sempre acreditaram no meu trabalho". "A todos que me deram força para gravar o meu primeiro CD (produzido por Netto Alves, no Estúdio Sonora Pro-Music) e o meu primeiro Videoclipe, produzido e dirigido pelo fotógrafo mossoroense David Dantas, que idealizou o projeto para dar vida à canção Eu, você, o reggae e o mar. Espero que artistas iniciantes vejam este trabalho como uma forma de inspiração, para que jamais desistam dos seus sonhos musicais", finaliza.

O CD Letras, Canções e Versos está disponível para venda diretamente com a cantora, através do telefone: (84) 8836-2023, e na loja Henry Modas, localizada no Shopping Park Center, Centro, Mossoró. Fone: (84) 3321-1402.


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maio 31, 2012

ADEUS, ZAÍRA CALDAS

 Zaíra Caldas foi pioneira no RN quanto ao manuseio do espaço na telafotografia: Walmir Queiroz

MORRE A ARTISTA PLÁSTICA ZAÍRA CALDAS

Via
Tribuna do Norte e Nominuto.com

Faleceu no final da manhã desta quarta-feira (30), a pintora Zaíra Caldas, aos 84 anos. Ela estava internada no Hospital da Guarnição para fazer o tratamento de quimioterapia, pois há 4 meses descobriu que tinha um câncer no sangue chamado mieloma múltiplo.

O velório aconteceu ainda na noite de quarta-feira. O seu enterro aconteceu no Cemitério Morada da Paz, localizado no conjunto Emaús, em Parnamirim. Uma hora antes do enterro, a sua família celebrou uma missa.

Irmã do também pintor Dorian Gray, Zaíra começou pintar os quadros quando tinha 7 anos. A artista também era ceramista, escultora, gravadora, poetisa e compositora. A primeira exposição dela foi no ano de 1965. Seus trabalhos já foram expostos na Bélgica, França, Itália, Espanha e Suíça. Ela é considerada a mãe do transfigurativismo.

Essa técnica consiste em uma imagem que se modifica e o observador da obra vai vendo coisas no quadro que o pintor não necessariamente colocou. A pintura de Zaíra era feita a óleo, mas também utilizava o metal cravado e a colagem de folhas.

Em nota, a Secretaria Extraordinária de Cultura do Rio Grande do Norte colocou essa seguinte nota de pesar:

A Secretaria Extraordinária de Cultura e a Fundação José Augusto (Secult/FJA) unem-se aos sentimentos da família de Zaíra Caldas Pereira (1927-2012) e a todos os norte-rio-grandenses, eternamente saudosos e orgulhosos de sua ilustre conterrânea, que soube explorar e traduzir, como poucos, "a festa colorida da natureza" - para citar as palavras do cronista Rubem Braga.

Pintora, escultora, tapeceira, Zaíra Caldas soube conciliar técnica e sentimento numa vasta obra que ultrapassou as fronteiras do estado, desde a década de 1960 até os dias atuais, sempre revelando-se através de sua arte que, na definição de Câmara Cascudo, soube ser "forte, leal e nítida, documental e direita, antiga e contemporânea".
 
A MAGIA DA VIDA NOS PINCÉIS DE ZAÍRA CALDAS

Ela pintava  quadros mutantes. Zaíra Caldas contava que no processo de elaboração de suas obras, ela não pensava  muito, simplesmente agia e as fazia. Segundo ela, seus quadros eram feitos "de uma maneira intuitiva, cósmica". Zaíra Caldas, irmã de um dos principais nomes das artes plásticas do estado, Doryan Gray Caldas.

Em uma de suas últimas exposições, ela continuava com o mesmo tranfigurativismo de sempre, mas "surgindo com uma nova roupagem, diferente", enfatizava a artista plástica que deu nome ao próprio estilo.

Doryan Gray Caldas explica que a expressão "transfigurativismo" foi criada porque a obra se transfigura, muda. "Quando se olha o quadro, inicialmente pode ser visto uma floresta. Ao se repetir o olhar, já é possível olhar pessoas, ruas. Zaíra Caldas descobriu essa expressão através da observação de outras pessoas", comentou o irmão da artista.

Segundo Zaíra Caldas, Dorian Gray explica melhor do que ela mesma o que significa o transfigurativismo. "Ele escreveu sobre o estilo. Sabe explica-lo melhor que eu", revelava a artista plástica . 
 
Em suas escrituras, Doryan Gray afirma: "Quando Einstein criou a teoria da relatividade, comprovou que o que parecia não existir, realmente existia. Portanto, criou uma possibilidade, uma outra realidade que até então não havia sido percebida. Quando Zaíra criava uma figura transfigurada, criava uma outra realidade que existe, mas que não havia sido, até aquela data, percebida. E passa a existir se alguém a descobre, portanto, tem uma autonomia e uma dimensão. Estudando esta dimensão do que existe com a dimensão do que é percebido, tem-se um outro espaço no mesmo espaço de tempo".

