junho 24, 2015

A PRIMEIRA VEZ DE ROSSINI PEREZ

 ROSSINI PEREZ
 Fotografia: Magnus Nascimento 

Um dos principais nomes da gravura mundial, quiçá o artista mais importante dessa vertente das artes visuais em atividade. O artista aprendeu sua arte a partir da década de 50, em cursos livres de pintura, desenho e gravura, aprendendo com nomes consagrados como Iberê Camargo.  Em 2012, Rossini Perez visitou sua terra e produziu uma série fotográfica, documentando lugares que reconheceu de sua infância, em Natal e Macaíba, no Rio Grande do Norte. Morou na Europa e participou de mais de onze bienais internacionais. 

  A PRIMEIRA VEZ DE ROSSINI PEREZ

Por
Yuno Silva
 TRIBUNA DO NORTE

Um dos principais nomes da gravura mundial, quiçá o artista mais importante dessa vertente das artes visuais em atividade, o potiguar Rossini Perez rodou por galerias e museus dos cinco continentes, participou de mais de uma dezena de bienais internacionais e parte de seus trabalhos fazem parte do acervo da Pinacoteca de São Paulo e do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Apesar de todo esse alcance, o macaibense de 83 anos, que hoje dedica-se à fotografia, só não expôs ainda – vejam só! – no Rio Grande do Norte. 

Há mais de 30 anos, contabilizou o jornalista e escritor Franklin Jorge, amigo pessoal do gravador, que Rossini tenta articular uma mostra em solo papa-jerimum. Ao que parece, dessa vez, as coisas estão bem encaminhadas: Jorge, que coordena a Sala Natal, setor ligado as artes visuais sediada no Parque da Cidade, esteve no Rio de Janeiro, acompanhando o prefeito Carlos Eduardo e o secretário municipal de Cultura Dácio Galvão para uma série de contatos, e Rossini estava na pauta da comitiva. “Saímos de lá com uma exposição pré-agendada para acontecer no fim deste ano, durante a programação do Natal em Natal, agora temos que organizar um local adequado para receber as gravuras e fotografias de Rossini”, adiantou. 

Rossini esteve no RN em 2012, após 31 anos longe. Em 'missão de reconhecimento', registrou paisagens que conheceu e não mais reconhece. Na época cogitou doar obras, mas recuou diante da falta de condições da Pinacoteca do Estado em cuidar do acervo. Também ficou aborrecido com o abandono em que encontrou o patrimônio histórico da capital e de sua velha Macaíba. “Nem Hiroshima ficou tão destruída quanto Macaíba. Natal também está desfigurada”, declarou ao VIVER há quase três anos.

 Como fotógrafo, Perez documentou as transformações da cidade
do Rio de Janeiro resultantes de intervenções urbanas 

EXPOSIÇÃO

A proposta de Franklin Jorge é promover uma exposição com fotos e gravuras. “Quando vi as imagens que ele fez aqui em Natal em 2012 fiquei encantado, não reconheci nada do que ele fotografou. Nem sabia que cidade era aquela. São detalhes da arquitetura, ladrilhos, portões... e a partir desse material criamos um projeto chamado 'Cidade Invisível'. Atrelada a mostra fotográfica, seria formatada uma retrospectiva do trabalho dele como gravador com parte do acervo da Pinacoteca de SP”, planeja o coordenador da Sala Natal e um dos idealizadores da Pinacoteca no início dos anos 1980. “Quando a Pinacoteca surgiu, havia uma escola de gravura que levava o nome de Rossini, uma forma de homenagear o artista”, lembra. 

Franklin garante que Rossini ainda pretende fazer uma doação de acervo ao RN, mas lamenta que não há estrutura adequada para armazenar e garantir a preservação das obras. 

Filho de um empreiteiro espanhol com uma norte-riograndense, Rossini Quintas Perez mudou para o Rio de Janeiro na década de 1940. Segundo o verbete da Enciclopédia do Itau Cultural (enciclopedia.itaucultural.org.br), Perez despertou interesse pelas gravuras em 1953, quando conheceu o trabalho do pintor e gravador norueguês Edvard Munch (1863-1944), autor do famoso quadro “O Grito” na 2ª Bienal Internacional de São Paulo. 

Para se ter uma noção da importância artística desse ilustre potiguar, desconhecido em sua própria terra, vale listar os países onde já expôs: Brasil, Portugal, Holanda, Alemanha, França, Senegal, Bolívia, Uruguai, Índia, Inglaterra, Dinamarca, Argentina, Peru, Chile, Japão, México, Áustria, Itália, Israel, Estados Unidos, Espanha, Bélgica, Porto Rico, antiga Iugoslávia (hoje Eslovênia), Cuba e Dinamarca.

