setembro 30, 2012

SER FELIZ... UMA LUTA INCANSÁVEL


CÍCERA BRUNA
Uma lesão cerebral ao nascer não a  impediu de superar obstáculos
Hoje, 28 anos, Psicóloga, faz pós-doutorado em Neurociências
e  já está terminando de escrever o seu segundo livro 
  INCANSÁVEL E FELIZ

Por
  Carla França para a Tribuna do Norte

Passava um pouco das 16h quando cheguei ao local marcado para entrevista, um apartamento no bairro de Candelária. Nem foi preciso tocar a campainha, fui logo recebida com um dos sorrisos mais bonitos que já vi. Daqueles multiplicadores, que rendem até mesmo o mais ranzinza dos seres.

Quando me pedem para entrevistar alguém não procuro criar expectativas ou esteriótipos sobre aquela pessoa. Prefiro me surpreender ao conhecer o meu entrevistado. E foi isso que aconteceu. Surpreendi-me com a garra, a força de vontade e a alegria de viver de alguém que teria tudo para desistir.

Mas contrariando a muitos, Cícera Bruna decidiu viver, e da melhor maneira. Decidiu que era possível lutar pelos sonhos, independentemente de uma lesão cerebral sofrida no momento do parto e que provocou  dificuldades na fala e limitações motoras. E foi com o sorriso largo que ela contou o que viveu da vida.   E não foram poucas as alegrias, emoções, aventuras e desafios dessa jovem que, aos 28 anos de idade, já é formada em Psicologia, faz pós-doutorado em Neurociências e já está terminando de escrever o seu segundo livro.

Para ganhar intimidade comecei a conversa com temas mais amenos, porém um dos mais importantes. Aquele que é motivo de orgulho: o livro que ela escreveu há três anos, a autobiografia "Uma luta incansável". Nem precisei fazer a pergunta básica: Por que escrever um livro? Ela foi logo dizendo que nunca teve pretensão de ser escritora, mas desde a adolescência anotava os acontecimentos do dia-a-dia. Uma espécie de diário no computador já que as limitações motoras dificultavam a utilização do papel e da caneta.

Psicóloga Cícera Bruna conta sua história de superação 
Quinzenalmente ela se reúne com um grupo de pessoas que fazem tratamento
 de problemas semelhantes aos dela. debatendo a vivência e as dificuldades
 dos portadores de necessidades especiais
Fotografia: Rafael Barbosa, do G1

O título do livro é uma história a parte. "Esse título surgiu de repente, como um clique. É claro que eu sei que ninguém é incansável realmente. Claro que um dia cansa, afinal somos humanos. Mas para mim, o significado dessa palavra (incansável) vai até onde cada escolhe. Vai até onde você quer chegar", me explicou ela. Nas 122 páginas Bruna conta um pouco da sua vida. Desde o namoro dos pais até os desejos para o futuro próximo, como ela faz questão de frisar.

Já que ela falou em futuro, resolvi perguntar quais eram os desejos para o amanhã. A resposta veio de pronto: "trabalhar, estudar, viajar, viver...", disse ela. Na verdade, continuar a trabalhar como psicóloga, ajudando crianças e adolescente que apresentam as mesmas dificuldades que ela. E concluir a pós-graduação em neurociências.

Perguntei se gostaria de trabalhar com o neurocientista Miguel Nicolelis e ela disse: "Nunca fiz planos para isso, mas tenha certeza que se surgir essa oportunidade eu vou agarrá-la". Percebi um brilho especial nos olhos quando ela falou sobre trabalho e estudo e tudo que enfrentou para chegar onde está. Percebi também que em nenhum momento, nem  os tristes - como o que a diretora de uma escola de Mossoró não a aceitou como aluna instituição - ela deixou de sorrir.

 É na clínica, agora trabalhando, que a psicóloga se apropria de sua experiência
 com as limitações para inspirar as pessoas a superarem suas dificuldades
 "O simples fato de conseguir tocar os dedos para mim é uma vitória"
Fotografia: facebook.com/cicerabrunass
 
E foi entre um sorriso e outro que ela contou da viagem a Londres. Foram 30 dias em um país desconhecido, uma língua diferente. De familiar apenas a sobrinha que a acompanhou nessas aventuras em terras estrangeiras.

Nesse momento da conversa sobre a viagem que ela deixou escapar o único momento de medo. "O novo dá medo. Fiquei com receio de viajar, mas decidi ir.  Passei um mês em Londres, me virei sozinha, andei a pé. Sou aventureira e comigo não tem besteira", disse ela. Uma outra revelação - segundo ela em primeira mão - é a chegada do novo livro. Está prontinho, só esperando na revisão e os últimos detalhes para ser lançado.

Nem vimos o tempo passar. E a conversa que já durava mais de uma hora teve que acabar porque Bruna precisava ir para o cursinho de Inglês, afinal ela pretende continuar viajando por aí e não quer fazer feio.

Diferente do que sempre acontece, me despedi com um forte abraço  e com uma sensação de que todos os meus problemas eram pequenos demais para o tanto que reclamo. Enquanto descia pelo elevador, me veio a cabeça um trecho da música São Jorge, de Juçara Marchal, que pode definir a história de Cícera Bruna: "Com um sorriso derrubo um tropa inteira".

Cícera Bruna não esconde a sua alegria no dia a dia
toca os projetos, continua fazendo terapia e vibra com cada conquista
"A sua vida pode acrescentar à minha. E a minha, à sua"
Fotografia: Rafael Barbosa, do G1

CORAGEM E SORRISO NO ROSTO PARA ENFRENTAR DESAFIOS

Cícera Bruna Silva de Sousa, nasceu em Campina Grande, Paraíba, em 14 de agosto de 1984. Durante o parto sofreu uma lesão cerebral, que deixou como sequelas dificuldades na fala e limitações motoras. O problema foi provocado pelo que a Medicina chama de prolapso de cordão umbilical. Isso ocorre quando o cordão umbilical sai pela vagina antes de o bebê ser retirado, o que impede a passagem do sangue pelo cordão.

Ainda bebê foi morar em Mossoró com a família, onde ficou até os 17 anos. Ao se mudar para Natal deu continuidade aos estudos. Concluiu o ensino médio e aos 23 anos entrou na faculdade de Psicologia. Fez os quatro anos do curso e  atualmente faz pós graduação em Neurociências.

Bruna, como é chamada pelos mais próximos, tem dois irmãos. Uma mais velha, Viviane Rose, e outro mais novo, Alysson Thiago. Ela diz que é o recheio da família, se referindo ao fato de ser a irmã do meio.  
Aos 28 anos, Bruna já realizou sonhos que se quer imaginou. Escreveu um livro (Uma luta incansável) e já está preparando outro. Viajou para fora do país, fez faculdade, pós-graduação, profere palestras, exerce a profissão de psicóloga. Tudo isso com a garra, a coragem e o otimismos que tem de sobra. Sem esquecer do belo sorriso que sempre a acompanha.

