julho 16, 2012

A ALMA POTIGUAR DE LUIZ GONZAGA

LUIZ GONZAGA 
 Ex- parceiros musicais lembram histórias da passagem do Rei do Baião
em solo potiguar e as boas e velhas lembranças vêm à tona
 em tom nostálgico e reverente 

 A ALMA POTIGUAR DE LUIZ GONZAGA

 Por
Sérgio Vilar 

A relação de Luiz Gonzaga com o Rio Grande do Norte perpassa inúmeros fatos marcantes para a história musical potiguar e do Rei do Baião. Troca de amizades, favores e experiências incalculáveis ao acervo do cancioneiro nacional. Desde a composição Ovo de codorna, em parceria com o potiguar Severino Ramos, à reascensão de "Seu Lua" ao mercado com a produção de seus discos na década de 1980 pelas mãos do mossoroense Carlos André. Também a relação afetuosa com o músico Paulo Tito, parcerias com Elino Julião. Gravação do clássico de Chico Elion, Ranchinho de Páia. Entre outros laços arrochados com o cenário potiguar. Mas a amizade de um sanfoneiro e confidente talvez mereça o maior registro. Foi a pedido do próprio Gonzaga um show em Natal para ajudá-lo nas finanças. E aquela seria a última apresentação dele em público, meses antes de sua morte.

A amizade de Roberto do Acordeon e Luiz Gonzaga começou tímida já na década de 1960. O primeiro encontro se deu na rádio Jornal do Comércio, em 1958. À época, Gonzaga lançava a canção Forró no escuro ("O candeeiro se apagou e o sanfoneiro cochilou..."), e Roberto só olhava o pioneiro do baião. Nos anos de Jovem Guarda, da pegada yeah, yeah, yeah, Roberto e Luiz tocaram várias vezes em circos montados em interiores de Pernambuco. Trocavam uma ideia, acenavam um para o outro e mantinham o coleguismo saudável dos sanfoneiros. Somente em 1976 as antigas Casas Régio fizeram contrato com os dois músicos para uma temporada de quatro shows no Rio Grande do Norte: um em Natal (Praça Gentil Ferreira, no Alecrim), em Mossoró (Festa de Santa Luzia), em Currais Novos e Caicó.

"A época tava boa pra Gonzaga. O jornalista Carlos Imperial inventou de divulgar que um dos ex-Beatles tinha gravado Asa branca. Isso deu uma levantada na carreira dele. E fomos os dois para esses shows", lembra Roberto. E sentencia: "Verdade é que Gonzaga, eu, o sanfoneiro em geral, sempre passamos por cima da moda. Enfrentamos o twister, o tcha tcha tcha, a Jovem Guarda, o Tropicalismo, a Lambada. O forró nunca morreu. E Seu Luiz era perseverante, teimoso. Nunca teve essa de período de baixa, não". Passado alguns minutos de conversa, o próprio Roberto se contradiz. E lembra quando, em abril de 1989, a mulher com quem Gonzaga viveu seus últimos anos ligou para o sanfoneiro: "Roberto, é Edelzuíta. Gonzaga pediu para eu ligar pra você. Ele está precisando dos amigos agora. Tem data para ele por aí?".

Roberto era dono do Forró do Sanfoneiro. O espaço marcou época em Natal, localizado na Roberto Freire, onde hoje funciona o supermercado Favoritos. A inauguração foi em 1985. À época foi Roberto quem convidou Gonzaga para o show de estreia. "Liguei convidando. Quem atendeu foi o sobrinho, Piloto. Gonzaga tava dormindo. Acordaram e ele atendeu todo animado. Era sempre assim: perguntava logo como a pessoa estava, se a família tava boa de saúde, sobre a política local. Aí eu disse que tinha feito um negócio e queria a presença dele pra começar. Ele disse: 'Vou e faço um acordo bom pra você: eu toco dois dias e você me paga um'. E esse um ainda foi barato".  Roberto lembra mais de três mil pessoas em cada dia. Espaço superlotado. "

  O ÚLTIMO SHOW

Foram apenas quatro anos do show de estreia do Forró do Sanfoneiro para o último show da vida de Luiz Gonzaga. "Quando Edelzuíte me ligou eu nem sabia que ele estava doente. Mas nem pensei duas vezes. Aceitei logo e marquei pra semana seguinte. E ele repetiu a mesma proposta do primeiro show: fez duas apresentações e só cobrou uma". Desta vez, o empresário hoteleiro Sami Elali soube da vinda de Gonzaga e cedeu hospedagem gratuita ao Rei do Baião. "Fomos ao hotel pegá-lo para o show. E quando chegamos lá é que vimos a cena: ele de cadeira de roda. Quem estava lá chorou. Não teve como segurar. Aí ele dizia que estava tudo bem e que o show seria um dos maiores. E, de fato, superlotou de novo os dois dias".

O show foi em maio. Luiz Gonzaga se locomovia em cadeira de rodas decorrente de osteoporose. Morreria três meses depois, em 2 de agosto de 1989, vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. O Forró do Sanfoneiro fecharia um ano depois, quando "o dono do terreno cresceu o olho no lugar". Ainda saudoso do lugar, Roberto se conforma com a frase do amigo Gonzaga: "Ele me dizia: 'Roberto, se esses forrós fossem bom pra negócio eu tinha uns quatro ou cinco lá no Rio e São Paulo, porque fui eu quem levou o forró pra lá". Mas fato é que, enquanto durou, o Forró do Sanfoneiro foi rentável. O delegado Sérgio Leocádio, que escutava a conversa, confirmou: "A boemia natalense ia pra lá. E Roberto inovou colocando pela primeira vez no banheiro da mulher, cotonete, absorvente e batom".

A INGRATIDÃO 

Roberto é seco quando critica "aproveitadores" do centenário de Luiz Gonzaga, celebrado este ano. "Tem muita gente se aproveitando disso pra ganhar dinheiro; gente que nunca deu a mínima pra ele". No enterro, narrado como fato épico pelo amigo, Roberto lembra da "ingratidão" de três renomados artistas nacionais sempre apoiados por Gonzagão: Fagner, Elba Ramalho e Gal Costa.

"Foi o maior enterro que este Brasil já viu. Na morte de Tancredo Neves o país parou por quatro dias. No de Gonzaga foram cinco. Nunca houve isso". O sanfoneiro lembra que o corpo foi velado na Assembleia Legislativa do Recife e de lá seguiu para o aeroporto da cidade acompanhado por uma multidão, rumo à cidade do Crato, no Ceará, vizinha a Exu, com mais quatro dias de luto.

"A gente ligava a Rádio e ouvia o locutor conversando com Fagner, que estava em Brasília: 'Fagner reserve um tempinho entre os seus shows e venha dar seu último adeus a Gonzaga'. Nem veio ele, nem Elba, nem Gal. Os três tinham gravado com ele não fazia muito tempo. As irmãs de Luiz me disseram que Luiz não tinha feito por elas o que fizera por esses três". E foram lá Alcimar Monteiro, Dominguinhos...

O AMIGO 

Quando a amizade de Roberto e Gonzaga se estreitou em 1976, o filho de Januário pensou em presentear o amigo com uma sanfona novinha. "Todo ano ele ganhava bem três de uma empresa gaúcha porque Gonzaga teve um chamego com a dona. Mas quando ele me viu que eu tava com uma sanfona Scandale Super 6, da antiga, que era a melhor - foi a primeira do Nordeste deste tipo - aí ele disse: 'Pensei que você tivesse pendurado num fio de cabelo, rapaz. Mas você tá é rico'".

Foram incontáveis as vezes que Gonzaga almoçou ou jantou na casa de Roberto. Quando se apresentava pelas redondezas do Rio Grande do Norte, parava por lá. Dormiu só duas vezes. E foi acompanhado - cada vez - com uma mulher diferente. A primeira vez foi com Edelzuíta. E na segunda, com Helena, com quem foi casado. "Quando ela entrou em casa, ele botou o dedo na boca e fez o sinal de silêncio, pra eu não contar nada de Edelzuíta pra ela".

