abril 12, 2013

BAILARINA POTIGUAR CHEGA A NOVA IORK

 
 TATYELLI RAULINO
Bailarina potiguar chega a Nova Iork, onde fará estágio
numa das companhias mais importantes do mundo.Além de ter conquistado
uma bolsa de estudos com duração de uma semana, ela ainda foi convidada
 para participar de uma audição e pode ter a chance de se tornar a mais nova
  integrante da companhia de dança da escola norte americana.
Fotografia: Divulgação

 PAS DE DEUX DO LADO DE LÁ

 Por
Henrique Arruda
DO NOVO JORNAL

Por trás da voz suave e dos cachos perfeitamente ondulados, a bailarina com quase 15 anos de carreira tenta esconder um nervosismo compreensível. Ela chega aos EUA carregando na mala o sonho de fazer história na Alvin Ailey School, considerada o berço da dança moderna. Além de ter conquistado uma bolsa de estudos com duração de uma semana, ela ainda foi convidada para participar de uma audição e pode ter a chance de se tornar a mais nova integrante da companhia de dança da escola norte americana.

Tatyelli Raulino só tem 20 anos, mas desde os seis frequenta a escola de Dança do Alberto Maranhão (Edtam). Ela percorre a Rua Chile diariamente para passar praticamente o dia todo no antigo casarão de três andares onde a escola funciona. Formada em balé clássico desde 2008, hoje ela divide seu tempo entre o grupo clássico e a companhia de dança do Edtam, além de ser professora de quatro turmas de 2º ano.    
 
A bolsa em Nova York tem ligação direta com o festival “Passo de Arte”, do qual ela participa junto com a Edtam desde 2007, mas sempre de forma regular. O destaque veio no ano passado quando ela foi considerada a melhor dançarina da etapa Norte-Nordeste realizada em Fortaleza e ainda recebeu o prêmio de primeiro lugar pelo solo que apresentou na ocasião. Em seguida foi a vez de também fazer bonito na 20ª competição internacional Passo de Arte realizada em Indaiatuba, São Paulo.    
 
 TATYELLI RAULINO
20° PASSO DE ARTE INTERNACIONAL EM INDAIATUBA-SP.
COREOGRAFIA PREMIADA EM 2° LUGAR 
(Solo Avançado Livre Feminino)
Fotografia: Reginaldo Azevedo     
 
“Lá em Indaiatuba eu fiz um curso de balé clássico que tinha como objetivo selecionar o melhor aluno para um curso na Alvin com absolutamente tudo pago, desde as passagens até o hotel. E eu fiquei com o segundo lugar do festival pelo meu solo e acabei sendo escolhida no curso para a bolsa nos EUA”, detalha observando a sala de dança vazia, logo após o término de mais uma aula.

Tudo aconteceu em junho do ano passado, mas a ficha só vai cair mesmo quando ela estiver em NY, ou melhor, na frente da estátua da Liberdade que sempre admirou nos filmes. “Nem que seja em algum intervalo eu vou arranjar tempo para conhecer”, comenta, garantindo ainda que a Alvin Ailey School sempre foi uma inspiração para ela. “Tá vendo aquele quadro ali?” pergunta, apontando para uma das portas da sala. “É a Judith Jamison, uma das diretoras da Alvin. Eu sempre quis roubar esse quadro pra mim”, confessa aos risos.

Ela já embarcou para NY e o curso começa oficialmente, hoje,  dia 12. Já a audição será realizada no domingo, 14. Sobre ela, Tatyelli tem poucas informações, o suficiente para se preparar. Está levando quatro coreografias diferentes - a escolhida para mostrar aos diretores da Alvin Ailey School vai depender do clima dos primeiros dias de aula.     
 
 
  TATYELLI RAULINO
 20° PASSO DE ARTE INTERNACIONAL EM INDAIATUBA-SP.
COREOGRAFIA PREMIADA EM 2° LUGAR 
(Solo Avançado Livre Feminino)
Fotografia: Reginaldo Azevedo

“A Alvin tem uma linha de dança, e tem algumas coreografias que podem me fazer chegar mais próximo do que eles desejam; então eu tenho que escolher bem consciente”, argumenta, contando ainda que, pelo que ouviu, o teste será realizado em três etapas: uma aula de balé clássico, uma aula de dança moderna e somente por último a chance de fazer um solo para os professores.

