fevereiro 13, 2013

TITINA: UMA REVELAÇÃO CHEIA DE CHARME

 TITINA MEDEIROS
Em sua estreia em novelas, a atriz potiguar deu cores e formas,
 com muita eficiência, à divertida personagem Socorro.
Sucesso em rede nacional... Titina é uma estrela!

  Fotografia: TV Globo/Estevam Avellar   
   
TITINA MEDEIROS
UMA REVELAÇÃO CHEIA DE CHARME      
 
 Por
Assessoria de Comunicação

A atriz potiguar Isabel Cristina de Medeiros, ou simplesmente Titina Medeiros, como é mais conhecida, foi indicada ao prêmio 'Melhores do Ano - Trofeu Domingão', na categoria Atriz Reveleção de 2012. O Domingão do Faustão apresenta o 'Melhores do Ano', a maior premiação da televisão brasileira, desde 1995. A escolha é  feita por funcionários da TV Globo e afiliadas. Titina concorre com as atrizes Cacau Protásio, a Zezé de "Avenida Brasil"; e Débora Nascimento, "Tessália" também da mesma novela. O grande público é que decide com quem fica o cobiçado prêmio através do endereço eletrônico tvg.globo.com .

Sem contrato com a TV Globo, Titina Medeiros dedica-se atualmente ao espetáculo teatral 'Hamlet', um texto clássico de William Shakespeare, da Cia. Clowns de Shakespeare, grupo que completa 20 anos em 2013. Na história, a atriz interpreta Ofélia. "Essa mudança é do babado! Além de interessante e necessária", diz a atriz.  

Aliás, Titina está cotada para viver uma personagem em 'Saramandaia', próxima novela das 23h, de Ricardo Linhares. Ela foi convidada há dois meses por Denise Saraceni. O papel deverá ser pequeno para Titina poder conciliá-lo com a agenda de apresentações da peça. Mas, talvez, tenha que declinar do convite por conta da estreia das duas peças Hamlet e Sua incelença, Ricardo III. "A única certeza que eu tenho é o Clowns de Shakespeare. Este é o meu porto seguro”, afirmou, se referindo ao grupo de teatro que ela faz parte.

Estreia nacional de Hamlet, dos Clowns de Shakespeare,
aconteceu nos dias 19 e 20 de janeiro de 2013,
no Teatro Santa Isabel, em Recife/PE
Fotografia: Pablo Pinheiro

HAMLET
UM RELATO DRAMÁTICO MEDIEVAL

A montagem do clássico 'Hamlet' pelos Clowns de Shakespeare marca a  estreia do grupo no denso território do drama shakespeareano – até então, eles só haviam montado comédias. A direção ficou a cargo do renomado diretor paulista Marcio Aurelio, que cuidou do processo criativo durante três meses na capital potiguar, Natal/RN.

A tragédia escrita por William Shakespeare entre 1599 e 1601 conta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte do pai, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.     
 
 Em Hamlet, Titina Medeiros interpreta Ofélia
 Nova montagem do grupo Clowns de Shakespeare em cartaz
 Fotografia: Pablo Pinheiro      
 
O espetáculo foi apresentado (em espanhol) dias 7 e 8 de fevereiro em Montevidéu, Uruguai, capital Iberoamericana da Cultura em 2013, onde os potiguares foram aplaudidos por três minutos e meio - contados no relógio - por uma plateia formada por 1,2 mil pessoas. No palco, oito personagens se movem entre a trama, tendo entre os protagonistas Titina Medeiros (como Ofélia), Joel Monteiro (Hamlet) e César Ferrario (Polônio e Laertes). O cenário é enxuto, com poucos objetos.  Informações sobre as novas apresentações, quando e local, poderão ser conferidos através do telefone: 84.3221-1816.   

Após a temporada em Natal, o 'Hamlet' dos Clowns vai circular pelas capitais do Nordeste (exceto Salvador) entre março e abril, com direito a passagem rápida por Curitiba, dia 31 de março, para o conceituado festival de teatro da capital paranaense. O circuito nordestino faz parte do processo de montagem previsto no projeto do grupo patrocinado pela Chesf, Petrobras e BNB/BNDES.