O romance de 13 anos com Edelzuíta Rabelo foi confidenciado por Gonzaga à imprensa já perto de sua morte, a pedido de Edelzuíta, que queria evitar atritos com a primeira esposa de Gonzagão, Helena das Neves, ainda viva na época. "Pode botar aí no jornal que o charme da minha vida agora é Edelzuíta!", disse o Rei do Baião, que morreu nas mãos dela tempos depois.

O CONSELHEIRO 

Se Roberto ajudou Gonzagão no fim da vida, o passado também mostra o contrário. À época do "festão" armado para sua volta a Exu, cidade de origem, Gonzagão ligou e convidou Roberto: "Só tou chamando os amigos", ele me disse. Corria o ano de 1983. E na mesma oportunidade foram inaugurados na cidade o campo de aviação e o museu de Exu.

Em outra oportunidade, no famoso restaurante O Laçador, em Boa Viagem, se apresentavam as grandes estrelas da música nacional. "Só não foi Roberto Carlos porque sempre foi cheio de frescura pra ir aos cantos. Mas Gonzaga me recomendou para o dono e findei tocando lá também. Mas antes ele me aconselhou: 'Chegue lá humilde. Mas se não lhe respeitarem dê de importante porque Deus fez a gente sanfoneiro e nosso feijão com arroz a gente traz de qualquer outro lugar'".

Roberto diz que leva este conselho onde quer que vá. Se orgulha em nunca ter se dobrado à nova música, às novas modalidades do forró, ou mesmo de nunca ter tocado um instrumento eletrônico. E mais ainda: de já estar passando a arte da sanfona ao herdeiro, Robertinho do Acordeon. 


...fonte...
Sérgio Vilar

julho 12, 2012

CASA TALENTO PEDE SOCORRO

MÁRCIA PIRES
 FUNDADORA DA CASA TALENTO
Entidade cultural que já beneficiou seis mil jovens em projetos
 ligados à música em 12 anos de atividades pode fechar as portas
  
 CASA TALENTO PEDE SOCORRO

Por
Sérgio Vilar

Um dos projetos culturais mais longevos da cidade está parado por falta de dinheiro. Enquanto milhões são gastos em eventos ou propagandas de governo, a ONG Casa Talento agoniza. Com o fim dos convênios antes firmados com a Prefeitura do Natal e Governo do Estado, a entidade ameaça suspender as atividades neste segundo semestre do ano. E 300 alunos oriundos da periferia ficarão sem o auxílio dos cursos e oficinas oferecidos pela ONG; sem, muitas vezes, a única perspectiva de futuro destas crianças e jovens.

A Casa Talento se mantém com recursos de editais públicos e leis de incentivo à cultura. É dinheiro que acaba após realizado determinado projeto. É o caso da atual situação, agravada ainda com o fim do convênio firmado com a Prefeitura do Natal desde novembro de 2011 e ainda com parcelas de três meses sem pagamento. "Já que suspenderam o convênio, apelamos para a sensibilidade dos gestores municipais para este pagamento agora que nossa situação requer urgência", sugeriu o diretor da Casa Talento, Marcondi Lima.

A Casa já formou mais de seis mil jovens para o mercado de trabalho nos 12 anos de atividade. O principal objetivo da instituição é desenvolver projetos que envolvem apreciação artística e a oportunidade de aprendizado da música e lutheria para deficientes visuais - o único do Nordeste voltado a esse público -, crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, visando sempre a melhoria da qualidade de vida e da autoestima dos participantes. Durante todo o ano são atendidos entre 200 e 300 beneficiários da faixa etária dos 7 aos 20 anos.

 ORQUESTRA TALENTO
  Temporada de concertos em 24 escolas públicas em 2011

ORQUESTRA

A Casa Talento mantém ainda a Orquestra Talento, formada por alunos da própria escola. A orquestra conquista plateias de várias partes do mundo fazendo releitura de clássicos da música nacional e internacional. No ano passado, os jovens músicos realizaram temporada de concertos em 24 escolas públicas nas quatro regiões de Natal, com recursos do Fundo da Infância e Juventude. "Neste próximo semestre tentaremos manter em escolas particulares e talvez nas públicas, dependendo do interesse da Secretaria Estadual de Educação", condicionou Marcondi. 

 
 CASA TALENTO
12 cursos, incluindo a Musicalidade Braile, para pessoas com deficiência física

"QUE A SOCIEDADE ENTENDA O NOSSO TRABALHO"

O primeiro semestre foi encerrado no último 28 de junho. A volta às aulas é agendada para o fim de julho. Mas há a condição da verba. "Que a sociedade entenda a importância do nosso trabalho. Mais de seis mil jovens foram beneficiados. Muitos seguem direto para o vestibular ou para um curso técnico de música na UFRN. São crianças e jovens em risco de contato com as drogas, com a prostituição infantil e outros malefícios do meio em que vivem. A sociedade reclama do perigo nas ruas, mas não se preocupa com entidades que cuidam desses jovens".

Pela excelência do trabalho junto aos jovens, a Casa Talento recebe uma demanda de inscrições três vezes maior do que a possibilidade de atendimento. "Em anos anteriores tinha famílias que dormiam em frente no dia da inscrição". Marconi Lima explica que para evitar esses transtornos passaram a entrevistar os inscritos para uma seleção dos beneficiários, conforme a aptidão para o instrumento ou curso. São 12 cursos, incluindo a Musicalidade Braile, para pessoas com deficiência física.

 Prêmios que gratificam pela prova de reconhecimento
Em 2011 foram 24 concertos em escolas públicas de Natal

PRÊMIOS

Com tanto sucesso, o projeto ganhou prêmios que gratificam pela prova de reconhecimento dado à instituição. Entre os prêmios recebidos, estão o Hangar 2001, na categoria Música Voluntária; Top Social do Nordeste pela ADVB (2004); Melhor Projeto Social Prêmio Hangar 2005, e a reportagem Guia para fazer o bem, da revista Veja, edição especial de Dezembro de 2001. Atualmente, a entidade é reconhecida como Utilidade Pública Municipal e cadastrada no Conselho Estadual e Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, onde no ano de 2010 foi eleita para o colegiado de conselheiro e conduzida à presidência do órgão, no biênio 2010-2011. 

CULTURA AGONIZA
Fim dos convênios com a Prefeitura do Natal e Governo do Estado 
pode provocar o fechamento da Casa Talento, um dos projetos culturais 
mais longevos da cidade e que já beneficiou mais de seis mil jovens carentes   
 
ONG FOI IDEALIZADA EM 1979

Em 1979, no bairro Cidade da Esperança, Márcia Pires, ainda menina, tomou conhecimento da realização de um projeto cultural denominado Projeto Espiral. Aos 14 anos, iniciou seus estudos no campo das artes, enfrentando dificuldades. Mas, a decisão da menina Márcia Pires foi essencial. Com apoio dos professores Aci Meyer e Ivo Meyer, seu caminho foi modificado. Ali era plantada a semente da Casa Talento, em 1979 -, quando a fundadora da Casa Talento, Márcia Pires, pôde participar de um projeto gratuito, evoluir profissionalmente por ele e despertar o desejo de fazer o mesmo por outros.

Mesmo de família simples, Márcia graduou-se em Educação Artística pela Universidade Potiguar (UnP) e por sua desenvoltura e empenho ganhou um estágio na Orquestra de Câmara da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em 1980, e na Orquestra Sinfônica do RN (1982). Passados dois anos de estágio, prestou concurso e integrou-se à Sinfônica. Ela e o violino.

Ficaram por lá 20 anos até ela se aposentar por um sério problema com a visão. E o projeto da Casa Talento nasceu mesmo em 2000, da iniciativa da agora empreendedora social, professora e violinista Márcia Pires. Hoje Márcia é aposentada da Orquestra Sinfônica do Estado e toca o projeto da Casa Talento junto com seu companheiro, Marcondi Lima. A Casa Talento desenvolve e realiza projetos sócio-culturais na cidade de Natal e Grande Natal.