“Eles não vão divulgar o resultado logo em seguida. Existe um tempo para isso, mas vou morrer de ansiedade porque ou eles podem me selecionar para a companhia de dança ou podem me escolher para ser aluna fixa da escola, com um curso de maior duração, por exemplo”, pondera.


A ansiedade aumenta ainda mais pelo fato de Tatyelli estar em uma idade favorável aos contratos. “Muito antigamente as bailarinas realmente paravam aos 25 porque não se exercitavam direito, mas, hoje em dia, esse período dos 20 aos 27 é quando mais as companhias contratam porque a bailarina ou o bailarino já possui certa experiência e não são menores de idade, o que descomplica bastante para viagens e etc”, avalia.
 
  TATYELLI RAULINO
 20° PASSO DE ARTE INTERNACIONAL EM INDAIATUBA-SP.
COREOGRAFIA PREMIADA EM 2° LUGAR 
(Solo Avançado Livre Feminino)
Fotografia: Reginaldo Azevedo
 
APOIO DENTRO DE CASA E MUITOS DESAFIOS

Por mais que a mãe sempre tenha sonhado em ser bailarina, ela nunca pressionou a filha para seguir o mesmo caminho. O desejo surgiu muito cedo em Tatyelli, para ser mais exato aos 6 anos, depois que a menina viu uma apresentação de uma prima sua. “Minha mãe ficou muito feliz com a coincidência na época e sempre me deu apoio”, afirma.

“Eu sempre costumo dizer que ela fica mais feliz do que eu com as coisas que vão acontecendo na minha carreira. Ela é coruja mesmo, sabe? tira foto de tudo, mostra sempre aos amigos e faz questão de estar sempre na primeira fila das apresentações”, completa com orgulho.

Apaixonada pela rotina, ela diz que nunca pensou sério em desistir mesmo com as dificuldades da cena natalense “que ainda enxerga o balé como um esporte ou um hobbie, quando na verdade é uma arte. E uma arte cheia de disciplina porque a gente não pode conversar em sala de aula, temos que respeitar horários... enfim são pequenos ensinamentos que a gente leva para a vida toda. Ser bailarina é muito difícil porque é uma área de trabalho que não tem muito espaço”, analisa.

Durante 5 anos ela também foi a bailarina principal da Edtam e entre os desafios que já teve de encarar na escola, Tatyelli vai até o ano de 2003 quando interpretou o papel principal em O Lago dos Cisnes, história que ganhou ainda mais evidência depois de “oscarizar” Natalie Portman em 2011 pelo filme “Cisne Negro” no qual ela interpreta uma bailarina na mesma faixa de idade da potiguar.

“Aquele filme deu uma ideia meio esquizofrênica da bailarina e é claro que a gente fica extremamente preocupada, mas...não daquele jeito... Já fui a bailarina principal da escola por 5 anos e foi uma grande responsabilidade representar o nome da Edtam, principalmente quando a gente vê as pequenininhas te admirando, mas não cheguei naquele nível de loucura não”, garante.

 
 TATYELLI RAULINO e BAILARINOS DO EDTAM 
Fotografia: Roberto Limeira    
 
PROFESSORES JÁ CONHECIAM O TALENTO

Por mais que a conquista da bolsa de estudos em Nova York tenha surpreendido Tatyelli, já havia pessoas que acreditavam nela há muito tempo. “A gente conhece o que tem né?”, brinca Solange Gameiro, diretora da Edtam que vai acompanhar a estadia da aluna de perto.

“A Alvin é uma das maiores escolas do mundo e como desde 2010 eu tenho ido para lá, com o grupo clássico de dança, vou auxiliar neste processo, eu e Wanie Rose (diretora da companhia de dança do Edtam). São 3 andares de um prédio belíssimo”, observa Solange justificando a viagem ainda pelo fato de, no mesmo período, estar acontecendo o Youth America Grand Prix (YAGP), um dos festivais de dança mais expressivos do mundo.


  TATYELLI RAULINO
 Fotografia: Roberto Limeira

“É realmente grandioso. Nós entramos em contato com profissionais do mundo inteiro e acaba sendo ainda mais uma oportunidade para Tatyelli. Muito embora ela não vá participar deste festival, pode ser vista e quem sabe despertar o interesse de alguma outra companhia, já que o YAGP vai acontecer dentro da Alvin Ailey School ”, detalha.    
 