...fonte...
www.tribunadonorte.com.br  

 ...contato com a escritora...
    cicera_bruna@hotmail.com

setembro 28, 2012

ATRAVÉS DO CORPO VEJO O MEU MUNDO

 CLÉBIO OLIVEIRA
 Com estreia mundial na Alemanha, espetáculo do bailarino potiguar
será exibido em Natal, neste domingo. Ele foi apontado como o coreógrafo 
mais promissor de 2012 pela Tanz Magazine, revista de crítica 
especializada em dança mais importante da Europa. O que não é pouco!
 Fotografia:  Holger Diedrich
 
RUA DE LEITE NA RIBEIRA 
 
Via
Diário de Natal

De passagem por Natal, o bailarino potiguar Clébio Oliveira, que há quatro anos reside e trabalha em Berlin, na Alemanha, apresentará neste domingo, 30, às 20h, na Casa da Ribeira, o espetáculo Rua de Leite, que teve estreia mundial em Berlin em 2011. Recentemente o bailarino e coreógrafo recebeu o prestigiado prêmio Höffnungträger na categoria Coreógrafo Mais Promissor, na Alemanha, concedido pela revista Tanz no anuário 2012. A Tanz Magazine é tida como a revista de crítica especializada em dança mais importante da Europa.
 
Com direção, coreografia e interpretação do próprio Clébio Oliveira, o espetáculo Rua de Leite conta com Mercedes Appugliese na criação, Jerry Geiger no desenho de luz, figurino de Loris Haas e Miri Kämpfger, produção internacional de Roland Wolf e interpretação ao lado da bailarina Silvia Rodrigues. Na produção local Clébio conta com a parceria da Casa da Ribeira.

Rua de Leite é uma experiência que se revela no corpo. Como ver com o corpo e a necessidade do movimento com forma integradora dos sentidos. O ver não esta relacionado simplesmente com a capacidade de visão, o sucesso de um órgão isolado, mas como um todo. Ver com os ouvidos, com as mãos, com o paladar, ver com o cérebro, com o estômago e com a alma.
 
Dançou durante quatro anos para a companhia de Dança Deborah Colker
 e três anos para a companhia de dança Toula Limnaios, em Berlin.
O natalense considera que começou tarde na dança. Aos 17 anos
   Fotografia: Renato Mangolin
 
CORPO MULTCULTURAL

Em sua criação coreográfica, Clébio propõe um diálogo através de um corpo multicultural. Uma diversificação que gera um resultado estético que mescla técnicas de dança, teatro e cultura em um fluxo contínuo. Em suas coreografias Clébio explora a complexidade e o potencial do corpo, alternando força, pesquisa, poesia e sensibilidade. Dançou durante quatro anos para a companhia de Dança Deborah Colker e três anos para a companhia de dança Toula Limnaios, em Berlin. Com essas companhias participou dos mais importantes festivais e tournées na Europa, Asia e América do Sul.

Como coreógrafo, criou peças para a Hubbard Street Dance Company 2, em USA, Ballet da Cidade de Niterói, Ballet do Teatro da Cidade de Kiel, Alemanha, Cia de Dança Carlota Portella, De Anima Ballet Contemporâneo, Companhia de Dança do Teatro Alberto Maranhão, Grupo de Dança Contemporânea da Escola Bolshoi do Brasil, Gira Dança, além de projetos solos.

Em casa, ele ganhou o Troféu Cultura-RN de 2012 como melhor espetáculo de dança por Rio Cor de Rosa. Ano passado Clébio também foi o vencedor do National Choreographic Competition (Chicago, USA). Prêmios que entram para a lista dos diversos já recebidos desde o início de sua carreira. Atualmente, o bailarino está em processo de criação para a Companhia Gira Dança (RN) com estreia prevista para outubro e também para o Ballet de Niterói (RJ).
 
 CLÉBIO OLIVEIRA
Coreógrafo, bailarino e professor de dança contemporânea, 
licenciado pela Faculdade de Dança da Universidade da Cidade/RJ
 Fotografia: Renato Mangolin
 
 INÍCIO DA CARRREIRA SE DEU COM DANÇAS FOLCLÓRICAS

Clébio Oliveira nasceu em Natal, viveu no Rio de Janeiro entre 1998 e 2007 e, desde 2008, vive e trabalha em Berlin, na Alemanha. Clébio é coreógrafo, bailarino e professor de dança contemporânea, licenciado pela Faculdade de Dança da Universidade da Cidade, no Rio de Janeiro. Ele iniciou seus estudos em dança em sua cidade Natal, através das danças folclóricas. Em 1999 foi indicado ao prêmio de Melhor Bailarino, concedido pela Fundação RioArte. Em 2001 foi selecionado pelo Rumos Itaú Cultural no projeto Cartografia da Dança. Em 2002 ele se apresentou como convidado solo no Global Dance Internationale Tanzmesse NRW, em Dusseldorf. Neste mesmo ano ele recebeu, pela segunda vez, o prêmio de melhor coreógrafo, melhor bailarino e melhor figurinista, no Festival Nacional do Rio de Janeiro.

Em 2006 recebeu o prêmio de Melhor Coreógrafo de 2006, dado pelo Jornal do Brasil, Rio de Janeiro. Clébio coleciona mais de 18 prêmios ganhos como melhor coreógrafo em diferentes festivais. Em janeiro de 2008 a convite do Festival Musik in der Häusern der Stadt em Colônia-Alemanha, Clébio desenvolveu o trabalho Dona José. Convidado pelo Ballet do Teatro da Cidade de Kiel (Alemanha) Clébio coreografou, em janeiro de 2009, "Algo está terminando, algo está começando". Esta peça foi citada pela crítica "...O mais inovador e interessante da noite, o único trabalho que apresentou uma linguagem corporal particular".

CONSAGRAÇÃO

Em 2010, o trabalho Dona José, foi eleito como um dos melhores espetáculos do Rio de Janeiro pelo Jornal O Globo. Em maio de 2011 Clébio foi o vencedor do National Choreographic Competition - USA. Em Setembro de 2011 Clébio participou de uma residência coreográfica em Iowa City, onde atuou também como professor convidado na Universidade de Iowa, USA. Em 2012 Clébio recebeu o Troféu Cultura- RN como melhor espetáculo pela coreografia Rio Cor de Rosa. Em Agosto de 2012 Clébio recebeu da revista TanzMagazine o prêmio Höffnungträger.

  ...fonte...
 
 ...serviço...
"RUA DE LEITE"
Domingo, às 20h, na Casa da Ribeira - Natal/RN
Preço: R$20 (inteira). Reservas pelo 3211-7710

setembro 27, 2012

FLIPIPA 2012: EMBARQUE NESSA VIAGEM!