Doryan Gray Caldas explica ainda que com a transfiguração, uma outra realidade passou a existir na arte de Zaíra, independente até de sua vontade e insuperável nas suas possibilidades.


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maio 29, 2012

REVENDO A PARIS DE AMÉRICO COSTA

"PARIS 18/20"
 Imagens atuais dos locais visitados por Américo de Oliveira Costa

REVENDO PARIS DE AMÉRICO DA COSTA

 Por
Rafael Barbosa

Percorrer Paris em três dias e conseguir reconstruir o caminho realizado pelo professor Américo de Oliveira Costa. Esta foi a missão dos dois estudantes escolhidos pela Aliança Francesa para prestarem uma homenagem ao fundador da instituição. Apaixonado pela cultura da França, Américo de Oliveira partiu rumo à  "Cidade Luz" com a única intenção de conhecer o lugar com que tanto sonhou através dos livros. A viagem havia sido planejada mais de 15 anos antes pelo acadêmico, que a fez aos 47 anos de idade.

Após o retorno da viagem, a junho de 1958, o professor realizou na Aliança Francesa de Natal  a palestra "Imagens e Itinerários de Paris", publicada na revista Cactus no ano seguinte, para contar as experiências vividas na cidade. E foi no relato desta palestra que os estudantes Arthur Silveira de Veras, de 17, Caroline Germano de Queiroz, de 20 anos, se apoiaram para fazer uma nova expedição. Saindo da cidade de Porto, em Portugal, chegaram a Paris em 27 de janeiro deste ano, e lá permaneceram até o dia 29.
 
 1958
 Américo de Oliveira partiu rumo à  "Cidade Luz" com a única intenção 
de conhecer o lugar com que tanto sonhou através dos livros  

FOTOGRAFIAS E POSTAIS 

Dos 52 pontos percorridos em 15 dias e relatados por Américo de Oliveira, os estudantes conseguiram realizar pouco mais de 20, em três dias, tempo que os dois tinham disponível para a atividade.   Carolina e Arthur documentaram a viagem através de desenhos e fotografias e vão expor o material produzido nesta quarta-feira (30), na exposição "Paris 18-20". A  mostra fará parte do sarau mensal que ocorre na escola de idiomas, às 19h, junto a outras programações artísticas organizadas pelos próprios alunos: sapateado e apresentações musicais.

 AMÉRICO DE OLIVEIRA COSTA
Um escritor múltiplo e apaixonado pela cultura potiguar e francesa

AMÉRICO DE OLIVEIRA COSTA

O macauense Américo de Oliveira Costa nasceu em 22 de agosto de 1910, e morreu em Natal em 1º de julho de 1996. O professor foi colaborador da resistência francesa na Segunda Guerra Mundial, feito que o distinguiu mais tarde com condecorações de Cavalheiro e Oficial das Palmas Acadêmicas e Cavalheiro e Oficial da ordem Nacional do Mérito, do Governo francês, além de consul honorário da França na capital potiguar.

Américo era um amante da França e dedicou toda as suas produções literárias ao país europeu e à cultura nordestina. Formado em Direito pela Faculdade do Recife, em 1935, foi prefeito eleito do município de Bebedouro, atual Agrestina, em Pernambuco, de 1935 a 1937, cassado pelo Estado Novo. Em Natal, foi chefe de gabinete do governo de Rafael Fernandes, promotor de Justiça em Currais Novos e em Mossoró, diretor do Departamento de Estatística e secretário-geral do Estado nos governos de Dix-Sept Rosado Maia e Sylvio Pedroza.

Américo de Oliveira também procurador do Estado e por duas vezes juíz do Tribunal Eleitoral, professor do Colégio Diocesano de Mossoró, do Ginásio Sete de Setembro, da Escola Doméstica, da Escola Normal, da Faculdade de Jornalismo Elóy de Souza e da Faculdade de Direito (titular e emérito) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.


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Rafael Barbosa

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Paris 18/20
 30 de maio, 19h
 Galeria D’Arts José Valério Cavalcanti
Aliança Francesa - Natal/RN

maio 28, 2012

POTIGUARES NA TRILHA DO REI DO BAIÃO

Entre parceiros, compositores e amigos, Luiz Gonzaga gravou Janduhy Finizola, 
Severino Ramos e Elino Julião e carregou debaixo da asa 
muitos poetas e amigos potiguares

 AS VEIAS POTIGUARES DO REI DO BAIÃO

 Por
Yuno Silva  

Lula, Velho Lua, Bico de Aço, Embaixador Sonoro do Sertão e Gonzagão são alguns dos muitos apelidos que o eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), ficou conhecido. Referência obrigatória para quem quer contar ou conhecer a história da música nordestina, sua trajetória se confunde com a própria popularização do forró, do xote do xaxado e do baião. Personagem recorrente da literatura de cordel, sua figura inspira verso, prosa e cinema - o filme "Rei do Baião", título mais que apropriado, está em fase avançada de produção e a previsão do diretor Breno Silveira é que seja lançado até o próximo mês de outubro.

