agosto 07, 2012

PARABÉNS, RIO GRANDE DO NORTE - 511 ANOS

 Bandeira do Estado do Rio Grande do Norte

RIO GRANDE DO NORTE COMPLETA 511 ANOS

Por
Lara Paiva

O Estado do Rio Grande do Norte está completando 511 anos. O aniversário é comemorado nessa data, pois no dia 7 de agosto de 1501 foi colocado o Marco de Touros, um dos símbolos da colonização de Portugal.

O Dia do Rio Grande do Norte foi implantado durante o governo de Garibaldi Alves Filho, quando foi assinada a Lei Nº 7.831, criada pelo ex-deputado Valério Mesquita. O Portal Nominuto.com vai falar sobre alguns fatos que aconteceram na terra potiguar nesses 511 anos.

Os primórdios do estado foram através das Capitanias Hereditárias, durante o ano de 1534, em que o rei português D. João III dividiu o território brasileiro em grandes faixas e entregou essas terras para particulares ligados a Coroa, chamado de capitães donatários.

Nessas faixas de terras surgiu a administração da capitania Rio Grande que foi doada à João de Barros e a Aires da Cunha. Por conta das dificuldades, a capitania foi abandonada e ficou sob administração da capitania de Pernambuco.

Como forma de garantir a expulsão de invasores estrangeiros foi construída no dia 6 de janeiro de 1598 a Fortaleza dos Reis Magos. A criação do monumento também permitiu a pacificação com os povos indígenas e marcou o início da fundação da cidade de Natal, que foi criada em 25 de dezembro de 1599. 

Com a independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, a capitania se tornou uma província. Durante o período imperial, o Rio Grande passou por um momento de grande importância, pois Mossoró, uma das cidades que ficava na província, foi o primeiro local a abolir a escravidão, em 29 de setembro de 1883, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea.

A província se transformou em Estado após o Brasil ter proclamado a república, em 1889, um ano após a abolição da escravidão através da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel. No mesmo ano, Pedro Velho torna-se o primeiro governador do estado.

Durante o século XX, o estado esteve envolvido na Intentona Comunista, movimento esquerdista liderado por Luís Carlos Prestes em 1935, no qual o estado ficou por quatro dias tendo um governo socialista. Mas, o fracasso do movimento nas cidades do Rio de Janeiro e Recife fizeram com que os socialistas recuassem.

Também teve a participação direta na Segunda Guerra Mundial, quando a tropa norte-americana criou uma base militar em Parnamirim, que se tornou conhecida como "O Trampolim da Vitória”. Com o suicídio de Vargas, Café Filho tomou posse como o primeiro potiguar a ser presidente da república.

O seu hino foi oficializado em 3 de dezembro de 1957, através da lei estadual nº 2161 e foi composto por José Augusto Meira Dantas e José Domingos Brandão. Atualmente, o Rio Grande do Norte se divide em 167 municípios.

MARCO DE TOUROS

O Marco de Touros foi implantado em 7 de agosto de 1501 na cidade de Touros, litoral Norte do Rio Grande do Norte e alguns historiadores afirmam que o monumento marca o surgimento do Brasil.  Ela foi colocada durante a expedição comandada por Gaspar de Lemos e André Gonçalves, a mando do rei português D. Manoel I.

Outros monumentos como esses foram deixados no litoral brasileiro, um no litoral baiano e outro na praia da Cananéia, São Paulo, sendo o de Touros o mais antigo.

Ele é uma pedra calcária de granulação fina, provavelmente de mármore português, medindo 1,20m de altura; 0,20m de espessura, 0,30m de largura; 1,05m de contorno. Na parte superior, contém a cruz de Malta em relevo e, na inferior, as armas do rei de Portugal e cinco escudetes em aspas com cinco quinas, sem as bordaduras dos castelos.

Alguns habitantes de Touros acreditavam que tirar algumas lascas de pedra do Marco para fazer chás que curava de algumas doenças. Mas, isso estava causando a degradação do monumento. O avanço do mar também estava contribuindo para sua destruição.

Hoje, o Marco de Touros se localiza dentro da Fortaleza dos Reis Magos, quando ele foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural (Iphan). Na praia do Marco, em Touros, existe uma réplica do monumento.

...fonte...
Lara Paiva

agosto 06, 2012

RETALHOS DA VIDA EM MEMÓRIAS

   Novo livro de Dulce Cavalcante remete aos sonhos de infância
 e renova seu compromisso com a poesia como sentido e catarse
 A obra é o terceiro livro da carreira da poetisa
*Ilustração: Inha Bastos

BICICLETAS DE PAPEL

Via
Gazeta do Oeste
 
Dulce Cavalcante diz que demora a publicar. Ressente-se disso, confessa, um pouco encabulada, enquanto olha para as pessoas que passam e observa o movimento do lugar, com o seu livro nas mãos. Pergunto o que a autora está lendo. Ela diz que começou a ler No Caminho de Swann, de Marcel Proust. "Extremamente detalhista, não é?", respondo que sim e digo que para ler Proust é preciso mais que tempo, é preciso um cérebro atento, porque corremos aquele risco de enveredarmos por outros caminhos e errarmos o de Swann. "Estou lendo ele, mas como um compromisso e estou gostando", fala, sorrindo, enquanto abre numas das páginas de seu novo livro de poemas, intitulado Bicicletas de Papel, que será lançado no próximo dia 10, a partir das 19h, no Memorial da Resistência, em Mossoró/RN. "Gosto desse poema", comenta e recita o da página 21, sem título.

O livro de Dulce Cavalcante recebe o selo da editora Sarau das Letras. A orelha é escrita por um de seus filhos, Samuel Cavalcante, e a introdução é do editor da Sarau, Clauder Arcanjo.

A obra é o terceiro livro da carreira da poetisa. Seus dois primeiros trabalhos (Quatro Estações, 2002 e Poltrona Azul, 2006) têm traços singulares, a começar, por exemplo, pelo formato de Poltrona Azul (livro de bolso) e pela escolha dos temas poéticos, que passam pelo mar e adentram nos dramas do cotidiano e nas crises da existência.