Ainda de acordo com Solange, incluir um curso da Alvin Ailey School no currículo representa uma excelente oportunidade para qualquer dançarino. “É uma escola que fez história. Foi criada por negros, mas hoje tanto a escola quanto a companhia de dança da escola são mistas. Mas eles levam os ritmos africanos muito forte nas suas coreografias”, explica.    
 
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abril 11, 2013

CURTA POTIGUAR TIPO EXPORTAÇÃO

 
 Realizadores potiguares embarcam para a Polônia, 
onde participam do Festival Off Plus Camera, na cidade 
de Cracóvia, dedicado ao cinema independente
Fotografia: Magnus Nascimento

CURTA POTIGUAR TIPO EXPORTAÇÃO

 Por
Alexis Peixoto 
Tribuna do Norte

O audiovisual potiguar está de malas prontas para a Europa. O curta-metragem “Maré Alta”, de Alexandre Santos e Dênia Cruz, foi selecionado para o Festival Off Plus Camera, em Cracóvia na Polônia, que será realizado entre os dias 12 e 21 de abril. Os videomakers vão exibir o filme para o público europeu e proferir palestra sobre a produção audiovisual potiguar, principalmente o realizado dentro da UFRN, além de participar de oficinas e debates. A oportunidade de apresentar o filme na Europa surgiu através da participação no III Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa (Finc), onde “Maré Alta” conquistou o primeiro lugar dentro da temática “Minuto Verde” proposta pelo festival em Baía Formosa. O prêmio foi o passaporte para o evento no país europeu.

Além de “Maré Alta”, também foram selecionados para o festival na Polônia outros dois vídeos potiguares: “Natural” e “Mergulho no verde”. A equipe de “Maré Alta” é composta por cinco pessoas, sendo que uma, a editora Fernanda Pires, está estudando na Europa - os outros são Élmano Ricarte e Rômulo Sckaff. Como o prêmio só bancava uma viagem, os três membros restantes, estudantes de pós-graduação da UFRN, conseguiram as passagens com a UFRN – que por sinal mantém convênio com a Universidade Jaguelônica, de Cracóvia.

Para os documentaristas, a contrapartida será apresentar um seminário na universidade polonesa, apresentando a produção audiovisual acadêmica dos alunos de Comunicação Social da UFRN, além de programas e documentários produzidos pela TV Universitária. 


Alexandre e Dênia vão aproveitar a oportunidade da participação no Festival Off Plus Camera, que é totalmente dedicado ao cinema independente, para produzir um curta sobre as condições de produção dos cineastas independentes da Europa.  

“Diferenças culturais à parte, acredito que as dificuldades deles em relação à produção não é muito diferente da nossa”, diz Santos. “Queremos produzir um curta mostrando essa realidade e aproveitar para trocar experiências e ideias”.

A LENDA DO POÇO FEIO

Na volta, os realizadores pretendem entrar no terreno da ficção. O grupo já tem prontos o roteiro e uma pesquisa preliminar para o curta “A lenda do poço feio”, baseado em uma lenda do município de Governador Dix-Sept Rosado, o que faltam são recursos. Santos diz que as dificuldades enfrentadas na produção do curta refletem os motivos pelos quais a ficção audiovisual não decola no RN. Para ele, faltam políticas públicas que facilitem a captação de recursos, como pessoal qualificado e acesso a equipamentos de qualidade. “Uma coisa está relacionada à outra: não adianta ter os recursos se não existem bons atores ou profissionais capacitados para operar os equipamentos”.
 
A situação poderia ser remediada se o poder público investisse na classe audiovisual, com editais de produção, cursos profissionalizantes e oficinas. “É preciso que o governo comece a enxergar os produtores audiovisuais como uma cadeia produtiva. Não estamos aqui pra ficar brincando: queremos realizar”, afirma, cheio de convicção.
 
MARÉ ALTA

Filmado no distrito de Sagi, em Baía Formosa, o curta “Maré Alta” trata dos efeitos do avanço do mar sobre as casas dos moradores da praia. O filme tem um minuto de duração e é estruturado a partir da perspectiva de Dona Jacira, uma moradora do local.