Antes, porém, em setembro, a Sony Music planeja relançar toda a obra do pernambucano nascido em Exu há um século. Não por acaso, a reedição comemorativa do acervo vem sendo trabalhada pelo cantor, compositor e produtor musical potiguar Carlos André. O papel do mossoroense, radicado no Recife, foi crucial para a construção da imagem do Luiz Gonzaga que ficou marcada na memória da música brasileira. E não é só Carlos André que cruzou o caminho do mestre Lula, outros potiguares também fizeram parte dessa história de sucessos: Gonzagão foi parceiro de Elino Julião e Severino Ramos; e gravou Chico Elion, Henrique Brito, Zé Praxédi e Janduhy Finizola.

Para reconstruir essa relação de Luiz Gonzaga com o Rio Grande do Norte, bem mais estreita do que se pensa, a pesquisadora Leide Câmara, autora do Dicionário da Música Potiguar, deu algumas pistas. Vale registrar que a data oficial do centenário de seu nascimento será dia 13 de dezembro, mas as comemorações já começaram - em Natal e Recife, por exemplo, o São João será em homenagem ao Velho Lula.

 Seresteiro e compositor, Paulo Peres Tito, 83,
é natural de Natal e foi criado no bairro das Rocas

 LIGAÇÕES DIRETAS  

"Tem muita gente daqui do RN ligada à Luiz Gonzaga", adiantou Leide Câmara. "Paulo Tito foi morar no Rio de Janeiro a convite dele; Carlos André, do antigo Trio Mossoró, produziu os discos que ajudaram no ressurgimento de Gonzagão nos anos 1980. Nos anos 1940, Gonzaga gravou versão instrumental da música 'Queixumes', do violonista natalense Henrique Brito feita em parceria com Noel Rosa no Rio de Janeiro, pois o sotaque nordestino não era bem visto na época", enumerou a pesquisadora.

Paulo Tito contou à TRIBUNA DO NORTE que conheceu Luiz Gonzaga "pra valer" em 1954. Tito já estava morando no Recife e trabalhava na Rádio Jornal do Commercio quando o Rei do Baião foi participar de um programa na capital pernambucana. "Ele estava com o grupo desfalcado e me ofereci para substituir o zabumbeiro. Como eu também cantava fez o convite para ir para o Rio. Quando dei fé, dias depois, recebi um telegrama reforçando o convite. Cheguei no Rio de Janeiro bem no dia do aniversário dele, 13 de dezembro, e quem foi me buscar no aeroporto foi a esposa Dona Helena, que quando me viu, baixinho e sem pescoço, logo reconheceu", brinca o senhor de 83 anos e ainda com a voz em plena forma.

Paulo Tito passou uma temporada de dois meses na casa de Luiz Gonzaga e acabou morando por 26 anos no RJ - está em Natal desde meados dos anos oitenta a pedido da mãe. "Em casa ele era um moço da cidade, polido, educado, tenho muitas histórias com ele, imitava o jeito dele falar e cantar", disse Tito, sem perder a oportunidade de imitar Gonzagão.

No Rio, Tito gravou discos solo, foi gravado por nomes como Cauby Peixoto e Elis Regina, e atuou como produtor musical - inclusive assinou a produção e os arranjos do álbum "Sertão 70" do mestre. "Não dava para trabalhar com ele, viajava demais: amanhecia no Rio, tomava café no Recife e almoçava no Ceará, o homem não parava no lugar", lembra o potiguar, que foi violonista da cantora Maysa por muitos anos.

 TRIO MOSSORÓ
 marcou época nos anos 60 cantando e encantando Mossoró e todo o País  

UM POTIGUAR NO RECOMEÇO

Entre 1974 e 1983, a música de Luiz Gonzaga estava em baixa, estava para ser demitido da gravadora RCA quando o mossoroense Carlos André entrou em cena. "Trabalhei com ele desde 1960, quando o Trio Mossoró acompanhava Luiz Gonzaga nos shows, mas como eu também era sanfoneiro meus irmãos, João Mossoró (zabumba) e Hermelinda (triângulo), que viajavam mais", lembrou André.

