fevereiro 13, 2015

UM ÔNIBUS ENCANTADO

 
 "UM ÔNIBUS ENCANTADO"
O diretor Carito Cavalcanti construiu “O ônibus encantado” como uma
colagem, recortando pedaços e montando o quebra cabeça.
Um documentário que conta a trajetória do ônibus que
 percorreu as quatro regiões administrativas da
 capital potiguar no período natalino.
Fotografia: Fábio Cortez / NJ

 ÔNIBUS ENCANTADO DEVERÁ CONCORRER A PRÊMIOS

Por
Rafael Barbosa
DO NOVO JORNAL

“Um ônibus encantado. Um ônibus tatuado de magos”. O documentário que conta a trajetória do ônibus que percorreu as quatro regiões administrativas da capital potiguar no período natalino foi lançado nesta semana e deve concorrer nos festivais de cinema no decorrer de 2015. O trecho que abre esta reportagem foi extraído do texto escrito pela cantora Valéria Oliveira para o documentário, que tem direção e roteiro de Carito Cavalcanti.


“O Ônibus Encantado” saiu primeiro na internet, no site Vimeo, segunda-feira. O documentário de 10 minutos conta como foi o projeto Canto de Natal, realizado em dezembro do ano passado. A iniciativa consistiu em levar arte aos quatro cantos da cidade, através de apresentações de corais de música em locais periféricos durante cinco noites. O Canto de Natal percorreu todas as regiões administrativas, levando os concertos a bairros como Planalto, Vila de Ponta Negra, Nossa Senhora da Apresentação e Bom Pastor.


Os corais chegavam de surpresa nas comunidades, em um ônibus ornado de enfeites que aludiam à época natalina, o ônibus encantado. Numa dinâmica orquestrada pela equipe de produção, os três corais selecionados para participarem da ação fizeram a alegria das pessoas que estivessem nas ruas. As apresentações aconteceram em espaços comuns, de forma gratuita. Só quem sabia do que ia acontecer eram os líderes comunitários.


Dentro deste universo mágico de Papai Noel, Carito Cavalcanti foi incumbido de registrar a obra. “Fui chamado para fazer um documentário sobre o projeto e resolvemos que não seria um simples registro, como uma reportagem televisiva. A idéia é passar o que aconteceu nas cinco noites em que o ônibus percorreu a cidade através da linguagem cinematográfica”, explica Carito.


O cineasta acompanhou todo o desenrolar do projeto, nos cinco dias de apresentação, produzindo imagens para o documentário. Em meio à produção, Carito Cavalcanti teve a idéia de usar Valéria Oliveira como personagem para conduzir a narrativa do filme. “É uma pessoa que eu já tinha uma amizade, mas que pude me aproximar mais nesse projeto”, conta.

No processo de filmagem, ele se deu conta de que, além de exercer a função de coordenadora musical, Valéria acabava sendo uma expectadora do Canto de Natal, no momento em que não sabia o que ia acontecer no decorrer das apresentações. “A recepção do público, a reação deles. Isso era uma coisa imaginável, mas não dava para saber ao certo”, completa.


Valéria Oliveira aparece no filme como uma personagem expectadora. A cantora produziu um texto, que é recitado por ela durante todo o documentário, mostrando as suas impressões sobre o que acontecia nas cinco noites de magia musical, que encantou crianças e adultos.


 BATE-PAPO COM CARITO CAVALCANTI

Como aconteceu a escolha dos corais que participariam do evento?

Valéria Oliveira quem fez esse trabalho de curadoria. Ela fez contato com todos os corais, o Coral Atitude Cooperação, que inclusive trabalha com crianças carentes, o Coral Solar Bela Vista, o Coral Unimed em Si. Valéria foi a coordenadora musical do Canto de Natal.


Como surgiu o convite para produzir o documentário?