Dênia Cruz conta que a intenção inicial do grupo era produzir um curta de seis minutos. Os planos mudaram quando o festival de baía Formosa lançou o concurso “Minuto Verde”, para premiar filmes de temática ecológica, com até sessenta segundos de duração. “Como já havia a ideia de inscrever o filme no Festival de Baía Formosa, resolvemos adaptar para não perder a oportunidade. Foi difícil, mas valeu a pena”, conta a produtora.

O grupo não descarta voltar ao tema e examinar os danos que o avanço da maré provocou em outros locais do litoral potiguar. Caiçara e São Miguel do Gostoso são algumas das locações que estão na mira do coletivo.

Mais do que filmar o movimento das ondas, os cineastas estão interessados em provocar reflexões sobre a relação homem-natureza. “A gente fala que o mar invade, mas na verdade foi o homem que se instalou ali, que foi se aproximando do litoral”, observa Alexandre Santos. “O tema é bastante universal. Acredito que isso inclusive vai facilitar a  aceitação do nosso filme na Europa”.

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abril 09, 2013

"A MEMÓRIA FOTOGRÁFICA POTIGUAR"

 BAIRRO DA RIBEIRA VISTA DO RIO POTENGI NO FIM DO SÉCULO XIX
Uma pesquisa com os pioneiros da fotografia em Natal/RN revela que
muito do acervo se perdeu com o tempo, mas que não falta
quem tente resgatar a imagem da capital potiguar
 Acervo de Tavares de Lyra Neto
 Fotografia: Bruno Bougard (1904)

OLHAR SOBRE A HISTÓRIA 

Por
Henrique Arruda
DO NOVO JORNAL

A imagem mais parece uma pintura ou uma captura exata retirada de um sonho. É preciso olhar com bastante atenção por alguns minutos na tela para enxergar além do retângulo borrado e perceber o que aquela fotografia bastante rudimentar representa: a fome. Fome de uma multidão de flagelados da seca de 1904, reclamando uma providência em frente à residência do Governador da época, Tavares de Lyra.

O NOVO JORNAL resolveu olhar para o fundo do baú e pesquisar o começo da história visual do Rio Grande do Norte. Embora haja certa polêmica sobre a primeira foto do Rio Grande do Norte, os especialistas na área concordam com um nome: Bruno Bourgard. O alemão é o autor da foto descrita acima, publicada pela primeira vez pela Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto) em dezembro do ano passado, retirada do acervo de Tavares de Lyra Neto.

“Essa imagem é um marco histórico e podemos dizer que ela é a primeira pelo peso que representa. Estava no acervo de Tavares de Lyra Neto, que mora em Recife e deu autorização para nós da APHOTO publicarmos no ano passado. Boa parte do acervo de Bourgard, inclusive, está em Recife, na Fundação Joaquim Nabuco. Aqui ninguém tem preocupação de preservar nada mesmo, veja como está a situação do acervo do Diário de Natal”, critica o presidente da Aphoto, Alex Gurgel.

Mesmo que este seja considerado o primeiro registro fotográfico feito no Rio Grande do Norte, Bruno Bourgard já podia ser encontrado em terras potiguares bem antes, em 1889, quando ele ainda não residia oficialmente em Natal e percorria o Nordeste registrando diversas paisagens. Bruno só escolheu morar em Natal alguns anos depois para substituir seu irmão, Max Bourgard que possuía um estúdio de fotografias na cidade, o Photographia Alemmã.
 

“Em 1903, Bruno Bourgard, contratado pelo Governo do Estado, registra as mais remotas paisagens de Natal que temos notícias. Todos os arredores da Matriz de Nossa Senhora da Apresentação: Praça da Alegria, Praça da Matriz com vistas de suas principais edificações, Ruas da Conceição e São Antônio e foz do Potengi, tudo a partir do alto da torre da Matriz”, complementa.     
 