São esses mesmos "dramas", com traços diferenciados, que permeiam esta nova obra da poetisa: a solidão, as cenas do cotidiano, fragmentos de sua memória, aquele momento em que o pai lhe proibia que andasse de bicicleta. Todas essas pequenas coisas se juntaram nos escritos de Dulce e chegam, agora, num agradável volume da Sarau. "Escrevi estes poemas há algum tempo e tive o apoio de um dos meus filhos, que me ajudou a escolher os melhores", explica, destacando que as ilustrações são de uma de suas netas, Renata Denipoti. "Mas não se trata de um livro infantil... muitas pessoas poderão achar isso, devido às ilustrações, mas elas foram feitas com o objetivo de dialogar com os poemas. Apenas pedi à minha neta que desenhasse, de preferência, algumas bicicletas", salienta.

Muitos poemas já estavam prontos. A seleção veio depois. "Resolvi organizar tudo e cortamos alguns... muita coisa ainda ficou de fora. Esses poemas não foram publicados no blog ou de forma impressa. São todos poemas inéditos", fala. "Ofereci o livro à minha neta", diz.

Tudo foi feito em família: a capa e o projeto gráfico foram de Samuel Cavalcante (filho), diagramação de Narcélio Lopes (filho) e as ilustrações de Renata (neta). A poetisa sorri. "Todos ajudaram. Tudo em família", comenta, frisando que se surpreendeu com os belos traços de Denipoti.

DULCE CAVALCANTE
Bicicletas de Papel, retalhos da vida e memórias
 Fotografia: Ednilto Neves 

 "ESTE LIVRO É UMA CATARSE"

As bicicletas fizeram parte da infância de Dulce. Criada sob um duro regime patriarcal, uma das proibições de sua infância era andar de bicicleta. "À época, não tínhamos condições de comprar uma e meu pai, mesmo que tivesse condições, não deixaria que andássemos de bicicleta. Então, eu pegava o dinheiro dos pães e alugava uma, só para andar à vontade", relembra. "Já adulta, com os muitos afazeres, não tive como andar a contento. Os filhos cresceram, o tempo passou, mas as bicicletas ficaram na minha mente. Hoje, às vezes sonho andando de bicicleta, pedalando à vontade. No sonho podemos fazer tudo", explica.

O título, de acordo com ela, foi uma espécie de "catarse". "Vi, no título, o momento ideal para rever tudo isso e esse desejo que ficou dentro de mim durante esses anos... Vi a oportunidade de redenção daquele momento de minha história", declara a escritora. "Estou numa crise poética. Um pouco perdida de tudo, diria... Tudo que vejo, acaba chamando minha atenção. Tudo me inspira e me sinto dispersa neste momento em que uma parte das pessoas não leva a sério a poesia", salienta.

Dulce declara que, passados estes anos de leituras, se arrepende, intelectualmente, de ter lido pouco. "Poderia ter lido ainda mais. Mesmo assim, entre um afazer e outro, estava com um livro nas mãos. Eu gostaria de ter participado mais de movimentos literários, me engajado nisso", fala, enquanto toma um pouco do cappuccino que tanto aprecia. "Hoje, a visão ajuda pouco, mas continuo lendo, de uma forma ou de outra. Gostaria de ter lançado mais livros, no entanto, creio que as coisas chegam no momento certo", finaliza.


...*ilustração meramente da postagem...  
Bicicletas azuis, 2004
Inha Bastos ( Brasil 1949)
Óleo sobre tela,  90 x 130 cm

agosto 04, 2012

A CULTURA POTIGUAR ENCANTA E ACONTECE

  Agosto da Alegria terá como tema “É Festa para Deífilo”
São esperados 18 mil participantes do Rio Grande do Norte e mais
 10 estados brasileiros e 400 apresentações para um público estimado
em 100 mil pessoas durante o período
fotografia: Giovanni Sérgio

AGOSTO DA ALEGRIA HOMENAGEIA DEÍFILO GURGEL

Por
Alex Costa

A capital potiguar vai vivenciar pela segunda vez uma das maiores apostas que o Rio Grande do Norte já fez em reverência à cultura popular e suas diversas manifestações: o Agosto da Alegria. Sob o título de “É Festa para Deífilo”, a intenção é de homenagear um dos maiores expoentes da pesquisa folclórica no RN, Deífilo Gurgel, falecido em abril desse ano. “A nossa expectativa é a de superar o ano passado, quando realizamos o evento em setembro. Este ano faremos tudo no mês de agosto. Queremos tornar esse mês um período cultural aqui em nosso estado”, afirmou a secretária extraordinária de Cultura do RN, Isaura Rosado.

A expectativa é de superação em relação ao ano anterior, cujos números falam por si: foram mais de 30 dias de atividades, contando com 11 linguagens, nas quais participaram cerca de 15 mil brincantes e um público estimado em cem mil pessoas. Para este ano, o Governo do Estado, através da Secultrn/FJA, vai mobilizar 160 grupos culturais, tanto do próprio Estado, como também de lugares como o Pará, Santa Catarina, Maranhão, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Mato Grosso e Espírito Santo.

“Esse misto de culturas e de vertentes artísticas unidas na capital potiguar irão fomentar o turismo. Agosto é um período de baixa estação no nosso estado. Porque não transformar isso unindo a cultura com o turismo da nossa capital?”, acrescenta Isaura Rosado.

O evento este ano espera aumentar também o número de participantes para 18 mil. A programação oficial começa no dia 8 de agosto e se estende até o dia 2 de setembro, em mais de 30 pontos diferentes.

“O Agosto da Alegria já é uma festa que deu certo. Pretendemos manter esse sucesso que levou milhares de pessoas para as ruas nos shows, nos cortejos, nas apresentações dos Brincantes, dos bonequeiros, dos bailarinos e em todas as manifestações culturais”, colocou a governadora do estado, Rosalba Ciarlini.

Para o secretário de turismo do estado, Renato Fernandes, a força e a pujança de qualquer região está na sua cultura. “Esse é um momento de valorização da cultura. Dez estados farão parte dessa festa que será vista por várias cidades do Brasil e do mundo. Sempre afirmo que não é possível dissociar turismo e cultura”, reforça.

O filho do principal homenageado do mês cultural, Alexandre Gurgel, agradeceu a oportunidade de ver o nome do seu pai valorizado mais uma vez no Agosto da Alegria. No ano passado, Deífilo Gurgel foi homenageado, ainda em vida, no primeiro ano do evento. “Foram 40 anos de dedicação e preservação da nossa cultura. Meu pai é visto como um grande lutador desse tipo de evento e hoje nós vemos esses frutos de tão maravilhoso empenho”, afirma.