 Depois do sucesso na novela  'Cheias de Charme',
 a atriz seridoense pensa em dedicar-se tão somente ao teatro
"Quero me dedicar ao grupo. Meu momento é esse!"
Fotografia: Eduardo Silva

TITINA MEDEIROS

Izabel Cristina de Medeiros é natural de Currais Novos, município da região Seridó do Rio Grande do Norte. Com apenas um dia de nascida, porém, foi para Acari, onde residia sua família. Inclusive, foi nesta cidade, onde ela deu início aos estudos cênicos. Com 17 anos de carreira artística, Titina já atuou em diversas peças teatrais na companhia Clowns de Shakespeare, de Natal, principalmente com a premiada peça 'Sua Incelência, Ricardo III. Nela, Titina interpreta a rainha Elizabeth.

Antes do Clowns de Shakespeare, foi integrante do Grupo Tambor de Teatro, trabalhando em peças como 'O Príncipe do Barro Branco'. Sua estreia no teatro foi em 'A Bela Adormecida', em 1992. Em 2012 estreou na televisão, na novela 'Cheias de Charme', da TV Globo, interpretando o papel de Maria do Perpétuo Socorro Cordeiro de Jesus.  

MELHORES DO ANO

E, não esqueça, dia três de março vai rolar a maior festa da TV brasileira! Não deixe de participar, pois é você quem decide quem leva os troféus de destaques de 2012! Durante 16 edições - o especial não foi realizado em 1997 - diversos artistas, jornalistas e músicos tiveram seus trabalhos reconhecidos e se tornaram destaques da televisão brasileira. Votações estão abertas e você escolhe os premiados no 'Melhores do Ano - Domingão do Faustão - Categoria Atriz Revelação'  no link apontado logo abaixo desta postagem. Ah, não basta ser tão somente fã, tem que votar, hein?    
 
...votação...
MELHORES DO ANO - DOMINGÃO DO FAUSTÃO - ATRIZ REVELAÇÃO 
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fevereiro 08, 2013

O SAUDOSO CARNAVAL DO MESTRE LUCARINO

   MESTRE LUCARINO
Um extraordinário compositor, sempre foi interessado em 
levar para a avenida sambas-enredo que falassem 
das coisas de Natal e do Rio Grande do Norte.
 Porém, ainda não teve o reconhecimento devido!
Fotografia: Acervo Particular   

 O CARNAVAL DE LUCARINO
 ATRAVÉS DO ACERVO DE DONA DORINHA DO BALANÇO DO MORRO   

Por
Assessoria de comunicação    

Paralelo a um dos períodos mais festivos do Brasil e, com ele, a mais espontânea manifestação da cultura popular brasileira - o carnaval,  a Secretaria Extraordinária de Cultura e Fundação José Augusto iniciam as atividades do projeto Privado é Público 2013 homenageando “O Carnaval de Lucarino - Acervo de Dona Dorinha do Balanço do Morro”, que conta uma parte da história de uma das maiores escolas de samba do RN, de seu icônico mestre Lucarino e do apogeu do carnaval de rua potiguar na década de 60 e 70.      

Com curadoria de Wecsley Mariano, a mostra reúne registros da vida e obra de Lucarino Roberto de Sousa, popularmente conhecido como Mestre Lucarino, fundador, em 1966, do Grêmio Recreativo Escola de Samba Balanço do Morro. O lançamento da exposição ocorreu às vésperas do Carnaval, no último dia 06, na Galeria Newton Navarro, sede da Fundação José Augusto, em Natal/RN,  e a mostra  ficará aberta para visitação até o dia 01 de março, de segunda à sexta, das 8h às 17h. Entrada gratuita.     

Considerado o grande pai dos foliões do bairro das Rocas, devido ao seu envolvimento pessoal com seus foliões - tirando-os das drogas e de problemas familiares -, Lucarino movimentou as noites de serestas por todo o estado do Rio Grande do Norte e foi um exímio compositor de sambas-enredo não apenas para a sua Balanço do Morro, mas para quem o procurasse com a missão de encher de música e história a avenida.       
 