BRUNO BOURGARD
 Em 1904, o governador Alberto Maranhão solicitou seu estúdio 
para fazer  imagens da capital Natal, quando Alberto 
deixava o governo para Tavares de Lyra.
Fotografia:Blog História e Genealogia

NATAL COMEÇA COM O FIM DO SALGADO

O valor da foto que mostra os flagelados da seca é tão grande que a Aphoto atualmente tenta instituir na Assembleia Legislativa, através do deputado Tomba Farias, o dia 26 de setembro como o dia do fotógrafo potiguar. “Acreditamos que Bruno tenha feito a foto neste dia”, explica Gurgel, lembrando ainda que o dia nacional da fotografia é comemorado no dia 8 de janeiro. “Foi quando D. Pedro II, entre 1839 e 1840, trouxe a arte para o Brasil. Ele foi o nosso primeiro fotógrafo”, considera.

Para o jornalista Eduardo Alexandre Garcia, que há cerca de dois anos pesquisa freneticamente o começo da memória visual da cidade e faz questão de postar todos os achados em sua página do Facebook, Natal só começa a existir mesmo após o aterro do “Salgado”, o braço do rio Potengi que invadia a Ribeira, transformando a capital potiguar em 2 núcleos isolados: Ribeira e Cidade Alta. 


“E essa foto de Bruno representa exatamente isso. Esses homens serão empregados justamente nas obras de emergência do aterro do Salgado. Perceba que as mulheres e as crianças estão mais preservadas à frente e que os homens estão mais próximos da casa do Governador”, conta, apontando para a foto que, revelada em um banner, cobre quase toda a parede da entrada da sua casa.

“Somente após o aterro do Salgado é que a Praça Augusto Severo foi inaugurada em 1904, mudando completamente a rotina bucólica da cidade. No lugar do alagado do Salgado, sujo, a trazer doenças, uma praça a encher de sonhos de modernidade uma gente que reivindicava o aformoseamento urbano para tão pequena capital, que tinha dez mil almas vivas a vagar, se muito”, considera sobre a foto.
 
 Área da Santa Cruz da Bica, Natal/RN,  no início do século XX
Fotografia: Manoel Dantas 

MEMÓRIA NA UNIVERSIDADE

Há 4 anos o professor de fotojornalismo da UFRN, Itamar Nobre, pesquisa as raízes do fotojornalismo potiguar. O interesse surgiu pela própria falta de material disponível para usar como referência em sala de aula e a ideia é que muito em breve o acervo possa ser consultado pelos próprios universitários, além dos que colaboram com a pesquisa como bolsistas.

O primeiro objeto estudado foi o jornal mais antigo de Natal, o extinto “A República”, fundado em 1889. “Estamos digitalizando todo o arquivo disponível para termos acesso às fotografias. Mas no início da República não havia fotos porque o acesso era muito difícil. Com o tempo, é que elas começaram a surgir por concessões de imagens, e posteriormente através do possível primeiro fotógrafo potiguar a registrar a própria cidade, Manoel Dantas, entre 1918 e 1922”, avalia.
 
MANOEL GOMES DE PEREIRA DANTAS
Educador, jornalista, advogado, juiz e fotógrafo
 Nascido a 26 de abril de 1867, em Caicó/RN
Faleceu em NatalRN  em junho de 1924
 Fotografia: Site Mensagem Espírita 
 
O PRIMEIRO FOTÓGRAFO NATALENSE

O nome de Manoel Dantas, que faleceu em 1924, vítima de um infarto, é lembrado, aliás, entre todos os entrevistados como uma referência para a memória visual da cidade. Suas fotos foram publicadas pela primeira vez somente em 1981 quando o arquiteto João Maurício Fernandes de Miranda teve acesso aos negativos originais do fotógrafo e reuniu as mais conservadas no seu livro “380 Anos de História Foto-Gráfica da Cidade de Natal (1599 - 1979)”.

 “Manoel andava pela cidade com uma máquina e registrava praticamente todos os locais. Mas antigamente o filme tinha que ir para Paris, de navio, e passava entre 5 e 6 meses para voltar com o negativo impresso no vidro. A foto só poderia ser vista através do Visorama que era um equipamento específico da época”, explica.

“A demora era tanta para esse filme voltar impresso no vidro de Paris que as pessoas até brincavam dizendo que ele andava pela cidade com uma máquina sem filme porque ninguém via essas fotos”, conta o arquiteto remexendo em seu vasto arquivo que guarda em casa, dividido entre negativos de Manoel Dantas, fotos reveladas e outras no computador. “Fiz todo o livro com a ajuda de Osório Dantas, filho dele, que me cedeu todo o acervo do pai na época”, lembra.

