setembro 18, 2014

A CATITA DE VOLTA AO LAR

 
CATITA
Com decisão da Justiça Federal, locomotiva Catita retornará ao RN
A locomotiva ficará sob a responsabilidade do Instituto dos Amigos
do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural e da Cidadania (IAPHACC)
A Catita foi levada para Recife em 1975 no intuito de ornamentar
o escritório regional da RFSA
Fotografia: Divulgação  

 A CATITA DE VOLTA AO LAR

Via
JORNAL DE HOJE 

Depois de transitar em julgado a sentença favorável da Justiça Federal do Rio Grande do Norte, a locomotiva Catita nº 03 retornará ao Estado potiguar. No dia 11 de outubro, o transporte, que marcou a história do Rio Grande do Norte, chegará a Natal e será levado para o Museu Ferroviário Manoel Tomé de Souza, sediado no bairro das Rocas, na capital potiguar.

A última etapa para entrega da locomotiva Catita foi cumprida este mês, quando o Juiz Federal Janilson Bezerra de Siqueira, titular da 4ª Vara Federal, assinou despacho com ordem de entrega da locomotiva, que estava no Museu do Trem na cidade de Recife.

A locomotiva ficará sob a responsabilidade do Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural e da Cidadania (IAPHACC), presidido por Ricardo da Silva Tersuliano. “Esse é o maior resgate da história do Rio Grande do Norte. Só temos a agradecer ao Judiciário Federal do nosso Estado”, disse Ricardo Tersuliano.

ENTENDA O CASO

Em julho de 2013, a Juíza Federal Gisele Leite, da 4ª Vara Federal, determinou que o Governo do Estado de Pernambuco e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional entregassem a locomotiva nº 03 conhecida como Catita e seu reboque ao Estado do Rio Grande do Norte.

A magistrada acolheu os argumentos do Ministério Público Federal, sustentando a importância histórica da Catita, que se encontra no Museu Ferroviário de Recife em mau estado de conservação.

“A locomotiva reclamada encontra-se, há muito, abandonada à própria sorte, à mercê de toda sorte de intempéries, sem, portanto, qualquer garantia de preservação do seu valor histórico e cultural”, destacou a magistrada na sentença.

Em abril deste ano, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, ao analisar o recurso da sentença, confirmou a determinação para que a locomotiva retornasse ao Estado potiguar. O TRF5 negou provimento ao recurso do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e manteve a decisão da 4ª Vara Federal do Rio Grande do Norte que acolheu o pedido feito na ação ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) com a finalidade de fazer retornar ao Estado potiguar a locomotiva Catita nº 03.

“Verifica-se, através das fotografias anexadas aos autos, que a máquina está guardada em parte externa do prédio da Estação Central do Recife, submetendo-se às intempéries, as quais, com certeza, destruirá o equipamento, que ora se encontra em lastimável estado de manutenção”, afirmou o relator desembargador federal convocado Ivan Lira de Carvalho.

O valor da locomotiva Catita está na sua própria história. Em 1916 esse foi o transporte usado para puxar a composição que conduziu importantes figuras do cenário potiguar, Joaquim Ferreira Chaves, Januário Cicco, Henrique Castriciano e Juvenal Lamartine, para a inauguração da Ponte de Igapó, maior obra ferroviária da Região Nordeste à época. Na ocasião, percorreu-se todo o estuário do Potengi. A Cattita também foi usada para o transporte do ex-presidente da República Washington Luiz.

Restauração da antiga Refesa nas Rocas já foi iniciada
A história e memória da cidade também serão prestigiadas
com a criação do Museu do Trem de Natal
 Fotografia: Joanisa Prates  
 
NATAL GANHARÁ "UM MUSEU DO TREM" NAS ROCAS

Quando o pesquisador Ricardo Tersuliano (Cobra), pensou em criar um “CD ROM” que reunisse texto e imagens sobre os principais pontos históricos de Natal, há 14 anos, passou a resgatar, quase por acaso, um capítulo importante da história da rede ferroviária no Rio Grande do Norte. Naquela época, sua intenção era criar um Instituto do Patrimônio Histórico do RN. A ideia funcionou até o momento em que começou a estudar a Ponte de Ferro de Igapó. “Aí eu descobri a Catita”, explica.

Quando Ricardo conheceu a história da Maria Fumaça que, em 1916, inaugurou a Ponte de Ferro de Igapó, prontamente abandonou o projeto inicial do “CD ROM” e passou a dedicar seus esforços para trazer a “Catita” de volta à Natal. Em 1975, a locomotiva foi transferida para Recife, onde ficou ornamentando o hoje extinto Museu do Trem da capital pernambucana.

“Nessa viagem inaugural (da ponte de Igapó) estavam presentes o governador e convidados como Câmara Cascudo, aos 10 anos acompanhado de seu pai (Coronel Cascudo), (médico) Januário Cicco e José Augusto, que hoje nomeia a Fundação de Cultura do RN”, detalha o pesquisador.

A partir de 2004, Ricardo fundou o Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Cultural do RN, o IAPHACC, para facilitar na “papelada” que envolvia o retorno da Catita, porque até então todas as reivindicações estavam sendo feitas no seu nome. "Com o IAPHACC ganhamos força”, justifica.

Hoje, ele explica que a Catita está abandonada em um galpão anexo ao extinto Museu do Trem de Recife. Por enquanto. A locomotiva será a principal atração do Museu do Trem,  cuja inauguração está prevista para maio de 2015, na Rotunda, prédio histórico que pertenceu à antiga RFFSA (Rede Ferroviária Federal) nas Rocas.   

O nome do museu, Manoel Tomé de Souza, será uma justa homenagem ao mecânico que salvou a pequena locomotiva de virar sucata no final da década de 1950, quando a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) resolveu substituir todas as locomotivas a vapor por máquinas a diesel.

 Locomotiva Catita nº 3 e seu reboque, pertencem ao patrimônio
 ferroviário do Estado do Rio Grande do Norte
 Fotografia: Divulgação

  O COBRA E A CATITA

O criador do IAPHACC é um homem obstinado. Sua obstinação, no entanto, atende pelo nome de Catita, a histórica locomotiva que inaugurou os trilhos da ponte de ferro de Igapó, em 1916, e os da ponte de concreto Presidente Costa e Silva, em 1970. Ele conta que, assim como a Catita, existiam outras 25 locomotivas a vapor circulando pelo Estado até o momento em que a Rede Ferroviária Federal S.A. foi criada em 1957, incorporando todas as estradas de ferro existentes na época. “Com a empresa estatal chegando junto, a modernização também chegou e as máquinas a vapor começaram a ser retiradas”, conta.

