julho 20, 2012

A GENTE VAI SE VER AQUI...

Com o anúncio de que a Rede Globo vai gravar em Natal/RN
cenas da próxima novela das 6, os empresários do setor turístico
 alertam gestores públicos sobre a necessidade de investir 
na melhoria da infraestrutura da cidade
  fotografia: Hélio Duarte

 O CARIBE É AQUI

 Via
Novo Jornal

Natal será cenário de uma novela global. Não, não será apenas sobre sol e praia; e nem será por um ou dois capítulos, como em ocasiões anteriores. A futura novela das seis, intitulada provisoriamente de “O Caribe é aqui”, está sendo escrita por um dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira, o paulista Walther Negrão, e irá tratar dos dramas e amores de um piloto de avião da Força Aérea Brasileira (FAB) em terras potiguares.

Mesmo com 18 capítulos já escritos, pesquisa histórica realizada e data de estreia prevista para a primeira semana de março de 2013, as Secretarias de Turismo do Estado (Setur) e de Natal (Seturde) desconhecem detalhes da iniciativa da Rede Globo. Segundo o titular da pasta estadual, Renato Fernandes, ainda não há um plano específico para garantir a vinda da equipe de gravação do folhetim. Já em Natal, o secretário Murilo Barros afirma que a gravação é benéfica para a cidade, desde que não implique em gastos.

 Morro do Careca - Ponta Negra
fotografia: Canindé Soares

De acordo com blogs e sites de notícias, a novela deverá ter os primeiros capítulos gravados em janeiro do próximo ano. O protagonista será Floriano, um piloto da FAB, que logo nos primeiros capítulos se envolverá em um triângulo amoroso. A primeira fase da novela deverá fazer referência à presença do Exército americano em Natal no período da segunda guerra mundial. Os pontos de gravação devem ser a base aérea de Parnamirim e o espaço da Rampa, próximo ao Porto de Natal, que foi um dos principais pontos de embarque e desembarque das tropas americanas.

 JAYME MONJARDIM
 Diretor de televisão e cinema, no qual estreou com o filme Olga,
nome confirmado para dirigir nova novela global

O diretor da novela também está confirmado: será Jayme Monjardim. Ele foi escolhido pela experiência em gravar novelas, filmes e seriados com conteúdo histórico. Esta não será a primeira vez que Walther Negrão escreve sobre o ambiente nordestino. Um dos seus maiores sucessos foi o folhetim “Tropicaliente”, de 1994, gravado na cidade de Fortaleza (CE). De acordo com informações da Rede Globo, o folhetim recebeu apoio financeiro do Governo do Ceará, o que resultou em bons resultados ao trade turístico cearense.  Nos meses de maio e novembro de 1994, enquanto Tropicaliente foi ao ar, o movimento de turistas foi 30% superior ao mesmo período do ano anterior.

 As águas da praia de Genipabu são mornas, calmas e limpas
fotografia: Canindé Soares

Para o gestor do turismo no Estado, Renato Fernandes, que esteve em Brasília para reuniões com técnicos do Ministério do Turismo, em breve será feito um contato com a Rede Globo para confirmar as gravações da novela no Rio Grande do Norte. Ele disse que soube do projeto através da imprensa. “É uma importante ferramenta de divulgação. Não podemos desperdiçá-la”, afirmou, ressaltando que busca a liberação de R$ 27 milhões para a divulgação do destino turístico potiguar. “Estes recursos tornarão o Rio Grande do Norte mais competitivo. Perdemos terreno para outros estados do Nordeste e voltaremos a disputar com outros destinos brasileiros, que recebem milhões para a promoção de suas belezas turísticas”, comentou Fernandes.

Os recifes de Maracajaú, chamados de Parrachos
fotografia: Canindé Soares

Já o titular do Seturde, desconhece completamente as intenções do folhetim global. “Não temos qualquer informação sobre isso. Mas daremos todo o apoio, mesmo com as dificuldades que enfrentamos para dispor recursos. Esperamos que a Rede Globo nos envie algum ofício nos dando maiores esclarecimentos”, comentou Murilo Barros.

Hoje, segundo Barros, a divulgação do destino Natal está sendo feita através de folhetos e trabalhos de exposição em feiras turísticas do Brasil e do mundo. Esta ação, aliás, é realizado em parceria com o Ministério do Turismo, empenhado em melhorar a divulgação das 12 cidades-sedes para a Copa do Mundo do 2014.

O setor hoteleiro comemora mas, ao mesmo tempo, 
alerta os gestores sobre a necessidade de investir 
na melhoria da infraestrutura da cidade
fotografia: Canindé Soares

  VISIBILIDADE

A exposição da cidade na faixa das 18h certamente deve aguçar a vontade de outros brasileiros e até estrangeiros visitarem Natal. De olho na oportunidade de incremetar os negócios, o setor hoteleiro comemora mas, ao mesmo tempo, alerta os gestores sobre a necessidade de investir na melhoria da infraestrutura da cidade.
 
Empresário e ex-secretário de Turismo do Estado, Ramzi Elali destaca o baixo custo de investimento para que a chance não se perca e Natal receba a trama escrita por Walther Negrão e dirigida por Jayme Monjardim. Pelo que se sabe, o folhetim vai narrar a história de um piloto das Forças Aéreas Brasileiras (FAB) que encontra um grande amor em terras potiguares.

fotografia: Canindé Soares

“É uma oportunidade de estarmos diariamente com um espaço destacado na programação de uma TV como a Globo e isso custa muito pouco à iniciativa privada e ao governo, que pode ajudar na alimentação, no transporte e na própria hospedagem”, avalia o hoteleiro, destacando também o exemplo do Ceará quando foi cenário da novela Tropicaliente entre maio e novembro de 1994.

 Um  passeio nas dunas de Genipabu, divertimento e  fotos inesquecíveis
 os dromedários chegam a dois metros de altura e a pesar até 500 kg
fotografia: Ângelo Cabral

De acordo com informações da Rede Globo, a trama recebeu apoio financeiro do Governo do Ceará e aumentou em 30% a movimentação turística de Fortaleza. “É só lembrar também de como O Clone teve repercussão quando parte do elenco veio gravar as cenas finais da novela nas dunas de Genipabu”, complementa Ramzi.