 O Agosto da Alegria tem início no dia 8 e adentra o mês de setembro
A expectativa é de atração turística e promoção cultural

SOBRE O AGOSTO DA ALEGRIA 

A programação será dividida em 10 eixos temáticos (Circuito Brincantes, Circuito Parafolclórico, Artes Visuais, Artes Cênicas, Audiovisual, Academia, Diversidade, Feiras, Outros Agitos e Música). A exemplo do ano passado, com shows que levaram milhares de pessoas ao Largo do TAM, o Agosto do Alegria 2012 contará com os seguintes nomes: Martinho da Vila; Alceu Valença; Orquestra Contemporânea de Olinda; Khrystal; Pedrinho Mendes e Sueldo Soaress, dentre outros.

No circuito Audiovisual, a programação com mostras de cinema, oficinas e debates, além de exibição de filmes e documentários com a presença dos cineastas como Eduardo Escorel e Claudio Assis. Para os amantes do teatro, o Agosto da Alegria 2012 traz o melhor do teatro e da dança contemporânea, com a programação do Festival de Dança Contemporânea e os grupos do Projeto Sesc Palco Giratório, além de valorizar a produção universitária e escolar do nosso Estado, com as peças classificadas no FESTUERN. 

A programação inclui ainda exposições de arte e fotografia, feiras de artesanato, gastronomia e literatura, discussões acadêmicas, cortejos culturais e lançamento de publicações.

O Agosto da Alegria é uma realização do Governo do Estado e conta com parcerias da UFRN, UnP, UERN, SEBRAE, SESC, Forró da Lua, Poti Livros, Canne, Funarte e Fundação Joaquim Nabuco. A proposta do Agosto da Alegria é a de se tornar um evento nacional, como o Mossoró Cidade Junina e ganhar mais visitantes na capital num período de fraca visitação.

...fonte...
 Alex Costa
 www.defato.com

 ... programação... 

O UNIVERSO DE UMA JOVEM ROMANCISTA

 Sob Asas, na Saraiva do Midway Mall 
Aos 16 anos, Monalisa Silvério apresenta hoje ao público seu sexto livro, 
 Obra narra o envolvimento de uma jovem com um anjo no Rio de Janeiro
Fotografia: Eduardo Maia/DN/D.A Press
 
A DOCE IMAGINAÇÃO DE UMA JOVEM ROMANCISTA
 
Por
 Adriana Amorim
 
Quando Monalisa Silvério, aos apenas nove anos de idade, entregou o rascunho de seu primeiro livro ao pai, Marcos Cassiano, logo se dirigiu a um especialista em literatura para avaliá-lo. "Pode publicar", disse ele, em alto e bom tom, classificando a obra Meu Cavalo Coragem como um romance. Daí por diante, a menina não parou e hoje, aos quase 17 anos, lançará seu quinto livro, seguindo o gênero que adotou "sem querer". Sob Asas (MC Leitura Arte, 360 páginas) será apresentado ao público neste sábado, na Livraria Saraiva do Midway Mall, das 17h às 21h.

E "sem querer", a jovem escritora abusou da imaginação e narrou o romance de uma jovem com um anjo. Teria sido a primeira publicação no Brasil com o uso desse elemento, mas a festa de 15 anos foi prioridade para ela, que presenteou os convidados com o primeiro capítulo dessa trama. "Aos 13 anos, sonhei com um anjo e nunca esqueci. Decidi transformá-lo em personagem, inserindo alguns elementos que julguei importantes",disse, revelando que toda a história se passa em uma cidade que sequer conhecia, Rio de Janeiro.

"Conhecia apenas pela TV e através de algumas pesquisas pessoais. Somente no ano passado é que fui conhecer a cidade. Muita coisa bateu com o que eu imaginava, mas ainda assim tive que reescrever alguns trechos", disse, apontando locais comuns à trama, como Copacabana, Cristo Redentor e Jardim Botânico. "Esta é a minha obra que mais me representa", adiantou ela, que em 2007 classificou-se em terceiro lugar na Bienal Nacional do Livro de Natal, com um conto.

TRECHO

"Dormi mais que o normal, tentando sonhar com Caio, mas foi inútil também. Na noite de sábado, eu fazia minhas tarefas em meu quarto enquanto beliscava algumas batatas fritas - as últimas do estoque, por sinal. Estava com dificuldade na matéria e pensei que talvez Matheus pudesse me ensinar melhor do que o professor idiota de história. Disquei rapidamente o número no celular. Ele atendeu na primeira chamada. Eu me assustei..."

 PRÓXIMA TRAMA SE PASSARÁ NA INGLATERRA

Hoje, Monalisa já tem em mente o enredo de seu próximo livro, que se passará na Inglaterra, lugar que também está apenas na imaginação. Enquanto coloca as ideias para fluir, ela se prepara para o primeiro vestibular de Letras. "Sempre gostei de ler e um dia sentei na frente do computador e comecei a escrever, resultando no primeiro livro. Até então, foi algo sem intenção, sem muita pretensão", disse a escritora, que tem no pai o maior motivador. Aliás, Marcos Cassiano também é escritor. É autor de Despertando Para o Saber (2002) e Jovens Idiotizados (2004), ambos com bases filosóficas.

"Sempre procurei orientar minhas filhas dentro de um processo educacional diferenciado. As escolas pecam porque não oferecem música, dança, literatura. Fui buscando esses complementos por fora. Hoje, Monalisa tem despertado o interesse pela literatura em outros jovens", disse, orgulhoso, Marcos, que tem formação em contabilidade, direito, filosofia, psicanálise e está concluindo psicologia.

...fonte...

