abril 04, 2013

LUZ E AÇÃO PARA A CINEMATECA POTIGUAR

 
CINEMATECA  POTIGUAR
Projeto em desenvolvimento no IFRN-Cidade Alta, Natal/RN,
abre espaço para produções audiovisuais com pretensões de se 
transformar em local para pesquisas, exibições e debates
Arte: Reprodução/Divulgação

 CINEMATECA ABRE ESPAÇO PARA O AUDIOVISUAL POTIGUAR

Por
Alexis Peixoto
Tribuna do Norte

Imagine um espaço onde qualquer interessado em cinema possa assistir ou pegar emprestado filmes potiguares. Imaginou? Essa ideia está prestes a sair do papel graças à iniciativa da videomaker e jornalista Maryland Brito, que dá os toques finais no projeto da Cinemateca Potiguar em andamento na unidade Cidade Alta  do Instituto Federal do RN (IFRN). A criação do espaço coincide com a formatura da primeira turma do curso de Cinema da Universidade Potiguar (UnP), onde menos de um terço da turma original concluiu o curso. Os dois fatos, embora apontem em direções distintas, reaquecem a discussão em torno do audiovisual no Rio Grande do Norte.

Em linhas gerais, a Cinemateca Potiguar vai funcionar como uma videolocadora só de vídeos potiguares, onde qualquer pessoa interessada pode retirar os filmes, mediante cadastro e de forma gratuita. O espaço também funcionará como ponto de exibição e local de pesquisa. Para este último fim, uma pequena hemeroteca será montada no local, reunindo material publicado na imprensa sobre o audiovisual potiguar.

Maryland Brito explica que a ideia de criar o acervo de vídeos potiguares partiu da dispersão entre as pessoas que compõem o setor. “Em conversas com outros realizadores  fui percebendo que nós mesmos, que militamos no audiovisual potiguar, desconhecemos muita coisa que se produz aqui no Estado”, disse. “A ideia é centralizar as informações  para facilitar o acesso e promover a difusão”, explicou.

 NATAL/RN
A Capital potiguar está  inserida no Sistema Nacional de Cultura do MINC
Um dos fatos mais relevantes para a política cultural da cidade 
Fotografia: Canindé Soares   
 
MOSTRA NO MINC NORDESTE

Para compor o acervo da Cinemateca Potiguar, Maryland Brito pede a colaboração dos próprios realizadores: os filmes podem ser entregues durante o horário comercial na chefia de gabinete do IFRN-Cidade Alta. No envelope, deve constar ficha técnica e quatro cópias do vídeo em formato DVD: uma para empréstimo, outra para exibição na Cinemateca e uma terceira para reserva técnica.

A quarta cópia poderá ser enviada para a Sede Nordeste do Ministério da Cultura, em Recife, onde uma mostra dedicada ao audiovisual norte-riograndense vem sendo articulada.

A oportunidade já pode ser considerada uma conquista da Cinemateca Potiguar. Ao saber sobre o processo de criação do espaço, o Minc Nordeste abriu dois meses de pauta em sua sede para exibição de vídeos potiguares. Em troca, a Cinemateca Potiguar receberá uma mostra de filmes pernambucanos.

“Temos até o final de abril para enviar uma lista com os filmes selecionados para a mostra. Já conseguimos o espaço, só falta o pessoal enviar os filmes”, pede Maryland Brito.    
 
  "VIVA O CINEMA BRASILEIRO"
Quiteria Kelly no Longa de Buca Dantas
Fotografia: Divulgação 
 
PÚBLICO TEM INTERESSE

Como parte do projeto da Cinemateca Potiguar, uma pesquisa foi realizada entre espectadores de cinema para medir o interesse e conhecimento  sobre a produção local. O resultado foi surpreendente: mais da metade dos entrevistados se mostrou interessada no cinema potiguar.