Questionado sobre se o estado precário em que se encontra uma das locações, o sítio histórico da Rampa, ele acredita que isso não prejudicará. “Eu não sei dos detalhes da trama, mas nosso Rio Potengi já tem uma beleza natural imensa, com certeza daqui para lá eles dão um jeito”, afirma.

...fonte...

julho 19, 2012

UM CARTÃO POSTAL DA CULTURA POTIGUAR

 54 MIL VISUALIZAÇÕES, 54 MIL AGRADECIMENTOS
 montagem: Jorge Henrique  - fotografias: Canindé Soares
 
POTIGUARTE
UMA JANELA PARA A ARTE E A CULTURA POTIGUAR

O blog Potiguarte é um espaço dedicado à divulgação de postagens de matérias jornalísticas que retratam as manifestações culturais e artísticas geradas em Natal e  Região (Rio Grande do Norte), além de tratar daquelas que - de uma forma direta ou indireta -  impactam e trazem mudanças ao cenário cultural regional.  O Potiguarte acredita que a arte e a cultura, assim como seu caráter transformador, são inerentes ao ser humano e como tal devem ser estimulados e encarados como fatores de construção de uma consciência crítica e de indivíduos atuantes social,  intelectual, cultural, política e artisticamente.  Compartilhe conosco esta atitude e abra a janela para mostrar ao mundo a arte e a cultura genuinamente potiguar.

José Carlos da Silva
administrador do blog Potiguarte

Poderá gostar também das últimas 20 postagens do Potiguarte!!!
http://www.dignow.org/blog/potiguarte-35338-25641.html

julho 18, 2012

UMA CARTA PARA YASMINE

  ... DO VENTRE DA CORDILHEIRA: UMA CARTA PARA YASMINE ... 
Um livro emocionante por sua sinceridade e angústia 
Mais que um testemunho de uma época
...E que a história não pode esquecer!    
 
 "NUNCA SE ESQUECE UM ALGOZ"     
 
 Por
Tádzio França    
 
"Hoje me deu uma vontade enorme de conversar com você. Contar coisas a meu modo. Simples. Lembranças que me dão uma sensação estranha". Assim começa a narrativa emocionada que Isolda Melo Lemos dedicou à filha, em 1995, para que esta lesse aos 18 anos. Um registro de lembranças sofridas, da época mais difícil de sua vida durante o exílio no Chile e a Ditadura Militar no Brasil. O livro "Do ventre da cordilheira: Uma carta para Yasmine" é um testemunho essencialmente pessoal, mas fala sobre um tempo que deve ser lembrado para nunca mais ser revivido. A segunda edição do livro será lançada nesta quinta-feira, às 19h, na Trattoria Bella Napoli, Av. Hermes da Fonseca, 960. Tirol - Natal/RN.  

A nova edição vem acrescida de fotos - cedidas pelo fotógrafo Sílvio Tendler, que estava com Isolda e o marido Rubens Lemos no Chile - e três extensas cartas escritas à mulher por Rubens entre 1972 e 73. "São cartas de amor e de angústia. Escolhemos as mais significativas, mas nenhuma de cunho político. São palavras escritas no calor do momento", afirma Yasmine Lemos. Para Isolda, a reedição retoma o mesmo sentimento que a fez lançar o livro há 17 anos. "Eu queria desabafar. Uma boa parcela da juventude não sabia mais o que havia sido a ditadura e todo o sofrimento que a geração passada viveu", diz.

Reviver os "anos de chumbo" - mesmo que em recortes de memória, editados pela emoção - é uma experiência que sempre deixa Isolda Lemos emocionada. E não haveria como ser diferente. "Aprendi que a pior palavra do mundo é 'teje preso'. Nunca se esquece um algoz", diz. Ela conta que começou a escrever essas memórias em meados dos anos 80, de forma descompromissada, sem maiores pretensões. "Mostrei ao meu marido, e ele ficou impressionado. Depois mostrei a alguns amigos e intelectuais, como Agnelo Alves, e todos me estimularam a continuar. Eles viam como um relato histórico precioso", conta. O lançamento, em 95, foi um sucesso - com direito à presença da prefeita paulista Luíza Erundina. 

"DO VENTRE DA CORDILHEIRA: UMA CARTA PARA YASMINE"
Um testemunho essencialmente pessoal, mas fala sobre um tempo
 que deve ser lembrado para nunca mais ser revivido

TEMPO QUE DEVE SER LEMBRADO PARA NÃO SER REVIVIDO

"Do ventre da cordilheira" relata a ida de Isolda para o exílio no Chile e a volta ao Brasil. Alguns momentos felizes entremeados de perseguições e violência. Em 1971 Isolda foi para o Chile, com o filho de dois anos no colo, encontrar o marido que estava auto-exilado no país. Todos os territórios estavam minados. O Chile, sob o governo socialista de Salvador Allende, à sombra do futuro golpe  Augusto Pinochet. No Brasil, a ditadura com paranóia anticomunista e repressão.

Isolda confessa que não tinha interesse, e nem entendimento maior sobre a política da época. "Fui apenas para morar com meu marido, procurar uma vida melhor. Mas saiu tudo diferente do que eu imaginava", diz. Rubens Lemos, que trabalhava como professor, foi demitido à pedido das forças direitistas. Isolda conta que teve de vender as joias dadas pela avó para sobreviver. Já em 1972, estava grávida de Yasmine. Foi aconselhada pela família a voltar para o Brasil. O marido iria depois. O momento de embarque foi registrado por um policial: a foto mostra Isolda acenando, com Rubens filho nos braços e grávida de Yasmine. Ao lado dela está um agente policial disfarçado de comissário de bordo.

A volta ao Brasil foi o início de um pesadelo. Logo ao desembarcar no Galeão, Rio de Janeiro, foi conduzida com o filho a uma delegacia do Dops - Departamento de Ordem Política e Social. "Disseram que se houvesse algo comprometedor na minha bagagem, eu seria presa e meu filho conduzido a uma creche. Fiquei desesperada e pensei em pular com meu filho de uma janela do prédio", conta. Foi liberada, e após 15 dias resolveu voltar para Natal. No aeroporto foi submetida a mais constrangimentos pela polícia repressora. "Pediram pra tirar minhas digitais e ver meus documentos. O avião atrasou 20 minutos por minha causa. Os passageiros me olhavam com desconfiança", lembra.