Ainda de acordo com suas pesquisas, as 26 máquinas a vapor foram estacionadas no pátio da RFFSA, localizado nas Rocas, esperando serem vendidas. Na ordem, a Catita era a última da fila e foi salva inicialmente pelo acaso. “Felizmente cresceu um mato que acabou camuflando a Catita, enquanto as outras eram negociadas primeiro para diferentes compradores”, diz.

Mas o verdadeiro “pai” da Catita, Ricardo conta que foi seu Manoel Tomé de Souza, conhecido por seu Manozinho, que era chefe das oficinas da RFFSA e negociou com os compradores a permanência da locomotiva. “Ele trocou com os compradores a Catita por alguns ferros que não estavam sendo usados na oficina”, explica.

Ao invés de ser vendida, a Catita ficou guardada na oficina da RFFSA, sendo usada por seu Manozinho para manobrar vagões. “Em 1970, quando a primeira ponte de concreto foi inaugurada, ele decidiu colocar também a Catita para fazer parte do momento. A Maria Fumaça, que tinha inaugurado a primeira ponte de ferro, agora inaugurava a primeira de concreto”, conta.

Cinco anos depois, em 1975, com a inauguração da nova sede da RFFSA, em Recife, os executivos da Rede Ferroviária que já tinham visto a Catita quando estiveram em Natal para a inauguração da ponte de concreto, mandaram buscar a locomotiva para ornamentar o novo escritório. “Anos depois o escritório foi vendido e, desde então, a Catita não recebeu mais atenção”, garante Ricardo.

Quase 11 anos após a criação do IAPHACC, que atualmente conta com cerca de 20 sócios, Ricardo Cobra finalmente está prestes a realizar o maior sonho da instituição: instalar o Museu do Trem de Natal, com a presença, claro, da Catita.

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setembro 15, 2014

GUARACI GABRIEL NA BIENAL DE SÃO PAULO

 
GUARACI GABRIEL
O artista  participa da Bienal com a obra  “O artista que não existe”,
Que pode ser vista em tablets com leitor de Código QR
Fotografia: Divulgação

 TEM FORMIGA NA BIENAL

Por
Yuno Silva
TRIBUNA DO NORTE
 
Montado na garupa de uma formiga imaginária, o sempre inquieto Guaraci Gabriel pegou a estrada rumo ao Sudeste para se integrar à 31ª edição da Bienal de São Paulo, evento de alcance internacional que figura na lista dos três mais importantes do mundo no circuito das artes visuais. Inicialmente Guaraci iria fazer apenas uma participação extraoficial, mas a performance “O Artista que não Existe” acabou integrada a programação e fez do artista o segundo potiguar a participar oficialmente da Bienal paulista – o pioneiro foi Abraham Palatnik, 86, menção honrosa na primeira edição da mostra paulista em 1951 com sua arte cinética.

A proposta de Gabriel é expandir a realidade a partir da leitura de um código QR, impresso nas costas do paletó do artista, que remete quem aponta um smartphone ou tablet (conectado à internet) para outra dimensão, revelando uma paisagem virtual onde se vê a galeria onde acontece a Bienal ocupada pela escultura do formigão de 5 toneladas e 12 metros montada às margens da BR 104 em Queimadas (PB) – para conferir a obra enquanto você lê esse texto, basta apontar o leitor de QR Code de seu equipamento para o desenho nas costas do artista.

Vale destacar que o foco da Bienal deste ano está centrado no “potencial da arte e sua capacidade de agir e intervir”, tirando do centro das atenções as obras de arte em si para valorizar a criação compartilhada e a relação pessoa-arte desdobrada durante e depois do encerramento da exposição. “Minha performance está sintonizada com o tema da Bienal, que é ‘Como (ouvir/ver/escrever sobre) coisas que não existem’”, explicou Guaraci, que após circular com seu trabalho nos dois primeiros dias da Bienal (6 e 7 de setembro), no Parque do Ibirapuera, levou sua formiga imaginária ao Memorial da América Latina.

O artista já colhe os frutos de sua ousadia, e revela em primeira mão ao VIVER que, “se tudo correr nos conformes”, no final de outubro voltará ao Memorial da América Latina acompanhado da instalação física da formiga gigante.

CINEMA PROCESSO

Todas as peripécias de Guaraci Gabriel estão sendo devidamente registradas pelo diretor de fotografia Carlos Tourinho no docudrama “Bicho do Mundo – Uma Biografia não Autorizada”. Iniciadas há cerca de um ano, as gravações estão na reta final. “Temos 80% do filme pronto, faltando apenas oito cenas: quatro em São Paulo e outras quatro no Rio de Janeiro”, disse Tourinho, que faz de sua câmera um personagem da narrativa que flerta com a metalinguagem e com o chamado cinema processo.

“O roteiro segue uma linha mestra, mas as ações se constroem na medida que gravamos. Como o  conceito do longa (90 minutos) permite improvisos, trabalhamos bastante com planos-sequência (cenas sem cortes)”, adianta Tourinho. A equipe potiguar viajou para SP e RJ com apoio da J. Patrício Metais, Compal, Recicla e Formigão Metais (PB). “Agora estamos na batalha de recursos para garantir a pós-produção do filme”, informou o cineasta.

A sinopse do filme é complexa: um casal, ele artista plástico (Guaraci) e ela atriz (Silbene Sil), entra em conflito quando o primeiro quer abrir uma exposição sem dar espaço para a companheira estrear um novo espetáculo. Ela entra em colapso com a situação e acaba viciada em remédio. Mas não é só isso! Como o próprio título sugere, a trama, narrada através de depoimentos reais e fictícios, constrói um mosaico de ‘biografias não autorizadas’ dos entrevistados – incluindo o diretor de fotografia e o produtor Márcio Otávio. “É o filme do filme, do filme”, arremata Guaraci.