Eu fui procurado por Antônio Claudio Mac Dowell, Mônica Mac Dowell e Valéria Oliveira, que são da organização. Eles já tinham uma idéia de não fazer um simples registro sobre o Canto de Natal. E a minha idéia logo de cara era também não fazer algo como uma produção institucional. Então deu certo. O projeto chegou a mim por causa de outros documentários que tenho produzido em que procuro trazer a linguagem cinematográfica dentro de um conceito poético. Eles já me procuraram em busca desse olhar poético nesse registro audiovisual.


Como foi a experiência de produzir o documentário?

Foi muito emocionante. As comunidades que o projeto percorreu têm realidade muito dura. E aí você vê esse ônibus chegar e percebe a mudança nas faces das pessoas, as vê ficando menos duras, mais animadas. De repente elas vão se abrindo e vão comungando. E eu procurei traduzir no documentário essa emoção que eu também senti.

...fonte...
www.novojornal.jor.br

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fevereiro 02, 2015

NOVAS CORES & NOVOS NOMES

 
MARGOT FERREIRA
NOVAS CORES, NOVOS NOMES
 A inter TV Cabugi, afiliada da Rede Globo no RN, se despede
 de uma das  suas melhores apresentadores de telejornal. 
Margot Ferreira deixa a emissora e é contratada pela Tv Ponta Negra. 
Na nova casa ela vai comandar o Jornal do Dia.
Fotografia: Argemiro Lima/NJ 

NOVAS CORES, NOVOS NOMES

Por
Henrique Arruda
NOVO JORNAL

“Nossa... minha casa está uma zona! cheia de obras! Estou construindo um terceiro andar para os meus pais morarem comigo”, explica Margot Ferreira, 45, ainda se acostumando aos corredores da sua nova casa, não essa mencionada no começo do texto, e sim a TV Ponta Negra (SBT), emissora na qual ela estrEia hoje, 2 de fevereiro, após 22 anos como um dos principais rostos da Inter TV Cabugi, afiliada local da Rede Globo.

O público inevitavelmente acostumado a vê-la todas as noites como âncora do “RN TV 2ª edição”, agora vai receber a jornalista um pouco mais cedo em casa, logo após o almoço, a partir das 13h20 no comando do “Jornal do Dia – 1ª edição”. No mais, tudo permanece como antes, incluindo a vontade de “vestir a camisa”.

“Por onde passei eu vesti a camisa, e não vai ser diferente aqui. Quero retribuir todo esse carinho que a TV Ponta Negra está tendo comigo”, garante Margot se acomodando em uma das cadeiras da redação onde agora além de planejar o “Jornal do Dia – 1ª edição”, também vai trabalhar com afinco nos próximos meses para desengavetar o seu grande sonho, um programa cultural de entrevistas aos sábados.

“Eu saí da Inter TV Cabugi pela porta da frente, assim como entrei. A TV Ponta Negra acaba de surgir na minha vida, e me dando a oportunidade de recuperar duas coisas que até então eu não estava tendo: a minha qualidade de vida e a possibilidade de fazer cultura que é a minha praia”, explica citando o projeto “Cores e Nomes”.

Título do álbum de Caetano Veloso em 1982, e desde 2009 o nome do quadro semanal de entrevistas culturais de Margot Ferreira, o projeto “Cores e Nomes” até chegou a ser cogitado para se transformar em um programa fixo da Inter TV Cabugi, mas a tentativa nunca saiu do papel.

“O projeto foi engavetado, e era o que eu fazia com mais amor, então a possibilidade de levar para frente esse meu projeto específico foi muito importante para mim nessa hora de recomeçar”, complementa a nova jornalista da TV Ponta Negra explicando que o formato da atração ainda está sendo discutido, assim como o próprio nome do programa.

“Muito provavelmente será um programa semanal de 15 minutos e deve ser exibido aos sábados”, sugere sobre a atração que ainda na antiga emissora colecionou nomes como Milton Nascimento, Caetano Veloso, Roberta Sá, Vanessa da Mata e Dominguinhos entre os entrevistados.