As fotos de Manoel Dantas serviram como um guia para que João Maurício pudesse “atualizar” a memória visual da cidade quando pensou no seu livro. “Eu saía sempre aos domingos cheio de câmeras e, com a ajuda da minha esposa, visitava todos os lugares fotografados por Manoel Dantas. E assim fiz um confronto mostrando o ‘ontem’ e ‘hoje (naquela época)’ desses lugares”, detalha sobre a publicação de 1981. Atualmente ele trabalha na finalização de um segundo volume para a obra.

“Em 2004 eu repeti esse trajeto e agora nesse segundo livro que eu ainda não sei quando vai sair, virão três épocas diferentes para algumas imagens, além de novas fotos antigas que só chegaram a mim depois que fiz o livro naquela época”, conta. “Acho que este meu livro é muito importante para contribuir com a preservação da nossa história. Mas a verdade é que ao longo dos anos fui me decepcionando muito com Natal. Ninguém respeita aspecto algum da história dessa cidade, a não ser Câmara Cascudo. Tô vendo a hora de pedirem a canonização dele ao Papa”, desabafa.

Rua da Conceição - Cidade Alta - Natal/RN
Fotografia: Manoel Dantas

O RESGATE DE MANOEL DANTAS

“Na minha opinião Manoel Dantas é altamente injustiçado, muitas das imagens da cidade que estão pela internet são dele, mas sem nenhum crédito”, explica Abimael Silva, editor do Sebo Vermelho, enquanto aponta para uma foto que mostra um belo casarão onde hoje funciona a loja C&A, na Cidade Alta. “É uma pena terem destruído”, lamenta enquanto folheia uma edição de 380 Anos de História Foto-Gráfica da Cidade de Natal no Sebo Vermelho.

Até o final do primeiro semestre, o Sebo pretende lançar uma série sobre a memória visual do RN. Entre os homenageados, além do próprio Manoel Dantas, João Galvão também será lembrado. “Vamos editar um livro com cerca de 60 fotografias feitas por ele entre 1910 a 1930. Ele fotografou a cidade inteira e é outro que tem várias imagens pela internet, mas que ninguém sabe que são dele”, diz. 
 
Ponta Negra - Natal/RN
Fotografia: Jaecy
 
“João fazia como Jaeci Galvão fazia também. Pegava o negativo do filme e assinava cada foto com o seu nome, para que a imagem fosse revelada já com a sua marca, mas mesmo assim ainda circulam fotos dele sem créditos na internet”, comenta Abimael contando ainda que os arquivos fotográficos da participação de Natal na 2ª Guerra Mundial também estão na mira da editora.

“Serão dois álbuns que estamos editando junto com a Fundação Rampa, em parceria com Augusto Maranhão e Fred Nicolau, o presidente da Fundação. Cada álbum deve ter cerca de 100 fotografias porque o material é realmente vasto”, explica.
 
Memorial Câmara Cascudo - Antiga Casa da Fazenda - Natal/RN
 Fotografia: Manoel Dantas

ARQUIVO DE EDUARDO SEABRA ESTÁ PERDIDO

Outro fotógrafo importante da “velha guarda” foi Eduardo Seabra, que atuou na área até 1978 quando faleceu devido a complicações em sua diabetes. Ele chegou a trabalhar para o Governo do Estado como fotógrafo oficial e estima-se que seu acervo também fosse composto por registros importantes, mas a família não tem mais nenhuma imagem.

“Tudo se perdeu quando nos mudamos há alguns anos”, conta o filho de Eduardo, Ricardo Seabra, 50, que trabalha como guia de turismo. No início, ele chegou a acompanhar o pai em algumas expedições fotográficas. “Eu achava muito interessante, tanto que saía com ele para ajudar e aprender a fazer fotos. Ele tinha um laboratório de revelação, começou no preto e branco e depois passou para o colorido”, lembra.
 