  BALANÇO DO MORRO
Quatro décadas de puro encanto e uma missão:
Encher de música e história a avenida
  Fotografia: Adriano Abreu/TN

 BALANÇO DO MORRO

Fundador do G.R.E.S Balanço do Morro no ano de 1966, Lucarino Roberto de Sousa, popularmente conhecido como Mestre Lucarino, conseguiu colocar no podium o carnaval de Natal como o  terceiro carnaval de rua do Brasil, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro e Olinda. 

A Escola de Samba Balanço do Morro surgiu de uma briga. Mestre Lucarino, componente da escola Malandros do Samba, indispõe-se com os outros integrantes e resolve se desvincular.  Faltando apenas 45 dias para o carnaval, no dia seis de janeiro de 1966, reuniu alguns amigos e fundou a Balanço, que já na estreia revelou-se a grande campeã. 

Com Balanço do Morro, Lucarino estabeleceu um clima de rivalidade sadia com sua antiga escola de samba. Como as duas se localizavam no tradicional bairro das Rocas, e ainda se localizam, a disputa das duas grandes estruturas carnavalescas de Natal transcendia os limites da comunidade e tomava conta da capital e de vários outros municípios do Rio Grande do Norte.

 CARNAVAL DE RUA DE NATAL
 Já foi reconhecido como terceiro carnaval de rua do Brasil
Apogeu vivido nas décadas de 60 e 70
Fotografia: João Maria Alves
  
Lucarino Roberto soube, como ninguém, juntar dentro do contexto carnavalesco a valorização da cultura e da história de Natal, e a criatividade e competitividade de uma escola de samba criada para buscar o sucesso. Comandou, ao lado de seu principal concorrente, "Mestre Melé", do "Malandros no Samba", o carnaval de Natal em seu apogeu, vivido nas décadas de 60 e 70.

Com o intuito de celebrar a importância do legado de Lucarino Roberto, através do acervo de Dona Dorinha do Balanço do Morro, o projeto Privado é Público traz para o mês do carnaval uma singela homenagem ao Mestre Lucarino, uma exposição sob a curadoria de Wecsley Mariano. O sambista faleceu em 1994, mas teve tempo suficiente para participar da melhor fase das escolas de samba em Natal, o que, na opinião de Veni, produtor cultural, aconteceu no início dos anos 90. "Nesta época só as Rocas tinha 15 escolas de samba", lembra o produtor. 

Um extraordinário compositor, Lucarino sempre foi interessado em levar para a avenida sambas-enredo que falassem das coisas de Natal e do Rio Grande do Norte.  Nome de rua, no bairro das Rocas, Mestre Lucarino ainda não teve o reconhecimento devido. Sua obra encontra-se dispersa, mesmo com algumas gravações recentes.


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fevereiro 07, 2013

ZAMBERACATU: NASCE O MARACATU POTIGUAR

 ZAMBERACATU
 O grupo  fará apresentações na praia do Meio e na Cidade Alta, 
durante o Carnaval, com direito a coroação da Rainha Iracema 
em frente a Igreja do Rosário, Natal/RN
Fotografia: Vladmir Alexandre

NASCE UM MARACATU POTIGUAR

Por 
Yuno Silva
Tribuna do Norte

O sangue que corre nas veias do norte-riograndense é tão colorido como o de qualquer outro brasileiro; e o branco dos portugueses, holandeses e franceses, a pele vermelha dos potiguaras e a negritude africana, em maior ou menor proporção, formam o caldo cultural que borbulha na esquina do continente. Apesar da mistura nacional, em Natal a comunidade negra permaneceu 'invisível' aos olhos da cidade por muitos anos, décadas - e por que não dizer séculos. 

Os reflexos são sentidos na pele pelo percussionista Kleber Moreira, natalense da gema que cansou de ser confundido com baiano, maranhense ou carioca. "Sempre me perguntavam de onde eu sou, de onde venho, como se não houvesse negros por aqui". Aos 29 anos, Kleber faz parte de uma nova geração de afro-descendentes que estão mostrando a cara e assumindo com orgulho suas origens, situação que culminou com a criação da primeira Nação de Maracatu em Natal.

