maio 13, 2013

UMA RELEITURA PARA UM BEIJO

 
 O BEIJO NO ASFALTO
FUNARTE TRAZ PARA NATAL MONTAGEM PERNAMBUCANA
Após a apresentação haverá  debate acerca da obra de Nelson Rodrigues,
sobre a mídia e a obra de arte, os meios de comunicação, o teatro
contemporâneo e a fabricação das celebridades instantâneas.
Confirmados para o encontro  a atriz Titina Medeiros
e os diretores Claudio Lira eFernando Yamamoto.
A mediação será de Andrêzza Alves.
Fotografia: Américo Nunes  
 
O BEIJO NO ASFALTO

Por
Moretti Cultura e Comunicação

No corre-corre de um grande centro urbano, as pessoas parecem não notar umas as outras, mas um acidente no trânsito pode fazê-las interligadas por um breve momento. É o que acontece quando um anônimo atropelado ganha a atenção de inúmeros passantes. Não especificamente pela possibilidade da sua morte, que fatalmente acontece, mas pelo pedido inesperado que ele faz a um jovem que corre em seu socorro: um beijo, desejo prontamente atendido. A inusitada cena dos dois homens se beijando em meio ao caos da cidade grande é flagrada por dezenas de pessoas munidas de aparelhos celulares e o caso ganha repercussão imediata nas redes sociais. 

Esta parcela de modernidade, com imagens compartilhadas em tempo quase real na Internet, não estava presente na obra original de Nelson Rodrigues, a peça “O Beijo no Asfalto”, escrita em 1961, mas faz parte da encenação pernambucana assinada pelo diretor Claudio Lira, que será apresentada no Barracão dos Clonws nos dias 19 e 20 de maio, às 20h. A montagem estreou no Rio de Janeiro em agosto de 2012, integrando o projeto “Nelson Brasil Rodrigues: 100 Anos do Anjo Pornográfico”, iniciativa da Funarte. Em seguida, a peça foi apresentada em Recife, dentro do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos. Fomentada pela Funarte, a peça inicia em maio sua turnê. Nos dias 19 e 20 será apresentada em Natal, depois João Pessoa (22 e 23) e Recife (25 e 26). Também está confirmada sua participação no Porto Alegre em Cena (07, 08 e 09 de setembro). 
      
 
O BEIJO NO ASFALTO
Uma releitura da obra de Nelson Rodrigues
 Fotografia: Américo Nunes 
 

Esta versão de “O Beijo no Asfalto” que chega do Recife, terra natal de Nelson Rodrigues, respeita o texto original, mas não teme acrescentar detalhes contemporâneos à trama, como a referência às redes sociais e as inserções de imagens em vídeo captadas no momento da apresentação, num paralelo ao imediatismo atual da mídia, suprimindo ainda todas as referências ao universo carioca. Tanto que a história passa a acontecer no centro de qualquer grande cidade. A trama mostra a reviravolta que acontece na vida do jovem Arandir, que socorre um desconhecido atropelado e, atendendo a um pedido deste à beira da morte, lhe dá um beijo na boca. Um repórter presencia o fato e vê no ato de um homem beijar outro homem a possibilidade de ganhar dinheiro. O caso ganha grande espaço na imprensa, sendo explorado com extrema crueldade tanto por jornalistas quanto por policiais sem ética e que não temem invadir a privacidade familiar.


 A partir deste embaraçoso ato de misericórdia – um beijo na morte – presenciado por um repórter sensacionalista, um escândalo social se avoluma. Explorando o caso, Amado Ribeiro, o tal jornalista, e Cunha, um delegado corrupto, destroem a reputação de Arandir, um homem puro até então, e de sua família, levando todos a um desfecho trágico e surpreendente. A exploração da imprensa é tanta, que a história ganha outros contornos, retratando os dois homens como amantes em um crime passional. A partir daí, a vida do jovem se transforma num inferno e nem mesmo sua mulher, Selminha, acredita que ele é inocente, ainda mais diante das insinuações do pai dela, Aprígio, que sempre manteve o pé atrás com o genro. Há referências reais a toda esta história.
   
