outubro 02, 2014

UMA ARTISTA POTIGUAR NA PAULICÉIA

 
A ARTE DE ARA TELES
Suas experimentações atuais flertam com o Modernismo e buscam imprimir
nova personalidade às cores, texturas e composição,  revelando sua investigação
no campo das expressões e dos movimentos do corpo humano, exaltados a partir de sentimentos e desejos só traduzidos através das cores e formas que caracterizam sua produção e projetam um universo oculto e lírico
Fotografia: Cristiano Félix

ARTE NA PAULICÉIA

 Por
Yuno Silva
TRIBUNA DO NORTE

A busca por novos horizontes levou a artista potiguar Ara Teles a alçar voos mais longos. Em São Paulo desde 2011, onde desembarcou para trabalhar como designer no mercado publicitário, a natalense decidiu apostar todas as fichas nas artes visuais e partir de amanhã (1º de outubro) ela passa a integrar o Atelier Coari, na Vila Madalena – principal reduto boêmio e artístico da capital paulista. O novo espaço ainda agrega outros jovens talentos interessados em um contato mais próximo do público. “Até então estava produzindo em casa, e com o ateliê posso receber as pessoas, organizar exposições”, disse Ara por telefone ao VIVER, caderno cultural da Tribuna do Norte.

Para potencializar o alcance de seus trabalhos, e, claro, garantir rentabilidade com eles, a artista também abriu uma loja virtual (arateles.com) para oferecer obras que podem ser pinturas sobre tela, customização de roupas e/ou posteres criados digitalmente. Algumas dessas artes digitais, inclusive, estão disponíveis na loja Urban Art.

 
70cmx50cm
Acrylic on canvas
2014

A arte de Ara Teles, 27, que desenha desde que se entende por gente, revela sua investigação no campo das expressões e dos movimentos do corpo humano, exaltados a partir de sentimentos e desejos só traduzidos através das cores e formas que caracterizam sua produção e projetam um universo oculto e lírico. Fase um tanto autobiográfica, uma vez que Ara propõe a mesma ruptura que a afetou profissionalmente: "A principal característica do meu trabalho é o entrelaçado. O corpo é despedaçado sob um olhar caótico e de desordem, mas por ele percorre uma linha que sempre fecha o ciclo. É feita, de fato, uma unidade. E é esse desafio: desconstruir e unir os cacos novamente, mostrando que o caos pode ser controlado", reflete.

Para quem já conhecia os traços da natalense, vale destacar que suas experimentações atuais flertam com o Modernismo e buscam imprimir nova personalidade às cores, texturas e composição. “A pele começou a ganhar mais camadas de pigmento e o humano passou a ser desconstruído”.

 
70cmx50cm
Acrylic on canvas
2014

Ara explora a questão do sentimento e das reações que as pessoas tem a partir do que é enfrentado, e de como o corpo reage a todo esse estímulo. “O corpo fala, é extremamente expressivo, e é isso que tento capturar”, disse a artista, que aterrissa em Natal no próximo dia 5 de outubro, onde permanece até o final do mês, para acompanhar a abertura de duas exposições: uma na loja de móveis planejados Saccaro (até 28/10); e outra no ambiente criado por seu pai, o arquiteto Renato Teles, para a mostra Casa Cor Rio Grande do Norte – evento em cartaz de 17 de outubro a 30 de novembro na sede social do Clube América.

Os motivos para a mudança de ares é justificada por questões simples: o mercado de arte em São Paulo é muito maior que o visto em Natal. “Viver de arte no RN ainda é muito complicado, mas percebo um boom artístico bacana em Natal. Tem muito gente nova mostrando um trabalho bem interessante como Gustavo Rocha e Clarissa Torres, uma turma que merece atenção”.

Apesar de ter largado a rotina das agências de publicidade, Ara continua fazendo alguns trabalhos como designer. “Gosto da área”, garante, “mas vi que era hora de me dedicar mais ao meu trabalho como artista plástica. Hoje vejo que vim para São Paulo buscar, além de oportunidades, amadurecimento e espaço”, avalia.