De um universo de 56 entrevistados, 43 disseram ter assistido filmes potiguares recentemente.  Desses, 15 lembraram do nome dos filmes que assistiram – o documentário “Sangue do Barro” de Maryland Brito e Fabio DeSilva e o longa “Viva o Cinema Brasileiro”, de Buca Dantas foram os mais citados - fotos acima. Todos os entrevistados se disseram interessados em conhecer a produção cinematográfica potiguar.

A pesquisa foi feita pelo estudante de Produção Cultural do IFRN Cristiano Micussi, durante a edição 2012 do Goiamum Audiovisual e nas duas redes de cinema de Natal, nos horários de maior movimento. Micussi também conduziu uma pesquisa semelhante com realizadores potiguares, que elencaram algumas das principais dificuldades na produção. Captação de recursos, acesso à equipamentos e distribuição dos filmes foram os problemas mais citados.

 
  MARY LAND BRITO
Luz, câmara mas falta ação!
Produtores natalenses reconhecem que faltam apoio
 do poder público, cursos de formação e interação 
entre eles para fomentar a cena local
Fotografia: Divulgação 
 
HÁ MERCADO PARA CINEMA

Se a Cinemateca Potiguar gera otimismo, a formatura da primeira turma de Cinema da UnP tem um sabor melancólico. Dos 25 alunos que se matricularam em 2009, apenas quatro se formarão no final desse semestre.

O coordenador do curso e cineasta Fabio DeSilva admite que o número é pequeno, mas chama atenção para o fato de que muitos dos desistentes continuam trabalhando na área. “Mesmo os que desistiram continuam produzindo com a experiência adquirida no curso”, diz.

Em 2012 e 2013, o curso de Cinema não abriu novas turmas por falta de demanda. DeSilva lamenta, mas diz que o “hiato” será aproveitado para reestruturar o curso e que, em breve, novas turmas serão ofertadas.

Apesar da aparente falta de interesse de novos estudantes, o coordenador acredita que existe mercado para os formandos em cinema – em especial na área de publicidade e nas emissoras de televisão locais. Para ele, o problema mais grave do setor é a falta de organização.

“Enquanto o setor não se organizar, não vamos conseguir crescer. Se formos comparar com outros estados, estamos muito atrás da Paraíba, por exemplo”, afirma. “A criação da Cinemateca Potiguar é um ótimo momento para que possamos aprofundar as discussões em torno da captação de recursos, mecanismos de produção, distribuição e capacitação de pessoal”. 

Maryland faz coro com o colega cineasta. Para ela, a falta de organização se reflete na pouca variedade da produção. 


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abril 02, 2013

JENIPABU, HOJE E SEMPRE

  
 JENIPABU
Os empresários do setor turístico potiguar alertam gestores públicos
 sobre a necessidade de investir na melhoria da infraestrutura das praias 
do litoral Norte inseridas na Região Metropolitana de Natal/RN
  fotografia: Hélio Duarte

 JENIPABU, HOJE E SEMPRE

Por
Moura Neto
DO NOVO JORNAL

Contrariando as expectativas geradas com a inauguração da Ponte Newton Navarro, há pouco mais de quatro anos, as praias do litoral Norte inseridas na Região Metropolitana de Natal ainda sucumbem pela deficiência de infraestrutura e serviços básicos, o que afasta investimento privado e, consequentemente, os turistas que injetam vigor na economia da região.

Exemplo típico é Jenipabu, em Extremoz, a 20 KM de Natal, retratada pelo NOVO JORNAL na edição do último domingo. Empresários, comerciantes e bugueiros amargam a pior alta estação dos últimos anos, iniciando a partir dos prejuízos financeiros um movimento para exigir das autoridades providências que possam reverte o quadro sombrio.

Jenipabu despontou como combustível para a incipiente indústria do turismo potiguar ainda nas décadas de 70 e 80, quando o Morro do Careca, em Ponta Negra, figurava como cenário solitário entre os cartões postais que divulgavam as belezas naturais do Rio Grande do Norte para o resto do país.