  Entre os convidados deste ano, novos talentos 
como Tatiana Salem Levy e João Paulo Cuenca,  
o consagrado Luís Fernando Veríssimo, Reinaldo Moraes, 
Antônio Cícero, e Bené Fonteles, autor da biografia de Luiz Gonzaga

FLIPIPA 2012
MAIS LITERATURA NA PAISAGEM DA PIPA
EMBARQUE NESSA VIAGEM DA LITERATURA NACIONAL 

Por
Tádzio França para a Tribuna do Norte
 
Mais prosa, romance e ficção darão a tônica nas discussões que conduzirão a 4ª edição do Festival Literário da Pipa, dias 22, 23 e 24 de novembro, em novo e maior espaço na área central do balneário de Tibau do Sul. A programação completa da Flipipa 2012 foi anunciada oficialmente pela organização do evento em reunião ontem pela manhã na Intertv Cabugi. O escritor Dácio Galvão, curador do encontro, destacou o crescimento quanto as atividades paralelas em torno do festival, que incluirão teatro, gastronomia, cinema, biblioteca móvel, música, contação de histórias e uma caminhada literária. O número de debates entre autores convidados continuará o mesmo de edições passadas.

Dácio Galvão ressaltou na ocasião que o segredo do êxito de outros eventos de gênero, como o Festival Literário de Paraty (Flip) - o maior inspirador da Flipipa -foi ter conservado o tamanho original do seu núcleo de atrações, mas ter se aberto para diversificar a programação ao redor dele mesmo. "A nossa Tenda dos Autores terá quatro mesas por noite. Se aumentássemos isso, a gente não daria conta da demanda. Acho que esse equilíbrio é uma vantagem para o evento. Em contrapartida, crescemos no número de atrações paralelas", ressalta.

O curador destacou também que haverá um foco mais substancial na literatura de ficção e seus desdobramentos. "Nos festivais anteriores havia muita ênfase na poesia. Em 2012 resolvemos equilibrar isso, e trazer mais autores que trabalham o exercício da prosa em contos, crônicas e romances, e seus desdobramentos. Teremos a oportunidade de debater várias vertentes da literatura de ficção", explica Dácio Galvão.  As doze mesas/debates entre escritores convidados e nomes locais serão realizados numa tenda climatizada com espaço para 400 pessoas.

O autor do livro O Rei e o Baião, Bené Fonteles
Fotografia: Elza Fiúza/ABr  
 
MÚSICA, POESIA E JORNALISMO NA 1ª NOITE

A programação do primeiro dia  da Flipipa (22/11) irá da música ao colunismo social, passando pela poesia de Drummond. A primeira mesa será "Luiz Gonzaga: uma poética musical", que receberá o jornalista, escritor e compositor Bené Fonteles, que além do debate, lançará o livro "O Rei e o Baião; os pesquisadores Marcos Lopes (do Forró da Lua) e o pesquisador pernambucano Paulo Wanderley mediarão a discussão. A segunda mesa terá a presença do poeta, filósofo e compositor Antônio Cícero (compositor, filósofo, irmão da cantora Marina Lima), para o tema "Modernismo e modernidade em Carlos Drummond de Andrade", ao lado de Carlos Braga, professor de literatura brasileira.

A jornalista Joyce Pascowitch conduzirá a terceira mesa com o tema "Jornalismo, cultura e sociedade: nos bastidores da notícia", ao lado dos jornalistas Carlos Peixoto (diretor de redação da TRIBUNA DO NORTE) e Eliana Lima. Por fim, o escritor Zuenir Ventura e o jornalista Woden Madruga debaterão na mesa "Ficção e memória".

   Luís Fernando Veríssimo 
Consagrado como um dos maiores escritores brasileiros contemporâneos,
 tendo vendido ao todo mais de 5 milhões de exemplares de seus livros  

VÁRIAS GERAÇÕES DE AUTORES REUNIDOS

A segunda mesa do dia 23, "Ficção, um experimento literário", discutirá as experiências dos jovens talentos convidados Tatiana Salem Levy e João Paulo Cuenca, com mediação da poetisa Carmen Vasconcelos. O escritor Reinaldo Moraes, autor do sucesso "Pornopopéia" e dos clássicos "Tanto faz" e "Abacaxi", é o nome da mesa "Na literatura brasileira e à margem", com o jornalista Mário Ivo Cavalcanti. "Narrativas de amor e arte", com o escritor e ensaísta Sérgio Sant'Anna, encerrá as mesas.

A mesa "Dramaturgia no universo de Jorge Amado" abrirá a tenda no dia 24, com a presença do ator Nelson Xavier, falando sobre as adaptações para o cinema, televisão e teatro da obra do escritor baiano; o ator Henrique Fontes e o jornalista Vicente Serejo mediarão o debate.  A escritora Ana Miranda debaterá "Romance, história e poesia", ao lado de Napoleão Paiva Souza. O encerramento será com Luís Fernando Veríssimo, falando sua própria obra, ao lado do jornalista Cassiano Arruda Câmara. 

 Abimael Silva
 O único dono de sebo do Brasil, que é também editor,
lançará a reedição de "Poesias completas de Ferreira Itajubá"  

FERREIRA ITAJUBÁ SERÁ FINALMENTE LEMBRADO EM DEBATE E LIVRO

O segundo dia da Tenda dos Autores começará com a mesa "Itajubá e o exílio", em que os poetas e autores Mayara Costa e Lívio Oliveira discutirão a obra do poeta natalense Ferreira Itajubá, no centenário de seu falecimento; na ocasião, o Sebo Vermelho lançará a reedição de "Poesias completas de Ferreira Itajubá", publicada originalmente em 1965, e desde então sumida das livrarias e sebos. "É um absurdo que um poeta tão importante e conhecido nacionalmente permaneça desconhecido sem uma obra reeditada", disse Abimael Silva. 

 “Sua Incelença, Ricardo III”
 Premiado espetáculo que percorre a história do rei cruel de Shakespeare, 
mas o coloca sob os encantos "arretados" da cultura popular nordestina,
marca presença na extensa programação do Flipipa 2012   

LEITURAS PARALELAS DO FESTIVAL

O Flipipa de 2012 irá além dos debates na tenda dos escritores, com uma extensa programação paralela viabilizada pelos diversos  parceiros deste ano. Ao longo do fim de semana literário haverá contações de história, saraus, exibições de filmes e curta-metragens, dança, ações de leitura, e apresentações teatrais de "Flúvio e o mar", do grupo Atores à Deriva, e de "Sua Incelença: Ricardo III" (dia 24), o premiado espetáculo dos Clowns de Shakespeare.

A Caminhada Literária também vai marcar o sábado do festival, indo da Baía dos Golfinhos até o Spa da Alma, com direito a leituras e oralizações durante o percurso, com um autor convidado. O caminhão do projeto BiblioSESC, lançado na Flipipa em 2011, também estará a postos com seus três mil livros à disposição. O comércio dos livros ficará a cargo da Cooperativa Cultural da UFRN e do Sebo Vermelho. O Sesc também trará os dois autores premiados com o Prêmio Sesc de Literatura 2011, Rafael Gallo e Luíza Gleiser. O Sesi já confirmou a presença do caminhão-gourmet Cozinha Brasil, e a equipe dos Festivais Gastronômicos, com apoio da Bodega Brasil, armará a Cozinha Show. 