O BEIJO NO ASFALTO
A montagem recebe um caráter mais clássico e psicológico
Fotografia: Américo Nunes

“A peça aborda algo que eu quero dizer e me incomoda muito: essa imprensa que manipula a opinião pública e, principalmente, o ranço preconceituoso que as pessoas mantêm até hoje. Não só na questão da homossexualidade, mas num âmbito mais geral”, diz o encenador Claudio Lira, que ressalta como grande qualidade da escrita rodriguiana esse revelar tão cru da hipocrisia na sociedade. Com “O Beijo no Asfalto”, Lira promove um retorno às suas origens no palco, ainda como ator. “No início da década de 1990, fiz um curso com Almir Rodrigues, grande ator e diretor, hoje afastado da cena por problemas de saúde, e passamos muito tempo estudando as obras de Federico García Lorca e Nelson Rodrigues. O objetivo era unir seus dois universos num espetáculo, mas o projeto não se concretizou. Em 2010, consegui encenar “Um Rito de Mães, Rosas e Sangue”, adaptação minha a partir das três tragédias rurais de Lorca, espetáculo ainda em atividade; e, agora, consigo mergulhar numa das obras de Nelson, o que é uma grande honra para mim, pois o considero um dos maiores dramaturgos do Brasil”, comemora.

Com vários outros trabalhos como encenador, em peças como “Alheio”, “Versos do Nós” e “Maçã Caramelada”, Claudio Lira diz que teve muita dificuldade em construir as cenas mais violentas propostas por Nelson – há embates terríveis entre Arandir e seus opositores – e, como traço de sua própria personalidade, resolveu dar à montagem um caráter mais clássico e psicológico, tanto que incorporou um inédito coro uníssono ao desenrolar da história, com personagens que usam máscara neutra sem personalidade individual e mais coletiva, numa áurea mítica, sensorial e, por que não, poética. Tais figuras, vestidas com ternos, funcionam como um bloco de gente que, se não comenta a ação verbalmente, como na tragédia grega, acompanha o desenrolar dos acontecimentos enquanto presença crítica e, por vezes, participativa. Assim como a sociedade que rumina opiniões, muitas vezes clandestinamente nas redes sociais. São figuras sem identidade revelada, mas prontas para julgar fatos e pessoas. 
 
  NELSON RODRIGUES
Sua obra foi adaptada para o cinema e televisão e ele opinou, com seu
humor ácido, sobre artes, política, esportes e comportamento,
sempre criando frases e personagens memoráveis.
 Fotografia: Antônio Andrade    
 
"O BEIJO NO ASFALTO"
 
"O BEIJO NO ASFALTO" foi escrita especialmente para o Teatro dos Sete, com estreia no mesmo ano de 1961, no Rio de Janeiro, sob direção de Gianni Ratto e com Fernanda Montenegro, Sérgio Britto e Ítalo Rossi no elenco, entre outros. A peça teve ainda duas versões cinematográficas, a primeira em 1963, com direção de Flávio Tambellini e com Reginaldo Faria, Norma Blum, Xandó Batista e Jorge Dória nos papeis centrais; e outra em 1981, com direção de Bruno Barreto e elenco composto por Ney Latorraca, Tarcísio Meira, Christiane Torloni e Daniel Filho, entre outros.  

Originalmente, toda a história acontece durante um dia e meio, portanto, as cenas desenrolam-se como quadros de um videoclipe, em sucessão vertiginosa, pontuada por trilha sonora que mescla sons urbanos a melodias originais, concebida por Adriana Milet, e inserções de vídeo – algumas em tempo real – da videomaker Tuca Siqueira. A iluminação é assinada por Luciana Raposo e o cenário, figurinos e adereços pela dupla Claudio Lira e Andrêzza Alves. A produção executiva é de Andrêzza Alves e Renata Phaelante. “É esta sobreposição de elementos cênicos – dos figurinos masculinizados, das projeções em vídeo, da trilha musical quase constante, da luz forte que nos remete aos cortes cinematográficos e ao cenário composto por várias portas giratórias em 360 graus – que me interessa ao contar esta história, algo que eu quero dizer, tendo como molho o sarcasmo presente em Nelson ao tirar chacota da sociedade”, complementa o encenador.   