 
 As águas da praia de Jenipabu são mornas, calmas e limpas
fotografia: Canindé Soares
  
Naquela época, porém, chegar à praia exigia espírito de aventura; o abastecimento de água era precário; a iluminação era a gás; o comércio só oferecia o básico. Mas era esse tipo de isolamento do centro urbano que atraia os poucos aventureiros que por lá chegavam, de transporte ou caminhando pela beira-mar a partir da Redinha, passando por Santa Rita, ainda mais paradisíaca do que a praia vizinha.

O Bar do Porra (assim chamado porque seu proprietário, Albino, só se referia aos clientes com o impropério na ponta da língua, mas com “todo respeito”, como gostava de frisar), nas proximidades das dunas por onde hoje trafegam bugues e dromedários, era o único reduto salutar para quem gostava de comer peixe frito e tomar cerveja jogando conversa fora com os amigos.
 
Um  passeio nas dunas de Jenipabu, divertimento e  fotos inesquecíveis
 os dromedários chegam a dois metros de altura e a pesar até 500 kg
fotografia: Ângelo Cabral

No início de 80 surgiu o Bar do Pedro, comandado por Pedro Vale, que oferecia melhor atendimento aos clientes e mais opções no cardápio em que se destacavam os frutos do mar. O negócio prosperou rapidamente, passando a receber famílias de veranistas e turistas, que ali chegavam de carro ou ônibus fretado pelas operadoras que começaram a explorar o litoral junto com os bugueiros.

Daí pra frente a comunidade desfrutou algum tempo de pujança econômica: havia emprego nos restaurantes, nas pousadas, nas barracas de quitutes e artesanato. Os pescadores passaram a navegar em suas jangadas com os turistas deslumbrados com a natureza do local.

O boom foi interrompido pela falta de visão dos gestores públicos, que não dotaram a praia de condições adequadas para atender ao turista exigente. O projeto de reurbanização não sai do papel, repelindo investidores. Se vivo fosse, Albino não deixaria por menos: e não vão fazer nada seus Porras? Com todo respeito.

...fonte... 
 Moura Neto

abril 01, 2013

ANGICOS: UM EXEMPLO MUNDIAL

EDUCADOR E FILÓSOFO PAULO FREIRE
Fotografia: Divulgação 

UM MÉTODO REVOLUCIONÁRIO EM EDUCAÇÃO
  
“É uma experiência. Uma experiência revolucionária”.  Foi assim que o jornal carioca Tribuna da Imprensa, em matéria datada de 1963, classificou o método de alfabetização de adultos do educador pernambucano Paulo Freire, posto em prática na cidade de Angicos, sertão do Rio Grande do Norte.

Em 2013, comemora-se o aniversário de 50 anos da experiência de Angicos. No dia 2 de abril de 1963, ninguém menos que o então presidente da República, João Goulart, deposto um ano depois por um golpe militar, esteve na cidade para o encerramento das atividades dos Círculos de Cultura, acompanhado pelo governador à época, Aluízio Alves.

Desde então, Angicos se tornou um símbolo para todos os interessados em educação popular. Os objetivos essenciais da experiência se constituíam num verdadeiro desafio: fazer com que os participantes aprendessem a ler, escrever e viessem a se politizar em 40 horas. A proposta era de uma educação para a democracia e construção da cidadania efetiva.  

O Governo do Estado decretou 2013 como o Ano Paulo Freire da Educação do Rio Grande do Norte. O decreto institui uma Comissão Executiva com a finalidade de cumprir algumas metas, entre elas, destacar a memória e a experiência na cidade de Angicos.  

Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife em 1921, ficou órfão aos 13 anos e enfrentou uma infância difícil. Formou-se em Direito, mas nunca exerceu a profissão. Em 1960, desenvolveu um método “simples e revolucionário” de alfabetização para adultos. Durante o governo do presidente João Goulart, coordenou o Programa Nacional de Alfabetização, que tinha o objetivo de alfabetizar cinco milhões de pessoas. Em 2 de maio de 1997, aos 75 anos de idade, um infarto silencia o educador e sua morte foi lamentada em todos os continentes.
 
  Alunos da primeira turma de alfabetização de Angicos/RN,
 reunidos para receber certificados
 Fotografia: Divulgação

ANGICOS
AS 40 HORAS QUE MUDARAM VIDAS

Por
Cledivânia Pereira 
Secretária de Redação
Tribuna do Norte

Das 380 palavras usadas pelos moradores do município de Angicos – localizado a 194 km de Natal – em 1963, FELICIDADE não foi identificada pelo grupo de educadores que implantaram na época o método de alfabetização “40 Horas de Angicos”, pensado e implementado pelo educador Paulo Freire. Nas palavras usadas no dia a dia das 300 pessoas que se matricularam na primeira turma da experiência, DEUS, PROMESSA, ESMOLA, CHUVA, BRANCO, PRETO, TRISTE, ALVOROÇO, MEDO, CORAGEM, CONFORMAÇÃO e INVERNO eram algumas das que se destacavam. Esse universo restrito de formação ortográfica (assim como a falta de outras, como FELICIDADE) podem construir, ainda hoje – com uma distância de exatos 50 anos – o cenário social, cultural e religioso do grupo que conseguiu decodificar, após as 40 horas de estudo, muitas das palavras que verbalizava no cotidiano.

 Paulo Freire (esq.) explica o projeto em solenidade de entrega
 dos diplomas no dia 2 de abril de 1963
 Fotografia: Divulgação

 OUSADIA
ALFABETIZAR MUITOS EM POUCO TEMPO

Pensado e estruturado pelo educador pernambucano Paulo Freire, o método  de alfabetização testado em Angicos tinha um objetivo ousado: alfabetizar adultos de forma rápida e barata. E o primeiro passo era o de catalogar as palavras usadas pelo grupo de alunos, pois essas embasariam as aulas. Nesta terça-feira, dia 2 de abril de 2013, a entrega dos diplomas de alfabetização dessa primeira turma completa meio século.

A comemoração da data será bem mais singela que o evento montado no dia da formatura – 2 de abril de 1963. Na solenidade estavam presentes o presidente da República, João Goulart, o governador do RN Aluízio Alves, o secretário estadual de Educação, Calazans Fernandes,  ministros de Estado, governadores do Nordeste, os 12 monitores do projeto – entre os quais o advogado Marcos Guerra –, os 300 alunos e suas famílias.

 
  A EDUCAÇÃO, A META - ANGICOS, O FOCO

No grupo das autoridades uma presença chamava a atenção. Fardado, lá estava o general Castelo Branco, que um ano após aquela aula de conclusão de curso assumiu a presidência da República com o golpe militar de 1964. Ele não fez pronunciamento público no encontro, mas disse a Calazans Fernandes que o projeto estava “engordando cascaveis”. Um ano depois, um dos atos de Castelo Branco após sua posse foi o de desarticular o grupo do educador Paulo Freire, que foi preso e exilado. O advogado Marcos Guerra, coordenador do projeto de Angicos, também foi preso e exilado.

Com a prisão dos educadores e a desarticulação do grupo, o projeto foi impedido de ser expandido no Brasil e as primeiras experiências do RN foram extintas.

Nesses últimos 50 anos a experiência de Angicos foi base de alguns estudos acadêmicos, citados milhares de vezes nas cadeiras de Educação nas universidades pelo mundo, tida como referência por, pelo menos, 50 países, mas não houve, até agora, uma releitura ou apropriação do método para a implementação em grande escala como era o objetivo da época. “O projeto é atual, precisa ser revisitado e atualizado. Mas está lá, pronto. Porque Paulo Freire não preparou um método de alfabetização. E sim um método de aprendizagem. De como conhecer. E isso não mudou”, avalia Marcos Guerra.