“Eu estreei o quadro em 2009 com a Roberta Sá. Naquela época o Cores e Nomes tinha um formato de 8 minutos. Recentemente esse tempo era de 4 minutos, em média, mas ao longo dos anos eu tive a sorte de os próprios artistas tomarem conhecimento desse projeto. O Ivan Lins, por exemplo, chegou a compartilhar a entrevista que fiz com ele na sua página pessoal, e assim tudo foi ajudando para que se tornasse muito forte”, explica.

“Nesse momento da minha vida eu precisava desse resgate tanto do programa, quanto da minha própria qualidade de vida, de mais tempo para os meus pais que são idosos e vão morar comigo, de mais tempo para mim mesma”, reforça a jornalista se dizendo motivada para encarar o recomeço, sensação similar a da menina carioca que aos “vinte e poucos anos” se mudou para Natal com a família a fim de juntar uma grana e logo depois retornar à baixada fluminense. A volta nunca aconteceu.

 
 MARGOT FERREIRA
NOVAS CORES, NOVOS NOMES
 A inter TV Cabugi, afiliada da Rede Globo no RN, se despede
 de uma das  suas melhores apresentadores de telejornal
Jornalista também terá programa semanal 
sobre arte e cultura na nova casa.
Fotografia: Divulgação
 
AS CORES E OS NOMES

Nascida em Nova Iguaçu, na baixada fluminense, Margot Ferreira, cuja mãe é potiguar, precisou se mudar para Natal em 1989, por conta da busca pela tranquilidade de vida, mas muito embora tivesse aceitado acompanhar os pais na mudança, ela pensava mesmo em “juntar uma grana e voltar para os amigos” artistas que cresceram junto com ela.

“Eu fiz teatro no Rio dos 15 aos 20 anos e passei por vários grupos, mas todos amadores”, relembra a jornalista já bem distante da menina menos “careta” que a mulher de hoje em dia. “Ah, a gente muda né?! Não tem como! A Margot de hoje é completamente diferente daquela Margot menina que nem sabia direito qual carreira ia seguir”, avalia.

Com os olhos mais nostálgicos, ela fala brevemente sobre “Também Por Isso”, um dos espetáculos encenados na época, enquanto participava da “Cia Criaturas da Noite”. Na peça, cheia de hippies, ela interpretava ao mesmo tempo uma criança que anunciava o fim do mundo logo no início da história, e mais adiante uma senhora muito velha.

“Eu sempre tive essa facilidade na questão da voz, mas era uma loucura essa peça”, define, dando uma risada. “Era um espetáculo tipo ‘Hair’, sabe? Mas era uma loucura, uma loucura”, lembra, citando o musical norte americano de Milos Forman lançado em 1979, e que se tornou um dos maiores sucesso do gênero.

Assim que chegou a Natal, cidade visitada anteriormente apenas duas vezes para acompanhar a mãe nos períodos de férias, a jovem Margot sentiu dificuldades de se enturmar, nada que uma nova trupe de teatro não resolvesse. Foi então quando ela começou a frequentar uma oficina cênica, onde inesperadamente conheceu boa parte dos repórteres de TV da época.

“Foi bem engraçado porque muitos alunos da oficina faziam TV, como Neuza Farache, Ana Tereza e tantas outras que estavam ali para melhorar a performance no vídeo. E assim eu fui convidada para a TV e nunca mais saí”, conta a jornalista que na época cursava turismo.

“Tinha essa ideia de fazer um jornalismo de viagem, então comecei turismo”, explica, contando ainda que iniciou a carreira na rádio 96 FM, fazendo narração de alguns programas, entre eles o de horóscopo. “Para você que é de Áries”, puxa a apresentadora encarnando o tom da época.

“Era muito engraçado. Queriam que eu fizesse na época ao vivo apenas a leitura dessas revistas semanais, mas eu me recusava. Comecei então a pesquisar mesmo a astrologia, e por um bom tempo até ganhei uma grana fazendo mapa astral para os amigos”, conta, dando mais uma risada, e explicando que hoje está relativamente distante deste universo.