Batizado como Zamberacatu, o grupo surgiu em outubro do ano passado como desdobramento de outro projeto musical, o Poti Axé, com a diferença de que o embasamento para justificar sua existência deixa de ser apenas o batuque. "Há uns dois anos aprofundamos a pesquisa em torno dos ritmos africanos e sentimos a necessidade valorizar nossa africanidade e o maracatu tem um simbolismo muito forte por coroar um rei e uma rainha negros", observou Moreira. Em novembro o grupo começou a realizar ensaios abertos em vários pontos da cidade como zona Norte, Vila de Ponta Negra, Pedra do Rosário, o ponto de cultura Tecesol em Neópolis e em Capim Macio, onde participaram da 8ª edição do Brechó Cultural no último domingo dia 3.

 KLEBER MOREIRA
Fotografia: Pablo Pinheiro

Se for comparar com os grupos pernambucanos, o formato adotado pelos potiguares segue o perfil do baque virado, o maracatu nação, que tradicionalmente acompanha um cortejo real - diferente do maracatu rural com seus caboclos de lança. 
 
"Como não temos nações de maracatu aqui em Natal, tivemos que experimentar, criar e aprender; e para o trabalho ficar com a nossa cara misturamos o Zambê, que é só nosso", disse Kleber Moreira, que há onze anos está envolvido profissionalmente com música. Além de participar de vários projetos e bandas, como Saturnino e o Disco Avoadô, ele também dá aulas de percussão na Escola de Música da UFRN.  
 
Quando o maracatu natalense está completo reúne cerca de 25 integrantes, que se dividem em cinco tipos de instrumentos (alfaia, caixa, tarol, gonguê e abê): "São pessoas envolvidas por essa atmosfera", avisa. O percussionista ressalta que o grupo possui uma fundamentação religiosa e alguns músicos são iniciados no Candomblé. "Durante nossas pesquisas topamos com Preta Caiá, uma potiguar que participou do movimento popular que entrou para a história como 'Revolta de Quebra-Quilos' (Paraíba, 1874), figura da história que tomamos como representante dos nossos ancestrais", explicou o percussionista.  Em tempo: a "Revolta de Quebra-Quilos" foi deflagrada em Campina Grande (PB), se estendeu por outros estados do Nordeste e foi protagonizada por camponeses que se opunham à introdução dos novos padrões de pesos e medidas do sistema internacional no Brasil.

IGREJA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS
 Fotografia: Evaldo Gomes 
 
CARNAVAL

O Zamberacatu participa em duas ocasiões do Carnaval na capital potiguar. A primeira maracatuzada aconteceu nesta quinta-feira pela manhã, com concentração às 8h na Ponta do Morcego. O grupo seguiu em cortejo  até a estátua de Iemanjá na Praia do Meio. "Essa tocada não está na programação oficial, mas a da sexta-feira sim", adiantou Kleber. No dia 8, o maracatu segue em cortejo da Igreja do Rosário na Cidade Alta até o Beco da Lama - a concentração está marcada para às 16h e o cortejo começa às 17h. "Vamos coroar nossa rainha Iracema em frente ou dentro da igreja, vai depender do padre, antes de sair em cortejo", informa. 

...fonte...
 
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fevereiro 05, 2013

LUZ, CÂMARA... MAS FALTA AÇÃO!

 MARY LAND BRITO
Luz, câmara mas falta ação
Produtores natalenses reconhecem que faltam apoio
 do poder público, cursos de formação e interação 
entre eles para fomentar a cena local
A imagem pode ter direitos autorais
Fotografia: Divulgação
  
 LUZ, CÂMARA MAS FALTA AÇÃO

Por
Henrique Arruda
DO NOVO JORNAL

Pensa comigo: quantos filmes produzidos no Rio Grande do Norte você assistiu nos últimos anos? Tomou conhecimento de algum edital local voltado exclusivamente para o setor audiovisual? Encontrou algum curso fixo de formação na área? Pois é... As respostas, infelizmente, coincidem no tom negativo. Para saber se, de fato, a cena audiovisual está em “pausa”, o NOVO JORNAL conversou com alguns produtores. Entre eles prevalece a impressão de que ainda falta muito para alguém finalmente apertar o “play”.