...fonte...

 ...visite...

Se copiar textos e ou fotografias, atribua os créditos!
Os direitos autorais são protegidos pela Lei nº 9.610/98, violá-los é crime!

outubro 01, 2014

O POTIGUAR DAS MIL E UMA VOZES

FERNANDO MENDONÇA EM AUTORRETRATO
Atual dublador oficial de Hortelino troca-letras, personagem do Looney Tunes
e de outros personagens famosos, ao quais deu voz nos últimos cinco anos,
Fernando Mendonça acaba de abrir o seu próprio
estúdio de animação, o Combo Studio
Ilustração: Divulgação

O POTIGUAR DAS MIL E UMA VOZES

Por
Yuno Silva
TRIBUNA DO NORTE

Há algo em comum entre o herói Dusty, da animação “Aviões”; o macaco falante Olhos Azuis, filho do protagonista César no recente “Planeta dos Macacos: O Confronto”; o Chef Sueco dos Muppets; personagens surreais do desenho animado “Hora de Aventura”; o suricato espevitado Timão; e figuras clássicas da tevê como Salsicha (do Scooby-Doo) e o troca letras Hortelino, ‘amigo’ do Pernalonga: todos eles falam em português através do gogó de Fernando Mendonça. Potiguar de Areia Branca, ilustrador e dublador profissional, Mendonça está há cinco anos no Rio de Janeiro onde acaba de abrir o próprio estúdio de animação, o Combo Studio.

Ele levou a máxima de ‘acreditar no próprio talento’ ao pé da letra, e hoje colhe os frutos de quem saiu de uma cidade pequena no litoral Norte do RN para ser um dos nomes em ascensão no concorrido mercado do eixo Rio-São Paulo. Indicado ao Prêmio da Dublagem Carioca, na categoria Revelação em 2012, Fernando já coleciona uma série de trabalhos importantes na telinha e na telona. “Desde de criança assistia os desenhos na TV e tentava reproduzir personagens na voz e no papel, sem saber que estava me preparando para o futuro”, disse por telefone o jovem de 25 anos ao VIVER.

O artista conta que, quando comprou o primeiro computador, começou a fazer animações e reeditar o áudio de cenas com seus personagens favoritos. “Quando me mudei para Mossoró logo me envolvi com o teatro da escola, e comecei a fazer algumas animações para ganhar algum dinheiro. Percebi que podia levar esse trabalho mais a sério e vim para Natal tentar espaço na publicidade”, relembra. Fez alguns ‘freelas’ em animação e locução e foi admitido na equipe da produtora local Grito! Anime – nas horas continuou fazendo dublagens de desenhos animados famosos. “Ele chegou com um DVD debaixo do braço querendo uma chance. Ficou alguns meses aqui conosco, tempo necessário para mostrar seu talento e ser chamado por um grande estúdio de animação carioca (o 2D Lab)”, disse o publicitário Edu Ferr, da Grito!

Quando foi chamado para trabalhar no Studio 2D Lab já tinha algumas propostas de trabalho como dublador, então precisou se organizar em um mês para mudar de mala e cuia pra capital carioca. Isso em 2009. Como não conhecia ninguém por lá, pediu ajuda para a diretora do grupo de teatro onde atuava em Mossoró e ela indicou a casa do cantor Bartô Galeno. “Passei um mês na casa dele, só tenho a agradecer o apoio”. No 2D Lab começou como animador Júnior e saiu como supervisor de animação, onde se envolveu em projetos grandes como os desenhos animados Meu Amigãozão e o Sítio do Pica Pau Amarelo.

FAZER A DIFERENÇA

A coisa da dublagem ficou séria mesmo um pouco antes de partir para o Rio, quando uma de suas dublagens ganhou repercussão mundial: uma bela noite, postou uma paródia com a voz do Timão, o suricato parceiro do javali Pumba e amigo do (Rei Leão) Simba. “Postei o vídeo e fui dormir, no dia seguinte tinham mais de 2 mil visualizações e o contato de uma brasileira que morava nos Estados Unidos, filha adotiva do produtor musical do filme 'Rei Leão'. Ela escreveu para agradecer, pois sua filha estava doente e se alegrava quando via o vídeo. Foi ali que percebi que poderia fazer a diferença, que meu trabalho era importante”, orgulha-se.