“Não sou ligada nisso não, mas às vezes, quando conheço alguém, eu pergunto de que signo aquela pessoa é, e fico me lembrando, criando algumas conexões”, afirma a jornalista que ainda teve passagem pela TV Tropical (Rede Record) entre os anos de 1990 e 1992, até começar a sua jornada pela Inter TV Cabugi pelos próximos 22 anos.

Na época, o teatro foi ficando em segundo plano e nem mesmo uma Cia ela conseguiu montar. “Por isso eu digo que não escolhi o jornalismo. Foi o jornalismo que me escolheu. Eu realmente fui entrando nesse mundo, e quando vi já estava nele completamente”, diz a jornalista que anos depois não demorou a perceber que precisava largar turismo para cursar jornalismo. A formatura veio somente em 2001.

A vontade de voltar para o Rio de Janeiro não passou completamente até hoje, muito embora ela também se defina potiguar. “Pelo menos duas vezes por ano preciso voltar ao Rio de Janeiro porque nunca perdi contato com os meus amigos de lá. Todo ano eles estão aqui para o meu aniversário”, conta a jornalista nascida no último dia de Peixes.


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janeiro 28, 2015

PELAS LENTES DE FERNANDO CHIRIBOGA

 
FERNANDO CHIRIBOGA
FERNANDO DE NORONHA E GALÁPAGOS
Em dez anos, o fotógrafo equatoriano radicado em Natal, 
Fernando Chiriboga, produziu 12 livros onde alia suas três paixões:
fotografia, ecologia e viagens
Fotografia: Fernando Chiriboga
 
 NOVOS PARAÍSOS A FOTOGRAFAR
 
 Por
Yuno Silva
TRIBUNA DO NORTE
 
Viajar por ilhas paradisíacas em busca dos melhores ângulos para fotografar é o sonho de muito aventureiro por aí. E a possibilidade de conjugar lazer, prazer e trabalho então nem se fala! Essa é a combinação (perfeita) que o fotógrafo equatoriano Fernando Chiriboga vem colocando em prática há pelo menos uma década, e o resultado de seu mais novo projeto – o livro “Ilhas Encantadas – Fernando de Noronha e Galápagos” - será apresentado nesta quarta-feira (28), às 18h, em frente à livraria Saraiva do Midway Mall. O livro-álbum traça paralelos imagéticos e afetivos entre entre os dois santuários co-irmãos, um no Atlântico outro no Pacífico,  declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

“Era um plano antigo realizar um trabalho que pudesse unir os dois países”, disse Chiriboga, que mora em Natal há 30 anos. Ele veio estudar Arquitetura na UFRN, descobriu a fotografia e fincou suas raízes em terras potiguares. Fernando fotografa há 17 anos, e “Ilhas Encantadas” é sua 12ª publicação. No final do mês de fevereiro o livro também será autografado em Quito (capital do Equador), cidade natal do fotógrafo, e um terceiro lançamento também está sendo organizado em Brasília.

“Do Equador guardo o amor filial, as memórias da infância e dos bons anos vividos na juventude. Do Brasil, que tão generosamente me acolheu, dedico um enorme carinho e a mais profunda gratidão”, declarou o fotógrafo, que dedica o trabalho à memória do pai Osito. Na ocasião também será lançada a revista “Foco Poty”, informativo cultural da Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto) com distribuição gratuita. 

Com cerca de 350 fotografias distribuídas em 272 páginas, o livro sai com textos em português, espanhol e inglês sob chancela do selo editorial “Inti” (deus Sol em Inca), criado pelo próprio autor. Com impressão impecável e quase dois quilos de papel por volume, o preço normal de capa é R$ 120 – mas quem comparecer a noite de autógrafos poderá levar a coleção de paisagens por R$ 80.  Paralelamente ao lançamento, uma exposição reunirá 40 imagens selecionadas por Fernando ‘a duras penas’: “A princípio iria ampliar apenas 20 fotos, mas é sempre difícil escolher quais ficarão de fora”, garante. A mostra permanece em cartaz até dia 13 de fevereiro.