Para os produtores Dácio Galvão e Candinha Bezerra, que representam o projeto Nação Potiguar, apesar de chancelado pela Lei Rouanet (MinC) e Lei Câmara Cascudo (Governo do Estado), o Flipipa 2012 não captou o patrocínio necessário e só ganha reforço graças as muitas parcerias. São várias entidades e empresas que aderiram ao evento: Sesc/Fecomércio, Sesi/Fiern, Ecocil, Sebrae, Associação de Hoteis e Pousadas da Pipa, Hotel Ponta do Madeiro, InterTV Cabugi, Cooperativa Cultural da UFRN, CaboTelecom, TRIBUNA DO NORTE, Amil, CHB, Mariz Comunicação, Vitaminas FDC, 98FM, Natal Service, Botton, Sebo Vermelho e Secretaria de Turismo de Tibau do Sul.  

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setembro 25, 2012

PRA TURISTA NENHUM BOTAR DEFEITO

 SANFONA, ZABUMBA E TRIÂNGULO MARCAM O
RITMO DO FORRÓ: ASSIM SÃO AS NOITES DE QUINTAS-FEIRAS,
NO CENTRO DE TURISMO, PARA QUEM VISITA A CIDADE POTIGUAR

PRA TURISTA NENHUM BOTAR DEFEITO

Por
Talyson Moura para o Novo Jornal

TUDO COMEÇA COM o hino. ‘Asa Branca’, do rei do baião, Luiz Gonzaga, dá as boas vindas aos  visitantes que aos poucos preenchem os poucos espaços ainda vazios no Centro de Turismo de Natal. As notas da sanfona, o batuque da zabumba e o tilintar típico do triângulo marcam o  nício de mais uma edição do Forró Com Turista, festa que leva há 25 anos o paulista, o gaúcho ou o goiano às mais profundas raízes da música nordestina. O evento, realizado semanalmente às quintas-feiras, é uma passagem obrigatória para quem está conhecendo a capital potiguar.

A casa recebe uma média de 500 pessoas em cada edição da festa. Deste grupo, 80% são de turistas dos mais variados cantos do Brasil e até de fora dele. A interação é a grande marca do evento, que possui um cronograma todo pensado no entretenimento. O ingresso custa R$ 25.

O apresentador da noite é o próprio organizador do Forró com Turista, Francisco Barbosa de Albuquerque. Ele, aliás, é uma atração à parte. Dono de uma animação contagiante, conduz com maestria cada momento da festa. O melhor: o horário é respeitado rigorosamente.  “Pontualidade britânica!  Não! Brasileira mesmo porque eu valorizo a minha terra”, ressaltou Barbosa.

Não eram 22h05 da última quinta- feira, 20, quando a reportagem do NOVO JORNAL chegou ao Centro  de Turismo de Natal e a programação já havia começado. A casa já estava cheia, sobrando poucas mesas. As pessoas mantinham-se quietas, enquanto degustavam uma bebida ou um tira-gosto.

Qualquer timidez, porém, era abafada pelos próprios aplausos. Principalmente durante a  apresentação de Moacir do Repente, que, em versos cordelizados, homenageou cada Estado com representantes na festa. Foram 30 minutos de poesia. A partir de uma lista, o animador da noite dava os nomes dos estados ao repentista. Ninguém deixou de ser citado. Além do talento do artista, o que impressionava o público era o conhecimento de geografia do rapaz. Ele dava detalhes dos lugares.


A cada nome, a euforia do público parecia ir crescendo. No começo, apenas o morador  daquela região homenageada levantava as mãos. Ao final, a impressão era de que as pessoas estavam prestes a levantar das cadeiras e aplaudir de pé. Já não dava para saber quem era o carioca ou o mineiro. O bater de palmas se dava em coro. “Eu adoro repente. Isso aqui é realmente uma noite típica para o turista. Não há o que falar”, ressaltou  o gaúcho Lauro Lima, 63. Acompanhado da esposa, o tabelião em férias pela capital potiguar se disse extasiado com a festa.

Depois do show do repentista, os seis casais de dançarinos da casa voltaram ao palco. Antes, eles já haviam apresentado o ritmo em uma única música. Mas dessa vez, numa abordagem simultânea com a retomada da primeira nota da sanfona, eles convidaram os turistas para dançar o típico forro. Como sempre acontece, o salão lotou quase que de imediato. Foi uma hora e meia de muito forró.

“É muito bom isso aqui. A maneira como o turista é tratado. Não falta diversão!”, exclamou a assistente administrativa Ana Paula Lara, 40, ainda suada com os passos que tinha arriscado na dança nordestina. “Eu vou voltar aqui outra vez e, se Deus quiser com mais calma”, lamentou, lembrando que teria que sair mais cedo da festa para ir direto ao aeroporto. Ela era do Rio de Janeiro.

A poucos metros era a paulista Tereza Paes, 49 anos, que não parava quieta. De pé, ao lado da mesa, ela provava o que o animador da noite já havia anunciado mais cedo: “O forró está  democratizado  agora. Todo mundo sabe dançar”. Ela estava acompanhada do marido, mas ele estava sentado. “A gente já dançou muito. Ele pisando no meu pé, mas dançamos”, brincou a senhora sorridente, cuja pele brilhava de tanto suor.

Na mesma mesa que eles, estavam  uma carioca e um paulistano. “Uma grande vantagem de um ambiente como este é justamente isso. Quantas pessoas aqui não conhecem turistas de outros estados? Isso é fantástico”, atestou o supervisor de estoque Vanderlei Aparecido Paes, o esposo de Tereza.

 "ALAVANTUS"  E  "BALANCÊS"
A ideia de resgatar os passos juninos em cada uma das edições
 semanais do Forró com Turista foi dada por um visitante

QUADRILHA IMPROVISADA É O CLIMAX DA NOITE

Existe um cronograma de entretenimento que mantém o turista num estado de animação constantes do começo ao fim. Tudo caminha para o que pode ser considerado o clímax da noite: a quadrilha improvisada. É neste momento em que a mistura cultural se completa ao som do mais típico forró. Já não se sabe quem é gaúcho, paulista, mineiro, austríaco ou italiano. A interação é completa.

O próprio Lampião – um dos dançarinos da companhia fantasiado de Rei do Cangaço - é quem puxa todos os passo. Ele é o responsável pela homogeneização completa dos sotaques. E a quadrilha é, sem dúvida, uma das maiores já vistas por este repórter. Todos os espaços são preenchidos, com exceção das mesas que ficam completamente vazias. A dificuldade é somente fazer a ‘grande roda’ - quando todos os casais se unem e formam um grande circulo.  - Há pouco espaço para isso.