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junho 22, 2015

MARIANLVA DANTAS: A DAMA DA LIBERDADE

MARINALVA DANTAS
A DAMA DA LIBERDADE
A mulher que libertou mais de 2 mil escravos em pleno século XXI
Veio de uma família pobre, estudou e hoje luta pelo fim da escravidão
Auditora do trabalho, por dez anos autuou fazendas
com trabalho ilegal. Sua história virou livro
Ilustração: Divulgação

 Por
Thaís Herrero
ÉPOCA
 
Graças aos esforços de uma única brasileira, 2.354 pessoas foram libertas da escravidão desde 1995, um século depois da assinatura da Lei Áurea. Essa brasileira é Marinalva Dantas, auditora do trabalho e uma das maiores referências do país no combate à escravidão moderna e ao trabalho infantil. As histórias dessa mulher e dessas causas se misturam e estão contadas no livro A Dama da Liberdade, lançado na data do aniversário de 61 anos de Marinalva, 26 de maio. Resultado de cinco anos de pesquisa, o livro foi escrito pelo jornalista Klester Cavalcanti e publicado pela editora  Benvirá, 376 páginas.

A história de Marinalva teve uma influência crucial em sua carreira. Nascida em uma família muito pobre, em Campina Grande (PB), passou os três primeiros anos de vida em uma casa sem luz, água encanada ou esgoto. Por dentro, não havia banheiro ou paredes entre os quartos. Devido a uma crise grave de lombriga, foi levada à casa dos tios que tinham uma condição financeira melhor e acabou sendo criada por eles, em Natal (RN). Isso permitiu que Marinalva tivesse uma infância decente, bem diferente do que teria vivido se continuasse com seus pais.

Aos dez anos, foi visitar a família e reencontrar a mãe que já não reconhecia. Essa visita mexeu muito com ela, como contou em entrevista ao Blog ÉPOCA AMAZÔNIA. “Me dei conta de que era privilegiada e gostaria que todas as crianças – principalmente meus irmãos – tivessem um pouco do que eu tinha: a possibilidade de brincar e de estudar”. A experiência foi uma das bases para que ela crescesse como uma defensora dos mais fracos – como se define.

Marinalva entrou na faculdade de direito e passou em um concurso público para auditora fiscal do trabalho, em 1984. Pouco mais de dez anos depois, ingressaria nos primeiros grupos que saíram à caça de fazendas que mantinham trabalhadores em condições degradantes e sem direitos trabalhistas. Segundo levantamento apresentado no livro, os casos mais comuns de trabalho escravo estão em fazendas de pecuária (29% dos casos registrados pelo governo federal), cana-de-açúcar (25%). Dezenove por cento estão em fazendas com outras lavouras, como algodão. Os estados com mais casos são da Amazônia Legal: Pará (12.761 de escravos libertos desde 1995) e Mato Grosso (5.953). O perfil desses escravos explica sua vulnerabilidade: 62% são analfabetos e 27% estudaram no máximo até a 4ª série.
 
Como auditora do trabalho, enfrentou situações adversas e encontrou um cenário triste de constatar que ainda exista no Brasil. Viu fazendas em que os agricultores dormiam todos em um galpão, sem banheiro ou qualquer condição sanitária adequada. A comida era sempre escassa e quando ganhavam carne, eram sempre os piores pedaços, cheios de gordura e mal conservados. Em Marabá (PA), encontrou pedaços de carne que seriam consumidos no dia seguinte e estavam ao relento, infestados de moscas e em toras de madeira. A coloração quase preta do alimento a impressionou naquele dia.

Marinalva viu muitas crianças passando fome. E costumava dar a elas os alimentos que tinham no carro dos auditores do trabalho e da polícia federal. Encontrou um homem escravizado há dezenove anos e um menino que não sabia sua idade, pois nunca havia comemorado um aniversário. Questionado se tinha tempo para o lazer, esse menino respondeu que às vezes brincava de desmontar e montar a motosserra “cheia de pecinhas dentro”. Como conta uma passagem do livro, a auditora não sabia o que era mais triste: a criança não brincar por falta de tempo e de energia após um dia intenso de trabalho ou ter como brinquedo o mesmo equipamento que lhe roubava a infância.