...serviço... 
Sob Asas
 (MC Leitura Arte, 360 páginas)
 Monalisa Silvério
 04/08/2012 - 17h às 21h
 Livraria Saraiva do Midway Mall
84.9406-6597

agosto 03, 2012

A ARTE INGÊNUA DE ISADORA

 Radicada na Áustria, a natalense Isadora Maciel é a convidada
 do 'Vem no Sábado'  para expor seus desenhos pela 1ª vez

A ARTE INGÊNUA DE ISADORA

Por
Sérgio Vilar

Pedaços coloridos do mundo enfeitarão amanhã o Camelódromo da Cidade Alta. Sentimentos infantis. Arte ainda ingênua desenhados por uma natalense de 9 anos de idade radicada na Áustria e de alma nômade. Isadora Maciel está de férias em Natal e participa do projeto Vem no Sábado. A iniciativa é da loja Arte Por Perto, que a cada primeiro sábado do mês reúne a obra de artistas para dialogar com os transeuntes do Centro da cidade. Isadora vive desde os primeiros meses de vida na Áustria. Os primeiros rabiscos datam dos 2 anos de idade. A mãe juntou todos os registros de uma menina que viveu até os 5 anos como nômade.

"Eu e minha mãe cruzávamos três continentes por ano: Ásia Central, onde meu pai trabalhava; a Europa, onde moramos, e a América do Sul. Tudo isso deve ter me impressionado muito porque minha mãe diz que eu aprendi a conviver com as diferenças logo cedo", conta. A arte do desenho foi incentivada pelo estilo de vida. A mãe não podia carregar todos os brinquedos nas viagens. E os pincéis e as tintas eram mais fáceis de transportar, já que papel tem em todo canto. "Enquanto ela fazia as tarefas dela eu pintava. Depois ela guardava tudo em pastas com data e o lugar. Hoje vejo que já desenhei muito".

As temáticas partem do cotidiano: casas, cidades, animais, plantas, meninas e meninos, e coisas da imaginação. Quando Isadora enviou as fotos de animais - "uns bem engraçados" - por correio à tia e artista plástica Ana Potiguar, logo foram transformadas em estamparias de camiseta. "Gostei da ideia e, como uma coisa puxa outra, apresentei mais desenhos pra ela e daí nasceu a ideia da exposição quando eu chegasse em Natal", conta a jovem. E faz um pedido: "Ontem conheci um amigo da minha mãe que se chama Marcelus Bob. Gostaria muito que ele também fosse porque eu gosto muito dos desenhos dele".

Isadora também conta que a mãe sempre mostra a obra dos artistas potiguares. "Ela diz que é pra eu manter as origens". A exposição de Isadora Maciel é a primeira de sua propositiva carreira de artista. O nome da exposição é No Reino da Distração. "Porque foi assim pra me distrair que minha mãe me oferecia pincéis e tinta e era pra deixar ela trabalhar que eu pintava", revela Isadora Kalcik - o sobrenome quase "segredável" que ela usa na Áustria. 

   Nas frequentes viagens entre três continentes, 
bagagem de Isadora é repleta de pincéis, canetas e papeis

ARTE POR PERTO 

O projeto Vem no Sábado foi idealizado por Juliane Ataíde. Ela é sócia-proprietária da loja Arte Por Perto, situada no Box 218 do Camelódromo do Centro. O objetivo principal do projeto sempre foi construir um momento mensal de integração popular e divulgação de arte potiguar. Acontece a cada primeiro sábado do mês, das 9h às 13h30. Segundo Juliane, costuma atrair desde transeuntes admiradores da arte natalense a pessoas que já conhecem o projeto e comparecem ao local para conferir a nova exposição.

O projeto já segue em sua quinta edição. Participaram Ana Potiguar, Rita Machado, Patrícia Souza e a fotógrafa Rosa Maciel, esta última, mãe de Isadora. "Rosa é amiga da minha sócia e o contato foi feito". Juliane conta ainda que será feita uma seleção musical temática para a ocasião. "Também exibimos vídeos e curtas-metragens do Anima Mundi e produzimos ímãs das obras expostas para quem não pode comprar as telas. Nossa intenção é mesmo democratizar a arte", frisa.

Juliane ressalta ainda que o projeto também pretende lançar novos artistas, além de aproximar outros mais conhecidos das pessoas comuns, transeuntes do Camelódromo e do centro da cidade. "Funciona como uma espécie de socialização de artistas e admiradores da arte potiguar". Os trabalhos são variados. Vão desde fotografias, telas, imagens gráficas a desenhos e outras formas artísticas de expressão dos sentimentos.

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...Arte por Perto...
 Juliane Ataíde
 (84) 88333722

agosto 01, 2012

UMA NOVA CHANCE NO SOLETRANDO

  GABRIEL CLEDSON 
Exemplo de dedicação, estudante participará pela 2ª  vez do programa global
 De família humilde, Gabriel sonha vencer programa e cursar medicina.
O novo sonho só depende dele.
 Fotografia: Fábio Cortez/DN/D.A Press

 NOVA CHANCE NO SOLETRANDO

Por
Sérgio Henrique Santos

Gabriel participou pela primeira vez do Soletrando quando tinha 14 anos. Agora ele terá uma nova chance de ganhar o primeiro lugar, R$ 100 mil e uma bolsa de estudos. Este ano o programa homenageia o escritor baiano Jorge Amado. "Na primeira fase, eles disseram com antecedência quais eram as palavras que iriam cair. Agora elas serão sorteadas. Vai ser uma surpresa", conta Gabriel.

O rapaz tem dedicado oito horas por dia para ler copiosamente o dicionário da língua portuguesa. Outra parte do dia ele passa em sala de aula. Estuda na Escola Estadual Padre José Maria Bienzinger, em Jardim Lola, município de São Gonçalo do Amarante. "É muito legal participar do Soletrando. Esse ano espero que seja ainda melhor do que na outra vez. Estou muito mais bem preparado".

Para a mãe, Maria das Graças da Silva, que não é alfabetizada, incentivar o único filho a estudar sempre foi seu objetivo, dado o interesse do rapaz na escola pública. A família humilde mora de aluguel em um quarto-e-sala numa vila de casas no bairro de Igapó, Zona Norte da capital. "Ganho R$ 500 por mês trabalhando como ASG num posto de saúde de São Gonçalo. Meu marido, padrasto dele, faz alguns bicos, mas não temos maiores condições. É um orgulho para mim essas conquistas. Dei a ele a educação que eu não tive", disse ela.

Empolgado, o garoto classifica que é "muito legal participar do programa", e que quando voltou a turma inteira da escola ficou empolgada com a participação dele no Caldeirão. "Todos os outros concorrentes têm pessoas para acompanhar nos estudos. Eu não. Estudo sozinho. Minha professora de português ainda é nova e não conheço muito ela. Quem tem me ajudado muito é a professora de geografia".