Entre os ‘anarriês’, ‘alavantus’ e ‘balancês’ da última quinta-feira, as palmas e passos descompassados de alguns nem foram notados. Acertar não era o principal. Os passos eram todos muitos simples e, ainda assim, a ajuda dos dançarinos foi muito importante para manter o mínimo da sequência. O repórter não resistiu. Viu uma morena solta no salão e correu para o meio da muvuca. O que mais chamou a atenção naquela meia hora de arrastapé foi o desprendimento real do turista para interagir. O Lampião puxador gritava “Trocou de casal!” e os casais realmente se soltavam e corriam em busca de outro par.

É como se as pessoas tivessem esperando somente por aquele momento, o salão esvaziou depois. E isso já é pensado pela organização, que inicia a quadrilha exatamente à meia-noite. “Nós entendemos que o turista tem uma série de passeios para fazer no outro dia. Então, ele precisa estar descansado”, explicou Barbosa. A ideia de resgatar os passos juninos em cada uma das edições semanais do Forró com Turista foi dada por um visitante.

 SANFONA, ZABUMBA E TRIÂNGULO
 
25 ANOS DE HISTÓRIA

Era 1987 quando começou o Forró Com Turista. Ele nasceu sustentado por um tripé. Além do empresário Francisco Barbosa de Albuquerque, que hoje mantém sozinho o evento, estavam presentes a Destaque Promoções e o Grupo Xodó. A ideia era aproveitar o espaço para integrar o turista ao natalense.

Nos primeiros anos, a ideia foi bancada pela parceria. Mas entre 1989 e 1992, ela estourou no público universitário de Natal. A casa chegou a receber 1500 pessoas por edição da festa, o triplo da quantidade registrada na portaria ultimamente. O evento meio que pegou carona no Carnatal.

“Mas chegou a hora em que já não era viável contratar cantores como Flávio José, que era exatamente o que mantinha o interesse do natalense. A portaria só dava praticamente para pagar a banda”, explicou Francisco Barbosa. Hoje, já se estima a participação de um público maior de potiguares. Cerca de 20% do total.


E foi a partir do afastamento do nativo, que se pensou em fazer uma programação especial para o turista. Hoje, a festa que acontece uma vez por semana - duas vezes, terças e quintas, apenas no mês de janeiro -, é nutrida por quatro ingredientes principais, ressaltou Barbosa: o forró, a dança, o repente e a quadrilha improvisada.

Com o público bem traçado, os serviços vão expandindo e complementando àqueles já existentes. Atualmente, por exemplo, é oferecido o translado do visitante. Por uma taxa adicional o turista é apanhado e deixado no hotel. Na última quinta-feira, por exemplo, foram usadas 3 vans com esta finalidade. O número total de empregados diretos chega a 50.

E um detalhe interessante é que 50% dos turistas que decidem ir ao Forró Com Turista vão por indicação. “Com a credibilidade do nosso trabalho, nós conquistamos o crédito das empresas, agências de turismo e hotelarias para indicar o nosso espaço”, apontou. E ainda há a indicação boca-a-boca. “Eu vim porque uma amiga minha já tinha vindo e disse o quanto isso aqui era bom”, comentou a carioca Ana Paula Lara.

"DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ"

EVOLUÇÃO NOS DOIS PRA CÁ E DOIS PRA LÁ

“É bem difícil”. Esta foi a resposta de uma das dançarinas do Forró do Turista, Andreza Araújo, 18, quando questionada sobre a aptidão dos turistas para o forró. “Mas eu sei que este é o meu trabalho e estou aqui para ajudá-los”, completou a morena. Por outro lado, ela disse que vem sentindo certa evolução. Contou que já é notável a evolução no ‘dois pra lá, dois pra cá’. A jovem, que já havia sido convidada para dançar em uma banda de forró profissionalmente, está trabalhando na companhia de dança do Centro de Turismo de Natal há pouco tempo, mas já tem boas histórias para contar. “Um dia, eu estava dançando com um estrangeiro, acho que era um italiano. Não sei como, ele caiu. Depois ele levantou e ficou tudo bem”, disse sorrindo.

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setembro 21, 2012

UM POTIGUAR NO CAMINHO DE RAUL SEIXAS

 LENO 
Cantor potiguar que fez sucesso na dupla com Lilian
lança disco com canções feitas em parceria com Raul Seixas
Fotografia: Vanessa Simões

 LENO  &  RAULZITO  

  Por
Renato Lisboa  

Um registro cultural preciosíssimo. Retrato de uma época em que pouco ou nada se sabia sobre ‘rock alternativo’. O cantor Leno, ícone da Jovem Guarda, lançou um CD com músicas compostas em parceria com Raul Seixas, ou melhor, o baiano ainda era conhecido como Raulzito. 

“Leno – Canções com Raulzito” é o resultado de regravações de uma fita que ficou desaparecida por 25 anos nos arquivos da gravadora CBS, onde ele foi produtor free lancer e Raul foi seu produtor assistente. Só vieram tomar conhecimento dela em 1995. 

Nascido em Natal, Leno mudou-se para o Rio de Janeiro com quatro anos de idade. Ele entrou para as paradas de sucesso em 1966, quando fazia dupla com a cantora Lílian e estourou em todo o país com as músicas “Pobre Menina” e “Devolva-me”, que os mais novos também devem conhecer através da versão de Adriana Calcanhoto. 

A ideia do disco reunindo as canções com Raul veio após Leno ter sido convidado, em 2010, para a Virada Cultural, em São Paulo, onde se apresentou no palco “Toca Raul”. Na ocasião, ele tocou músicas do álbum “Vida e Obra de Johnny MacCartney”, considerado um disco seminal para o rock brasileiro pós Jovem Guarda, um cult que deve constar em qualquer discoteca básica do estilo. Guitarras, bateria e baixo ganham mais expressão, pela primeira vez, no rock feito na Cabrália. 

É o terceiro disco de Leno, já em carreira solo, e seria gravado em 1970, porém a gravadora CBS vetou o projeto por achar que ele não era comercial. “Tinha umas músicas censuradas, como ‘Sr. Imposto de Renda’ e ‘Sentado no Arco-íris’. Antecipou muita coisa vinda apenas nos anos 80 e influenciou a carreira de Raul Seixas”, fala Leno. 

Nessa época, ele fazia sucesso com a balada romântica “Festa de 15 anos” e resolveu dar uma guinada. “Eu sempre fui roqueiro, mas sempre estourava com músicas lentas. Eu queria mostrar o meu lado mais rock’n’roll”, observa. 

Das 13 músicas do disco, seis são em parceria com o baiano. “Talvez daí Raul tenha criado a vontade de ser cantor, pois ele não era muito a fim. Foi um laboratório para ele”, observa. Nessa época, Raul produzia os discos de Jerry Adriani e Renato e seus Blue Caps. 