Chiriboga retrata semelhanças e diferenças entre os dois arquipélagos vulcânicos que serviram de laboratório para as pesquisas de Charles Darwin (1809-1882) e prisão para presos políticos. Os cliques passeiam por cenários deslumbrantes como a Ilha Cabeluda e a Baía do Sancho, em Fernando de Noronha, a Ilha Plaza Sul e a Baía Sullivan, em Galápagos; além da diversidade dos animais como golfinhos rotadores, fragatas, atobá-de-pés-azuis, leão marinho, pinguins e iguanas de Galápagos.

Ele conta que fotografar os animais das ilhas foi relativamente simples no quesito aproximação. “Como é proibido caçar nas ilhas há muito tempo, os animais confiam nos humanos, é possível chegar bem perto, tão perto que a proibição é para não tocar nos bichos”. 

EMBAIXADORES

A obra primordialmente fotográfica, traz textos de autoridades como Fernando Magalhães, embaixador do Brasil no Equador; Horacio Sevilla Borja, embaixador do Equador no Brasil; Jasmine Moreira, chefe do Departamento de Turismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR); Tjitte de Vries, Professor de Ecologia da Pontifícia Universidade Católica de Quito – Equador; e José Roberto de Medeiros, diretor-presidente da Cosern, empresa que patrocina a obra através da Lei Rouanet e Ministério da Cultura.

“Quando apresentei o projeto às embaixadas, aprovaram a ideia do livro logo de início”, disse Fernando, cujo lançamento será prestigiado pelo embaixador e o cônsul do Equador no Brasil. Parte da tiragem, 600 cópias, já começou a ser distribuída gratuitamente para bibliotecas públicas de todo o país como forma de contrapartida. Para ele, um projeto desse porte seria inviável sem patrocínio, pois o preço de capa “chegaria fácil em R$ 250 ou R$ 300”, avaliou.

MADRUGANDO

Para captar as imagens registradas no livro, Fernando Chiriboga lembra que perdeu as contas dos dias que precisou acordar de madrugada e caminhar por mais de 12 horas. “Hoje, vendo cada uma dessas fotos, é como se passasse um filme sobre a caminhada, a preparação. Foram 15 dias de muito trabalho em cada ilha, intensificado no segundo semestre de 2014”, informou. Antes de cair em campo, o fotógrafo fez viagens prévias para reconhecimento do terreno guiado por nativos.

O autor não conhecia Fernando de Noronha antes de iniciar o projeto, mas chegou a desembarcar algumas vezes em Galápagos antes de vir morar no Brasil. “O Equador é um país pequeno, mas a diversidade de paisagens impressiona: cordilheira, praias, arquipélagos”, festeja. Chiriboga, que atua como fotógrafo no segmento do turismo, adianta que já tem um novo projeto para seu próximo livro: vai percorrer os quase 4 mil quilômetros em uma expedição pelo litoral nordestino.

SERVIÇO

Lançamento do livro “Ilhas Encantadas – Fernando de Noronha e Galápagos” (Editora Inti, 272 páginas, R$ 80 na noite de autógrafos) e exposição fotográfica de Fernando Chiriboga. Quarta (28), a partir das 18h, em frente a livraria Saraiva do Midway Mall. Exposição em cartaz até dia 13 de fevereiro.
 
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janeiro 24, 2015

DANÇA POTIGUAR MUNDO AFORA

ALEXANDRE AMÉRICO
INTERNATIONALES SOLO-TANZ-THEATER FESTIVAL
18 bailarinos irão participar da versão 2015 do evento. 
Na seleta lista figuram dois africanos, um bailarino do Oriente Médio, 
muitos europeus e três americanos: um dos Estados Unidos, 
outro do Equador e o natalense Alexandre Américo.
 Fotografia:Divulgação
 
DANÇA POTIGUAR MUNDO AFORA

Por
Yuno Silva 
TRIBUNA DO NORTE

Um dos festivais de dança mais importantes do mundo no quesito solo contemporâneo, o Internationales Solo-Tanz-Theater Festival, que acontece no mês de março em Stuttgart na Alemanha, divulgou (dia 16) o nome dos 18 bailarinos que irão participar da versão 2015 do evento. Na seleta lista figuram dois africanos, um bailarino do Oriente Médio, muitos europeus e três americanos: um dos Estados Unidos, outro do Equador e o natalense Alexandre Américo. Único representante brasileiro, Alexandre irá estrear a coreografia “Myoclonus”, segunda parte da trilogia concebida por ele que investiga a fronteira entre a dança, o movimento e espasmos musculares involuntários.