Sobre o protagonista, Claudio define: “Arandir é um personagem tão comprometido por sua ação que duvida até mesmo da sua verdade. Portanto, assim como Nelson, eu trabalho em cima da dúvida – O beijo de Arandir no atropelado é a substância dessa dúvida – e a verdade, neste caso, pode ser forjada por qualquer um, como o faz a mídia, ao transformar notícias deturpadas em verdades absolutas, infelizmente. Este é o caráter desta tragédia brasileira, deste homem acuado que duvida até de si mesmo”, conclui. No elenco, Arthur Canavarro (Arandir), Andrêzza Alves (Selminha), Eduardo Japiassu (Aprígio), Ivo Barreto (Amado Ribeiro), Pascoal Filizola (Delegado Cunha), Sandra Rino (Viúva, D. Judith e Aruba), Daniela Travassos (Dália) e Lano de Lins (Barros, Werneck e um personagem surpresa ao final). Ainda há a participação das atrizes Cira Ramos, Clenira Melo, Vanda Phaelante, Renata Phaelante, Márcia Cruz e Sônia Bierbard, que mostram-se “virtualmente” na peça, numa homenagem a todas as atrizes pernambucanas, como opção do diretor, com falas da personagem Matilde, vizinha fofoqueira que acompanha o drama de Arandir, além dos comunicadores Gino César e Cardinot, este um símbolo da popularíssima imprensa pernambucana.   
  
...fonte...
 Moretti Cultura e Comunicação
 www.potiguarte.blogspot.com

...serviço...
O BEIJO NO ASFALTO
19 I 20 DE MAIO ÀS 20h
BARRACÃO DOS CLOWNS - NATAL/RN

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maio 11, 2013

FUTEBOL E ARTE: A QUÍMICA PERFEITA

  ARENA DAS DUNAS - NATAL/RN
Lançada a pedra fundamental do projeto
  “Natal Pintando a Copa 2014”
Ilustração: OAS Arenas

. . . UM GOL DE CRIATIVIDADE . . .
CANTEIRO DE OBRAS DO ESTÁDIO ARENA DAS DUNAS
SERVE DE CENÁRIO PARA A INSPIRAÇÃO DE ARTISTAS POTIGUARES
Por
Henrique Arruda
DO NOVO JORNAL

Brasil versus Espanha. O placar não mostra quem está ganhando, mas ao que tudo indica a vitória é certa para o país anfitrião da copa de 2014. A Arena das Dunas está lotada, incluindo o menino vendedor de algodão doce que, por enquanto, dá uma pausa no comércio para assistir o momento decisivo da partida na companhia dos amigos. No campo, o clima é de ansiedade para saber se o jogador de camisa verde e amarela vai marcar o pênalti ou não.

A cena é retratada na pintura de Dona Ivanise do Vale, uma das 20 artistas que estiveram presentes ontem no Estádio Arena das Dunas para celebrar o dia do artista plástico, promovido pela Secretaria Extraordinária de Cultura com a exposição “Natal Pintando a Copa do Mundo em 2014”, que deve percorrer todas as demais cidades-sede do evento a partir de dezembro.