 
  Luciano Huck apresenta mais uma eliminatória do "Soletrando"

PROFESSORA DEU ATÉ A ROUPA PARA RAPAZ IR AO RIO DE JANEIRO

A professora de geografia de Gabriel, Glória Bezerra, foi convidada por ele e pela mãe, Maria das Graças, para acompanhar o adolescente durante os cinco dias em que participam das gravações no Soletrando, quadro do Caldeirão do Huck, na Globo. "Estou triste porque pedi ajuda à prefeitura de São Gonçalo, onde ele estuda, e não me deram nada. A professora dele foi quem comprou até a roupa que ele vai e o dinheiro do lanche. Lá no Rio a Globo é quem paga tudo", disse a mãe de Gabriel, Maria das Graças da Silva.

Apesar da felicidade com a classificação, a mãe conta que encontra muitas dificuldades para dar boa educação a Gabriel. "Fiquei muito contente por ele ter se classificado novamente. Ele é muito estudioso e dedicado, mas nossa vida não tem sido fácil. Muitas vezes deixo de comprar carne para juntar dinheiro e poder comprar um livro para meu filho. Mas isso me realiza". Gabriel e a mãe se mudaram há cinco anos do município de Nova Floresta (PB) para tentar uma vida melhor no Rio Grande do Norte. Moraram inicialmente em Ceará-Mirim, e há dois anos vieram para a capital potiguar.

Maria das Graças atualmente trabalha como ASG, mas também é cantora. Deixou de cantar porque o que ganhava à noite, cerca de R$ 30 por apresentação, não dava para cobrir as despesas, pagar as contas, comprar alimentação, livros e dicionários para Gabriel. "Canto músicas do Grafith, forró, outros ritmos. Canto tudo que estiver no repertório. Se houver alguma banda precisando de cantora, estou à disposição", informou ela. Já o filho planeja ser médico especialista em cirurgia geral. Na época em que participou do Soletrando pela primeira vez, tinha o sonho de ganhar um computador para auxiliá-lo nos estudos. Uma advogada soube disso e deu o computador de presente.  "Meu próximo sonho é ganhar o Soletrando", diz Gabriel. O novo sonho só depende dele.

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 Sérgio Henrique Santos
sergiohenrique.rn@dabr.com.br

julho 31, 2012

EM BUSCA DE UM PÓDIUM PARA O TALENTO

 Depois de despontar no Youtube com um clipe casairo,
Pedro Luccas quer participar do Reallity Show da Rede Globo
Programa tem estreia marcada para o dia 23 de setembro de 2012

 FOI NOS BAILES DA VIDA

 Por 
Sílvio Andrade

Os bailes e bares dos poucos anos de vida do cantor e compositor Pedro Luccas, 25, carioca radicado em Natal, aos poucos estão lhe roubando da publicidade, profissão que hoje ele ainda tem como atividade principal de sobrevivência. No youtube, o clipe caseiro “Acaso”, com quase 16 mil acessos até a última quinta-feira, começa a chamar atenção para a balada pop-rock de sua autoria.

Não é por acaso que Pedro Luccas desponta como uma promessa da nova geração da música em Natal. Derivado de várias estilos como bossa nova e  pop-rock, o tom musical dele é a estética da mistura de ritmos feitos para agradar ao público da noite, onde começou sua carreira.

Inscrito no programa “The Voice”, o reallity show musical que vai estrear na Globo, Pedro Luccas, claro, busca o reconhecimento nacional. A primeira tentativa foi em “Ídolos” da Record este ano, onde ficou entre os vinte primeiros classificados do Nordeste. Não deu pra ir mais longe, mas ficou o aprendizado, já que nesse tipo de programa nem sempre o talento vence.
 
  Pedro Luccas, com dois cês, é um “potiguarioca”
 carioca da gema e potiguar de coração, faz reverência a nomes da terra
como Krhistal,  Isaac Galvão, Manoca, Sérgio Groove, Jubileu, Bethoven

INFLUÊNCIAS

As partituras de livretos com letras despertaram cedo, entre os 12 e 13 anos de idade, o interesse de Pedro Luccas pela música. Ficava ouvindo o pai Lucas, militar da Marinha, dedilhando notas ao violão. O ritmo nunca mais saiu de sua cabeça e, para completar, a mãe Alba Regina cantava e chegou a participar de programas de calouros de TV.

Aprendeu a tocar e a cantar ouvindo ídolos da bossa nova e nomes como Djavan, Os Paralamas do Sucesso, Skank, Biquíni Cavadão, Frejat, Ed Mota. No cenário internacional, cita Stevie Wonder e Brian McKnight, um fera do rithm and blues e pop norte-americano.

Influência à parte, na batalha para sobreviver de música, Pedro Luccas frisa que isso não é fácil: “Falta incentivo aos artistas locais, falta patrocínio”. E faz reverência a nomes da terra como Krhistal, Isaac Galvão, Manoca, Sérgio Groove, Jubileu, Bethoven.


...visite...

julho 30, 2012

UMA NATAL COM JORGE AMADO

  Jorge Amado encontra Newton Navarro em sua última passagem por Natal,
 em 1978. No alto, com Zélia Gattai, Dorian Gray, Zaíra Caldas  e  Franklin Jorge,
 num encontro que rendeu muitas histórias  publicadas no Diário Amado.
 Acima, com Calazans Neto.

  UMA NATAL COM JORGE AMADO

 Por
Tádzio França

Não é difícil imaginar que o clima e as paisagens de Natal e redondezas já inspiraram algum trecho da obra do escritor baiano Jorge Amado. Houve boas oportunidades para isso. No ano em que se comemora o centenário de nascimento (dia 10 de agosto de 1912) do autor de "Gabriela", "Tieta" e outras personagens que fazem parte do imaginário popular, as passagens dele pela capital potiguar poderão ser relembradas por registros de algumas privilegiadas testemunhas.

O escritor e jornalista Franklin Jorge reeditará em setembro a coletânea de crônicas que escreveu durante a badalada passagem de Amado por Natal em 1978. As histórias das muitas amizades que o baiano deixou em Natal - entre gente como Câmara Cascudo, Newton Navarro e Dorian Gray - renderiam um belo romance de memórias.
 