Dali para ser achado por dubladores brasileiros foi um pulo. O primeiro a entrar em contato foi Guilherme Briggs (voz do Buzz Lightyear em Toy Story, Cosmo em Os Padrinhos Mágicos, Optimus Prime de Transformers e Superman em Liga da Justiça). “Elogiou minha atuação e disse que se um dia fosse para o Rio de Janeiro iria me dar uma força. E nisso um contato foi puxando o outro, e conheci o Mário Monjardim (que faz o Salsicha), quem tive a honra de substituir em alguns trabalhos”.

Confira vídeo postado em 2012 por Fernando Mendonça, onde o dublador potiguar improvisa vozes e canta temas da animação "O Corcunda de Notre Dame".


...fonte...

Se copiar textos e ou fotografias, atribua os créditos!
Os direitos autorais são protegidos pela Lei nº 9.610/98, violá-los é crime!

setembro 30, 2014

CAMILA MASISO: UMA VOZ PREMIADA

CAMILA MASISO
2º lugar, categoria "MelhorCanção", do Samsung E-Festival
 Uma grande aposta da música popular brasileira
Fotografia: Divulgação

CAMILA MASISO
2º LUGAR EM CONCURSO NACIONAL

Via
GAZETA DO OESTE

A cantora potiguar Camila Masiso agregou mais um prêmio à sua carreira: ficou em 2º lugar na categoria “Melhor Canção” do Samsung E-Festival. Entre mais de 600 músicas inscritas de todo o Brasil, Rei do Povo foi eleita por um júri especializado para figurar entre as cinco finalistas – única voz feminina entre os selecionados -, e os internautas a escolheram, em votação popular, a 2ª melhor. Os três primeiros lugares e mais informações estão disponíveis no site disponibilizado logo abaixo desta postagem.  

A música Rei do Povo faz parte do mais recente álbum da cantora, Patuá, lançado com casa cheia no Teatro Riachuelo em abril deste ano. O show do álbum também foi levado a Paris, a Currais Novos, à praia de Pipa e ao Rio de Janeiro (Teatro Rival). Rei do Povo é composta por Vinícius Lins, Alex Amorim e João Henrique Koerig, e arranjada pelos músicos norte-rio-grandenses Diogo Guanabara, Rogério Pitomba e Henrique Pacheco.

O prêmio de R$ 15 mil, conquistado no Samsung E-Festival, será investido na carreira exponencial de Camila Masiso: “na gravação de um DVD ou numa nova viagem. Temos interesse em fazer esse dinheiro render e se multiplicar”, adiantou a cantora. Ainda em 2014, já estão marcadas novas apresentações no Rio de Janeiro, desta vez, no Sesc RJ (10, 12 e 13/12), representando a segunda turnê da cantora potiguar na cidade maravilhosa.

A CANTORA

Camila Masiso começou a carreira solo em 2009, cantando clássicos do samba e da bossa nova em Natal. O seu primeiro disco autoral foi “Boas Novas”, lançado em 2010, com nove canções inéditas.

A cantora foi finalista do festival MPBeco, recebeu prêmio Hangar de “Intérprete Revelação” em 2010, ganhou prêmio O Poti, promovido pelo jornal Diário de Natal, na categoria “Artista Popular”, após ser a mais votada na Internet, participou de duas edições do projeto Parcerias Sinfônicas, do Sesc RN – a primeira edição, na qual foi solista, também levou prêmio Hangar de “Melhor Show do Ano” (2011) – e levou seu talento a países como França, Itália, Áustria e Eslovênia.

No cenário atual, se firma como uma grande aposta da música popular brasileira. Dividiu o palco com grandes artistas, como Roberto Menescal, um dos criadores da bossa nova, e a cantora mexicana Julieta Venegas, duas vezes ganhadora do Grammy Latino.

...fonte...