 ISOLDA MELO LEMOS
Isolda Lemos revive, no livro "Do Ventre da Cordilheira", 
lembranças sofridas na Ditadura Militar entre o exílio no Chile, 
ao lado do marido Rubens Lemos, e a volta ao Brasil.
  fotografia: Alex Régis
 
Em 1973, Rubens Lemos volta a Natal para ver a filha recém-nascida. No entanto, ao ser convidado por um amigo para um jantar, ele e Isolda são presos e levados para uma colônia penal, a futura João Chaves. "Ficaram uma semana sem saber de nós. A nossa família estava desesperada", diz ela. Na colônia a tortura foi basicamente psicológica. A apreensão de não saber o que aconteceria, e de não poder falar com a família. "Foi só através de almas caridosas e de conhecidos ocasionais que pudemos dar sinal de vida aos familiares. Houve solidariedade de muitas partes", ressalta.

Isolda e Rubens foram levados algemados à Polícia Federal. Ela foi liberada, mas ele, enviado à Recife para "averiguação". Foram três meses de degradação para o jornalista. Trinta dias só na solitária, e todos os tipos de tortura. "Meu marido voltou destruído. Não tinha mais dentes, magro, sem as unhas. Mas não se abateu. Pouco tempo depois, pediu emprego a Agnelo e Aluízio Alves", conta. Segundo Isolda, Rubens pôde trabalhar como jornalista, mas só escrevia sobre esportes e música popular brasileira. Nem pensar em assuntos políticos.

A partir daí as coisas foram se acalmando, mas sempre sob aquele estado de tensão e liberdade vigiada. Após o fim da ditadura, Rubens aderiu ao incipiente Partido dos Trabalhadores (PT), se tornando o primeiro candidato a governador pela sigla no Estado. Isolda conta que aos 40 anos, as sequelas psicológicas daquela época começaram a surgir. "Tinha sempre medo que alguém viesse me prender, e até hoje não consigo acompanhar um desfile de 07 de setembro", diz. Segundo ela, foi "penoso escrever essas memórias. Fazia rápido para terminar logo. Chorei muito", completa. Yasmine conta que só leu o livro uma vez. "Não consigo ler de novo. É angustiante para mim", conclui. 

...fonte...
 Tádzio França
 “www.tribunadonorte.com.br 

  ... DO VENTRE DA CORDILHEIRA: UMA CARTA PARA YASMINE ... 
    "Um livro que não deixa nenhum leitor indiferente e traz nas suas linhas
  um soluço,  que se mantém preso na garganta até a última página"
Yasmine Lemos 

...fotografia...
  fotografia início postagem adquirida via internet e meramente ilustrativa

julho 16, 2012

A ALMA POTIGUAR DE LUIZ GONZAGA

LUIZ GONZAGA 
 Ex- parceiros musicais lembram histórias da passagem do Rei do Baião
em solo potiguar e as boas e velhas lembranças vêm à tona
 em tom nostálgico e reverente 

 A ALMA POTIGUAR DE LUIZ GONZAGA

 Por
Sérgio Vilar 

A relação de Luiz Gonzaga com o Rio Grande do Norte perpassa inúmeros fatos marcantes para a história musical potiguar e do Rei do Baião. Troca de amizades, favores e experiências incalculáveis ao acervo do cancioneiro nacional. Desde a composição Ovo de codorna, em parceria com o potiguar Severino Ramos, à reascensão de "Seu Lua" ao mercado com a produção de seus discos na década de 1980 pelas mãos do mossoroense Carlos André. Também a relação afetuosa com o músico Paulo Tito, parcerias com Elino Julião. Gravação do clássico de Chico Elion, Ranchinho de Páia. Entre outros laços arrochados com o cenário potiguar. Mas a amizade de um sanfoneiro e confidente talvez mereça o maior registro. Foi a pedido do próprio Gonzaga um show em Natal para ajudá-lo nas finanças. E aquela seria a última apresentação dele em público, meses antes de sua morte.

A amizade de Roberto do Acordeon e Luiz Gonzaga começou tímida já na década de 1960. O primeiro encontro se deu na rádio Jornal do Comércio, em 1958. À época, Gonzaga lançava a canção Forró no escuro ("O candeeiro se apagou e o sanfoneiro cochilou..."), e Roberto só olhava o pioneiro do baião. Nos anos de Jovem Guarda, da pegada yeah, yeah, yeah, Roberto e Luiz tocaram várias vezes em circos montados em interiores de Pernambuco. Trocavam uma ideia, acenavam um para o outro e mantinham o coleguismo saudável dos sanfoneiros. Somente em 1976 as antigas Casas Régio fizeram contrato com os dois músicos para uma temporada de quatro shows no Rio Grande do Norte: um em Natal (Praça Gentil Ferreira, no Alecrim), em Mossoró (Festa de Santa Luzia), em Currais Novos e Caicó.

"A época tava boa pra Gonzaga. O jornalista Carlos Imperial inventou de divulgar que um dos ex-Beatles tinha gravado Asa branca. Isso deu uma levantada na carreira dele. E fomos os dois para esses shows", lembra Roberto. E sentencia: "Verdade é que Gonzaga, eu, o sanfoneiro em geral, sempre passamos por cima da moda. Enfrentamos o twister, o tcha tcha tcha, a Jovem Guarda, o Tropicalismo, a Lambada. O forró nunca morreu. E Seu Luiz era perseverante, teimoso. Nunca teve essa de período de baixa, não". Passado alguns minutos de conversa, o próprio Roberto se contradiz. E lembra quando, em abril de 1989, a mulher com quem Gonzaga viveu seus últimos anos ligou para o sanfoneiro: "Roberto, é Edelzuíta. Gonzaga pediu para eu ligar pra você. Ele está precisando dos amigos agora. Tem data para ele por aí?".