Mary Land Brito, produtora e professora de produção audiovisual no IFRN - Cidade Alta, ressalta que faltam cursos de formação. “Sou professora de uma única disciplina voltada ao tema dentro do curso de Produção Cultural, que é abrangente. Não existe um curso específico de Produção Audiovisual”, afirma. Para fazer mestrado na área, em 2004, ela precisou se deslocar à Unicamp, em São Paulo.
 
“O mais próximo que temos aqui é o mestrado e doutorado em Sociologia ou Educação e o mestrado em Novas Mídias. Mas tudo é adaptado, ou seja, você não estuda o roteiro em si, mas o roteiro como uma ferramenta da educação, por exemplo”, diz, elegendo a Paraíba como um forte pólo de estudo e pesquisa. “A Paraíba realmente se destaca na pesquisa e Recife em produção”, observa.
 
Ainda com relação à Paraíba, Mary recorda o encontro mais recente entre produtores audiovisuais potiguares e paraibanos que ocorreu na última edição do Festival Goiamum, realizado no ano passado em Natal. “Tanto João Pessoa quanto Campina Grande são dois polos de produção e pesquisa. É claro que, de maneira geral, o principal problema que eles nos relataram foi a falta de incentivo, mas mesmo assim tiveram um edital no ano passado no valor de R$ 1 milhão”, conta.

“A gente está carente de incentivo municipal e estadual. Não existe um edital exclusivo para o audiovisual em nenhuma das duas esferas. O único municipal que tive conhecimento aconteceu há quatro anos, chamava-se Cine Cordel e o prêmio era de R$ 2 mil para o melhor roteiro. Eu ganhei e fui receber o prêmio quatro anos depois”, conta.

Ainda na prefeitura, Mary critica a existência de um equipamento audiovisual na Funcarte que não é cedido aos produtores por pura burocracia. “Tem uma câmera e ilhas de edição que eles receberam do Ministério da Cultura há mais de três anos, mas até agora esse equipamento está parado porque não cumpriram a burocracia necessária para documentar o equipamento e é uma pena porque isso poderia estar sendo emprestado aos produtores de alguma forma”, considera.

AUGUSTO LULA
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Fotografia: Divulgação

PUBLICIDADE COMO ALTERNATIVA

Justamente por não querer “mendigar” por editais o cineasta Augusto Lula resolveu deixar de lado o cinema autoral e passou a atuar no campo publicitário, mais especificamente em campanhas eleitorais e no marketing governamental. “Não aguentei mais não fazer as coisas da forma como eu gostaria, de fazer as coisas com ‘gambiarras’ porque nunca tinha o orçamento ideal”, justifica.

Reconhecendo que o RN não tem tradição cinematográfica tão forte quanto Pernambuco ou Paraíba, ele explica que a nossa necessidade não está na realização de mais festivais, mas na união dos próprios produtores - ponto apontado inclusive por quase todos os entrevistados. “Está faltando mais união entre as pessoas que pretendem fazer o audiovisual. Cinema não é coisa de um único autor, tem som, figurino, maquiagem, continuidade.... Interação é o que falta”, observa.

“Hoje mesmo eu estava lendo um texto que falava uma coisa interessante, que o eixo Rio/São Paulo está concentrado na mão de ex-publicitários e que a novidade para o cinema nacional seria essa estética que o Nordeste traz em filmes como O Céu de Suely, O Som ao Redor e Cinema, Aspirina e Urubus”, completa, frisando ainda que é muito difícil o Nordeste participar da Lei Rouanet. “Tá completamente concentrada lá. Para a gente aqui é inviável. Talvez até pela nossa falta de preparação técnica”, opina.

O videomaker e dono do “Ícone Estúdio” reforça que o mercado audiovisual potiguar é muito mais desenvolvido na área publicitária, mas reconhece também que essa não é uma característica exclusiva do Estado. “O que sustenta o audiovisual, saindo dos grandes centros, onde o incentivo é realmente mais forte, é a publicidade”, avalia.