...visite...
RESULTADO DO SAMSUNG  E-FESTIVAL
www.efestival.com.br

Se copiar textos e ou fotografias, atribua os créditos!
Os direitos autorais são protegidos pela Lei nº 9.610/98, violá-los é crime!

setembro 29, 2014

QUADRINISTA POTIGUAR CONQUISTA A AMÉRICA

GABRIEL ANDRADE
 Quadrinista potiguar é o novo parceiro de Alan Moore
Fotografia: Divulgação

QUADRINISTA POTIGUAR CONQUISTA A AMÉRICA

Por
Telio Navega
O GLOBO

O cultuado escritor britânico Alan Moore está produzindo uma nova série em quadrinhos. E, desta vez, acompanhado de um brasileiro, o potiguar Gabriel Andrade. Criada pelo irlandês Garth Ennis em 2008, a HQ "Crossed" vai ganhar, pelas mãos dos dois, um spin-off chamado "Crossed + One Hundred", que se passará um século depois da trama original, uma história de terror em que uma epidemia enlouquece a maioria das pessoas. "É como se Jimi Hendrix quisesse tocar em sua banda", disse Ennis ao site "Bleeding Cool".

Em "Crossed", uma doença transmitida através de fluidos corporais faz com que os contaminados mantenham-se lúcidos e sodomizem barbaramente suas vítimas. Os loucos assassinos costumam ter uma enorme ferida no rosto, em forma de cruz, daí o titulo da série, que lembra bastante a trama de "The Walking Dead", de Robert Kirkman, ao focar a história nos sobreviventes.

O spin-off de Moore e Andrade (foto) será publicado a partir de dezembro, em seis números, pela mesma editora da HQ original, a Avatar Press. A Panini já publicou no Brasil outras duas HQs de Moore pela Avatar: "Neocomicon" e "Fashion Beast".

Nascido na cidade de Macau, no Rio Grande do Norte, há 29 anos, e conhecido por ilustrar a série "Ferals", escrita por David Lapham ("Balas Perdidas"), Gabriel diz que ainda não pode dar entrevistas sobre "Crossed + One Hundred", mas não poupa elogios ao novo parceiro, roteirista de clássicos dos quadrinhos, como "V de Vingança" e "Watchmen":

- Para mim, trabalhar com o Sr. Moore neste projeto é muito mais um presente do que um desafio - explica Gabriel por email. - Eu sinto uma conexão muito forte com o mundo, por trás desta história, com todas as referências, livros, filmes, música e arte conceitual que tem me acompanhado pela minha vida, sendo exploradas aqui. Tenho tido uma liberdade maravilhosa, tanto na criação do visual dos personagens quanto na formulação deste novo mundo.

Alan Moore também encheu a bola do parceiro brazuca no mesmo site: "Estou mesmo muito empolgado. Acabei de ver alguns esboços que Gabriel fez e eles são fantásticos. A energia que há neles... o fato é que o cara entendeu e comprometeu sua percepção com as ideias que estavam na minha proposta, e parece que ele está adorando a coisa. É sempre um prazer ver isso".

...fonte...

Se copiar textos e ou fotografias, atribua os créditos!
Os direitos autorais são protegidos pela Lei nº 9.610/98, violá-los é crime!

setembro 18, 2014

A CATITA DE VOLTA AO LAR

 
CATITA
Com decisão da Justiça Federal, locomotiva Catita retornará ao RN
A locomotiva ficará sob a responsabilidade do Instituto dos Amigos
do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural e da Cidadania (IAPHACC)
A Catita foi levada para Recife em 1975 no intuito de ornamentar
o escritório regional da RFSA
Fotografia: Divulgação  

 A CATITA DE VOLTA AO LAR

Via
JORNAL DE HOJE 

Depois de transitar em julgado a sentença favorável da Justiça Federal do Rio Grande do Norte, a locomotiva Catita nº 03 retornará ao Estado potiguar. No dia 11 de outubro, o transporte, que marcou a história do Rio Grande do Norte, chegará a Natal e será levado para o Museu Ferroviário Manoel Tomé de Souza, sediado no bairro das Rocas, na capital potiguar.