IVANISE DO VALE ROCHA
ARTISTA DE SÃO JOSÉ DE MIPIBU/RN
Fotografia: Yuno Silva/TN

A tela ainda não estava pronta por volta de 10h, quando a reportagem conversou com Dona Ivanise. Ela ainda fazia o acabamento. “Esse aqui é um vendedor de picolés de frutas, ainda falta pintar a logomarca, assim como esse aqui é vendedor de águas, mas ele só vende água Santos Reis”, conta Dona Ivanise, 72, dizendo que a marca de água pode ser fictícia na vida real, mas que é a líder de vendas naquele mundo naife de 1 metro de largura por 90 centímetros de comprimento. “Primeiro eu pinto as almas dos meus personagens, depois eu começo a fazer a roupa, os sorrisos e todos os demais detalhes”, explica.

VATENOR
O ARTISTA PLÁSTICO ESTEVE PRESENTE NA ARENA DAS DUNAS
Fotografia: Yuno Silva

Os trabalhos dos 30 artistas potiguares envolvidos neste projeto serão adquiridos pelo Governo do Estado logo após a exposição itinerante e devem fazer parte do acervo da Pinacoteca do Estado. Entre os nomes convocados estão representantes de diversas manifestações de arte. Da mais tradicional, como a pintura naife de Dona Ivanise, até a leitura mais contemporânea do grafite com Miguel Carcará, que ainda olhava com certa estranheza para o primeiro quadro que pintou na vida.

OBRA DO GRAFITEIRO MIGUEL CARCARÁ
Fotografia: Yuno Silva

“Vou ser bem sincero: esse foi o primeiro quadro que eu pintei”, explicou o artista destacado pela secretária extraordinária de Cultura, Isaura Rosado, durante a abertura do evento. Até então todo o trabalho de Carcará havia sido com a grafitagem urbana, em grandes dimensões, pelas paredes da cidade. Mudar a visão para um espaço bem menor, como o de uma tela, foi um desafio.

CARLOS SÉRGIO BORGES
O ARTISTA PLÁSTICO EM AÇÃO NA ARENA DAS DUNAS
Fotografia: Yuno Silva

“Mas eu gostei bastante e já estou até pensando em fazer uma primeira exposição de grafites em quadros, individual e coletiva. Na verdade já comecei a falar com alguns outros grafiteiros para amadurecer a ideia”, garante Carcará, enquanto mostra à reportagem o quadro que retrata um índio dentro do campo. “Eu quis resgatar toda a história do comedor de camarão, que já estava por aqui antes de o futebol chegar”, explica.

IRAN DANTAS
ARTISTA PLÁSTICO DE CERRO CORÁ/RN
Fotografia: Yuno Silva/TN

Ainda de acordo com Carcará, o grafite, hoje em dia, tem uma penetração maior na sociedade, o único problema continua sendo a falta de fomento à arte. “É um material caro, então nem todos têm condições de continuar”, avalia informando que cada lata de 350 ml de spray custa em média R$ 18,00 e que eles precisam de, no mínimo, 10 cores para um bom painel em uma parede. “E uma lata de 350 ml dá para muito pouco do desenho”, avalia.

Também integrante da exposição, o artista Iran Dantas pintou um quadro inspirado em um pôster que seu irmão, fanático por futebol, tinha no quarto. “É a representação de Manga, goleiro do Internacional (RS). Diziam que quando ia agarrar um gol ele voava e essa imagem sempre ficou na minha cabeça. Agora pude usá-la”, explicou. 

ARENA DAS DUNAS SERÁ ENTREGUE EM DEZEMBRO DE 2013 
  Ilustração: OAS Arenas

 SECRETÁRIO GERAL DA FIFA E MINISTRO DO ESPORTE
FAZEM NOVA VISITA ÀO ARENA DAS DUNAS  

Por
Assessoria Comunicação
SECOPA

Natal abrirá o cronograma de visitas oficiais que o Secretário Geral da FIFA, Jérôme Valcke, e o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, farão neste ano às capitais que serão sede da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. A visita será realizada nesta segunda-feira (13), às 15 horas, na Arena das Dunas. 

Também participam da visita os ídolos do futebol brasileiro Ronaldo e Bebeto, na qualidade de membros do Conselho de Administração do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 (COL). 