 
Antônio Silva estava entre os 300 aprovados pelo projeto
  Fotografia: Arquivo Tribuna do Norte 
 
ESTUDO

Em 2002, a educadora Nilcéa Lemos Pelandré analisou os “efeitos a longo prazo do método de alfabetização”. Após entrevistar alunos que se alfabetizaram em 1963, a estudiosa descreveu que os participantes aprenderam a escrever palavras isoladas e frases simples e curtas. A aprendizagem mais significativa, sendo a pesquisadora, foi a elevação da autoestima e a consciência de não se sentirem mais excluídos do mundo letrado.   

ESPERANÇA estava entre as palavras catalogadas pelos coordenadores do curso de alfabetização em Angicos. ESPERANÇA de dias melhores, ESPERANÇA de entender melhor o mundo, como bem sintetizou o aluno Antônio Silva, à época com 51 anos, que falou em nome da turma às autoridades presentes: “Temos muita necessidade das coisas que nós não sabia, e que hoje estamos sabendo. Em outra hora, nós era massa, hoje já não somos mais, estamos sendo povo”. 

Presidente dos EUA, John Kennedy, esteve com Calazans Fernandes,
 Secretário de Educação do Rio Grande do Norte, 1962
  Fotografia: Arquivo Tribuna do Norte

ANGICOS VIROU EXEMPLO MUNDIAL

Até ser extinto, em 1964, o projeto “40 Horas de Angicos” ganhou repercussão nacional e internacional. No dia 2 de julho de 1963, o jornal New York Times apresentou o sucesso do projeto ao mundo. Depois disso, os holofotes da imprensa internacional foram voltados para a pequena Angicos que, à época, tinha pouco mais de 9 mil moradores, dos quais 75% moravam na zona rural. Nessa época, pelo levantamento da equipe de Paulo Freire, 75% da população era analfabeta. Para Angicos se deslocaram representantes de outros jornais, tais como: Time Magazine, Herald Tribune, Sunday Times, United e Associated Press e Le Monde.
 
 Registro de um círculo de cultura no Gama/DF (1963) 
com a presença de Paulo Freire, onde um alfabetizando 
carregando o filho,verbaliza e mostra sua descoberta - TU JÁ LÊ - 
no uso dos "peda­ços" (sílabas) da palavra TIJOLO.
 Fotografia: Divulgação

 PROJETO SERIA DIFUNDIDO EM TODO O PAÍS

Após a turma de Angicos, o projeto foi expandido para outras cidades do RN (Natal-Quintas, Mossoró, Caicó e Macau) e de outros Estados do país: Ubatuba (SP), Osasco (SP), Rio de Janeiro, Brasília, Aracaju (SE) e Porto Alegre (RS).

Em janeiro de 1964, um decreto federal instituiu o Programa Nacional de Alfabetização consagrando o “Sistema Paulo Freire para alfabetização em tempo rápido”. O programa previa a criação de 60.870 círculos de cultura, para alfabetizar, em 1964, 1.834.200 analfabetos. Nesse mesmo mês, o MEC designa o educador pernambucano para a Comissão Especial do Programa.

Mas a experiência exitosa de Angicos não conseguiu ser nacionalizada. No dia 14 de abril de 1964, apenas 13 dias após o Golpe de Estado, o Decreto nº 53.886, de 14 de abril de 1964, extingue o Programa Nacional. Dois meses depois, em 16 de junho, Paulo Freire foi preso, acusado de “subversivo e ignorante”. Marcos Guerra lembra que já no dia 2 de abril – um dia após o Golpe, a sede do projeto no RN foi totalmente desarticulada pelos militares.  Marcos Guerra também foi preso e exilado. “Mas eu faria tudo novamente. Fui preso algumas vezes, pois conseguia habeas corpus para sair da prisão... essa tentativa de sair da cadeia eu não repetiria mais hoje... a minha família sofreu muito com isso... se fosse hoje, eu teria saído para o exílio com maior rapidez. Mas, no mais, teria feito tudo novamente”.