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agosto 28, 2014

O OLHAR "INVERSUS" DE FERNANDO PEREIRA

 
 FERNANDO PEREIRA
 Fotógrafo, formado em Jornalismo e Letras pela UFRN, 
o carioca Fernando Pereira mora em Natal há 40 anos.
 Fotografia: Argemiro Lima / NJ

O "INVERSUS" DE  FERNANDO PEREIRA

 Por
HENRIQUE ARRUDA do NOVO JORNAL 

Já imaginou se a gente pudesse observar o mundo a partir do seu reflexo? Seja na areia molhada da praia, nas leves ondas de uma lagoa ou mesmo em uma gota de água.  Foi isso que fez o jornalista e fotógrafo Fernando Pereira (61) durante um ano.O resultado pode ser visto na Pinacoteca do Estado até 6 de setembro através das 30 imagens que compõem a exposição “Inversus”.

“Você percebe que essas imagens originalmente estão de cabeça para baixo por se tratar de um reflexo, não é?”, questiona Fernando à reportagem, assim que começa a revisitar as fotografias expostas em diversos tamanhos, explicando que a ideia de observar as paisagens a partir de seus reflexos surgiu em março do ano passado.

No período, ele estava em cartaz na Galeria de Artes da UFRN (Conviv’art), com a exposição “Vivam Natura” até que o marchand Antônio Marques observou “você conseguiu um Monet com esta fotografia aqui não foi rapaz?”, lembra Fernando apontando para a imagem em questão, que exibe uma árvore no município de São Rafael, interior do estado, observada através de uma poça d’água.

“Eu fui para lá no final do inverno e as árvores já estavam com as folhas amareladas, então tinha essa poça muito próxima, mas já com o lodo por conta do tempo... e assim as cores se misturam e formaram essa visão”, explica Fernando sobre a fotografia que mais parece, de fato, uma pintura, assim como boa parte das fotografias expostas.

“É engraçado porque essas imagens realmente parecem uma pintura, algumas até mais que outras. Depende muito da textura que o reflexo tem”, complementa, garantindo que a natureza é o grande objetivo de seu trabalho como fotógrafo, desde que começou na área, no começo dos anos 90.

Com a exposição em mente, a partir da observação do marchand, Fernando continuou com suas rotineiras viagens pelo interior do estado para fotografar as belezas de cada local e assim chegou São Tomé, cerca de 100 km da capital. Por lá, ele obteve uma das fotografias mais destacadas na exposição, a que exibe um caçador visto pelas cores de uma poça d’água.

“Toda vez que chego em uma cidade procuro me informar sobre o lugar mais bonito dela, na opinião dos moradores: um  riacho, uma nascente, pássaro, pedra... o que tiver. E foi assim que eu descobri a Pedra do Oratório em São Tomé. Só que para chegar lá, contei com a ajuda de alguns caçadores que conheciam o caminho e fiz essa foto em um momento do percurso”, conta sobre a imagem, puxando imediatamente seu tablet para mostrar outras imagens do percurso.

“Muita coisa ficou de fora”, conta, adicionando entre os locais já visitados e fotografados no Rio Grande do Norte, o Monte das Gameleiras e principalmente a região de Acari.“Sou apaixonado por Acari”, declara. O próximo destino a ser visitado é Cerro Corá. “Quero ver a nascente do Rio Potengi”, argumenta.

Além de registrar o interior do estado, as 30 fotografias que compõem a exposição, também transportam o público de forma subjetiva para os cartões postais mais comuns da capital potiguar, como Ponta Negra; onde Fernando fotografa o reflexo da sombra de surfistas e garotos jogando bola na praia, e a Ribeira, através de prédios refletidos no Rio Potengi.

Todas as imagens foram registradas em câmera profissional, mas ele argumenta que não é apegado a essa questão. “Hoje em dia muitos modelos de celulares já fazem fotos maravilhosas, e acho que, no fundo, o que vale é a imagem e isso não depende de modelo de câmera, mas da visão do fotógrafo”, menciona.

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agosto 27, 2014

CAMILA MASISO: FINALISTA NO E-FESTIVAL

CAMILA MASISO
FINALISTA NO SAMSUNG E-FESTIVAL
 “Rei do Povo” faz parte do novo cd de Camila Masiso
Música selecionada entre mais de 600 participantes de todo o Brasil
Natural de Natal/RN, firma-se com força e carisma na cena musical nacional
 Fotografia: Elias Medeiros

CAMILA MASISO
UMA VOZ POTIGUAR NO SAMSUNG E-FESTIVAL

Por
SAMSUNG E-FESTIVAL - TRIBUNA DO NORTE - JORNAL DE HOJE

Entre mais de 600 participantes de todo o Brasil, a cantora potiguar Camila Masiso foi selecionada para ser uma das cinco finalistas do Samsung E-Festival. A música “Rei do Povo”, do seu mais novo trabalho, “Patuá”, foi a escolhida para concorrer na categoria “Melhor Canção”. 

Agora, ela depende do voto popular para vencer o festival promovido pela empresa transnacional. Camila Masiso entregou-se à MPB, junto com uma talentosa geração de novos músicos. Natural de Natal/RN, firma-se com força e carisma na cena musical nacional.

Ao receber os trabalhos dos artistas, Thomas Roth, curador do festival, disse que estava em uma “missão impossível” ao escolher somente 5 músicas de cada categoria. Considerou o nível artístico dos trabalhos que ouviu muito bom, muito alto.

 CAMILA MASISO
Fotografia: Elias Medeiros 

E-FESTIVAL

Coisas incríveis podem acontecer quando a tecnologia Samsung se encontra com o talento, a ginga e a musicalidade brasileira.

Para revolucionar o cenário musical do Brasil, a Samsung trás a nova plataforma que irá revelar e consolidar os futuros talentos da música brasileira: Samsung E-Festival –Revelando Talentos. 

O concurso via web, além do compromisso de lançar novos talentos da música, oferece também condições para que estes artistas se desenvolvam e possam construir sua carreira de uma maneira sustentável.

CAMILA MASISO
Fotografia: Elias Medeiros

FORÇA E CARISMA NO CENÁRIO MUSICAL

A música “Rei do Povo” faz parte do repertório de “Patuá”, trabalho recém-lançado por Camila Masiso no Teatro Riachuelo, em Natal. O show do álbum também foi levado a Paris, a Currais Novos e à praia de Pipa. A canção que concorre no Samsung E-Festival é composta por Vinícius Lins, Alex Amorim e João Henrique Koerig, e arranjada pelos músicos norte-rio-grandenses Diogo Guanabara, Rogério Pitomba e Henrique Pacheco.