A última etapa para entrega da locomotiva Catita foi cumprida este mês, quando o Juiz Federal Janilson Bezerra de Siqueira, titular da 4ª Vara Federal, assinou despacho com ordem de entrega da locomotiva, que estava no Museu do Trem na cidade de Recife.

A locomotiva ficará sob a responsabilidade do Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural e da Cidadania (IAPHACC), presidido por Ricardo da Silva Tersuliano. “Esse é o maior resgate da história do Rio Grande do Norte. Só temos a agradecer ao Judiciário Federal do nosso Estado”, disse Ricardo Tersuliano.

ENTENDA O CASO

Em julho de 2013, a Juíza Federal Gisele Leite, da 4ª Vara Federal, determinou que o Governo do Estado de Pernambuco e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional entregassem a locomotiva nº 03 conhecida como Catita e seu reboque ao Estado do Rio Grande do Norte.

A magistrada acolheu os argumentos do Ministério Público Federal, sustentando a importância histórica da Catita, que se encontra no Museu Ferroviário de Recife em mau estado de conservação.

“A locomotiva reclamada encontra-se, há muito, abandonada à própria sorte, à mercê de toda sorte de intempéries, sem, portanto, qualquer garantia de preservação do seu valor histórico e cultural”, destacou a magistrada na sentença.

Em abril deste ano, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, ao analisar o recurso da sentença, confirmou a determinação para que a locomotiva retornasse ao Estado potiguar. O TRF5 negou provimento ao recurso do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e manteve a decisão da 4ª Vara Federal do Rio Grande do Norte que acolheu o pedido feito na ação ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) com a finalidade de fazer retornar ao Estado potiguar a locomotiva Catita nº 03.

“Verifica-se, através das fotografias anexadas aos autos, que a máquina está guardada em parte externa do prédio da Estação Central do Recife, submetendo-se às intempéries, as quais, com certeza, destruirá o equipamento, que ora se encontra em lastimável estado de manutenção”, afirmou o relator desembargador federal convocado Ivan Lira de Carvalho.

O valor da locomotiva Catita está na sua própria história. Em 1916 esse foi o transporte usado para puxar a composição que conduziu importantes figuras do cenário potiguar, Joaquim Ferreira Chaves, Januário Cicco, Henrique Castriciano e Juvenal Lamartine, para a inauguração da Ponte de Igapó, maior obra ferroviária da Região Nordeste à época. Na ocasião, percorreu-se todo o estuário do Potengi. A Cattita também foi usada para o transporte do ex-presidente da República Washington Luiz.

Restauração da antiga Refesa nas Rocas já foi iniciada
A história e memória da cidade também serão prestigiadas
com a criação do Museu do Trem de Natal
 Fotografia: Joanisa Prates  
 
NATAL GANHARÁ "UM MUSEU DO TREM" NAS ROCAS

Quando o pesquisador Ricardo Tersuliano (Cobra), pensou em criar um “CD ROM” que reunisse texto e imagens sobre os principais pontos históricos de Natal, há 14 anos, passou a resgatar, quase por acaso, um capítulo importante da história da rede ferroviária no Rio Grande do Norte. Naquela época, sua intenção era criar um Instituto do Patrimônio Histórico do RN. A ideia funcionou até o momento em que começou a estudar a Ponte de Ferro de Igapó. “Aí eu descobri a Catita”, explica.

Quando Ricardo conheceu a história da Maria Fumaça que, em 1916, inaugurou a Ponte de Ferro de Igapó, prontamente abandonou o projeto inicial do “CD ROM” e passou a dedicar seus esforços para trazer a “Catita” de volta à Natal. Em 1975, a locomotiva foi transferida para Recife, onde ficou ornamentando o hoje extinto Museu do Trem da capital pernambucana.

“Nessa viagem inaugural (da ponte de Igapó) estavam presentes o governador e convidados como Câmara Cascudo, aos 10 anos acompanhado de seu pai (Coronel Cascudo), (médico) Januário Cicco e José Augusto, que hoje nomeia a Fundação de Cultura do RN”, detalha o pesquisador.