"Jorge Amado me surpreendeu em vários momentos de sua visita, pois demonstrou saber coisas sobre Natal que eu mesmo não conhecia", diz Franklin Jorge. Ele acompanhou toda a semana do escritor baiano em Natal, a partir de 08 de janeiro de 1978. Cada dia ganhou uma crônica que ele publicou na TRIBUNA DO NORTE sob o nome "Jornal Amado". Esses textos foram reunidos num livro em março do mesmo ano, pelo livreiro Carlos Lima, da Clima Artes Gráficas. Por ocasião dos seus 60 anos, e também pelo centenário de Jorge Amado, Franklin fará uma reedição fac-similar da obra pela editora FeedBack, em impressão pela gráfica OffSet. Sairá em setembro, junto com o livro "O céu de Ceará-Mirim". 

TIETA DO AGRESTE NA RIBEIRA

Jorge Amado já era um consagrado autor de best-sellers em todas as vezes que esteve em Natal. A primeira vez, em 1959, participou de um festival de folclore ao lado de José Condé e Valdemir Cavalcante, e prestigiou em Mossoró o lançamento do livro "O homem que não gostava de cães", do amigo Milton Pedrosa; por lá encontrou os amigos do Partido Comunista, visitou salinas, e conheceu Tibau. Voltou em 1961, ao lado da cronista Eneida, sendo recebido por Djalma Maranhão. Em 1978, veio a convite de amigos para lançar o sucesso "Tieta do Agreste". Veio acompanhado de Zélia Gattai, do artista plástico Calazans Neto, e Auta Rosa. Foi uma das semanas mais movimentadas que o meio cultural natalense já teve. 

CRÍTICAS À PAISAGEM URBANA

O escritor não queria badalação em solo natalense, mas abriu uma exceção para falar a todos numa entrevista coletiva realizada no dia 09/01, às 11h30, na Cooperativa de Jornalistas que ficava na Rua São Tomé, Cidade Alta. Jorge Amado falou sobre Glauber Rocha, o sucesso dos seus livros e a postura da crítica, censura, a situação política do País, tropicalismo, e suas novas impressões sobre Natal. O escritor ficou impressionado com o crescimento da cidade que ele havia conhecido "infinitamente menor", e fez até algumas considerações sobre urbanismo: defendeu o crescimento inteligente de São Luís (MA), "com apenas três edifícios de apartamento no centro", e criticou as "monstruosas torres de concreto" de Salvador. Eram os anos 70...

O hoje clássico "Tieta do Agreste" era uma novidade a ser celebrada em 1978. No Teatro Alberto Maranhão foi realizada a exposição "Onze gravuras para Tieta do Agreste", pelo artista plástico, ilustrador e cenógrafo Calazans Neto. Em seguida, o houve o lançamento do livro na então novíssima Livraria Clima, no prédio que ainda existe na avenida Dr Barata, Ribeira. Na ocasião do lançamento, foi realizada no mesmo dia uma exposição coletiva com nomes como Newton Navarro, Dorian Gray, Zaíra Caldas, Fernando Gurgel, Jordão, Franklin Jorge, Nivaldete Xavier, entre outros. ""O intercâmbio entre artistas realmente ocorria em Natal, eram outros tempos", ressalta Franklin. 

AMADO, CASCUDO E DORIAN GRAY

A personalidade satírica e intelectual de Jorge Amado também marcou seus momentos natalenses. Em Pirangi, o baiano - então com 65 anos - foi confundido com outro conterrâneo célebre. "Uma senhora de meia-idade, de biquíni cavado, chegou sorridente e perguntou se ele era o Dorival Caymmi. Ele respondeu que era o irmão dele", conta Franklin. A primeira pessoa que Amado pediu pra visitar, em Natal, foi o amigo Câmara Cascudo, com quem já trocava longas correspondências. "Levei ele até Cascudo numa tarde, mas não pude ficar pra conferir todo o papo. Vi quando Amado cobrou de Cascudo um livro sobre Ceará-Mirim que este estava escrevendo", lembra.

Por duas ocasiões, Franklin saiu em dupla com Jorge Amado. Na primeira, o baiano pediu que ele o levasse para comprar livros na Livraria Universitária. "Pra minha surpresa, ele comprou dez  livros...dele mesmo. Perguntei por quê. Ele respondeu que nunca se deve presentear os amigos com a cota de livros que as editoras dão, pois ao comprar os próprios livros, o autor ganha 10%. Achei aquilo incrível", diverte-se.

Na segunda ocasião, Amado quis ir ao Canto do Mangue. "Ele queria ir ao Bar da Elvira, uma pessoa tímida e simples que o encantava. Por lá, comemos tapioca com peixe frito e conversamos muito", diz. Consta que o livro "Os velhos marinheiros" (1961) teria uma passagem  inspirada no Canto do Mangue. 

Anos mais tarde, quando Franklin estava trabalhando em Mossoró, foi surpreendido por uma ligação de Jorge Amado. "Ele me achou por lá! Conversamos bastante e ele me contou causos engraçados sobre personagens de Mossoró. Amado tinha essa cultura de conservar amizades", afirma. 

RETRATOS DE DORIAN GRAY

O artista plástico Dorian Gray foi um dos cativados pela simpatia do escritor baiano. Dorian acompanhou o grupo no almoço à casa da irmã Zaíra Caldas, nas exposições, lançamentos, e passeios pelo litoral.

Dorian levou Jorge Amado até seu ateliê, e o presenteou com um quadro. "Jorge escolheu um que eu nem gostava muito, uma cena de marina. Mas ele adorou justamente aquele", lembra. Dorian registrou a lápis vários momentos daquela semana, e suas gravuras se tornaram ilustrações no livro que Franklin Jorge lançou em março de 78. "Fiz desenhos bem cotidianos, pois foi uma coisa vivida, e não sonhada. Registrei os banhos de mar e na lagoa de Pium, as conversas com Zélia e Calazans, e até mesmo a despedida no avião. São registros singelos e simples, já que o Jorge Amado se mostrou também assim, todo o tempo", recorda. 