Roberto era dono do Forró do Sanfoneiro. O espaço marcou época em Natal, localizado na Roberto Freire, onde hoje funciona o supermercado Favoritos. A inauguração foi em 1985. À época foi Roberto quem convidou Gonzaga para o show de estreia. "Liguei convidando. Quem atendeu foi o sobrinho, Piloto. Gonzaga tava dormindo. Acordaram e ele atendeu todo animado. Era sempre assim: perguntava logo como a pessoa estava, se a família tava boa de saúde, sobre a política local. Aí eu disse que tinha feito um negócio e queria a presença dele pra começar. Ele disse: 'Vou e faço um acordo bom pra você: eu toco dois dias e você me paga um'. E esse um ainda foi barato".  Roberto lembra mais de três mil pessoas em cada dia. Espaço superlotado. "

  O ÚLTIMO SHOW

Foram apenas quatro anos do show de estreia do Forró do Sanfoneiro para o último show da vida de Luiz Gonzaga. "Quando Edelzuíte me ligou eu nem sabia que ele estava doente. Mas nem pensei duas vezes. Aceitei logo e marquei pra semana seguinte. E ele repetiu a mesma proposta do primeiro show: fez duas apresentações e só cobrou uma". Desta vez, o empresário hoteleiro Sami Elali soube da vinda de Gonzaga e cedeu hospedagem gratuita ao Rei do Baião. "Fomos ao hotel pegá-lo para o show. E quando chegamos lá é que vimos a cena: ele de cadeira de roda. Quem estava lá chorou. Não teve como segurar. Aí ele dizia que estava tudo bem e que o show seria um dos maiores. E, de fato, superlotou de novo os dois dias".

O show foi em maio. Luiz Gonzaga se locomovia em cadeira de rodas decorrente de osteoporose. Morreria três meses depois, em 2 de agosto de 1989, vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. O Forró do Sanfoneiro fecharia um ano depois, quando "o dono do terreno cresceu o olho no lugar". Ainda saudoso do lugar, Roberto se conforma com a frase do amigo Gonzaga: "Ele me dizia: 'Roberto, se esses forrós fossem bom pra negócio eu tinha uns quatro ou cinco lá no Rio e São Paulo, porque fui eu quem levou o forró pra lá". Mas fato é que, enquanto durou, o Forró do Sanfoneiro foi rentável. O delegado Sérgio Leocádio, que escutava a conversa, confirmou: "A boemia natalense ia pra lá. E Roberto inovou colocando pela primeira vez no banheiro da mulher, cotonete, absorvente e batom".

A INGRATIDÃO 

Roberto é seco quando critica "aproveitadores" do centenário de Luiz Gonzaga, celebrado este ano. "Tem muita gente se aproveitando disso pra ganhar dinheiro; gente que nunca deu a mínima pra ele". No enterro, narrado como fato épico pelo amigo, Roberto lembra da "ingratidão" de três renomados artistas nacionais sempre apoiados por Gonzagão: Fagner, Elba Ramalho e Gal Costa.

"Foi o maior enterro que este Brasil já viu. Na morte de Tancredo Neves o país parou por quatro dias. No de Gonzaga foram cinco. Nunca houve isso". O sanfoneiro lembra que o corpo foi velado na Assembleia Legislativa do Recife e de lá seguiu para o aeroporto da cidade acompanhado por uma multidão, rumo à cidade do Crato, no Ceará, vizinha a Exu, com mais quatro dias de luto.

"A gente ligava a Rádio e ouvia o locutor conversando com Fagner, que estava em Brasília: 'Fagner reserve um tempinho entre os seus shows e venha dar seu último adeus a Gonzaga'. Nem veio ele, nem Elba, nem Gal. Os três tinham gravado com ele não fazia muito tempo. As irmãs de Luiz me disseram que Luiz não tinha feito por elas o que fizera por esses três". E foram lá Alcimar Monteiro, Dominguinhos...

O AMIGO 

Quando a amizade de Roberto e Gonzaga se estreitou em 1976, o filho de Januário pensou em presentear o amigo com uma sanfona novinha. "Todo ano ele ganhava bem três de uma empresa gaúcha porque Gonzaga teve um chamego com a dona. Mas quando ele me viu que eu tava com uma sanfona Scandale Super 6, da antiga, que era a melhor - foi a primeira do Nordeste deste tipo - aí ele disse: 'Pensei que você tivesse pendurado num fio de cabelo, rapaz. Mas você tá é rico'".

Foram incontáveis as vezes que Gonzaga almoçou ou jantou na casa de Roberto. Quando se apresentava pelas redondezas do Rio Grande do Norte, parava por lá. Dormiu só duas vezes. E foi acompanhado - cada vez - com uma mulher diferente. A primeira vez foi com Edelzuíta. E na segunda, com Helena, com quem foi casado. "Quando ela entrou em casa, ele botou o dedo na boca e fez o sinal de silêncio, pra eu não contar nada de Edelzuíta pra ela".

O romance de 13 anos com Edelzuíta Rabelo foi confidenciado por Gonzaga à imprensa já perto de sua morte, a pedido de Edelzuíta, que queria evitar atritos com a primeira esposa de Gonzagão, Helena das Neves, ainda viva na época. "Pode botar aí no jornal que o charme da minha vida agora é Edelzuíta!", disse o Rei do Baião, que morreu nas mãos dela tempos depois.

O CONSELHEIRO 

Se Roberto ajudou Gonzagão no fim da vida, o passado também mostra o contrário. À época do "festão" armado para sua volta a Exu, cidade de origem, Gonzagão ligou e convidou Roberto: "Só tou chamando os amigos", ele me disse. Corria o ano de 1983. E na mesma oportunidade foram inaugurados na cidade o campo de aviação e o museu de Exu.

Em outra oportunidade, no famoso restaurante O Laçador, em Boa Viagem, se apresentavam as grandes estrelas da música nacional. "Só não foi Roberto Carlos porque sempre foi cheio de frescura pra ir aos cantos. Mas Gonzaga me recomendou para o dono e findei tocando lá também. Mas antes ele me aconselhou: 'Chegue lá humilde. Mas se não lhe respeitarem dê de importante porque Deus fez a gente sanfoneiro e nosso feijão com arroz a gente traz de qualquer outro lugar'".

Roberto diz que leva este conselho onde quer que vá. Se orgulha em nunca ter se dobrado à nova música, às novas modalidades do forró, ou mesmo de nunca ter tocado um instrumento eletrônico. E mais ainda: de já estar passando a arte da sanfona ao herdeiro, Robertinho do Acordeon. 


...fonte...
Sérgio Vilar

julho 12, 2012

CASA TALENTO PEDE SOCORRO

MÁRCIA PIRES
 FUNDADORA DA CASA TALENTO
Entidade cultural que já beneficiou seis mil jovens em projetos
 ligados à música em 12 anos de atividades pode fechar as portas
  
 CASA TALENTO PEDE SOCORRO

Por
Sérgio Vilar

Um dos projetos culturais mais longevos da cidade está parado por falta de dinheiro. Enquanto milhões são gastos em eventos ou propagandas de governo, a ONG Casa Talento agoniza. Com o fim dos convênios antes firmados com a Prefeitura do Natal e Governo do Estado, a entidade ameaça suspender as atividades neste segundo semestre do ano. E 300 alunos oriundos da periferia ficarão sem o auxílio dos cursos e oficinas oferecidos pela ONG; sem, muitas vezes, a única perspectiva de futuro destas crianças e jovens.