Camila Masiso começou a carreira solo em 2009, cantando clássicos do samba e da bossa nova em Natal. O seu primeiro disco autoral foi “Boas Novas”, lançado em 2010, com nove canções inéditas. 

A cantora foi finalista do festival MPBeco, recebeu prêmio Hangar de “Intérprete Revelação” em 2010, ganhou prêmio O Poti, promovido pelo jornal Diário de Natal, na categoria “Artista Popular”, após ser a mais votada na internet, participou de duas edições do projeto Parcerias Sinfônicas, do Sesc RN – a primeira edição, na qual foi solista, também levou prêmio Hangar de “Melhor Show do Ano” (2011) – e levou seu talento a países como França, Itália, Áustria e Eslovênia. 

No cenário atual, se firma como uma grande aposta da música popular brasileira. Tocou em grandes palcos, como o do Teatro Rival (RJ), e participou de shows com artistas como Roberto Menescal, um dos criadores da bossa nova, e a cantora mexicana Julieta Venegas, duas vezes ganhadora do Grammy Latino. 
  
VOTE NA CATEGORIA CANÇÃO

O Samsung E-Festival terá encerramento nacional em grande estilo. Estão previstas apresentações dos vencedores em shows com a participação de grandes nomes da Música Popular Brasileira em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, em datas que serão divulgadas em breve.

O Samsung E-Festival premiará os três melhores com R$ 5 mil (cinco mil reais) para o terceiro colocado; R$ 15 mil (quinze mil reais) para o segundo lugar e R$ 30 mil (trinta mil reais) para o grande vencedor. O artista mais votado receberá também o apoio artístico de Thomas Roth e da curadoria do projeto para a construção de seu plano de carreira. 

Agora é sua vez de escolher os novos talentos da música brasileira! Camila Masiso é a nossa representante potiguar no renomado festival! Além dela, conheça também os outros finalistas do concurso e vote em seu favorito. Até o dia 05 de setembro é possível votar no site www.efestival.com.br.

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www.jornaldehoje.com.br
www.efestival.com.br

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Categoria Melhor Canção
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agosto 26, 2014

DEMÉTRIUS: POTIGUAR EM DESTAQUE

DEMÉTRIUS COELHO JÚNIOR
Diretor Comercial Revista FORMAS
Fotografia: Divulgação

EM BUSCA DO CONHECIMENTO

Por
Assessoria Comunicação Revista FORMAS

Demétrius Coelho Júnior - diretor comercial da Revista Formas e filho do artista plástico Demétrius Coelho - foi para os Estados Unidos fazer o Masters of Product Development na University of Detroit Mercy em Detroit, Michigan.

O Mestrado de Desenvolvimento de Produto (MPD) foi desenvolvido em colaboração com três instituições de ensino: a Universidade de Detroit Mercy, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e do Instituto de Tecnologia de Rochester; e seis parceiros industriais: Ford, General Motors, IBM, ITT, Polaroid, e Xerox; junto com a Marinha dos EUA e da National Science Foundation.

O principal objetivo do programa MPD é melhorar a competitividade global das indústrias norte-americanas, por isso ele é ideal para quem estudou na Engenharia de Produção.

“Esse curso irá me capacitar para trabalhar na área de engenharia do produto e por meio dele eu vou poder me certificar Black Belt em Lean Six Sigma. Fui muito bem recebido em minha chegada, já passei pelas orientações iniciais e estou matriculado nas disciplinas do primeiro semestre. A universidade é bem arborizada, possui vários polos esportivos, além de uma academia com pista de atletismo coberta, pois aqui neva bastante e os treinos não podem parar”, diz o Engenheiro de Produção, Demétrius Coelho Júnior.

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Assessoria Comunicação Revista FORMAS

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agosto 18, 2014

GINGA COM TAPIOCA: PATRIMÔNIO CULTURAL

GINGA COM TAPIOCA
MESMO SEM ABAIXO-ASSINADO, A GINGA JÁ TEM SUCESSO GARANTIDO
Uma petição online sugere que o tradicional prato da Praia da Redinha
seja registrado como bem imaterial do Rio Grande do Norte
Fotografia: Rafael Medeiros/Flickr

GINGA COM TAPIOCA 
PATRIMÔNIO CULTURAL POTIGUAR

Via
Catraca Livre

De origem indígena, a comida foi adotada à mesa dos pescadores da comunidade da Praia da Redinha, litoral de Natal, há mais de 60 anos.

Para realçar o seu valor cultural, um abaixo-assinado online lançado recentemente sugere registrar o prato como patrimônio imaterial do Rio Grande do Norte.

Simples e saboroso, o petisco tem popularidade entre os paladares natalenses e, segundo a descrição da petição, “merece ser uma reconhecida iguaria que representa o sabor e a cara do povo potiguar”.

Os diversos quiosques no Mercado Público da Redinha são os locais de referência para o consumo. Por lá, a ginga com tapioca é o prato mais pedido pelos turistas.

IMORTALIZANDO A GINGA COM TAPIOCA

Por
Tádzio França
TRIBUNA DO NORTE

A comerciante e cozinheira Ivanize Barbosa seria uma personagem essencial no registro (correspondente ao “tombamento” material) da ginga com tapioca como patrimônio imaterial: os pais dela criaram e disseminaram a iguaria, meio século atrás. “Essa história do patrimônio imaterial não é de hoje, já ouvi muito. Eu espero que aconteça, pois seria mais do que justo”, afirma ela, ressaltando que na semana passada recebeu uma equipe de jornalistas de São Paulo para fazer matéria sobre o prato que é “a cara” de Natal, uma das cidades sede da Copa do Mundo.

Ivanize fala com propriedade sobre a iguaria. O pai Geraldo e a mãe Dalila tiveram a ideia de criar um prato a partir daqueles peixinhos minúsculos que os demais comerciantes da área ignoravam. A ginga é um tipo de sardinha, chamada de ‘azul’ ou ‘manteiga’. A receita dos pais de Ivanize é simples e genial: temperar os peixinhos com sal, fritá-los numa mistura de óleo de soja com azeite de dendê, espetá-los num palitinho e rechear a tapioca (em goma de mandioca e coco) com eles. A combinação agradou em cheio e, alguns anos depois, tomou conta da Redinha e de todos que frequentavam a praia de lá.