 ...fonte...

...serviço...
CASA TALENTO
Rua Tenente Alberto Gomes, 1066, Alecrim - Natal/RN
  (84) 3201-1363 / 8809-9498
  casatalento_rn@hotmail.com
  www.casatalento.org.br/
segunda a sexta-feira, das 8h às 18h

julho 10, 2012

A ARTE FEITA DE INSTANTES

"Em Natal as coisas são bem diferentes.
Talentos como Marcelo Ghandi e Pedro Costa são obrigados a irem embora.
Acompanho a luta por apoio que há em Natal.
As pessoas estão brigando sozinhas."

DANIELLE  CARCAV  E  SUA  ARTE  FEITA  DE  INSTANTES

Por 
Tádzio França

Há quase dez anos longe da capital potiguar, a artista plástica natalense Danielle Carcav se tornou um dos nomes para se prestar atenção no concorrido circuito de arte do eixo Rio-São Paulo - uma óbvia vitrine para todo o Brasil. Com o mesmo cuidado, sensibilidade e foco que usa em suas telas de imagens sonhadoras, ela buscou o devido espaço na área: estudou mais, conviveu com gente de renome, mostrou seu trabalho, e as recompensas foram surgindo. As telas de Danielle ganharam representação numa renomada galeria do Rio de Janeiro, frequentam diversos salões de arte, e são premiadas. Tudo isso, em menos de quatro anos oficiais de carreira. E a faculdade de engenharia civil que cursava na época, ficou pra trás.

"O circuito de arte deve estar aliado ao mercado. O artista não vive de vento. Eu entendi esse mercado e fui atrás dele", conta a artista, que tem suas obras representadas no Brasil pela Galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. O trabalho de Danielle ganhou, em 2010, o prêmio de aquisição do Salão de Artes de Mato Grosso do Sul, e menção honrosa no 19º Encontro de Artes Plásticas de Atibaia; no ano passado recebeu o prêmio Garimpo 2011 pela conceituada revista Dasartes Brasil, e em 2012 foi indicada ao PIPA - Prêmio Investidor Profissional de Arte. 


Os feitos da carreira de Danielle se tornam ainda mais interessantes quando se leva em consideração que, quando ela chegou para morar com a família no Rio de Janeiro em 2008, ainda era uma completa desconhecida. "Eu fiz o caminho inverso da maioria dos artistas plásticos, que já possuem contatos e conhecem todo mundo. Eu não conhecia ninguém", conta. Danielle lida com pintura e desenho desde a adolescência. Quando era estudante da antiga ETFRN, formava com amigos o grupo Casa de Orates, composto por uma garotada interessada em literatura, música e contracultura em geral. "Foi uma época importante pra mim, pois aprimorou minha leitura e visão de mundo", ressalta.

A pintura ainda era só um hobby do coração quando ela se mudou com o marido para Manaus, em 2002. "Transformei uma sala da casa em atelier, não queira deixar de pintar", afirma. Enquanto isso, fazia a faculdade de engenharia civil, até então tida como a carreira a ser seguida. Quando se mudou para o Rio de Janeiro, em 2008, a artista plástica amadora foi exposta a um pólo de arte fervilhante e dinâmico. Sentiu que o território poderia ser favorável a uma iniciante esforçada.


PASSAGEM PELO PARQUE LAGE

Ao visitar exposições no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, Danielle indagou aos monitores se havia bons cursos de artes visuais que pudessem ser feitos fora da faculdade. Foi assim que ela chegou a João Magalhães e à Escola de Artes Visuais do Parque Lage. "As aulas dele não eram de técnica, mas de acompanhamento.  Foram essenciais para que eu resolvesse questões sobre minha investigação pessoal na arte, para que eu entendesse o que queria fazer", diz.

Danielle ressalta que João Magalhães estimulava os alunos a írem além do atelier: é preciso circular,  mostrar seu trabalho, procurar os editais. Em 2009, ela se inscreveu e participou do XV Salão Unama de Pequenos Formatos, em Belém do Pará. Não parou mais. E assim começou a exibir sua arte em salões de relevância nacional, entre São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Piauí e Santa Catarina. Neste ano ela participou de uma coletiva no MAM - o mesmo lugar que chegou como uma simples visitante, anos atrás - chamada "Novas Aquisições 2010 2012 - Coleção Gilberto Chateubriand", por conta de ter duas obras inseridas nessa coleção.


UMA PINTURA FEITA DE EMOÇÕES

A beleza particular das telas de Danielle é o mérito maior que a conduziu às galerias. Ela afirma que não gosta de rotular suas pinturas com uma escola específica, mas sabe que elas nascem a partir de uma observação emocional de lugares públicos. "Eu vejo um pouco como as crianças. Quando elas brincam, fazem do ambiente um espaço psicológico, um mundo próprio", explica. Para estimular esse imaginário, Danielle costuma fotografar ou filmar determinadas cenas que chamaram sua atenção. "Eu me aproprio de momentos e paisagens. Pode ser crianças brincando num parque ou a luz da lua refletindo nas folhas das árvores", diz. No momento ela conta que está fazendo uma série nova de pinturas que retratam a noite nas praças.

 
CONVITE PARA VIR EM SETEMBRO

A artista afirma que deseja mostrar seu trabalho em Natal o mais breve possível. Já foi convidada para expôr na Semana de Artes Visuais da UFRN, em outubro, mas não recebeu resposta sobre os custos da viagem. Ela admite que em Natal não teria as mesmas oportunidades que pôde alcançar no Rio de Janeiro. "Aqui há o colecionismo. Arte é consumida, e estimulada a ser feita. Só assim o artista pode viver. Sei que em Natal as coisas são bem diferentes. Talentos como Marcelo Ghandi e Pedro Costa são obrigados a irem embora. Acompanho a luta por apoio que há em Natal. As pessoas estão brigando sozinhas", lamenta. Danielle ressalta que até o fim do ano vai combinar algo para expôr, dar curso ou seminário em Natal. Novas inspirações poderão vir daqui. 

...fonte...
www.tribunadonorte.com.br  

...serviço...
A arte de Danielle Carcav
www.lucianacaravello.com.br

julho 08, 2012

O POTIGUAR QUE SE ENCONTROU NO GOOGLE

  MADE IN RN
Ele começou com um computador 486, aos 10 anos, em 1993,
formou-se em Administração, fez curso no Senac e hoje, nos EUA,
é "só" um dos que cuida para que o Google não caia
fotografia: Argemiro Lima/NJ

HISTÓRIA DE SUCESSO
O POTIGUAR QUE SE ENCONTROU NO GOOGLE

 Por
Tallysom Moura

O potiguar Marcel Cavalcanti Campos, 29, não brincou na hora de pensar a carreira. Ao invés de se acomodar ou pensar pequeno com relação ao futuro, ele apostou numa ida aos Estados Unidos para refinar o inglês. Levou debaixo do braço dois diplomas: um da UFRN em Administração; e outro do Senac, em redes (área de informática). É claro que contribuiu para seu sucesso o fato de estar no local certo no momento adequado. Mas a mentalidade de não se impor barreiras e querer sempre o melhor foi fundamental para garantir a ele um trabalho na empresa que é um sonho de emprego para muitos da área de tecnologia, o Google, onde Marcel se encontrou; e hoje atua como engenheiro de redes.

Não é exagero dizer que a trajetória de Marcel Cavalcanti Campos começou aos 10 anos de idade, em 1993, quando ele ganhou do pai um computador 486, na época “uma bala”, o sonho de todo cidadão que entendia um pouco desse troço chamado informática e que, no Brasil, ainda engatinhava . Só para dar uma ideia, nesse período, internet, ainda era coisa que iam inventar por aqui.