Nem sempre era fácil se conter, em muitos capítulos do livro A Dama da Liberdade, Marinalva é retratada como uma mulher forte, porém emotiva, que se comeve e se revolta com o que encontra pela frente. Um dos poucos momentos em que chorou diante de um ex- escravo foi quando ele lhe contou que havia sido espancado por ter pedido um pouco de água limpa. A que tinha para beber vinha de um córrego e era amarela e barrenta. O chefe mandou que um peão, escravo como ele, fosse o autor das pancadas.

A luta de Marinalva a tornou uma personalidade conhecida. Ao longo dos anos apareceu em reportagens e deu inúmeras entrevistas. Descobriu casos de escravidão em fazendas de homens poderosos, como o deputado estadual do Rio de Janeiro Jorge Picciani. E, em 2002, a Polícia Federal encontrou em Marabá uma lista com nome de pessoas que deveriam ser executadas a mando de fazendeiros da região. Marinalva Dantas era um deles. Meses antes, ela comandara uma operação em uma fazenda de pecuária na região.
 
Em 2004, Marinalva foi para Brasília ser diretora da Divisão de Articulação de Combate ao Trabalho Infantil. O cargo mais burocrático do que prático não a agradou e ela voltou a Natal, onde até hoje é auditora. Olhando para trás, vê que a dedicação total à carreira teve impactos grandes também em sua vida pessoal, como o fim do casamento, desentendimentos com os filhos por passar tempo de mais viajando e até uma síndrome do pânico. Apesar de tudo isso, o trabalho a realizou sempre. Hoje, espera que todo o esforço tenha levado mais conscientização aos brasileiros para que não aceitem as barbaridades cometidas com trabalhadores sem direitos. E se diz uma otimista em relação ao fim da escravidão de uma vez por todas no país. “Eu não combatia o trabalho escravo e infantil até saber que isso existia. Depois que você descobre, quer que acabe. Não dá para aceitar que isso ainda aconteça na geração de nossos filhos e netos”.
 
...fonte...
 www.epoca.globo.com
 
Confira abaixo a entrevista que Marinalva Dantas
concedeu ao  Blog ÉPOCA AMAZÔNIA
  www.epoca.globo.com  
 
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junho 17, 2015

PROJETO CASA DAS PALAVRAS

PROJETO CASA DAS PALAVRAS
 Atividades culturais fazem parte da programação da “Casa”,
fortalecendo a cultura local e promovendo ações de intercâmbio
 e troca de experiências entre artistas e público.
Fotografia: Divulgação

"CASA DAS PALAVRAS"
MULTIPLICANDO CONHECIMENTO E AÇÕES DE INTERCÂMBIO

 Via 
TRIBUNA DONORTE

A mini-biblioteca artesanal da Casa das Palavras continua a ampliar horizontes no RN. O projeto, de implantação das minibibliotecas para compartilhamento de livros, vem percorrendo o interior do Estado, levando uma diversificada programação com  oficinas e apresentações culturais  voltadas às manifestações locais, como cordel, xilogravura, contação de história e mamulengos.


Esta semana, São Paulo do Potengi foi o município escolhido para movimentar a Casa. As atividades acontecem na  Praça da Matriz, entre oficinas e apresentações culturais, e segue até esta quarta-feira, 17, com o encerramento do projeto na cidade. A Praça da Matriz receberá, a partir das 19h, o espetáculo de mamulengos dirigido pelos artistas Emanuel e Gabriel, apresentação do Boi de Reis e do coral formado durante a oficina ministrada pelo maestro Denis Quirino.


Inicialmente a idéia dos jornalistas Rilder Medeiros e Osni Damásio, organizadores do projeto, era instalar mini-bibliotecas em formato de casinhas pelos municípios do RN, e em locais estratégicos como parques, escolas e praças, para que os freqüentadores pudessem compartilhar de maneira gratuita, livros, gibis, cordéis, revistas, etc.


A primeira mini-biblioteca do projeto foi instalada no ano passado em Mossoró, na casa do Poeta Antônio Francisco, durante a Feira do Livro de Mossoró. Em seguida no Parque das Dunas, em Natal. “A partir daí pensamos em não só levarmos a casinha, mas também promover uma série de ações como oficinas e apresentações, que pudessem resgatar e homenagear a cultura” lembra Osni Damásio.


Até agora, a Casa das Palavras já passou pelas cidades de Natal, Pau dos Ferros, Assu, Currais Novos, Ceará-Mirim, Macaíba e Angicos, e ao todo foram instaladas sete mini-bibliotecas, e cerca de 600 pessoas participaram das oficinas de cordel, mamulengo, xilogravura, contação de história e coral. As próximas cidades que serão contempladas são Caicó, Parnamirim e Mossoró.  O projetos é patrocinado pela Cosern, Oi e Governo do RN, através da Lei Câmara Cascudo.