...fonte...
Assessoria Mandato Mineiro
 www.mineiropt.com.br
 Cledivânia Pereira 
Secretária de Redação

www.tribunadonorte.com.br     
  
 “Alfabetizar-se não é aprender a repetir palavras, 
mas a viver a sua palavra, criadora de cultura.”
Paulo Freire     
   
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março 25, 2013

A ESSÊNCIA DO DESIGN POTIGUAR

  FELIPE BEZERRA & ANDRÉ GURGEL
O arquiteto Felipe Bezerra, 42 anos, e o designer gráfico André Gurgel, 25 anos, foram buscar no sertão a essência de um trabalho que nem começou direito e já conquistou o primeiro grande prêmio internacional. A mula preta cantada por Luiz Gonzaga  é a inspiração de uma dupla  premiada do designer potiguar. Eles viajam à Europa em abril em busca dos prêmios.
Fotografia: A`Design Award & Competition

 O DESIGN PREMIADO DO MULA PRETA

Por
Yuno Silva 
Tribuna do Norte

Pare um instante e olhe ao redor. Atente nos objetos e equipamentos à sua volta, repare na roupa que está vestindo, no seu calçado, celular, guarda-chuva. Agora preste atenção onde e como está lendo esta notícia: se na versão impressa ou digital? Se está no carro ou no ônibus; tomando café ou almoçando. Independente de onde esteja, você está cercado pelo design – seja ele agradável ou não (aos olhos), funcional ou não. Desde xícaras e talheres a fachada de um edifício, um panfleto ou o visual de uma página eletrônica... tudo é design e foi pensado para desempenhar determinada função. 

O que diferencia um produto do outro, por mais que sirvam para a mesma coisa, é a aplicação de conceitos e soluções que agregam valor e fazem de uma cadeira uma obra de arte. É neste universo, do design enquanto arte funcional, que se insere o estúdio potiguar Mula Preta Design, único representante brasileiro premiado no evento A’Design Award & Competition, de Milão (Itália). 

 BANCO CENTOPÉIA
Faturou a prata no evento italiano e terá produção limitada 
com lançamento em Natal/RN no mês de maio
Fotografia: A`Design Award & Competition

Criado em 2012 pelo arquiteto Felipe Bezerra e pelo designer André Gurgel, o Mula Preta teve os três projetos inscritos na categoria móveis reconhecidos pelos jurados: a poltrona “Basquete” (feita de couro e espuma) faturou o ouro, a poltrona “Nest” e o banco “Centopeia” (em madeira) levaram prata, e a cadeira “Reta” (de plástico injetado) ficou com o bronze.

Os projetos vencedores foram anunciados logo após o Carnaval e a entrega dos prêmios acontecerá no próximo dia 15 de abril. Vale registrar que em cada uma das 80 categorias do evento italiano, criado há três anos e já entre os principais do gênero no mundo, são distribuídos vários prêmios de 1º, 2º e 3º lugares. Os projetos 'top' são agraciados com o troféu platina e ainda há espaço para menções honrosas. Outro detalhe a ser ressaltado é a posição do Brasil no ranking elaborado pela A'Design Award, que saltou do décimo lugar para o sétimo com o desempenho da dupla potiguar.

POLTRONA BASQUETE
 Menina dos olhos do estúdio Mula Preta
Poltrona em formato de bola de basquete é Ouro na Itália.
 Em couro e espuma, foi a grande vencedora em sua categoria
 no A`’Design Award & Competition, de Milão.  
Fotografia: A`Design Award & Competition

Como arquiteto sempre tive a satisfação e o interesse em mostrar o lado artístico do meu trabalho”, disse Felipe Bezerra. “Por isso vejo o estúdio Mula Preta como uma boa oportunidade de extravasar esse lado da arquitetura e do design”. Felipe lembra que o design brasileiro, de uns 10, 15 anos para cá, disparou no mercado internacional. “Não só a produção atual como a de outras épocas”, ressaltou.