A Casa Talento se mantém com recursos de editais públicos e leis de incentivo à cultura. É dinheiro que acaba após realizado determinado projeto. É o caso da atual situação, agravada ainda com o fim do convênio firmado com a Prefeitura do Natal desde novembro de 2011 e ainda com parcelas de três meses sem pagamento. "Já que suspenderam o convênio, apelamos para a sensibilidade dos gestores municipais para este pagamento agora que nossa situação requer urgência", sugeriu o diretor da Casa Talento, Marcondi Lima.

A Casa já formou mais de seis mil jovens para o mercado de trabalho nos 12 anos de atividade. O principal objetivo da instituição é desenvolver projetos que envolvem apreciação artística e a oportunidade de aprendizado da música e lutheria para deficientes visuais - o único do Nordeste voltado a esse público -, crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, visando sempre a melhoria da qualidade de vida e da autoestima dos participantes. Durante todo o ano são atendidos entre 200 e 300 beneficiários da faixa etária dos 7 aos 20 anos.

 ORQUESTRA TALENTO
  Temporada de concertos em 24 escolas públicas em 2011

ORQUESTRA

A Casa Talento mantém ainda a Orquestra Talento, formada por alunos da própria escola. A orquestra conquista plateias de várias partes do mundo fazendo releitura de clássicos da música nacional e internacional. No ano passado, os jovens músicos realizaram temporada de concertos em 24 escolas públicas nas quatro regiões de Natal, com recursos do Fundo da Infância e Juventude. "Neste próximo semestre tentaremos manter em escolas particulares e talvez nas públicas, dependendo do interesse da Secretaria Estadual de Educação", condicionou Marcondi. 

 
 CASA TALENTO
12 cursos, incluindo a Musicalidade Braile, para pessoas com deficiência física

"QUE A SOCIEDADE ENTENDA O NOSSO TRABALHO"

O primeiro semestre foi encerrado no último 28 de junho. A volta às aulas é agendada para o fim de julho. Mas há a condição da verba. "Que a sociedade entenda a importância do nosso trabalho. Mais de seis mil jovens foram beneficiados. Muitos seguem direto para o vestibular ou para um curso técnico de música na UFRN. São crianças e jovens em risco de contato com as drogas, com a prostituição infantil e outros malefícios do meio em que vivem. A sociedade reclama do perigo nas ruas, mas não se preocupa com entidades que cuidam desses jovens".

Pela excelência do trabalho junto aos jovens, a Casa Talento recebe uma demanda de inscrições três vezes maior do que a possibilidade de atendimento. "Em anos anteriores tinha famílias que dormiam em frente no dia da inscrição". Marconi Lima explica que para evitar esses transtornos passaram a entrevistar os inscritos para uma seleção dos beneficiários, conforme a aptidão para o instrumento ou curso. São 12 cursos, incluindo a Musicalidade Braile, para pessoas com deficiência física.

 Prêmios que gratificam pela prova de reconhecimento
Em 2011 foram 24 concertos em escolas públicas de Natal

PRÊMIOS

Com tanto sucesso, o projeto ganhou prêmios que gratificam pela prova de reconhecimento dado à instituição. Entre os prêmios recebidos, estão o Hangar 2001, na categoria Música Voluntária; Top Social do Nordeste pela ADVB (2004); Melhor Projeto Social Prêmio Hangar 2005, e a reportagem Guia para fazer o bem, da revista Veja, edição especial de Dezembro de 2001. Atualmente, a entidade é reconhecida como Utilidade Pública Municipal e cadastrada no Conselho Estadual e Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, onde no ano de 2010 foi eleita para o colegiado de conselheiro e conduzida à presidência do órgão, no biênio 2010-2011. 

CULTURA AGONIZA
Fim dos convênios com a Prefeitura do Natal e Governo do Estado 
pode provocar o fechamento da Casa Talento, um dos projetos culturais 
mais longevos da cidade e que já beneficiou mais de seis mil jovens carentes   
 
ONG FOI IDEALIZADA EM 1979

Em 1979, no bairro Cidade da Esperança, Márcia Pires, ainda menina, tomou conhecimento da realização de um projeto cultural denominado Projeto Espiral. Aos 14 anos, iniciou seus estudos no campo das artes, enfrentando dificuldades. Mas, a decisão da menina Márcia Pires foi essencial. Com apoio dos professores Aci Meyer e Ivo Meyer, seu caminho foi modificado. Ali era plantada a semente da Casa Talento, em 1979 -, quando a fundadora da Casa Talento, Márcia Pires, pôde participar de um projeto gratuito, evoluir profissionalmente por ele e despertar o desejo de fazer o mesmo por outros.

Mesmo de família simples, Márcia graduou-se em Educação Artística pela Universidade Potiguar (UnP) e por sua desenvoltura e empenho ganhou um estágio na Orquestra de Câmara da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em 1980, e na Orquestra Sinfônica do RN (1982). Passados dois anos de estágio, prestou concurso e integrou-se à Sinfônica. Ela e o violino.

Ficaram por lá 20 anos até ela se aposentar por um sério problema com a visão. E o projeto da Casa Talento nasceu mesmo em 2000, da iniciativa da agora empreendedora social, professora e violinista Márcia Pires. Hoje Márcia é aposentada da Orquestra Sinfônica do Estado e toca o projeto da Casa Talento junto com seu companheiro, Marcondi Lima. A Casa Talento desenvolve e realiza projetos sócio-culturais na cidade de Natal e Grande Natal.

 ...fonte...

...serviço...
CASA TALENTO
Rua Tenente Alberto Gomes, 1066, Alecrim - Natal/RN
  (84) 3201-1363 / 8809-9498
  casatalento_rn@hotmail.com
  www.casatalento.org.br/
segunda a sexta-feira, das 8h às 18h

julho 10, 2012

A ARTE FEITA DE INSTANTES

"Em Natal as coisas são bem diferentes.
Talentos como Marcelo Ghandi e Pedro Costa são obrigados a irem embora.
Acompanho a luta por apoio que há em Natal.
As pessoas estão brigando sozinhas."