Hoje tem ginga com tapioca nas duas margens do rio Potengi. Ivanize afirma que nem todas têm a qualidade original da Redinha. “Já comi ginga num shopping. Uma tapioca com três sardinhas a R$15. Achei até graça. Muita gente faz, mas não tem a qualidade da nossa, que é feita na hora, no dendê, com o peixe fesquinho...”, diz. No Box 3, que Ivanize divide com a filha Sandra no Mercado da Redinha, uma porção sai a R$5, recheada de seis a oito gingas, em média. A cozinheira ressalta que o bar vem recebendo ainda mais turistas desde que foi destacado na revista Veja Natal. O “tombamento” da ginga seria um tempero a mais nessa popularidade.

GINGA NO BENDITAS

No ‘outro lado do rio’, a ginga com tapioca se destaca entre vários cardápios diferentes. No boteco descolado Benditas, Petrópolis, a Terça do Mar é o dia da ginga. A iguaria se destaca entre outros petiscos do mar. Uma porção sai a R$7. “Lançamos essa terça há quatro meses, e é um sucesso. Colocamos pratos que não estão no cardápio diário. A ginga é um dos mais pedidos, e muita gente vem só pra comer isso”, afirma a proprietária Márcia Barcellos.

UM BISTRÔ COM GINGA AOS SÁBADOS

O Jardins Café Gourmet, em Petrópolis, dedica um sábado por mês à ginga com tapioca. “É o dia mais aguardado da nossa programação. Quando termina, as pessoas já perguntam quando é a próxima. Comer ginga com tapioca perto de casa é ainda mais gostoso”, diz a proprietária Maria Tereza Cavalcanti. O prato sai a R$6, numa porção com dez gingas. Para acompanhar, uma cerveja bem gelada, de preferência. “Há também a questão da lei seca. Não dá pra ir à Redinha e não beber uma cerveja pra acompanhar”, ressalta. 

GINGA DE CHEF

O chef Daniel Cavalcanti, do Cascudo Bistrô, homenageou o símbolo da Redinha com uma versão gourmet do prato: o gingão com tapioca troca os peixinhos por uma posta de peixe branco alto, frita na farinha de mandioca, servida com a tapioca junto com uma salada e macaxeira cremosa frita. Passou de petiscos a prato principal. “É o prato emblemático de Natal, e a minha versão teve uma ótima aceitação entre a clientela do bistrô”, comenta. O gingão do chef Daniel também figura no livro “Temperos do Brasil”, da escritora Cecília Gianetti, que reuniu receitas regionais de 19 estados do Brasil. O RN foi representado por este prato.

TAPIOCARIA DA VÓ EM PONTA NEGRA

De Redinha à Ponta Negra: a ginga virou carro-chefe no restaurante Tapioca da Vó, cardápio mais tradicional da Vila de Ponta Negra. “Meus amigos sempre agradecem por estar economizando a gasolina da ida à Redinha”, brinca o proprietário Joka Lima. O prato da vila é um pouco diferente do original: a tapioca é toda recheada com cerca de dez gingas, sem o espetinho. “A nossa tapioca também é maior que a da Redinha”, ressalta Joka. Ele destaca que só trabalha com sardinha azul fornecida diretamente pelos pescadores de arrastão de Ponta Negra. O preço é igual ao da Redinha, R$5. Outra diferença, é que a maioria da clientela prefere acompanhar o prato com café, e não com a tradicional cerveja da praia. “A ginga aqui é um prato para jantar”, completa.

CANTO DO MANGUE TEM

Uma das gingas com tapioca mais famosas de Natal fora da Redinha está no Canto do Mangue. A Barraca do Pernambuco, do comerciante Edson Machado, é point para quem está à margem esquerda do Potengi. O prato sai com oito peixes no espeto, fritos no dendê. O seu Pernambuco conta que conhece a receita desde a década de 60, e não teve problema em trabalhar com ele: “Sempre fui acostumado a servir tudo com tapioca”, disse.

HISTÓRICA

Hélio Oliveira, diretor do departamento de patrimônio cultural do Município, acredita que o tombamento/registro da ginga como patrimônio imaterial tem muito potencial à nível local. “A justificativa histórica precisa ser muito embasada. O processo pode partir de qualquer cidadão interessado, mas é algo lento, exige muito estudo e paciência”, conclui.
  
ONDE COMER

*Bar da Sandra e Ivanize Box 3, Mercado da Redinha. 
84.8849-3794/9915-2409
*Benditas Buteco, Petrópolis.
84.3346-3117
*Jardins Café Gourmet, Petrópolis. 
84.2020-4709/9413-3300.
*Tapiocaria da Vó, Vila de Ponta Negra.
84.8722-7570
*Cascudo Bistrô, Praça das Flores, Petrópolis. 
84.3202-1005

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agosto 12, 2014

DESCOBRINDO O RN PRÉ-HISTÓRICO


TOMISLAV R. FEMENICK
O jornalista percorrendo o terreno recoberto por rochas
 Fotografia: Acervo do autor

DESCOBRINDO O RN PRÉ-HISTÓRICO

 Por
Tomislav R. Femenick (*)
especial para a TRIBUNA DO NORTE

Pelo menos há dois milhões de anos já existia vida em Baraúnas, conforme pesquisas que o Instituto de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte realizou em junho de 1968, na localidade de Olho D’Água da Escada, a 52 quilômetros de Mossoró – Município ao qual Baraúnas então pertencia –, onde foram achados fósseis de animais pré-históricos. 

Fósseis são restos vegetais ou de animais que viveram em épocas pré-históricas e que foram conservados em sedimentos que, com o passar do tempo, se acumularam sobre eles. Esses vestígios, como outros, sinalizam a existência de vida em tempos remotos, como pegadas, conjunto de circunstâncias físicas e geográficas que oferece condições favoráveis à vida e restos de alimentos. A importância de descobertas dessa natureza está no fato de que os estudos da pré-história fundamentam-se quase exclusivamente nos conhecimentos obtidos pela análise de fósseis, a partir do que é possível obter conhecimentos sobre o meio-ambiente, o clima e as migrações da fauna (e da flora), anteriores à evolução do homem.