Carlos André lembrou que, em 1983, foi convidado pelo presidente da gravadora RCA para uma reunião e ficou sabendo que o amigo iria ser dispensado pois há quase uma década ia mal nas vendas. "Disse que dava para contornar a situação, que ia produzir os discos de Luiz Gonzaga, disse que ele fora da praia dele gravando com orquestras e que deveria voltar às origens. Passei mais de uma hora para convencer o presidente a dar uma nova chance".

O potiguar produziu os discos "Danado de bom" (1984), "Luiz Gonzaga & Fagner" (1984), "Sanfoneiro macho" (1985), "Forró de Cabo a Rabo" (1986) e "De Fiá Pavi" (1987), álbuns que reúnem sucessos que imortalizaram Luiz Gonzaga. "Foi um sucesso atrás do outro. Era uma honra  produzir esses discos, principalmente por que comecei imitando Gonzagão. Ele foi meu padrinho de casamento em 1962".

Atualmente Carlos André trabalha com Fagner no relançamento de todo o acervo de Luiz Gonzaga. A previsão é que os discos cheguem às lojas em setembro, junto com CD de outros artistas que também regravaram Gonzagão e um DVD com depoimentos do próprio artista.

Elino Julião teve grande projeção nacional a partir da década de 60
 Teve mais de 600 músicas gravadas por outros nomes da MPB
fotografia: Rodrigo Sena

CONEXÕES LOCAIS COM O REI DO BAIÃO   
 
- Amigos: Paulo Tito (Natal) e Carlos André (Mossoró). O primeiro, foi para o Rio de Janeiro a convite de Luiz Gonzaga, após ter substituído o zabumbeiro da banda, no Recife, em 1954. Já Carlos André, do antigo Trio Mossoró, produziu os discos que ajudaram no ressurgimento de Luiz Gonzaga nos anos 80.

- Compositor: Janduhy Finizola da Cunha - Médico de Jardim do Seridó, Janduhy Finizola, 81 anos,  conheceu Luiz Gonzaga em um hospital de Campina Grande (PB), quando estava de plantão e atendeu o Velho Lua. Gonzaga gravou várias músicas do amigo médico, entre elas "Jesus Sertanejo", "A Missa do Vaqueiro" (a mais importante), "Ana Maria", "Cidadão de Caruaru", "A Nova Jerusalém", "Cavalo crioulo" e "Frei Damião".

- Compositor: Henrique Brito (1908-1935) - Natalense, o violonista e compositor Henrique Brito mudou-se para o Rio de Janeiro ainda na década de 1920. Com o parceiro Noel Rosa criou a música "Queixumes", primeira composição de um potiguar gravada por Luiz Gonzaga em 1945 (versão instrumental). Brito é tido como o inventor do violão elétrico.

- Poesia: José Praxedes Barreto (1916-1983) - O escritor e poeta Zé Praxédi, nascido em Cerro Corá, lançou, em 1952 no Rio de Janeiro, a primeira biografia sobre Luiz Gonzaga - "Luiz Gonzaga e outras poesias", escrita em versos matutos com prefácio de Câmara Cascudo. Também cantor e compositor, lançou o LP "O poeta vaqueiro" em 1967.

- Parceiro: Elino Julião da Silva (1936-2006) - Cantor e compositor de Timbaúba dos Batistas, Elino Julião está na lista dos compositores gravados por Luiz Gonzaga. Julião começou sua carreira artística na década de 1950, interpretando músicas de Jackson do Pandeiro - de quem foi parceiro  na década seguinte. Morou no Rio de Janeiro e fez bastante sucesso nos anos 1960 com a já clássica "O rabo do jumento", sua primeira gravação solo.

- Compositor: Francisco Elion Caldas Nobre - Chico Elion, 82, é autor da célebre "Ranchinho de paia". Composta em 1952, a música foi eternizada pela voz de Luiz Gonzaga em 1981, no disco "A festa". Nascido em Assu, Elion estreou como cantor aos 18 anos no Rio de Janeiro, gravou seu primeiro álbum solo em 1955, "Chico Elion & vozes amigas" (78 rpm), e tem mais de 400 músicas - muitas ainda inéditas.

- Parceiro: Severino Ramos (1922-2003) - Autor do sucesso "Ovo de codorna", gravado em 1972 por Luiz Gonzaga no disco "Aquilo bom!", o caicoense Severino Ramos começou sua carreira de compositor aos 28 anos. Embora tenha nascido no RN, foi registrado em Campina Grande (PB). Em 1951 seguiu para o Rio de Janeiro, onde consolidou parcerias com Jackson do Pandeiro, Elino Julião e Luiz Gonzaga.  

...fonte... 
Yuno Silva
www.tribunadonorte.com.br

 * Colaborou Leide Câmara,com informações catalogadas no Dicionário da Música Potiguar