DANIELLE  CARCAV  E  SUA  ARTE  FEITA  DE  INSTANTES

Por 
Tádzio França

Há quase dez anos longe da capital potiguar, a artista plástica natalense Danielle Carcav se tornou um dos nomes para se prestar atenção no concorrido circuito de arte do eixo Rio-São Paulo - uma óbvia vitrine para todo o Brasil. Com o mesmo cuidado, sensibilidade e foco que usa em suas telas de imagens sonhadoras, ela buscou o devido espaço na área: estudou mais, conviveu com gente de renome, mostrou seu trabalho, e as recompensas foram surgindo. As telas de Danielle ganharam representação numa renomada galeria do Rio de Janeiro, frequentam diversos salões de arte, e são premiadas. Tudo isso, em menos de quatro anos oficiais de carreira. E a faculdade de engenharia civil que cursava na época, ficou pra trás.

"O circuito de arte deve estar aliado ao mercado. O artista não vive de vento. Eu entendi esse mercado e fui atrás dele", conta a artista, que tem suas obras representadas no Brasil pela Galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. O trabalho de Danielle ganhou, em 2010, o prêmio de aquisição do Salão de Artes de Mato Grosso do Sul, e menção honrosa no 19º Encontro de Artes Plásticas de Atibaia; no ano passado recebeu o prêmio Garimpo 2011 pela conceituada revista Dasartes Brasil, e em 2012 foi indicada ao PIPA - Prêmio Investidor Profissional de Arte. 


Os feitos da carreira de Danielle se tornam ainda mais interessantes quando se leva em consideração que, quando ela chegou para morar com a família no Rio de Janeiro em 2008, ainda era uma completa desconhecida. "Eu fiz o caminho inverso da maioria dos artistas plásticos, que já possuem contatos e conhecem todo mundo. Eu não conhecia ninguém", conta. Danielle lida com pintura e desenho desde a adolescência. Quando era estudante da antiga ETFRN, formava com amigos o grupo Casa de Orates, composto por uma garotada interessada em literatura, música e contracultura em geral. "Foi uma época importante pra mim, pois aprimorou minha leitura e visão de mundo", ressalta.

A pintura ainda era só um hobby do coração quando ela se mudou com o marido para Manaus, em 2002. "Transformei uma sala da casa em atelier, não queira deixar de pintar", afirma. Enquanto isso, fazia a faculdade de engenharia civil, até então tida como a carreira a ser seguida. Quando se mudou para o Rio de Janeiro, em 2008, a artista plástica amadora foi exposta a um pólo de arte fervilhante e dinâmico. Sentiu que o território poderia ser favorável a uma iniciante esforçada.


PASSAGEM PELO PARQUE LAGE

Ao visitar exposições no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, Danielle indagou aos monitores se havia bons cursos de artes visuais que pudessem ser feitos fora da faculdade. Foi assim que ela chegou a João Magalhães e à Escola de Artes Visuais do Parque Lage. "As aulas dele não eram de técnica, mas de acompanhamento.  Foram essenciais para que eu resolvesse questões sobre minha investigação pessoal na arte, para que eu entendesse o que queria fazer", diz.

Danielle ressalta que João Magalhães estimulava os alunos a írem além do atelier: é preciso circular,  mostrar seu trabalho, procurar os editais. Em 2009, ela se inscreveu e participou do XV Salão Unama de Pequenos Formatos, em Belém do Pará. Não parou mais. E assim começou a exibir sua arte em salões de relevância nacional, entre São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Piauí e Santa Catarina. Neste ano ela participou de uma coletiva no MAM - o mesmo lugar que chegou como uma simples visitante, anos atrás - chamada "Novas Aquisições 2010 2012 - Coleção Gilberto Chateubriand", por conta de ter duas obras inseridas nessa coleção.


UMA PINTURA FEITA DE EMOÇÕES

A beleza particular das telas de Danielle é o mérito maior que a conduziu às galerias. Ela afirma que não gosta de rotular suas pinturas com uma escola específica, mas sabe que elas nascem a partir de uma observação emocional de lugares públicos. "Eu vejo um pouco como as crianças. Quando elas brincam, fazem do ambiente um espaço psicológico, um mundo próprio", explica. Para estimular esse imaginário, Danielle costuma fotografar ou filmar determinadas cenas que chamaram sua atenção. "Eu me aproprio de momentos e paisagens. Pode ser crianças brincando num parque ou a luz da lua refletindo nas folhas das árvores", diz. No momento ela conta que está fazendo uma série nova de pinturas que retratam a noite nas praças.

 
CONVITE PARA VIR EM SETEMBRO

A artista afirma que deseja mostrar seu trabalho em Natal o mais breve possível. Já foi convidada para expôr na Semana de Artes Visuais da UFRN, em outubro, mas não recebeu resposta sobre os custos da viagem. Ela admite que em Natal não teria as mesmas oportunidades que pôde alcançar no Rio de Janeiro. "Aqui há o colecionismo. Arte é consumida, e estimulada a ser feita. Só assim o artista pode viver. Sei que em Natal as coisas são bem diferentes. Talentos como Marcelo Ghandi e Pedro Costa são obrigados a irem embora. Acompanho a luta por apoio que há em Natal. As pessoas estão brigando sozinhas", lamenta. Danielle ressalta que até o fim do ano vai combinar algo para expôr, dar curso ou seminário em Natal. Novas inspirações poderão vir daqui. 

...fonte...
www.tribunadonorte.com.br  

...serviço...
A arte de Danielle Carcav
www.lucianacaravello.com.br

julho 08, 2012

O POTIGUAR QUE SE ENCONTROU NO GOOGLE

  MADE IN RN
Ele começou com um computador 486, aos 10 anos, em 1993,
formou-se em Administração, fez curso no Senac e hoje, nos EUA,
é "só" um dos que cuida para que o Google não caia
fotografia: Argemiro Lima/NJ

HISTÓRIA DE SUCESSO
O POTIGUAR QUE SE ENCONTROU NO GOOGLE

 Por
Tallysom Moura

O potiguar Marcel Cavalcanti Campos, 29, não brincou na hora de pensar a carreira. Ao invés de se acomodar ou pensar pequeno com relação ao futuro, ele apostou numa ida aos Estados Unidos para refinar o inglês. Levou debaixo do braço dois diplomas: um da UFRN em Administração; e outro do Senac, em redes (área de informática). É claro que contribuiu para seu sucesso o fato de estar no local certo no momento adequado. Mas a mentalidade de não se impor barreiras e querer sempre o melhor foi fundamental para garantir a ele um trabalho na empresa que é um sonho de emprego para muitos da área de tecnologia, o Google, onde Marcel se encontrou; e hoje atua como engenheiro de redes.

