agosto 19, 2013

O CAÇADOR DE IMAGENS E SENTIMENTOS

 
J.B. SEGUNDO SE DESTACA ENTRE OS
PROMISSORES NOMES DA FOTOGRAFIA POTIGUAR

UM OLHAR SOBRE AS PESSOAS

 Por
Mário Gerson
GAZETA DO OESTE

O passo lento pela escadaria de um prédio da cidade denuncia – logo – que estamos diante de alguém que observa a vida calmamente. Alguém que espera o momento certo, mas também que acredita naquele instante “de sorte”, a imagem certa, o lugar exato, a hora ideal, aquelas cenas que nos são entregues pela Providência, como uma forma de nos alegrarmos por estarmos diante da obra de arte maior: a própria vida.

José Bezerra Neto Segundo, ou apenas J. B. Segundo, como assinava (e ainda assina), à época de jornalista, é um desses casos interessantes da fotografia e da mídia impressa. Como repórter, editou cadernos, escreveu matérias, mas foi com uma máquina fotográfica nas mãos que se realizou ainda mais, de maneira que isso se tornou não apenas um hobby, mas uma forma de ver o mundo, como um terceiro olho, um dispositivo que ele aciona para entrar “na alma das pessoas” e de lá “apreender as coisas mais belas”, pois ele entende que “a máquina é apenas um recurso. É preciso técnica, mesmo que demore para consegui-la. Já percepção, é uma junção de muitas coisas. Mas a fotografia necessita de tudo isso e algo mais”. Claro, é preciso alma, alma para sentir as outras almas...

Fotografia: J. B. Segundo

Em viagens que faz pelo interior do Estado, seja acompanhado ou não de colegas, ou mesmo pelas andanças na zona rural de Mossoró, J. B. encontra a sua matéria-prima, o seu substrato, aquilo de que precisa para compor sua obra: as pessoas.

Fotografia: J. B. Segundo

No início de tudo, porém, tudo começou com as próprias coisas, silhuetas de objetos, junções de camadas, estudos de cores e formas, experimentos. Aos poucos, no entanto, ele se aproximou das pessoas em seu trabalho e começou a colocá-las em suas fotografias. Melhor dizendo, começou a chamá-las para participar de suas imagens, pois uma das principais características do trabalho de J. B. é justamente essa: as pessoas, de uma forma especial, acabam por participar do momento e expõem, nesse caminho, o olhar, a alma, o ser que paira na imagem, aquele gesto ou mesmo aquela forma de encarar o fotógrafo e o momento... é uma criança que, sentada junto a outras, olha para câmera, é uma mulher que, ao lado de outra que costura, olha para câmera, enfim, são pessoas que entram nas fotografias não apenas com sua imagem, mas com seus sentimentos.

Em 2009, ele comprou um celular com câmera e começou a tirar fotos. “Eu já tinha certo interesse em fotografia e pintura, a pintura como uma satisfação pessoal. Comecei a perceber que prestava atenção aos detalhes das coisas. Não precisava de um aparato, mas de uma máquina pequena, algo acoplado, para apreender, de certa forma, a realidade. Se formos comparar com os equipamentos de 1940, estaria no céu, pois o material é diferente e vale reforçar que a máquina, em si, não faz o fotógrafo”, destaca José Bezerra Neto Segundo.
 
 "A COSTUREIRA"
 foto contemplada com 1º lugar na categoria Profissional PB
no 35º Concurso Fotográfico da Cidade de Santa Maria/RS
Fotografia: J. B. Segundo

APREENSÃO DA REALIDADE

O estudo nas formas e o aprimoramento – através de contatos, também, com outros fotógrafos – fez com que J. B. Segundo conseguisse repercussão com seu trabalho, principalmente nas redes sociais, onde posta algumas fotos. “Hoje temos todas as ferramentas para estudarmos, temos a internet que nos leva para outros documentos, dados, livros. 

Quando comecei a pesquisar, o primeiro fotógrafo no qual me detive foi Henri Cartier-Bresson, considerado O Olho do Século. Isso me fez também chegar a outros. Acredito que, na questão de estudo, é preciso. Se não há interesse, não há foco. Não julgo as pessoas que não estudam, de sorte que acredito que antes de criticar é preciso ensinar, dar horizontes e se colocar no lugar do outro”, afirma J. B. Segundo, que se considera “um pequeno beija-flor que leva sua contribuição para apagar o fogo”.

Segundo ele, esse momento foi um dos mais importantes de sua trajetória, pois lhe trouxe novas percepções. “As pessoas, por exemplo, ainda não faziam parte de meu trabalho. Mas, a partir daí, comecei a inseri-las”, explica.

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