Sobre a inexistente política de editais na área, ele levanta um questionamento. “É interessante que uma arte aconteça só porque o Estado provoque? Ou ela deve existir mesmo que o estado não provoque? Enquanto alguns cobram, outros não se sentem à vontade de realizar seus trabalhos com dinheiro público por achar que estão fazendo algo chapa branca. Mas os grandes filmes são bancados pelas leis de incentivo federal”, pondera.

 KLEBER MENDONÇA FILHO
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Fotografia: Divulgação

PERNAMBUCO SE DESTACA NA ARTE

Como de praxe, é comum observar que a grama do vizinho está mais verde, ou, nesse caso, que a tela está mais cheia. Dois mil e doze foi o ano de Pernambuco nos cinemas e o destaque vai para “O Som ao Redor”, filme que também contou com apoio de um edital do Estado para ser produzido. Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa pernambucano causou barulho na internet desde o momento em que foi sendo descoberto até o ponto de ser indicado como um dos 10 melhores filmes do ano pelo jornal norte-americano “NY Times” no dia 14 de dezembro do ano passado. 

Em entrevista ao NOVO JORNAL, Kleber comenta que a cena audiovisual de Pernambuco está sólida e conta com o apoio do governo. “Tem apoio sim, de uns cinco anos pra cá existe um edital do governo, que é aperfeiçoado a cada ano e hoje está sólido e democrático. Ano passado tivemos R$ 11 milhões e meio pra produzir e esse ano já está garantido mais R$ 11 milhões e meio”, conta. Além de ser financiado pelo Governo de Pernambuco, O Som ao Redor também contou com recursos do Ministério da Cultura e da Petrobras.

“Eu acho que esse edital mostra um respeito muito grande pelo que está sendo feito aqui. E o maior retorno desse edital foi a repercussão de O Som ao Redor e de outros seis filmes pernambucanos no último Festival de Brasília”, cita.

CARITO CAVALCANTI
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FESTIVAIS QUEBRAM O MARASMO

O cineasta, poeta e escritor Carito Cavalcanti lembra da interação que a internet possibilita aos produtores, mas explica que o RN não pode ser considerado isolado dos demais polos culturais por causa dos próprios festivais que acontecem aqui. “Uma vez que o Goiamum organiza uma mostra nacional dentro da sua programação, é uma prova de que existem iniciativas para tirar a gente dessa inércia”, avalia.

Carito lembra ainda do Festival “Sagi Cine – Guerrilha de Fronteira”, realizado em outubro do ano passado, fruto de uma parceria entre produtores audiovisuais potiguares e paraibanos. “O Sagi foi outro exemplo dessa quebra de isolamento. Muito bonito esse festival, foram três dias de mostra, então quer dizer, esse isolamento é relativo”, considera.

Além do Sagi Cine, Carito lembra também que a SEDA, Semana de Audiovisual organizado pelo Coletivo Fora do Eixo em Natal, e o Cine Visual, organizado pela Rede de Economia Criativa do Audiovisual do RN, são outros exemplos de iniciativas que movimentaram a cena no ano passado.

 KEILA SENA
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Fotografia: Divulgação

GOIAMUM

Tido como o principal momento do cinema potiguar, o Festival Goiamum tem tudo para acontecer novamente no final deste ano, mas mesmo com todo o reconhecimento, Keila Sena, uma das diretoras do evento, reconhece que é uma missão difícil organizar algo do porte. “A gente nunca quis chegar com o festival gigante, mas crescer aos poucos, dando um passo de cada vez”, destaca.

Ainda de acordo com Keila, o Goiamum vive um momento feliz. “Temos uma programação muito rica e em quase todas as edições, infelizmente, eu sou obrigada a recusar propostas porque a programação não comporta. A nossa dificuldade é somente a permanência do incentivo. A gente tá sempre batalhando. Coloca em edital, vai atrás, mas acho que essa é uma dificuldade comum a quem faz cultura. Todo ano somos obrigados a fazer adaptações e cortar coisas porque nem sempre a gente consegue o valor desejado”, conta.