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www.tribunadonorte.com.br 

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maio 27, 2015

TEM POTIGUAR NA BROADWAY

 
PLÍNIO SÁ
Fotografia: Thatiane Mendes 
 
Musical “Avenida Q” marca a primeira montagem brasileira da Broadway fora do eixo Rio-São Paulo. Com estreia em Fortaleza, o espetáculo contará, no elenco, com um potiguar, o ator Plínio Sá. Para integrar o elenco do musical, o ator mossoroense passou por uma criteriosa seleção que contou com mais de mil inscritos de todo o Brasil.

TEM POTIGUAR NA BROADWAY

 Via
TRIBUNA DO NORTE 
 
Um jovem recém formado e com pouco dinheiro vai morar numa região barata, onde conhece diversos vizinhos bizarros. Esse é o mote para se fazer um retrato ácido da sociedade atual, com referências bem humoradas e um enredo politicamente incorreto sobre religião, raça, sexualidade e pornografia. Essa é a sinopse de “Avenida Q”, um dos musicais mais premiados da Broadway, em cartaz desde 2003, e que neste ano ganha sua primeira montagem fora do do eixo Rio-São Paulo, em Fortaleza. 
 
O elenco, composto de atores de vários estados do país, será representado também por um potiguar que começa a ter seu talento reconhecido fora do Rio Grande do Norte. Seu nome é Plínio Sá, ator mossoroense de 30 anos, que coleciona papéis em espetáculos como “Auto da Liberdade” (o maior espetáculo brasileiro em palco ao ar livre), “Chuva de Bala” (musical que conta a história da resistência de Mossoró ao bando de lampião), “Oratório de Santa Luzia” (história da padroeira de Mossoró), dentre outros. 
 
PLÍNIO SÁ
A Fera, no espetáculo (A Bela e a Fera).
Fotografia:  Thatiane Mendes
 
Para integrar o elenco de “Avenida Q”, Plínio passou por uma criteriosa seleção que contou com mais de mil inscritos de todo o Brasil. Ele gravou um vídeo cantando uma canção do musical “Corcunda de Notre-Dame” e enviou para a organização. Desse vídeo ele ficou entre os 100 selecionados para fazer os dois dias de audições em Fortaleza, quando, após essa etapa, conseguiu ser aprovado na equipe.  

O espetáculo está previsto para estrear no dia 2 de julho, em Fortaleza. Por enquanto a produção segue em ritmo forte, com ensaios diários. “Começamos a preparação em abril. A rotina tem sido bastante intensa. Os trabalhos iniciam com o ensaio das músicas e em seguida a montagem das cenas. Por três dias da semana temos acompanhamento de fisioterapia (pilates, Gyrotonic, acupuntura). Tudo tem exigido muita energia, concentração, estudo e dedicação”, conta.

Plínio Sá na seletiva que contou com mais de mil inscritos
 Fotografia: Divulgação 
 
O personagem de Plínio é “Brian”, um judeu que tem o sonho de ser comediante. No musica há personagens humanos e bonecos, e, para o ator, este tem sido o maior desafio. “O retorno expressivo, a reação e a intenção da palavra trocada entre bonecos e humanos é algo novo pra mim”. 
 
Mas o ator vê o esforço com bons olhos. A “oportunidade impar” de estar no espetáculo veio para reforçar o que ele já buscava de realização, “é uma resposta positiva para minha vida profissional”.

PLÍNIO SÁ
Em 2014, no espetáculo “Chuva de Bala no País de Mossoró”, direção 
do potiguar João Marcelino,  Plínio Sá  interpreta o cangaceiro
Massilon Leite. A voz grave e interpretação marcante, 
mexe com o público que elogia a desenvoltura.
Fotografia: Divulgação

O Avenida Q que o ator está participando possui a mesma estrutura técnica de como é produzido em Nova York. Mas há novidades na montagem, tanto no  storytelling, como no cenário, que nessa versão será maior, além do gingado brasileiro que vai temperar o espetáculo. 
 
O musical tem produção do cearense Allan Deberton e direção geral de Andre Gress e direção musical de Miguel Briamonte (O Fantasma da Ópera” e “Les Miserables”). O espetáculo fica em cartaz durante o mês de julho, no teatro Viasul, em Fortaleza. Segundo Plínio, a montagem foi planejada de maneira que o espetáculo possa ser apresentado em outros palcos, “e o Rio Grande do Norte está no roteiro”. Mas para entrar em turnê, a produção ainda busca captar recursos e patrocinadores.

...fonte...
 www.tribunadonorte.com.br

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