O trabalho do Instituto de Antropologia da UFRN foi uma verdadeira viagem à pré-história, ao período plistocênico (glacial) e evidenciou a existência de gliptodontes (mamíferos gigantescos e desdentados, fósseis no quaternário da América), megatérios (grande mamífero desdentado, fóssil nos terrenos terciários e quaternários da América) e mastodontes (mamíferos de focinho prolongado em forma de tromba, corpulento e de constituição análoga à do elefante, que surgiu no oligoceno e se extinguiu no plistoceno), ao lado de pequenos roedores e tigres de dente de sabre, que integravam a fauna potiguar em uma época que se conta por milhões de anos, em uma terra que, como de resto a Chapada do Apodi, surgiu do fundo do mar, também há milhões de anos. Os ossos de um cliptodonte (um tatu gigante) que foram localizados pelo pesquisador Manuel Dailou Teixeira formam uma peça de indicação quase perfeita.

ÁREA PESQUISADA

Olho D’Água da Escada apresenta um cenário bruto, inclemente, rude, áspero e agreste. A topologia é um desafio à presença do ser humano, que se sente repelido e quase agredido pelos cactos e outras vegetações características da caatinga nordestina. De espaço a espaço, o afloramento do calcário fere a vista, como em uma paisagem lunar. Completando a cena, cavernas abruptas aumentam o perigo para o passante desprevenido.

Na época das pesquisas a civilização ainda não havia chegado totalmente ao local. Apenas um ou outro tiro de espingarda, disparado por um caçador ocasional, marcava a presença do homem. Distantes alguns quilômetros uns dos outros, se encontram pequenos roçados de milhos, feijão e algodão. A água era trazida de outras localidades, pois não há registro de riachos ou mesmo um único olho d’água, como era de se esperar pelo nome do lugar.

EQUIPE

Os trabalhos de exploração foram realizados em Olho D’Água da Escada, distante oito quilômetros do povoado de Boa Sorte, onde ficaram acampados o professor José Nunes Cabral de Carvalho, diretor do Instituto de Antropologia da UFRN e chefe da equipe; o pesquisador Leon Diniz Dantas de Oliveira, do Departamento de Mastozoologia; os pesquisadores Manuel Daiton Teixeira de Vasconcelos, do setor de Geomorfologia; Marilda Fernandes de Carvalho, do setor de Paleontologia; José Crispin, do setor de Antropologia Física; Celma Bezerra, do departamento de Entomologia e o professor Antonio Campos e Silva, do Departamento de Geologia.

AS CONDIÇÕES

Trabalhando em condições precárias e em constante risco de vida, os pesquisadores faziam uma jornada de mais de dez horas de trabalho por dia. Andavam quilômetros a pé, em solo formado por pedras cortantes ou em veredas que correm dentro a caatinga, para atingirem as cavernas, onde estava localizado o material pesquisado. A descida às cavernas era feita por escadas de cardas, às vezes por aberturas estritas e abruptas, que mal oferecem condições de passagem para uma pessoa. As acomodações da equipe constavam de duas barracas de lona, sob as quais faziam suas refeições, dormiam, revelam filmes e se reuniam os membros do grupo.

AS DESCOBERTAS

Ali foi que o Instituto de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte realizou alguns dos mais importantes achados fósseis do território nacional, somente comparável aos feitos de Peter Lungan, em Lagoa Santa, no Estado de Minas Gerais. Seis cavernas foram trabalhadas, sendo que a mais importante é a que recebeu a classificação de “F-3”, a qual tem a profundidade de 30 metros, ao pé da escada. Sua largura e seu comprimento são de 20 metros. Do seu salão central surgem dois túneis, um dos quis leva a um sumidouro com 40 metros de profundidade. Na ocasião, mais de vinte e duas toneladas de detritos foram removidas desta caverna, composto principalmente de terra e pedras resultante de assoreamento provocado pelas águas de chuva.

PRECIPITAÇÃO

Os pesquisadores estimaram que na época em que aqueles animais – hoje extintos e cujos fósseis foram encontrados – viviam na região de Baraúnas já eram constantes os períodos de estiagem. Em busca da água, os animais caminhavam para os únicos reservatórios que existiam: as cavernas que armazenavam as águas das chuvas. Cavernas essas que tinham (e ainda hoje têm) pequenas entradas nas grandes cavidades internas. Os pesados animais nelas se precipitaram quando o teto de calcário se partia e trazia todos os elementos de superfície.

MATERIAL COLHIDO

Na ocasião o número de fósseis localizado representou um achado de grande valor. Foram encontrados restos de preguiças gigantes, um tatu de seis metros aproximadamente e um mamute primitivo. Por outro lado, milhares e milhares de pequenos ossos isolados ou componentes de conjuntos também foram encontrados e transportados para a sede do Instituto em Natal.

As pesquisas visam a uma análise do passado e sua correlação com o presente. Paralelamente aos achados paleontólogos, foram sendo efetuados estudos sobre a fauna e a flora atual. Vários animais foram capturados ou mesmo abatidos, para comparação entre as faunas presente e a passada. Com vista a realização de estudos sobre a evolução do relevo do terreno, técnicos do setor geomorfologia (ramo da geologia física que estuda as formas atuais do relevo terrestre e investiga a sua origem e evolução) realizaram coleta de elementos atuais e residuais do passado, característicos da região estudada. Os estudos se complementavam com análise e pesquisa de mastozoologia (ramo da zoologia que se ocupa do estudo dos mamíferos), geomorfologia, paleontologia, antropologia física, entomologia e geologia.

TAMBÉM EM SÃO RAFAEL

O Instituto de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte também realizou trabalhos de pesquisas no Município de São Rafael, situado na mesorregião Oeste Potiguar e na microrregião Vale do Açu, onde foram encontrados restos de material lítico (cerâmica). Na data das descobertas, esses objetos não tiveram idade catalogada, vez que não tinha sido encontrado um fóssil guia, nem se dispunha de métodos e equipamentos capazes de determinar a idade do material descoberto. A cerâmica encontrada em São Rafael, no nível dos fósseis, não permitiu aos pesquisadores afirmar se ela é contemporânea dos mastodontes, megatérios e outros animais pré-históricos. As pesquisas do Instituto de Antropologia foram realizadas, em grande parte, graças a ajuda recebida do Conselho Nacional de Pesquisas.