“Não sou eu que estou inventando a roda, faço parte de outra geração e já tem uma galera nova surgindo. Acho que o que estamos tentando fazer é firmar esse segmento aqui porque não há trabalho coletivo em Natal e no RN. Na Paraíba, eles trabalham da seguinte forma: não tem verba? então todo mundo se junta para fazer o seu projeto e depois você ajuda a formar o projeto de todo mundo e isso vai gerando uma expansão”, explica.

...fonte...
Henrique Arruda
 www.novojornal.jor.br
 
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fevereiro 03, 2013

CASCUDO: UM NOME A NÃO SER ESQUECIDO

 MEMORIAL CÂMARA CASCUDO - NATAL/RN
FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO QUER MODERNIZAR O MEMORIAL
Um acervo com mais de 10 mil ítens com informações sobre 
folclore, religião e biografia de Luís da Câmara Cascudo
fotografia: Y. Masset

 MEMORIAL CÂMARA CASCUDO
  FJA MANTÉM NEGOCIAÇÕES COM O MUSEÓLOGO MARCELLO DANTAS,
 IDEALIZADOR DO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA, DE SP,
PARA REFORMAR O MEMORIAL

Por
Henrique Arruda
DO NOVO JORNAL
 
Quase de frente à Praça André de Albuquerque, na Cidade Alta, a figura esculpida de Câmara Cascudo permanece imóvel em cima de uma mão à espera de visitantes. O lugar que está logo atrás desta imagem, até então, abriga reminiscências de sua trajetória como pesquisador da cultura popular: o Memorial Câmara Cascudo. No entanto, pouco atrativo e praticamente sem artefato interessante, o casarão continua existindo apenas como mais um prédio histórico do centro da cidade, que recebe uma ou outra visita de vez em quando.

Na última sexta-feira, porém, aquela mesma figura de Cascudo viu passar, em direção ao casarão, uma visita ilustre, uma das mentes mais respeitadas quando o assunto é museu. Marcello Dantas foi o responsável por transformar em 2006 o Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, em São Paulo, em uma referência para a América Latina e agora, quem sabe, pode fazer algo semelhante, à altura do célebre intelectual potiguar, caso as negociações com a Fundação José Augusto prosperem.

Caso seja contratado, a missão de Dantas será o de elaborar um projeto para modernizar o Memorial Câmara Cascudo, destinado a divulgar a obra do folclorista que se dizia um provinciano incurável e, por isso, jamais deixou Natal e o Rio Grande do Norte. Detalhes deste projeto, porém, ele não revela, até porque ainda está em fase inicial de conversas e consultas.

“Deu para sentir o cheiro. Ainda tá tudo muito fresco, mas é evidente que existe uma história para ser contada ali. Uma história que vai além do homem, porque o Instituto Ludovicus já faz isso muito bem. A gente tem que representar naquele espaço justamente o que ele tentou contar: todos os bichos, as comidas, tudo da identidade do Rio Grande do Norte”, explicou o museólogo.     
 
Aliás, qual é verdadeiramente o papel de um museólogo? De acordo com Marcello Dantas, é o de fazer surgir, aos nossos olhos, “uma história que está dentro de nós”, desenvolvendo, acima de tudo, uma narrativa coerente com a obra que pretende interpretar. “O museólogo tem a liberdade de ser tão livre quanto o autor, mas sendo fiel a ele”, define pontuando também que o Memorial tem tudo para se tornar um espaço contemporâneo.

“Até então tinha lido Câmara Cascudo muito por cima, tinha na cabeça somente o grande personagem que foi, mas para começar a trabalhar vou me aprofundar mais na obra”, promete sobre o trabalho que ainda não está completamente fechado e vai depender da nova emenda para a cultura, no valor de R$ 20 milhões, empenhada no Orçamento Geral do Estado. Com este valor, a FJA espera promover a revitalização e reforma da Fortaleza dos Reis Magos, do Palácio Potengi (Pinacoteca do Estado) e do Memorial Câmara Cascudo.     
 
 EFÍGIE DE LUÍS DA CÂMARA CASCUDO
 O principal responsável por tornar conhecidas 
figuras fantásticas do folclore brasileiro.
 Fotografia: Divulgação

VALORIZAR A IDENTIDADE

Para Dantas, o conceito mais adequando para museu seria, na verdade, o de um espaço para se sentir valorizado e de conexão com a identidade de cada um. “Ele perdeu conexão quando passou a ser depositário de coisas velhas, quando na verdade é um lugar para você se sentir valorizado e para se conectar com a sua identidade”, avalia. 