Para aprender a usar a “máquina”, ele recebeu uma importante dica do pai: “Se vira”. Não existiam, à época, cursos de informática. Então, Marcel seguiu à risca a dica e aprendeu tudo  mexendo, testando e desmontando. A aptidão para a informática ficou cada vez mais clara e, alguns anos depois, ele conseguiu fazer alguns cursos de informática. A ambição sempre foi uma das marcas das personalidade de Marcel Cavalcanti. Tanto que entre suas metas, desde a época da faculdade, estava a de trabalhar em uma empresa multinacional e morar no exterior. Os pais moraram no exterior e ele queria seguir o mesmo caminho.

O destino escolhido foi os Estados Unidos. O foco inicial era aprender o idioma inglês. Quando foi para os Estados Unidos, em 2004, ele tinha se formado há pouco tempo como um administrador de empresas.  Mas a área em que  Cavalcanti atuava profissionalmente em Natal era da computação. Prestava consultoria a algumas empresas e imaginou que poderia encontrar mercado na terra do Tio Sam. “Tinha muita coisa na área. Era um mundo de tecnologia que não existia, principalmente, em Natal/RN. Natal era zero. Se eu fosse procurar emprego naquela época em Natal até não tinha. As tecnologias que eu já trabalhava era muito mais avançada que as da  própria cidade”, ressaltou.

Foi na capital potiguar, no entanto, que ele aprendeu o suficiente para garantir seus primeiros passos profissionais no exterior. O que mais abriu os olhos dele para a área, no entanto, foi o Cisco Networking Academy, oferecido pelo Senac em Natal com a parceria da multinacional americana Cisco para treinar o pessoal na área de redes. “As pessoas lá nos Estados Unidos me perguntam ‘se formou onde?’ Eu digo: ‘me formei na UFRN’. Eu aprendi as coisas em Natal. Isso dá uma dimensão de que você não precisa sair do Estado para aprender coisas que são utilizadas no resto do mundo. Você pode aprender tudo localmente. Hoje com a internet, você consegue acessar qualquer documentação”, ressaltou.

Antes de chegar à Google,  ele começou em uma consultoria pequena e fez vários trabalhos de desenho de rede, monitoramento, implementação de sistemas. Enquanto isso, ia enviando seu currículo. Até que um dia, foi chamado.  A multinacional convidou Marcel e deu largada a um processo seletivo que durou cerca de quatro meses. Selecionado para trabalhar na Google em 2007, Marcel começou no cargo de engenheiro de operações.  O trabalho era menos especializado do que o que ele opera atualmente, depois de três promoções. Com a graduação de administrador de empresas, não acreditava que fosse escolhido para trabalhar em uma parte tão técnica da Google. “Cheguei aos Estados Unidos e vi que lá não interessa o que você se formou, mas o que você sabe fazer. O mercado é muito mais dinâmico e não é tão regulamentado com o mercado brasileiro”, comentou.

A Google tem mais de cem escritórios no mundo inteiro e são todos conectados. Na Califórnia, onde mora, seu trabalho é fazer o monitoramento e, às vezes, o desenho da rede. “Se tem algum problema na rede, tem que descobrir se é uma falha física ou no desenho inicial. Se tem um problema na Finlândia, eu tenho que resolvê-lo imediatamente. Do mesmo jeito na Califórnia ou na Austrália. Minha área é monitorar a rede e fazer com que nunca caia, funcionando o mais eficientemente possível”, explicou. Marcel acredita que a graduação na UFRN foi fundamental para que ele conseguisse chegar à multinacional. O aprendizado obtido em Natal o ajuda até hoje no gerenciamento dos projetos, a lidar com a diversidade, a lidar com a pressão e a gerenciar melhor o tempo no trabalho diante das várias demandas que surgem ao mesmo tempo. “O curso de administração lhe dá essa visão global que um curso de área mais técnica talvez não dê tanto”, ressaltou.

...fonte...
Tallysson Moura

...visite...
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
 SENAC/RN
 GOOGLE
 https://www.google.com.br/

julho 03, 2012

MARIANO, ININTERRUPTAMENTE, SEM PARAR

 MARIANO TAVARES
 Um artista de composições e interpretações elaboradamente sofisticadas
 chega à maturidade artística lançando seu segundo álbum

SEM PARAR
MARIANO TAVARES VOLTA À CENA MUSICAL

 Por
 GAZETA do OESTE

Mariano Tavares faz parte da nova geração de músicos do Rio Grande do Norte. Lançou seu primeiro trabalho com músicas autorais e um estilo diferenciado. "O SoBrado" (2005) foi apenas o início da carreira de Mariano Tavares. Agora, ele retorna com um novo CD, intitulado "Sem Parar", que faz justiça à disposição do artista em continuar produzindo um repertório ligado à poesia e à música folk.

Mariano destaca que o título do novo trabalho foi inspirado da canção que abre o disco, mas também se refere à relação que mantém com o palco e com a canção, que, apesar dos aparentes hiatos, nunca se interrompe. Na perspectiva do artista, involuntariamente o álbum Sem Parar acabou resultando num grupo coeso de canções que, cada uma a seu modo, acabam dialogando com a ideia de tempo, e se reportando "à continuidade de tudo aquilo que não controlamos no mundo: a natureza, o sonho, o amor, o acaso, a beleza, o futuro, a inocência, a morte; tudo aquilo que desliza nos espaços da vida, continuamente, ininterruptamente, sem parar".

Para ele, neste novo trabalho o objetivo é sempre o de conseguir alcançar uma voz própria, que não remeta a influências, mas a um discurso musical e poético próprio, autoral. "Por outro lado, nunca nos livramos daquilo que nos formou ou forma-nos enquanto artistas, daquilo que lemos, vemos ou ouvimos durante toda a vida. Influência é uma questão de observação e assimilação não apenas de outros discursos artísticos, mas da própria vida, da experiência. Para mim, em Sem Parar há uma presença clara do folk e do country norte-americanos, que eu tenho ouvido muito nos últimos tempos. Mas, até já me disseram que isso só fica claro para mim mesmo. No mais, são as influências de sempre: a canção tradicional brasileira, a música regional e o rock, diluídos nessa tentativa de encontrar o próprio som, a própria voz", declara o artista.

Segundo Mariano, de modo geral, o novo disco vem sendo muito bem avaliado e recebendo excelentes críticas. "Para mim, um álbum nunca é uma simples coletânea de peças avulsas, mas uma obra inteira, um grupo de canções que representa as visões de um momento que o artista está vivendo. Durante o processo de gravação, lembro que gostava de observar como ele ia, aos poucos e quase involuntariamente, se convertendo numa obra inteira e coesa. Comparando-o com O SoBrado, meu primeiro álbum, penso também que Sem Parar é uma obra mais orgânica, com uma presença corpórea mais clara, mais aparente e mais sensível. Vejo-o como uma evolução, nesse sentido. Acho que ainda há muito o que esperar desse álbum, estamos apenas começando, fazendo agora os primeiros shows e tentando trilhar esse caminho movediço e cheio de incertezas que é o de apresentar uma obra autoral inédita", salienta.

Avaliando o cenário musical do Estado, o músico acredita que podemos estar vivendo "o melhor momento da música popular no Estado, em termos de produção e volume, sobretudo porque só vejo crescer nos artistas uma consciência em relação à ideia de autoria. Creio que a construção da tal "identidade local", ainda que eu não seja chegado a regionalismos extremados, passa necessariamente por aí, pela composição, pela construção de um discurso que nasça e dê frutos aqui, para depois trilhar outros caminhos. Produz-se muito mais música no Rio Grande do Norte, tanto em termos de quantidade quanto de qualidade, do que nas décadas anteriores. Estuda-se mais e melhor também", explica, reforçando que em Mossoró essa consciência ainda está engatinhando. "Vejo os músicos daqui ainda muito presos à reprodução da obra de artistas consagrados. Isso os distancia de um trabalho artístico mais profundo, e da construção de um discurso próprio, autoral. Porém, a chegada do selo DoSol à cidade me parece ser uma luz para isso tudo. Se eles conseguirem desenvolver aqui o mesmo trabalho que vêm desenvolvendo em Natal há anos, vai ser uma evolução e tanto", diz.