DO INSTITUTO AO MUSEU

O Instituto de Antropologia foi criado pela Lei estadual nº 2694, de 22.11.1960, com órgão da então Universidade do Rio Grande do Norte, dias antes desta ser federalizada e ser transformada na atual Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Sua primeira equipe técnica era composta por Luís da Câmara Cascudo, José Nunes Cabral de Carvalho, Veríssimo de Melo e D. Nivaldo Monte. O Instituto de Antropologia foi o primeiro órgão de pesquisa da instituição de ensino superior, tendo como objetivo “promover e divulgar estudos sobre o homem em seus diversos aspectos físicos e culturais, além de realizar pesquisas relativas às jazidas pré-históricas do território norte-rio-grandense”. Além das atividades de pesquisa direta, o Instituto oferecia cursos de extensão universitária nas áreas de antropologia, arqueologia, etnologia e paleontologia. 

Em 1965 passou a ser denominado Instituto de Antropologia Câmara Cascudo, em homenagem ao seu primeiro diretor. Em outubro de 1973, por resolução do Conselho Universitário da UFRN, foi transformado em Museu Câmara Cascudo, tendo como compromisso “preservar os resultados das pesquisas e estruturar as atividades de proteção, utilização e exposição das peças do acervo”. 

  (*) jornalista, historiador e membro da diretoria do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

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 Tomislav R. Femenick
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julho 31, 2014

A OBRA IGNORADA DE ARIANO SUASSUNA

 ARIANO SUASSUNA
Obra do autor é ignorada por gestores potiguares desde os anos 80
Morte do escritor paraibano chama a atenção das autoridades 

quanto ao valor do conhecimento como propulsor do
 desenvolvimento humano  e econômico
 Fotografia: Canindé Soares

A OBRA IGNORADA DE ARIANO SUASSUNA

 Por
Conrado Carlos

 Editor de Cultura Jornal de Hoje

Em 2005, eu estava no primeiro ano da faculdade de jornalismo quando um professor indicou o livro “Iniciação à Estética”, do paraibano com jeito rabugento e cara de menino danado que arrancava sorrisos de quem o ouvia detonar o Mickey Mouse – suas entrevistas, aulas-espetáculos ou qualquer pronunciamento eram memoráveis. O anti-estrangeirismo (no idioma ou nos símbolos consumidos), o sotaque nordestino acentuado, a simplicidade e a inteligência hipnotizavam a plateia.

Então, fui à biblioteca da faculdade e constatei que tinha apenas uma cópia para a galera toda. O liseu me fez procurar alternativas, até que alguém mencionou a Biblioteca Câmara Cascudo. Foi quando um admirável mundo torto surgiu ao telefone. No contato inicial, uma atendente anotou o nome do livro e me pediu para retornar a ligação em dez minutos, pois a procura seria a olho nu e manualmente – nada digitalizado. Tempo cumprido, ouço a negativa sobre o tomo que um dos maiores escritores do Brasil publicou sobre pensadores e a filosofia da estética.

Detalhe: Ariano morava em Recife, a meros 300km de Natal. Um breve contato com sua assessoria e toda sua obra estaria disponível aqui. Só que a turma que comandou o Estado nas últimas três décadas esqueceu de incluir no orçamento um tantinho de dinheiro para atualizar constantemente o acervo da instituição. Para mim, naquele instante de empolgação com o curso e a futura carreira, foi uma revelação de como o saber é valorizado por estas bandas – nos últimos anos, as mil matérias sobre o abandono da construção com arquitetura soviética só aumentou minha raiva.

Um crime lesa-pátria potiguara e contra a família de Câmara Cascudo. Pois, bem. Creio que em 2009, após um período em que tranquei a faculdade, outro professor também sugeriu a leitura de “Iniciação à Estética” – a essa altura, já em minha estante, via sebos virtuais. Repórter de Cidades do JH, eu tinha uma pauta sobre a degradação da maior biblioteca pública do Rio Grande do Norte. “Vou testar aquela joça”, pensei. E liguei novamente para saber se eles tinham corrigido o erro brutal. Quanta inocência…a mulher que me atendeu pediu 30 minutos (?!) para localizá-lo.

O que, lógico, não aconteceu. E assim a coisa ficou. Eu via Ariano Suassuna como um militante do bom senso. Longe de ser especialista em sua produção intelectual, nutri profunda admiração por aquele homem que defendia o que é brasileiro com a mesma fé do barbudo muçulmano que, numa hora dessas, está maquinando o que fazer contra Israel. Ninguém ficou surpreso com sua morte, confirmada na tarde de ontem. Mas todos sentiram como se aquela despedida fosse um familiar. Dos personagens da Arte Brasiliis, foi ele quem mais me fez sorrir.

À noite, com as manchetes sobre sua morte, revi a entrevista que ele deu no Programa do Jô sete anos atrás – época do aniversário de 80 anos. Se o amigo leitor não viu, recomendo e aviso que a diversão é garantida. Nos primeiros minutos, ele comenta os eventos que o homenageavam quanto à data como se soubesse o que devem fazer de agora em diante, com sua ida para baixo da terra. “Eu tava dizendo outro dia que estão fazendo um chamego tão grande que eu tô começando a ficar preocupado, porque quando eu completar 160, como não vai ser?”.

A cada cinco minutos ele arrancava gargalhadas de Jô e da plateia. Quanto ao papo de vegetarianismo, de alimentação saudável, tão adequada para um octogenário? “Eu não posso ser naturista, porque eu como Castro Alves, Casimiro de Abreu”. E diz que leu em uma revista científica que o cavalo, na Idade da Pedra, assim como o ser humano, vivia 20 anos, em média. “Aí, hoje, eu já vou com oitenta aqui, e o cavalo continua com vinte e ele é vegetariano”. Uma maravilha que o natalense teve a oportunidade de ver de perto, em inúmeras apresentações.

Monteiro Lobato, certa vez, disse que “Um país se faz com homens e livros”. A frase é tão bacana, direta e óbvia, que a mesma turma do Governo estampou no site da Biblioteca Câmara Cascudo – solta entre aspas na home, mas sem o devido crédito. Talvez o Brasil tenha uma dívida histórica quanto a mostrar quem são os nossos. Ariano Suassuna se foi. Mas sua vasta obra ficou. Cabe aos ‘ômi’ trazê-la para onde ele mais gostava de estar: em meio à gente simples e sonhadora. Seria o mínimo, para não dizer uma obrigação.