Não é exagero dizer que a trajetória de Marcel Cavalcanti Campos começou aos 10 anos de idade, em 1993, quando ele ganhou do pai um computador 486, na época “uma bala”, o sonho de todo cidadão que entendia um pouco desse troço chamado informática e que, no Brasil, ainda engatinhava . Só para dar uma ideia, nesse período, internet, ainda era coisa que iam inventar por aqui.

Para aprender a usar a “máquina”, ele recebeu uma importante dica do pai: “Se vira”. Não existiam, à época, cursos de informática. Então, Marcel seguiu à risca a dica e aprendeu tudo  mexendo, testando e desmontando. A aptidão para a informática ficou cada vez mais clara e, alguns anos depois, ele conseguiu fazer alguns cursos de informática. A ambição sempre foi uma das marcas das personalidade de Marcel Cavalcanti. Tanto que entre suas metas, desde a época da faculdade, estava a de trabalhar em uma empresa multinacional e morar no exterior. Os pais moraram no exterior e ele queria seguir o mesmo caminho.

O destino escolhido foi os Estados Unidos. O foco inicial era aprender o idioma inglês. Quando foi para os Estados Unidos, em 2004, ele tinha se formado há pouco tempo como um administrador de empresas.  Mas a área em que  Cavalcanti atuava profissionalmente em Natal era da computação. Prestava consultoria a algumas empresas e imaginou que poderia encontrar mercado na terra do Tio Sam. “Tinha muita coisa na área. Era um mundo de tecnologia que não existia, principalmente, em Natal/RN. Natal era zero. Se eu fosse procurar emprego naquela época em Natal até não tinha. As tecnologias que eu já trabalhava era muito mais avançada que as da  própria cidade”, ressaltou.

Foi na capital potiguar, no entanto, que ele aprendeu o suficiente para garantir seus primeiros passos profissionais no exterior. O que mais abriu os olhos dele para a área, no entanto, foi o Cisco Networking Academy, oferecido pelo Senac em Natal com a parceria da multinacional americana Cisco para treinar o pessoal na área de redes. “As pessoas lá nos Estados Unidos me perguntam ‘se formou onde?’ Eu digo: ‘me formei na UFRN’. Eu aprendi as coisas em Natal. Isso dá uma dimensão de que você não precisa sair do Estado para aprender coisas que são utilizadas no resto do mundo. Você pode aprender tudo localmente. Hoje com a internet, você consegue acessar qualquer documentação”, ressaltou.

Antes de chegar à Google,  ele começou em uma consultoria pequena e fez vários trabalhos de desenho de rede, monitoramento, implementação de sistemas. Enquanto isso, ia enviando seu currículo. Até que um dia, foi chamado.  A multinacional convidou Marcel e deu largada a um processo seletivo que durou cerca de quatro meses. Selecionado para trabalhar na Google em 2007, Marcel começou no cargo de engenheiro de operações.  O trabalho era menos especializado do que o que ele opera atualmente, depois de três promoções. Com a graduação de administrador de empresas, não acreditava que fosse escolhido para trabalhar em uma parte tão técnica da Google. “Cheguei aos Estados Unidos e vi que lá não interessa o que você se formou, mas o que você sabe fazer. O mercado é muito mais dinâmico e não é tão regulamentado com o mercado brasileiro”, comentou.

A Google tem mais de cem escritórios no mundo inteiro e são todos conectados. Na Califórnia, onde mora, seu trabalho é fazer o monitoramento e, às vezes, o desenho da rede. “Se tem algum problema na rede, tem que descobrir se é uma falha física ou no desenho inicial. Se tem um problema na Finlândia, eu tenho que resolvê-lo imediatamente. Do mesmo jeito na Califórnia ou na Austrália. Minha área é monitorar a rede e fazer com que nunca caia, funcionando o mais eficientemente possível”, explicou. Marcel acredita que a graduação na UFRN foi fundamental para que ele conseguisse chegar à multinacional. O aprendizado obtido em Natal o ajuda até hoje no gerenciamento dos projetos, a lidar com a diversidade, a lidar com a pressão e a gerenciar melhor o tempo no trabalho diante das várias demandas que surgem ao mesmo tempo. “O curso de administração lhe dá essa visão global que um curso de área mais técnica talvez não dê tanto”, ressaltou.

...fonte...
Tallysson Moura

...visite...
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
 SENAC/RN
 GOOGLE
 https://www.google.com.br/

julho 03, 2012

MARIANO, ININTERRUPTAMENTE, SEM PARAR

 MARIANO TAVARES
 Um artista de composições e interpretações elaboradamente sofisticadas
 chega à maturidade artística lançando seu segundo álbum

SEM PARAR
MARIANO TAVARES VOLTA À CENA MUSICAL

 Por
 GAZETA do OESTE

Mariano Tavares faz parte da nova geração de músicos do Rio Grande do Norte. Lançou seu primeiro trabalho com músicas autorais e um estilo diferenciado. "O SoBrado" (2005) foi apenas o início da carreira de Mariano Tavares. Agora, ele retorna com um novo CD, intitulado "Sem Parar", que faz justiça à disposição do artista em continuar produzindo um repertório ligado à poesia e à música folk.

Mariano destaca que o título do novo trabalho foi inspirado da canção que abre o disco, mas também se refere à relação que mantém com o palco e com a canção, que, apesar dos aparentes hiatos, nunca se interrompe. Na perspectiva do artista, involuntariamente o álbum Sem Parar acabou resultando num grupo coeso de canções que, cada uma a seu modo, acabam dialogando com a ideia de tempo, e se reportando "à continuidade de tudo aquilo que não controlamos no mundo: a natureza, o sonho, o amor, o acaso, a beleza, o futuro, a inocência, a morte; tudo aquilo que desliza nos espaços da vida, continuamente, ininterruptamente, sem parar".