O rockão já entra na veia logo na primeira faixa, “Johnny McCartney”, uma crítica à busca da fama, tão em voga hoje em dia com seus reality shows. A letra é atual. “Ainda hei de ser famoso um dia / Meu nome nos jornais você vai ler / Vou ganhar mais de um milhão / Comprar o meu carrão cantando na TV / Vai pagar pra me ver no cinema / Do que me fez, irá se arrepender / Daqui pra frente sou galã lhe ofuscando / Com meu terno de lamê / Johnny MacCartney vou ser). 

Pois, “Leno – Canções com Raulzito” veio após a Virada Cultural e, quando chegou a Natal, Leno começou a se lembrar das músicas e resolveu colocar tudo no disco. “Pediram para tocar o disco todo, ao vivo, e os fãs começaram a perguntar se eu tinha mais músicas do baiano”. 

Ele foi gravado no estúdio J. Marcian e tem a participação dos músicos Mingo Araújo (percussão), Raphael Bender (bateria), Jeff Soares (baixo), Serginho Araújo (baixo em duas faixas), Atenusk (teclados), Hugo Albuquerque (guitarra), Reinaldo Azevedo (steel e slide guitar), Diogo Sigma (guitarras base) e Neemias (sax). 

O casal de jornalistas Petit das Virgens e Margot Ferreira fizeram os vocais de apoio em “Sr. imposto de renda” e “O mundo dá muitas voltas”; e o disco ainda conta com a participação das cordas da Orquestra Municipal do Rio de Janeiro. 

Um motivo de orgulho de Leno é Raul Seixas ter escrito em um bilhete, 
publicado no livro “O Baú do Raul”, os artistas com os quais o roqueiro baiano
gostaria de ter gravado, entre eles, os potiguares: Núbia Lafaiete e Leno

 
 O ENCONTRO 

Leno estava bombando nas paradas de sucesso quando conheceu Raul, em 1968. Ele tem a lembrança exata do encontro: foi num show beneficente no Rio de Janeiro que a sua gravadora, a CBS, realizava anualmente. No palco, armado na Urca, Jerry Adriani estava acompanhado por sua banda e um dos músicos era o baiano. 

Leno esperava a sua vez de cantar quando um baixinho magrinho se aproximou e perguntou: “Ah você que é o Leno? Tá ‘estouradaço’ lá em Salvador”, disse Raul, referindo-se à música “Pobreza”, outro grande hit do potiguar. Daí, já rolou uma empatia. “Pô, o cara era muito engraçado, agitado. Chegou e disse: ‘Tô aqui com a minha banda Os panteras’”, conta Leno. 

O encontro do show foi em um sábado e, no domingo, Leno foi ao apartamento de Raulzito, que morava perto. Do show, ele também se lembra do momento em que Jerry Adriani foi chamado de “bicha” por uma galerinha barra pesada da Urca, não se conteve e desceu do palco, partindo pra briga com parte da plateia. “Nunca esqueci essa cena. Raul pulando do palco, bem magrinho, para ajudar o Jerry na porrada”, revela. 

Daí Raulzito mostrou a ele uma música com Os Panteras e Leno terminou gravando. Os dois começaram a cultivar a amizade e Os Panteras terminaram voltando para Salvador porque a gravadora não deu força para a continuidade da carreira. 

Mas Raul voltava para o Rio de Janeiro de vez em quando e ficava na casa de sua tia Maria Eugênia, ocasiões em que também se encontrava com Leno. O baiano estourou nacionalmente em 1973, com o lamento existencialista “Ouro de Tolo”. 

Entre as pérolas do disco, está “Objeto Voador”, que serviu de base para que Raul gravasse posteriomente o sucesso “S.O.S” ((Oh! Oh! Seu Moço! / Do Disco Voador / Me leve com você / Prá onde você for / Oh! Oh! Seu Moço! / Mas não me deixe aqui / Enquanto eu sei que tem / Tanta estrela por aí). 

PAULO COELHO
Parceiro na composição de alguns dos maiores sucessos
 de Raul Seixas como Sociedade Alternativa, Gita, Há Dez Mil Anos Atrás, 
Canto Para Minha Morte, entre outros.

 PAULO COELHO 

Foi Leno que comprou o jornalzinho “A Pomba”, sobre ufologia, e mostrou a Raul. Depois de ler um artigo sobre UFO’s, o baiano foi até a redação do tablóide para procurar “um tal de Paulo”. Na mesma noite, os três se encontraram na casa de Raul, que depois chegou a comentar com Leno: “Se você não tivesse me entregado aquele jornal, jamais eu teria encontrado Paulo Coelho”. 

Os dois passaram a noite falando sobre magia. Leno achava que o baiano não iria aturar por muito tempo esse papo místico. “Ele era totalmente cético pra essas coisas e Paulo Coelho colocou um monte de bobagens na cabeça dele”, critica Leno, que não acredita em magos. “Esses caras nunca provaram nada à humanidade. Eu acredito em Einstein”, dispara. 

O potiguar diz que Coelho passou horas falando sobre o livro “O despertar dos mágicos”, dos franceses Louis Pawels e Jacques Bergier. O escritor, hoje milionário, sequer cita Leno nesse encontro. 

  O cantor Leno, ícone da Jovem Guarda,  reaparece no mercado
 com um novo CD que reverencia o parceiro Raul Seixas

MESTRES 

Para se ter uma ideia da importância de Leno para Raul Seixas, no livro “O Baú do Raul Revirado”, há um manuscrito do baiano em que ele anota uma ideia para um novo disco. Todas as músicas seriam duetos. Raul escreve “Meus mestres. Um disco com 2 vozes (eu e o outro) 2ª voz” e enumera: 1 – Eu e Erasmo, 2 – Eu e Caetano, 3 – Eu e Gil, 4 – Eu e Núbia Lafayette, 5 – Eu e Roberto Carlos, 6 – Eu e Leno, 7 – Eu e Cláudio, 8 – Eu e Kika, 9 – Eu e Luiz Gonzaga. É uma lista que deixa, por motivos óbvios, Leno emocionado. 

O melhor: são dois potiguares nessa lista. Núbia Lafayette, cantora de bolero, também do cast da CBS, foi uma influência para o roqueiro, que gostava de uma certa melancolia das canções brego-românticas, estilo facilmente identificado em faixas como “Sessão das Dez” (Ao chegar do interior / Inocente, puro e besta…) “Eu quero mesmo” (Nunca falava “eu te amo” com medo de alguém me gozar) e “Tu és o MDC da minha vida” (Tu és o grande amor / Da minha vida / Pois você é minha querida / E por você eu sinto calor / Aquele seu chaveiro escrito “love”). Leno e Raul, quando trabalhavam na CBS, ficavam na mesma salinha. Foi na mesma época que ele produziu um outro clássico, “Lágrimas Azuis”, do Impacto Cinco. 