  Professor de Literaturas Norte-americana e Inglesa na UERN,
 cantor e compositor, assuense, potiguar. É Mariano Tavares

 "POUQUÍSSIMAS VEZES ME ARRISQUEI A PUBLICAR VERSOS"

A poesia sempre esteve presente nos trabalhos de Mariano Tavares. "A literatura me acompanha em tudo, tanto no meu trabalho artístico e acadêmico quanto na vida mesmo", explica. "Talvez ela me inspire muito mais na forma de viver e de estar no mundo, moldando minha sensibilidade, as vontades, o espírito. Claro que existem escritores especiais, aqueles que vivi mais ou dos quais me aproximei mais, sobretudo os poetas, que mais me interessam. Shakespeare, especialmente, construiu a obra mais impressionante que conheço. Embora seja um lugar comum dizer isso, não há como fugir desse feito. Além dele, releio sobretudo Walt Whitman e Fernando Pessoa, que considero, cada um a seu modo, os dois maiores poetas da literatura. Mas há tanta gente, e em tantas línguas. Wilde, Rimbaud, Dylan Thomas, Sylvia Plath, Emily Dickinson, Drummond, Lorca, é difícil citar", fala, sorrindo.

Porém, apesar de toda a carga de leitura que pode "respingar" no trabalho, Mariano procura uma voz própria. E, diferente de muitos de seu tempo, dedica-se a compor poemas que estejam, já em sua gênese, ligados à música. "Pouquíssimas vezes me arrisquei a publicar versos como poemas, sem o suporte da canção. Digo isso no sentido tradicional: aquele que concebe com sendo um poeta o sujeito que arquiteta versos sobre a página em branco do livro. Acho mesmo que não sou um poeta. Mas a história da literatura antiga está aí para provar que a canção e o poema são faces de um mesmo truque, de uma mesma magia, de um mesmo poder", explica.

Para ele, a forma como um texto ou uma canção nasce nunca é a mesma, a inspiração e a vontade podem vir de qualquer lugar e a qualquer hora. "Há canções que simplesmente 'chegam', como se estivessem prontas e caíssem sobre você, vindas de algum lugar além do seu, enquanto outras podem demorar meses para ficarem prontas, precisam de lapidação, trabalho, transpiração. Muitas vezes nascem de um pensamento, de uma vontade, de uma frase guardada, de uma exigência sua, ou do mundo", complementa.

Mariano Tavares volta à cena musical
 sofisticação e poesia permeiam as 11 faixas do novo disco

O DISCO

Baseando-se principalmente nas canções do álbum, o show de lançamento do álbum reconstitui sua sonoridade ao mesmo tempo universal e regional, contemporânea e tradicional, para compor pequenas reflexões sobre o tempo do amor, do sonho, da natureza e da morte.

A banda que acompanhará o cantor é formada por músicos da cena potiguar que participaram diretamente da elaboração do cd: o pianista e co-produtor do álbum, Humberto Luiz (teclado, contrabaixo), e o guitarrista Alison Brazuka (violões, guitarra), além do baterista Gustavo Almeida. Juntos, o trio forma a banda Brazuka Jazz, que atua no cenário da música instrumental em todo o Brasil. Para o show em Mossoró, Mariano contará também com a participação especialíssima da cantora Renata Falcão.

Tendo como base principal as canções do novo CD, no repertório do show Mariano Tavares incluiu ainda a canção Idade de Ouro (poema do Francês Arthur Rimbaud musicado pelo artista, inédita em disco), novas versões para algumas canções de seu primeiro álbum (Dias de Espera, Disfarce e Carnaval), além de releituras para clássicos de Raimundo Fagner, Los Hermanos e Gilberto Gil. Depois da apresentação em Mossoró, o show segue com apresentações já marcadas em Assu (07/07) e Natal (14/07).

...fonte...

julho 02, 2012

TITINA É DESTAQUE EM "CHEIAS DE CHARME"

  Titina Medeirosé um dos grandes trunfos da novela “Cheias de Charme”,
  feliz descoberta de ‘olheiros globais’, a  atriz esbanja talento e graça,

ela interpreta Socorro, a empregada espoleta de Chayene 

ATRIZ TEATRAL É DESTAQUE EM "CHEIAS DE CHARME"

 Por
Gustavo Fioratti 
  
A novela das sete "Cheias de Charme", que a Globo exibe desde abril, revelou uma atriz potiguar até então desconhecida na televisão.

Pescada da cena teatral potiguar, a atriz Titina Medeiros, 35, se deu bem já em seu primeiro papel na telinha. Ela interpreta Socorro, a empregada espoleta de Chayene, cantora brega interpretada por Cláudia Abreu.

Festeira, indisciplinada e com muito talento para "dar o truque", Socorro roubou espaço na trama e acabou ganhando status de "peça fundamental", diz um dos autores da novela, Filipe Miguez.

"Ela conquistou posição de protagonista. É uma atriz que deu certo porque sempre demonstra muita disponibilidade. Uma intérprete que se policiasse mais, que fosse muito crítica, não poderia fazer tão bem esse papel", avalia.

Com veia para a comicidade, Titina temperou cenas com toques clownescos, como no capítulo de quarta (27), em que dançou forró com a patroa à beira da piscina.

O sotaque cearense-potiguar da atriz se metamorfoseia em prosódia do Piauí, terra da personagem. "A palavra 'dodio', por exemplo, vem de lá, não falamos assim em Natal", diz Titina, em referência ao jeito de se pronunciar a palavra doido.

A vocação para a comédia vem do trabalho que Titina desenvolveu em uma companhia de teatro de Natal/RN. Ela faz parte do grupo Clowns de Shakespeare, que desde 2010 tem percorrido vários Estados brasileiros com "Sua Incelença, Ricardo 3º", dirigido pelo mineiro Gabriel Villela.

Esse berço profissional teve desde o início um olhar especial para a cultura popular nordestina. Na peça, ela solta a voz em interpretação que remete às cantoras de beira de rio, embora encarne uma rainha shakespeariana. O espetáculo será apresentado no Sesc Belenzinho em julho.

Titina conta que nasceu em uma cidade chamada Currais Novos, apesar de sua família ser de Acari, onde não havia, na época, hospital que fizesse cesárea. Na adolescência, mudou-se para Natal e assistiu a uma peça com a atriz portuguesa Maria do Céu Guerra. Encantada, decidiu dedicar-se às artes cênicas.

O começo da carreira foi nas coxias da companhia Tambor, nos mesmos anos 1990 em que os Clowns de Shakespeare davam seus primeiros passos. Era uma turma muito influenciada pelo movimento do mangue beat de Recife, ela lembra.

A agenda da atriz para 2013 já prevê uma montagem de "Hamlet" sob os auspícios de Marcio Aurelio.
 
 Cláudia Abreu - Titina Medeiros - Luiz Henrique Nogueira
   "Ela vai arrebentar, é uma atriz talentosíssima", 
diz Izabel de Oliveira, autora da novela ao lado de Filipe Miguez  

TITINA MEDEIROS FOI DESCOBERTA POR OLHEIRO

Quando Titina Medeiros entrou em cena no espetáculo "Sua Incelença, Ricardo 3º", durante o Festival de Curitiba de 2011, ela não sabia, mas dois caça-talentos da Rede Globo estavam sentados na plateia.

Festivais de teatro são vitrines por excelência. E a estratégia da emissora de tirar proveito dessa movimentação tornou-se peça fundamental na descoberta de profissionais de fora do eixo Rio-São Paulo.

Dias depois de se apresentar em Curitiba, Titina e outros três intérpretes da companhia Clowns de Shakespeare receberam, por telefone, um convite para fazer testes para novelas.