...fonte...
 Tádzio França

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Acervo Tribuna do Norte

julho 28, 2012

CAMILA MASISO: DE VOLTA PRA O ACONCHEGO

Graduada em Direito, quando não está ensaiando os próximos acordes,
Camila provavelmente está lendo algum livro ou comprando um novo título
Fotografia: Giovanna Hackradt e Geórgia Hackradt

A ARTISTA DO ANO ESTÁ DE VOLTA

Por
Sérgio Vilar

Mesmo jovem Camila Masiso já completou alguns ciclos na carreira musical. Integrou uma banda pop de forte apelo comercial. Se lançou numa carreira solo calcada no repertório mais sofisticado. E por último foi surpreendida ao receber o Troféu O Poti na categoria Artista Popular como mais votada pelo público. E uma nova fase se inicia. Após uma turnê de quase um mês pela Europa, a cantora se debruça na elaboração do segundo CD, já vivendo "bem" só da música e cheia de planos futuros para seguir na "estrada".

Camila Masiso foi indicada pela comissão de jurados do Prêmio Cultura Potiguar - organizado pelo Diário de Natal/O Poti - a concorrer na categoria Música. "Criei expectativa em vencer o prêmio (entregue à banda Talma&Gadelha). Não esperava vencer como artista mais votada", revela. E venceu com quase o dobro de votos do segundo colocado. Durante a cerimônia de entrega realizada no Teatro Alberto Maranhão, a família recebeu em seu lugar. Camila estava em turnê pela Europa. Até então ela nem desconfiava do resultado.

Variedade musical
"Faço o meu som que considero genuinamente brasileiro"

 fotografia: Rayane Azevedo

"Pelo fuso, o horário era madrugada lá na Áustria. Quando acordei logo cedo acessei meu facebook e tinha uma foto minha com o troféu ao lado. Dei um pulo de alegria, vibrei sozinha", contou. Camila atribui o resultado ao trabalho realizado, sobretudo, no último ano. A parceria com o SESC possibilitou inúmeros shows junto à Orquestra Sinfônica da UFRN. A apresentação de Clássicos da MPB foi agraciada também com o prestigiado Prêmio Hangar 2012, voltado à música potiguar, e abriu novas portas à cantora.

"Tocamos em lugares que normalmente não tocaríamos. Fui apresentada a outros nichos de público. Muitos empresários ligados à Fecomercio, por exemplo, conheceram meu trabalho. Fiz viagens, divulguei muito nas redes sociais e na mídia impressa. Acho que isso ajudou muito. E outro fator importante é que gosto de participar de projetos especiais, diferenciados. Fiz shows assim na Casa da Ribeira, alguns especiais no Buraco da Catita. E são shows que apresentam um trabalho mais profissional e elaborado".

 Show na França
Foram quatro meses de trabalho e estudo para aprender o novo idioma
Fotografia: Giovanna Hackradt e Geórgia Hackradt

 DISCO 2

Trabalho elaborado rima com o novo CD de Camila Masiso, ainda sem título. Definido mesmo só a ideia de 11 faixas e capa com arte pintada por algum artista plástico potiguar. Conversas com Flávio Freitas estão adiantadas e podem estampar as cores do novo álbum. "Penso em algo bem regional e colorido". O repertório será todo potiguar. "Tenho recebido muita coisa e já temos trabalhado algumas músicas. Mas ainda estamos fechando essa parte. Tenho insistido pra Khrystal me dar alguma música. Então o repertório ainda está em construção".

Certo mesmo a presença da canção Mares potiguares, do areiabranquense Mirabô. A música já faz parte do show com a Orquestra. "Tenho uma ligação transcendental com a essa música e quero que esteja no CD". Há também o debut da cantora como compositora. "A turnê pela Europa foi inspiradora. Muito tempo junta com os meninos do Macaxeira Jazz facilitaram a composição". E a canção Morena, composta por Diogo Guanabara (do Macaxeira) e Edu Bandeira, também estará no novo trabalho.

"Ainda penso em pedir música a Pedro Mendes, Babal, Galvão Filho. Luiz Gadelha já me enviou algumas coisas. Tem uma galera nova também... Quero analisar tudo com cuidado e trabalhar muito em cada uma delas. Recebo as músicas cruas e no ensaio de ontem, por exemplo, trabalhamos duas horas apenas em uma música. Quero esse tempo para sentir a sonoridade do disco e apresentar um trabalho legal para o público". A estimativa de Camila Masiso é de que em setembro inicie a divulgação das primeiras músicas na internet.

   Mudança do pop rock para MPB 
ajudou a intérpetre  a ser reconhecida pelo seu trabalho
Fotografia: Giovanna Hackradt e Geórgia Hackradt

"HOJE VIVO BEM SÓ DA MÚSICA. É MEU ÚNICO GANHA-PÃO" 
 
No dia 27 de junho, Camila Masiso e o Macaxeira Jazz partiram rumo à Europa. Contatos com produtores e artistas foram feitos antes. Ela tinha feito show na Casa da Ribeira com o italiano Pheel Baliana. O Macaxeira tinha outros contatos de turnês anteriores e a agenda de shows foi montada. Tocaram na Áustria, depois Itália, passaram três dias em Portugal para estreitar mais contatos e conhecer a cidade, seguiram para Espanha e depois para a Eslovênia. Apresentações em bares, festivais, ruas e até praças onde receberam alguns trocados.

"Foi engraçado. A gente estava numa praça em Barcelona. Aí tiramos os instrumentos, começamos a tocar pra gente mesmo, sendo que o case do pandeiro estava virado, aí quem passava deixava uma moeda", lembra. "Às vezes chegávamos em um bar, sempre com os instrumentos. O dono perguntava se éramos músicos e ali mesmo fechávamos uma data para show no dia seguinte". Camila recorda do público atento e silencioso. Até chegarem os brasileiros: "A gente cantava sem amplificadores. Mas quando brasileiros descobriram a gente lá aí foi uma barulheira".

Uma das experiências mais satisfatórias foi o show no Festival de Lent, na cidade eslovena de Maribo. "Era muito grande. Dava uns três Madas. Era à beira do rio. Cantei Samba da minha terra junto com a cantora Zvezdana Novakovic. Eu em português e ela em esloveno (o vídeo está no youtube). Também descobrimos uma roda de chorinho em Barcelona. Aliás tem muito músico brasileiro por lá". E as lembranças só trazem sorrisos à cantora. Camila Masiso já fechou novas datas na Europa para a turnê do próximo ano.