Para a divulgação do disco, ele está com uma agenda de shows no eixo RJ-SP, quando certamente será seguido por um imenso coro de raulseixistas. O disco está à venda nas bancas de revistas e pela internet, através, principalmente da página do Facebook “Leno Oficial”. “É um registro para colecionadores, as pessoas que têm carinho pela gente”, conclui.

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setembro 19, 2012

"SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO"

  Quem quer ser ator de teatro?
Edital Cena Aberta Formação, iniciativa da Casa da Ribeira, 
recebe inscrições de novos atores até 15 de outubro

QUEM QUER SER ATOR DE TEATRO?

Via
Diário de Natal

O edital Cena Aberta Formação recebe inscrições até o dia 15 de outubro. A iniciativa é da Casa da Ribeira, com patrocínio do Governo do RN e Cosern, através da Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura. O edital tem como principal objetivo a facilitação do acesso de públicos à programação da Casa, principalmente aos educandos da rede pública de ensino. Serão selecionados cinco atores que não pertençam a grupos ou coletivos artísticos e que queiram participar da montagem profissional de um espetáculo teatral.

Para participar, além de não fazer parte de grupo/coletivo, o candidato deve comprovar residência no Estado e ter disponibilidade mínima para ensaios e apresentações conforme datas estipuladas no edital. As inscrições são gratuitas. O Edital e o Formulário de Inscrição estão disponíveis no site www.casadaribeira.com.br e devem ser enviadas devidamente preenchidas e com material solicitado para o e-mail cenabertaformacao@gmail.com.

A seleção se dará em três etapas, entre 16 de outurbo a 5 de novembro, data de divulgação do resultado. As etapas consistem na análise técnica da inscrição, oficina de pré-seleção (selecionará 30 candidatos), e a semana de avaliação baseada nos critérios de disponibilidade, pontualidade e assiduidade nas oficinas, trabalho em equipe e comprometimento. Durante quatro meses, os cinco atores selecionados receberão uma bolsa-montagem no valor de R$ 1,2 mil e cachê de R$ 100 por cada apresentação realizada para os estudantes das escolas públicas beneficiadas pelo projeto, além do suporte de uma equipe 20 profissionais das artes cênicas.

O resultado será a montagem de um espetáculo de teatro voltado para todos os públicos, com foco especial nas crianças e jovens que têm pouco acesso aos espetáculos teatrais. A estreia está marcada para 6 de março de 2013, aniversário da Casa da Ribeira, seguida de apresentações ao longo de quatro meses, e pretende atingir mais de 11 mil crianças da rede de escolas públicas e particulares da cidade.

BASTIDORES

Para quebrar o paradigma de que o indivíduo veio ao mundo com o dom de ser ator/atriz, o público poderá acompanhar de perto os processos criativos que envolvem uma montagem teatral, através de um programa semanal, disponibilizado no canal Casa da Ribeira TV (Youtube), que revelará todos os bastidores desta montagem. "O desejo é que as pessoas possam ver que não há segredos mágicos e nem produtos instantâneos. O teatro é um ofício e como tal requer trabalho", completou Henrique Fontes, diretor artístico da Casa da Ribeira.

 A Casa está localizada no bairro da Ribeira, em Natal RN, localidade 
recentemente tombada pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Brasileiro

NOVIDADES À VISTA PARA 2013

Os mais recentes editais para a ocupação da Casa da Ribeira demonstraram a necessidade de incentivos para montagem de novos espetáculos. Os projetos inscritos das áreas de teatro e dança eram repetidos e em conseqüencia não atraiam novos públicos à Sala Cosern de Teatro. Nesse sentido, para 2013, a Casa orientará suas atividades para uma nova estratégia de edital. A Casa criou o projeto Cena Jovem - Edital para Prêmio de Montagem e Ocupação para Grupos de Teatro e Dança do Estado do RN, que consiste num prêmio no valor de 240 mil reais, e atingirá 8 grupos de teatro e/ou dança do RN para montagem de novos espetáculos.

Estes recursos (R$ 30 mil, por grupo) fomentará uma cadeia produtiva atingindo diversos segmentos. Estima-se que com a premiação mais de 130 pessoas estarão envolvidas diretamente na produção dos espetáculos, sem contar os fornecedores de materiais gráficos, marcenarias, lojas de tecidos, mídias, hospedagem e alimentação, entre outros setores.

Além disso, cada grupo ou coletivo selecionado terá garantido um plano de ocupação do teatro da Casa da Ribeira, contando com 16 pautas e uma equipe que coordenará a divulgação dos espetáculos. Assim, além do fomento à montagem de novos produtos culturais para o Estado, o Cena Jovem irá permitir o acesso à programação da Casa de forma facilitada (os ingressos custarão 10 reais) e a manutenção das atividades diárias da Instituição Cultural independente. Só de bilheteria dos espetáculos (100% revertida para o grupo beneficiado) estima-se em mais de 190 mil reais injetados na economia do RN.

PESQUISA

Através de uma pesquisa realizada pela equipe da Casa da Ribeira, verificou-se que o último edital de fomento à montagem para grupos de teatro e dança do Estado foi lançado em 2007. Outro ponto positivo para a concretização deste projeto é que dois teatros estão sendo reformados no Estado (Caicó e Mossoró) e mais dois outros sendo construídos, um em Parnamirim e outro em Assu, o que sugere o aumento na demanda por novos espetáculos. O projeto Cena Jovem aguarda aprovação na Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura. 

setembro 15, 2012

OS LIVROS PELO MUNDO

 
Iniciativas que facilitam o acesso à literatura existem há tempos,
em todas as partes do mundo. No Rio Grande do Norte,
os projetos na área ainda são poucos, mas bem articulados
 
OS LIVROS PELO MUNDO
 
Por
Tádzio França
 
Quem lê, viaja, afirma o certeiro dito popular. Porém, quando não há livros por perto, é preciso fazer com que a leitura "viaje" até o leitor. Iniciativas que facilitam o acesso à literatura existem há tempos, em todas as partes do mundo - como as pequenas bibliotecas nas paradas de ônibus de Brasília e em pontos estratégicos de qualquer grande cidade. Em território potiguar, os projetos na área ainda são poucos, mas bem articulados. O itinerante BiblioSESC, e o fixo Livro Sem Fronteiras, nas estações de trem, estão próximos de completar um ano de atividades, com bons resultados. Já o programa Arca das Letras tem oito anos de circulação pela área rural do Estado, com grande aceitação. Cada qual, cria um novo capítulo de possibilidades no incentivo à leitura.
 
O BiblioSESC faz parte de um projeto nacional do SESC, e foi lançado no Estado em novembro do ano passado, durante o 3º Festival Literário da Pipa - Flipipa. Natal era uma das poucas capitais do país que ainda não tinha a biblioteca móvel montada sobre um caminhão. De forma itinerante, ela se movimenta quinzenalmente entre determinados bairros da cidade, proporcionando a leitura no local e o empréstimo de livros. O acervo é informatizado, e conta com 3.500 exemplares, entre literatura infantil, adulta nacional e estrangeira, religiosa e potiguar, além de jornais, revistas e gibis. O visitante pode levar até dois livros, ficar com eles durante quinze dias, e renovar se achar necessário.
 