Além dela, o ator potiguar César Ferrario também conseguiu emplacar papel na novela "Cheias de Charme". Ele faz Morvan, um motorista de caminhão.

Para Bruna Bueno, uma das duas produtoras de elenco que viram Medeiros e Ferrario em cena, "o Festival de Curitiba é uma grande oportunidade de encontrar talentos do Brasil inteiro. É uma janela do que está acontecendo no cenário cultural do país".

A gerente de produção da Globo Ana Margarida explica que o produtor de elenco, normalmente, escala atores a partir da necessidade de um texto específico ou a partir do perfil de seus personagens.

"Eles pensam em opções para oferecer a um autor e diretor, que são quem efetivamente define o elenco", esclarece. Cursos de teatro também são campos férteis para essa sondagem.

Segundo a assessoria de imprensa da Record, os produtores de elenco do canal também têm por hábito frequentar peças do Rio e de São Paulo em busca de atores para as produções da casa.  

...fonte...
 GUSTAVO FIORATTI
www1.folha.uol.com

junho 30, 2012

UM SONHO EMBALADO PELO TROMBONE

 KLÊNIO BARROS
A trajetória do jovem trombonista potiguar, que saiu de Cruzeta,
 tornou-se professor de música e agora parte rumo à Europa

 A EMOÇÃO DE TOCAR SENTIMENTOS

Por
Pedro Vale DO NOVO JORNAL 

Se Klênio Barros pudesse descrever em uma palavra o que significa música para ele, o vocábulo escolhido seria “emoção”. Para o trombonista de 25 anos, fazer música é mais do que tocar as notas certas no tempo adequado: o que importa são os sentimentos que os que tocam conseguem despertar nos que ouvem. E foi essa grande emoção tanto no ouvir quanto no fazer música que fez com que aquele menino de Cruzeta chegasse à capital do estado, conquistasse a noite natalense, se tornasse professor universitário, lançasse um disco próprio e agora se prepare para fazer, em setembro, um curso de mestrado em Portugal.

Antes de descrever as conquistas do cruzetense, entretanto, voltemos alguns anos atrás. O gosto pela música surgiu em Klênio ainda quando ele era muito pequeno e nem se imaginava fora de Cruzeta, município de 8 mil pessoas da região do Seridó, localizado a 219 km de Natal. “Lá em casa eu sempre acordava com o som do radinho de pilha da minha mãe. Eu me levantava, tomava café e me arrumava pra escola ouvindo o baião, xote e forró pé-de-serra de Dominguinhos e Luiz Gonzaga”, recorda o músico. Porém, foi somente aos 13 anos que Klênio realmente foi tocado pela música. Ele ainda lembra da ocasião com clareza. Cruzeta estava em festa, no auge das comemorações da Festa da Padroeira, e no meio das atrações tocava a Banda Filarmônica 24 de Outubro, formada por membros da Escola de Música de Cruzeta.

Enquanto os outros adolescentes passavam, escutavam por alguns minutos e logo se dispersavam, Klênio se sentiu absolutamente hipnotizado por um instrumento específico: o trombone de vara. “Bati o olho no trombone e me encantei. Enquanto os outros instrumentos de sopro possuem orifícios que servem para regular as notas, a música do trombone é feita só pelo deslizar da vara. Imaginei que aquilo devia ser dificílimo, mas achei fantástico e decidi que queria tocar aquilo”, lembra.
 
Inspirado pela vivência, o cruzetense passou a visitar frequentemente os ensaios da banda. Certo dia ele ficou sabendo que uma turma de teoria musical havia sido aberta na Escola de Música, e o menino não tardou a se inscrever. As aulas eram ministradas pelo maestro Bembem, que desde aquela época é o regente da Filarmônica 24 de Outubro. “No interior o pensamento geral é que músico é uma carreira sem futuro, sem perspectiva. Eu mesmo pensava assim. O maestro Bembem foi o responsável por mudar meu ponto de vista e foi incentivado por ele que decidi seguir a carreira”, conta Klênio.

Ao ser informado de que a vaga de trombonista da Filarmônica havia ficado vaga, o jovem não hesitou em participar do teste para preencher a vaga. O resultado foi um fracasso completo: “Não consegui nem soprar o trombone”, relata Klênio aos risos. “Outro cara conseguiu a vaga”, completa.

Contudo, essa primeira derrota não foi capaz de acabar com o ânimo do cruzetense: tão logo o rapaz que havia assumido o posto de trombonista largou a banda, ele se candidatou a preencher a vaga e, desta vez, foi escolhido. Embora estivesse satisfeito na banda, logo surgiu em Klênio o desejo de se aperfeiçoar na sua arte e, incentivado principalmente pelo maestro Bembem, o rapaz - então com 14 anos - resolveu participar de um curso técnico da Escola de Música da Universidade Federal do RN. Seus pais não gostaram da ideia a princípio: “Achavam que todo músico é cachaceiro, esse tipo de coisa”, explica. Com o tempo, entretanto, eles perceberam que o filho estava de fato determinado e deixaram que ele se inscrevesse no curso técnico de trombone.    
 
  Klênio cursou pós-graduação e está prestes a embarcar rumo a Europa
o  músico precisa de 800 euros por mês para garantir o mestrado

 NATAL E ALÉM

O curso era ministrado duas vezes por semana, e Klênio teve que se virar para conciliar os estudos de ensino médio em Cruzeta com as aulas de trombone na Escola de Música. “Toda semana eu precisava fazer as quatro horas de ônibus entre Cruzeta e Natal. Como as aulas de trombone eram em dias de semana, eu também perdia dois dias letivos da escola em Cruzeta”, conta.

O jovem também tinha pouco dinheiro e não tinha onde ficar na capital; sua salvação foi o Giulvando Pereira, seu professor de trombone e mais conhecido como Azeitona. Pereira praticamente adotou o pupilo, oferecendo-lhe teto e comida. Antes de concluir o curso técnico, o aprendiz a trombonista se formou no ensino médio e prestou vestibular de bacharelado em Música, com habilitação em Trombone, na UFRN.

Passou de primeira na prova e se deslocou definitivamente para Natal, onde passou a morar em uma residência universitária. Através da universidade, Klênio fez amizade com outros músicos, expandiu sua rede de contatos e não demorou a tocar nos bares e botecos da noite natalense. “Essa fase foi um período muito produtivo da minha vida. Tocava com grandes nomes como Jubileu, Chico Beethoven e Eduardo Talfic. Através de Chico, fui convidado para tocar na banda de Valquíria Santos, com quem fiquei por uns oito meses”, lembra. 

As apresentações não se limitavam ao Rio Grande do Norte: com Valquíria, Klênio tocou em Alagoas, Piauí, Paraíba e outros estados nordestinos. Ao deixar a banda, já havia atingido um certo reconhecimento profissional  e, segundo descreve, seu telefone nunca parava de tocar.

No entanto, o cruzentense não demorou a se fixar novamente em outro conjunto musical. Pouco depois de ter deixado a banda da forrozeira Valquíria Santos, Klênio foi convidado para tocar a música latina do Perfume de Gardênia, banda com a qual chegou a ficar cinco anos. “Saí em 2010 por problemas pessoais, mas cresci muito no Perfume de Gardênia. Gravei três discos e um DVD com a banda, a gente tocava todo sábado em Recife... Sem contar com os contatos que a gente fazia. Junto com Jubileu no trumpete e Chico Beethoven no sax, cheguei a tocar com bandas como Cavaleiros do Forró, Saia Rodada e Cidade Negra”, relata o jovem.

Logo após sair do Perfume, Klênio fez um teste para professor substituto de trombone na universidade (Azeitona, que ainda exercia o cargo, o deixou para fazer um mestrado em João Pessoa) e foi aprovado. Embora lecione até hoje na universidade, logo o trombonista terá que sair para dar lugar ao professor Azeitona, que retorna neste segundo semestre.


Klênio Barros possui um disco de música instrumental completamente de sua autoria, intitulado “Klênio Barros em Segredos”. A obra, com 11 faixas recheadas de choro, samba e gafieira, foi lançada no ano passado, durante o 17º Festival de Trombone, realizado em Natal/RN.