“Convivo com uma epilepsia leve, que não provoca convulsões e sim espasmos, então comecei a trabalhar o assunto quando ainda estava na universidade. Não acreditava no início que este estudo me levasse a algum lugar, é complicado lidar com as próprias limitações, mas comecei a entrar em contato com outras criações que seguem por esse mesmo caminho e fui mais fundo”, contou o bailarino de 24 anos. A primeira parte da coreografia, intitulada “Clono”, foi apresentada durante programação da Virada Cultural de Natal em dezembro passado na Ribeira.
 
Ambas coreografias contam com trilha sonora original, executada ao vivo pelo irmão-guitarrista do bailarino. “Como ele não vai poder viajar, vamos levar a música gravada”.

ALEXANDRE AMÉRICO
INTERNATIONALES SOLO-TANZ-THEATER FESTIVAL
O bailarino potiguar vai mostrar “Myoclonus”, 
segunda parte da trilogia que investiga a fronteira 
entre a dança e os movimentos involuntários do corpo.
  Fotografia:Divulgação

Esta será a 19ª edição do Festival alemão, que em abril de 2014 trouxe para Natal oito performances apresentadas durante a etapa internacional do Encontro Nacional de Dança Contemporânea. “É um festival competitivo, e além da premiação em dinheiro (em Euros) os seis melhores trabalhos deste ano também participam de uma turnê pela Europa – em 2016 ainda fazem um giro pelo Brasil. E é bem possível que passe por Natal de novo”, acredita. São premiados os três melhores trabalhos e os três melhores intérpretes. O festival cobre despesas de transporte, hospedagem e alimentação.

Américo disse que se inscreveu “na cara dura”, entrando no páreo contra mais de 200 candidatos da Europa. As coreografias inscritas têm entre 9 e 12 minutos de duração, e a busca é pela originalidade, ousadia e consistência da obra. 

 
ALEXANDRE AMÉRICO
INTERNATIONALES SOLO-TANZ-THEATER FESTIVAL 
 Alexandre entrou no páreo concorrendo contra
mais de 200 candidatos da Europa
 Fotografia:Divulgação

“Essa coreografia está calcada em uma estética mais conceitual, que discute a própria natureza da dança. Exploro modos diferentes do movimento”, explicou o bailarino potiguar. Como referências ele cita os trabalhos desenvolvidos pelas norte-americanas Trisha Brown e Meg Stuart, o francês Jerome Dell e os paulistas Cristian Duarte e Leandro Berton, com os quais Américo mantêm contato.

Em tempo: Américo também foi o único brasileiro selecionado para participar do 6º Festival Internacional de Dança Mahmud Esambaev, acontecido em outubro do ano passado na Rússia, de onde trouxe o prêmio principal.

 
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janeiro 13, 2015

FAMÍLIA ALBUQUERQUE MARANHÃO

 
  FAMÍLIA ALBUQUERQUE MARANHÃO  
Descendentes de fidalgos portugueses de tradição militar, eles fazem parte da
 família mais antiga do Rio Grande do Norte e que ainda pode se dizer que
 foi uma das primeiras famílias genuinamente brasileira, 
nascida da junção de um português e uma índia.
 Os Albuquerque Maranhão carregam, em si, a história 
do estado e da capital nos seus 415 anos.
Fotografia: Arquivo pessoal / Família

  FAMÍLIA ALBUQUERQUE MARANHÃO
CARREGA HISTÓRIA DE NATAL
Por
Paulo Nascimento
NOVO JORNAL
   
Descendentes de fidalgos portugueses de tradição militar, eles fazem parte da família mais antiga do Rio Grande do Norte e que ainda pode se dizer que foi uma das primeiras famílias genuinamente brasileira, nascida da junção de um português e uma índia. Presentes em solo potiguar desde os primórdios da então capitania do Rio Grande, os Albuquerque Maranhão carregam, em si, a história do estado e da capital potiguar nos seus 415 anos de aniversário.