Os próximos passos de Bezerra e André Gurgel é participar de festivais semelhantes, como o conceituado Red Dot Award que acontece em Singapura, na Ásia, e tentar viabilizar a fabricação dos móveis – que ainda permanecem apenas como projetos eletrônicos.

“Por enquanto o único que será produzido é o banco Centopeia, por uma empresa aqui do RN, a ser lançado durante um evento de design aqui em Natal no mês de maio. Vamos fazer uma edição limitada de 99 peças”, disse o arquiteto. A outra meta é tentar emplacar a poltrona “Basquete” nos Estados Unidos.

André, que participou de forma individual da edição 2011 do A’Design Award, ganhou prêmios pela poltrona ‘namoradeira’ “Fluens” e pelo abajur “Six Table”. “Cheguei a visitar uma fábrica de móveis em Gramado (RS) para ver a viabilidade de fabricar a Fluens”, informou o designer.

POLTRONA "NEST"
Também premiada no A`’Design Award & Competition, Milão
 Um festival de Cingapura e o Museu da Casa Brasileira, 
em São Paulo, estão na mira da dupla em 2013.
 Fotografia: A`Design Award & Competition  
 
OUSADIA DEPENDE DO MERCADO

Autor do projeto Hermes 880, um prédio comercial semelhante a uma pilha de livros que será construído na Av. Hermes da Fonseca, Tirol, o arquiteto Felipe Bezerra contou ser difícil erguer projetos arrojados em mercados considerados pequenos. “É preciso ter capital circulando para viabilizar edifícios conceituais. Aqui em Natal, apesar da expansão, estamos limitados ao perfil do mercado, as contas precisam bater no final de uma obra, mesmo assim sempre procuro incorporar algum diferencial nos projetos que faço da Ecocil”.

Para ele, que atua fortemente na área da construção civil, qualidade de vida também inclui viver rodeados de belos prédios. “Poucas empresas que atuam na capital potiguar se preocupam com o design dos edifícios, e “investem em prédios como mera 'commodities' (mercadoria)”, avalia Bezerra.

ECOCIL -  FÁBRICA DE SONHOS
A maior e mais tradicional empresa de construção civil do RN
Fundada em 1948, permanece em modernização e atividades ininterruptas
Fotografia: Divulgação

 ANTIGA SEDE DA ECOCIL PODE VIRAR ESPAÇO CULTURAL

Questionado sobre os rumos da urbanização natalense, o arquiteto chama atenção para o propalado legado da Copa do Mundo: “No final das contas trocamos seis por meia dúzia (o Machadão pelo Arena das Dunas), pois não acredito que a prometida infraestrutura e as obras de mobilidade irão sair até a Copa”, critica.

Quanto a também prometida (e tantas vezes anunciada) revitalização da Ribeira, Felipe Bezerra diz que só será possível com a “união de empresários e poder público”. Ele adiantou que a antiga sede da Ecocil, que funcionava na Av. Tavares de Lira, poderá ser transformada –  “em breve” – em um espaço cultural. “A Ribeira é o melhor lugar para abrir um restaurante, para investir em entretenimento, e pra dar vida ao bairro só uma urbanização definitiva, um programa de incentivos fiscais”. Bezerra reforça a importância de um museu sobre a Segunda Guerra Mundial e que o Museu da Rampa precisa ser pensado de forma integrada com o Canto do Mangue, Rua Chile e Praça Augusto Severo.

...fonte...
Yuno Silva
 www.tribunadonorte.com;br
 www.novojornal.jor.br

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 www.mulapretadesign.com
 www.adesignaward.com
 www.ecocil.com.br

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