  Show Camila Masiso & Orquestra
 "É possível, sim, viver só de música"
fotografia: Moraes Neto

NOVA TURNÊ

Camila Masiso acredita em trabalho, iniciativa e profissionalismo para quem quer viver da música. "Hoje vivo bem só da música. É meu único ganha-pão". O novo CD já foi aprovado pelo Programa Djalma Maranhão (lei municipal de incentivo à cultura) e tem recursos captados junto à Unimed Natal. "Se você apresenta um bom trabalho e mostra retorno aos empresários, eles apostam no artista". As passagens para a turnê foram financiadas pela Miranda Computação. "Em troca eu faço um show para eles, num evento de lançamento. É uma troca onde todos saem ganhando, inclusive o público".

...fonte...
 Sérgio Vilar

julho 26, 2012

UM ESPAÇO PARA A MÚSICA INDEPENDENTE

 O Som sem Plugs é um espaço multimídia para apreciação
 e divulgação da boa música no seu formato mais íntimo e verdadeiro
uma plataforma para a música acústica, sem edição ou mixagem

 SOM SEM PLUGS

Por
Sérgio Vilar

Uma nova plataforma de divulgação da música potiguar tem chegado aos ouvidos dos artistas e do público. Sons desplugados, acústicos e honestos na proposta. Uma trupe de produtores de audiovisual decidiu produzir vídeos de músicos locais. Chamaram o projeto de Som Sem Plugs. Tudo gratuito, sem custo ao artista e muito menos ao ouvinte. Mais de uma dezena de vídeos já circula na internet. E dezenas já estão agendados.

O grupo Arquivo Vivo, Zeca Brasil, Dodora Cardoso, Nagério, Lupe Albano, Romildo Soares, Caio Padilha, Anna Fernandêz, Itanildo Show, Oswin Lohss e vários outros foram convidados a participar do projeto. Quem acessar o Youtube e digitar o nome deles acrescido de "som sem plugs" encontra o vídeo, ou mesmo no portal do projeto, www.somsemplugs.com.br. Os autores contam que muitos deles desconfiaram da proposta quando foram convidados a gravar sem pagar nada pela divulgação.

NAGÉRIO
Músico, cantor e compositor assunense 
 toca sua viola sem grandes pretensões, se não a de produzir música

A ideia partiu do artista gráfico Iran Araújo e do jornalista e produtor audiovisual Rafael Araújo. "A gente trabalha junto, temos gostos pela música e pelo audiovisual e queríamos produzir algo. Iran me mostrou sites europeus com esse perfil de produção de vídeos acústicos. Já é uma espécie de movimento, e na Europa já está bem consolidado. Como eu já tinha uma mini estrutura de produção, decidimos por esse caminho, sem muito critério ou metas definidas", contou Rafael.

Aos dois se juntaram os produtores de audiovisual Alan Michel, João Gabriel e Bernardo Luiz, cada qual com uma atividade específica dentro do projeto, "e tudo começou a andar". O compositor, instrumentista e cantor Júlio Lima foi a cobaia do projeto. "Era meu amigo pessoal e o convidei para filmar", disse Rafael. Foi a partir de um material colhido com artistas de Pium a luz para um padrão mais definido. "Vimos a qualidade desses artistas e isso nos fez abrir os olhas para divulgar o trabalho dessa galera menos lembrada pela mídia, ou que não tocam no Seis em Ponto, por exemplo", destacou.

OSWIN LOHSS
Suas composições vão do instrumental meditativo quase erudito, 
a um blues lento, até um jazz melódico e introspectivo

"QUEREMOS MOSTRAR ALGO DIFERENTE"

Rafael Araúo conta que "com a repercussão dos primeiros vídeos, artistas também têm nos procurado. Esta semana nos chegou um CD de um frentista que canta muito bem e estamos pensando em filmar com ele. Enfim, não nos prendemos ao vendável. Queremos mostrar algo diferente", frisa. Ainda assim, alguns dos artistas mais conceituados da cidade também foram convidados: "Convidamos Camila Masiso, Macaxeira Jazz, mas estão em viagem. Enfim, temos muita coisa agendada". Artistas de Caicó, Mossoró e Cruzeta também foram sondados. "Vamos para onde a gasolina der", brinca Rafael. E para ir mais além, o projeto precisa de patrocínio. "Quando você ligou estávamos discutindo justamente isso".

Rafael Araújo diz ainda que, embora nada de concreto tenha sido decidido de como ganhar algum dinheiro com o projeto, nada será cobrado ao artista. "A ideia é atrair investidores privados, parcerias, sem custo algum para o músico. Ainda assim houve artista que quis contribuir e contribuiu. Achamos bacana esse reconhecimento. Mas nãocobramos e sequer tocamos no assunto com eles. Queremos apenas que ele mostre o que ele tem de melhor".

Além de ter sua música e seu depoimento gravado, o artista convidado recebe ainda um DVD com encarte do trabalho desenvolvido. "E queremos agora chegar a 30 minutos de filmagem. Em vez do depoimento seguido de uma música, gravar um show sem plug, uma espécie de show de bolso, com cinco ou seis músicas e depoimentos intercalados. Tudo com o menu visto no youtube, que possibilita o internauta adiantar ou recuar a música, escolher a faixa, etc.".

 ZECA BRASIL
 Autodidata, mas como poucos, consegue ser eclético e singular
compõe músicas dos mais variados ritmos

 CENÁRIOS

O ritmo de gravação é intenso. A cada semana a produção de um vídeo diferente de estilos musicais os mais diversos para quem quer se desplugar do convencional - ver e ouvir a música além da música. As filmagens possuem uma linguagem subjetiva galgando um estilo cinematográfico. A intenção também é estimular diferentes leituras dos cenários em que os artistas são inseridos, sejam eles naturais ou urbanos. "É um projeto simples, feito para ser simples, que visa resgatar a diversidade musical e paisagística que nos passa despercebida", conclui Rafael. E acrescenta: "Parafraseando o músico potiguar Júlio Lima: Há sempre música!" 

...fonte... 
Sérgio Vilar
sergiovilar.rn@dabr.com.br 
 www.diariodenatal.com.br  
 
 ...visite...
   www.somsemplugs.com.br  
 
 ...fotografia... 
 fotografia início postagem adquirida via internet e meramente ilustrativa