A partir de 2004, Ricardo fundou o Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Cultural do RN, o IAPHACC, para facilitar na “papelada” que envolvia o retorno da Catita, porque até então todas as reivindicações estavam sendo feitas no seu nome. "Com o IAPHACC ganhamos força”, justifica.

Hoje, ele explica que a Catita está abandonada em um galpão anexo ao extinto Museu do Trem de Recife. Por enquanto. A locomotiva será a principal atração do Museu do Trem,  cuja inauguração está prevista para maio de 2015, na Rotunda, prédio histórico que pertenceu à antiga RFFSA (Rede Ferroviária Federal) nas Rocas.   

O nome do museu, Manoel Tomé de Souza, será uma justa homenagem ao mecânico que salvou a pequena locomotiva de virar sucata no final da década de 1950, quando a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) resolveu substituir todas as locomotivas a vapor por máquinas a diesel.

 Locomotiva Catita nº 3 e seu reboque, pertencem ao patrimônio
 ferroviário do Estado do Rio Grande do Norte
 Fotografia: Divulgação

  O COBRA E A CATITA

O criador do IAPHACC é um homem obstinado. Sua obstinação, no entanto, atende pelo nome de Catita, a histórica locomotiva que inaugurou os trilhos da ponte de ferro de Igapó, em 1916, e os da ponte de concreto Presidente Costa e Silva, em 1970. Ele conta que, assim como a Catita, existiam outras 25 locomotivas a vapor circulando pelo Estado até o momento em que a Rede Ferroviária Federal S.A. foi criada em 1957, incorporando todas as estradas de ferro existentes na época. “Com a empresa estatal chegando junto, a modernização também chegou e as máquinas a vapor começaram a ser retiradas”, conta.

Ainda de acordo com suas pesquisas, as 26 máquinas a vapor foram estacionadas no pátio da RFFSA, localizado nas Rocas, esperando serem vendidas. Na ordem, a Catita era a última da fila e foi salva inicialmente pelo acaso. “Felizmente cresceu um mato que acabou camuflando a Catita, enquanto as outras eram negociadas primeiro para diferentes compradores”, diz.

Mas o verdadeiro “pai” da Catita, Ricardo conta que foi seu Manoel Tomé de Souza, conhecido por seu Manozinho, que era chefe das oficinas da RFFSA e negociou com os compradores a permanência da locomotiva. “Ele trocou com os compradores a Catita por alguns ferros que não estavam sendo usados na oficina”, explica.

Ao invés de ser vendida, a Catita ficou guardada na oficina da RFFSA, sendo usada por seu Manozinho para manobrar vagões. “Em 1970, quando a primeira ponte de concreto foi inaugurada, ele decidiu colocar também a Catita para fazer parte do momento. A Maria Fumaça, que tinha inaugurado a primeira ponte de ferro, agora inaugurava a primeira de concreto”, conta.

Cinco anos depois, em 1975, com a inauguração da nova sede da RFFSA, em Recife, os executivos da Rede Ferroviária que já tinham visto a Catita quando estiveram em Natal para a inauguração da ponte de concreto, mandaram buscar a locomotiva para ornamentar o novo escritório. “Anos depois o escritório foi vendido e, desde então, a Catita não recebeu mais atenção”, garante Ricardo.

Quase 11 anos após a criação do IAPHACC, que atualmente conta com cerca de 20 sócios, Ricardo Cobra finalmente está prestes a realizar o maior sonho da instituição: instalar o Museu do Trem de Natal, com a presença, claro, da Catita.