 Atualmente, trabalham na construção da Arena das Dunas mais de 1.800 colaboradores e as obras fecharam o mês de abril com 66,18% de execução, o que representa um avanço de 7,14% em relação ao previsto no cronograma aprovado pela FIFA/COL. A Arena das Dunas será entregue em dezembro de 2013.

...fonte...
 www.novojornal.jor.br
 www.nominuto.com

...visite...
 www.oasarenas.com.br 
 
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maio 09, 2013

CLÊNIO MACIEL: UM POUCO MAIS DO MESMO

 
CLÊNIO MACIEL
 Ele imitava Evandro Mesquita, da blitz, quando criança; 
cresceu, se tornou advogado e empresário, e agora
 tem a sua própria banda: Uskaravelho
Fotografia: Diego Marcel

 SOMOS TÃO JOVENS

Por
Renato Lisboa
NOVO JORNAL

Verão de 1984 na Redinha. Em um final de tarde de domingo, três filhos pré-adolescentes de veranistas colocam uma fita cassete, que toca o hit “Weekend”, da Blitz. Não existia o karaokê como conhecemos hoje, onde toca apenas o instrumental da música acompanhado por sua letra.

Na verdade não existia quase nada dos gadgets tecnológicos a que nos acostumamos na atualidade. Para se ter uma ideia, naquele mesmo verão (inverno nos EUA), a Apple estava lançando o Macintosh, computador pessoal que trazia a “pioneiríssima” interface gráfica.
 

Sem karaokê, nem sequer microfone para ligar a uma caixa de som, as crianças pegam peças de roupa por improviso. Uma toalha, por exemplo, virou cachecol. Os instrumentos eram todos “air”, imaginários, criados ao sabor dos movimentos dos jovens atores/cantores.

- Blitz, documento!

- Qual é? Só temos instrumentos.

Quem interpretava o vocalista Evandro Mesquita era um menino de 10 anos, desembaraçado e bem-humorado, que parecia incorporar um guarda rodoviário federal ao pedir a documentação de um motorista. Novamente, os conhecidíssimos solos de teclado e o baixo desse trecho da música são “tocados” por ele, ainda no estilo “air”. O “público”, formado primeiramente por familiares, bolava de rir.   
 
CLÊNIO MACIEL
 O garoto versátil que cresceu e canta,  administra a banda, advoga, 
estuda, cria um filho, dá consultorias e mantém uma agenda lotada.
Shows programados até 2014
Fotografia: Léo Carioca

O “palco” desse show era o alpendre da casa de veraneio de seu vizinho, o ex-deputado estadual Magnus Kelly, vizinho aos pais . As “backing vocals” da banda eram as suas filhas. E “Evandro Mesquita” era Clênio Maciel, que hoje segue, entre outras, a profissão de seu imitado como fundador e vocalista da banda potiguar de pop-rock Uskaravelho.

O “entre outras” fica por conta de sua carreira de advogado especialista em licitações públicas e, recentemente, ele se tornou empresário, montando uma empresa de produção de eventos. O Uskaravelho está em uma ótima fase, ainda colhendo os frutos da gravação do bem sucedido pocket show acústico “Mais do mesmo – Um novo tributo à Legião”, gravado no final de janeiro, no Teatro Riachuelo, com lotação esgotada.


Com dez anos, ocasião dos shows do alpendre (que depois virou um hot point do verão da Redinha, e muitos veranistas tinham de ver o número) Clênio já demonstrava ter carisma e desenvoltura nas relações interpessoais. O talento foi sendo moldado na adolescência e início da juventude, época do Rock in Rio 1985 e da explosão do chamado BRock, cuja música fundadora é “Você não soube me amar”, da mesma Blitz que aquele moleque imitava na Redinha.    
 