Mas a jornada do cruzetense não acaba por aqui: há cerca de dois meses ele foi selecionado para fazer um curso de mestrado em “Práticas Interpretativas do Século XX e XXI” na Universidade de Aveiro, em Portugal, começando em setembro. Em sua corrida na qual apenas o céu é o limite, a maior preocupação de Klênio é com dona Maria Jaecy, sua mãe: “Ela está feliz por mim, mas também está nervosíssima porque eu vou pra longe. Coisa de mãe”, ri o músico.
   
 ...fonte...
 Pedro Vale DO NOVO JORNAL

...informe... 
Os interessados na obra de Klênio poderão comprar seu CD na  loja Arte Musical, no shopping Via Direta, ou por meio de contato direto com o trombonista, atráves do endereço de e-mail: kleniotrombone@hotmail.com

junho 27, 2012

O GRITO DA FOTOGRAFIA POTIGUAR

   Alex Gurgel à frente da APHOTO - Associação Potiguar de Fotografia 
única entidade em defesa do segmento no Rio Grande do Norte

O GRITO DA FOTOGRAFIA POTIGUAR

Por
Sérgio Vilar   

“Imagem é tudo”. A frase virou quase aforismo. E antes valorizasse o segmento da fotografia. E produtores fotográficos nem querem “tudo” com suas imagens. Um movimento nacional já com braços articulados em Natal reivindica apenas uma cota específica na hora da divisão do bolo do orçamento destinado à cultura.

Depois da criação das redes potiguares de música, e da formação das redes de teatro e cinema, fotógrafos têm se articulado em torno da Rede Poti de Fotografia – uma espécie de braço da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil. A intenção é acompanhar a tendência nacional de independência do setor nos meandros culturais.

“Não há política pública específica para a fotografia. O orçamento federal é destinado ao audiovisual. E neste bojo está o cinema, as artes plásticas, o grafite, a performance, o hip hop, a moda e também a fotografia. Só o cinema abocanha 85% dos recursos. Praticamente nada sobra pra gente”, lamentou o presidente da Aphoto, Alex Gurgel.

A Associação Potiguar de Fotografia é a única entidade em defesa do segmento no Rio Grande do Norte. Possui 120 associados em dia. Entre eles, profissionais renomados a exemplo de Marcelo Buainain, Adrovando Claro, Pablo Pinheiro, Ricardo Junqueira, e outros, além de milhares de simpatizantes cadastrados em suas redes sociais.

Alex Gurgel tem feito campanha para que fotógrafos potiguares tomem a iniciativa de ingressar nos conselhos e câmaras setoriais da cultura para defender mais espaço à categoria. “É claro que o conselheiro que é músico olhará com melhores olhos projetos musicais. O cineasta com o cinema. O poeta com a literatura. Precisamos de fotógrafos nesses campos para termos vez e voz”, sugeriu.

Um dos setores importantes neste quesito já pode ser pleiteado. Basta o fotógrafo entrar no site do Ministério da Cultura (www.cultura.gov.br/setoriais) e se cadastrar para a seleção de delegados estaduais para representar o Rio Grande do Norte no Conselho Nacional de Produtores Culturais da categoria. O Rio Grande do Norte já possui 30 cadastrados, atrás apenas de São Paulo, com 32.

“A fotografia é a mãe do cinema e prima mais velha das artes plásticas, da pintura. É o segundo produto mais consumido do mundo, dizem especialistas. O primeiro é o sexo, que usa até fotografia para promoção. É um segmento cultural que irá completar 200 anos. Merecemos mais atenção. Queremos um Salão da Fotografia, e não concorrer junto com esculturas e todo tipo de pinturas no Salão de Artes Visuais. Ou na disponibilidade dos recursos públicos, concorrer com o audiovisual. Fotografia não tem som”, reclama Alex Gurgel.

ENCONTRO NACIONAL

No último fim de semana, Alex Gurgel participou do Encontro Norte-Nordeste de Produtores Culturais da Fotografia. O evento aconteceu em Belém do Pará, e funcionou como prévia do Encontro Nacional que acontecerá no mês de Novembro, em Fortaleza. Antes disso, em 19 de Agosto, a Aphoto promove o Fotoriografia do Norte: um fórum para discutir a radiografar a fotografia potiguar.

“Abordaremos a questão a produção de livros de fotografia, o direito autoral, projetos culturais que envolvam o setor, a fotografia como veículo de inclusão digital, a história da fotografia no Rio Grande do Norte, e pretendemos convidar Itamar Nobre, da UFRN para propormos um curso de extensão na Universidade envolvendo a fotografia”. Alex ressalta que deste fórum sairá a Carta de Natal, que será levada ao encontro em Fortaleza.

MEMÓRIA PERDIDA

Uma das ideias da Rede Poti de Fotografia é a criação de uma Casa da Fotografia. Espaço para exposição, lançamento de livros, e principalmente um ambiente climatizado para acervo fotográfico impresso e digital, responsável pela memória fotográfica da cidade, hoje dispersa em computadores particulares ou nos setores de arquivos de jornais.

“Darei um exemplo: faremos pelo oitavo ano seguido a Expedição Noturna Natalina. Registramos em fotografia a iluminação de Natal. É um acervo que fica pra história. E nada recebemos por isso. A prefeitura premia a fachada mais bonita de casas e instituições. E quando acaba o período natalino e as luzes são retiradas, o que fica? A foto, o registro! Mas isso não é valorizado”, reclama Alex Gurgel.

A Aphoto também pretende criar o Dia do Fotógrafo Potiguar. Um processo com o pleito já corre nos corredores da Assembleia Legislativa. O Dia Nacional a Fotografia já é comemorado em 8 de janeiro. E o Dia Mundial, em 19 de agosto. A data escolhida para celebrar o Dia Potiguar da Fotografia foi 26 de setembro.

A data de 26 de setembro rende homenagem à provável primeira fotos tirada no Rio Grande do Norte. A autoria é do alemão Bruno Max Bourgard. Ele veio do Recife e clicou a imagem de flagelados da seca reunidos em frente à casa do então governador Tavares de Lira, na subida da Junqueira Aires – hoje o prédio abriga o Solar Bela Vista. A foto é datada de 1905.


...visite...
 APHOTO
Associação Potiguar de Fotografia
www.aphoto.art.br

junho 23, 2012

UMA JANELA PARA A ARTE POTIGUAR

 Uma janela para a arte e cultura potiguar
montagem: Jorge Henrique  - fotografias: Canindé Soares
 
BLOG POTIGUARTE - CHEGAMOS A 51 MIL VISUALIZAÇÕES
SÃO 51.000 OBRIGADOS, VIU?
 
Por
José Carlos da Silva
A você e às mais de 51.000 pessoas que visualizaram, comentaram e elogiaram as inúmeras postagens do blog Potiguarte nestes quase dois anos de existência... o nosso mais sincero agradecimento pela companhia.

Nosso maior orgulho é tomar conhecimento do alcance do nosso trabalho, o carinho da receptividade à nossa proposta, a conquista em um espaço virtual ao fazer a diferença enaltecendo uma cultura regional, a cultura potiguar - o nosso maior foco.

O blog tem buscado referências nos principais jornais do nosso Estado, o Rio Grande do Norte, e tem encontrado textos primorosos de excelentes repórteres, retratando fielmente a arte e a cultura produzidas pelos potiguares - aqui e por esse mundo afora. A eles, um agradecimento especial, convictos de que o blog não teria o alcance percebido sem a efetiva referência de suas reportagens.

Salientamos que temos a contínua preocupação de registrar toda e qualquer fonte, seja texto, fotografia e ou vídeo concernente às postagens no blog ancoradas.