...fonte...
www.jornaldehoje.com.br
www.novojornal.jor.br 
www.amantesdaferrovia.com.br 

  Se copiar textos e ou fotografias, atribua os créditos!
Os direitos autorais são protegidos pela Lei nº 9.610/98, violá-los é crime!

setembro 15, 2014

GUARACI GABRIEL NA BIENAL DE SÃO PAULO

 
GUARACI GABRIEL
O artista  participa da Bienal com a obra  “O artista que não existe”,
Que pode ser vista em tablets com leitor de Código QR
Fotografia: Divulgação

 TEM FORMIGA NA BIENAL

Por
Yuno Silva
TRIBUNA DO NORTE
 
Montado na garupa de uma formiga imaginária, o sempre inquieto Guaraci Gabriel pegou a estrada rumo ao Sudeste para se integrar à 31ª edição da Bienal de São Paulo, evento de alcance internacional que figura na lista dos três mais importantes do mundo no circuito das artes visuais. Inicialmente Guaraci iria fazer apenas uma participação extraoficial, mas a performance “O Artista que não Existe” acabou integrada a programação e fez do artista o segundo potiguar a participar oficialmente da Bienal paulista – o pioneiro foi Abraham Palatnik, 86, menção honrosa na primeira edição da mostra paulista em 1951 com sua arte cinética.

A proposta de Gabriel é expandir a realidade a partir da leitura de um código QR, impresso nas costas do paletó do artista, que remete quem aponta um smartphone ou tablet (conectado à internet) para outra dimensão, revelando uma paisagem virtual onde se vê a galeria onde acontece a Bienal ocupada pela escultura do formigão de 5 toneladas e 12 metros montada às margens da BR 104 em Queimadas (PB) – para conferir a obra enquanto você lê esse texto, basta apontar o leitor de QR Code de seu equipamento para o desenho nas costas do artista.

Vale destacar que o foco da Bienal deste ano está centrado no “potencial da arte e sua capacidade de agir e intervir”, tirando do centro das atenções as obras de arte em si para valorizar a criação compartilhada e a relação pessoa-arte desdobrada durante e depois do encerramento da exposição. “Minha performance está sintonizada com o tema da Bienal, que é ‘Como (ouvir/ver/escrever sobre) coisas que não existem’”, explicou Guaraci, que após circular com seu trabalho nos dois primeiros dias da Bienal (6 e 7 de setembro), no Parque do Ibirapuera, levou sua formiga imaginária ao Memorial da América Latina.

O artista já colhe os frutos de sua ousadia, e revela em primeira mão ao VIVER que, “se tudo correr nos conformes”, no final de outubro voltará ao Memorial da América Latina acompanhado da instalação física da formiga gigante.

CINEMA PROCESSO

Todas as peripécias de Guaraci Gabriel estão sendo devidamente registradas pelo diretor de fotografia Carlos Tourinho no docudrama “Bicho do Mundo – Uma Biografia não Autorizada”. Iniciadas há cerca de um ano, as gravações estão na reta final. “Temos 80% do filme pronto, faltando apenas oito cenas: quatro em São Paulo e outras quatro no Rio de Janeiro”, disse Tourinho, que faz de sua câmera um personagem da narrativa que flerta com a metalinguagem e com o chamado cinema processo.

“O roteiro segue uma linha mestra, mas as ações se constroem na medida que gravamos. Como o  conceito do longa (90 minutos) permite improvisos, trabalhamos bastante com planos-sequência (cenas sem cortes)”, adianta Tourinho. A equipe potiguar viajou para SP e RJ com apoio da J. Patrício Metais, Compal, Recicla e Formigão Metais (PB). “Agora estamos na batalha de recursos para garantir a pós-produção do filme”, informou o cineasta.

A sinopse do filme é complexa: um casal, ele artista plástico (Guaraci) e ela atriz (Silbene Sil), entra em conflito quando o primeiro quer abrir uma exposição sem dar espaço para a companheira estrear um novo espetáculo. Ela entra em colapso com a situação e acaba viciada em remédio. Mas não é só isso! Como o próprio título sugere, a trama, narrada através de depoimentos reais e fictícios, constrói um mosaico de ‘biografias não autorizadas’ dos entrevistados – incluindo o diretor de fotografia e o produtor Márcio Otávio. “É o filme do filme, do filme”, arremata Guaraci.

...fonte...
www.tribunadonorte.com.br 

Se copiar textos e ou fotografias, atribua os créditos!
Os direitos autorais são protegidos pela Lei nº 9.610/98, violá-los é crime!