Para ele, neste novo trabalho o objetivo é sempre o de conseguir alcançar uma voz própria, que não remeta a influências, mas a um discurso musical e poético próprio, autoral. "Por outro lado, nunca nos livramos daquilo que nos formou ou forma-nos enquanto artistas, daquilo que lemos, vemos ou ouvimos durante toda a vida. Influência é uma questão de observação e assimilação não apenas de outros discursos artísticos, mas da própria vida, da experiência. Para mim, em Sem Parar há uma presença clara do folk e do country norte-americanos, que eu tenho ouvido muito nos últimos tempos. Mas, até já me disseram que isso só fica claro para mim mesmo. No mais, são as influências de sempre: a canção tradicional brasileira, a música regional e o rock, diluídos nessa tentativa de encontrar o próprio som, a própria voz", declara o artista.

Segundo Mariano, de modo geral, o novo disco vem sendo muito bem avaliado e recebendo excelentes críticas. "Para mim, um álbum nunca é uma simples coletânea de peças avulsas, mas uma obra inteira, um grupo de canções que representa as visões de um momento que o artista está vivendo. Durante o processo de gravação, lembro que gostava de observar como ele ia, aos poucos e quase involuntariamente, se convertendo numa obra inteira e coesa. Comparando-o com O SoBrado, meu primeiro álbum, penso também que Sem Parar é uma obra mais orgânica, com uma presença corpórea mais clara, mais aparente e mais sensível. Vejo-o como uma evolução, nesse sentido. Acho que ainda há muito o que esperar desse álbum, estamos apenas começando, fazendo agora os primeiros shows e tentando trilhar esse caminho movediço e cheio de incertezas que é o de apresentar uma obra autoral inédita", salienta.

Avaliando o cenário musical do Estado, o músico acredita que podemos estar vivendo "o melhor momento da música popular no Estado, em termos de produção e volume, sobretudo porque só vejo crescer nos artistas uma consciência em relação à ideia de autoria. Creio que a construção da tal "identidade local", ainda que eu não seja chegado a regionalismos extremados, passa necessariamente por aí, pela composição, pela construção de um discurso que nasça e dê frutos aqui, para depois trilhar outros caminhos. Produz-se muito mais música no Rio Grande do Norte, tanto em termos de quantidade quanto de qualidade, do que nas décadas anteriores. Estuda-se mais e melhor também", explica, reforçando que em Mossoró essa consciência ainda está engatinhando. "Vejo os músicos daqui ainda muito presos à reprodução da obra de artistas consagrados. Isso os distancia de um trabalho artístico mais profundo, e da construção de um discurso próprio, autoral. Porém, a chegada do selo DoSol à cidade me parece ser uma luz para isso tudo. Se eles conseguirem desenvolver aqui o mesmo trabalho que vêm desenvolvendo em Natal há anos, vai ser uma evolução e tanto", diz.

  Professor de Literaturas Norte-americana e Inglesa na UERN,
 cantor e compositor, assuense, potiguar. É Mariano Tavares

 "POUQUÍSSIMAS VEZES ME ARRISQUEI A PUBLICAR VERSOS"

A poesia sempre esteve presente nos trabalhos de Mariano Tavares. "A literatura me acompanha em tudo, tanto no meu trabalho artístico e acadêmico quanto na vida mesmo", explica. "Talvez ela me inspire muito mais na forma de viver e de estar no mundo, moldando minha sensibilidade, as vontades, o espírito. Claro que existem escritores especiais, aqueles que vivi mais ou dos quais me aproximei mais, sobretudo os poetas, que mais me interessam. Shakespeare, especialmente, construiu a obra mais impressionante que conheço. Embora seja um lugar comum dizer isso, não há como fugir desse feito. Além dele, releio sobretudo Walt Whitman e Fernando Pessoa, que considero, cada um a seu modo, os dois maiores poetas da literatura. Mas há tanta gente, e em tantas línguas. Wilde, Rimbaud, Dylan Thomas, Sylvia Plath, Emily Dickinson, Drummond, Lorca, é difícil citar", fala, sorrindo.

Porém, apesar de toda a carga de leitura que pode "respingar" no trabalho, Mariano procura uma voz própria. E, diferente de muitos de seu tempo, dedica-se a compor poemas que estejam, já em sua gênese, ligados à música. "Pouquíssimas vezes me arrisquei a publicar versos como poemas, sem o suporte da canção. Digo isso no sentido tradicional: aquele que concebe com sendo um poeta o sujeito que arquiteta versos sobre a página em branco do livro. Acho mesmo que não sou um poeta. Mas a história da literatura antiga está aí para provar que a canção e o poema são faces de um mesmo truque, de uma mesma magia, de um mesmo poder", explica.

Para ele, a forma como um texto ou uma canção nasce nunca é a mesma, a inspiração e a vontade podem vir de qualquer lugar e a qualquer hora. "Há canções que simplesmente 'chegam', como se estivessem prontas e caíssem sobre você, vindas de algum lugar além do seu, enquanto outras podem demorar meses para ficarem prontas, precisam de lapidação, trabalho, transpiração. Muitas vezes nascem de um pensamento, de uma vontade, de uma frase guardada, de uma exigência sua, ou do mundo", complementa.

Mariano Tavares volta à cena musical
 sofisticação e poesia permeiam as 11 faixas do novo disco

O DISCO

Baseando-se principalmente nas canções do álbum, o show de lançamento do álbum reconstitui sua sonoridade ao mesmo tempo universal e regional, contemporânea e tradicional, para compor pequenas reflexões sobre o tempo do amor, do sonho, da natureza e da morte.

A banda que acompanhará o cantor é formada por músicos da cena potiguar que participaram diretamente da elaboração do cd: o pianista e co-produtor do álbum, Humberto Luiz (teclado, contrabaixo), e o guitarrista Alison Brazuka (violões, guitarra), além do baterista Gustavo Almeida. Juntos, o trio forma a banda Brazuka Jazz, que atua no cenário da música instrumental em todo o Brasil. Para o show em Mossoró, Mariano contará também com a participação especialíssima da cantora Renata Falcão.

Tendo como base principal as canções do novo CD, no repertório do show Mariano Tavares incluiu ainda a canção Idade de Ouro (poema do Francês Arthur Rimbaud musicado pelo artista, inédita em disco), novas versões para algumas canções de seu primeiro álbum (Dias de Espera, Disfarce e Carnaval), além de releituras para clássicos de Raimundo Fagner, Los Hermanos e Gilberto Gil. Depois da apresentação em Mossoró, o show segue com apresentações já marcadas em Assu (07/07) e Natal (14/07).

...fonte...