Elencamos adiante o nosso fiel público - mantidos até aqui e que nos fizeram alcançar a nobre marca das 51 mil visualizações - listados por ordem númerica crescente em visita ao blog, a saber: Brasil: 43.047; Estados Unidos: 4.062; Portugal: 673; Bélgica: 668; Rússia: 566; Alemanha: 483; Japão: 133; França: 100; Reino Unido: 89 e Holanda: 69 visualizações.

Continuemos firmes, empolgados, fascinados em difundir, propagar a arte e cultura produzidas no nosso Rio Grande do Norte. Compartilhe conosco esta idéia, compartilhe conosco esta atitude. Afinal, como citou Câmara Cascudo: “O melhor do Brasil é o brasileiro”.
José Carlos da Silva
administrador do blog Potiguarte
potiguarte@hotmail.com
www.potiguarte.blogspot.com

junho 21, 2012

ZÉ HILTON: UM SANFONEIRO SEM DISTINÇÃO

 Instrumentista e compositor que transita entre o forró eletrônico e de raiz, 
Zé Hilton tem canções gravadas por bruno e Marrone e Aviões do Forró fotografia: paulo nobrega filho

 FORRÓ SEM DISTINÇÃO

Por
Yuno Silva

Há duas décadas, o então adolescente José Hilton começou a dar os primeiros resfôlegos na sanfona que o irmão mais velho mantinha encostada em um canto da borracharia onde trabalhava. Aos 13 anos, dormia na rede armada na sala de casa e sonhava embalado pela música das bandas que tocavam no clube bem em frente onde morava na cidade de Pedro Velho. O tempo passou, o garoto cresceu e Zé Hilton se transformou em uma das principais referências no Rio Grande do Norte quando o assunto é sanfona.

Hoje aos 34 anos, acostumado a tocar forró em festas espalhadas pelo interior do Estado e atuar nos bastidores como músico de estúdio, o instrumentista e compositor passou para a linha de frente e vem se apresentando com escolta de orquestras sinfônicas - nos próximos dias 26 e 27 de junho, no Teatro Alberto Maranhão, Zé Hilton participa de concertos com a Orquestra Sinfônica do RN; e é uma das atrações principais, ao lado de Khrystal, Camila Masiso, Caio Padilha, Wigder Valle, Valéria Oliveira e Camila Masiso, do projeto "Concertos Sinfônicos Clássicos do Baião - Tributo a Gonzagão", realizado pelo Sesc/RN com presença da Sinfônica da UFRN, cuja temporada estreou dia 10 de junho em Mossoró.

"Quando comecei nem pensava em ganhar dinheiro com música, muito menos tocar com orquestra, só queria aprender a tocar", disse o músico autodidata, compositor de canções já gravadas por nomes conhecidos do grande público como a dupla Bruno e Marrone, a baiana Asa de Águia, e as bandas Aviões do Forró, Ferro na Boneca, entre outras. "Cresci misturado no meio de todos os estilos, ganhei a vida com todo tipo de forró, então nem tenho como dizer se este é melhor ou pior que aquele", garante Hilton quando questionado sobre o embate entre o forró tradicional e o eletrônico.

Experiente, o sanfoneiro já passou pela banda potiguar Cebola Ralada, acompanhou o saudoso Elino Julião por quatro anos, tocou com Dominguinhos, Xangai e Nando Cordel, fez parte do trio Candeeiro Jazz ao lado de Jubileu Filho e Sérgio Groove com o qual participou do Festival de Jazz de Cascavel em Santa Catarina, participou da gravação de quase 400 discos e garante que, particularmente, prefere o forró tradicional. "Na verdade, pra mim, o que importa é música boa!"

Para Zé Hilton, "o estilo tradicional precisa de mais apoio do Governo para fazer shows, circular. A rapaziada precisa gravar mais, pois não adianta ficar metendo o pau no trabalho dos outros e reclamando sem mostrar produção", avaliou o músico, que também mantém projeto com a cantora Nara Costa, com quem gravou recentemente disco em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga. "Gonzaga é referência até hoje, não tem pra onde correr".

Por enquanto ainda não pensa em frequentar um curso superior em música, os planos a curto prazo incluem a retomada do Candeeiro Jazz e a temporada com a Orquestra Sinfônica da UFRN, que retorna em agosto na zona Norte de Natal e faz duas apresentações no mês de dezembro em São Paulo. "Neste momento, a prioridade é ensinar meu filho (José Hilton Júnior) a tocar e colocar alguns projetos pra andar, entre eles uma escola de música em Pedro Velho".
 
A HISTÓRIA DA SANFONA QUE RODOU O MUNDO E VOLTOU PRA FAMÍLIA

Natural de Nova Cruz, Zé Hilton chegou em Pedro Velho aos dois anos de idade e de lá só saiu quando foi escalado para tocar com Messias Paraguai. "Quando estava aprendendo, onde tinha quadrilha eu ia. Com uns 14 anos, cheguei a tocar zabumba com um sanfoneiro só para ele me deixar dar uma canja no fim do show. Foi quando me deu vontade mesmo de ser músico profissional", recorda.

Ganhou um "dinheirinho" do pai e resolveu ir juntando para comprar o próprio instrumento. "Nessa época eu fazia de tudo um pouco: buscava botijão de gás de cozinha, limpava quintal, ajudava meu irmão na borracharia; mas quando comecei a tocar, abriram as portas do mundo e fui entrando".

E o destino realmente colocou a sanfona no caminho de Zé Hilton: antes de completar 16 anos, pegou o dinheiro economizado e foi até o distrito de Piquiri, em Canguaretama, município vizinho de Pedro Velho onde morava, para comprar uma sanfona usada de 80 baixos. "Rapaz, não é que a sanfona tinha sido do meu irmão na infância!? Como meu irmão é bem mais velho, não tinha nem nascido quando venderam a sanfoninha. Até hoje existe e meu filho estuda com ela", orgulha-se o sanfoneiro, que atualmente trabalha com uma Scandalli italiana de 120 baixos.

Com a tal sanfoninha de 80 baixos começou a ser convidado para tocar em grupos e cantores de cidades vizinhas. "Tinha uns 15 anos quando fui tocar na Festa do Boi, e recebi meu primeiro cachê. Achei massa demais!". Percebendo seu potencial, resolveu montar o próprio trio, "Os jovens do forró", e passou a tocar em todo lugar: porta de supermercado, quermesse, arraiás. "Rapaz, nesse tempo estava alucinado e só queria tocar, lanchar e tomar refrigerante", diverte-se. Pouco depois começou a tocar profissionalmente com Messias Paraguai e não parou mais.

DE OLHO NO DIREITO AUTORAL

Em sua trajetória, Zé Hilton topou com o compositor potiguar Cabeção do Forró, e começaram a trabalhar juntos. "Ele trazia umas letras legais e eu elaborava as melodias. Fiz com ele a música 'O que tiver de ser será', gravada pelo Asa de Águia e Aviões do Forró, e virou sucesso nacional". Em seguida, já em parceria com Cabeção e Ranieri Mazile, vieram "Tentativas em vão", registrada pela banda natalense Deixe de Brincadeira e pela dupla Bruno e Marrone; "Escravos do amor", "Meu amanhecer", entre outras.

Em meio a concorrência do mercado do forró e da pirataria vigente, Zé Hilton conseguiu garantir rendimento como compositor fiscalizando. "Nunca pagam o que uma música rende, mas o Ecad (Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais) até que paga, mas tem que ficar esperto, saber como funciona e fiscalizar. Tem que ficar no pé senão não rola". Ele disse que os direitos exclusivos de gravação de algumas músicas são acertados com as bandas para evitar problemas - "Isso é bom pra quem canta e quem compõe".

Sobre a existência de preconceito com a sanfona, diz que "isso é lenda, o povo é louco por sanfona"; e quanto ao reconhecimento como músico acredita que tudo o que está acontecendo é resultado de muito trabalho e dedicação. "Tenho muitas amizades aqui no RN e em outros estados, e quando vou tocar em Pedro Velho é casa cheia. Isso é reconhecimento!"

...fonte...