Instituto Histórico do RN e Igreja de N. S. da Apresentação
 A Casa do IHGRN, na Rua da Conceição, nº 622, construída em 1906
Arquitetura neoclássica, típica da européia da 2ª metade do século XIX
Fotografia: Acervo IHGRN

INSTITUTO HISTÓRICO TEM ACERVO PEQUENO

Ao contrário do que se imaginava, a reportagem não encontrou um arquivo fotográfico muito consistente no Instituto Histórico e Geográfico de Natal. A maioria do acervo é constituído por poucos álbuns específicos, como o que conta a história dos primeiros anos do Hospital Onofre Lopes, quando ainda era conhecido como Hospital da Caridade Juvino Barreto.

Uma das imagens mais curiosas do álbum também é uma das primeiras a aparecer: um grupo de freiras aparentemente chateadas reunidas na entrada do hospital, todas de preto e muito sisudas. Na legenda: “Irmãs de Santana”. A “Seção de Hidroterapia” é outra que também pesa no olhar. A imagem tem uma iluminação sombria e sugere um ambiente nada convidativo, capaz de colocar medo em qualquer paciente. Ainda no álbum, pode ser encontrado o vestíbulo do hospital e detalhes da fachada principal, lateral e dos consultórios médicos da época.

“Temos alguns álbuns do Padre Miguelinho e de Augusto Severo, mas eles estão misturados. A gente nomeia, na medida do possível, porque tem coisa que não tem referência nenhuma. Só se os mortos chegassem aqui para conversar com a gente mesmo”, brinca a responsável pelo acervo fotográfico do Instituto há 16 anos, Wilma Alves, enquanto abre algumas gavetas do armário onde ficam as fotos. Por coincidência, ao lado do armário, um busto de Manoel Dantas observa as imagens como se também fizesse questão de zelar pelo pequeno acervo.
 
 Bonde elétrico trafegando pelo bairro da Ribeira - Natal/RN
O sistema de bondes na capital potiguar foi extinto em maio de  1955
Fotografias da época estão em mãos de inúmeros colecionadores 
Fotografia: Acervo do americano Allen Morrison - New York/EUA
 
MAIOR ACERVO DE NATAL AINDA SEM DESTINO

Recentemente, a imprensa potiguar parou para refletir sobre o valor da nossa memória visual principalmente diante das incertezas com o destino do acervo do Diário de Natal. O jornal foi extinto em outubro do ano passado e desde então quase 74 anos de história permanecem em suspense. Por enquanto, todo o arquivo continua recebendo os devidos cuidados de preservação no prédio que pertencia ao Diário, localizado na Zona Norte.

De acordo com o ex-diretor institucional do jornal, Deliomar Soares, que se desligou do cargo há dois meses, até quando acompanhou a situação, o grupo Pernambucano “Diários Associados” não tinha a intenção de transferir o arquivo para Recife. “Isso nunca existiu, o que eles estão fazendo é estudar as possibilidades de convênio com alguma instituição”, esclarece.

Uma das propostas mais recentes foi feita em janeiro à Universidade Federal do Rio Grande do Norte [UFRN] pelo jornalista Albimar Furtado, acompanhado da deputada federal Fátima Bezerra e outros colaboradores. A comissão que se formou apresentou a importância do material e em contrapartida a universidade se comprometeu em avaliar a possibilidade de comprar o acervo. “O acervo reúne até mesmo os jornais dos pracinhas, dos americanos que estavam hospedados na base aqui de Natal na época da Guerra. Eles faziam um jornal todo em inglês, mandavam lá para os EUA e o Diário tem essa coleção completa”, detalha o jornalista Albimar Furtado.
  
 
...fonte... 
www.novojornal.jor.br

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 www.historiaegenealogia.com
 www.mensagemespirita.com.br
 Pesquisador  Allen Morrison, de New York/EUA

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abril 05, 2013

O CHARMOSO CASARÃO DA DEODORO

O casarão número 479 da Av. Deodoro da Fonseca, em Petrópolis, Natal/RN
um dos últimos prédios de Natal a manter características da arquitetura 
neoclássica e art nouveau, passa por restauração.
Fotografia: Adriano Abreu/TN 

CASARÃO DA DEODORO EM PROCESSO DE RESTAURAÇÃO

 Por
Alexis Peixoto
 Tribuna do Norte

O casarão número 479 da Av. Deodoro da Fonseca, em Petrópolis, um dos últimos prédios de Natal a manter características da arquitetura neoclássica e art nouveau, passa por restauração. O imóvel, que é tombado pelo patrimônio estadual desde 1989, foi adquirido pelo empresário Flávio Azevedo, que pretende instalar no local um escritório da empresa Dois A Engenharia. Azevedo garante que a estrutura original da casa não será alterada e que a restauração está autorizada pelos órgãos competentes. No entanto, de acordo com o chefe do setor de patrimônio da FJA, Sérgio Wycliffe, a instituição que  tem responsabilidade sobre o prédio desconhece a obra.