Chefes de governo, médicos, empresários, jornalistas e advogados foram algumas das funções de destaque que os integrantes da família ocuparam, sempre com destaque e grande importância histórica. Basta ver a quantidade de logradouros que levam o nome da família: Praça Pedro Velho, teatro Alberto Maranhão, Praça André de Albuquerque, Rua Augusto Severo (que também já foi aeroporto).

Um incontável número de homenagens espalhados, até mesmo com nomes de cidades como Pedro Velho e a antiga Augusto Severo, hoje Campo Grande.

Das três versões sobre a fundação da capital do que hoje é o estado do Rio Grande do Norte, duas contam com a presença de Jerônimo de Albuquerque Maranhão, filho do primeiro membro da linhagem a pisar em terras brasileiras: o português Jerônimo de Albuquerque. Àquela altura ainda não existia de fato os “Albuquerque Maranhão”.

Sobrinho do vice-rei Afonso “o Grande” de Albuquerque e filho do conde Lopo de Albuquerque, Jerônimo veio para o Brasil na condição de administrador colonial. Acompanhava o primeiro donatário da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, que era casado com Brites de Albuquerque, de quem Jerônimo era irmão.

Em uma das lutas ao longo da costa nordestina, enfrentando os índios tabajaras Jerônimo levou uma flechada e perdeu um dos olhos. Ganharia o apelido de “O Torto” e na condição de prisioneiro e condenado à morte pelos índios, conheceu sua primeira esposa.

Jerônimo de Albuquerque foi salvo pela filha do cacique de Uirá Ubi (Arco Verde), Tabira. A jovem índia, que depois foi batizada de Maria do Espírito Santo Arcoverde, se apaixonou pelo português. O casamento selou a paz entre os tabajaras e os colonizadores. “A união de Jerônimo com a filha do cacique tabajara, gente da melhor estirpe da gente do Brasil com um importante Albuquerque de Portugal, fundou uma família genuinamente brasileira pela primeira vez”, afirma Augusto Maranhão, empresário e aficionado por história.

Da relação nasceriam oito filhos – pai de mais 16 rebentos, levaria o nome de “Adão Pernambucano” –, dentre eles aquele que seria o primeiro “Albuquerque Maranhão”. A formação do nome completo da família surgiria quando Jerônimo, nascido em Olinda, participou da expulsão dos franceses da capitania do Maranhão em 1615, com uma expedição saída da capitania do Rio Grande. Por conta do feito o rei Felipe III autorizou a incorporação do nome “Maranhão” para eternizar a conquista militar.

A experiência de lidar com os invasores franceses datava de 17 anos antes da expedição do Maranhão, quando Jerônimo já tinha expulsados os franceses junto com Dom Manuel Mascarenhas Homem da região no entorno daquele que seria batizado de Rio Potengi, feito pelo qual ganharia o título de fidalgo.

Começaria ali, na foz do rio, a construção da Fortaleza dos Reis Magos, nos idos de 1588 e toda a saga dos “Albuquerque Maranhão” em terras do futuro RN.

Em 9 de janeiro de 1603, Jerônimo de Albuquerque foi nomeado Capitão-mor do Rio Grande. No ano seguinte, concedeu “5000 braças de terra” aos seus filhos Matias e Antônio de Albuquerque. Nascia assim o engenho de cana de Cunhaú, que por centenas de anos teria uma forte importância econômica e histórica tanto para a família como para o Estado.
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 www.novojornal.jor.br

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