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julho 30, 2014

CÂMARA CASCUDO: DIÁLOGO COM O MUNDO

CÂMARA CASCUDO
Faceta filosófica de Luís da Câmara Cascudo ganha luz 
com a reedição, 40 anos depois, de Prelúdio e Fuga do Real
Fotografia: Divulgação

CÂMARA CASCUDO
E SEUS DIÁLOGOS COM O MUNDO

Por
Yuno Silva
TRIBUNA DO NORTE

O mundo bateu à porta de Câmara Cascudo, e as anotações habituais que fazia nas páginas dos livros que lia serviram de alicerce para “Prelúdio e fuga do real”. Rara experiência literária do historiador, pesquisador, antropólogo, advogado e jornalista potiguar, famoso por estudos etnográficos e culturais, o livro constrói diálogos imaginários com escritores e personagens de sua preferência, figuras bíblicas e mitológicas como Maria Madalena, recebida na casa do escritor ali no caminho da Ribeira para a Cidade Alta; ou Maquiavel, com quem Cascudo conversou na Praça Augusto Severo, Ribeira. Caim, Luís de Camões, Dom Quixote, Ramsés II, Nostradamus, Epicuro, Rei Midas e Judas Iscariotes também estão na lista dos papos (francos e fluidos) que podem ser lidos em qualquer ordem e tempo.

Hoje, data histórica, quando se completa exatos 28 anos de seu encantamento, essa faceta pouco conhecida do intelectual será (re)apresentada ao público no Centro de Convivência da UFRN, local escolhido para o lançamento de “Prelúdio e fuga do real”. O livro está esgotado há décadas e essa segunda edição sai sob chancela da Global Editora e da EDUFRN. Na capa, o ‘olho’ captado pelo fotógrafo Ivan Russo em formação rochosa na região do Gargalheiras, em Acari, sugere a visão amplificada de Luís da Câmara Cascudo (1898-1986).

Durante o lançamento, marcado para esta quarta-feira às 18h, na Galeria Conviv’art, haverá breve debate sobre a relevância de seu conteúdo com o professor Humberto Hermenegildo, o jornalista e crítico literário Nelson Patriota e a escritora, filha do homenageado, Anna Maria Cascudo Barreto.

“Será uma conversa rápida, apenas para passar algumas informações e ressaltar o perfil da obra. Considero esse livro um ponto de partida tanto para ler e reler outros títulos de Cascudo como para buscar entendimento de seus pensamentos”, disse Hermenegildo, coordenador do Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses da UFRN, que conduziu a tradução, elaboração e contextualização das notas – detalhe ausente na primeira edição de 1974.

A companheira, agora só, de um dos maiores folcloristas do Brasil
fotografia: Canidé Soares

DIÁLOGOS COM UM LEITOR VORAZ

Publicado originalmente em 1974, o livro revela o Cascudo leitor, “mostra quem foi, o que pensava e sua visão de mundo”, avalia a neta Daliana Cascudo. Em 35 capítulos Câmara Cascudo trava diálogos hipotéticos, informais e instigantes. As mais de 300 páginas também são recheadas por 506 notas que tecem uma colcha poliglota de referências; citações em inglês, francês, italiano, latim, espanhol e alemão que comprovam a rica visão de mundo de Câmara Cascudo, suas impressões sobre os dilemas humanos e o alto grau de sua formação intelectual.

Câmara Cascudo tinha o hábito de anotar nas margens dos livros impressões sobre tudo o que lia. “Quem pega um livro de sua biblioteca pessoal vai perceber o tanto que ele debate, concorda e discorda dos autores e personagens. Acredito que essas discussões deram origem a ‘Prelúdio e fuga do real’. Vejo traços filosóficos nos textos”, destacou Daliana, diretora do Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo, museu e memorial que funciona na casa onde o mestre nasceu e viveu toda sua vida, ali na subida da Ribeira para a Cidade Alta.

A revisão cuidadosa desta segunda edição de “Prelúdio...”, que corrige uma série de erros apontados pelo próprio autor na época da publicação original, foi realizada por Nelson Patriota, Fátima Maria Dantas e Andréia Braz.

MATURIDADE LITERÁRIA

Para o professor Humberto Hermenagildo, apesar de “Prelúdio e fuga do real” pedir bagagem e repertório literário, o livro oferece entendimento para questões locais com base em uma ampla e eclética visão de mundo. “Câmara Cascudo era um cosmopolita extremamente ligado às tradições, e como não conhecemos muito sua literatura esse livro nos dá uma visão de seu lado escritor. Uma faceta diferente do Cascudo pesquisador e etnógrafo. Vemos passagens ensaísticas, imaginação e criatividade literária”, enumera Hermenegildo, lembrando que “Prelúdio...” foi escrito na fase madura do autor.

“Ainda temos muito a desengavetar sobre Cascudo, há várias pesquisas em curso no Núcleo (Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses)”, reforça o professor. O próprio, inclusive, iniciou estudo sobre a correspondência de cascudo na década de 1920.

FRONTEIRA

O jornalista e crítico literário Nelson Patriota, em artigo publicado esse último domingo (27) nesta TRIBUNA DO NORTE, escreveu que “Prelúdio e a fuga do real” é um texto “fronteiriço entre diversos saberes – literatura, mitologias, ciência e técnica, religião e política”. Para Patriota, o livro oferece ao leitor “uma riqueza textual de tal ordem que o torna um livro especial, não só dentro da vasta obra cascudiana, mas na própria bibliografia nacional”.

O crítico aponta que, por trás da trama, “percebe-se claramente um ‘ardil literário’: a pretexto de discutir determinados assuntos de interesse geral e intrínsecos às preocupações humanistas, Cascudo recebe uma série de convidados, pessoas de outros tempos, personagens literários e míticos que guardam alguma relação com cada assunto tratado. Nesse processo, que subverte a ordem natural do mundo, o mestre parece estar perfeitamente à vontade. O diálogo com o centauro Bianor Silva, descendente do grande Quíron, preceptor de Aquiles, dá pretexto para uma conversa sobre a educação dos jovens”, exemplifica.

...serviço...
O lançamento de “Prelúdio...” (Editoral Global/EDUFRN, R$ 59, 304 páginas) será nesta quarta-feira, às 18h, na Galeria Conviv’art – Centro de Convivência da UFRN.

...fonte...
Yuno Silva, repórter
(*) Colaborou: Cinthia Lopes, editora

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