O acervo é bem selecionado, reunindo clássicos, novidades, best-sellers e alta literatura, para vários gostos. Pode-se achar do Código de Trânsito Brasileiro até a série "Crepúsculo", passando por Miguel Nicolelis, Jorge Amado, Umberto Eco, Ítalo Calvino, Monteiro Lobato, Truman Capote, Neruda, Coetzee, entre outros, além de almanaques, enciclopédias e livros de arte. "Fazemos um trabalho para formar leitores, não é só chegar e ir embora. Nossa intenção é gerar encantamento pelo livro", afirma Ilsa Galvão, diretora de desenvolvimento social do SESC.
 
O caminhão do BiblioSESC recebe uma média de 200 visitas por dia. A unidade móvel conta com um itinerário fixo nos bairros de Mãe Luísa, Rocas, Nova Natal, Cidade da Esperança, Santa Catarina, Conjunto dos Garis e Felipe Camarão, além do presídio feminino em Parnamirim. Ilsa conta que os bairros foram escolhidos conforme levantamento feito para observar suas deficiências quanto a presença de opções de leitura. O raio de ação pode ser aumentado, enviando um ofício ao SESC da Cidade Alta, afirmando o interesse de levar a biblioteca até a comunidade. É realizada uma análise técnica para ver questões de trânsito e fiação elétrica.
 
Ao chegar no bairro escolhido, o BiblioSESC procura fazer parcerias com escolas, conselhos comunitários e igrejas, a fim de obter apoio logístico no local. No caminhão/biblioteca os visitantes são recebidos pela auxiliar Maria Bethania Lima. Ela orienta quanto as leituras, e faz o cadastro dos interessados em pegar um livro emprestado - basta levar identidade e um comprovante de residência. É montada ao lado do caminhão, uma área externa e coberta, com mesas e cadeiras, para quem quiser ler no local. Ela estima que houve até agora 8.500 empréstimos, num total de 13.552 consultas realizadas no mês de agosto.
 
"É comum os filhos pedirem aos pais para levar um livro também", diz Bethania. As crianças são sempre os visitantes mais entusiasmados, afirma Ilsa Galvão. O pequeno Cauã Morais, de cinco anos, confirmava a afirmação, enquanto se debruçava num livro colorido do acervo. Ele foi trazido pela mãe, a professora Andressa Pinheiro, que estava visitando o local pela primeira vez. "Acho ótimo que existam espaços como esse. Minha mãe, que também é professora, me pôs o hábito de ler, e quero poder incentivar meu filho desde pequeno também. Isso é muito importante", afirma.
 
Arca das Letras desbrava o interior através dos livros
 voltado para as comunidades rurais, algumas bastante remotas
Tornou o RN o estado com o maior número de arcas do Brasil
 
BIBLIOTECAS RURAIS EM FORMA DE ARCAS
 
O programa Arca das Letras desbrava o interior através dos livros. Criado em 2003, foi implantado no Estado a partir de março de 2004, sob coordenação da Secretaria de Estado de Assuntos Fundiários e Apoio à Reforma Agrária (Seara). É voltado para as comunidades rurais, algumas bastante remotas. Atua em 114 municípios, e fez do RN o estado com o maior número de arcas do Brasil. A arca é um móvel de madeira que comporta até 220 livros. O objeto fica sob gestão da própria comunidade, através dos agentes de leitura escolhidos no local. A secretaria faz um trabalho constante de diagnóstico e revitalização das arcas.
 
"Até o momento temos 669 arcas/bibliotecas em funcionamento. Sempre há demanda, e prova o quanto o programa é bem sucedido", afirma Paula Valéria Ferreira, coordenadora do programa no Estado. Ela explica que o acervo é divido em quatro tipologias: livros infantis, didáticos, literatura adulta, e livros técnicos de agricultura - estes, são selecionados conforme as atividades da comunidade. A ação dos agentes de leitura é essencial para o bom aproveitamento das arcas. São escolhidos dois, entre as pessoas mais articuladas da comunidade. "O agente faz um trabalho voluntário, e mobiliza a comunidade, faz contação de histórias e oficinas de leitura. A arca pode ficar na casa do agente, ou numa escola, na igreja, numa associação. A gestão é toda da comunidade", explica Paula. A Seara faz o acompanhamento. "Se por acaso não estiver funcionando em determinado local, a gente recolhe e leva para outra comunidade. Mas isso quase nunca acontece", ressalta. O acervo é comprado pela secretaria, mas também está aberto a doações. Para doar, basta procurar a sede da Seara em Lagoa Nova. Tel.: 3232-7267.
 
 O Livro Sem Fronteiras começou em outubro de 2011
Uma parceria entre a CBTU e a organização Atitude e Cooperação
Uma leitura cai bem enquanto o trem não chega

LEITURAS ENQUANTO O TREM NÃO VEM

Uma leitura cai bem enquanto o trem não chega - e depois da viagem também. O projeto Livro Sem Fronteiras, fruto de uma parceria entre a CBTU e a organização Atitude e Cooperação, instalou pequenos pontos de leitura nas estações do Bom Pastor e da Ribeira, onde os usuários do transporte ferroviário podem ler revistas e livros na hora, e também levar emprestado, mediante um cadastro. Até o fim do ano, uma unidade móvel será colocada em funcionamento. O acervo carece de mais doações.
 
O Livro Sem Fronteiras começou em outubro de 2011, em Bom Pastor. Devido aos bons resultados, foi estendido para a estação da Ribeira em março deste ano. Segundo Raphael Albuquerque, assessor da CBTU, a intenção é estender o projeto para 22 estações, sendo que a maior dificuldade é captar os livros. "Muitas pessoas pegam os livros e não devolvem. Não achamos isso ruim, pois o livro está seguindo seu rumo, mas é preciso repôr. Dependemos das doações", explica.
 
O projeto conta com dois estagiários para orientar os leitores. A estação da Ribeira tem um acervo de 800 livros, e duas cestas de revistas. Para o empréstimo, basta deixar nome e endereço. "Não estabelecemos prazo de devolução, mas estamos pensando em tornar isso mais rígido ", afirma a pedagoga Jacinta Neuma de Araújo, da Atitute e Cooperação. O projeto ganhará movimento quando entrar em ação o trailer de livros que circulará por diversos espaços e eventos. Até o fim do ano, entrará em operação. A doação de livros pode ser feita na sede da organização, na Rua Mipibu, prédio da Unimed. Tel.: 3220-6357.
 
...fonte...
Tádzio França
 
...contatos para efetuar doações...
 
SEARA
84.3232-7267
 
LIVRO SEM FRONTEIRAS
84.3220-6357