O garoto versátil que cresceu e canta, administra a banda, advoga, estuda, cria um filho, dá consultorias, cria empresa, mantém uma agenda lotada – com shows programados até 2014 – atende fãs com a maior das disponibilidades, sorri, tira fotos. De onde ele tira tamanha disposição? Segundo o cantor, basta seguir o lema “Viva e deixe viver”, ou seja, não ficar se incomodando muito com o que as pessoas fazem e ter a coragem de fazer as coisas que realmente dão prazer.  
 
 USKARAVELHO
 Sempre com emoção à flor da pele, garra, paixão
  11 anos de estrada. Sempre mais do mesmo.
Show Teatro Riachuelo - Natal/RN
 Fotografia: Léo Carioca

DOTADO DE VERSATILIDADE

Filho de um microempresário e de uma dona de casa, Clênio Maciel vai completar 40 anos em junho. Estudou por toda a sua vida no colégio Nossa Senhora das Neves, na época uma das cinco principais instituições de ensino de Natal, acompanhado por outros quatro colégios católicos, e como todos eles era tido como um colégio conservador.

Já do meio para o final dos anos 1980 (ele terminou o ‘segundo grau’ em 1989), parou de imitar roqueiros e entrou para uma banda de verdade, a Conflito Ideológico. Época em que os bares legais da cidade, pelo menos para quem gostava de rock, eram o Chernobyl, Café de Paris e Willy’s e a Conflito Ideológico tocava com bandas como o Alfândega, Modus Vivendi, Movement, Velvet Blues, Carbono 14 e Florbela Espanca e Movement. “Era um circuito muito restrito, mas musicalmente rico, a Rádio Cidade dava espaço para divulgação das bandas de rock locais”, lembra ele.

A escolha pelo Direito para seguir a carreira profissional veio por eliminação. “Eu queria fazer publicidade, mas o curso não existia na época”, justifica. Mas além da “eliminação”, o direito veio porque Clênio acreditava que oferecia boas oportunidades profissionais. Ele se tornou bacharel pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 1994 e, desde então, advogou, passando também por cargos públicos tanto no município quanto no Estado.

Ele foi chefe jurídico da Secretaria Municipal de Transportes Urbanos (STTU), coordenador da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Sehtas) e também passou pelo equivalente no município, a Semtas. 


CLÊNIO MACIEL
O Vocalista Clénio Maciel encarna o personagem Wolverine
Fotografia: :@GiovannaGeorgia   
 
Para manter a credibilidade, bastou impor o profissionalismo nas duas profissões, a de rocker e de advogado. “Os juízes e promotores de hoje são meus contemporâneos de faculdade. Então já me conhecem de muito tempo e sabem como eu sou”, diz ele, que garante não ser incomodado por estar em uma profissão mais formal e outra mais liberal.

Também não é incomodado por usar costeletas que lembram o personagem Wolverine. Na verdade, conta Clênio, elas foram inspiradas em outro ícone do rock oitentista, o vocalista do Ira!, Nasi. Clênio estava no show do Ira! em Natal, na Flash Club, em 1991, que foi interrompido por falta de energia. A banda tocou apenas três músicas quando um carro bateu em um poste na avenida Salgado Filho e afetou o fornecimento de energia elétrica de toda a Zona Sul. “As costeletas são uma marca não agressiva”, teoriza.

Outro show épico em que ele estava foi o de sua banda preferida, Legião Urbana, do qual lembra de detalhes. “Foi no dia 7 de setembro de 1992, feriado e eles tocaram Carinhoso (de Pixinguinha). O mesmo show em que Renato Russo revelou à banda que tinha o vírus da AIDS”, registra.

A banda Uskaravelho foi formada em 2001, mas nesse meio tempo, além de integrante de banda de rock, e mais uma vez vem a versatilidade, ele foi diretor, de 1991 a 2001, do bloco de Carnatal Bicho Papão.

...fonte... 
www.novojornal.jor.br    
 
 Se copiar textos e ou fotografias, atribua os créditos!     
Os direitos autorais são protegidos pela Lei n° 9.610/98, violá-los é crime!