Ainda de acordo com o designer formado em cinema e televisão pela “New York University”, com pós graduação em telecomunicações interativas na mesma universidade, é primordial que o museu dialogue diretamente com os jovens e crianças e, para isso o audiovisual pode ser um meio.

“A linguagem audiovisual é muito importante porque o brasileiro é alfabetizado com este recurso, mas ela é só um meio. A imersão e a interatividade são pontos fundamentais”, garante o museólogo, que tem como principal inspiração para seu trabalho o Museu do Holocausto em Washington e o Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona.

“O Museu do Holocausto já tem mais de 20 anos e é fundamental para entender a história... De um modo geral os dois comprovam que é possível demonstrar a história através de uma vivência”, diz. “Hoje, o Brasil vive um movimento impressionante e uma demanda assustadora. O tempo todo tem gente inquieta fazendo os museus renascerem no horizonte das pessoas. É uma coisa nova que está povoando o Brasil”, observa.

Tendo no currículo ainda outros projetos de peso, como o Museu do Caribe, na Colômbia, o Museu das Telecomunicações, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, onde ele também assina o Museu das Minas e do Metal, Dantas é lembrado principalmente pelo trabalho no Museu da Língua Portuguesa, localizado na Estação da Luz, em São Paulo, inaugurado em 2006. Na época, seu maior desafio era criar um espaço “entendível”.

“O maior desafio foi criar um museu entendível. Como é que você faz uma coisa que não tem referência, contar a história do que nos faz ser quem a gente é? Esse foi o principal desafio, além da própria estrutura do prédio, que era também desafiadora. Várias coisas que a gente usou ali eram ‘a versão número 1’ daquela coisa. Queríamos ver até onde a tecnologia poderia nos levar”, comenta sobre o projeto.     
 
 MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA
Surgiu para revolucionar o conceito de museu.
Totalmente interativo, transformou as aulas de português,
literatura e poesia em uma grande diversão.
Fotografia: Divulgação      
 
AUDIOVISUAL

Marcello iniciou sua carreira em museus ao mesmo tempo em que se projetava também no audiovisual. São mais de 30 filmes até agora. No seu currículo incluem-se prêmios de melhor documentário na “Bienalle Internationale du Film Sur L’Art” do Centro Georges Pompidou em Paris, no “FestRio”, no “International Film & TV Festival of New York” e o prestigioso “ID Design Award”, da Business Week.

“Migrar do cinema para os museus foi muito natural porque as duas atividades começaram ao mesmo tempo. Antigamente não existia essa demanda tão grande de museus, a mudança mesmo acho que só aconteceu nos anos 2000, quando parei de fazer documentários de TV”, esclarece. “Eu estudei História antes de estudar televisão, então minha paixão de contar histórias começa daí. O documentário é uma forma de contar histórias reais e o museu também”, explica.

O mais prazeroso em sua rotina de trabalho por museus, ele garante que é cara da garotada logo depois de uma visita. “O primeiro momento também, esse contato inicial com a pesquisa é muito bom, exatamente o que fiz agora aqui em Natal. É muito interessante descobrir. Mas, o mais prazeroso mesmo é ver a cara da garotada que mexe com a coisa; e a turma se entretendo e rendendo histórias porque o museu na verdade é um espelho da sociedade.”, conclui.

Logo após a visita, Marcello Dantas se reuniu na Fundação José Augusto por mais de duas horas com a secretária extraordinária de Cultura, Isaura Rosado e membros do Instituto Ludovicus para definir detalhes do projeto. “Ele é o idealizador de um dos museus mais importantes desse país, não dá pra negar a importância dessa visita”, considera a diretora do Memorial Câmara Cascudo e neta do célebre historiador potiguar, Daliana Cascudo.

...fonte...
Henrique Arruda
 www.novojornal.jor.br  
 
..veja...
!!! Homenagem a Câmara Cascudo nos 25 anos de ausência !!!
julho de 2011
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