As obras no casarão da Deodoro começaram há cerca de cinco meses. Segundo Flávio Azevedo, que na manhã de ontem acompanhou a reportagem do VIVER em uma visita ao imóvel, após a restauração, a casa se tornará um misto de espaço social e acervo da história da empresa, com biblioteca técnica e mostruário dos serviços realizados. Nos fundos do terreno da casa – que tem cerca de 1000 m² – será erguido um  segundo prédio com dois pavimentos e garagem, onde funcionará o escritório da empresa.  
 
O empresário garantiu que o  novo prédio não irá alterar a estrutura da casa principal. “Tivemos o cuidado de não usar   máquinas para cavar os alicerces, por medo de abalar as estruturas da casa. Todo o trabalho foi feito de forma manual”, disse Azevedo. Ele ressalta ainda que a altura da segunda edificação será levemente inferior à da casa principal, de modo a não comprometer a visão do prédio histórico. 

 A intenção do empresário Flávio Azevedo, proprietário do imóvel, 
é preservar ao máximo os traços originais do casarão, tombado em 1989.
 Imóvel pertenceu à família do médico Varela Santiago
 Fotografia: Adriano Abreu/TN 

AÇÃO DO TEMPO

Flávio Azevedo diz que as únicas alterações feitas no prédio original até o momento foram pequenos reparos no reboco e a reposição das telhas quebradas, para “prevenir contra as chuvas”. A parte interna da casa está nas mesmas condições em que foi deixada pelos proprietários anteriores.

Entre os aspectos originais  do casarão que não foram totalmente destruídos ao longo do tempo pela má conservação, ainda é possível ver parte do piso de madeira, o que sobrou do forro metálico desenhado em relevo que reveste dois cômodos e alguns pedaços dos vidros das portas e janelas.

A escada de alvenaria que dá acesso à casa pela fachada lateral também continua de pé, embora tenha perdido os ornamentos originais. O imóvel foi construído em 1916.

Flávio Azevedo diz que até o próximo mês um especialista em restauração irá visitar a casa, para elaborar um relatório. “Vamos nos esforçar em preservar todos os aspectos originais da casa, inclusive buscando materiais semelhantes aos originais para reparar os danos”, diz.        
 
 RESPONSÁVEL PELO TOMBAMENTO, ESTADO DESCONHECE RESTAURAÇÃO

Informado pela reportagem sobre o andamento da obra no casarão da Deodoro, o chefe do setor de patrimônio da Fundação José Augusto, Sérgio Wycliffe, disse desconhecer a realização do serviço. “Não fui informado sobre isso e acredito que não passou pelo nosso setor”, afirmou, para logo em seguida reconhecer as dificuldades de administrar os imóveis históricos sob a tutela do Governo do RN. “A FJA tem mais de 500 prédios tombados, é impossível tomar conta de todos”.    
 
Caso a obra realmente esteja sem o parecer técnico favorável, Wycliffe diz que o proprietário será chamado para prestar esclarecimentos junto à Fundação. “Vou checar os documentos relativos a essa obra para verificar se está tudo certo, caso contrário o proprietário terá que responder à Fundação”.

 INICIATIVA PODE ESTIMULAR OUTROS PROPRIETÁRIOS
 
Para o superintendente estadual do Instituto do Patrimônio Histório e Artístico Nacional (Iphan-RN), Onésimo Santos, a  restauração do casarão da Deodoro pode trazer resultados positivos para a memória histórica da cidade. “A atitude do proprietário de restaurar o prédio é louvável e pode estimular outros a fazer o mesmo”, afirma.

Embora desconheça os detalhes da obra, já que o imóvel não está sob a competência do Iphan-RN, o superintendente afirma que o instituto está pronto para oferecer uma assessoria técnica na restauração da obra.  “Caso sejamos solicitados, estamos à disposição para ajudar no que for possível”, disse.

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Alexis Peixoto
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